sábado, 13 de fevereiro de 2010

JESUS E OS EXCLUIDOS

JESUS E OS EXCLUIDOS

Atualmente fala-se muito dos excluídos da sociedade. Para entender essa situação, temos que voltar ao passado, e saber por que Jesus criou um sistema grupal para transmitir os seus ensinamentos.

Na época de Jesus, era comum na Palestina, a formação de grupos para defender uma causa ou o interesse comum dos seus componentes. Numa análise rápida dos principais grupos, evidencia-se para nós, o motivo pelo qual Jesus formou o seu próprio grupo de seguidores, que observavam as suas sentenças e buscavam o aprendizado e a vivência dos seus ensinamentos transferidos através das parábolas...

O primeiro grupo que avaliaremos será o dos Fariseus, cuja palavra originária do hebraico, significava separação, divisão. As características deste grupo eram: obediência cega à Lei Oral, a observância religiosa colocada acima do nacionalismo judaico, sendo servos das práticas exteriores do culto e das cerimônias; a pregação do proselitismo, mas não aceitavam inovações. Eles acreditavam na suprema sabedoria com que Deus conduz todas as coisas; acreditavam ainda na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos, isto é, no surgimento de uma nova e definitiva vida, distinta e oposta à existência terrena.

O segundo grupo social importante era o dos saduceus, composto pelos sacerdotes do Templo. Eles eram descendentes de Zadoque, o grande sumo-sacerdote dos tempos de Davi, e tinham por base a afirmativa de que toda Lei deveria ser escrita e imutável. Tinham eles seu próprio texto adicional chamado o “Livro dos Decretos”, que estipulava um sistema de punição: - quem seria apedrejado, queimado, decapitado ou crucificado. Devido à rígida observância da Lei Mosaica, seu conceito de Templo como única fonte e centro do governo judaico, os levava à própria condição hereditária de suas funções. A direção do Templo era exercida pelo sumo-sacerdote que desempenhava as funções de um regente secular, e por um comitê de anciãos que formavam o Sinédrio, que desincumbiam-se dos deveres religiosos e legais. Eles não acreditavam na imortalidade da alma, nem na ressurreição, nem nos bons e maus espíritos.

O terceiro grupo importante era o dos essênios, formado pelo agrupamento de várias seitas milenares da orla do deserto. Tinham avançados sistemas de canalização em seus edifícios, para suas purificações ritualísticas, bem como sala de reuniões. A preocupação com a literatura era demonstrada pela presença de bibliotecas, cujos rolos com as coleções eram colocados em jarros escondidos em cavernas próximas. Possuíam costumes brandos e virtudes austeras; ensinavam o amor a Deus, a imortalidade da alma e a ressurreição. Outras características dos essênios eram o celibato, a condenação da servidão e da guerra, o cultivo da agricultura e uma estrutura social, onde os bens eram comuns a todos.

O quarto grupo social era o dos Zelotes, cujo nome vem da história de Finéas, no Livro dos Números. Ele salvou Israel da peste e, assim, se dizia ter sido “zeloso com seu Deus”. Os sicários eram elementos terroristas dos zelotes. Eles levavam adagas
escondidas e costumavam assassinar judeus colaboradores dos romanos...

Jesus, então iniciou a sua missão, convidando inicialmente os pescadores, homens excluídos da sociedade judaica, devido à observância da Lei, que afirmava ser o trabalho com animais, impuro diante de Deus. Portanto, eles não poderiam ser admitidos nos grupos dos fariseus, dos saduceus, dos essênios ou dos zelotes. Depois, Jesus avistou um publicano, coletor de impostos. De todas as imposições do governo romano, era o imposto, o que os judeus mais detestavam, colocando-o como questão religiosa, em virtude de ser contrário à Lei. Assim, aqueles que não conseguiam outras oportunidades de trabalho e que possuíam conhecimentos matemáticos, se empregavam como cobradores de impostos. Mateus ou Levi, era íntegro em sua vivência e Jesus o convidou para fazer parte do seu grupo. Veio depois o convite a outros e também a Simão, o zelote, que passou a ser um ex-zelote, citado nos Evangelhos.

Jesus, portanto, formou um grupo de pessoas excluídas da sociedade para demonstrar-nos o seu amor pelos humildes... Hoje não temos pescadores, publicanos, ex-zelotes ou mulheres do povo excluídos da sociedade, mas temos e os encontramos como desempregados, moradores de rua, idosos desamparados, usuários de drogas, vendedoras de sexo e menores abandonados. Para ajudá-los, devemos deixar de lado um pouco do nosso comodismo, que nos aprisiona na ociosidade, e amparar de alguma forma esses excluídos, atendendo ao chamado de Jesus, quando disse: “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e fostes me ver.” – Então os justos lhe responderão: “Senhor, quando foi que fizemos tudo isso que não lembramos?” – Ao que Jesus lhes responderá: “Em verdade vos digo: Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”.

Assim, diante dos excluídos, sejamos simples e humildes, compreendo-os na posição em que se encontram. Sem sermos coniventes com o erro, devemos ter piedade para com nosso semelhante que precisa de nossa ajuda. Não vamos interrogá-lo sobre a causa de sua queda. Tenhamos a palavra de conforto e de esperança e comecemos com o exercício do amor ao próximo, ajudando-os no que for possível fazer, e, confiado na Bondade, Justiça e Misericórdia de Deus.

Também nenhum grupo permitia o ingresso de mulheres em suas fileiras, em virtude de não serem elas consideradas como “gente” pela estrutura social vigente naquela época. Mas, todos os evangelistas citam as presenças femininas marcantes junto ao Mestre Amado: Maria de Nazaré, sua mãe,; Maria de Magdala ou Madalena a vendedora de ilusões; Joana de Cusa; Maria mão de Tiago; Marta e Maria, irmãs de Lázaro, e tantas outras anônimas, que O acompanhavam em suas peregrinações.

João o apóstolo amado, nos afirma o seguinte: “Se alguém disser; amo a Deus e odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê.” – Estendamos nossos braços acolhedores aos excluídos de hoje, para que amanhã, possamos também encontrar outros braços direcionados para nós, de acordo com a máxima que diz: “É dando que se recebe”. Diz César Reis que, se Jesus reencarnasse nos dias de hoje, encontraria a Terra profundamente necessitada de evangelização como outrora. Seu esforço de há dois mil anos produziu frutos magníficos, no entanto, se o ser humano avançou muito em tecnologia e em ciência, mas ainda precisa crescer moralmente.

Naquele tempo, Jesus mostrou a necessidade de se remodelar a sociedade humana, através da transformação individual. Ele iniciou sua vida pública, com o episódio das bodas de Caná, mostrando o significado da Sua presença transformadora. Muitos até hoje discutem o nascimento, o corpo, os milagres e a morte de Jesus. Mas, como Allan Kardec acentua, o que ninguém discute é a essência moral dos seus ensinamentos, que é o que realmente interessa. Assim acontece porque o ser humano perdeu o significado profundo das mensagens do Divino Mestre. Jesus hoje, reencontraria a Terra envolvida em injustiças sociais e egoísmo, apesar de ser muito grande o número dos que se dizem adeptos do Cristianismo, em suas variadas formas.

Bezerra de Menezes descreve, de maneira genial, o Cristianismo dos primórdios: “Na Casa do Caminho, se trabalhava durante todo o dia em favor dos necessitados. A Casa recebia os doentes, os miseráveis de toda ordem, os escravos e os necessitados. Os seguidores de Jesus tratavam das feridas, cuidavam dos famintos dando-lhes o alimento, assim como cuidavam das roupas. À noite, reuniam-se todos e os apóstolos contavam as passagens, os ensinamentos, as parábolas, os fatos da existência de Jesus. Era assim, com tocante pureza e simplicidade que aquelas pessoas davam o testamento da sua fidelidade ao Mestre Amado.” Depois, acrescenta Bezerra de Menezes, “os homens inverteram o processo. Construíram templos enormes e luxuosos, estabeleceram regras, dogmas, castas; colocaram-se como donos da lei, associaram-se aos políticos, influenciaram na economia e se tornaram detentores de grandes fortunas. O ensino de Jesus passou a se processar em templos fechados e muitas vezes, deturpado e sem exemplificação”.

A missão da Doutrina dos Espíritos é a volta à simplicidade, à exemplificação, ao testemunho, a fraternidade. Relembra a maneira antiga, mas sempre atual do Evangelho, porque não há outra fórmula que possa resolver os conflitos da existência atormentada das pessoas e as desigualdades sociais. Há necessidade da difusão dos Seus ensinamentos; a criação de núcleos evangélicos que assista e oriente a educação transformadora, que façam reviver os valores do amor, da caridade, que façam ressurgir a família como base da sociedade. Há necessidade de um grande esforço de regeneração, sobretudo para que cada pessoa busque a auto-educação.

Evangeliza-se a pessoa para evangelizar a família, para transformar a sociedade. É preciso formar a pessoa de bem, que somente será digna de tal nome quando praticar: A fraternidade – Jesus ensinou que somos todos filhos do mesmo Pai Celestial; portanto, somos todos irmãos; o respeito ao próximo – Jesus ensinou que aquilo que é nobre em nós é a presença divina, em todos, sem exceção; portanto somos todos igualmente importantes. Jesus ensinou ainda que a pessoa que busca a paz, sabe que a paz está dentro de si, que é o amor de Deus; a reforma íntima - Jesus ensinou que, para segui-lo, temos que nos esquecer de nós mesmos; vencer os velhos vícios, as emoções descontroladas; inevitavelmente temos que proceder à nossa reforma interior para que surja a pessoa nova; a caridade – Jesus ensinou que ela é o supremo instrumento de renovação: caridade só pode ser praticada por aqueles que têm amor; é a doação de sentimentos, é solidariedade, é pensamento de amor que se projeta no olhar, no sorriso, no gesto amigo de fraternidade; a busca da consciência – Jesus ensinou que a consciência é geradora de responsabilidade: somos espíritos imortais, em aprendizado, crescendo em cada existência; que hoje somos o resultado do que fomos ontem, e que a semeadura de hoje provocará a colheita obrigatória no amanhã, do que tivermos semeado.

Jesus, hoje, encontraria a Terra bem melhor do que há dois mil anos. Resolvemos de maneira brilhante os problemas da inteligência, mas ainda estamos muito longe de resolver os problemas da convivência fraterna. Jesus certamente está conosco, mas nós ainda não conseguimos estar plenamente com Ele. A principal causa disso é o egoísmo que se fundamenta sobre a importância da personalidade, do eu, desconhecendo os princípios da caridade. O egoísmo se caracteriza na pessoa, pela ausência do sentimento de fraternidade para com os semelhantes, excluídos ou não. A cobiça e a posse dos bens terrenos, leva o ser humano a se tornar insensível ao sofrimento alheio e ingrato até mesmo aos que lhe ajudaram a conseguir fortuna.

Há ricos e pobres porque Deus sendo justo, possibilita aos ricos a prova da fraternidade e da caridade, e aos pobres a prova da resignação e da humildade. È certo que algumas vezes nos perguntamos se Deus é justo em possibilitar a riqueza terrena a pessoas que fazem da fortuna, a exploração e a miséria dos seus semelhantes. O egoísta quer tudo só para si, e tudo faz para conseguir seus propósitos, nem que tenha de sacrificar a própria família, os amigos, empregados e outros que possa explorar. A verdade é que o ser humano vive em busca de uma forma de felicidade, correndo atrás de algo que nem sabe bem o que é, que termina gastando o seu tempo, sem se dar conta, porque a felicidade não é um objeto; encontra-se ela nas coisas simples da vida, como: o admirar o por do sol; a beleza da Natureza; o sorriso de uma criança; o abraço de um amigo; a manifestação de carinho de um familiar; o agradecimento de uma pessoa a quem beneficiamos, e muitas e muitas outras maneiras simples, que não damos o devido valor.

A nossa principal preocupação deve ser a de conseguir os bens imperecíveis da alma. Jesus nos ensinou: “Não andeis ansiosos pelo dia de amanhã. Buscai primeiramente o Reino de Deus, através do cumprimento das Suas Leis, da fé consistente, da oração, da caridade, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas.” Que Jesus nos inspire a fim de que a simplicidade, o amor e a caridade sejam os atributos de nossa existência, conforme nos ensina a Terceira Revelação, que é a Doutrina dos Espíritos,
base complementar dos ensinamentos do Mestre Amado Jesus...

Que a Paz do Senhor, nos estimule ao amparo de nossos irmãos necessitados, sofredores e excluídos.


Bibliografia:
Evangelho de Jesus
Livro “Boa Nova”

Jc.
Refeito em 14/12/2004

A MEDIUNIDADE

A MEDIUNIDADE

O meio que nos põe em contato com os espíritos, é a mediunidade. A mediunidade é o veículo pelo qual entramos em relação com os espíritos, e todos nós a possuímos, embora em graus diferentes. Por ela, Deus que é Bondade Infinita, permite-nos que continuemos a sentir vivos e palpitantes de amor, aqueles que constituíram na Terra, nossas mais queridas afeições.

Para compreendermos onde reside a mediunidade, sabemos que somos compostos de três elementos: O espírito, o perispírito e o corpo físico. O espírito representa a nossa individualidade, o nosso “eu” imortal, sendo a parte de nós que pensa, sente e age. O perispírito é um véu fluídico que envolve o espírito e o liga ao corpo, durante o tempo da encarnação. É inseparável do espírito e é tanto mais luminoso, quanto maior for o adiantamento moral do espírito. É invisível para nós no estado normal; porém pode tornar-se visível, como no caso das materializações e das aparições. O corpo físico é o instrumento pelo qual o espírito atua no mundo terreno. Quando encarnados, estamos com a alma, o perispírito e o corpo; e quando estivermos desencarnados, possuiremos o espírito e o perispírito. Este é o receptor das sensações e o transmissor delas para o espírito, como sendo um intermediário. As sensações físicas são recebidas pelo corpo através do sistema nervoso de que é dotado. As sensações espirituais também são recebidas pelo perispírito que irradia através do nosso corpo e o contorna como uma névoa de luz.

À medida que o ser humano vai se moralizando suas faculdades psíquicas se dilatam e sua percepção espiritual aumenta. É a mediunidade para nos iluminar e aos que conosco caminham. Por isso Jesus disse: “Brilhe a vossa luz.” “À mediunidade é aquela luz que seria derramada sobre a carne e prometida pelo Divino Mestre, aos tempos do Consolador, atualmente em curso na Terra”, garante-nos o benfeitor Emmanuel.

O Cristo foi o grande médium de Deus entre os homens; quando aqui esteve, iluminou a face do planeta de uma luz intensa e definitiva que nunca mais se apagou. Sua aproximação dos seres humanos intensifica os registros mediúnicos de almas já dispostas ao bem. Maria de Nazaré, observa a figura de um anjo que lhe anuncia a maternidade próxima. Isabel, sua prima, abre os canais mediúnicos de intuição para o registro do fato de que também seria mãe. Registra ainda o Evangelho, a iluminação da mediunidade de José; espíritos angelicais lhe orientam, por sonhos, as decisões a serem tomadas com vistas à proteção do seu filho, das atrocidades de Herodes. Anjos manifestam sua alegria aos homens, entoando cânticos e louvores pela chegada ao mundo da Luz de Deus.

E Jesus aparece e anuncia: “Eu sou a luz do mundo”. Luz que não se negou a iluminar nem mesmo as mais sórdidas e escuras cavernas de nossas almas adoecidas nos próprios desmandos e loucuras. Conviveu Ele com as trevas; curou homens que adoeceram no convívio longo com mentes impregnadas de mágoas e ódios. Quando nós nos desequilibramos, entregamos nossa mente a muitas outras mentes, como aquele geraseno obsediado que andava por entre sepulcros e por montes, ferindo-se e que foi curado pelo Mestre.

Respondendo à pergunta 567 do “Livro dos Espíritos”, os instrutores espirituais dizem a Kardec que, “os espíritos vulgares costumam de imiscuir em nossos deveres e ocupações. Eles nos rodeiam constantemente e com freqüência tomam parte ativa no que fazeis, de conformidade com suas naturezas”. Se eles estiveram até no caminho de Jesus, na terra, e receberam d’Ele expressões de amor, imaginem como não estão tentando impedir nossos passos no caminho da luz. O Evangelho nos trás à observação a figura de um grande médium. Pedro, pescador, era pobre a quem Jesus conclama para a tarefa de “pescador de almas”. Essa é a função do médium no uso do magnetismo e da mediunidade que lhe é inerente; pescador de almas para as tarefas de amor a que o Evangelho nos convida; para levar as criaturas a se achegaram a Jesus, e não a eles os médiuns.

Antes do Cristo, a mediunidade servia à curiosidade e à inércia mental, atuando apenas em atos de vingança e ódio, como instrumento de poder e de pavor, como nos confirmam os relatos bíblicos. Foi Jesus quem deu a dimensão luminosa aos fatos mediúnicos, desde sua chegada a Terra, até sua partida desta. Jesus nos alerta, porém: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito é firme, mas a carne é fraca”. João também nos adverte quanto ao zelo no trato com a mediunidade dizendo:”Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus”. Esse zelo, também encontramos na Codificação Espírita, com a afirmativa do codificador de que, “é preferível rejeitar noventa e nove verdades, a aceitar uma mentira”.

Nos relatos dos apóstolos, poderemos nos contagiar com seus exemplos de amor e humildade, virtudes necessárias à tarefa mediúnica que é um dom divino e com ela devemos suavizar os sofrimentos alheios, cooperando com os espíritos curadores, concorrendo para o alívio dos que sofrem. Entretanto, nunca esqueçamos de dar de graça, o que Deus de graça nos concedeu. Nem troquemos por algumas moedas, o que a bondade de Deus quer distribuir aos seus filhos necessitados.

Todo aquele que sente num grau qualquer, a influência dos espíritos, é por esse fato um médium. Essa faculdade é inerente ao ser humano; não constituindo privilégio exclusivo e raras são as pessoas que não possuem alguns rudimentos, ou que não tiveram na infância alguma experiência mediúnica, visto que o espírito da criança até os seis anos de idade, está mais ligado ainda ao mundo espiritual.

O termo médium é aplicado pelos espíritos ao indivíduo cuja faculdade mediúnica se mostra caracterizada e se traduz por efeitos de certa intensidade, o que depende de uma situação mais ou menos sensitiva. A percepção das influências espirituais se dá pelo fenômeno mental da sintonia, gerando pensamentos plasmados que, ao se exteriorizarem, entram em comunhão com as faixas de idéias do mesmo teor vibratório, estabelecendo-se, assim, a sintonia mediúnica. Noutras palavras, atraímos os espíritos que se ligam com nossos pensamentos, palavras e atos, tanto quanto somos por eles atraídos pela sintonia.

Como na mente acha-se a base de todas as manifestações mediúnicas, é imprescindível que seja ela enriquecida de tesouros culturais, morais e de amor. Com o advento do Cristianismo, a mediunidade atingiu a sublimação com as manifestações provocadas por Jesus, como no Monte Tabor, ao invocar os espíritos de Moisés e Elias que aparecerem ao seu lado, para os apóstolos; também quando apareceu no seu corpo perispiritual aos apóstolos que estavam trancados, receosos de serem trucidados pelos fariseus; e ainda, quando se juntou aos discípulos a caminho de Emaús, e após se dar a conhecer, desapareceu. Na Idade Média prosseguiu nos feitos de Francisco de Assis, nas visões de Lutero.

A mediunidade existe desde as épocas mais remotas, mas foi somente na Doutrina dos Espíritos que encontrou um sentido mais elevado e disciplinado. Nos tempos modernos, nas prodigiosas manifestações através de Francisco Candido Xavier e Divaldo Pereira Franco, sem desmerecer as centenas de outros médiuns espalhados pelo mundo. O médium consciente do seu papel e responsabilidade precisa buscar disciplina e iluminação íntima, para tornar-se um instrumento de progresso, com vistas à felicidade coletiva e própria. Geralmente os médiuns têm uma aptidão especial para determinados fenômenos, do que resulta uma variedade muito grande de manifestações.

As principais variedades de médiuns são: médiuns de efeitos físicos; médiuns sensitivos; médiuns audientes; médiuns curadores; médiuns escreventes; médiuns psicógrafos, etc. Os médiuns de efeitos físicos, são aptos a produzir fenômenos materiais, como a movimentação de corpos inertes, ruídos, pancadas, vozes diretas, materializações, transporte, etc.. A mediunidade de efeitos físicos foi muito comum no surgimento da Doutrina dos Espíritos, com o objetivo de chamar a atenção dos encarnados para as coisas do além, espirituais. Médiuns sensitivos, são as pessoas que sentem a presença do espírito. Esta faculdade pode adquirir tal sutileza que aquele que a possui, reconhece não só a natureza, boa ou má do espírito que está lhe influenciando, mas até sua individualidade. Médiuns falantes ou audientes, são os que transmitem a mensagem do espírito através da fala. Médiuns curadores, são os que realizam as curas através do pensamento ou das mãos impostas sobre o doente. Médiuns psicógrafos, são os que recebem as mensagens espirituais, utilizando o lápis ou caneta e papel.

Falando sobre a faculdade mediúnica, Kardec diz que, de todos os meios de comunicação, a escrita é o meio melhor, mais simples, mais cômodo e o mais completo. Ela permite que se estabeleçam com os espíritos, relações continuadas e regulares, como as que existem entre nós, e é por meio da escrita que os espíritos revelam melhor sua natureza e o grau de aperfeiçoamento ou de sua inferioridade.

Chegada à hora em que devemos iniciar nosso trabalho mediúnico, de nosso corpo começa a desprender-se uma irradiação fluídica que possui certo brilho, de maneira que ficamos envolvidos por uma espécie de luz espiritual. Os espíritos sofredores, buscando alívio, são atraídos por essa luz. Uma vez agarrados a nós, não nos largam até que lhes seja indicado um modo de alcançarem um pouco de melhora para seus sofrimentos. Os sinais mais comuns do aparecimento da mediunidade são os seguintes: Sensação de peso na cabeça e nos ombros; arrepios, como se estivesse passando por nós alguma coisa muito fria; calor, como se estivéssemos encostados a qualquer coisa quente; profunda tristeza ou excessiva alegria sem sabermos por que. Estes sinais dia a dia se acentuam, à medida que as relações fluídicas entre a pessoa e os espíritos sofredores se fortificam; a saúde se altera devido à enorme carga de fluidos impuros que o nosso corpo armazena. O remédio capaz de produzir um resultado satisfatório é o desenvolvimento da mediunidade. Se tivermos o hábito de viver uma moral elevada, seremos auxiliados por espíritos bondosos que abrandarão as perturbações dos espíritos sofredores. Porém, somente isso não basta. Se não tratarmos de nos desfazer dos vícios e melhorar o nosso desenvolvimento moral, a nossa faculdade mediúnica se transformará em tormento e as influências negativas nos levarão a um sofrimento permanente.

Desenvolver a mediunidade é aprender a usá-la. E para isso devemos procurar um Centro Espírita e, sob a orientação do diretor dos trabalhos, iniciarmos o desenvolvimento da mediunidade. É conveniente só fazer esse trabalho mediúnico no Centro, nunca em casa. Para que o médium seja bem sucedido deve cultivar as seguintes virtudes: A perseverança, a paciência, a boa-vontade, a humildade e a sinceridade. A mediunidade não se desenvolve de um dia para o outro; leva-se meses e às vezes até anos, e para isso é preciso ter paciência. Um bom desenvolvimento exige que sejamos persistentes e perseverantes. Ter boa-vontade é comparecer sempre e com satisfação às sessões. A humildade é a virtude pela qual reconhecemos que tudo vem de Deus, e que sem Ele, nada podemos fazer.

O médium sincero é aquele que transmite fielmente o que os espíritos ditam, mesmo que a comunicação seja contrária ao seu modo de pensar ou mesmo uma reprimenda ao médium. Se o médium faltar com a sinceridade no desempenho da função mediúnica, cedo ou tarde sofrerá as conseqüências de seus atos. Conquanto a mediunidade curadora seja um dom que se traz ao nascer, todos podemos ser médiuns curadores, porque todos nós possuímos a força magnética, mesmo que não seja em alto grau dos médiuns curadores.

O conhecimento da lei de afinidade moral faz com que tenhamos a proteção dos bons espíritos e evitemos a influência dos espíritos ignorantes. Afinidade quer dizer semelhança. Pessoas e espíritos de moral igual se atraem e de moral contrária se repelem. Esta lei rege nossas relações tanto com os encarnados como com os desencarnados. Assim sendo, a afinidade moral agrupa os bons espíritos e repelem os maus; os maus por seu lado se reúnem e evitam os bons. Um espírito bondoso não procura um médium orgulhoso, assim como se afasta de um médium que tenha vícios.

A seriedade é a virtude que o médium possui de só utilizar sua mediunidade para fins benéficos. A modéstia faz o médium reconhecer que ele é um simples instrumento da vontade do Senhor. O devotamento leva o médium a se dedicar a fazer o bem a seus irmãos sofredores. A abnegação faz o médium ir até o sacrifício, renunciando a seus prazeres, a seus hábitos, para prestar socorro mediúnico a quem esteja precisando e lhe solicite. O desinteresse é a razão que faz o médium “dar de graça o que de graça recebeu”.

Algumas causas levam os médiuns ao fracasso. Eis algumas: Leviandade, indiferença, presunção, orgulho, egoísmo, inveja, elogios e exploração. Por isso é preciso a máxima vigilância, para não deixar que elas produzam seus efeitos maléficos. Em alguns casos, o médium é obrigado a suspender temporariamente o exercício da mediunidade. Nesses casos deve pedir a Deus que o desobrigue dela, enquanto durar o impedimento. Alguns exemplos: Por motivo de viagens; por motivo de serviço ou de estudos. Também durante a gestação, é aconselhável se abster de praticar a mediunidade, porém deve freqüentar o Centro, assim como as mães com bebês para cuidar. Embora com a mediunidade suspensa, deverá o médium diariamente dedicar alguns minutos à prece, pedindo pelos que sofrem. Pode acontecer ainda que o médium tenha sua mediunidade suspensa por ordem superior; os guias espirituais resolvem cancelar-lhe a mediunidade, provisoriamente, por duas razões: 1ª- os guias espirituais suspendem a mediunidade para que o médium passe por um período de repouso, para que sua organização físico-espiritual se reajuste e se fortaleça, preparando-o assim, para novos trabalhos futuros; 2ª- quando o médium se desvia do reto caminho, entregando-se a atos contrários à mora elevada, sua mediunidade é cancelada, por piedade, para que não lhe aconteça males maiores. Corrigido o erro que motivou a suspensão, novamente o médium passa a merecer a assistência dos seus guias espirituais.

As mensagens que através da mediunidade são enviadas pelos Espíritos Protetores, são alerta para os médiuns, quanto às atitudes corretas que devem adotar diante do convívio na sociedade. Como se trata de um dom gratuitamente cedido por Deus, a prática da mediunidade deve ser exercida sem a cobrança de quaisquer favores ou vantagens materiais. Os benefícios devem atingir sem exceções, a pessoas de qualquer condição social. Deus quer que o benefício chegue a todos, não quer que o mais pobre fique privado dele e possa dizer: “Não tenho fé, porque não obtive o consolo; porque sou pobre e não posso pagar.”

Finalizando, sabemos que a mediunidade é um dom que Deus dá às pessoas, não como um privilégio, mas como missão e como meio dos médiuns liquidarem seus pesados débitos contraídos em outras existências, exceto os que aqui chegam como missionários. Não deve o médium achar que é superior aos seus irmãos. Jesus disse: “Aquele que quiser ser o maior, que se torne o mais humilde servidor de seus irmãos”.


Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações.




Bibliografia:
“Mediunidade sem Lágrimas”
O Evangelho de Jesus
“O Livro dos Espíritos”


Jc.
S.Luis, refeito em 18/8/2002.

ENCARNAÇÃO E REENCARNAÇÃO

ENCARNAÇÃO E REENCARNAÇÃO

Allan Kardec pergunta aos Espíritos Superiores, qual o objetivo da encarnação dos espíritos, ou seja, o espírito assumir um corpo físico. Resposta dos Mentores Espirituais: “Deus lhes impõe a encarnação com a finalidade de fazê-los chegar à perfeição relativa. Para alguns, a encarnação é uma expiação, para outros, uma missão. Entretanto, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisso é que está a expiação. A encarnação tem também outro objetivo que é o de colocar o espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação.

Entretanto, para continuarmos a falar sobre encarnação, primeiro temos que conhecer o ser humano. Ele é formado de três partes essenciais:

1º- A alma, que é o espírito quando encarnado;
2º- O perispírito, princípio intermediário que serve de envoltório ao espírito e que une
a alma ao corpo;
3º- O corpo, ou o ser material.

Os espíritos e as almas, são a mesma coisa: sendo que se chama alma, quando o espírito está usando um corpo físico, e designamos espírito, quando este se encontra livre da matéria. O ser humano tem assim, duas naturezas; pelo corpo, participa da natureza dos animais, dos quais tem o instinto; pela alma, participa da natureza dos espíritos, dos quais tem os sentimentos. O que é o corpo físico ou a matéria? - É o veículo que retêm o espírito; é o instrumento de que se serve ele, e ao mesmo tempo, sobre o qual exerce sua ação. Os seres materiais, constituem o mundo visível, ou corporal. O que é o espírito? – É o ser inteligente do universo, incorpóreo, criado por Deus. Os espíritos povoam os espaços infinitos; os espíritos são uma das forças, instrumentos e mensageiros de que Deus se serve para a manutenção da harmonia universal. O mundo espiritual é o normal, preexistente e sobrevive a tudo, é eterno; enquanto que o mundo corporal não é senão secundário; poderia deixar de existir, sem alterar a essência do mundo espiritual. Deus criou os espíritos e deu a cada um deles, determinada missão, com o fim de fazê-los alcançar progressivamente a perfeição relativa.

Os humanos podem entrar em comunicação com os espíritos, mas não tê-los constantemente às suas ordens. e a comunicação é feita de lá para cá. Feitos estes esclarecimentos, voltemos ao assunto da encarnação.

Como o espírito foi criado simples e sem conhecimentos, não pode ele alcançar a perfeição relativa, apenas em uma existência. É necessário várias existências para que o espírito vá adquirindo valores e seja elevado a planos superiores. A cada nova existência, o espírito vai aumentado os seus conhecimentos e dando um passo na senda do progresso. Quando ele, finalmente, estiver livre de impurezas e alcançar um estágio evolutivo significativo, não terá mais necessidade de existir materialmente, a não ser como missionário em benefício da Humanidade.

O número de encarnações não é o mesmo para todos os espíritos; ele é determinado pelo progresso de cada um. Quando encarnado, a alma dispõe do livre-arbítrio para determinar seus atos. Podem ser eles, bons, levando-o a prosseguir mais rapidamente na evolução, ou serem maus seus atos, retardando a sua jornada e obrigando-a a muito mais reencarnações, que lhes causarão maiores expiações e sofrimentos. Dizem os Espíritos Superiores que, se não formos pelo amor, seremos forçados a prosseguir na escalada da evolução, pela dor.

O espírito ao reencarnar, escolhe o corpo, as condições deste, se sadio ou com deficiência, as condições e situações que vai passar na existência, o seio da família onde nasce, se rica ou pobre, culta ou inculta, honesta ou desonesta; tudo para lhe proporcionar as oportunidades de resgate de faltas passadas, e também o cumprimento da missão escolhida. Entretanto, algumas situações e sofrimentos que passamos na existência resultam de atos praticados pelo exercício do nosso livre-arbítrio, na própria existência. Porém, aquelas situações que passamos sem a interferência da nossa vontade, estas foram escolhidas por nós na espiritualidade, portanto, sendo do Determinismo Divino. E se não aceitarmos essas situações com resignação e confiança em Deus, de nada servirá para nós, o nosso sofrimento, visto que, voltaremos quantas vezes mais forem necessárias, até que tenhamos resgatados os nossos compromissos.

Há pessoas que entendem que a reencarnação pressupõe a destruição dos laços de família, visto que, vivendo inúmeras vezes na Terra, nossos pais, nossos filhos e a esposa de hoje, estarão amanhã substituídos por outras pessoas, ocorrendo o mesmo com relação à parentela. A Doutrina dos Espíritos, porém, afirma que os laços de família não são rompidos, mas sim, fortalecidos pela reencarnação, como veremos a seguir.

Existem quatro alternativas para a pessoa no seu futuro além morte: 1º- O nada absoluto, conforme ensinado pelo materialismo que diz que tudo se finda com a morte; 2º- A absorção no Todo Universal, consoante a doutrina panteísta, segundo a qual, depois da morte, retornamos à substância comum que compõe as coisas; 3º- A continuidade da individualidade, com a fixação definitiva da sorte, segundo os ensinos da Igreja Católica, que são o céu ou o inferno; 4º- A continuidade da individualidade, porém com possibilidades infinitas de progresso, mediante as reencarnações sucessivas, como ensina o Espiritismo.

De acordo com as duas primeiras teorias – materialismo e panteísmo – os laços de família desaparecem definitivamente com a morte, inexistindo qualquer possibilidade de reencontro. Na teoria Católica, existe a condição da família se rever, se estiverem no mesmo nível evolutivo e no mesmo meio, que pode ser o inferno ou o paraíso. A quarta alternativa que é a da Doutrina dos Espíritos, existe a certeza da continuidade das relações afetivas entre os que se amam, que voltarão em existências sucessivas, revezando-se às vezes nos papeis que lhes competem, que pode ser como pais, filhos irmãos e esposos.

É freqüente os espíritos reunirem-se na mesma família em várias reencarnações ou no mesmo círculo de vivência na Terra, trabalhando juntos para o aprimoramento de todos. Se uns estão encarnados e outros não, nem por isso estão desunidos, porquanto os que estão na espiritualidade, velam pelos que se encontram presos ao corpo físico. O temor do aumento indefinido da parentela em decorrência das várias existências não tem qualquer fundamento. A Doutrina dos Espíritos nos diz que, pelo fato de alguém ter tido dez encarnações, não quer dizer que ele encontrará no plano espiritual, dez pais, dez mães, dez esposas e um número proporcional de filhos. Ele reencontrará sempre os mesmos espíritos objetos de sua afeição, que lhes foram ligados na Terra sob papéis idênticos ou diferentes, algumas vezes.

O vínculo material fundamenta-se unicamente na filiação corporal, enquanto que o vínculo espiritual junta espíritos queridos que amam-se, por sucessivas encarnações e separa por algumas vezes, dando oportunidade a outros de se aprimorarem no convívio familiar, podendo mais tarde reencontrarem-se pelos laços do amor. É por isso que a família quando composta de espíritos afins, resulta num ambiente de harmonia, porém, quando formada por espíritos com débitos, a vivência é bem difícil.

Quando esperamos um filho, nos preocupamos para não ter um filho com problemas físicos ou mentais; que seja bonito e inteligente como nós, enfim, queremos que ele nasça perfeito para nossa satisfação. E acontece que Deus na sua infinita bondade e justiça, permite nascerem crianças deformadas, cegas, perturbadas, enquanto por outro lado, nascem crianças sadias, com visão, inteligentes, normais. Qual a razão dessas desigualdades, se no entender de outros religiosos, a existência é uma só? É essa a bondade de Deus que permite nascerem crianças privilegiadas e outras com problemas? Teríamos nós, humanos, melhor conceito de justiça do que a própria justiça de Deus? Qual a explicação para essas situações?

Sabemos nós perfeitamente, que Deus é amor, bondade, justiça, e misericórdia, que faz nascer o sol e vir à chuva para bons e maus, como então explicar esse tratamento desigual para com suas criaturas? Somente através da reencarnação, entendemos o por que dessas situações. Deus, na sua infinita justiça e misericórdia, nos possibilita o atendimento das nossas solicitações, de reencarnarmos com essas deficiências, para resgatarmos débitos contraídos no passado, que nos leva ao progresso no presente. Poderá ocorrer que o ser humano se deixe envolver pelos prazeres do mundo, não correspondendo ao compromisso assumido, enveredando por caminhos desastrosos e perdendo a oportunidade de elevação. Volta então, em outra existência, para resgatar pela dor, com acréscimo, o que não fez pelo amor na anterior.

Assim, os que usaram mal a visão, poderão voltar cegos; os que deram ouvidos somente a intrigas e maldades, poderão vir surdos; os que falaram e causaram sofrimentos, poderão vir mudos; os que usaram os seus membros para agredir e causar mortes, podem vir deformados; os que usaram a inteligência para enganar e prejudicar os seus semelhantes, poderão vir perturbados e retardados; tudo isto, pelo mal uso que fizeram dos dons que Deus lhes confiou.

Sobre o assunto do ser humano “colher o que semeia”, menciono aqui a manchete do jornal “O Estado do Maranhão”, do dia 25/08/2001, em que é noticiado o massacre de 6 portugueses chegados recentemente em Fortaleza-CE. Essa chacina provocou uma comoção nacional, pelo modo como foi realiza. No meu entender, com base na Doutrina dos Espíritos, essa tragédia vem comprovar mais uma vez a reencarnação; e eu, para compreendê-la, me servi da história antiga do Brasil.

Quando do descobrimento da nova Terra (Brasil), para cá vieram muitos aventureiros atraídos pelas riquezas, e também foram enviados muitos degredados; elementos indesejáveis que viviam em Portugal; assassinos, ladrões, parasitas. É interessante observar que só vinham homens; nada de mulheres ou famílias. Pois bem, imaginemos então que em determinada época desse período colonial, aqui chegaram seis portugueses, amigos, ou membros de uma mesma família, e as famílias nessa época eram numerosas, e aqui chegando, passaram a explorar os selvagens, como se fossem os novos donos da terra, e a tratá-los como seus escravos. Esses portugueses podem ter torturado e morto de forma cruel, com requintes de perversidade, muitos índios que eram mantidos acorrentados, e também violentado as índias, como era normal naquela época bárbara, contraindo com essa atitude, débitos perante a justiça dos homens, que não existia, e também para com a Justiça Divina, que teriam de resgatar um dia, em outra existência.

Assim, da mesma maneira que atravessaram o oceano para chegarem aqui, naquela época, da mesma maneira voltaram a cruzar o oceano para virem resgatar os seus débitos contraídos nesta Terra. Novamente é interessante notar que, apesar de casados, nenhum deles trouxe a esposa. Chegados a Fortaleza-CE., foram atraídos não por novas riquezas, mas para encontros com jovens prostitutas e com esse propósito, foram levados para lugar ermo onde foram roubados, torturados e ainda enterrados vivos. Embora lamentado o trágico fim desses nossos irmãos de além mar e a tragédia que se abateu sobre suas famílias, creio que a Justiça Divina possibilitou a esses espíritos, o resgate de suas faltas do passado. Só assim, posso entender essa tragédia e compreender a Justiça Divina, na sua Infinita Misericórdia e Bondade, permitindo o resgate dos débitos, conforme nos ensinou Jesus, ao nos afirmar que teríamos que “pagar até o último ceitil”. Dessa mesma maneira a Justiça Divina se manifestou, o mesmo aconteceu com respeito aos sofrimentos infligidos aos “cátaros”, tratado em outro artigo.

Voltando ao assunto que estávamos tratando, nos vem a pergunta: Se o ser humano tivesse apenas uma existência, qual seria o mérito de parte da humanidade que morre com pouca idade, para desfrutar, sem esforço, da felicidade eterna, isenta das condições de lutas e sofrimentos impostos à outra grande parte de seres humanos? Pela reencarnação, a igualdade é para todos, sem favor ou privilégios para ninguém; os que estão mais atrasados e sofredores, não podem culpar senão a si mesmos, pelo não cumprimento das leis de Deus.

A marcha do espírito é progressiva; jamais retrógrada. Eles se elevam na hierarquia e não descem da categoria que já alcançaram. Nas suas diferentes existências na Terra, podem descer, como pessoas, mas não como espíritos. Assim, a alma de um rei na Terra, poderá mais tarde, voltar como um modesto operário e vice-versa, porque as posições entre as pessoas, frequentemente se modificam. Herodes era rei; Jesus, um humilde carpinteiro. Os espíritos também se encarnam como homens e mulheres porque eles não possuem sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas e deveres especiais, além da oportunidade de adquirirem experiências. Aquele que fosse sempre homem, não saberia senão só o que os homens sabem. Como homens desenvolvem a inteligência, e como mulheres, desenvolvem os sentimentos, que são as duas asas para o vôo do espírito.

Quinhentos anos antes de Cristo, Sócrates ensinava nas ruas de Atenas, aos seus discípulos, dizendo: “É sábio quem só faz coisas boas e ignorante, aquele que realiza coisas ruins; porque toda pessoa recebe de volta, exatamente o que pratica.” Na passagem em que os soldados chegam para prender o Mestre, Pedro reagindo, ataca um deles cortando-lhe a orelha. Jesus imediatamente curou o ferimento e recomendou ao apóstolo agressor: “Embainha tua espada, porque quem fere com ferro, com ferro será ferido.” Haverá advertência mais clara, mais objetiva e mais completa? A impunidade não existe nas Leis Divinas. Entretanto, Deus não pune ninguém. Suas Leis, infinitamente justas, vale para todos nós. O próprio devedor deve quitar o seu débito, para dele se livrar. O ser humano apenas colhe o que semeou e, para se libertar do erro precisa conhecer a Verdade e lutar para progredir.

É por isso que se diz que a Justiça Divina é a maior confirmação da reencarnação. Sem reencarnação, seria impossível a Justiça Divina. A impunidade existiria para todos aqueles que após uma existência praticando injustiças e maldades, se despedissem do mundo sem resgatar ou sofrer qualquer punição pelos seus atos negativos, se aceitássemos apenas uma existência.

Como a história relaciona Teodora, que teria influenciado a Igreja para abolir a doutrina da reencarnação? – Milton de Sousa, professor e filósofo, grande estudioso da Doutrina dos Espíritos, informa o seguinte: “Em 553 D/C, o Imperador Justiniano sugeriu à Igreja Católica Romana, tornar oficial a reencarnação, mas a isto se opôs Teodora, amante do Imperador, que não desejava reencarnar, após sua morte, a fim de responder pelos seus erros, como mandar matar todos os que ela escolhia e tinha relações sexuais com ela. A Igreja pregava a reencarnação, e ela não queria voltar reencarnada para sofrer os rigores da “Lei de causa e efeito.” O Imperador então desfez a sua proposta, dominado pela amante e a Igreja então reuniu o 2º Concílio de Constantinopla e decretou a anulação da lei de reencarnação, mesmo sabendo estar ela mencionada em muitas passagens do Velho e Novo Testamento.

Pelo exposto, dois fatores levaram a Igreja Romana à decisão: 1º A grande campanha desencadeada por Teodora, amante do Imperador, posteriormente sua esposa; 2º a reencarnação contrariava a doutrina de “céu e inferno” que dava maior poder de pressão do clero sobre as pessoas. Assim, até hoje a Igreja condena a reencarnação, ensinada pelas mais antigas religiões e filosofias do mundo, por serem leis físicas, como os ciclos de atividade e repouso, amplamente divulgadas pela Doutrina dos Espíritos.

O livro “A Caminho da Luz”, informa-nos que dos espíritos degredados na Terra, muitos se agruparam nas margens do rio Ganges, na Índia, e foram os primeiros a formar códigos de uma sociedade organizada. As organizações hindus são anteriores à civilização egípcia e aos agrupamentos dos israelitas. Dois fatos relacionados com a Índia impressionam: 1º- Nenhum povo na Terra tem mais conhecimento sobre a reencarnação do que o hindu; 2º A Índia, foi a matriz de todas as filosofias e religiões da Humanidade. Da região sagrada do Ganges, partiram elementos que criaram muitas outras civilizações. Os papiros provam que os iniciados do velho Egito, sabiam da existência do corpo espiritual e da outra vida. A assistência do Cristo jamais lhes faltou e foi assim que, sentindo que o degredo na Terra chegava ao fim, eles construíram as grandes pirâmides, que ficaram como marca de suas presenças e mensagem para as futuras civilizações da Terra.

Possuindo o ser humano (espírito encarnado) muitas existências, fica mais fácil compreender a Justiça Divina. Compreende-se porque existem ricos e pobres de bens materiais, opressores e oprimidos, pessoas sadias e outras doentes. Quem promoveu o sofrimento, volta para recebê-lo como resgate. Algumas pessoas não aceitam a reencarnação porque não se lembram de suas existências passadas. Aí estão as regressões de memórias para comprovar. Tal esquecimento, na verdade, é parcial e perdura apenas na existência atual, evitando que recordações do nosso passado, nos cause graves dificuldades. Se tivéssemos a possibilidade de lembrar dos nossos erros e maldades; de que tal parente nos prejudicou; de que ocupamos posição de autoridade e injustiçamos e perseguimos outras pessoas, como ficaríamos? Certamente esses conhecimentos iriam prejudicar nosso relacionamento e nossa existência atual.

Finalizando este artigo, recordo as palavras de Jesus, nas “Bem-aventuranças”, incompreensíveis sem a reencarnação: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” E também, respondendo a Nicodemos, disse: “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer de novo.” Os apóstolos respondendo a Jesus, lhes afirmaram: “Dizem que tu és Elias, Jeremias ou um dos profetas que voltou.” Ora, Elias e Jeremias haviam morrido em idade avançada, enquanto Jesus era um jovem e de pais conhecidos. Se um deles tivesse que voltar à Terra, só poderia fazê-lo pela reencarnação, e não pela ressurreição de um corpo sepultado e desintegrado, o que a ciência atesta ser impossível. A reencarnação é assim, uma realidade e abençoado recurso que constitui mais uma concessão da Bondade Divina...

Senhor, ajude-nos a levar avante a presente reencarnação com amor e progresso.

Bibliografia:
“O Livro dos Espíritos”
Novo Testamento
“A Caminho da Luz”

Jc.
S.Luis, 03/01/2003
Refeito em 2005.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O AMOR, O CASAMENTO, A SEPARAÇÃO

O AMOR, O CASAMENTO E A SEPARAÇÃO

O amor movimenta a Humanidade. E uma das formas de amor é a que existe e sobrevive, graças a união de um homem e uma mulher. Os parceiros da vida a dois, antes de chegarem a essa situação, passam por uma fase de aproximação e namoro, que se inicia geralmente, devido a uma forte atração física mútua, a qual pode desencadear uma paixão. A paixão por sua vez, poderá evoluir para o sentimento de amizade e daí para o amor. Paixão e amor, ainda que intimamente ligados, são sentimentos diferentes. A paixão se caracteriza por intensa atração física e conseqüente desejo erótico. O amor nasce a partir da descoberta do ser amado, com suas qualidades e defeitos, seus encantos e desencantos, e a afinidade que une ambos. Uma das formas de amor mais real é a que exalta a figura da mãe.

Conta uma lenda árabe que um homem decidira casar-se apenas se achasse uma mulher perfeita. Assim, saiu pelo mundo à busca de sua eleita. Trinta anos depois, já idoso e cansado, retornou à terra natal, sem realizar seu desejo. Um amigo comentou: “Então, tu viajaste em vão sem encontrara mulher perfeita!” – Ele respondeu: “Enganas-te meu amigo. Eu encontrei-a, só que ela também estava a procura de um homem perfeito...”

Por essa e outras razões é que o casamento é o mais discutido na sociedade. Uns a definem como “união social de pessoas de sexos diferentes”; outros, o chamam de “fundamento da sociedade”. Alguns afirmam como “grande escola fundada por Deus, para a educação das pessoas”. Há também os que dizem jocosamente: “’’Casar, é perder metade de seus direitos e duplicar deveres”.

Historicamente, quatro são as formas de casamento existentes no mundo: 1- Casamento por rapto ou captura, comum entre tribos em guerra; 2- casamento por compra ou troca, comum entre os índios; 3- casamento por ordem paterna, comum nos povos islâmicos e na China; 4- casamento por consentimento mútuo, ou com a autorização dos pais, quando realizado entre menores. No Brasil, com a Proclamação da República, o casamento civil foi instituído no País, pelo Decreto 181 de 24/01/1890. O casamento passou a ser um ato solene, com três elementos essenciais: l- Sexos diferentes: 2- consentimento dos contratantes; 3- testemunhas. De acordo com os artigos 192 e 194 do Código Civil, o novo Código, a partir de 11/1/2003, permite o casamento religioso em qualquer religião, com o registro da cerimônia no Cartório competente, para a devida legalização. Também o poder familiar foi estendido à mãe e a maioridade passou a ser de 18 anos de idade...

No dia a dia conjugal, muitas são as atribuições e problemas que ocupam o tempo e a mente do casal. Decorre então que o tempo físico e afetivo que sobra para os cônjuges dedicarem um ao outro, vai se estreitando perigosamente, o que para algumas pessoas que já não se dão bem, é até algo desejado. Numa relação afetiva permanente, o saber amar ou amar com competência, consistiria basicamente em evitar a falta de diálogo e a dispersão de cada um para um lado.

Emmanuel, no livro “Vida e Sexo”, diz: “A princípio, exposto a aventuras poligâmicas,
O homem avança de ensinamento em ensinamento, para a monogamia, reconhecendo
a necessidade de equilíbrio em matéria de amor.” Como figuração, lembramos que antigamente o homem possuía harém, onde co-existiam muitas mulheres para o seu prazer. Hoje o homem tem uma esposa ou companheira, enquanto outros homens ainda possuem esposa e amantes. É nessa área – a da realização amorosa – que se iniciam as primeiras dificuldades da existência a dois e, consequentemente, nas relações familiares. Dificilmente cônjuges que não se entendem no campo amoroso, poderão desempenhar satisfatoriamente as funções da paternidade e da maternidade.

Unir um homem e uma mulher pode ser mais complicado do que parece à primeira vista. Tanto um como o outro possuem dois lados, igual a uma moeda; o lado positivo e o lado negativo. Na fase de namoro até o casamento todos apresentam apenas o seu lado positivo, ficando o lado negativo, para ser conhecido posteriormente. A convivência vai depender da aceitação de ambos com suas duas faces.

Em cada país, em cada cultura, a união de pessoas assume características diferentes, que envolvem acordos de família; outras vezes é a fortuna, outras mais por segurança, por conveniências, por solidão e finalmente por amor. É muito raro vermos um par ideal; duas pessoas com visões de vida que se encaixam uma na outra, cuja situação evolutiva seja a mesma e com simpatias que se harmonizem. Tais uniões são raras e não se mostram muito desejáveis, pois é bom que uma pessoa evoluída se sinta atraída por outra menos evoluída, para benefício de ambas.

As vezes ouvimos alguém comentar: “Que pena fulano ter casado com cicrana! São tão diferentes.” Se essa pessoa tivesse mais vivência espiritual, saberia que ambos estão destinados a se beneficiar, nos poucos anos que passarem juntos. Não resta dúvidas que o resultado imediato dessa união, aparentemente inadequada, é uma série de dificuldades de adaptação de ambos. Haverá sempre choques de interesses e de graus evolutivos. Muitos casais vivem um verdadeiro inferno na intimidade, porém, para os parentes e outras pessoas, passam uma aparência de harmonia e felicidade.

É através de dificuldades, tais como viver com pessoas que não se afinam conosco, que aprendemos à verdadeira tolerância. Uma existência agradável e tranqüila, todos desejamos, mas nem sempre é melhor para a evolução do nosso espírito. Progredimos muito mais depressa ao longo do caminho da evolução, pelo sacrifício do trabalho ao nosso próximo e pelo sofrimento que resgata as nossas faltas, que nos parece às vezes, ser um método duro e impiedoso.

Analisando o elevado percentual de casamentos e uniões que terminam em separação, verificamos como é difícil haver entre as pessoas, compreensão, respeito, tolerância, paciência e outras virtudes, que se vivenciadas, fariam com que as uniões perdurassem até a morte. As exceções ocorrem entre os casais que sejam afins e realmente religiosos. Falamos daqueles que põem em prática os ensinamentos morais pregados por Jesus. Vemos dessa maneira, que a religião é importante nessas uniões, porque trava os instintos agressivos que ainda não conseguimos eliminar, mas que o serão quando estivermos mais evoluídos.

Na Lei de Deus, o amor é o primeiro mandamento. O amar entre as pessoas, quando
posto em prática, evita atritos e a paz do lar permanece para felicidade do casal e dos filhos. Não há pior espetáculo do que as crianças presenciarem discussões acaloradas e agressões físicas entre os pais. Essas brigas provocam as separações e os traumas nos filhos, sem falar nas disputas pela posse dos filhos e dos bens materiais. Vemos assim, como é essencial a religião aos pais e filhos, para evitar a desagregação do lar. Dizem até que as uniões que atingem os dois anos, já passaram pela fase mais difícil, porque nesse período as pessoas retiraram a máscara e se apresentam como elas realmente são. Depois da morte, alguns espíritos não continuam necessariamente juntos, nem em existências futuras. Ambas se beneficiaram por terem estado juntas durante um período de tempo.

Nossa existência na Terra pode ser comparada a uma viagem, cuja duração varia de acordo com as nossas necessidades e o Determinismo Divino. A viagem terrena não é turística; ela é baseada em compromissos a tem por objetivo resgates e a conquista da sabedoria e virtudes. O casamento, com a conseqüente formação do lar, é o item mais importante dessa viagem, porque envolve a existência dos cônjuges e dos filhos. Concluímos então que se João veio para viver com Maria, irão se encontrar no momento exato, não importando a nacionalidade, a raça, a cultura ou a posição social que tenham.

Martins Peralta, no livro “Estudando a Mediunidade”, classifica as uniões em cinco tipos principais: 1º- Acidentais – encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer afinidade espiritual; 2º- Sacrificiais – reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de ajudá-la a evoluir; 3º- Provacionais – reencontro de almas para reajustes necessários à resgates de débitos e à evolução de ambas; 4º- Afins – reencontro de almas amigas para consolidação de afetos e evolução espiritual; 5º- Transcendentais – reencontro de almas engrandecidas no bem, que se unem para ajudarem outras almas a evoluirem e promoverem realizações superiores. Com exceção da união acidental, todas as outras obedecem a uma programação feita no plano espiritual.

Sendo a Terra um planeta de provas e expiações, a grande maioria dos casamentos e uniões, são provacionais; as pessoas têm ligações de existências passadas e se encontram em processo de reajustes, ajudas, realizações e evolução espiritual. A Lei Divina os une, a fim de que, pelo convívio diário, transformem a animosidade de ontem em laços de fraternidade e amor no presente. A prova disso é a desarmonia, os desentendimentos, os problemas nos lares, que às vezes lamentavelmente, terminam em agressões físicas. Relações difíceis de reajustes devem evoluir para relações de amizade. Na medida em que elas evoluem para a amizade; mãe e filho, pai e filha, irmãos, demonstra que a distância espiritual existente, estaria diminuindo gradativamente. Significaria que inimigos do passado estão fazendo as pazes, tornando-se espíritos simpáticos e afins.

Não separeis o que Deus juntou. Com esse argumento, algumas religiões se posicionaram contra o divórcio, alegando que o casamento, sendo uma união divina, o
ser humano não tem autoridade para desfazê-lo, através de leis por ele criadas. A esse
argumento, a Doutrina dos Espíritos apresenta outro argumento muito mais sábio e coerente que diz: “Não separeis o que o Amor juntou.” Allan Kardec, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, dedica o capítulo 22 a questões sobre o casamento, do qual tiramos este trecho: “Imutável só o que vem de Deus. Tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudanças. Na união ou casamento, o que é de origem divina é o sentimento de amor e a complementação dos sexos para que se opere a substituição dos seres que morrem. Existe ainda outra lei divina, imutável como todas as Leis de Deus, exclusivamente moral: A Lei do Amor. Como Deus é Amor, o casal que vive ligado pelos laços do amor, está abençoado por Deus e ninguém deve separá-los, sob a alegação de que não se casaram no civil ou nesta ou naquela religião.”

Segundo a Doutrina dos Espíritos, somente as Leis Divinas são eternas e imutáveis em todos os tempos e em todo o Universo. As leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da Humanidade. A lei do casamento é humana e como tal, pode ser modificada. Se na convivência do casal, não existe mais amor, amizade, diálogo, compreensão e tolerância; se a desarmonia, o mal estar, a agressão verbal e física e a inimizade se instalou entre os dois, será difícil manter e, muito menos dizer que essa união é feliz e será duradoura. Após um período de convivência nessas circunstâncias, que pode ser curto ou longo, sem que haja entendimento, e, para que dessa união e desunião não venha a suceder algo pior que simples separação, é que com pesar, se aconselha separar, o que já estava de fato separado.

O divórcio também é uma lei humana, cuja finalidade é regularizar essa separação e dar liberdade às pessoas envolvidas, de prosseguirem vivendo, adiando parte do compromisso assumido na Espiritualidade. Com relação a adiar a dívida, Chico Xavier certa vez fez uma colocação oportuna. Disse ele: “Os bancos financeiros fornecem moratória e reformas para débitos de clientes. Será que o Banco da Providência Divina está em tal penúria que não nos possa dar tempo, para depois resgatarmos as nossas dívidas, para não cairmos em delito maior?”

André Luiz, no livro “Ação e Reação”, narra um caso de separação conjugal que evitou a consumação de um crime e o agravamento da dívida de um dos cônjuges. Conta ele que: “Um esposo seduzido pelos encantos de uma jovem, tudo fazia para que a esposa o abandonasse. Fascinado pela amante, passou a odiar a esposa. Planejou matá-la de forma que o fato passasse como autêntico suicídio. Assim acontecendo, poderia unir-se definitivamente com a amante. De madrugada, levantou-se, apanhou a arma e saindo do local onde dormia, pois já dormiam separados, passou pelo quarto das crianças e se dirigiu para o aposento onde dormia a esposa. Nesse momento, os espíritos protetores da família, utilizando-se de recursos magnéticos, despertam uma das filhas que aos gritos acorda a mãe. A esposa levantando e vendo o marido no corredor com o revolver, longe de suspeitar suas intenções de matá-la, lhe pede que ele não se mate; ela lhe concederia a separação que ele tanto lhe pedira e almejava.” E assim, foi evitado um crime com conseqüências maiores.

Analisando o caso, o assistente espiritual fez estas considerações: “Existe, no Evangelho de Mateus, certa passagem na qual afirma Jesus que a separação na Terra,
é permitida a nós, pela pobreza e dureza dos nossos sentimentos.” Emmanuel, refere-se ao divórcio como “medida extrema” a ser aplicada em situações muito graves. Nestes casos, o divórcio ou a separação resolve temporariamente o problema, porque interrompe a provação que terá de ser complementada no futuro, pelo menos por parte do que provocou a separação, ou que não fez esforço para levar até o fim a provação, se esta não chegou ao seu término.

O bom senso, com base nos ensinamentos morais de Jesus nos diz que devemos evitar recomendar a separação, assim como não devemos censurar, quem recorre a essa solução, para os problemas conjugais. A decisão é de cada um, que deve ouvir a sua consciência e assumir ou seus atos. Concluindo, nos esclarece ainda Emmanuel, quando diz: “De todas as instituições existentes na Terra, nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regeneradora, do que a família. Temos no instituto doméstico, uma organização de origem divina, em cujo seio se encontra os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento espiritual e para a edificação de um mundo melhor.”

Quando Deus disse pela voz dos profetas: “Vós não sereis senão uma mesma carne”, e quando Jesus disse: “Vós não separeis o que Deus uniu”, referia-se a união segundo a Lei imutável de Deus que é o Amor, e não segundo a lei variável dos homens. Paixão, amizade, amor, assim como incompreensão, desunião e separação, são sentimentos e situações que fazem parte da existência do ser humano, dada a nossa condição de inferioridade espiritual.

A pessoa que conseguir levar até o fim, sua jornada expiatória com resignação e paciência, estará no final da sua jornada terrena, liberta para alcançar morada superior na espiritualidade. O Espírito de Verdade, no capítulo VI do “Evangelho Segundo o Espiritismo” nos aconselha dizendo: “Aqueles que carregam seus fardos e que assistem seus irmãos, são meus bem-amados.” E completou ao dizer:”Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados”.


Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações.


Bibliogtrafia:
Livro “Vida e Sexo”
“Estudando a Mediunidade”
“Ação e Reação”
“A Vigem de Uma Alma”
“Evangelho Segundo o Espiritismo”
Médium Chico Xavier –
Mentor Espiritual “Emmanuel”

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

Jesus iniciou suas pregações nas sinagogas das cidades do interior, e somente mais tarde, quando a multidão aumentou, foi que Ele passou a pregar nas praças públicas e ao ar livre.

Oferecendo o Reino de Deus, sobre o dos homens, reino de harmonia, paz, misericórdia e justiça, Jesus tinha capacidade para promover a maior revolução social, dentre as que já haviam sido tentadas. De fato; bem distanciada das clássicas e das religiões dogmáticas, que até hoje existem, filiadas ao Cristianismo, a doutrina que Jesus pregava exigia reavaliações objetivas e imediatas; exigia ações moralizadoras e resultados; exatamente como a Doutrina dos Espíritos exige hoje de seus adeptos, e não concepções teóricas e filosofias vazias. Por isso Jesus dizia sempre: “Pelos frutos conhecereis as árvores e aquele que não der bons frutos, deve ser cortada e lançada fora.”

Quando vemos nos dias de hoje, nos ambientes ainda retardados ou ignorantes, que a tendência do povo é procurar confiadamente a curandeiros e charlatões, esperançosos em curas milagrosas, às vezes impossíveis, nada há de estranhável que naqueles dias, aquelas pessoas corressem desesperadas para junto de Jesus, que, realmente, tinha poderes e meios de auxiliar e curar aos que lhe solicitavam a cura.

Quando curava os leprosos e mandava que se apresentassem aos sacerdotes, era para que o benefício fosse completo, porque os sacerdotes eram obrigados a comprovar a cura e fornecer ao ex-doente, atestado de sua cura, cessando seu isolamento em lugares afastados, podendo eles, daí em diante, retornarem ao convívio da família e da sociedade.

As curas feitas por Jesus, eram aparentemente de processos diferentes: ora Ele impunha as mãos sobre os doentes, ora apelava para a fé do pedinte, ora utilizando seu imenso poder, simplesmente dizia: “estás curado”, ou “tua fé te curou”, ou “vai e não peques mais”. Muitas vezes por compaixão, curava vários doentes ou um grupo deles, estendendo os braços em sua direção, dizendo: “se tiverdes fé sereis beneficiados”, a exemplo do que fez com os dez leprosos; outras vezes operava curas à distância, usando apenas a palavra, e como exemplo; a cura do servo do centurião que pediu a Jesus, e que teve fé de que assim seria efetuado, sem precisar Jesus ir até sua casa, citados nos Evangelhos. Foram tantas as curas que Jesus fez que ficaram muitas sem serem mencionadas pelos evangelistas.

Vendo Jesus, a multidão que se aproximava e o procurava, mais pelas curas das enfermidades, do que pelos ensinamentos que transmitia, Ele subiu a um monte, sentou-se cercado dos seus discípulos e começou a pregar... O Sermão da Montanha. Não havia melhor oportunidade para que Ele falasse de temas tão essenciais para a Humanidade. Suas palavras se perpetuaram e, poucas pessoas souberam como Gandhi, o líder da Índia, dizer tão bem da relevância daquele sermão, quando disse: “Se se perdesse todos os livros sagrados, e só restasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido.”
Jesus então inicia a pregação dizendo: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”... O sofrimento é a maneira com a qual resgatamos as faltas e os erros que, em nossa ignorância, cometemos na presente e em existências passadas, e, conseguimos a nossa felicidade futura; porque os que sofrem, têm contas a ajustar com a Justiça Divina. As lágrimas dos sofrimentos, quando suportadas resignadamente, lavam as manchas da consciência e purificam o nosso Espírito. Por isso, Jesus diz que são felizes os que choram, porque eles já iniciaram o resgate dos seus débitos, e, embora a Terra lhes reservem lágrimas, suaves consolações os esperam no mundo espiritual, libertos de remorsos, originados pelos maus atos praticados...

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”... A justiça da Terra é falha; ignora as causas profundas que levaram alguém a cometer uma falta; por isso julga superficialmente. Além disso, quantas injustiças tomamos conhecimento e quantos crimes ficam impunes. Qualquer um de nós pode observar diariamente, crimes que são praticados, mas que a justiça da Terra não castiga e nem corrige. Embora possamos iludir e nos livrar da justiça terrena, é impossível iludir a Justiça de Deus. E Jesus, profundo conhecedor da lei de “causa e efeito”, declara: “Não te importes se sofreres injustiças, ou se irmãos que te ofenderam e te iludiram, e não forem alcançados pela justiça das pessoas. No mundo espiritual, para onde irão todos, mais cedo ou mais tarde, pontifica um Juiz Incorruptível; Ele te fará justiça”.

Bem-aventurados os que sofrem perseguições da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”... As nobres idéias que fazem com que a Humanidade progrida material, intelectual, moral, política e espiritualmente, encontram ferrenhos opositores que se esforçam por esmagá-las. E no mundo, formam-se castas, que se aproveitam de suas posições, para tirar o máximo proveito de seus poderes, e não admitem a mais leve mudança no regime que as mantém e favorece. Compreendendo a injustiça que semelhantes pessoas espalham na Terra, Jesus torna dignos da recompensa divina, as pessoas esclarecidas e de boa-vontade, que lutam para que a justiça reine em todos os setores das atividades humanas...

Essas compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra, não podem ocorrer senão na vida espiritual. Sem essas certezas, as máximas pregadas por Jesus, seria um contra-senso, dizendo melhor, seria um engodo. Mas, então, pergunta-se, por que uns sofrem mais do que outros? Por que uns nascem na miséria e outros na opulência? Por que para uns, nada dá certo e para outros, tudo parece sorrir? – Compreende-se menos ainda, ver os bens materiais tão desigualmente repartidos; ver as pessoas virtuosas passarem dificuldades e sofrerem ao lado dos maus que prosperam e vivem nos prazeres. A fé no futuro pode consolar e levar à paciência, mas não explica essas anomalias que parecem brindar os maus e desmentir a Justiça Divina.

Porém, desde que se admita Deus, nosso Pai Celestial de infinito amor, justiça, bondade e misericórdia; não se pode concebê-lo sem perfeições infinitas, sem o que não seria Deus. Ora, meus irmãos, se Deus é soberanamente justo, não pode agir por capricho, nem com parcialidade, permitindo nascer crianças em perfeitas condições e outras defeituosas, existência de prazeres materiais para uns e sofrimentos para outros. Portanto, as vicissitudes da existência, têm, pois, uma causa, e, sendo Deus justo, essa causa deve ser justa também.

Elas são de duas espécies; uma tem a sua causa nas existências passadas e a outra na existência presente. Procurando a fonte dos males, se reconhecerá que muitos deles, são conseqüências do caráter e da conduta daqueles que os suportam. Quantas pessoas são vítimas de sua imprevidência, do orgulho, da ambição, do egoísmo, por má conduta, e por não terem limitado os seus desejos. Quantas uniões infelizes, algumas, porque foram realizadas sob a influência da vaidade e dos interesses, sem levar em conta a afinidade e os sentimentos. Quantos males e enfermidades, conseqüências dos excessos de todos os gêneros. Quantas atitudes impensadas e imprudentes que causaram desastres e sofrimentos. Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não combateram suas más tendências no princípio, recolhendo mais tarde o que deixaram acontecer; a falta de respeito e a ingratidão deles.

Que todos aqueles que são atingidos pelas vicissitudes e decepções da existência, interroguem friamente suas consciências, e verão o mais frequentemente, se não podem dizer: “Se eu tivesse, ou eu não tivesse feito tal coisa, eu não estaria hoje nesta situação. A quem culpar, pois, de todas as nossas aflições, senão a nós mesmos? O ser humano é assim, o próprio causador de seus males, mas ao invés de reconhecer, acha ele mais simples, acusar a sorte, a chance desfavorável, a má estrela e até mesmo a Providência Divina. O ser humano que sofre é semelhante a um devedor que deve uma grande quantia, e diz-lhe o seu credor: “Se me pagardes hoje, 50% do que me deves, eu vos darei quitação de todo o resto e sereis livre; se não o fizerdes, eu vos perseguirei até que tenhais pago o último centavos.” O devedor não seria mais feliz suportando toda sorte de privações para se liberar, pagando somente a metade do que deve? Ao invés de se lamentar do seu credor, não lhe agradeceria? Assim também procede o Pai Celestial com seus filhos devedores da sua Lei.

A pessoa evitará grande parte dos sofrimentos da existência, quando trabalhar para seu aprimoramento intelectual, moral e espiritual. Mas essa atitude, algumas vezes, vem um pouco tarde; quando a existência já foi prejudicada, as forças desgastadas, o tempo passou, e quando os atos negativos não podem mais ser reparados. Então a pessoa se põe a dizer: “Ah, se no início da existência eu soubesse o que sei agora, quantas faltas teria evitado. Perdi a jornada...” Mas, da mesma forma que o sol se ergue no dia seguinte, assim também depois da noite do túmulo, brilhará o sol de uma nova existência, na qual o Espírito poderá aproveitar a experiência do passado, como suas boas intenções para o futuro. Essa é a maneira pela qual o Pai Celestial concede a todos nós, a possibilidade de resgatarmos as dívidas do passado e fazermos a nossa própria evolução.

Se há males, dos quais, o ser humano é o causador na existência, há outros que na aparência, lhe são completamente estranhos e que parecem ser como por fatalidade. Citamos alguns exemplos: A perda de entes queridos, principalmente os que são arrimo de família; os acidentes que ninguém poderia impedir; os revezes de fortuna; os flagelos naturais; as enfermidades de nascimento, principalmente aquelas que tiram aos infelizes, os meios de ganhar seu próprio sustento pelo trabalho. Esses que nascem em semelhantes condições, seguramente, nada fizeram na existência presente, para merecerem uma “má sorte”.

Por que, pois, seres tão infelizes, ao passo que as vezes sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos em todos os aspectos? Que dizer das crianças que morrem em tenra idade e não tomaram conhecimento de nada de bom ou de mal na existência? - Anomalias essas, que nenhuma religião até hoje pode explicar e justificar, a não ser a Doutrina dos Espíritos, e que seriam a negação da bondade e justiça de Deus, na hipótese de ser a alma, criada no mesmo tempo que o corpo. Que fizeram essas almas para suportar tantos sofrimentos, quando não puderam nem fazer o mal?

Deus, não nos pode punir pelo bem que se faz, nem pelo mal que não se fez. Porém, se o Espírito quando revestido de um corpo físico (ser humano) não fez o mal na presente existência, certamente o praticou em outras existências. Então, como não pode fugir da Justiça Divina, volta em nova existência para reparar e passar pelos mesmos problemas que causou aos seus semelhantes, no passado. Assim, o ser humano não é sempre punido nem resgata suas faltas na mesma existência, mas não escapa jamais às conseqüências de suas faltas. A sementeira é livre, ou seja, podemos fazer da nossa existência o que quisermos de bem ou de mal, entretanto sabendo, que vamos receber daquilo que plantarmos (realizarmos).

O Determinismo Divino é de progresso constante; podemos até estacionar por uma ou duas existências, mas se não evoluirmos pelo amor, o seremos impelidos pela dor. Não nos esqueçamos de que estamos vivendo num mundo inferior, onde somos mantidos pelas nossas próprias imperfeições. O sofrimento que não provoca lamentações, é sem dúvida uma expiação, como também é um indício de que foi escolhido voluntariamente pelo espírito, e não imposto, representando um sinal de progresso.

O espírito renasce, frequentemente, no mesmo meio em que viveu anteriormente, e em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes fez, ou ajudá-los a progredir. Não lhe é permitido a lembrança da existência anterior, porque, se reconhecesse nela, aquelas pessoas que odiou, talvez seu ódio se revelasse. Se tivesse sofrido algum mal de quem é filho hoje, poderia repudiar sua mãe. Esse esquecimento, somente ocorre durante a existência no corpo físico. Reentrando na vida espiritual, o espírito retoma as suas lembranças de existências passadas e também as da existência que vêm de concluir, e se as ações praticadas durante ela, foram inferiores, o espírito sofre também na espiritualidade.

Tempo vem, em que o espírito liberto das suas imperfeições, alçará a planos superiores onde não mais passará pelas provas dos sofrimentos.

“Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”...por estas palavras, Jesus nos anuncia a compensação que espera aqueles que sofrem com resignação, que faz abençoar o sofrimento, nos indicando a purificação da nossa alma. Essas faltas passadas e presentes que nos causam os sofrimentos, suportados pacientemente sobre a Terra, nos poupam séculos de dores em outras existências. Mas, para aquele que não crê na eternidade, que acredita que tudo nele se acaba com a existência material e que deseja abreviar seus sofrimentos e suas misérias pelo suicídio, deve ficar sabendo que a vida não se acaba e que esses sofrimentos serão acrescidos agora de suas funestas conseqüências, no plano espiritual.

Devemos, pois, ficar resignados e felizes porque Deus permitiu que pagássemos nossos débitos, o que nos assegura a Paz e a Felicidade no futuro. Seremos felizes se quitarmos os nossos débitos, porque estaremos livres; mas se continuarmos a nos endividar com a Justiça Divina, continuaremos sofrendo e mais difícil será alcançarmos a libertação tão almeja.

Do alto do Monte, tomado de tristeza pelas desventuras humanas, Jesus ensinava às multidões, dizendo: “Vós sois bem-aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós. Vós sois bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados. Vós sois felizes, vós que agora chorais, porque rireis”, e os meios de conquistar o Reino dos Céus... e recomendava ainda; resignação na adversidade, mansidão nas lutas do dia a dia, misericórdia no meio da tirania, e, higiene de coração, para que pudessem ver a Deus...


Senhor, nos ajude a trilhar o caminho que nos evite os sofrimentos.


Bibliografia:
“Livro dos Espíritos”
Evangelho de Jesus
Evangelho Segundo o Espiritismo

Jc.
S.Luis, 29/02/1996

sábado, 23 de janeiro de 2010

JESUS E OS APÓSTOLOS

JESUS E SEUS APÓSTOLOS

Chegando o tempo previsto em que Jesus deveria realizar sua missão divina, se encaminhou para a pequena cidade de Cafarnaum, as margens do Mar da Galiléia, como a procurar alguns amigos que estivessem à sua espera, para convocá-los a serem os seus seguidores. Chegando a beira mar, dirigiu-se a dois pescadores, dizendo: Simão e André, filhos de Jonas, venho da parte de Deus e vos convido a serem pescadores de almas. Quereis ser meus discípulos? – Eles ao ouvirem aquelas palavras, não sabiam como explicar a confiança e o amor que lhes brotaram na alma e, sem hesitarem responderam: - “Senhor, seguiremos os teus passos”. Jesus então os abraçou e seguiram em frente, a convocar outros companheiros. Ele convidou primeiro os pescadores que formou a maioria, e depois passando pela Coletoria de impostos, recrutou a Levi (mais conhecido como Mateus), depois, Simão o zelote, e por último, para completar os doze, aceitou o oferecimento de Judas Iscariotes, que desejava se juntar ao grupo, visando a posição política.

O reduzido grupo de seguidores do Mestre, esperimentou no início, dificuldades para harmonizar-se. De vez em quando, o Mestre os surpreendia em discussões sobre qual deles seria o maior no Reino de Deus; outras vezes era sobre qual deles revelava maior condição de pregar o Evangelho; outras mais, pela capacidade de trabalho em função da idade.

O “Sermão da Montanha”, engloba toda a doutrina de Jesus. Sobre esse sermão assim se expressou Gandhi: “Se, se perdessem todos os escritos e sobrasse apenas o “Sermão da Montanha”, nada se teria perdido”. Em dois mandamentos, Jesus resumiu todos os profetas e todos os ensinamentos, ao dizer: “Amar a Deus acima de todas as coisas; e ao seu próximo como a si mesmo.” E aos seus discípulos ainda lhes afirmou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim.”

Os seus doze discípulos (apóstolos) foram:

01- SIMÃO PEDRO (Cefas), nascido em Betsaida, pescador, filho de Jonas, o mais rude e idoso de todos. Em sua casa Jesus costumava se hospedar. Era um dos mais dedicados, porém, quando da prisão do Mestre, foi acusado de ser seguidor do Nazareno, o que ele negou por três vezes, conforme havia anteriormente predito Jesus. Pedro, fazendo suas pregações após a partida de Jesus, chegou até a cidade de Roma, onde realizada as reuniões nas catacumbas, até o dia em que foi preso e condenado a morrer na cruz. Pediu ele, ao seu algoz, que fosse crucificado de cabeça para baixo, para não se igualar ao seu Mestre, no que foi atendido e veio a falecer.

02- ANDRÉ (irmão de Simão Pedro), nascido também em Betsaida, pescador, filho de Jonas, um dos mais jovens do grupo.

03- THIAGO MAIOR, nascido em Betsaida, pescador, filho de Zebedeu e Salomé, parentes de Maria, mãe de Jesus. Foi morto por ordem de Herodes, por comandar o grupo de apóstolos, após a partida do Mestre.

04- JOÃO EVANGELISTA, nascido em Betsaida, irmão de Tiago Maior, um dos jovens do grupo e autor do 4ª Evangelho sobre Jesus.

05- FELIPE, nascido em Betsaida, pescador, integrante do grupo dos jovens, com André, João e Tiago Menor.

06- BARTOLOMEU (Natanael), nascido em Caná da Galiléia, pescador; um dos mais dedicados ao Mestre.

07- TOMÉ (Dídimo), nascido em Dalmanuta, pescador, muito incrédulo.

08- LEVI (Mateus), nascido em Nazaré, filho de Alfeu, irmão de Tiago Menor e de Judas Tadeu, autor do 1º Evangelho, tendo a profissão de cobrador de impostos.

09-TIAGO MENOR, nascido em Nazaré, pescador, filho de Alfeu, autor da Epístola Universal de São Tiago.

10- JUDAS TADEU (Lebeu), nascido em Nazaré, filho de Alfeu, irmão de Mateus e de Tiago Menor.

11- SIMÃO (o Zelote), nascido em Canaã, pescador. Pertencia ele ao grupo dos Zelotes, que tinham por fim libertar o povo judeu pelas armas. Depois de se integrar ao grupo de seguidores do Mestre, abandonou os Zelotes.

12- JUDAS ISCARIOTES, nascido em Kerioth, na Judéia, filho de Simão. Foi o discípulo que entregou Jesus ao Sinédrio, em troca de trinta moedas. Com o seu afastamento e suicídio, foi escolhido para substituí-lo no apostolado, o discípulo Matias.

Pedro, Tiago Maior e João Evangelista, eram chamados por Jesus, para presenciarem os acontecimentos mais importantes, como: Transfiguração do Tabor, onde aparecerem materializados ao lado de Jesus, os espíritos de Moysés e Elias; a Oração do Horto das Oliveiras; a Ressurreição da filha de Jairo, etc. Todos os discípulos pregaram aos judeus e aos gentios, e dentre estes, se destacou a figura de Saulo, doutor da lei, que em perseguição aos cristãos, e a caminho de Damasco, teve um encontro com Jesus; se converteu ao Cristianismo e trocou seu nome para Paulo.

O Espírito Emmánuel, no livro “Caminho, Verdade e Vida”, nos recomenda: “É importante não atentarmos para os indivíduos, mas sim, observar e compreender o bem que o Supremo Senhor nos envia por intermédio deles. Que importa o aspecto exterior deste ou daquele homem? O que interessa a sua nacionalidade, o seu nome a sua cor? Anotemos, sim, a mensagem de que são portadores. Se praticam o mal, são dignos de uma oração que possamos lhes fazer; mas, se são bons e sinceros, no serviço em que se encontram, merecem a paz e a honra que o Pai Celestial concede”.

Se consultarmos os Evangelhos de Mateus, Lucas e João, não vamos encontrar nenhuma referência a um 13º discípulo; apenas existe uma pequena menção no Evangelho de Marcos.

Desconhecido, não há como saber-lhe o nome, nem mesmo sua origem; o que temos notícia é da ação apostólica por ele desenvolvida. É de estranhar como pôde tão singular personagem fazer jus à posição de 13º discípulo de Jesus, se não fazia parte do grupo apostólico e nem convivia com os doze que o compunham...

Num dia de causticante calor, tarde ensolarada, a multidão ansiosa aguardava a presença de Jesus, que não apareceu. Um cidadão desconhecido, porém, ante a expectativa frustrada, se permitiu fazer-lhe a vez, dispensando assistência espiritual ao grande número de almas sofridas. Esse caso, em breve menção da qual nos põe a par o evangelista Marcos no (Cap.9 vrs. 38 a 41): “Disse João; Mestre, vimos um homem que em teu nome expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não segue conosco.” Mas Jesus lhe respondeu: “Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagres em meu nome e logo a seguir possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é por nós. Porquanto, aquele que vos der de beber um copo com água, em meu nome, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.”

Esse cidadão desconhecido, era um jovem moreno, de olhos castanhos, modestamente trajado com uma túnica de algodão, alpercatas gregas e manto de lã marrom. Seus cabelos eram negros e abundantes, não passando da altura do pescoço, barba pequena e negra como a cabeleira. Jamais esse jovem se fazia acompanhar de outro de sua idade, nem mesmo era visto interessado em palestras frívolas. Introvertido, não era dado a ditos que suscitassem hilaridade, sem contudo chegar a ser mal-humorado ou averso a sociedade. Munido dos apetrechos necessários ao seu trabalho, portava dois roletes de madeira muito fino envoltos em retalhos de linho, de uso pelos estudantes e intelectuais, para a escrita, utilizados pelos gregos. Um desses roletes era suprido de “papirus” (papel), e o outro vazio, um saco com estiletes e tintas para a escrita...

Em outra ocasião, condoído da multidão sob sol escaldante, sem ter onde resguardar-se, com sede e fome, o moço anônimo notando a ausência de Jesus, pôs-se à frente das infortunadas criaturas e lhes dispensava os almejados benefícios, de emergência, como eventual doador.Concluída a tarefa, já se predispunha a retornar à pousada, quando viu a João que, presenciando mais essa oportunidade de substituição do Mestre, aproximou-se do jovem para penitenciar-se, em seu nome e dos demais discípulos, da imprópria e imprudente atitude de proibição que tiveram para com ele; e lhe pede que esquecesse o lamentável incidente, e o incentiva com sinceridade, a que não desanimasse ante os sacrifícios de suas ações. E não houve mesmo desfalecimento ao longo do tempo e das perseguições a que se sujeitou.

Muito empenhado em ser o detentor do conteúdo de todos os ensinamentos de Jesus, pôs-se a campo para conseguir o almejado objetivo; aonde quer que o Nazareno estevesse, fosse qual fosse a localidade, ele ali estava a postos, e o fazia cauteloso, esgueirando-se por entre a massa humana, alheia ao que se passava ao redor, interessada apenas em ver o meigo Rabi. Posicionado como bem lhe conviesse, ora sentando-se no próprio chão, ora em assentos improvisados, se punha a manuscritar os ensinos do Divino Pregador da Boa Nova. Só não o fazia, quando o Senhor estava a sós com os discípulos, em visitas a doentes, em reuniões nas sinagogas ou participando de alguma hospitalidade.

Em uma das reuniões, comprimido pela multidão, empurrado de um lado e do outro, Jesus foi impelido a aproximar-se tanto do jovem que a ponta da sua túnica roçou-lhe o rosto, ensejo em que o moço a tomou nas mãos beijando-a, sem conter as lágrimas, num testemunho de deferência e veneração. Ato contínuo, Jesus pousou-lhe, carinhosamente a mão na cabeça do jovem, momento em que seus olhares de encontraram, emudecidos de significativa afeição, a um tempo humana e divina... Quem observasse no acompanhamento a Jesus, em Jerusalém, Judéia, Galiléia, Cesaréia, Jericó, Cafarnaum, e em outras aldeias e povoados, era certo estar presente o moço de manto marrom, nas manhãs e às tardes, períodos em que ocorriam as pregações. Nos intervalos, atento ao imperativo de sua subsistência e querendo supri-la com seu trabalho, dava-se a tarefas que lhe garantiam o alimento de cada dia. Ora remendando túnicas e mantos para os costureiros, ora consertando tendas para os viajantes, limpando e varrendo o mercado para os comerciantes, carregando água para as famílias, levando camelos e cavalos a beberem água e a serem lavados no poço mais próximo. Ele que ficara conhecido por manuscritar, era também homem de certa cultura, própria de alguém de posição social, nem por isso se sentia humilhado ou constrangido pelo gênero de vida que levava. Recolhido à pousada em que se hospedava, comprazia-se em passar revista nas anotações do dia e a meditar sobre o seu conteúdo, buscando assimilar-lhe a essência, e assim ficava até altas horas da noite.

Passara-se o tempo, Jesus tinha sido preso, condenado e crucificado. Uma noite, alguns dias depois da ressurreição do Mestre, fatigado pelas horas de canseiras, adormeceu e sonhou que o Mestre o visitava em seu modesto quarto, e lhe dirigia a palavra: “Filho, querido! Dar-te-ei a incumbência de relatar aos jovens que encontrar em teus caminhos, o noticiário que escrevestes, e que ai está... Será bom que te dediques também a educar corações e mentes para os meus serviços do futuro, que abrangerão o mundo inteiro, através dos tempos... Não te limites a curar apenas os corpos, que tendem a desaparecer no túmulo. Trata de curar também as almas, por amor de mim, pois estas são eternas e mais necessitadas do que os corpos, pois necessitam de fachos da Verdade...”

O moço que era musicista carregava um pífaro, (espécie de flauta) e um alaúde (antigo instrumento de cordas), dos quais retirava sons harmoniosos. Na manhã seguinte à do sonho, estava ele nas imediações do mercado de Jerusalém, sentado sobre as pernas cruzadas, executando melodias de envolventes sonoridades, rodeado de crianças e jovens, a quem pedia sentarem-se, e ao término dos números musicais, passava a contar tudo quanto ouvira do Mestre, e o fazia com tal maestria, com tanta arte, que o improvisado auditório ao ar livre não dava mostras de cansaço, tão enleado estava em ouvi-lo. Essas reuniões a céu aberto, passaram a ter maior número de participantes que acompanhavam atentos, as narrativas do expositor, de casos e coisas, atitudes e ações da vida de Jesus, cujos ensinos e exemplos ficaram no âmago dos ouvintes, muitos dos quais se fizeram fiéis depositários do precioso legado transmitido pelo moço.

Sentindo-se cansado e com a saúde desgastada por anos de apostolado, numa bela noite, em que se encontrava bastante meditativo, ao deitar-se, voltou a sonhar com o Mestre, que assim lhe falou: “Prossegue ainda, filho querido! Prossegue até o final dos teus dias, porque me tens prestado precioso serviço! Educa, educa por mim, e em meu nome, as almas e os corações, porque me ignoram... É preciso que todas as almas alcancem a Verdade Eterna...”

Renovado nas suas forças, o discípulo agora mais idoso, continuou no seu trabalho de pregar o Evangelho de Jesus, enquanto deliciava as pessoas com suas melodias. E assim, continuou a sua tarefa abençoada, por todos os lugares por onde passava... Alguns anos depois, encontrava-se ele em Roma, onde havia se domiciliado. Sentado sobre as pernas, à moda oriental, estava ele, agora de barba branca, tocando velhas melodias em seu velho pífano, recitando ou cantando, com voz trêmula, lindos poemas ao som do seu alaúde, rodeado de crianças e jovens que lhe rogavam entre sorrisos: - “Conta-nos, avozinho, aquela história do Príncipe, filho dos deuses, que desceu do Olimpo para curar cegos e leprosos, paralíticos e surdos-mudos... e para amar os pecadores e redimi-los, ensinando-lhes a lei do amor, para substituir a violência...”

Envelhecera mais ainda e agora conhecido como o “velho do manto roto”, cansado, corpo arqueado, olhos embaçados, semblante enrugado, cabelos em desalinho, mãos encarquilhadas, andar trôpego, veste estragada, sandálias encardidas, até então sem nome nem nacionalidade: assim termina os dias, fecha-se o ciclo de uma existência, aquele que deixara a sua imagem retratada como o 13º discípulo do Colégio Apostólico, como tal reconhecido e consagrado por Jesus, junto a quem estivera, assiduamente, com admirável perseverança e dedicação, a serviço da Boa Nova, arrebanhando as ovelhas perdidas para o acolhedor e manso aprisco do Senhor.

Marcou ele, sua passagem pelo mundo, não pelo seu nome e do país de nascimento, mas pelo que fora e fizera em benefício dos semelhantes. Desconhecido dos homens, mas identificado pelo Cristo que lhe consagrara justa qualificação, muito além das formalidades humanas; autêntica consagração!... Esse discípulo, pode ser você mesmo, meu irmão, que tomaste conhecimento da sua existência. O mundo necessita muito ainda do Evangelho do Senhor. Você, ao se alistar a Causa da redenção da Humanidade, poderá prestar idêntico serviço a Jesus... Necessita de apenas uma coisa, para o desempenho de tão grande tarefa: - Amor a Deus, ao próximo e ao Evangelho do nosso Mestre Nazareno...


Que Jesus nos dê a força para nos tornarmos merecedores do trabalho na sua seára.



Bibliografia:
“Novo Testamento”
Livro “Boa Nova”
Livro “Ressurreição e Vida”

Jc.
S.Luis, 28/8/2003

JESUS, O EDUCADOR DE ALMAS

JESUS, O EDUCADOR DE ALMAS

Certa vez um moço dirigiu-se a Jesus chamando-o de “Bom Mestre”. Ele de imediato recusou o título dizendo: “Ninguém é bom senão um só, que é Deus”. Mas aceitou o título de Mestre: “Vós me chamais Mestre, e dizeis bem; porque eu o sou”, disse Jesus em outra ocasião. Esse título foi por Ele dignificado, apresentando aos seres humanos, uma forma nova de educar, toda ela centrada no maior dos sentimentos: O Amor.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases que rege a instrução no Brasil, “o papel do ensino religioso é ensinar valores universais como: ética, respeito e cidadania.” Também a solidariedade deveria ocupar o centro de toda ação educativa, que não se aprende e se transmite só por palavras, mas, sobretudo, por exemplos.

Por ter a família descuidado da educação religiosa dos filhos, se formou gerações de poucos recursos espirituais. Alguns pais se mantiveram na religião mais não tiveram forças para se fazerem acompanhar dos filhos. Não seria egoísmo ter consolações, espaço de paz e harmonia, o apoio de companheiros de ideais, e não dividir com os filhos esse bem estar?

As crianças de hoje recebem uma imensa quantidade de informações através dos meios de comunicação, e os pais são profissionais em luta por manterem-se num mercado de trabalho cada vez recessivo que exige de ambos mais tempo. Antes, a mãe era responsável pela transmissão dos valores morais e religiosos, enquanto o pai era o provedor da família. Essa situação mudou e hoje, muitos pais não podendo nem querendo “perder tempo” com os filhos, transferem para os professores e outras pessoas, a responsabilidade de corrigir, educar e orientá-los, e, por se sentirem culpados pela ausência na vida dos filhos, costumam compensá-los com presentes e muita liberdade. Por sua vez, as crianças têm mais argumentos e, quando esses não funcionam, insistem e fazem alegações em defesa de seus desejos, nem sempre aconselháveis. De permissão em permissão, os filhos ganham e os pais perdem, proporcionando-lhes ainda, os meios de se perderem também.

“O destino das criaturas humanas está em função dos princípios educacionais que lhes foram inculcados na infância e na adolescência pelos pais. A violência crescente nos dias de hoje, está relacionada à inegável falta de educação, no sentido da palavra”, diz Pedro Camargo no livro “Mestres na Educação”. Ainda é tempo dos pais recuperarem sua responsabilidade e autoridade junto aos filhos, educando-os com dedicação, paciência, amor e, principalmente com exemplos.

A mensagem de Jesus foi apequenada, podada, enxertada e modificada por aqueles que dela se apossaram, ao construírem uma religião atemorizadora e salvacionista, com bases em atitudes místicas e ritualísticas. A Humanidade começou, com o advento da Doutrina dos Espíritos, a conhecer com mais amplitude e profundidade o que significou, para o mundo, a vinda de Jesus, o Mestre Amado, mais perfeito que a Terra já conheceu; aquele que baseou seus ensinamentos na pedagogia do exemplo. Não há um só ensinamento dele que tenha ficado sem o seu testemunho pessoal. Jesus foi simples e minucioso no que ensinou verbalmente e muito na exemplificação.


O próprio conceito de religião foi modificado a partir dos seus ensinamentos. Com Jesus, aprende-se que religião não é algo místico e mágico a ser levado a efeito no interior dos templos. Não mais a idéia de religião contemplativa, cheia de oferendas e fórmulas vivenciadas no interior das chamadas “Casas de Deus”. Religião passou a ser, para aquele que lhe entendeu as lições, um novo modo de viver, de se relacionar com o próximo em todos os ambientes, em todos os momentos.

Ensinando que Deus está presente em todo o universo, Jesus alargou os limites, conceituando o universo como um templo imenso, quando disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Jesus não foi um Mestre que viveu confinado em ambiente religioso, ou em local distante, isolado do convívio diário, longe do povo. Pelo contrário, o Mestre sempre viveu com as pessoas e, para prevenir qualquer interpretação equivocada, deixou ensino registrado por dois evangelistas, ao dizer: “Eis que vos envio como ovelhas no meio dos lobos”. Ele não era um profissional religioso, pois vivia como simples carpinteiro, que causava espanto a muitos, diante do que falava e fazia.

Jesus foi um educador de almas, que sempre falou da necessidade da criatura se educar e progredir, conforme ensinou no Sermão da Montanha, quando disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens”. Toda a mensagem do Mestre fundamenta-se no esforço da criatura e na herança divina que todos trazemos. Nada de graça, além da graça da vida. Nada de privilégios. “A cada um segundo as suas obras”.

Jesus não aceitou apóstolos passivos, encantados, deslumbrados. Ao contrário, sempre buscou tocar o sentimento, juntamente com o apelo para que a criatura raciocinasse, para saber agir desse ou daquele modo. Jesus levou o entendimento, a compreensão, o uso do raciocínio ao campo da fé. A fé ensinada por Jesus transcende os limites da emoção, do sentimento, por associar-se a um componente essencial: a razão. Inquestionavelmente, a fé raciocinada, ensinada pela Doutrina dos Espíritos, começou com Jesus. Kardec, como profundo conhecedor dos Evangelhos, soube ver que as lições de Jesus têm sempre dois direcionamentos: ao sentimento e à razão. Ao ensinar a criatura a não criar fantasias sobre a fé, mostra a divisão entre o que deve ser objeto da preocupação do ser humano, e o que deve ser entregue à Deus, perguntando: “E qual de vós poderá acrescentar um côvado à sua estatura?” Por isso o Evangelho Segundo o Espiritismo, ensina: “Fé inabalável, só o é, a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da Humanidade.”

O ensino religioso de Jesus propicia ao ser humano a conscientização de que não será através de orações repetitivas que estaremos agradando a Deus, nem por meio de oferendas, bajulações e promessas. No seu trabalho educativo, Jesus mostrou a importância do bom relacionamento com o próximo, como caminho para Deus, conforme bem entendeu o apóstolo João, que registrou: “Pois, quem não ama a seu irmão, ao qual vê, como pode amar a Deus a quem não viu?”.

Significativo é o diálogo entre o doutor da lei e Jesus, conforme relatado por Lucas. “Mestre, que farei para herdar vida eterna?” – Ali se vê um homem conhecedor das leis religiosas a receber de Jesus a resposta: “Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e ao teu próximo com a ti mesmo”. E quando Jesus lhe disse: “Faze isso e viverás”, aquele homem não compreendeu a conexão entre o preceito religioso que lhe enfeitava o campo intelectual, com a vida prática, a ponto de perguntar: “Quem é o meu próximo?” – Para aquele homem a palavra “próximo” era uma palavra mágica usada no templo, sem nenhum significado real na vida profana; daí o espanto. Ele estranhou que Jesus lhe recomendasse a aplicação do preceito religioso à vida comum. Sabendo da distância que havia entre os preceitos religiosos e a vida em sociedade, é que Jesus contou-lhe a Parábola do “Bom Samaritano”, mostrando que aquele homem, desprezado pelos judeus, fez sua obrigação a Deus, não diante do altar, mas através do mais legítimo modo – o socorro ao seu próximo!

Jesus deu-se como exemplo no serviço a Deus na pessoa do próximo. Curava sempre, impondo as mãos sobre os doentes, embora não precisasse fazê-lo para curar, como o fez com o servo do centurião; mas o fez para ensinar, recomendando que se fizesse o mesmo. Deixou bem claro, que também a prática religiosas deveria ser gratuita, ao dizer: “De graça recebestes, de graça dai”. Jesus trouxe à Terra uma mensagem religiosa sem preconceitos. Simples, sem ser superficial; profunda, sem ser complicada...

Uma concepção religiosa libertadora, geralmente não agrada àqueles que desejam exercer o poder religioso. Eles procuram conservar a religião como algo mágico, místico, extático, complexo, a ponto de a ela, só terem acesso os doutores e os sábios, pessoas pretensamente especiais, que estariam mais habilitadas a intermediarem entre as pessoas e o Criador, mesmo sem procuração de Deus. Jesus concedeu uma verdadeira carta de alforria à Humanidade, em relação à intermediação sacerdotal, ao informar ao ser humano que ele tem o direito legítimo e inalienável de se comunicar com seu Criador, diretamente, em qualquer lugar onde se encontre, dando como exemplo o lugar onde se dorme, dizendo: “Mas tu, quando orares, entre no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está oculto, e teu Pai que tudo vê secretamente, te recompensará”.

Ao se meditar sobre esse ensinamento, percebe-se quanto sua mensagem foi deturpada pelos religiosos que ensinam terem certas pessoas, determinadas prerrogativas de serem ouvidas por Deus, como se fossem advogados ou procuradores, a levarem agradecimentos ou a reivindicarem determinadas benesses, numa prática desenvolvida em meio a rituais completamente estranhos aos ensinamentos e aos exemplos de Jesus, com a agravante de serem renumerados. Jesus libertou a criatura humana também da necessidade do comparecimento ao templo, a fim de ali encontrar-se com Deus. O Mestre jamais convidou alguém a orar num templo. Ao contrário, quando a samaritana manifestou-se no sentido de adorar a Deus no Templo de Jerusalém, o Mestre desautorizou tal atitude, dizendo-lhe: “Mulher, crede-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Deus é Espírito e importa que os que O adoram O adorem em Espírito e Verdade”. Para Jesus, não havia lugares especiais. Seus ensinos, suas curas, suas orações sempre foram efetuadas ao ar livre, onde quer que se encontrasse Ele.

Infelizmente, com o passar do tempo, a mensagem cristã foi-se desviando, saindo da área do estudo, da meditação e do serviço à luz da oração consciente, passando às práticas exteriores. Essas verdades religiosas simples, que estiveram ao alcance de humildes pescadores, de viúvas e de deserdados, foram, com o tempo, relegadas a segundo plano, tendo sido posto em primeiro lugar o ritual, a solenidade, o manuseio de objetos de culto, imagens, velas, roupas especiais e todo um conjunto de práticas exteriores alienantes, trazidas do paganismo romano e do judaísmo, que distanciavam o ser humano cada vez mais do esforço de auto-aprimoramento, preconizado por Jesus.

Os ensinos libertadores de Jesus não foram objetos de estudo pelos teólogos, que criaram as liturgias, e, pior ainda, a hedionda teoria das penas eternas, desfazendo a imagem do Deus Misericordioso, tão bem apresentado pelo Mestre Amado. A mensagem cristã foi então apequenada, podada, enxertada e modificada por aqueles que dela se apossaram, ao construírem uma religião com bases em atitudes místicas e na crença de que o sangue de Jesus seria o remissor dos pecados da Humanidade. Foi enfatizada a adoração extática de Jesus morto, em detrimento do esforço em aceitar um Jesus vivo, permanente, conforme Ele mesmo afirmou ser “A Verdade, o Caminho e a Vida”.

O Mestre veio trazer a certeza de que Deus é Pai, é Amor, é Misericórdia, ao contrário do que foi apresentado pela Bíblia, no Velho Testamento, que mostrava o Pai Criador, vingativo, capaz de ter preferências por determinadas pessoas e povos e abominando os outros. O Pai Misericordioso, de Bondade e Justiça, tantas vezes apresentado por Jesus, foi negado pelos teólogos, ao criarem o inferno de penas eternas. Em verdade, Jesus falou de sofrimentos após a morte, mas nunca com a possibilidade de ser eterno esse sofrimento. Tanto é que Ele disse: “Em verdade te digo que de maneira alguma sairás dali enquanto não pagares até o último ceitil”. O Mestre, conhecedor da fragilidade humana, sabia que, de alguma forma, isso aconteceria, por isso, prometeu o Consolador, dizendo: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome; esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” Cumprindo sua promessa apareceu a Doutrina dos Espíritos, que não é apenas mais uma religião cristã... mas o próprio Cristianismo Primitivo redivivo.

Jesus como educador, fez os ensinos agradáveis com o relato de parábolas (pequenas histórias) e, nelas, prefere o uso de símbolos e situações da vida. Não desfazendo a cultura da época, prestigia o templo como casa de oração, mostrando-nos a necessidade da religião ao ser humano, para ensinar-nos como proceder na existência. A vinda de Jesus a Terra, deu aos seres humanos, os parâmetros para a boa condução de sua própria educação e de seus semelhantes, com vistas ao crescimento moral e espiritual.

Aos pais cabe, a educação religiosa dos filhos, para fortificá-los nas vicissitudes da existência. Desvinculado de sua condição espiritual, a pessoa é esse ser que, jogado na estrada da vida, se perde no emaranhado dos vícios, da violência, da perdição, pela falta da vivência do amor sublime que nos ensinou e exemplificou o Divino Mestre Jesus, e que os pais, responsáveis perante Deus pelos filhos, têm o dever de lhes ensinar e exemplificar, por serem os seus primeiros instrutores ainda na fase de crianças carentes.

Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações, nos orientando para bem viver...

Bibliografia:
“Novo Testamento”

Jc.
Refeito em: 01/09/2009