quarta-feira, 22 de maio de 2013

AS VÍTIMAS INVISÍVEIS




 Em meio ao debate sobre a diminuição da maioridade penal no Brasil, escapa aos observadores a geração invisível de jovens vítimas dos crimes no país. Elas representam milhares de crianças e adolescentes brasileiros que perderam os pais para as balas assassinas de criminosos, muitos deles menores de idade que destruíram famílias inteiras, e que nunca pagam devidamente por seus atos, deixando-as enlutadas e passando necessidades.
Por uma cruel inversão de valores, existem centenas de entidades de “direitos humanos” que cuidam dos criminosos e não das suas vítimas, prontas a minimizar a responsabilidade dos assassinos no Brasil, e quase nenhuma a defender os “direitos humanos” das inocentes vítimas.  Some-se a isso, uma legislação penal feita com o propósito de aliviar a culpa de quem aperta o gatilho de uma arma apontada para a cabeça de uma pessoa passiva ou de uma pessoa banhada em álcool, pelo fato de ter apenas 30 reais no saldo bancário, e depois incendiada pelos assaltantes causando-lhe a morte. Isso não é só revoltante como também monstruoso.
Acrescente-se ainda que, existe mantido, não pelo governo, mas por todo cidadão de bem que trabalha e contribui o pagamento de uma “bolsa-bandido” que é pago a mais de 40 mil presos, que podem dormir tranquilos em suas celas, com a certeza de que suas famílias estão amparadas pelo Estado. A média do pagamento por família é de 730 reais mensais, enquanto o salário mínimo de quem trabalha é de apenas 678 reais mensal. Você acha correto que alguém que roubou ou matou outra pessoa tenha o merecimento e o direito a esse benefício, além das despesas com sua manutenção na prisão?
No Brasil, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, na França e em outros países, os familiares de alguém morto por bandidos não tem direito a nenhum benefício, a não ser que a vítima venha contribuindo para a Previdência Social, quando será concedida à família a pensão por morte.
Os bandidos roubam, torturam e matam suas indefesas vítimas nas cidades brasileiras não por precisarem, porque trabalho não falta, mas porque querem e podem. Eles têm a certeza das penas brandas, das atenuantes, quando não da impunidade, sem falar nas entidades de proteção aos criminosos e de alguns juízes que libertam os mesmos, às vezes por pequenas minúcias, talvez com medo de serem também, como vingança, vítimas dos bandidos, sem levar em consideração o trabalho exaustivo dos policiais. Estes, contam que, quando os facínoras são menores, eles zombam dos policiais ao serem detidos, garantindo que logo estarão soltos e de voltas às ruas, o que vemos todos os dias, porque seus defensores porão a culpa na sociedade e no Capitalismo.
O debate sobre a violência na Brasil atingiu um grau de insensatez capaz de igualar e não haver diferença entre a vítima e o criminoso. O Estado deveria garantir a segurança do cidadão de bem e não beneficiar alguém que vem prejudicando a segurança das pessoas e da nação.
Na maioria dos casos a família da vítima ainda ajuda a pagar o benefício à família da pessoa que destruiu a sua.
Para explicar ao filho menor de dois anos de idade a ausência do pai, vítima de um ladrão que lhe tirou a existência, Neli, residente em Rio Branco-AC, disse que o pai está dormindo com Deus, e a criança pede à mãe para “acordar o papai”. Juliana é outra vítima. Em abril de 2009 ela ainda estava na barriga da mãe quando Leslie foi alvejada com dois tiros na cabeça. Juliana sofreu falta de oxigenação no cérebro e ficou com problemas motores nos quadris e nas pernas. Ian de três anos e Liz de 2 meses, filhos de Lua Varin da cidade de Itu-SP são outras vítimas de bandidos. Ela teve que inventar que o pai foi morar no céu. De vez em quando Ian pergunta: “Os anjos dão comida para o papai?” Vinícius estava com a mãe numa loja de Curitiba quando os ladrões chegaram. Como ela se recusou a entregar as chaves do carro, morreu com um tiro na cabeça, disparado por um menor assaltante. Ainda hoje, Vinícius comenta com o pai que “o homem mau arrancou o cabelo da mãe”.  Gabriel Paiva de Recife-PE, Márcia Bairros de Medeiros do Rio, vítima duas vezes ao saber da morte do pai e ao presenciar a morte do seu marido, e a dentista Cinthia Moutinho de Souza, são muitas de milhares de vitimas de criminosos.
Nenhuma nação se viabiliza sem garantir segurança a seus cidadãos, que só querem trabalhar e criar seus filhos para que cresçam como pessoas honestas e produtivas. Qualquer sociedade se deteriora quando fecha os olhos à culpa dos que a agridem. O que os brasileiros precisam e exigem das autoridades é paz e segurança para trabalharem, para andarem nas ruas das cidades sem temor, para conversarem com os parentes e amigos nas portas e varandas das casas sem que sejam alvos de algum elemento perniciosos, seja qual for a sua idade. Não podemos mais aceitar essa situação que nos leva a viver trancados em casa enquanto os criminosos vivem em liberdade nas ruas a afrontar os que se arriscam a sair.
Para maiores informações sobre esse assunto vejam os artigos:
A Violência
Carta aos Representantes do Governo do Brasil
Juventude Abandonada
O Estado é Cúmplice
Uma Questão de Direito

Fonte:
“Revista Veja” - edição 2320 de 8/5/2013
+ modificações

Jc.
S. Luís, 22/05/2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

M Ã E




                                                    M Ã E
De todas as datas comemorativas, uma das mais importantes é a que enaltece e reverencia a figura da mulher-mãe. Para se falar das conquistas da mulher, temos que criar o referencial, antes e depois de Jesus. – Antes, a mulher era uma criatura insignificante que nenhum homem, fosse pai, irmão ou marido, lhe dirigia a palavra na rua. A lei judaica declarava a mulher inferior ao homem, e, comprava-se uma mulher por dinheiro, contrato e relação sexual. A mulher, nesse tempo, valia menos do que um animal ou um escravo. Depois, Jesus acabou com tais preconceitos, ao se dirigir a uma mulher samaritana, considerada uma inimiga, para pedir água; além disso, era uma pecadora. Também era pecadora e repudiada pela sociedade, Madalena, a quem Ele fez a portadora da Imortalidade da alma (espírito), ao reaparecer para ela após sua morte física. Jesus foi o primeiro a valorizar as mulheres e a aceitá-las na sua missão. 
Muito se tem falado em todos os tempos, sobre a figura da mãe, dedicada, carinhosa e abnegada. Aquela que nos carregou no ventre por nove meses, com sofrimentos e alegrias. Todos tiveram e se lembram de sua mãe; alguns tiveram a felicidade de terem duas mães; uma que lhe pôs no mundo e outra que lhe criou. Ambas devem ter o carinho de seus filhos, porque cada uma contribuiu para a sua existência atual. Nas páginas do Evangelho, encontramos Maria de Nazaré, a mãe carnal de Jesus. Foi à missionária que recebeu em seu ventre, o grande enviado de Deus, que veio a Terra, desempenhar a mais sublime das missões, e que trouxe à Humanidade sofredora, o iluminado código de verdades que são os seus ensinamentos. No desenvolver de sua tarefa de mãe, sofreu o impacto doloroso de ver o seu filho inocente, ser preso, açoitado e crucificado.
Não podemos deixar de lembrar também das outras três Marias que ilustram as páginas do Evangelho; Maria de Magdala ou Madalena, a mulher que deve servir de exemplo para todas as mulheres do mundo. Abandonando uma existência de luxúria, de ostentação e de pecados, ela soube sair vencedora da dura batalha que travou.  Lavando os pés de Jesus, com perfume e com lágrimas, e os enxugando com seus cabelos, ela demonstrou todo seu arrependimento, tornou-se a mais dedicada seguidora de Jesus, ao ponto de tornar-se merecedora de receber a visita do Espírito de Jesus, com prioridade, após a sua ressurreição. O Mestre assim procedeu, para dar uma demonstração viva do seu apreço, pela reforma íntima que ela havia realizado.
Maria de Betânia, foi a jovem que maior apreço demonstrou aos ensinamentos de Jesus. Em sua pureza, revelou também todo o apreço e dedicação ao Mestre, lavando sua cabeça com valioso perfume, numa demonstração viva do modo como assimilava todos os ensinamentos que emanavam de Jesus. Ela não perdia a oportunidade de ouvi-lo, todas as vezes que Ele visitava Betânia.

Maria, mãe de Marcos, foi à mulher dedicada que abrigava os apóstolos em sua casa, após a partida de Jesus, tornando-se assim, valorosa cooperadora na tarefa de dar sustentação aos apóstolos do Mestre, os quais tinham sobre os ombros, a enorme missão de divulgar os ensinos evangélicos.
Há pouco tempo tomamos conhecimento pela fala de uma criança que, ao ser indagada sobre o que desejava ganhar como presente, no dia do seu aniversário, respondeu: “Quero uma mãe”. – Mas você tem uma mãe, por que quer outra ? – Voltou a responder a criança: “É que a mãe que eu tenho, ela sempre está fora de casa e não liga para mim”. Era o desabafo de uma criança de sete anos, retratando a sua realidade.
A mãe é a representante do Divino Amor de Deus na Terra, ensinando-nos a ciência do perdão, do carinho da caridade e do amor, em todos os instantes de nossa jornada terrena.  Se pudermos imitá-la nos exemplos de bondade e sacrifício que constantemente ela nos oferece, por certos seremos na existência, felizes e preciosos auxiliares do Reino de Deus. Toda mãe acha que seu filho(a) será sempre a sua criança, não importando a sua idade. Vários são os nomes  dessa mulher, mas sempre a chamaremos de MÃE.
Meimei, numa linda mensagem dedicada às mães, diz: “Quando o Pai Celestial precisou colocar na Terra, as primeiras criancinhas, chegou à conclusão de que devia chamar alguém que soubesse perdoar infinitamente; de alguém que não enxergasse o mal; que quisesse ajudar sem exigir pagamento; que se dispusesse a amparar as crianças, com paciência e ternura, junto ao coração; que tivesse bastante serenidade para repetir incessantemente às pequenas lições de cada dia; que pudesse velar, noites e noites, sem reclamação; que cantarolasse baixinho, para adormecer os bebês; que permanecesse em casa, por amor, amparando as crianças que ainda não podiam sair à rua; que falasse  sobre a existência e o mundo; que abraçasse e beijasse as crianças doentes; que lhe ensinasse a orar e a dar os primeiros passos; que os conduzisse à escola, a fim de aprenderem; que contasse muitas histórias sobre Jesus...  Dizem que nosso Pai Celestial permaneceu muito tempo examinando, e em seguida chamou a mulher, deu-lhe o título de “Mãezinha” e confiou-lhe as criancinhas...”
Esta é uma simbólica homenagem que faço a lembrança da minha querida mãe, desejando a ela, onde quer que se encontre meus sentimentos de gratidão, de respeito e de amor, por aquela que me deu a existência terrena.

Jc.
S.Luís, 8/5/2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

 



           DOAÇÃO  DE  ÓRGÃOS


A medicina, em sua árdua tarefa de tratar do corpo, atenuar as dores e possibilitar ao ser humano uma vida mais longa e mais saudável, tem chegado a avanços notáveis, dignos do nosso apreço e reconhecimento. Assim, vimos desfilar nas últimas décadas deste século a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia no tratamento do câncer; as vacinas de todos os tipos que diminuíram a incidência de doenças infecto-contagiosas; os novos métodos de diagnosticar moléstias e os transplantes de órgãos, devolvendo a alegria a tantas famílias ao verem recuperado o  familiar, quando a chama da vida se lhe ameaçava apagar.

Os primeiros transplantes de órgãos feitos com sucesso no Brasil, levaram a população ao entusiasmo, pois representavam para aqueles ameaçados de morte, diante da impossibilidade de cura de um órgão doente (coração, rins), uma nova esperança de vida. Foram criadas as filas de transplantes para as pessoas necessitadas, aguardar uma doação nas condições exigidas para tal fim, que pudesse fornecer-lhe o órgão para o transplante. Muito louvável o gesto da família que permitia que um ou vários órgãos do seu familiar “morto” pudesse ser retirado para salvar a existência de outra pessoa.

Quase todos os dias as emissoras de televisão têm apresentado no Brasil, com a necessária ênfase, depoimentos de artistas conclamando os brasileiros a darem maior importância ao ato de doação de órgãos de seus “mortos” queridos. A justificativa da campanha é óbvia, porque, como tem sido divulgado, contam-se aos milhares os que aguardam na fila de espera a oportunidade de receber um transplante, algo que não custa nada à pessoa que deixa este plano em seu retorno à vida na espiritualidade. Você sabia que quatro em cada 10 brasileiros que aguardam um transplante de fígado ou coração morrem na fila de espera? Para mudar essa situação, você só precisa avisar um parente  - esposo(a), filhos pais ou tios – que deseja dar aos seus órgãos um destino nobre após sua desencarnação. Assim fazendo, estamos contribuindo para ajudar quem se acha com alguma limitação na sua existência.

Conheça as oito dúvidas sobre a doação de órgãos: 1- Qual é o número de doações feitas por ano no Brasil? R- Cerca de 2 mil pessoas com morte encefálica (quando o cérebro para de funcionar, mas o coração ainda bate) doam todos os órgãos e 10 mil pessoas doam as córneas. 2- São números que atendem as necessidades? R- Não. As doações de córneas atendem às necessidades dos transplantes, e em São Paulo e Santa Catarina não há mais filas; estas existem na região Norte e Nordeste, onde o programa de doação ainda não está estruturado. Quanto aos outros órgãos, o número de doações vem crescendo, mas ainda não é o ideal. 3- Quantos pacientes estão atualmente na fila de espera? R- Por um rim, são 20 mil pessoas; por um fígado, entre 1,5 mil e 2 mil; por um coração ou um pâncreas, 200 pessoas. 4-Quais os transplantes mais realizados no País? R- Em primeiro lugar, o de córnea (15 mil por ano), depois o de rim (5 mil), e em terceiro o de fígado (2 mil). 5- Como é feita a doação? R- Mais de 90% dos transplantes são feitos pelo SUS. O programa de Transplante de Órgãos do Sistema Nacional de Transplantes  utiliza dois  critérios  para definir  o destino do  órgão:  o paciente que precisa mais ou aquele que encabeça a fila de espera – a decisão independe da condição sociocultural. Quem acompanha todo o trâmite são as secretarias de Saúde junto com o Ministério Público. 6- O que os interessados em doar devem fazer? R- Basta manifestar a vontade para a família, que tende a levar em conta o último desejo da pessoa em vida – não adianta deixar nada por escrito porque os parentes precisam autorizar a doação. Quando a pessoa desencarna, o hospital chama a central de captação, que envia uma equipe. Só depois de confirmado o óbito, os órgãos são retirados. 7- É possível só doar o que a pessoa quer? R- Sim, tem pessoas que, por questões pessoais, não querem doar o coração e essa vontade é sempre respeitada. 8- Quais órgãos são possíveis doar em vida? R- Um dos rins e parte do fígado, mas só para familiares (a menos que se consiga uma autorização judicial), para evitar o comércio do órgão. Doações de pais com idade avançada para filhos são as mais comuns.

Chico Xavier, respondendo certa vez a alguém que lhe perguntou se os Espíritos Superiores consideravam os transplantes uma prática contrária à lei natural, disse:  “Não”, respondeu o saudoso médium e completou: “Eles dizem que, assim como nós aproveitamos uma peça de roupa que não tem mais utilidade para determinada pessoa, e essa pessoa, considerando a situação de penúria material de seu semelhante, cede essa peça de roupa, é muito natural que ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com segurança e proveito”.

Como Allan Kardec não tratou do assunto em suas obras, as divergências a respeito do assunto não foram poucas, e é nisso que avulta a importância do que Chico Xavier disse, complementado por declarações abalizadas como a feita, à época, pelo Dr. Jorge Andréa, que, em seu livro “Psicologia Espírita”, afirmou que não há nenhuma dúvida de que,  nas condições atuais de existência em que nos encontramos, os transplantes vieram para ficar e devem, por isso, serem utilizados. Declarou ainda o Dr. Andréa: “A conquista da ciência, é força cósmica positiva que não deve ser relegada a posição secundária por pieguismos religiosos”.

Hoje, depois de tantos anos, ninguém tem dúvida da importância dos transplantes e dos benefícios que eles trazem não só ao receptor, mas também ao doador dos órgãos e às famílias envolvidas nesse ato de amor. Se alguma dúvida houvesse,  o caso  de Wladimir, narrado por Richard Simonetti no livro “Quem tem medo da morte?”, seria suficiente  para dissipá-la. Aos que ainda não leram essa obra, lembramos que o jovem Wladimir, valendo-se da faculdade mediúnica de Chico Xavier, revelou que mesmo em mortes traumáticas, como a que ele teve – um tiro desferido no próprio peito – a caridade da doação é largamente compensada pelas leis estabelecidas pelo Criador.

A conclusão, portanto, é mais do que obvia: Todos podemos e devemos doar os órgãos que nosso corpo não mais utilizará, finda a existência corporal. A extração de um órgão não produz reflexos traumatizantes no perispírito do doador. O que lesa o perispírito, que é o nosso corpo espiritual, são as atitudes incorretas, negativas, perpetradas por nós, e não o que é feito ao corpo ao ser retirado algum órgão para doação e benefício de outra pessoa. Além disso, o doador é invariavelmente beneficiado pelas preces e pelas vibrações de gratidão e carinho que partem dos que aqui permanecem especialmente do receptor do órgão transplantado e de seus familiares.

Entretanto, como espírita, sabemos que somos um espírito ligado a um corpo, através do perispírito que registra e transmite as impressões e sensações entre eles. Estaria o espírito preparado para “ver” os órgãos do corpo que usou serem retirados, quando sabemos que o espírito liberado após a chamada morte clínica, ainda está em processo de desembaraço dos liames que o prendem ao corpo físico?

A drª Marlene Nobre, em entrevista com Chico Xavier, interroga: “Você acha que o espírita deve doar os órgãos do seu corpo? Não haveria repercussões para o perispírito, uma vez que eles devem ser retirados momentos após a desencarnação da pessoa?” – Chico Xavier respondeu: “Sempre que a pessoa cultiva desinteresse absoluto por tudo aquilo que ela cede para alguém, sem perguntar ao beneficiado o que fez da dádiva recebida, sem desejar qualquer retribuição, sem aguardar gratidão alguma, essa criatura está em condições de doar, porque não vai afetar o perispírito em coisa alguma. No caso contrário, se a pessoa se sente prejudicada por algo que julga pertencer-lhe, esta criatura trás o apego a determinadas vantagens da existência, o que, com certeza, após a morte do corpo, se inclinará para reclamações descabidas gerando perturbações espirituais. Se o apego ao corpo é muito grande, o espírito não apenas se perturbará com a retirada dos órgãos do seu corpo, como também pela decomposição do seu corpo físico; então nesse caso não deve ser doador”.
Agora, quando o assunto volta à tona com a Lei 9.434, que dispõe sobre a remoção de órgãos para fins de transplantes, considerando que todos somos doadores em potencial, as atenções se voltam novamente para as questões de ressentimentos do perispírito.  Na verdade, se Deus não permitiu esse avanço da ciência, é para que aprendamos a doar, sem constrangimento e sem esperar recompensa; não apenas o pão, o agasalho, o livro, a palavra de entendimento, o gesto de caridade, mas também o nosso corpo, quando este já cumpriu a missão temporária, na sua escalada evolutiva na Terra.

Acreditamos que este gesto de bondade deve somar pontos ao espírito que deu mostras de superação ao apego à matéria, quando “vê” com alegria, que foi protagonista da oportunidade de restabelecer a saúde e a existência de outra pessoa. Por outro lado, se o espírito se ressente por causa da doação de um órgão do seu antigo corpo físico, ele demonstra que é um espírito ainda carente de valores e egoísta, sentimento esse ainda tão presente nos seres humanos.

Este avanço científico constitui uma permissão de Deus para que avencemos em nosso processo de evolução. O despertar das criaturas deve acontecer o quanto antes, aproveitando-se as oportunidades atuais para se retificar erros, corrigir situações penosas e libertar-se de dependências infelizes. Jesus nos alertou: “Cada um receberá de acordo com as suas obras”.

Outra importante doação é a que fazemos com amor, aos que necessitam da nossa colaboração. Exercitemos a caridade ajudando as Instituições Filantrópicas que trabalham com crianças desamparadas, idosos necessitados, contribuindo com um pouco do que o Senhor da Vida nos concedeu na presente existência. Só assim, estaremos cumprindo com nossas obrigações, sendo solidários com nossos semelhantes.

Que o Pai Celestial ampare todos os seus filhos, principalmente os que doam em favor do seu próximo.


Bibliografia:
Jornal “O Imortal”
Revista Ana Maria – 12/2012

Jc.
23/4/2006
Refeito em 4/5/2013





quarta-feira, 24 de abril de 2013

RAÍZES DA PERVERSIDADE HUMANA




       RAÍZES  DA  PERVERSIDADE  HUMANA
André Comte-Sponville, filósofo francês expõe no seu livro “O Espírito do Ateísmo”, seis motivos por que não acredita em Deus. Um dos motivos apresentados por ele é a mediocridade humana. Ele escreveu: Quanto mais conheço os homens, menos posso crer em Deus; é mediocridade demais por toda parte, pequenez demais, nulidade demais. Que belo resultado para um Ser Onipotente.
O estudo da evolução humana, a partir dos princípios espíritas, refuta tal argumento, pois não foi Deus o criador da perversidade humana, já que Ele criou-nos simples e ignorantes, portanto, desprovido de virtudes e defeitos. Os defeitos humanos podem ser considerados como opções do ser humano quando escolhe o caminho do mal. Devemos entendê-los, também, como resíduos de reações instintivas, adquiridas durante o longo estágio do princípio espiritual no reino animal, ainda não dissolvidos pelo esforço na construção do bem.
Podemos chegar a tal constatação, examinando os mais recentes estudos na área do comportamento dos grandes primatas, quais sejam os orangotangos, gorilas e chipanzés, nossos mais próximos na escada evolutiva. Uma síntese dos estudos de primatologistas da área do comportamento, foi apresentada por Draúzio Varela, na série Folha Explica, e que recebeu o título de Macacos. Os estudos nos surpreendem, pois mostram que grande parte das graves atitudes humanas no campo da ética e do comportamento, era uma prática corriqueira entre os grandes primatas.
Orangotangos – Os orangotangos, primatas asiáticos de pelo e rosto vermelho, são extremamente intolerantes uns com os outros. Não existe nenhuma associação mútua, nem defesa da comunidade. Quando percebem que o outro está próximo, ambos desviam o caminho e um deles se retira ou os dois partem para o confronto violento. As lutas são ferozes: machos adultos apresentam alta incidência de cicatrizes no corpo, olhos vazados, dedos e dentes quebrados. Alguns que são bem menores que os outros e são considerados subadultos, embora sejam eles adultos, vivem marginalizados pelos machos e fêmeas, sendo que as últimas não se  interessam por  eles.  Como fazem então  para  se reproduzir, se os machos ciumentos são o dobro deles?  Eles em
silêncio, surpreendem a fêmea desprotegida e tentam á força o que por bem não lhes seria concedido. Elas reagem como podem: gritos, mordidas, socos e pontapés. Embora fracos quando comparados aos dominantes, os subadultos são mais fortes que as fêmeas e o estupro é a estratégia reprodutiva. O primatólogo John Mitani, citado por Draúzio Varela, testemunhou 179 acasalamentos com 88% deles por estupros.
Gorilas – Os gorilas são os maiores primatas, chegando a pesar 200 quilos e vivem na África. Nos movimentos em busca de áreas alimentares, eles se cruzam com frequência. Esses encontros muitas vezes terminam em combates mortais. Nesses combates, o macho intruso muitas vezes mata os filhotes do outro, e o infanticídio rende dividendos imediatos: as fêmeas que perderam seus filhos tendem a abandonar o macho que não foi capaz de protegê-los, e segue o agressor.
Chimpanzés – São os primatas cuja inteligência e aparência física mais se identificam com os humanos. Os chimpanzés se reúnem em bandos para matar seus semelhantes premeditadamente. Não são exclusivamente vegetarianos ao contrário, têm apetite pela carne e são exímios caçadores. Suas vítimas, pássaros e pequenos macacos, são devorados com osso e tudo, às vezes, ainda com vida. São canibais e o infanticídio é fartamente aplicado entre eles. Existem muitos relatos de machos matando a dentadas os filhotes. Se na briga apanham, têm o mau gosto de descontar num mais fraco; fêmea, filhote ou idoso, Por essa razão, assim que as brigas começam, as mães escondem-se com os filhotes nos galhos. A disputa pelo comando é uma obsessão na existência dos chimpanzés e faz emergir o que tem de pior. Por exemplo, quando morre o dominante, e sua sucessão é disputada por dois ou três machos, é comum vê-los subir nas árvores e atirar as frutas mais apreciadas para o resto do bando no chão. Uma vez assumido o posto de comando, jamais repetirão o gesto demagógico.
 Como se vê, o ser humano tem o seu lado animal em sua personalidade; despótico, violento, sanguinário, herdado de seus ancestrais primitivos. A diferença fundamental, no entanto, é que os grandes primatas citados fazem o que fazem por instinto,  sem ter noção do que é certo ou errado, do bem ou do mal. Já a criatura humana, alçada à razão, faz o que faz com conhecimento de causa. Ao incorporar em sua individualidade a inteligência, o senso moral e a ciência da reflexão, o Espírito encontra-se estruturado para alçar-se a voos mais altos.
De acordo com Allan Kardec, o ápice da evolução espiritual está na soma completa das virtudes e no conhecimento de todas as coisas, ou seja, no pleno desenvolvimento intelecto-moral. Compete então ao Espírito desenvolver, após a consciência de si mesmo:
     a)  Os múltiplos conhecimentos e a inteligência existencial;
 b)  Os valores do sentimento e as virtudes humanas; a gratidão, a generosidade, a humildade, a tolerância, a caridade, a fé, dentre outras;
c)   A sublimação do instinto sexual, direcionando as forças do libido às atividades nobres em benefício da evolução de todos;

d)   As funções mentais responsáveis pela aquisição, organização, armazenamento e interpretação de informações do mundo externo;

e)   As forças psíquicas ditas paranormais, como a clarividência, a clariaudiência, a precognição, a psicosinésia;

f)    As emoções positivas como a esperança, a serenidade, a paciência, a coragem, a gentileza, a afeição e o amor.
A conquista da razão e o desenvolvimento da inteligência possibilitaram ao ser humano a maioridade espiritual. Mas com a conquista da razão e do conhecimento, tornou-se ele responsável pelos próprios atos. Compete-lhe prosseguir com o próprio esforço e a noção do certo e errado insculpido em sua consciência com a lei de causa e efeito, deverá nortear as suas decisões.     

Bibliografia:
Ricardo Baesso de Oliveira
“Livro dos Espíritos”
“Evolução em Dois Mundos”
Jc.
S. Luís, 23/04/2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

JOAQUIM CARLOS TRAVASSOS




  JOAQUIM  CARLOS  TRAVASSOS
Os Travassos chegaram ao Brasil, procedentes de Portugal. Eram três irmãos e um deles escolheu o Estado  do Rio de Janeiro, para fixar residência, no município de Angra dos Reis-RJ, mais precisamente na Fazenda da Longa, onde o coronel Pedro José Travassos e sua esposa Emília Rita Travassos, agradeciam a Deus, pelo nascimento  no ano de 1839, de um menino que se chamou Joaquim Carlos Travassos.
A família era composta de sete irmãos: quatro homens e três mulheres. Todos receberam boa educação, e Joaquim, ao término dos estudos preparatórios ingressou na antiga Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, com 17 anos de idade, formando-se seis anos depois. A colação de grau de doutor, deu-se na presença das Majestades Imperiais em 1862.
Exercendo a medicina na cidade do Rio de Janeiro, ele dedicava-se aos doentes como se fossem seus parentes ou amigos muito queridos ao seu coração.  Por isso, sua tristeza ao ver partir alguns deles, quando vencidos pelas doenças. O jovem médico, após um breve noivado, contraiu núpcias com a senhorita Maria Antônia de Oliveira. Como ele tinha desejo de clinicar sozinho, o casal transferiu-se para a cidade de Angra dos Reis; contudo, não se adaptando, optou por mudar-se para a cidade de São José do Barreiro, no interior do Estado de São Paulo. Nessa cidade dona Maria Antônia dizia sentir mais a natureza, pois era exímia cavaleira e adorava cavalgar pelas estradas de terra rodeadas de verde e sentir o aroma das plantas silvestres.
Nessa cidade o casal teve a felicidade de ganhar duas filhas, de cujo futuro dona Maria não chegaria a participar, em virtude de um trágico acontecimento que traria profundas dores ao seu esposo. Um dia, quando dona Maria fazia sua costumeira cavalgada pela estrada junto a Serra da Bocaina, na descida da serra ela resolveu abrir inesperadamente a sombrinha; o cavalo, assustado com o fato, saiu em desabalada corrida, o que fez com que dona Maria Antônia caísse, ficando com o pé preso no estribo. O cavalo continuou a correr e o corpo da mulher foi arrastado por um quilômetro, serra abaixo, em pedaços. Nada pôde ser feito, pois na estrada havia muitas pedras; e quando Travassos recebeu a notícia, tentou de todas as formas ajudar a esposa, mas o corpo aos pedaços, só pôde ser recolhido pela polícia e levado ao sepultamento.
O estado emocional do médico Travassos era de abatimento e tristeza, e por isso, ele levou as crianças para morar com uma cunhada, que havia se oferecido para cuidá-las. Ele precisava fazer algo que o ocupasse, em que sua mente trabalhasse dia e noite. Como já existia a guerra do Paraguai contra o Brasil, ele resolveu dedicar-se em servir como médico às formas armadas, e apresentou-se como médico cirurgião, partindo para a frente de batalha em janeiro de 1867 e ali ficou até 1869, quando se retirou do campo de batalha.
Retornando a São Paulo, de imediato foi visitar as filhas. Esse encontro lhe trouxe muita alegria e muitas lágrimas. Dona Mafalda, sua cunhada, tratava as suas filhas como se fosse a verdadeira mãe, e ele foi convidado a fixar residência junto delas. O tempo passou e a admiração do médico pela cunhada foi-se tornando muito forte, até que ele a pediu em casamento. Aceito o convite, ela passou a ser a madrasta das meninas. Entretanto, querendo um melhor recomeço para a família, o médico resolveu mudar-se para Santos, onde Travassos abriu uma clínica que foi se firmando com o tempo. O casal foi contemplado com o nascimento de uma menina. Anos depois, querendo dar à dona Mafalda uns instantes de lazer, para refazimento de suas energias, Travassos a levou para uma viagem marítima onde tudo correu bem. A família estava em pleno retorno das férias, depois de momentos inesquecíveis na viagem, quando dona Mafalda começou a passar mal. Uma epidemia de varíola se espalhara pelo Estado e ela foi acometida pela doença, que em poucos dias interrompeu sua existência terrena. Era outro grande golpe que o médico recebia.
O mundo parecia desabar em sua cabeça, e ele, com os pensamentos revoltos, indagava para si mesmo: “Por que, meu Deus?”  E continuava questionando: “Sempre fiz o bem, procurei ser honesto, fiel aos meus deveres... onde errei?  Fui temente a Deus e sou correto em minha fé... Será castigo por alguma falta?  Onde eu a cometi sem perceber?”  E as lágrimas desciam pelas suas faces. Pouco tempo depois, nova amargura: o falecimento da primeira filha, ainda muito jovem. A tristeza de mais essa morte foi a gota d’agua para seu sofrido coração, e Travassos decidiu abandonar a clínica médica. Afinal ele, como médico e toda sua luta, não conseguia evitar a morte!
Com essa ideia na mente e as indagações sem respostas que o ajudassem a entender os flagelos pelos quais passara, Travassos foi em busca da verdade. A partir desse momento, a Espiritualidade fez com que ele despertasse para a tarefa que ele desenvolveria em seguida, traduzindo para o idioma português as obras de Allan Kardec, quando enfim a doutrina poderia ser mais bem conhecida no Brasil. As notícias sobre os fenômenos das “mesas girantes” começaram a surgir no Brasil entre os anos de 1853 a 1854 e os periódicos brasileiros anunciavam que, em 1858, no dia 1º de abril, em Paris, o professor Allan Kardec fundara a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Travassos se interessou pelo assunto, mas só existiam no Brasil, traduzidos para o português, dois opúsculos: O Espiritismo na sua expressão mais simples e Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita.
Travassos começou então a estudar muito mais as obras de Allan Kardec e seu interesse foi tão grande que o levou a ler outros autores. Sentindo a necessidade de dialogar com outros adeptos da Doutrina, procurou contatá-los, mas achou poucos grupos espalhados pelo país. Em face das constantes buscas  doutrinárias,  Travassos  encontrou  dados  de  que  o  primeiro  Centro 
Espírita fundado no Brasil estava localizado na Bahia, em Salvador, onde também surgiu o primeiro jornal espírita feito no Brasil, “O Eco de Além Túmulo”, lançado em julho de 1869.
Nasce então em 2 de agosto de 1873 o Grupo Espírita Confúcio, tendo em sua diretoria o doutor Joaquim Carlos Travassos. O Grupo deliberou por unanimidade que seguiriam , em seus estudos, as obras de Allan Kardec. Mas essas obras precisariam ser traduzidas para o português, porque só assim o povo brasileiro teria condições de adquiri-las  e estendê-las. E foi o que ele fez, logo em seguida, traduzindo e publicando com o pseudônimo de Fortúnio. “O Livro dos Espíritos” e depois “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Assim que saiu a edição de “O Livro dos Espíritos” em português, Travassos ofereceu um exemplar ao Dr. Bezerra de Menezes, um amigo de longa data a quem admirava profundamente, pelo desprendimento e dedicaçã9o em salvar vidas, doando-se inteiramente a cada paciente como se fossem todos elementos de sua própria família.
 A obra atraiu a atenção do então ilustre político e famoso médico, que chegou ele a se declarar em plena praça pública, que abraçara de corpo e alma a Doutrina Espírita, como lema principal de sua existência.  A trajetória física de Travassos, nessas alturas d3e sua visão como espírita, lhe dava novas esperanças de reconstruir seu lar. Assim foi que, no ano de 1880, contraiu matrimônio com a viúva do doutor Mateus de Andrade, a senhora Francisca Ayrosa Galvão, filha do Barão de Sapucaia, por sinal, muito católica. Desse casamento nasceram-lhe mais dois filhos. O casamento, porém, só durou poucos anos, e o principal motivo foram as divergências religiosas, visto que a esposa não aceitava que Travassos militasse no campo espírita.
A desencarnação de Joaquim Carlos Travassos ocorreu no dia 6 de fevereiro de 1915, quando ele contava 76 anos de jornada física.

Fontes:
Jornal “O Seareiro”,
 do Núcleo de Estudos Espíritas “Amor e Esperança”
Transcrição de Marinei Ferreira Rezende
Jornal “O Imortal” – março/2013

Jc.
S. Luís, 3/4/2013

domingo, 3 de março de 2013

Professor LEOPOLDO MACHADO

 




Leopoldo Machadohttp://www.telma.org.br/_/rsrc/1302352077296/sobre-o-telma/leopoldo-machado/leopoldo_machado2.jpg O Professor Leopoldo Machado nasceu em 30 de setembro de 1891, no Arraial de Cepa Forte, hoje Jandaíra, ao norte do Estado da Bahia, quase nos limites com Sergipe. Era o mais novo de seis filhos do casal Eulálio de Souza Barbosa e Ana Isabel Machado Barbosa: João Leopoldo José, Emílio, Reginaldo e, Leopoldina. Só foram conhecidas as datas de nascimento de todos com o retorno do pai, do Amazonas, para onde houvera fugido por motivos políticos, quando Leopoldo ainda contava uns cinco anos de idade. Sua mãe era alva, quase ruiva, enquanto o pai era caboclo amulatado, meia estatura, forte e áspero no trato, mas, segundo o próprio filho, com um ótimo coração.
Com um ano de idade aproximadamente, após comer um prato de farinha com ovo quente, uma tia, de prenome Odília, meteu o pequeno Leopoldo em um banho frio, o que o fez estuporar. Durante dois anos oscilou entre a vida e a morte e, por fim, foi desenganado pelo médico. Era caso para poucos dias; até encomendaram o caixão. Um curandeiro chamado Ernesto, sabendo da situação precária da criança, propôs a seu pai: - Se o menino vai morrer, não custa nada ao senhor dar-lhe um remédio meu. Quer experimentar? Se ele morrer, não há de ser por meu remédio... Este continha uma mistura de purga do campo e jalava. O remédio foi ministrado e recuperou-se Leopoldo. O médico, vendo-o curado, comentou:- Para o pai e a mãe dele, seria preferível que ele tivesse morrido. Será o idiota da família, de uma estupidez sem nome. Não passará do a. b. c.. Evitem, quando puderem, aborrecê-lo para evitar crises terríveis. Os conselhos do médico só serviram para que ele levasse uma infância livre das punições, fazendo tudo o que bem entendia. Leopoldo, anos depois, comentava: - Ser espírita é ser louco... - Por mais que a gente goste de uma pessoa, morreu acabou, que não me apareça de forma nenhuma. Deus me livre do espírito de quem morreu...
Em Salvador mais uma vez, de volta do Interior, ficou toda a família na Ladeira da Montanha. Num edifício que dava os fundos para a residência de Leopoldo, realizavam-se, regularmente, sessões espíritas, a portas e janelas fechadas. Uma noite, um Espírito fez mover-se um piano, volitar no ambiente, abrirem-se as janelas, sair do último andar e pousar bem tranquilo lá embaixo, na rua. Depois, tiveram de subir com o pesado instrumento, auxiliado por guindastes e com o concurso de muitos crioulos peritos em transportes de pianos. Leopoldo Machado foi, na adolescência, muito católico, a ponto de desejar ser padre, depois de ter sido sacristão. Foi o único membro da família que estudou o catecismo católico espontaneamente. Os irmãos troçavam de seus pendores religiosos só para o verem irritado e agressivo. Fez a primeira comunhão a 8 de dezembro de 1904. Tornando-se íntimo das sacristias, veio a se decepcionar com os sacramentos pagos, as confissões, as pendências e o misticismo da Igreja Católica. Ao conhecer a história da Inquisição, já bastante desiludido, abandonou o Catolicismo.
Em seguida, passou a ler a Bíblia por influência de Uriel, um vizinho que lhe ensinou o ofício de sapateiro. Mas não passou do Velho Testamento. Ao encontrar um “Deus” rancoroso e vingativo, perdeu a fé. Além disso, a posição inflexível do Protestantismo lhe deixou ainda mais descrente. Permaneceu ateu por vários anos. Conheceu outros cultos e doutrinas que muito o impressionaram, como o Positivismo e o Budismo. Leopoldo Machado, com a sua família, passou a residir na Rua dos Artistas, vizinho a uma família de operários – os Cerqueira Campos. Uma das moças – a Doriana – passou a ver espíritos e a dizer bobagens. Os parentes não entenderam o fenômeno e a enviaram para o Asilo São João de Deus. A Rua dos Artistas fica em Plataforma, bairro proletário do subúrbio de Salvador, construído pela Companhia Progresso Industrial da Bahia, defronte da península itapagipana. Quando de retorno a Salvador, em visitas nos anos de 1940 e 1950, Leopoldo Machado fez questão de mostrar, aos companheiros de outros Estados o local de sua infância: Zona de praia, luz de candeeiro, água só de bica e apanhada na lata. Foi no Hotel Central, de quarta ou quinta categoria, na Rua do Julião em Salvador, depois zona de meretrício, que Leopoldo tomou gosto pelas leituras. Foi sua escola superior, segundo o próprio Leopoldo. Lá conheceu o garçom Joaquim de Souza Duarte que o ensinou a declamar e apreciar a Literatura. Da mesma forma o influenciou para o Espiritismo, pois que foram muitos os casos espíritas ouvidos nesse hotel. De tal maneira Leopoldo se interessou pelo assunto que, certa feita, num sebo da Rua do Colégio, comprou três livros espíritas: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Céu e o Inferno, edições do cinquentenário da Federação Espírita Brasileira. Comprou-os e guardou-os para leitura em oportunidade futura. Um dia hospedou-se no Hotel Central, um  amazonense  católico que, não tendo como pagar a conta, foi socorrido por Leopoldo Machado que se responsabilizou pelo débito. Grato pela gentileza, o amazonense retribuiu-o com um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo. De volta a Salvador, retornando de sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, conheceu um homem chamado Viriato que se tornaria seu amigo. Viriato era médium, mas nada sabia de Espiritismo, todavia conhecia espíritas como José Petitinga de quem ele falava com admiração e quem Leopoldo Machado desejou, ansiosamente, conhecer. Uma tarde, José Petitinga apareceu no 4º Armazém das docas de Salvador à procura de Viriato e, da mesma forma, desejoso de conhecer Leopoldo, convidando-o, enfim, para ir à sua casa. Leopoldo Machado dedicava-se à declamação, ao canto e à dança. Frequentava, por isso, os saraus promovidos por várias famílias respeitáveis de Salvador àquela época, e uma delas passou a ser a de José Petitinga, então presidente da União Espírita da Bahia. Foi nesse período que conheceu outro ilustre espírita: Manuel Quintão. Durante o dia, Leopoldo Machado permanecia nas docas, em trabalho que ele considerava humilhante; à noite, transformava-se em outro homem: secretário do Grêmio Literário da Bahia, colaborando em revistas e recebendo críticas elogiosas de acadêmicos de Salvador, figurões da literatura. Leopoldo se escondia quando algum deles aparecia nas docas. Jeuville Olivier foi pseudônimo adotado por Leopoldo Machado. Com ele, publicou produções em periódicos baianos e de fora, como O Malho, do Rio de Janeiro. Affonso Ruy teceu críticas elogiosas aos versos de Leopoldo Machado.
Certa noite, José Petitinga convidou-o para uma reunião mediúnica em sua casa e emprestou-lhe, na ocasião, um livro de Poesias de Amaral Ornelas que era amigo e colega de repartição de um baiano radicado no rio de Janeiro: Carlos Imbassay. Este lhe escreveu uma carta que lhe apresentava seu romance “Leviana”, solicitando-lhe a opinião. Leopoldo Machado escreveu sobre a obra no Diário da Bahia, uma apreciação que não agradou ao autor, a respeito de uma determinada censura que havia no livro sobre uma reunião espírita. Leopoldo Machado, espírita recente e entusiasmado, não concordou com o conterrâneo. Trocaram cartas e, em uma delas, Carlos Imbassay dizia que não era espírita e Deus o livrasse do Espiritismo. Leopoldo Machado não teve argumentos para revidar. Ainda não possuía o devido conhecimento para debater com um adversário de tal envergadura. Mal adivinhavam, à época, que Carlos Imbassay se tornaria espírita e, não somente isso, o mais brilhante escritor e polemista espírita do Brasil. Leopoldo Machado e José Petitinga se tornaram, a cada dia, mais amigos. E é Leopoldo que narra: A convivência com Petitinga foi providencial. Uma noite me encontrei com Manoel Quintão em casa de Petitinga e pretendíamos fazer uma hora de conversa proveitosa, porém, só o Quintão falou. Contou de memória todo o enredo do romance Na Sombra e na Luz, psicografado por Zilda Gama, atribuído a Victor Hugo. Leopoldo ontava a Carlos Chiacchio, dias depois, na Praça Castro Alves, o ocorrido, quando Quintão passou por nós, a caminho da casa de Petitinga. Intrigado com a pessoa,  Chiacchio perguntou: - Quem era aquele senhor tão alto e formalizado? – É o Manoel Quintão, a figura central do episódio que lhe estou contando. Chiacchio sorriu-se cético e meio zombeteiro. Foi com ele a minha primeira conversa de defesa ao Espiritismo, a primeira manifestação de que encontrara, realmente, a doutrina que procurava. Isso ocorreu no ano de 1915. Algum tempo depois, Leopoldo Machado ocuparia o cargo de secretário da União Espírita da Bahia.
Os anos vinte chegaram. O Rio de Janeiro não era mais a Corte do Império, apenas a Capital do País, mas continuava atraindo os baianos em geral, até mesmo os espíritas. Como outros companheiros, Leopoldo Machado se deslocou, definitivamente, para lá aonde viria a casar-se com aquela que seria sua companheira de todas as horas: - Marília de Almeida Barbosa. Esta, após os estudos normais, diplomou-se em professora na Cidade do Salvador, no Educandário N. S. dos Perdões. Sua família e a Leopoldo conheceram-se na ilha de Madre de Deus, na Baia de Todos os Santos, em 1921. Curioso é que, entre ela e aquele que seria seu futuro esposo, surgiu, inicialmente, uma forte antipatia. Posteriormente, as famílias se separaram, indo á dela para o Rio Grande do Norte e a dele para o Rio de Janeiro e, nesse mesmo ano, Leopoldo Machado foi dirigir um colégio em Paraíba do Sul, justamente onde Marília iria lecionar. Aí, a antipatia foi vencida finalmente e se uniram em matrimônio no dia 31 de dezembro de 1927. Em fins de 1929, se mudaram para a cidade de Nova Iguaçu. Marília aceitou o Espiritismo e desenvolveu suas faculdades mediúnicas, convencida pelo marido, naturalmente. Não tiveram filhos. Seu primeiro e único herdeiro foi um natimorto; chamar-se-ia Leopoldo, se fosse homem, e receberia o nome Marília, se fosse mulher.
Em 1930, Leopoldo Machado consagrou-se como legítimo educador, ao inaugurar, a 21 de abril desse ano, o Colégio Leopoldo, tradicional estabelecimento de ensino, com a colaboração de Marília, de Leopoldina Barbosa, sua irmã, e do Almirante Paim Pamplona, então presidente da Federação Espírita Brasileira. Desenvolvendo um importante trabalho na seara espírita, fundaram a Assistência aos Necessitados do centro Espírita Fé, Esperança e Caridade; estabeleceram a visita periódica aos presos da cadeia e aos doentes do hospital local; fundaram o Albergue Noturno Allan Kardec. Jornalista, professor, escritor, poeta, pregador, polemista e dramaturgo, Leopoldo Machado defendeu a Doutrina Espírita por todos os meios e formas. Apologista do Espiritismo de Vivos, sem fugir à pureza doutrinária. Leopoldo Machado incentivou a criação das Mocidades Espíritas e das escolas Espíritas de Evangelização para Infância, impulsionando, também, as semanas Espíritas, as Tardes Fraternas, os Simpósios, as Mesas Redondas e os Congressos. Ele divide o mérito da idealização das Mocidades Espíritas com um jovem baiano: Heitor  Cardoso, um moço de Salvador, inteligente e dinâmico, que lhe escreveu expondo um plano interessante de aproximar os moços do movimento espírita. De aproximá-los suavemente, alegremente. Como, entretanto, não tinha projeção no meio espírita do Brasil, voltava-se para nós, que bem poderíamos prestar este serviço à Doutrina. Um artigo – Aonde vai, mocidade louca do Brasil? – coincidiu com a carta do moço de Salvador. Em qualquer evento de importância para o Movimento Espírita Brasileiro, Leopoldo Machado estava presente, atuando ativamente.
Em 1939, Deolindo Amorim torna a iniciativa de realizar o I Congresso Brasileiro de Jornalistas Espíritas, em que contou com o apoio integral de Leopoldo Machado. A partir daí, outros congressos e eventos espíritas se realizaram nos anos seguintes.  No Natal de 1940, Leopoldo Machado, Oli de Castro e outros companheiros fundaram o Lar de Jesus em Nova Iguaçu, inaugurado, definitivamente, no Natal de 1942, abrigando 25 crianças, vindo a se tornar uma instituição atuante na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, realizou-se a Caravana da Fraternidade, tendo a frente Leopoldo Machado, Lins de Vasconcelos e outros confrades, que percorreu os estados no nordeste e norte, conclamando todos para a participação, no I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil (17 a 23 de julho de 1948), que teve à frente: o próprio Leopoldo Machado, Lins de Vasconcelos, Oli de Castro, João Batista Chagas, J.C. Moreira Guimarães, Geraldo de Aquino, Ruth Sant’ Anna e outros idealistas. No mesmo ano, Leopoldo Machado participou, com destaque, no Congresso Brasileiro de Unificação, realizado no Rio de Janeiro, e, também, no Pacto Áureo. Polemista, Leopoldo Machado nunca se acomodava quando inimigos do Espiritismo armavam investidas contra a sua pessoa e á doutrina que abraçava. Usava os recursos da inteligência para defendê-la com a força do argumento, através da tribuna e da imprensa. Manteve polêmicas com sacerdotes que tentaram ridicularizar o Espiritismo, os quais se viram em palpos de aranha por falta de argumentos que pudessem abatê-lo.
O trabalho que Leopoldo Machado desenvolveu na seara espírita foi imenso e poucos se igualaram a ele. Escreveu para muitos periódicos e órgãos espíritas, entre os quais, O Clarim e a revista Internacional do Espiritismo. Levou o Espiritismo ao rádio, com a Hora Espírita Radiofônica, na antiga Rádio Transmissora PRE-3, hoje Rádio Globo, trazendo ao microfone o presidente da Federação Espírita Brasileira, na época, Guillon Ribeiro. Mesmo fraco e abatido pela doença, costumava escrever e participar do Movimento Espírita Brasileiro. Convidado para cinco Academias de Letras, só aceitou tomar na Cadeira nº 1 da Arcádia Iguaçuana de Letras, com tese sobre seu patrono, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Da sua lavra constam, entre espíritas e profanas, as seguintes obras: Meus Últimos Versos, Saudades, Ideias e iluminação (poesias); Doutrina Inglória, Sensacional Polêmica, Pigmeus contra Gigantes, Guerra ao Farisaísmo (polêmicas); Para o Alto, Natal dos Cristãos Novos, Graças sobre Graças, Caravana da Fraternidade e Ide e Pregai (crônicas); Teatro Espiritualista (1ª e 2ª séries) e Teatro da Mocidade (dramaturgia); Uma Grande Vida, Cruzada de espiritismo de Vivos e Observação e sugestões (roteiros); O espiritismo é Obra de Educação, Das Responsabilidades Maiores dos Espíritas no Brasil, Para Frente e para o Alto, Brasil, berço da humanidade (teses). Por fim, foi ele o criador da Canção da alegria Cristã (letra) em parceria com Oli de Castro (música).
Leopoldo passou, de etapa em etapa, por quase todas as searas do Espiritismo: a sessão mediúnica, a tribuna de conferência, o jornal, o rádio, a organização de movimento de mocidade, o teatro, a assistência social. Foi, talvez, o conferencista que mais visitou cidades por este País, a serviço da propaganda espírita. Polemista, como todos sabem, foi dos maiores e dos mais vigorosos.  Leopoldo Machado estava á bem dizer, no apogeu da tribuna: era o conferencista que aparecia diariamente nas colunas espíritas dos jornais A Pátria e Vanguarda. Ele era o homem da tribuna, de segunda a domingo, no centro da cidade e nos subúrbios do Distrito Federal. Leopoldo Machado, mais tarde, passou a cuidar de outras atividades e desprezou o terreno da polêmica. Para ele, a causa espírita se sobrepunha a todas as vantagens humanas. Foi procurado, mais uma vez, para ser candidato a Prefeito local e, também, para ser Deputado Estadual, mas a tudo recusou dizendo sempre, invariavelmente: Eu só quero ser espirita.
Retornando ao Rio de Janeiro vindo da Bahia pela última vez, Leopoldo Machado chegou a escrever um poema sob o título “A Bahia de Novo”, que foi publicado em uma revista da Legião da Boa Vontade. Logo após, na noite de 22 de agosto de 1957, às 23 horas e 25 minutos, viria a desencarnar no Lar de Jesus, cercado de amigos, familiares e acompanhado por seu abnegado médico. Na manhã da sua desencarnação, como se previsse que seria seu último dia na Terra, mandou chamar, o diretor técnico do Colégio Leopoldo e pediu-lhe: Não transforme nunca o meu Colégio em um balcão de ensino. Transforme-o antes num hospital. Nunca, nunca, em balcão de ensino. Seu corpo foi velado no auditório do Colégio Leopoldo. O cortejo seguiu, às 16 horas, até o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, de que foi presidente por várias gestões, para uma prece. Voltou até a Cancela Kaonze, atravessou-a e seguiu pela rua Marechal Floriano. Exatamente como solicitara em testamento. Todo o comércio fechou as suas portas e centenas de pessoas formaram alas à passagem do esquife. Estiveram presentes espíritas, católicos, protestantes e representantes de todas as correntes políticas, de todos os colégios particulares e públicos. A notícia de sua desencarnação correu rapidamente por todo o Brasil, transmitida por Alziro Zarur, presidente da Legião da boa Vontade, através da Rádio Mundial. Na ocasião, Deolindo Amorim, confrade baiano e companheiro, escreveu algumas palavras sobre Leopoldo Machado:
O Deputado Campos Vergal, militante no Movimento Espírita Brasileiro, prestou homenagem póstumas ao companheiro com um discurso proferido na Câmara Federal, de que são extraídos os seguintes trechos:
Senhor Presidente, ocupo esta tribuna para tecer algumas considerações, embora ligeiras, sobre a figura de um notável baiano, hoje falecido, que, durante muitos anos, residiu na cidade de Nova Iguaçu – o Professor Leopoldo Machado. O que sempre admirei na sua vida foi seu grande espírito de luta, seu acendrado amor à paz e à Humanidade. Leopoldo Machado se despede da existência no momento em que se lança seu último livro – Caxias, Um Eminente Iguaçuano. Tive oportunidade de lê-lo, e senti emoções novas a respeito da vida do Condestável da república. É indispensável se destaque o seguinte: Leopoldo Machado teve, em sua esposa, a professora Marília de Almeida Barbosa, companheira de raro valor, caráter bem modelado, que foi o anjo bom, foi-lhe a alma e o braço forte na fundação e manutenção do Albergue Noturno Allan Kardec e principalmente, do Lar de Jesus. No Lar de Jesus, no culto cristão que se realizava todas as terças-feiras, que não era com fins mediúnicos, que um Espírito amigo, ignorando as normas estabelecidas, incorpora, na tarde de 16 de abril de 1957, na senhora Carlos Imbassay e diz: Aqui estão três baianos atrevidos, teimosos, insolentes. Mas trabalham e produzem. Quem assim se expressou foi o Espírito de Souza Ribeiro, o médico e dentista, atrevido polemista, de Campinas, São Paulo. Ele continuou, assim como fizera na existência, difundindo os pontos de vista sob o mau uso da prece, alegando que, sem vigilância, a oração só não adianta. Em Recordando Leopoldo Machado, Alfredo Miguel fala do companheiro de lides espíritas, dizendo: - Nenhum espírita militante foi igual a Leopoldo Machado que amava uma polêmica. Era rígido e contundente, confundia e contundia segundo Manuel Quintão... A personalidade estática do baiano de Cepa Forte ficou eternizada no tempo e no espaço, para aqueles que o conheceram...



Fonte:                                                                                                                    www.telma.org.br                                                                                                         
 Supressões e pequenas modificações.

Jc.                                                                                                                                                 São Luís, 28/02/2013

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

FRANCISCO SPINELLI




  FRANCISCO  SPINELLI

Natural da Itália, a cidade de Nápoles foi o berço onde nasceu Francisco Spinelli, no dia 31 de dezembro de 1893. Desde criança ele se afeiçoara ao estudo e com apenas nove anos de idade terminou com mérito o curso primário e tornando-se aprendiz de alfaiate. Em 1911, com dezoito anos de idade, transferiu seu domicílio para o Brasil, indo residir na cidade de Vacaria, no Estado do Rio Grande do Sul, onde continuou a trabalhar na mesma profissão.  Depois, como funcionário do Banco do Estado do Rio Grande do Sul e da Prefeitura da cidade, ingressou nas fileiras do Espiritismo na mesma época do seu casamento. Na cidade de Bom Jesus, onde passou a residir, exerceu o cargo de subdelegado e, posteriormente, de secretário e tesoureiro da Prefeitura Municipal.
Alguns anos mais tarde, dedicou-se à advocacia, como solicitador, profissão que exerceu como descortino, orientando-se por uma consciência reta e sincera com o propósito de bem servir aos seus semelhantes. Sendo grande orador e dotado de dinamismo invulgar, formou a Caravana da Divulgação que, em companhia do seu amigo Marcirio e do médium Jurê Varella e outros companheiros de doutrina, percorria nos fins de semana os povoados dos campos de “Cima da Serra”, fundando núcleos familiares e disseminando a leitura dos obras espíritas que conduziam sobre o lombo de mulas.
Por exigências profissionais, transferiu-se para a Capital gaúcha em junho de 1946, passando desde então a integrar-se em várias sociedades espíritas de Porto Alegre, não tardando a ser eleito presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul. A partir de 1947, entregou-se ao desempenho de um verdadeiro apostolado no seio da família espírita, animado por verdadeiro desejo de uni-la num elo de fraternidade e amor. Nos primeiros dias de novembro de 1948 tomou parte nos trabalhos do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, realizado em São Paulo, integrando a delegação do Rio Grande do Sul. Spinelli entendia que não podemos nos acomodar às exigências de pessoas ou grupos, pois compreendia que Unificação é trabalho de entendimento que ninguém pode desdenhar na Seara Espírita. Nesse sentido, realizou incontáveis viagens com o objetivo de divulgar o Espiritismo, fazendo-o com muito idealismo.
Quando na presidência da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, desdobrou-se em dar cumprimento à sua missão e promover a difusão da Doutrina Espírita, além de realizar o trabalho em favor da evangelização das crianças e do preparo espiritual das novas gerações, cooperando incondicionalmente na assistência social mantida pelas entidades espíritas do Estado. Várias iniciativas em prol da maior difusão da Doutrina Espírita foram por ele planejadas e levadas a efeito no âmbito estadual, tendo sempre a preocupação de estender o mérito aos seus valorosos companheiros espíritas.  
Em 5 de outubro de 1949, tomou parte ativa nos trabalhos que culminaram com o advento do Pacto Áureo de unificação dos espíritas brasileiros, em memorável reunião levada a efeito na sede da Federação Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro, assinando esse importante e histórico documento em nome do Rio Grande do Sul. Em novembro de 1950, Francisco Spinelli juntamente com Artur Lins de Vasconcelos, Leopoldo Machado, Carlos Jordão da Silva, Ary Casadio, Luiz Burgos Filho, Oli de Castro, e outros, tomou parte na Caravana da Fraternidade, percorrendo os estados das regiões norte e nordeste do Brasil, em autêntica divulgação dos ideais de unificação. Por ocasião do conclave havido no mês de agosto de 1955, na sede da FEB, em que tomaram parte os presidentes de quase todas as Federações e Uniões federativas do Brasil, sua voz se fez ouvir para, com sua palavra persuasiva e fraterna, dirimir pontos de vista julgados de difícil solução.
A afabilidade e a doçura norteavam-lhe os passos, quer nas missões, quer nas pregações. Sincera e devotadamente pregada a Doutrina dos Espíritos e muitos lhe ficaram a dever a tranquilidade e a reforma de costumes que desfrutam hoje. Com as virtudes que o revestiam, nunca pensou em esmorecer nem mesmo ante os sofrimentos próprios. Espírito reconhecidamente humilde, seus atos, suas atitudes e decisões jamais se desviaram dos ensinamentos do Mestre, que pregava tanto pela palavra sempre calma e convincente, como pela sublime exemplificação.
Francisco Spinelli, embora nascido na Itália, radicou-se de tal forma em nosso país e tanto o amou que se considerava filho do solo gaúcho. Na presidência da FERGS, incentivou as comemorações do centenário dos fenômenos de Hydesville. Criou ele, a comissão para disseminar os Departamentos de Evangelização da Infância e da Juventude. Criou o programa intitulado “Em cada Centro Espírita uma Livraria”, hoje vitoriosa ideia semeadora de luzes e conhecimento doutrinário.
Mas, como sabemos, todos têm um momento de voltar à pátria espiritual, e assim, depois de ter cumprido seu trabalho na seara bendita, sofrendo de diabete há 55 anos e enfrentando problemas cardíacos, seu corpo já não correspondia à energia de seu Espírito, e veio a desencarnar no Hospital São Francisco, em Porto Alegre, no dia 7 de outubro de 1955, quando ainda exercia a presidência da FERGS. Seu corpo foi levado para sua residência e depois foi transladado para o Instituto Espírita Dias da Cruz, aonde centenas de pessoas compareceram. Seu falecimento foi tema de artigo e homenagens na revista Reencarnação de set/out de 1955, na qual foi publicado também seu último artigo com o título “Mobilizando Forças Superiores”.
Devotado obreiro na Seara Espírita, deixou espalhados em alguns jornais e revistas, principalmente na “Reencarnação”, órgão da FERGS, vários artigos doutrinários, tendo legado ao Espiritismo no Brasil, trabalhos como “Normas e Instruções” para uso das entidades do quadro federativo da FERGS, e ainda “Serviço da Evangelização e Orientação Educacional das Gerações” e colaborando em outras atividades.
Segundo Divaldo Franco, quando ele conheceu Cecília Rocha (grande médium e escritora de obras para a evangelização) teve oportunidade de se contatar com o Espírito de Francisco Spinelli, que a acompanhava, inspirando-a no desenvolvimento das tarefas a que entregara a sua existência. O nobre mentor disse-lhe naquele momento, que se tratava de alguém comprometido com o labor missionário de iluminação das consciências infanto-juvenil, à luz meridiana do Espiritismo...

Fonte:
Marinei Ferreira Rezende
Jornal “O Imortal” – 02/2013
Assessoria da FERGS.
Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 25/02/2013