terça-feira, 10 de setembro de 2019

O S U I C Í D I O






 
Em virtude do assunto referente ao suicídio de jovens voltar sempre aos noticiários, e para que ele seja comentado com as pessoas conhecidas, amigas ou parentes, de possíveis candidatos a esse ato, para que tomem conhecimento antecipado das consequências, e que não vão se livrar dos seus problemas, que estão levando-os a esse pensamento, mas, ao contrário, agravando-o com o pior crime cometido contra as Leis de Deus, é que resolvi reapresentar este artigo para contribuir com a não realização desse ato monstruoso.

Não faz muito tempo, o país foi abalado pelo pedido formulado por um casal de idosos, num anúncio de jornal, em que afirmavam “estamos cansados de sentir solidão” e procuravam um médico que lhes aplicassem uma injeção letal. O drama comoveu muitas pessoas. Segundo eles, nos últimos cinco anos, não haviam recebido nenhuma visita de seus dois filhos ou dos seus amigos de outrora.

O problema do casal foi resolvido, não como eles pediam, mas de uma maneira muito mais fraterna e de acordo com a Lei Divina. Pessoas se mobilizaram e eles foram viver em um local bonito, em meio a muito verde, flores e com outros idosos com quem passaram a compartilhar horas, carinhos e experiências.

Infelizmente, não são somente pessoas idosas que, por solidão, abandono e problemas, desejam fugir da existência terrena. Em todo o mundo, o número dos que tentam se matar é incalculável. E nos últimos quinze anos, o fantasma do suicídio tem pesado mais para os adolescentes. Os motivos alegados são: separação dos pais, contaminação pelo vírus HIV, ou o uso de drogas. São ainda fatores de riscos apontados, a perda de dinheiro, de parentes, a depressão, mudança de condições econômicas, de saúde, intoxicação por álcool, abandono, desesperança, falta de religiosidade e fé na bondade de Deus.

As cifras dizem que, para cada suicídio consumado, existem ainda, dez tentativas frustradas. Por quê?  Se as causas são conhecidas, ainda assim não se resolve o problema. É necessário oferecer o remédio eficaz, e este reside na fé, no conhecimento dos objetivos da existência. Quando o ser humano se conscientizar de que a vida não é somente a  existência terrena; que morto o corpo físico, a vida prossegue na Espiritualidade, verificará que não lhe adiantará nada destruir o seu corpo. Ele como Espírito, continuará a existir e os problemas que lhe levaram a tal gesto,  serão, agravado pela infração à Lei Divina.

Quando o ser humano tomar conhecimento de que ele é produto exclusivo do amor de Deus, Pai de Amor, de Bondade e Misericórdia,  que na Terra vive uma etapa curta que objetiva lhe fornecer condições de crescer em moral, inteligência, conhecimento e amor; quando se der conta de que é chamado todos os dias a cooperar na grande obra da criação, então não mais tentará fugir da existência terrena, porque a nossa vida não acaba jamais; a imortalidade é a nossa dádiva maior.

De todas as mortes a pior é a morte pelo suicídio. Nesta não existe a suave quietação da morte comum nas pessoas normais. Sócrates, já ensinava a um discípulo:  “Será para ti motivo de estranheza verificar que há para todos necessidade de viver, mesmo para os que têm a esperar mais da morte do que da existência. E notarás que não lhe é permitido procurar a morte por suas próprias mãos, sendo obrigado a esperar outro libertador”.

Pensando que se destrói, o suicida vai ao encontro de situações e sofrimentos horríveis. Quando recupera a consciência, surpreende-se de estar vivo, porém sem possibilidade de movimentar o seu cadáver. Cercam-no horrendas entidades vampirizadoras desejosas de sugando-lhe as energias vitais soltas pelas células em decomposição, e ainda, adversários ou simples zombeteiros que o atormentam com ofensas, deboches e recriminações. E como se não bastasse, revive a cena suicida quase que constantemente com a sensação das dores sofridas pelo corpo. Acompanhando a lenta decomposição do corpo, procura desvencilhar-se, mas não consegue; o seu perispírito fica preso por longo tempo nos seus restos mortais, vendo a decomposição do seu corpo.

Quando o ser humano estabelecer objetivos para sua existência, que não sejam apenas ao pequeno período na carne, descobrirá os tesouros dos dias e se enriquecerá de paz. Quando a pessoa acreditar que é um fluído divino, isto é, um Espírito com enorme potencial de superação dos problemas, não mais fugirá, dando atestado de covardia, porque muitos aflitos afirmam: “Não tenho coragem de me matar”. Por isso o suicídio não é um ato de coragem; mas de covardia. Covardia essa que motiva a criatura a fugir dos problemas, antes de buscar resolvê-los. Covardia que faz com que o suicida procure se omitir, deixando as dificuldades para os que ficam saudosos feridos e abandonados. É ainda um ato egoísta porque o suicida só vê a si mesmo, o seu problema, a sua dor, sem se importar com os sofrimentos que causa aos outros. Em nenhum momento pensou no sofrimento que causará aos pais aflitos, na companheira ou companheiro abandonado, nos filhos jogados às mãos dos outros, nos parentes e amigos que se empenharam para que sua reencarnação fosse de progresso e evolução.

Ato de coragem mesmo é existir, é viver. Enfrentar todos os dias as mesmas dificuldades e superá-las. Ato de coragem é trabalhar todos os dias construindo o mundo novo que começa dentro de cada um. Se você está pensando em desertar da existência, pare e pense. Em que a sua morte melhorará a sua situação, visto que os problemas que o afligem, seguirão com você para além do túmulo? – Retire os óculos escuros do pessimismo que lhe fazem ver tudo negro e coloque lentes claras da esperança. A solução para sua dificuldade pode vir amanhã. Quem sabe haja uma saída que você ainda não tentou? Vá deitar com o problema e acorde com a solução. Dê uma chance a você mesmo, creia em Deus, faça uma oração com fé e peça a Sua proteção e tudo passará.

O que pode levar o ser humano a cometer esse gesto de extremo desespero, eis á pergunta inquietante. Em tese, apontamos algumas das principais motivações que leva a pessoa a cometer esse ato desesperador, sabendo que existem outras causas que podem também conduzir a essa situação: 1- Falta de fé; 2-orgulho exacerbado; 3-desespero e tédio; 4- desequilíbrio nervoso; 5- desânimo por moléstias consideradas incuráveis; 6- sugestões de encarnados e desencarnados.

A falta de fé,  é sem dúvida a maior responsável pela totalidade dos suicídios. É pela fé que nos propomos a fazer a parte que nos cabe executar, e confiantes em Deus e seus desígnios,  que não depende de nossa vontade.
O orgulho exacerbado,  que é a ausência da humildade, tem sido causa de desastres e dores que castigam familiares e levam seus executores (os suicidas) a séculos de desequilíbrios e sofrimentos.
O desespero e o tédio,  que atingem grande parte dos seres humanos, os levam a se acharem sem quaisquer perspectivas de melhora, e julgam como solução para seus problemas, acabar com a existência. São muitas as mensagens de desesperados suicidas, com referência ao “desencanto com a existência”, lamentando não terem procurado buscar ajuda e sem esperanças de dias melhores.
O desequilíbrio nervoso,  que poderia ter sido combatido e evitado no início, se a pessoa tivesse procurado os recursos da medicina convencional e da medicina espiritual, certamente o equilíbrio emocional voltaria ao normal e não teria chegado a tal procedimento.
O desânimo com moléstias consideradas incuráveris . Os portadores dessas moléstias não vêem mais motivos para continuarem vivos, sem perceberem que para Deus tudo é perfeitamente possível, e que muitas das enfermidades, hoje, são controladas pela medicina moderna. Esclarecem os Espíritos Superiores que o desânimo é sem dúvida, na maioria dos casos, o início de tudo; muitas vezes da Espiritualidade vem á cura quando a Medicina já desistiu, por ter chegado ao limite dos seus conhecimentos.
Sugestões de encarnados e desencarnados. Muito desses atos extremos foi estimulado por entidades infelizes, inimigos do passado, que induzem o infeliz ao suicídio como vingança. Por outro lado, pessoas há que só sabem conversar sobre assuntos negativos, desanimadores, influenciando o fraco de espírito ao desespero e à desdita.

Muitos suicidas se deixaram envolver pelas sugestões de pessoas desequilibradas dos dois mundos e se já acalentavam motivos pessoais para cometer esse ato lastimável, encontram poderoso estímulo para seu cometimento. Muitas obras especializadas de origem mediúnica, falam-nos de vales sinistros, onde se congregam em infelizes e trevosas sociedades, onde os quadros são terríveis, de desespero, angústia, lamentações, solidão, trevas e pesadelos horrendos. O suicida que teve a ilusão de ver seus problemas resolvidos com a extinção do corpo físico, que pensava cessarem seus problemas e dores, depara-se com uma situação agravada pelo seu ato, com os mesmos sofrimentos e mergulhado na tortura.

Emmanuel, tratando da questão no livro “O Consolador”, informa: “A primeira decepção que aguarda o suicida, é a realidade da vida que não se extinguiu com a destruição do corpo físico. Suicidas há que continuam experimentando os sofrimentos físicos da última hora terrestre, em seu corpo perispiritual. Anos após anos, sentem as impressões terríveis do que lhes aniquilou as energias. Comumente, a pior emoção do suicida é a de acompanhar, minuto a minuto, o processo de decomposição do corpo abandonado na Terra”. De todos os desvios da existência humana, o suicídio é o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca deixou de existir e se fez com a devida misericórdia.

Em outra obra intitulada “Pronto Socorro”, Emmanuel fala aos que pensam em desertar da existência pela morte provocada: “Quando a idéia de suicídio te assome à cabeça, reflete, antes de tudo, na Infinita Bondade de Deus, que te instalou na residência planetária; em seguida ora, pedindo socorro aos Mensageiros da Providência Divina. Se a idéia continuar a torturar-te, refugia-te no trabalho edificante, sendo útil aos que te cercam. Visita um hospital, para avaliar quantos irmãos portadores de situações piores, ás vezes com moléstias irreversíveis, lutando para viver, enquanto queres desistir dela por nada. Entrega-te ao serviço do bem ao próximo e faze empenho em esquecer-te, porque a voluntária deserção e destruição de tuas possibilidades físicas representarão um ato de desconsideração para com Deus, e as bênçãos que te possibilitaram a existência”.

Um espírito evoluído já nos recomendava: “Aceitem as dores, a cegueira, as deformações, a desgraça, a miséria e tudo que de injusto possam ter na Terra, que ainda são coisas pequenas em comparação ao que espera o suicida na sua atitude de se despedir da existência”. Jesus, no Sermão da Montanha, nos acalma dizendo: “Bem-aventurados os que sofrem e choram, porque serão consolados”. A calma e a resignação na existência terrena, acompanhada da fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. A existência na Terra é uma viagem corretiva e de evolução. Começa na meninice, avança pelos caminhos da plenitude física e altera-se na velhice, para renovar-se além da morte.

Não devemos nos escravizar aos bens materiais, mas usando o estritamente necessário. Há muitos viajantes que sucumbem na caminhada sob pesados cofres de ouro, a que se agarram desvairados. Não devemos prosseguir a viagem guardando ressentimento, para que não aconteça ficarmos presos ao labirinto do ódio. Vamos recordar que iniciamos a jornada terrena, sem qualquer patrimônio material e encontramos carinhosos braços maternos que nos embalaram e nos ampararam em nome do Eterno Pai.

Prazer e dor, simplicidade e complexidade, escassez e abastança, beleza de forma ou deformidade do corpo, são simples lições para a ascensão. Não menosprezemos o tempo que é empréstimo divino, que recebemos para a edificante peregrinação, e o nosso corpo é o veículo santo colocado pelo Pai Celestial, a nosso serviço. Não devemos nunca jogar fora a existência que nos foi concedida porque muitos e muitos Espíritos estão a espera de uma oportunidade para retornar à Escola Terrena.

Oremos em favor dos criminosos e dos suicidas e daqueles que pensam em tal atitude como solução para seus problemas, certos de que nossa oração produzirá efeitos altamente benéficos, pois quem precisa de auxílio, somente através da oração e da fé em Deus, encontrará a resignação e a paz para completar a sua existência. A existência é para ser vivida, e não para ser sacrificada... Que o Pai Celestial e Jesus na sua infinita bondade, nos ilumine a fim de afastar esse pensamento suicida dos nossos irmãos,

Bibliografia:
Maria Helena Marcon
Milton Luz / Emmanuel
Evangelho de Jesus
+ acréscimos e alterações.

Jc.
S. Luís, 2001
Refeito em 2/11/2017










JESUS, O MÉDIUM E O MÉDICO DE DEUS





 
Jesus foi um médium de Deus e um terapeuta, (ramo da medicina que trata da escolha e administração dos remédios) cujos métodos e processos de cura por Ele utilizados, estão à espera de estudos e pesquisas que aprofundem o conhecimento sobre seus mecanismos. Como terapeuta, o Mestre demonstrou, objetivamente, não só um profundo conhecimento como também um poder que Lhe permitiram intervir e curar múltiplas situações patológicas. 

Prova de sua operosidade é o expressivo número de curas relatadas pelos evangelistas, que se sabe, não relataram todas. Mateus, no Cap. VII do seu Evangelho, faz um relato das curas mais marcantes, que mencionamos para reflexão. Refere-se ele, às curas de um leproso; do criado do centurião, que estava paralítico; da sogra de Pedro, que estava acamada de muitos endemoninhados, cujos espíritos foram expulsos pela palavra de Jesus; do paralítico de Cafarnaum, a quem mandou tomar o leito e ir para casa; da filha de Jairo, que era julgada morta e a quem Jesus tomou pela mão levantando-a; da mulher que tinha hemorragia, que foi curada pela fé, apenas por ter tocado as vestes de Jesus; dos dois cegos, a quem Jesus tocou os olhos, curando-os; de um mudo endemoninhado, a quem Jesus expulsou o demônio, fazendo-o falar. Foram bastantes casos, curados de forma simples, algumas vezes apenas com um gesto, uma frase, ou mesmo um toque, como ocorreu com os cegos cuja visão foi restabelecida. As curas foram os fatos mais marcantes da trajetória do Mestre, por atraírem multidões, permitindo a disseminação das mensagens evangélicas, em Suas pregações.

Diz mais Mateus no Cap. IX:  “Percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino de Deus e curando todos os tipos de doença e enfermidades”. Mais adiante diz ainda que instruindo os apóstolos, Jesus transfere a eles as faculdades curativas que Lhe eram peculiares, dizendo: “é chegado o reino dos céus, curai os enfermos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes de graça daí”. Vê-se que Jesus associava a missão de ensinar e pregar o Evangelho a de curar os doentes; além disso, Ele admitia a possibilidade dos apóstolos adotarem os mesmos procedimentos que Ele. No exercício de Sua missão curadora, Ele utilizou métodos e procedimentos não habituais (espirituais), o que se tornou motivo de questionamentos e admiração, por onde quer que Ele fosse.

Tudo indica que, de acordo com Sua hierarquia espiritual, Ele detinha um poder extraordinário, acompanhado de grande conhecimento e poder de intervenção nas leis que regem a agregação e a desagregação das estruturas, não só dos seres, objetos e até das forças da natureza; demonstrando isso nas curas de doenças crônicas e congênitas, na multiplicação dos pães e peixes, como na ação sobre a tempestade e até na ressuscitação de Lázaro. Três, era os aspectos da ação curativa ministrada pelo Mestre:  1ª- O exercício da Sua vontade, e do paciente de ser curado;  2ª- A fé de cada um; 3ª- A prática de bons atos ou a desistência da prática do mal; eram requisitos para a cura.

Falando sobre as origens e as conseqüências das doenças, o espírito de Dias da Cruz, através de Chico Xavier, transmitiu algumas considerações. Disse ele que “todos os nossos pensamentos, palavras ou atos, definidos por vibrações, criam em nós raios específicos, sendo indispensável cuidar de nossas próprias atitudes, na autodefesa, e na defesa dos nossos semelhantes; porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a calúnia e a crueldade, a brutalidade e a violência, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de agentes de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós, sujeitos a se fixarem por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos de desarmonia mental. Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a causadora da nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a restauração e a nossa cura”.

Emmanuel, por Chico Xavier, na obra “Pensamento e Vida”, diz o seguinte: “Ninguém poderá dizer que toda enfermidade esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental; mas podemos garantir que os processos da vida mental exercem positiva influência sobre todas as doenças”.  A partir das colocações de Dias da Cruz e de Emmanuel, e considerando que a Terra é um planeta de expiação e provas, isto é, destinado à habitação de espíritos em início de caminhada evolutiva, portanto, carentes de sabedoria, fica fácil compreender as dificuldades que temos de enfrentar para conseguir um nível de saúde satisfatório, e comprova porque existem tantos doentes perambulando pelos consultórios, em busca de uma cura que nem sempre conseguem.
A terapêutica espírita recomendada tem que ser direcionada para as causas efetivas das doenças, conseqüência da ignorância e do atraso espiritual, razão porque terá sempre um fundamento educativo. E, pensar em educação à luz do Espiritismo, é cuidar do aprimoramento progressivo do espírito, que deve vencer suas limitações, adotando um padrão de comportamento compatível com a dignidade humana. O tratamento efetivo do corpo deverá começar pelo aprimoramento do espírito, através de bons pensamentos, falas construtivas e elevadas, e atos de caridade e amor, num processo em que à proporção que o espírito melhora, o corpo recebe o reflexo e se torna mais sadio.

As libertações de possessos e as curas figuram entre os atos mais numerosos de Jesus. A imensa superioridade do Mestre dava-lhe tal autoridade sobre os espíritos imperfeitos, então chamados de demônios, que lhe bastava mandá-los se retirarem. Nas curas que Ele operava agia como médium de Deus. Era Ele um poderoso médium curador. Podemos dizer que se Ele recebia alguma assistência, esta só poderia ser de Deus, embora a Sua condição superior lhe permitisse assistir os outros, agindo por si mesmo, em virtude do seu imenso poder. Do mesmo modo que as doenças físicas são resultado de influências perniciosas exteriores, a doença espiritual é sempre causada por imperfeição moral. A uma causa física combate-se com a medicação física; a uma causa moral, é necessário se opor uma força também moral. Para se evitar as doenças, que não sejam congênitas, fortifica-se o corpo; para se livrar de uma perturbação espiritual é preciso fortificar a alma, no trabalho do próprio aprimoramento.

A prática médico-espírita se inspira e se sedimenta nos ensinos de Jesus. Não o faz de forma aleatória, mística, mas dentro de um entendimento de tais ensinamentos, obedecendo a leis naturais e têm origem nas mesmas fontes dos princípios científicos. Em razão disso, aceita os princípios da medicina convencional que se constitui na prática, o socorro àquele que sofre, associando os procedimentos médicos habituais ao estudo do Evangelho e da Doutrina dos Espíritos, e usando os passes magnéticos, a água fluidificada, as preces e, principalmente, o convite ao paciente para a mudança de hábitos, isto é, a moralização e edificação pessoal.

Examinando o problema das curas, Allan Kardec na obra “A Gênese”, no cap. 14, diz o seguinte: “Os efeitos da ação fluídica sobre os doentes são extremamente variados, segundo as circunstâncias; esta ação é algumas vezes lenta, e reclama um tratamento mais demorado; outras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. Há médiuns dotados de tal poder, que operam sobre certos doentes, curas instantâneas, por somente a imposição das mãos, ou mesmo por um ato de vontade. Entre os dois pólos extremos de tal faculdade, há infinitas variações. O princípio é sempre o mesmo: o fluído que desempenha o papel de agente terapêutico, e cujo efeito é subordinado a vontade, a fé e ao merecimento da pessoa”.

Considerando-se que muitas universidades já estão envolvidas nesse assunto, é possível que, em tempo não muito longo, tenhamos informações mais completas, tal como acontece com a tese da reencarnação, que vem recebendo reforço e estudo de técnicos sem nenhuma vinculação com a Doutrina dos Espíritos. Eles estão constatando fatos compatíveis com os ensinamentos e práticas criadas por Jesus que são praticados no meio espírita há muito tempo.

Ao longo do seu ministério Jesus realizou, em muitas ocasiões, os chamados milagres, na verdade fatos incomuns, considerados sobrenaturais, dada a Sua condição de Espírito Superior, médium e médico divino, mas que, graças aos esclarecimentos dos mentores espirituais, sabemos terem se produzido dentro da ordem natural, mediante o emprego de leis e recursos até então desconhecidos, que o Mestre sabia utilizar com absoluta segurança, valendo recordar que Ele afirmou que não vinha destruir a Lei (divina), mas sim dar-lhe cumprimento.


Bibliografia:
“Evangelho de Jesus”
Livro “Pensamento e Vida”
        “A Gênese”

Jc.
São Luís, 29/05/2000
Refeito em 30/7/2019







sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS




 
Datam da mais remota antiguidade, as tentativas de comunicações com os mortos, mas somente no século dezenove, com a estruturação da Doutrina dos Espíritos, em termos teóricos, foi que isso efetivamente ocorreu. Apesar das primeiras manifestações tidas como espíritas, terem sido efetuadas na América do Norte, foi, no entanto, no seio acolhedor da França, ponto convergente das atenções do mundo, devido á revolução que adotou a legenda da “Fraternidade, Liberdade e Igualdade”, que surgiu a figura do professor Hippolyte Leon Denizard Rivail, que observou e estudou os fenômenos das “mesas falantes”, e reuniu os princípios essenciais, ditados pelos Espíritos Superiores, formando um corpo doutrinário a que denominou de “Doutrina dos Espíritos” ou “Espiritismo”, no seu tríplice aspecto de Ciência, Filosofia e Religião. Publicando em 18 de abril de 1857, em Paris, o primeiro livro da codificação, com o título de “O Livro dos Espíritos”, ele o fez usando o pseudônimo de Allan Kardec, (para que não fosse reconhecida como mais uma obra sua já que havia publicado alguns livros), mas como uma obra dos Espíritos Superiores.

A Doutrina Espírita vê o Velho Testamento como o livro sagrado do povo hebreu, contendo algumas verdades como “Os Dez Mandamentos”, ao lado de regras humanas ditadas por Moisés que atribuía a elas, origem divina para aquele povo rústico e ignorante da sua época, além de narrativas por vezes contraditórias à moral evangélica. As revelações se ajustam às épocas e aos estágios evolutivos, seja de um povo ou de uma civilização; por isso elas são sucessivas. O Novo Testamento ou Evangelhos contêm os ensinos de Jesus para todos os seres humanos, de qualquer nacionalidade e de qualquer época, já que são verdades eternas, desde que, entendidas em espírito, ou no sentido espiritual, livre das interpretações e complementos humanos.

A última das três revelações, que é a Revelação dos Espíritos, esclarece as duas anteriores, quanto á capacidade de entendimento de considerável parcela da Humanidade, sem fechar as portas ao progresso e à evolução, como já ocorreu no passado. Auxilia a retificar o que foi mal compreendido, ou adulterado, despertando-nos para a luz da razão. Graças a essa intervenção do Plano Espiritual Superior em favor da Humanidade, aclaram-se várias passagens evangélicas que foram mal compreendidas e que deram origem a confusões e distorções no seio das igrejas cristãs.

Conforme a palavra esclarecida do professor Carlos Imbassay, “não mais as penas eternas, mas a existência progressiva com falecimentos temporários, mas sem paradas definitivas, sem condenação irremissível. Não mais a pena como vingança, como uma espécie de ódio do Criador à criatura, mas como remédio para a cura, como um passo para o progresso. A criatura não ressuscita para o Juízo Final, nem toma o mesmo corpo, nem vai para o inferno, mas volta em nova existência, em novo corpo, apropriado às necessidades do Espírito e moldado de acordo com as perfeições ou imperfeições do seu perispírito. A reencarnação é para efeito de proporcionar ao espírito, o aprendizado na Terra, por meio do corpo físico, quase sempre experimentando dores, no convívio com os semelhantes ou as provocadas pelas asperezas da natureza terrena; todas, porém, imprescindíveis à sua felicidade futura, porque a felicidade depende da purificação do Espírito, principalmente através das existências”.

Deus não veio a Terra. Criador de todas as coisas e de todos os seres, Supremo Criador do Universo, não poderia viver por trinta e três anos num dos mais obscuros  e atrasados planeta que criou.  Impossível que deixasse o Infinito, o Universo, abandonado para viver num minúsculo planeta de um dos menores sistemas. Quem vem ao Mundo são os seus emissários, e dentre eles veio o Cristo, que sofreu as vicissitudes da existência terrena para nos apontar o Caminho, trazer a Verdade e alimentar a Vida em sua plenitude. Deus não faz escolha, não há preferência; o progresso, a elevação espiritual, a felicidade, são frutos do esforço próprio de cada pessoa (espírito).

Não há diabos nem demônios com o fim de encaminhar os seres humanos ao fictício inferno (reino de satanás); o que existe são espíritos inferiores, aos quais damos acesso por afinidade, pelas nossas baixezas de sentimentos, que eles se aproveitam para nos prejudicar, induzindo-nos ao mal, perseguindo-nos por todas as formas que lhes são possíveis. Algumas vezes a perseguição é um ato de vingança; são dívidas anteriores contraídas para com eles que, sem o saberem, são instrumentos de nossa remissão.

Vejamos o que diz um cientista: “Enquanto nosso corpo se renova, peça por peça, pela substituição das partículas; enquanto ele existe e um dia fenece, massa inerte, para o túmulo, onde se decompõe, o nosso Espírito, ser pessoal, guarda a sua identidade e individualidade indestrutível, e liberto da matéria grosseira de que se revestiu, vive a sua personalidade independente, a sua essência espiritual, a sua grandeza e a sua imortalidade não sujeita ao império do tempo e do espaço”. Alertam-nos ainda, “que há coisas que estão acima da inteligência do ser humano mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir”. (Questão 13 do L.E.) Ao mesmo tempo, o ensino claro dos Espíritos Superiores repele o panteísmo (adoração da Natureza como divindade), mostrando-nos pela razão, que o Criador, as criaturas e a natureza não se confundem, pois Deus é único, perfeito, criador do universo, da natureza, e das criaturas, que jamais poderão se transformar no próprio Deus.

A Doutrina dos Espíritos é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos. Bem como de suas relações com o mundo corporal. Como filosofia, explica as consequências que se originam dessas relações e os ensinamentos de Jesus a luz da Doutrina. Como religião, religa a criatura ao Criador, através do conhecimento das leis Divinas, e pela Fé na Bondade, Justiça e Amor de Deus. Os principais fundamentos do Espiritismo são: 1- A aceitação da existência de um Ser Superior a que denominamos DEUS; inteligência suprema, criador do Universo e de todas as coisas e seres; 2- A aceitação de Jesus, como guia e protetor espiritual da Terra; 3- A crença na existência do espírito, envolvido pelo perispírito que, quando encarnado, tem a denominação de alma, e que, após a morte física, conserva a lembrança de todas as passagens terrenas; 4- A crença no livre-arbítrio, que determina o destino do espírito de acordo com a causa e o efeito de seus atos; 5- A crença na reencarnação, através da qual o espírito vai evoluindo nos planos intelectual, moral e espiritual; 6- A crença na comunicação dos espíritos com os humanos e destes para com os espíritos; 7- A crença na pluralidade dos mundos habitados, atrasados e evoluídos.  Por meio destes três últimos princípios, podemos nós espíritas entender o que Jesus nos quis dizer, há dois mil anos passados; a- Quando apareceu aos seus discípulos, no Monte Tabor, conversando com os espíritos de Elias e Moisés; b- Quando se juntou aos seus seguidores, a caminho de Emaús, após sua morte física, e se fez conhecer por eles;  c- Quando se comunicou com Saulo de Tarso, na estrada de Damasco; d- Quando respondendo aos seus discípulos, disse: “Se vós bem quereis compreender, João Batista é o Elias que há de vir”; e- Quando disse a Nicodemos: “Não te maravilhes de te haver dito. Necessário vos é nascer de novo”; f- Quando respondendo a Pilatos, disse: “Meu reino não é deste mundo”; g- “Quando falando aos seus discípulos, disse: “Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, eu já vos teria dito, porque eu vou para vos preparar o lugar”.

A Doutrina Espírita, como Ciência, Filosofia e Religião  não adota; dogmas, símbolos, sacerdócio organizado, vestes especiais, vinho, incenso, altares, imagens, velas, talismãs, amuletos e quadros. Não atende a interesses mundanos e materiais; não aceita adivinhações por cartas, búzios, tarô, bola de cristal; não recebe o espírita, pagamento por qualquer benefício que tenha feito ao seu próximo, não administra sacramentos, concessão de perdão, remissão de pecados, nem promete o céu ou o inferno a qualquer pessoa.

A desinformação de grande parte da sociedade, por falta de conhecimento ou estudo da Doutrina dos Espíritos, tem dado lugar a ditos curiosos, como os seguintes: “Espiritismo de Terreiro”, quando querem se referir aos rituais dos antigos escravos e seus descendentes, trazido para o Brasil quando o Espiritismo ainda nem existia, pois só surgiu no ano de l857; “Baixo Espiritismo”, quando deseja designar uma prática puramente espiritualista voltada para o mal; “Espiritismo de mesa branca” ou “Alto Espiritismo” quando querem se referir a uma prática mediúnica, voltada e afinada com o bem. Tudo isso não passa de falta de conhecimento da Doutrina. O sincretismo afro-brasileiro que originou a Umbanda, também nada tem a ver com a Doutrina dos Espíritos. Apenas uma coisa os une: A comunicação com os espíritos, que, diga-se não é exclusividade do Espiritismo nem da Umbanda, visto que essas manifestações se verificam também entre os índios e, com frequência, no seio das religiões pentecostais, e no movimento de renovação carismática dos núcleos católicos, que numa desinformação, são atribuídas ao Espírito Santo.

Cremos que para o bom entendimento da Doutrina dos Espíritos, precisamos exercer o auxílio consolador, a caridade fraterna, o intercâmbio de comunicações com os que estão na espiritualidade, e a pregação moralista e religiosa; porém, ficará falha e inconsistente, se não ajudar o ser humano a tomar uma nova consciência de si mesmo, rompendo com os modelos inferiores existentes. A esta operação, Paulo o apóstolo dos gentios, chamou: “A substituição da nova pessoa pelo despojamento da velha pessoa”, e acrescentou ainda: “Os que procuram seguir Jesus, se tornam novas criaturas”.  E como nos tornaremos uma nova pessoa? É simples. Aquele que se decide a seguir o Mestre Amado, tudo deve ser renovado. O passado delituoso, as situações de dúvidas. As incertezas terão chegado ao fim. As velhas cogitações com as coisas materiais serão diminuídas, dando lugar á vida nova do espírito, onde tudo signifique reconstrução para o futuro promissor. Os vícios, aos poucos serão afastados e esquecidos, os erros serão retificados, os maus pensamentos serão substituídos por novos sentimentos que vibrarão em sintonia com o Evangelho, e, as nossas ações serão voltadas para o bem; e com nossos exemplos de vida, estaremos semeando fraternidade, caridade e amor...

Não adianta para ninguém o muito conhecimento, as palavras bonitas e as boas intenções, sem o nosso interior renovado, pois estaremos indo ao encontro de Jesus, carregados de cadeias, e, apesar da sinceridade das nossas intenções, não conseguiremos ainda chegar ao santuário do seu Amor. Ao nos transformarmos em uma nova pessoa, o Espiritismo cumpriu em nós, a sua função, e renovados, poderemos com o conhecimento e a fé, praticar a caridade maior que consiste em darmos, além do auxílio consolador, da caridade fraterna, da pregação moralista e religiosa, damos também de nós mesmos, o nosso gesto será acompanhado do nosso sentimento de cristão. E, ao nos tornarmos novas criaturas, estaremos evoluindo e passando de uma morada de expiação e sofrimento, para outras moradas apropriadas ao nosso adiantamento espiritual, como fiéis discípulos de Jesus.

A Doutrina dos Espíritos é sem dúvida, a terceira maior dádiva concedida ao ser humano. Fundamentada nos ensinamentos de Jesus, ela é: a escola, o abrigo, o templo sagrado, a esperança e a fé, assegurando aos que a buscam, orientação e restauração na confiança em Deus, e a certeza de que em breve, dias melhores virão para a Humanidade. A assimilação de seu conteúdo se faz pelo labor constante e no trabalho de amor e caridade, sob a proteção de Jesus.

Finalizando, recordo as instruções do “Espírito de Verdade” sobre a Doutrina, contidas no livro:  “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,  quando ele diz: “O Espiritismo, como antigamente minha palavra, deve lembrar aos incrédulos, que acima deles, reina a verdade imutável: O Bom Deus. Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instrui-vos, eis o segundo. Amai e orai; sedes dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo do coração e, então, Ele vos enviará seu filho bem-amado para vos instruir e vos dizer estas palavras: Eis-me aqui, venho porque me chamastes.”
Que a Paz do Senhor, permaneça em nossos corações.
Bibliografia:
“Novo Testamento”. “O livro dos Espíritos”
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Jc.
São Luís, 11/2004
Refeito em 22/04/2019



O SEXO E O AMOR





 
O sexo é uma atividade e uma necessidade do organismo humano, com a finalidade de perpetuar a espécie humana na Terra. O Amor é um sentimento que atrai e harmoniza as criaturas, dando a elas o sentido divino do ser.
Nossa sociedade vive o fenômeno da “multidão solitária” em que as pessoas convivem lado a lado, mas dificilmente aprofundam contatos, o que torna cada vez mais raro o relacionamento genuíno entre duas pessoas. O ardor hedonista de satisfação imediata dos ímpetos sexuais tornou a figura do parceiro apenas um objeto de consumo. A psicanalista Maria Rita Kehl é categórica ao afirmar: “A aliança entre a expansão do capital e a liberação sexual fez do interesse das massas consumidoras pelo sexo um ingrediente eficiente de publicidade. Tudo o que se vende tem apelo sexual; um carro, um liquidificador, um comprimido contra dor de cabeça, um provedor da internet, um tempero industrializado. A imagem publicitária evoca o gozo que se consuma na imagem, ao mesmo tempo, que promete fazer do consumidor um ser pleno e realizado. Tudo evoca o sexo na medida em que a mercadoria se oferece como presença segura, positivada no real, do objeto de desejo”.
O consumo está tão enraizado em nossa sociedade que as pessoas estão se consumindo como se fossem mercadorias. As pessoas se tornam coisas que podem ser adquiridas, consumidas e descartadas ao gosto do usuário, trocando-o por outro que aparentemente se demonstre mais “interessante” no momento. Nessa dinâmica existencial, ninguém é considerado insubstituível e toda ideia de valorização se torna um argumento vazio. Nesse processo de dissolução da dignidade humana “a pessoa não se preocupa com sua existência e felicidade, mas em tornar-se vendável”. As relações se tornam apenas um meio de obtenção imediata de prazer sexual, e de modo algum, uma genuína interação interpessoal pautada pelo respeito e pela afirmação do valor humano do outro. Conforme argumenta a socióloga Eva Illouz, “na cultura do capitalismo afetivo, os afetos se tornaram entidades a ser analisadas, inspecionadas, discutidas, ignoradas, negociadas, quantificadas e mercantilizadas”.
Obviamente que todo ser humano tem o direito de experimentar, exaustivamente, as relações afetivas em busca da sua realização amorosa, mas o elemento criticável na conjuntura capitalista inserida na sociabilidade decorre da irresponsabilidade ética para com a figura do outro, imputada como desprovida de sentimentos e valores. Querendo gozar a existência plenamente mesmo que através da degradação do outro e sem que corra os riscos provenientes das incertezas decorrentes de toda relação, o outro é considerado apenas como uma peça, que rapidamente entra em processo obsoleto na frívola experiência afetiva, para que logo após se possa descartá-lo tal como um bagaço de laranja atirado ao lixo, sem que haja qualquer crise de consciência da parte do indivíduo ávido de experiências, em cometer tal ato para com o parceiro amoroso com quem se relaciona.
Hoje, tudo é permitido no sexo; troca-se de parceiro como se troca de peça de vestuário. Tememos o envolvimento com o outro, pois ele, na visão distorcida que dele fazemos, traz sempre consigo uma sombra ameaçadora, capaz de desestabilizar a nossa frágil existência, a nossa atividade profissional e a nossa organização familiar.  Tudo isso é apenas desejo sexual, não é o Amor.                       
A vivência do amor genuíno se enraíza através da afirmação da alteridade, capacidade de compreender a interioridade do outro: o amor é, assim, uma experiência que preconiza os sentimentos, comunicando-se então os afetos de pessoa para pessoa. “Se eu amo o outro me sinto um só com ele, mas como ele é, e não na medida em que preciso dele como objeto para meu uso”. Existe amor quando os envolvidos na relação visam no parceiro um complemento existencial, e não um suporte para o preenchimento do vazio interior.
O amor autêntico por uma pessoa não pode se fundamentar apenas em um contrato moral-jurídico-religioso, mas sim em uma poderosa celebração de sentimentos regida pela afinidade, espontaneidade e alegria. O respeito verdadeiro pelo ser amado não brota pelo cumprimento de um formalismo contratual, mas sim pelo cuidado para com o outro, nascido pelo sentimento que nasce da afetividade.
Na Doutrina dos Espíritos, a união de duas pessoas que se amam, o que é divino além do sentimento de amor é a união dos sexos para criar novas criaturas a fim de substituírem os seres que morrem. Deus quis que os seres humanos estivessem unidos não somente pelos laços da carne, mais pelos laços da alma, para que a afeição mútua se transportasse também aos filhos.
Jesus ao responder aos Fariseus, sobre qual o mandamento maior da lei, lhes respondeu: “Amareis a Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito, sobre todas as coisas; e o segundo; amareis o vosso próximo como a vós mesmos”. No início da sua criação, o ser humano só tem instintos; mais avançado, ele tem sensações; mais evoluído, tem sentimentos, e o sentido mais delicado do sentimento é o Amor. Quando Jesus pronunciou essa divina palavra – amor – ela fez estremecer toda a humanidade... Assim, não devemos dar o nome de amor a um simples ato sexual, porquanto o Amor não se faz; ele é um sentimento divino. O sexo pode ser praticado, pelos que se amam como um complemento do sentimento de Amor existente entre ambos.

Fontes:
Revista “Filosofia” – 06/2013
Renato Nunes Bitencourt
“Evangelho Segundo o Espiritismo”
+ Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 24/10/2013

terça-feira, 20 de agosto de 2019

O MAL E O BEM





 
Allan Kardec na pergunta 629 de “O Livro dos Espíritos”, faz a indagação: “Que definição se pode dar a moral?” Resposta dos Espíritos Superiores: “A moral é a regra para se conduzir bem, quer dizer, a distinção entre o mal e o bem. O ser humano se conduz bem, quando faz tudo em vista e para o bem de todos, porque, então ele observa a lei de Deus. Assim, fazer o bem é se conformar com a lei de Deus; e fazer o mal é infringir essa lei. Quando comeis muito, isso vos faz mal. É Deus que vos dá a medida do que vos é necessário. A lei natural traça ao ser humano, o limite de suas necessidades. E quando ele a ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Deus deixa à pessoa, a escolha do caminho; tanto pior para ela, se toma o caminho do mal; sua peregrinação será mais longa e penosa. É preciso que o espírito adquira experiência, e para isso, é necessário que ele conheça o mal e o bem. Aquele que não faz o mal, mas que aproveita do mal feito por outro, é como se o cometesse; aproveitar é participar do ato.  Talvez tenha recuado diante da ação, mas encontrando-a pronta, ele a usa, comprovando que o faria ele mesmo, se pudesse”.

O Evangelho nos fala do bem e do mal sofrer; de pagar o mal com o bem. Porém, o que é o bem? – O bem é tudo o que faz bem? – O que é o mal? – O mal é tudo o que faz mal?  Nem sempre... Às vezes um aparente bem, pode se transformar num mal; assim como de um mal pode proceder a um bem. Exemplifiquemos para melhor compreensão: Quando castigamos uma criança, aparentamos uma atitude maldosa; porém é para o bem dela. Quando a sociedade manda para a prisão uma pessoa, está possibilitando a ela a oportunidade de se regenerar, e não lhe castigando ou fazendo o mal. Quando deixamos de autorizar uma filha a ir a um determinado lugar, parece que estamos fazendo um mau o que na verdade se faz é que por uma intuição tivemos um aviso de fizemos um bem. Tomemos outro exemplo: Um ladrão que rouba o salário de uma pessoa está fazendo um bem para si, embora esteja praticando um mal ao seu irmão. Ao darmos demasiada liberdade aos nossos filhos ainda adolescentes, acreditamos estar praticando um bem; e essa liberdade pode levar a excessos e a prática do mal. Um estuprador se sente bem, praticando o mal em sua vítima.  Assim, é preciso entender o que seja o bem e o mal, e como proceder durante a nossa existência na Terra.

Diz uma lenda que ao conceber o quadro “A Última Ceia de Jesus”, Leonardo da Vinci deparou-se com uma dificuldade: pintar o bem na imagem de Jesus, e o mal na figura de Judas, o amigo que o traiu. Ele interrompeu o trabalho até encontrar os modelos ideais. Certo dia, assistindo a um coral, viu em um dos rapazes a imagem perfeita para Jesus. Convidou-o então para o ateliê e reproduziu seus traços para o quadro. Passaram-se alguns anos e a “Última Ceia” estava quase pronta, mas Leonardo ainda não encontrara o modelo ideal de Judas. Um dia ele encontrou um jovem prematuramente envelhecido, bêbedo, esfarrapado, barbudo, atirado na sarjeta. Pediu ele que levassem aquele homem até a igreja. Da Vinci passou então a copiar o rosto de miséria, tão bem delineado na face do bêbedo, que mal conseguia o homem ficar em pé. Quando Leonardo terminou, o jovem, já um pouco refeito da bebedeira, notou o quadro à sua frente, e disse: “Eu já vi esse quadro antes!” – “Quando?” Interrogou Da Vinci. O homem respondeu: - “Há alguns anos atrás, antes de ficar neste estado de miséria, eu cantava, cantava num coro de igreja. Então apareceu um artista e me convidou para posar como modelo para a face de Jesus, e eu assim fiz.” – Temos assim, a face do Bem ou do mal; só depende do nosso proceder...

No início do século XX, na Alemanha, durante uma conferência com universitários, um professor perguntou: “Deus criou tudo o que existe?” – Um aluno respondeu: “Sim, Ele criou.” – O professor disse então: “Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal.” – O jovem ficou calado e o professor feliz de ter provado que a fé era um mito. Outro estudante levantou-se e disse: “Professor, o frio existe?” – O professor disse: “Lógico  que existe; você nunca sentiu frio?” – O aluno respondeu: “O frio não existe. Segundo as Leis da Física, o que consideramos “frio” é a ausência do calor.”  “A escuridão existe”, voltou a perguntar o aluno. O professor respondeu: “Existe.” – O aluno prosseguiu: “O senhor comete um erro; a “escuridão” também não existe. A escuridão na realidade é a ausência da Luz. A luz pode-se estudar; a escuridão não. Finalmente o aluno perguntou: “Senhor, o mal existe?” – O professor disse: “Claro, como disse desde o começo.” – O aluno respondeu: “O mal não existe; o mal é simplesmente a ausência do bem. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existem a Luz e o Calor. O mal é o resultado da Humanidade não ter Deus presente em seus corações, é como o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz”.

Muitas pessoas julgam-se merecedoras de irem para o céu, porque acham que bastará não fazer o mal para ser agradável a Deus. Isso já é bom. Não fazer o mal, livra as pessoas de resgates penosos, evita a possibilidade de atraírem espíritos maldosos que se afinam com os atos, e, arranjarem inimigos na Terra como na Espiritualidade, que lhes atrasem a marcha evolutiva. Entretanto, se não fazem o mal, talvez também não façam o bem.  E não fazendo o bem, nada mais fazem, senão desperdiçar uma existência, apenas satisfazendo as necessidades do corpo, vivendo sem realmente viver a vida real que é a vida do Espírito. E quando chegam à Espiritualidade, a existência lhes é mostrada como o passar de um filme; aí então tomam conhecimento de que nada fizeram, da inutilidade da sua existência; e o arrependimento e a tristeza de não terem feito nada para avançar espiritualmente, os fazem sofrer.

Não há pessoa alguma que não possa fazer o bem. Só o egoísta, não encontra jamais oportunidade para fazer o bem. Cada dia, a vida dá oportunidades a qualquer pessoa que não esteja cega pelo egoísmo, para fazer o bem, que não é só ser caridoso, mas também útil, na medida em que se pode, e que a nossa ajuda é solicitada. O mérito do bem, está na boa-vontade  no trabalho e na dificuldade.  Não há mérito se fazer o bem sem trabalho e quando não nos custa nada. Deus tem mais em conta, o que reparte seu único pão, do que o rico que dá do que lhe sobra. Vejamos o que falou Jesus sobre o óbulo da viúva pobre: Assentado diante do gazofilácio (cofre destinado a recolher donativos para o Templo), Jesus observava  como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos uma viúva pobre, depositou apenas duas pequenas moedas. Jesus chamando os seus discípulos disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os demais ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía”.

Como a lei de Deus determina que o espírito deve evoluir sempre, então se não fazemos o bem, estamos parados no tempo; talvez porque o espírito esteja precisando de um pequeno descanso para recarregar  e poder continuar a jornada em seguida; como também pode acontecer que resolvemos estacionar levado pelo nosso comodismo, pela preguiça e pelo desânimo. Nestes casos, mais cedo ou mais tarde, seremos “alfinetados”, devido a nossa imobilidade,  para  retomarmos a  jornada  interrompida  de amor ao nosso próximo, que nos possibilitará galgar os degraus da evolução. Por que então, já que temos a oportunidade e as condições necessárias, não procuramos atender ao determinismo Divino, realizando nossos deveres, evitando novas existências penosas, sujeitos a resgatar pela dor o que recusamos fazer pelo amor?

Segundo a idéia que se fazia antigamente dos lugares de penas e recompensas, era que o céu ficava em cima e o inferno embaixo. Veio a Ciência e provou que a Terra é redonda e um dos menores mundos entre tantos milhões, e que o espaço é infinito; que não há nem alto nem baixo no universo. Assim, fomos forçados a deixar de acreditar que o céu está acima e o inferno nos lugares baixos.

Estava reserva à Doutrina dos Espíritos, dar a todas as coisas, a explicação mais racional e mais consoladora para a Humanidade. Assim podemos dizer que carregamos dentro de nós, nosso inferno, quando fazemos a maldade; e o nosso paraíso, quando fazemos o bem. Nosso purgatório, o encontramos nos sofrimentos e provas das nossas existências corporais. A bem da verdade diz que, o que está acontecendo nestes tempos de renovação, é que os espíritos dos maus que a morte arrebata todos os dias, e todos aqueles que tentam deter a marcha do progresso espiritual, estão sendo excluídos da Terra e afastados do convívio das pessoas de bem, para não lhes dificultar a evolução e a felicidade. Esses espíritos estão indo para mundos menos evoluídos que a Terra, cumprir missões penosas, onde poderão trabalhar para o seu adiantamento e o adiantamento de espíritos ainda mais atrasados.

“Por que Deus permite que seres tão cruéis vivam no nosso mundo?”, certamente é o que nos perguntamos. Seqüestros, atos de terrorismo, assaltos, corrupção, tráfico de drogas, chacinas, etc... Até quando Deus permitirá isso acontecer? – O mal não faz parte da natureza íntima do espírito; é uma anomalia, como o são as enfermidades. O bem, tal como a saúde, é o estado natural, é a condição normal do espírito. Um corpo doente constitui um caso de desequilíbrio, o mesmo acontece com o espírito transviado, rebelde, viciado, criminoso. Há tantas variedades de distúrbios psíquicos quantos distúrbios físicos, a qual a medicina dá variadas denominações. A origem do mal quer no corpo quer no espírito, é a mesma; a infração das leis de Deus, causadas pela  ignorância dos seres humanos, capazes de todas as insânias.

Quando Jesus ensinou o “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos fazem mal”, proclamou um preceito altamente humanitário. A benevolência contrastando com a agressão, é o único processo educativo capaz de corrigir e regenerar o pecador. Para eliminar-se o mal da Terra, é preciso que se apliquem métodos naturais que é a educação do espírito. Com o velho sistema de querer eliminar o criminoso, nada se logrará de positivo, porquanto eles continuarão malfeitores na espiritualidade e reencarnarão na mesma condição. A medicina jamais pensou em eliminação dos enfermos. Toda a sua preocupação está voltada para curar os doentes. O mesmo processo deve tratar os distúrbios que afetam a moral dos indivíduos. Para a sociedade, é muito mais fácil encarcerar ou eliminar o criminoso; educá-lo é mais difícil, mais trabalhoso, demanda tempo. A educação previne o vence o mal. O homem educado conhece o senso da vida, age com critério, com discernimento e é um valor social. Retirem-se os delinqüentes do convívio social, como se faz com o doente que ameaça a saúde pública; mas deve-se prestar a ambos a assistência necessária.

A Doutrina dos  Espíritos  nos oferece muitas  informações   mostrando que o mundo onde vivemos foi reservado para os espíritos menos evoluídos, cujo caráter predomina o mal sobre o bem, o egoísmo sobre a caridade, o ódio sobre o amor. Deus não colocou espíritos cruéis em nosso mundo; nós, por ainda sermos inferiores é que nos condenamos a viver em um mundo onde habitam espíritos cruéis. Não são eles que estão em nosso mundo; nós é que estamos no mundo deles. Outra coisa é a lei do progresso que a tudo rege. Segundo essa lei, não existe o mal eterno. Todas as almas e espíritos um dia estarão voltadas para o bem, único estado espiritual que traduz a harmonia das Leis de Deus.

É pelo progresso moral e pela prática das leis divinas que nós atrairemos para a Terra, os bons Espíritos, fazendo nela reinar, o Amor e a Justiça, que são as fontes do bem e da felicidade. Para a nossa evolução e a condição de escolhidos, precisamos fazer o bem; um pensamento positivo, uma prece, um sorriso, um gesto fraterno, uma boa palavra, um conselho elevado, um simples copo com água, nos faz uma pessoa de bem e nos conduz ao Reino de Deus. Vamos praticar o bem para que a bondade do Senhor também venha até nós.

 Cada criatura neste mundo, se sofre a influência dos espíritos inferiores que tentam  arrastá-la para o mal, também recebe a influência dos bons Espíritos que a estimulam à prática do bem. Segundo os Espíritos Superiores, a Terra cumpre o papel de imenso educandário. Se recebeu no passado, espíritos perseverantes no mal, e que hoje desencarnando não estão voltando à Terra, e os que aqui ainda se encontram em última oportunidade, nunca porém deixou de receber também o socorro de Espíritos evoluídos, para despertar em todos, com seus exemplos de vida, o sentimento da prática da caridade e do amor sublime. Buda, Jesus, Francisco de Assis, Gandhi, Allan Kardec, Divaldo Franco, Madre Tereza de Calcutá, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier, e muitos outros desconhecidos, foram exemplos de Espíritos enviados por Deus para nos  encaminhar.

Todos nós somos convidados a participar, a colaborar com o mundo em que vivemos, das mais variadas maneiras... Toda hora é hora de praticarmos o bem. Se o mundo continua inferior, é porque nós, que já não temos ódio nem praticamos atrocidades, ainda não tivemos a coragem suficiente para colaborarmos de forma eficiente, a favor de uma humanidade menos primitiva. Somos almas humanas e o que nos falta ainda é o sentimento de fraternidade.

A renovação da Terra está se realizando lenta e progressivamente, pela partida dos espíritos inferiores que estão sendo encaminhados para mundos atrasados, e com a chegada de Espíritos mais elevados e evoluídos moralmente. As novas gerações de Espíritos, que estão se sucedendo, inicialmente inteligentes, depois moralizados e finalmente evangelizados, estão renascendo por toda parte, já possuídos de propostas elevadas e moralizadoras, que farão a transformação do mundo, até aqui voltada para o mal, para um mundo de regeneração, onde o bem será predominante. Os herdeiros da Terra poderão criar uma nova sociedade onde a justiça, a fraternidade, e o amor entre as pessoas e os povos, comprove a evolução do planeta. “Os mansos herdarão a Terra”, disse Jesus. Somente quando os valores morais estiverem na agenda diária de cada um de nós, é que neste mundo haverá menos seres primitivos e mais seres evangelizados. E para que isso aconteça é necessária a nossa colaboração; todos somos convocados a participar dessa tarefa, no sentido de afastar a maldade do nosso convívio com as demais pessoas,, para vivermos uma nova época de regeneração e paz.


Humberto de Campos (espírito), no livro ‘”Boa Nova”, narra que Jesus disse aos seus discípulos: “O ser humano é mais frágil do que mau”, e nos ensina na oração dominical, como evitar o mal, quando dizemos: “Não nos deixeis sucumbir às tentações, mas livra-nos do mal...”  Aqui temos que fazer a distinção entre a palavra mau, com u e mal com l. Mau com (u) é o contrário de bom; significa “ruim”, “de má índole”, enquanto que mal com (l)  é o contrário de bem; significa “erradamente” “desagradável”.

Allan Kardec quando perguntou aos Espíritos Superiores, o que era o Bem. Ora, com nosso conhecimento poderíamos responder: O bem é aquilo que faz bem. Os Espíritos respondem: “O bem é tudo aquilo que está conforme às Leis de Deus”. Kardec fez então outra pergunta: “E o que é o mal?” Os Espíritos respondem: “O mal é tudo o que está contrário a Lei de Deus.” Kardec fez então a terceira pergunta: “Onde está escrita a Lei de Deus?” Os Espíritos respondem apenas: “Na consciência.”

Assim como o mal que fazemos aos outros, pelo pensamento, pelas palavras e pelas ações, ficam gravadas na nossa consciência e retorna a nós; assim também acontece com o bem que fazemos aos outros, que faz bem primeira a nós. Se bem queremos entender, o nosso próximo a quem fazemos o bem, é o instrumento pela qual fazemos o nosso próprio progresso espiritual. Só exercitando o sentimento maior da Lei de Deus, que é o Amor, poderemos ingressar nos planos superiores e sermos realmente felizes e abençoados...

Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações.

Jc.
26/10/2004
Refeito em 11/7/2019

O QUE REPRESENTA A RIQUEZA PARA VOCÊ?





 
Esta pergunta foi feita a diversas pessoas de três grupos.
O primeiro grupo, respondeu da seguinte maneira:
Um arquiteto – É ter muitos projetos que me permitam ganhar muito dinheiro.
Um engenheiro – É construir edifícios que sejam úteis e eu muito bem pago.
Um advogado – É defender muitos casos que me deem muito lucro.
Um médico – É ter muitos pacientes e poder ganhar para comprar uma bela e grande casa.
Um gerente – É manter a empresa em alto nível de lucro e créditos.
Um atleta – É ganhar fama e reconhecimento mundial e ter patrocinadores que me paguem bem.

O segundo grupo, respondeu:
Um preso – Seria caminhar livre pelas ruas.
Um cego -  Seria ver a luz do sol e as pessoas que quero bem.
Um surdo-mudo – Seria escutar o som das notas musicais e poder dizer às pessoas o quanto eu as amo.
Um inválido -  Seria poder correr em uma manhã ensolarada.
Um mendigo – Seria poder estar numa mesa cheia de comidas.
Um órfão -  Seria poder ter uma família que me amasse.

O terceiro grupo, respondeu:
Uma pessoa em estado terminal – Seria viver por mais alguns dias.
Uma enfermeira – Seria poder restituir a saúde aos pacientes.
Uma professora – Seria meus alunos nunca serem reprovados.
Um doador de sangue -  Seria poder salvar algumas vidas.
Chico Xavier – O Criador me fez rico, porque a riqueza para mim significa o meu trabalho e o serviço em benefício do meu próximo.
Para muitas pessoas, os amigos sinceros e leais são a maior riqueza que existe neste mundo.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos informa que a riqueza, sem dúvida, pode ser um meio de salvação nas mãos daquele que dela sabe se servir se é empregada com discernimento, porém é uma prova muito difícil, mais perigosa que a miséria, pelos seus arrastamentos, as tentações que dá e a fascinação que exerce; sendo o excitante supremo do orgulho, do egoísmo e da vida sensual e o laço mais perigoso que liga o ser humano a Terra e afasta seus pensamentos do céu, produzindo tal vertigem que se vê, frequentemente, aquele que passa da miséria à riqueza, esquecer depressa a primeira condição e aqueles que o ajudaram, tornando-se egoísta, insensível e maldoso.

Quando Jesus disse ao jovem que o interrogou sobre os meios de ganhar a vida eterna: - “Desfazei-vos de toda a vossa riqueza e segui-me”, Ele não queria estabelecer como princípio que cada um deva se despojar daquilo que possui, e que a salvação só tem esse preço; mas mostrar que “o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação”. Esse jovem se acreditava quites porque tinha observado certos mandamentos, entretanto, recua ante a ideia de abandonar sua riqueza; seu desejo de obter a vida eterna não ia até esse sacrifício.
A proposição que Jesus lhe fez era para pôr a descoberto o seu pensamento; ele podia ser um perfeito homem honesto, não fazer mal a ninguém e ter todas as demais virtudes, mas não ia até a abnegação. O que Jesus quis demonstrar era uma aplicação do princípio: “Fora da Caridade não há Salvação.”
Se a riqueza é a fonte de muitos males, se ela excita tanto as más paixões, se provoca tantos crimes, é preciso tomar-se não a coisa, mas o ser humano que dela abusa como abusa de todos os dons que Deus lhe dá. Se a riqueza devesse produzir somente o mal, Deus não a teria colocado sobre a Terra. Ela também é um  elemento de progresso material, moral e de progresso intelectual.
A desigualdade das riquezas terrenas é um problema que se procura em vão resolver. A primeira questão que se apresenta é: Por que todos os seres humanos não são igualmente ricos? Não o são por uma razão muito simples: é que nem todos são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos, para adquirir, nem moderados e previdentes para conservar. Aliás, a fortuna, igualmente repartida, daria a cada um uma parte mínima e insuficiente; que, se essa repartição fosse feita, o equilíbrio estaria logo rompido, pela diversidade dos caracteres e das aptidões, o que causaria o aniquilamento de todos os grandes empreendimentos que concorrem para o progresso  e o bem-estar da humanidade. Se Deus a concentra em certos pontos, é porque daí ela se espalha em quantidade suficiente segundo as necessidades.
Deus não quer que a fortuna fique por muito tempo improdutiva e, por isso, a desloca incessantemente; cada um deve possuí-la  para experimentar servir-se dela e provar o bom uso que dela sabe fazer, e se todos a tivessem ao mesmo tempo, ninguém trabalharia e a humanidade pereceria. Há ricos e pobres porque Deus sendo justo, espera que cada um deve trabalhar a seu turno; a pobreza é para uns a prova da paciência e da resignação; a riqueza  é para outros a prova da caridade e da abnegação. Tanto o pobre, por meio do seu trabalho, da sua inteligência e da sua previdência, pode passar a ter riqueza, como o rico por meio da sua incapacidade e imprevidência, vir a tornar-se um pobre. Porém, o ser humano só pode gozar dos bens materiais durante sua permanência na Terra, enquanto que a riqueza moral, sentimentos nobres e ações beneficentes serão recompensados tanto na Terra como na Espiritualidade, para onde iremos um dia.
“A riqueza não pode e deve ser medida pelo dinheiro, mas por aquelas coisas que você não trocaria por dinheiro nenhum”.
Para mim (Jc), a riqueza significa a minha existência com saúde, a minha consciência em paz comigo mesmo, meus familiares e a humanidade.
Agora eu pergunto: Você que leu o assunto abordado e todas estas respostas, o que representa para você a riqueza?
Fontes:
Internet
Evangelho de Jesus
“Evangelho Segundo o Espiritismo”
+ Acréscimos e modificações.

Jc.
São Luís, 11/8/2015
Refeito em 07/9/2017