quarta-feira, 20 de junho de 2018

O DESENCANTO DOS BRASILEIROS





 
Ás vésperas de uma copa do mundo de futebol, a inanição da ex-pátria das chuteiras é geral. Cadê as vuvuzelas, cadê as bandeiras?  Cadê o comércio enfeitado, cadê as calçadas pintadas de verde e amarelo, cadê?
Quem diria que uma das definições mais clássicas, bem-humoradas e alentadoras do sentimento nacional, iria um dia virar pó?  Virou. O locutor esportivo Antônio Maria, escreveu nos idos da década de 1960, referindo-se a si e aos demais cidadãos: “Brasileiro, profissão: esperança”.
Hoje, no Brasil, a profissão é o desencanto. Quem diria que uma das mais profundas lamentações do escritor Machado de Assis, olhando os primeiros anos da nossa República, iria atravessar mais de um século? Atravessou. Vendo a corrupção e o fisiologismo que já brotava no meio político, naquela época, ele escreveu: “tudo cansa, tudo isso exaure”. Nada muito diferente do que dizer nos dias atuais, tudo isso desencanta.
Então é bom elegermos  logo, alguns fatos pontuais que muito racionalmente componham  esse “tudo”. Em se tratando do Brasil, em se tratando de loucura, nada mais natural do que começarmos pela política. Segundo Boris Fausto, um dos mais conceituados historiadores da América Latina: “no país não há apatia diante da disputa política; há desencanto”. Claro!  É tanta gatunagem com o dinheiro público, é tanto oportunismo deslavado, é tanto cinismo esfregado na cara do povo, é tanto desmando, é tanta corrupção (e, apesar da Lava Jato, ainda é tanta impunidade), que o desencanto  bateu no brasileiro – e desencanto quando bate, é duro de ir embora. É feito praga jogada por político e essa praga é pior que praga de madrinha, pega e não sai. Desencanto se pega, se lava, esfrega e ele não acaba.
Assim, tomemos como exemplo as eleições suplementares que aconteceram no Tocantins, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Foi espantoso o aumento nos índices de abstenções e de votos nulos e em branco. No Tocantins, a taxa registrada foi de 43,54% na tentativa de eleger um governador. Isso significa que, nesse estado, 443.414 eleitores desistiram de crer nos políticos. Em Teresópolis, no Rio de Janeiro, a percentagem sobe mais ainda na escolha de prefeito: 48,97%  se omitiram na votação. Já na mineira Ipatinga, na disputa pela Prefeitura, o coro do “não estou nem aí”, chegou a 47%. No cenário  nacional a descrença é na mesma proporção.
Pesquisas de intenção de voto para presidente da República, nas eleições de outubro, apontam que 45,7% dos cidadãos não irão às urnas porque      estão desiludidos e votarão nulo, ou em branco. Boris Fausto conclui: “no regime atual partidário se troca de legenda por tudo e por nada, para vender apoio e comprar conforto. Implantou-se uma corrupção sistêmica como nunca se viu”.  E a corrupção sistêmica é parteira do desalento.
Mas nem só de política vive o desencanto do brasileiro. Vamos falar de futebol. Viveu neste país um gênio do cine-jornalismo. Chamava-se Carlos Niemeyer, e ele documentava, em seu canal 100, os melhores lances dos Fla-Flu, os jogos do Santos de Pelé, os jogos do Botafogo do genial Garrincha, do Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes. Aqueles eram tempos alegres, ainda que ingênuos. Antes de qualquer filme começar, em qualquer cinema e para a plateia, exibia-se o Canal 100 com a música: “que bonito é, as bandeiras tremulando, a torcida delirando, e vendo a rede balançar...” Muitas pessoas iam ao cinema só para ver o documentário. Hoje não vão mais. A rede pode balançar, deixar de balançar, furar até a rede, tanto faz ou fez.
Estamos com uma nova Copa do Mundo e a inanição da ex-pátria de chuteiras é geral. Cadê as vuvuzelas, cadê as bandeiras, cadê? Cadê o comércio enfeitado, as calçadas pintadas de verde e amarelo? Cadê os folhetos com os jogos a serem disputados, com horários e locais que eram distribuídos para todos?  Há quem diga que a razão dessa passividade foi os 7x1 que a seleção tomou da Alemanha, aqui mesmo no país. Dizem outros que o trauma foi em 1950, na inauguração do Maracanã, quando a seleção perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai, de virada, por 2x1. A expectativa de uma grande vitória sobre a Suíça foi frustrada com o 1x1 e, dizem por aí que o jogador Neymar vai terminar ficando fora da copa alegando alguma contusão, razão porque sempre está caindo em campo.
O desinteresse atual é fruto também de uma fraca economia, do empreguismo nos órgãos dos governos, a injustiça, somadas à penúria de cerca de 14 milhões de desempregados. Se o estômago vazio não joga bola, boca de estômago roncando de fome também não torce não, mano. E para temperar o desencanto com o pânico gerando a depressão e com a economia em frangalhos, veio a ainda a greve dos caminhoneiros que virou em baderna e escancarou a falta de autoridade reinante no País. Falamos da política vergonhosa, da economia em frangalhos e da justiça que não faz justiça aos bons cidadãos, só servindo de amparo aos corruptos e criminosos, falamos da bola que agora rola melancólica porque ninguém mais se ilude por causa da Copa de futebol.
Há, no entanto, um último retalho da colcha de desencanto. Trata-se do crescente número de brasileiros que abandonam o País porque, simplesmente, não dá mais para aguentar. São impostos exorbitantes, leis sem conta, inclusive algumas sem nenhum sentido, congresso brasileiro voltado exclusivamente para beneficiar seus membros, autoridades corrompidas etc.
Por essas e outras razões, muitos estão indo viver no exterior diante da falta de horizontes aqui dentro. E por falar em saídas, nas contas da Receita Federal, as declarações de quem vai embora explodiram mais de 50% entre 2015 a 2017. “O desencanto se agrava pelo sentimento de que não dá para mudar nada para melhor e não existe um futuro”, diz Luís Peres Neto, professor e pesquisador da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Na documentação de cada família que parte, deveria constar na identificação de saída o seguinte: “brasileiros,  profissão desencanto; tudo isso cansa, tudo isso exaure e tudo isso é vergonhoso...”
Fonte:
Revista “Isto É” – edição de 13/6/2018
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 15/6/2018.

OS JOVENS E AS FANTASIAS DA FAMA


 



O filósofo Jean-Paul Sartre aconselhava seus discípulos a terem um projeto de existência. Isto é, a decidir o que queriam ser e fazer e, a partir daí, efetivar esse programa passo a passo, hora a hora. Esse projeto dizia respeito a um percurso longo, de realizações, de certas decepções e felicidade, mas extremamente necessário.
Essa ideia era para um mundo que tinha alguma estabilidade nas profissões, na economia, na política e na cultura. No mundo atual, isso não é mais possível, diz o sociólogo zygmunt Bauman. Hoje iniciamos em um serviço, amanhã em outro e assim por diante. Na época antiga quem entrasse como aprendiz nas fábricas da Ford ou Renault teriam ali uma longa carreira até sua aposentadoria. “Na atualidade, começamos em um lugar e não sabemos se amanhã estaremos no mesmo local”, arremata Bauman. “Isso faz uma diferença enorme em todos os aspectos da existência”.
A esse movimento, o autor chama de modernidade líquida, uma situação nas relações humanas em que nos vemos diante do dilema muito duro aos indivíduos que “precisam dos outros como o ar que respiram, mas ao mesmo tempo, têm medo de desenvolver um relacionamento mais profundo que o imobiliza em um mundo em permanente movimento”. Nesse ponto podemos localizar a noção de fama entre nós.
Preso nos fios de uma sociedade que gira á todo momento, que promete mudanças e felicidade permanentes desde que giremos na mesma rota que ela; a fama é uma dessas fantasias. Talvez a fama seja atraente porque ela significa aceitação da pessoa em uma  comunidade, em uma cidade, quem sabe até no país. Pensamos que os astros famosos sejam aceitos em todos os lugares do mundo. Que os jogadores de futebol mais famosos sejam pessoas mais felizes que nós e, também mais charmosos. Que as modelos de moda sejam as mais belas e vistam os melhores vestidos dos melhores estilistas. Que astros e cantores jovens são os mais bem sucedidos nas paradas. O mundo visto dessa maneira – só a partir da fama – ignora que há outros movimentos; o do imenso trabalho, da frustação, das dores, do tempo implacável  e, também das realizações e alegrias.     
No entanto, é bom saber que no caminho de nossa existência não desaparecem nossos medos e infelicidades, nem para os famosos. Eles estão sujeitos às mesmas leis que nós.  Ou seja, podem  de repente, ter desmoronado  o chão em que pisam. Um jogador de futebol, no auge da fama, pode ver sua existência ruir de um momento para outro, e nenhum banco, televisão ou empresário lhe ajudará. Eles irão em busca de outro famoso. Uma atriz com fama pode guardar uma existência difícil. Como a existência de todos os humanos, os famosos e a fama são submetidos às mesmas vicissitudes que as demais pessoas.
Os jovens são chamados a esse mundo de ilusões em que as instituições cedem espaço às fantasias da televisão, da mídia e da internet. Esse movimento faz com que o jovem pense mais ou menos assim: “Antes de ser eu já sonho em ser famoso”. E isso é a negação da própria experiência por que terá de passar. Na sociedade os jovens contam cada vez menos com as gerações mais velhas, dando lugar ao consumismo, ao ganho fácil, agindo como se fossem parafusos, onde as empresas, uma vez gastos esses parafusos podem trocá-los por outros. O mesmo acontece com o famoso quando decair, é trocado por outro famoso.
Mas, felizmente, resistimos a esse movimento frenético da fama e de seus criadores. Fica aqui o conselho do sociólogo Bauman  aos jovens: “Apesar de todas as tendências em contrário e de todas as pressões exercidas pelos promotores das fantasias, temos que ter na nossa memória e na consciência o valor da durabilidade, da constância, do compromisso e o único sentido duradouro, o único significado que tem chance de deixar traços de nossa passagem no mundo, deve ser o fruto do nosso esforço e trabalho”. “Os jovens podem contar unicamente com eles próprios e a ajuda de seus familiares, e haverá em suas existências o sentido e a relevância do que forem capazes de construir. Sei que essa é uma tarefa muito difícil... Mas é a única maneira de se realizar plenamente na vida.”
Cada jovem nasce em um ambiente geográfico-social que o leva a tomar determinadas atitudes. A coletividade influencia o jovem sem colocar obstáculos na sua liberdade, mas a escolha de seus atos depende, em larga escala, do ambiente, do lugar, do momento,  dos costumes e da sua vontade. O mais grave talvez seja o condicionamento do jovem achar que certas coisas são normais. O jovem ainda enfrenta muitas desigualdades precisando do seu discernimento para enfrentar essas situações, criando a sua própria maneira de viver no mundo e afastando as fantasias para enfrentar a realidade da existência...

Fonte:
Revista “Mundo Jovem” nº 435
+ Acréscimos e pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 8/4/2018

domingo, 10 de junho de 2018

O BEM QUE FALTA E O MAL QUE SOBRA





 
“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.”                                Paulo  (Romanos, 7:19)
Quando o “homem velho” começa a vislumbrar o horizonte espiritual que lhe cumpre palmilhar, e, olhando para dentro de si mesmo, verifica quão vazio estão os alforjes para a viagem, queda-se então em mil perplexidades embrenhando-se nas intrincadas e traiçoeiras regiões do desânimo...
A Doutrina dos Espíritos, revelando a reencarnação de forma cristalina e insofismável, vem em socorro dessas limitações, explicando, consoante ensino do Mestre Lionês:  uma única existência corporal é manifestamente insuficiente para que o Espírito adquira todo o bem que lhe falta e eliminar o mal que lhe sobra. Como poderia o selvagem, por exemplo, em uma só encarnação, nivelar-se moral e intelectualmente ao mais adiantado europeu? É humana e materialmente impossível essa possibilidade! Deve ele, pois, ficar eternamente na fase da ignorância e barbárie, privado dos gozos suavíssimos da Alma que só o desenvolvimento das faculdades pode proporcionar-lhe? O simples bom senso repele tal suposição, que seria não somente a negação da Bondade e Justiça Divinas, mas também das próprias Leis evolutivas e progressivas da Natureza.
Mas Deus, que é soberanamente justo e bom, concede ao Espírito tantas encarnações quantas forem necessárias para atingir o seu objetivo: a perfeição relativa. Para cada uma nova existência à matéria, entra o Espírito com o cabedal adquirido nas existências anteriores, em aptidões, nos conhecimentos intuitivos, na inteligência e moralidade. Cada existência é assim um passo avante no caminho do progresso. A volta à existência terrena é inerente à inferioridade dos Espíritos, deixando de ser necessária desde que estes, transpondo-lhes os limites, ficam aptos a progredir nas existências corporais ou no estado espiritual para habitarem Mundos mais Evoluídos, que nada têm da materialidade terrestre. Os que já habitam                                             os mundos evoluídos, a encarnação sempre será voluntária, tendo por fim exercer sobre os encarnados uma ação mais direta e tendente ao cumprimento da missão que lhes compete junto aos mesmos. Desse modo aceitam abnegadamente as vicissitudes e sofrimentos da encarnação sem reclamações.
No intervalo das existências corporais o Espírito volta ao Mundo Espiritual, onde é feliz ou desgraçado segundo o bem ou o mal que praticou. Uma vez que o espiritual é o estado definitivo do Espírito; o que morre é o corpo físico, por ser o estado corporal transitório e passageiro. É na condição de Espírito que ele colhe os frutos do progresso realizado pelo trabalho na reencarnação; é também nesse estado que ele se prepara para novas lutas e toma as resoluções que há de pôr em prática no seu retorno à humanidade.
O Espírito progride tanto na encarnação como  na Erraticidade, adquirindo conhecimentos que não poderia obter na Terra, e modificando as suas ideias. Os estados corporal e espiritual se constituem a fonte de dois gêneros de progresso, pelos quais o Espírito tem de passar alternadamente, nas existências a cada um dos dois mundos.
Desde já podemos aferir nossa posição evolutiva, auscultando com isenção e humildade o nosso coração, procedendo ao levantamento do bem e do mal que existe em nós. Se já conseguimos fazer o bem que queremos e evitar o mal que não queremos, podemos nos considerar no limiar da tão almejada fronteira da promoção espiritual que nos fará seguir para os Mundos de Regeneração. Se, pelo contrário, ainda não fazemos o bem que queremos e só conseguimos realizar o mal que desejamos evitar, muito ainda teremos que nos ver com as dores e causticantes pesares em dolorosos processos de reajustamento.
A escolha é individual: somos livres para escolher; só não temos essa liberdade com relação à colheita, que é compulsória, conforme revela Jesus, no relato do apóstolo Mateus em seu Evangelho, no capítulo 16:27 que diz: “a cada um será dado de acordo com as suas obras.”

Fonte:
Allan Kardec
Livro “O Céu e o Inferno”
+ Pequenos acréscimos.

Jc.
São Luís, 18/5/2018

A SUA MENTE E A SUA EXISTÊNCIA




 
A sua mente se divide em duas partes. A 1ª é a mente consciente que participa com 10%; a 2ª é a mente subconsciente que participa com 90% do todo. A consciente é responsável pelo raciocínio, pela crítica, pelo julgamento, as análises, o planejamento e a memória, sendo ela de curto prazo. A subconsciente é responsável pelas funções vitais do organismo, como a respiração, a circulação do sangue e a digestão. Ela é a memória de longo prazo que nos permite a criatividade, os hábitos, a intuição, as crenças, as emoções, os  sentimentos, a conexão espiritual, a sabedoria bem como os padrões comportamentais. Porém, a maioria das pessoas não compreende como usar a mente subconsciente embora ela seja misteriosa e cheia de poderes, mas passamos a nossa existência usando apenas uma parcela pequena do nosso cérebro, e deixamos de lado o que é de mais profundo e poderoso em nós.
Para sabermos como a nossa mente funciona, vamos analisar: Durante o dia você pensa sobre várias coisas e vai colocando em seu subconsciente. Pensamentos que vão funcionar como plantações, que podem ser bons ou maus, pois quem escolhe é você. Entretanto, se você pensar em plantar espinhos não vai colher morangos, essa é a regra; é como diz o velho ditado: “Você colhe o que planta.” Se você então bombardear sua mente com todo tipo de pensamentos negativos, só irá colher frutos podres em sua existência; esse é o principal motivo das pessoas ficarem doentes, porque sempre estão alimentando seu subconsciente com pensamentos péssimos e negativos.
Se por outro lado você plantar constantemente pensamentos de paz, harmonia, saúde, prosperidade e felicidade para você e seus entes queridos, você colherá os frutos que a mente pode lhe dar, e a melhor maneira é afastar-se de tudo o que for negativo que pode lhe causar preocupação, medo, raiva e ainda a desconfiança e o mal estar, e tudo o que é de pior. Talvez você nem perceba porque já se tornou uma constante em sua existência. Pare e reflita sobre quanto lixo você tem colocado em sua mente (cabeça). Não tem como ter sadia e feliz sua existência, alimentado a sua mente com tanta coisa negativa; o mesmo vale para as pessoas que estão ao seu lado.
Faça o possível para se afastar das pessoas negativas, porque elas podem colocar veneno em sua mente, bloqueando as suas energias positivas. Você vai perceber que se aceitar essas energias negativas, vai terminar pensando que a sua existência não vale nada e desejando até a morte. Portanto, livre-se dessas energias negativas, revertendo essas sugestões. Troque os “eu não vou conseguir,  não tenho dinheiro, eu não sou criativo”, por:  “Eu consigo, eu vou ter dinheiro,  eu tenho muita criatividade”. Toda vez que você tiver um pensamento negativo, reverta para o positivo, pois assim você garante que o seu subconsciente fica bem.
Use afirmações, porque o subconsciente não sabe o que é verdade ou mentira, ele apenas absorve o que você coloca na mente e que vai gerar os frutos de acordo com o que você plantou nele. Por isso não pense em doença; ao contrário, pense assim: “Eu acredito no poder curador do subconsciente; eu me sinto cada vez melhor; meu corpo está com saúde; eu me sinto curado.” Tente colocar o máximo de energia positiva nisso e sinta a melhora; repita várias vezes e faça enquanto você necessitar. Faça essas afirmações, quando estiver  relaxado e quando for dormir para que o seu subconsciente trabalhe enquanto você dorme, e também quando acordar. Use também as visualizações positivas para ajudar na melhora. 
Com o tempo as suas afirmações e visualizações se tornam uma crença, e você quando  acreditar fortemente nessa crença positiva sua existência vai começar a mudar suas atitudes, seu comportamento,  seus pensamentos, suas funções vitais e  tudo vai se transformar e se colocar em direção aos seus objetivos. Às vezes a mente subconsciente age em dias, outras vezes demora mais tempo, porém o mais importante é que você seja persistente e repetindo o processo dia após dia. Você tem o poder de escolher o que vai colocar na mente; escolha sempre o melhor para o seu bem... 
Fonte:
Davi Roballo
Internet- Messenger
+ Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 20/11/2017

VINAGRE -- TEMPERE A SAÚDE COM ELE




 
Além de incrementar as receitas com seu inconfundível toque ácido, o vinagre aparece em estudos como um saboroso parceiro contra o diabetes e outros males. Esqueça a salada por um momento. Em sua longa trajetória, o vinagre já teve status de remédio, prescrito no tratamento de diversas doenças pelo doutor Hipócrates (460-370 A.C.), o pai da Medicina. Relatos dão conta de que Cleópatra (69-30 A.C.)  a rainha do Egito, incluía o vinagre no  preparo de seus rituais de beleza, enquanto os soldados romanos o consumiam como uma espécie de tônico para garantir mais vigor nas batalhas.
E ao que parece, o papel do vinagre na saúde permanece atual. Uma busca no Pubmed, a biblioteca virtual de pesquisa médica do governo americano, revela mais de 18 mil estudos com o vinagre só na última década. Há indícios de que ele colabore com a digestão, o equilíbrio do colesterol e até a perda de peso. Entre as evidências mais recentes está a do seu apoio no controle do açúcar no sangue. Junto a um estilo de vida saudável, o vinagre agrega pontos à prevenção do diabetes tipo 2.
De acordo com Carol Johnston, professora de nutrição da Universidade do Arizona, nos EU, o efeito sobre a glicemia vem do principal componente do vinagre: “O ácido acético interfere na digestão do amido no intestino”, explica a pesquisadora. Com o ácido acético em cena, menos açúcar cai na circulação, o que poupa o pâncreas de produzir mais e mais insulina – situação que pode desgastá-lo e levar ao diabetes. Carol ressalta, porém, que o vinagre não faz milagre. É preciso continuar comendo com moderação as fontes de carboidrato refinado, como pães e massas, por exemplo. O vinagre participa da saúde como ator coadjuvante.
O vinagre foi obra do acaso. Ele foi descoberto há pelo menos 8 mil anos, quando foi observado uma transformação no vinho. “Trata-se do produto da fermentação do álcool etílico por bactérias acéticas”, explica o agrônomo Celito Guerra, da Embrapa. O nome de batismo vem do latim: “Vinu agre ou vinho azedo”, conta o etimologista  Deonísio da Silva, da Universidade Estácio de Sá, no Rio. Nem só de vinho é feito o vinagre, mas de múltiplas origens, como de álcool elaborado da cana de açúcar; de hortaliças como tomate, cenoura, pepino e outros vegetais; de maçã; de outras frutas como abacaxi, carambola, figo, framboesa, tamarindo, e de vinhos branco e tinto.
Segundo a nutricionista Carol, a atuação positiva sobre os níveis de glicose acontece com a ingestão de duas colheres de sopa de vinagre, diluída em um copo com água antes das refeições. Estranhou a receita?  Carol tranquiliza: os benefícios também são alcançados por meio do uso cotidiano na salada, em mistura com o azeite, nesse caso, o ideal é utilizar uma parte de azeite e duas de vinagre. No Brasil, beber vinagre até pode causar certa repulsa, mas, em países como Japão e Alemanha, é comum encontrá-lo como aperitivo em bares e restaurantes. O perigo ronda os excessos – alguém que deixa a salada nadando em vinagre! “Se usado com moderação, não há contraindicações”, afirma o médico nutrólogo Edson Credídio, do Colégio Americano de Nutrição.
O uso do vinagre faz sucesso há muito tempo para os mais diversos fins. Como remédio, usado para manter a pele bonita, diminuindo a oleosidade, mas não deve ser usado por quem tem a pele sensível ou ressecada, e sempre diluído em água. O ácido acético dá um chega pra lá nos parasitas. O procedimento é embeber os fios de cabelos e o couro cabeludo, deixar 20 minutos e depois enxaguar. Pingue algumas gotas de vinagre em um algodão ou gaze e coloque sobre a picada do inseto. O ácido acético é eficaz para diminuir o coça-coça. Jogar vinagre no local do ataque da água-viva ajuda a atenuar a toxicidade, mas não suprime a necessidade de procurar um médico. Um pouco de vinagre, água quente e algumas gotas de óleo essencial e fazemos um escalda-pés... Eis uma boa receita para relaxar e ainda conter os fungos de uma micose.
A nutricionista Maristela Strufaldi diz que, graças à sua capacidade de realçar o sabor dos alimentos, o vinagre ajuda a diminuir nossa dependência do sal de cozinha, pois o abuso do sal é um dos patrocinadores da pressão alta. Na cozinha ou fora dela, o vinagre exerce função milenar: a de conservante. Esse ácido inibe o crescimento de fungos e bactérias, daí o uso na higiene das verduras, e serve também para limpar vidros. A dica é misturar partes iguais de água e vinagre em um borrifador para aplicar. Ainda serve para tirar odores. Para livrar do cheiro nas mãos após picar cebolas e alho, lave as mãos com vinagre e um pouco de sal.
Fonte:
Revista “Saúde é Vital” – 10/2017
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 25/10/2017

quarta-feira, 30 de maio de 2018

DIPLOMACIA A SERVIÇO DO MAL





 
Saibam como acordos bilaterais antigos e ultrapassados, acabam servindo de base legal para permitir sem fiscalização, o trânsito pelo território brasileiro, de todo tipo de mercadorias contrabandeadas como armas, insumos para cigarros, drogas, entre outros, e que têm como destinos a Bolívia, a Colômbia o Peru e o Paraguai? Isto é inconcebível e intolerável. Por que os senhores deputados, senadores ou o Congresso não acabam com esses acordos que, nos tempos atuais, prejudicam o nosso país?  Desconhecem eles, porventura, o assunto ou não estão preocupados com as armas e as drogas que transitam pelo território brasileiro amparados nesses acordos, e que voltam depois ao nosso país como contrabando, para servir aos bandidos para agredir as pessoas e viciá-las nas drogas? Parte desse contrabando que entra no Brasil, vindo do Paraguai e dos outros países, vem da China que desembarca legalmente no porto de Paranaguá-PR, antes de seguir para os países vizinhos, sem nenhuma interferência da Polícia Federal.
José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, foi um dos mais importantes nomes da história da diplomacia brasileira. Quando ele faleceu, em 1912, o tráfico de cocaína não existia, mas o consumo dessa droga dava os primeiros sinais de seu poder devastador:  5 mil pessoas haviam morrido de overdose nos Estados Unidos, segundo a primeira contabilização do gênero feita no país. Anos antes – dentro dos termos do Tratado de Petrópolis, que rendeu ao Brasil o Estado do Acre – o então chanceler brasileiro firmou uma série de documentos que abriram os rios amazônicos para o trânsito de mercadorias provenientes da Bolívia, e além dos rios, ela tem livre fluxo rodoviário pelos estados do Acre e Rondônia. Esse mesmo país que anexou duas Refinarias de Petróleo que pertenciam a Petrobrás sem qualquer acordo e ainda recebe da Petrobrás a gasolina pura que custa para os bolivianos apenas 1,59 o litro, enquanto nós brasileiros pagamentos em média 4,50 pelo produto misturado.
A abertura das portas da navegação para a entrada de produtos sem nenhum tipo de exame ou fiscalização foi, à época, um gesto correto de boa vizinhança. O consumo de drogas, afinal, era insignificante no Brasil e não existia por aqui nem sequer o conceito de crime organizado. Ocorre, porém, que os tempos mudaram – mas as leis que regulamentam esse fluxo comercial, não foi modificado ou finalizado. Por esse motivo, os Policiais Federais e os agentes da Receita Federal têm os pés e mãos amarrados por esses acordos. “Ficamos como espectadores de uma tragédia”, define Mauro Spósito, que foi um chefe de Operações de Fronteira da Polícia Federal.
Em 1941, o Brasil repetiu a fórmula e fez a abertura dos portos brasileiros para os paraguaios. Desde então, vigora um decreto que concede ao país vizinho um terminal franco de mercadorias no Porto de Paranaguá, a 740 quilômetros da fronteira paraguaia. Quando os contêineres para aquele país desembarcam no terminal, são pesados e lacrados pela Receita Federal, (sem qualquer fiscalização para saber qual o produto) e depois são checado os dados em Foz de Iguaçu, submetendo os contêineres  a uma inspeção por scanner antes  da carga deixar definitivamente o nosso país. Produtos autênticos e falsificados que abarrotam comércios por todo o país, e insumos para a colossal indústria de falsificação de cigarros paraguaios, e produtos eletrônicos, brinquedos, roupas,  por exemplo, chegam ao porto de Paranaguá, vindos da China com destino ao Paraguai.  “No fim, esses produtos chegam a Ciudad del Este, e voltam contrabandeados para serem vendido no Brasil”, lamenta um funcionário da Receita Federal.
Esse mesmo país (Paraguai) que agrediu o Brasil com uma guerra e provocou a defesa da nação cujo custo o governo brasileiro gastou na época 614 mil contos de réis, 11 vezes o orçamento anual do Brasil que era de 55 mil contos de réis, e exigiu no término da guerra, uma indenização de 460 mil contos de réis, que jamais foi paga pelo Paraguai. Como o governo brasileiro tinha o hábito de ceder a tudo o que o Paraguai pedia, quando da construção da Usina Hidroelétrica de Itaipu, o Paraguai novamente se negou de participar das despesas e o Brasil foi obrigado a financiá-la totalmente. Depois de pronta, o ditador paraguaio Augusto Stroessner, conseguiu arrancar um acordo do general Emílio Garrastazu Médici, que cedia 50% da usina, que custou na época US$ 30 bilhões de dólares. Eles ficaram com metade da usina e ainda ganham com a venda da energia gerada de Itaipu ao Brasil.
Foi por causa desses motivos que a artista Kate Lyra usava um
bordão no programa Fantástico, que dizia: “Coitadinhos dos nossos vizinhos; os brasileiros são tão bonzinhos”.
Comparemos alguns indicadores:
Crescimento na década:
Paraguai:   5,8%   
Brasil:   Recessão

Carga tributária: 
Paraguai:  10% do PIB 
Brasil:     33,4% do PIB

Endividamento:
Paraguai:  23% do PIB  
Brasil:        73% do PIB
Os dirigentes brasileiros são pródigos em transformar os impostos que pagamos em benesses para outros países, como se eles fossem nossos filhos, enquanto isso no Brasil eles dão preferência á movimentação de cargas, por rodovias que, quando mostradas pela TV, são lamaçais que envergonham os que ousam trafegar nelas, enquanto isso, a marinha mercante que existia antigamente (Loyde e Costeira) quando ficaram obsoletas, deixaram de existir e não foram substituídas, apesar de termos 7.491 quilômetros de costa marítima, assim como as ferrovias que deveriam transportar as cargas, por serem esses dois meios de transporte, os mais baratos, são abandonadas, inclusive a Ferrovia Norte-Sul, que está no ritmo de um cágado.
Voltemos a essa cadeia da ilegalidade que se conecta ao crime organizado e até mesmo a grupos terroristas. “Organizações como o Hezbollah e o PCC, se não se envolvem no mercado de cigarros falsificados, lucram indiretamente porque cobram para que outros bandos usem sua rede de distribuição de drogas”, diz Vanessa Neumann, presidente da Asymmetrica,  empresa de Consultoria de riscos, sediada em Washington, nos Estados Unidos. De acordo com especialistas, é por causa disso que o contrabando é um dos fatores que, indiretamente, gera ou contribui para a violência urbana e também  vem  sustentando e fornecendo ao crime organizado as armas necessárias para proteger o tráfico e combater as gangues rivais. “Isso alimenta a violência em toda a sua cadeia de suprimentos”, esclarece Emanuele Ottolenghi, uma especialista em segurança da Associação para a Defesa da Democracia, também sediada em Washington, nos Estados Unidos.
Apesar disso, os contrabandos estão longe de ser o problema número um dos portos brasileiros – o posto é ocupado pelo tráfico internacional de cocaína. Fazendo fronteira com os três países, maiores produtores da droga no mundo (Peru, Colômbia e Bolívia), o Brasil se transformou em rota de passagem quase obrigatória da droga que vai para os Estados Unidos, a Europa e a África. No porto de Santos, o maior do Hemisfério Sul, foram apreendidas mais de 11 toneladas de pasta base de cocaína em 2017. Só neste ano, já foram interceptadas mais de 4 toneladas. Os fiscais calculam que, para cada carga confiscada, outras três são embarcadas.
A intensa vigilância sobre os contêineres levou as quadrilhas a inovar seus métodos. Quando não conseguem cooptar um estivador para “pescar” a droga para dentro do navio prestes a zarpar, usam mergulhadores para “grudá-las” no casco da embarcação. Junto com as drogas, colocam localizadores geográficos para que as quadrilhas do outro lado do oceano acompanhem o seu translado. “As autoridades tendem a não se preocupar muito porque, como a droga está indo para fora do país, é como se o problema estivesse saindo. Trata-se de uma visão equivocada, porque enriquece o crime organizado e faz com que se fortaleça aqui”, diz um agente da Receita que trabalha no porto de Santos.
A revisão desses acordos diplomáticos caducos e imorais com o Paraguai e a Bolívia, é indispensável, urgente e necessário pelo Congresso brasileiro,  sendo um dos primeiros passos a ser tomado para o enfrentamento desse problema que traz a intranquilidade ao povo brasileiro, pelos prejuízos à saúde, a paz e a normalidade. Não se trata de isolar os vizinhos, mas de não permitir mais que eles joguem o lixo deles no nosso país, com prejuízos para o nosso povo. Já não basta o que o Brasil perdeu para o Paraguai e a Bolívia, ainda estamos sendo usado como rota de saído das drogas da Bolívia, Colômbia e Peru,  para os Estados Unidos, a Europa e a Ásia?
Fontes:
Revista “Veja” de 9/5/2018
Páginas da Internet
+ Acréscimos e modificações.
 Jc.
São Luís, 23/5/2018

AUTISMO, FAMÍLIA E O COTIDIANO...





 
Era uma vez um meninozinho, de olhos castanhos, igual a tantos outros que vivia no seu mundo de faz de conta. Silêncio! Até o dia em que anunciaram aos seus pais que todas essas coisas que as crianças normais fazem, ele dificilmente conseguiria fazer... Passado o temor inicial, “pais, por favor, muito amor”, avisou o dedicado doutor. E assim aconteceu. Que outra função tem o amor?
Os pais acolheram o meninozinho, cativando-lhe desejos simples. O meninozinho então cresceu silencioso e respeitado, sem sofrer os golpes contra os quais é inútil lutar. Pois no autismo uma das soluções nunca tem a ver com cura, mas sim com o fato de que na casa de um autista tudo mundo é convocado a aprender um modo diferente de ver e perceber o mundo. E é justamente aqui que se abre a esperança nos entes queridos.
Pais e familiares de uma criança altista estão diariamente expostos a testes e desafios, que geram impactos abruptos, ou às vezes dolorosos, no destino familiar, principalmente porque são convocados a conviver com um transtorno global de desenvolvimento que a todos afeta inevitavelmente no ambiente doméstico. Estudos e literatura diversa que tratam do autismo apontam que para os pais, o nascimento de um filho autista é uma experiência difícil, marcada pela angústia da descoberta de que o filho desejado é, na realidade, um filho autista. Ou seja, com o choque da notícia do diagnóstico, os pais vivenciam a dor da perda do filho idealizado e, ao mesmo tempo, são chamados gradualmente a entender e ajustar-se ao nascimento de um filho diferente.
À medida que uma criança autista será autista enquanto viver, depois de um período de luto (simbólico), dor e perplexidades, o envolvimento da família no geral adquire uma condição determinante: os pais se tornam parceiros na existência da criança autista. Indiscutivelmente, o autismo gera crises e desequilíbrios  na dinâmica familiar. Reivindica aceitação, adaptação e cooperação por parte de todos os membros da casa em relação à criança autista. Na realidade, caso consideremos a família como um sistema, aquelas com maior  amor antes da criança autista nascer,  inclinam-se  a responder
melhor à nova demanda imposta pelo autismo do que outras famílias. Por isso, e com frequência, a ocorrência de divórcios ou de famílias que se desarticulam em face das dificuldades de sua criança autista. Além disso, pais que cuidam de um filho autista relatam muitas memórias associadas à solidão e à exclusão social.
Em vez de ilusão ou desesperança, pais que se informam, buscam apoio social e se unem na divisão dos cuidados e são mais capazes de nutrir esperanças e, em consequência, fazer investimentos no desenvolvimento do filho autista a fim de que ele possa, no futuro, tornar-se uma pessoa mais autônoma possível. Assim, começaram a levá-lo ao médico quando ele tinha dois anos. Fizeram testes fonoaudiólogos que deram negativo. Aí nos indicaram a doutora Tárcia, psiquiatra, que se dispôs a nos ajudar. Ela havia desenvolvido um protocolo próprio para cuidar de pacientes como o nosso filho e tinha casos de sucesso já catalogados.
Nessa época, já com quatro anos, ele começou a tomar o remédio  Carbamazepina e neuleptil (um anticonvulsionante e um ansiolítico). O fato é que a doutora nos deu muita segurança por ter um plano muito seguro. Ela sabia para onde estava conduzindo o tratamento dele e foi, assim, descrevendo antecipadamente as fases por que ele iria passar e as conquistas paulatinas que alcançaria. E assim foi que os prognósticos se mostravam sempre positivos, pois tinham  por base outras crianças nas mesmas condições, que haviam amadurecido emocional e fisicamente, com os medicamentos. Nos laudos dados por ela, nunca fechou o diagnóstico, deixando-o inconcluso, para não haver rotulamento precoce, com consequências negativas.
Aos seis anos ele começou a falar, embora com dificuldade. Esse atraso global de desenvolvimento, conforme aprendemos lendo sobre o assunto, foi aos poucos sendo vencido. O mais interessante foi que ele criou, ao vivo, todas as noções de convivência com o mundo exterior – físico e humano. Por isso ele perguntava se era para rir de alguma situação que ele não sabia distinguir, se eram “risíveis”, entre outros exemplos.
Sofremos desde cedo o isolamento, pois sair com ele ou tentar frequentar eventos era sinônimo de preocupação e cuidados,
quase sempre insuficientes para controlá-lo. Com o isolamento passamos a nos fechar em casa para cuidar dele. Ele não sentia dor quando se machucava, conseguia andar descalço  na rua, pulava o portão e fugia e não aceitava o colo de ninguém a não ser que fosse a sua mãe. Desde os primeiros anos de escola, a orientação da doutora Tárcia foi que a escola seria, principalmente, um espaço de convivência, de socialização, que ele não poderia ficar obrigado a ir e, se não conseguisse, que ficasse apenas parte do tempo das aulas. Assim aconteceu por alguns anos, e no quinto ano, por ter se afeiçoado à professora, ele passou a ficar o tempo todo nas aulas; antes íamos buscá-lo depois do intervalo.
O seu processo de amadurecimento, conforme os prognósticos da doutora Tárcia, tem se cumprido, pouco a pouco. Ela vaticinou que ele chegará à Universidade, tal como outras crianças sob seus cuidados. Ao fazer 16 anos, ele está no 9º ano e é um dos melhores alunos da sala, e conseguiu fazer laços de amizade com colegas e professores. Ele tem poucos amigos fora do círculo familiar, pois não gosta de sair; ele se diz um “coelho” e o que lhe interessa mais é ficar na sua “toca”. Ele tem questionado a razão de ser obrigado a frequentar a reunião que fazemos do “Evangelho no Lar”, conforme a prática tradicional das famílias espíritas.  A internet e o jogo têm um papel muito importante para ele. A conselho da médica que afirmara que o jogo ajudaria a amadurecer em muitos aspectos, lhe fomos permitindo, aos poucos, que ele tivesse acesso a eles no computador e nos consoles. Hoje ele é um entendido em jogos, principalmente da Nintendo.
Pela sua afinidade com a tecnologia, pretendemos torná-lo um profissional  nessa área. Temos trabalhado para que ele alcance autonomia mais ampla e possa, se desejar no futuro, morar  só. No momento diz que não sairá de casa e que cuidará de sua mãe. Sempre buscamos fazê-lo variar suas ocupações de lazer, fazendo-o revezar entre jogar, assistir séries ou desenhos ou desenhar e brincar. Até hoje ainda cuidamos dele, embora não inspire mais os cuidados como antes.
Aconselhamos os pais que possuem filho autista a nunca perder a esperança, pois há muitos meios terapêuticos, hoje, a disposição mesmo que não haja muitos recursos financeiros. Outro é não acreditarem em  “tratamentos milagrosos”, pois  a
cura dos males físicos e emocionais é, em grande parte, devida ao “amor em família”, as orações com muita fé e a boa convivência ao longo dos anos.
Felizes e abençoados por Deus, são os pais que recebem os filhos que necessitam de cuidados especiais, os amparando,  os assistindo e ainda, os encaminhando para uma existência difícil, porém de carinho, caridade, amor e evolução para os envolvidos nesse processo.
Para maiores esclarecimentos sobre o autismo, uma fonte indicada é a Associação de Amigos do Autista:  www.ama.org.br

Fonte:
Jornal “O Imortal” – maio/2018
Artigo de Eugênia Pickina
+ Modificações e acréscimos

Jc.
São Luís, 18/5/2018