quinta-feira, 21 de julho de 2011

A EXPECTATIVA DA EXISTÊNCIA LONGA

A EXPECTATIVA DA EXISTÊNCIA LONGA

A ciência vem aumentando em todo o mundo o desafio de fazer com que esses anos a mais sejam vividos com saúde e alegria, pelas pessoas.

Envelhecer já foi um milagre, um sonho e também uma sentença cruel. Nossos poetas românticos, por exemplo, almejavam a existência curta, cheia de muita tosse, olhos fundos, aureolado de acentuadas olheiras. E, quando a existência se estendia, sentiam-se traídos pelo destino, envergonhados diante da posteridade. Consta até que um deles, aos 22 anos de idade, preocupado com a hora final que tardava a chegar, declarava-se com 20 anos – a fim de ampliar a chance de ser colhido na juventude. Acabou não desapontando ninguém, nem a si próprio, pois morreu aos 23 anos. Não fosse o fim precoce dos poetas, a maior parte da poesia romântica não teria sido escrita. Na obra de Álvares de Azevedo, poucos poemas se comparam à beleza de “Se Eu Morresse Amanhã”. O poeta deu o último suspiro aos 20 anos.

Assim também se foram para sempre Castro Alves, com 24 anos; Casemiro de Abreu, com 21 anos; Junqueira Freire, com 22 anos. Já Fagundes Varela, contrariando a tendência da época, partiu aos 33 anos, e Gonçalves Dias, já um ancião: aos 4l anos. Mas isso são histórias do século XIX, quando a existência mais longa não estava na moda. Hoje, mais do que viver simplesmente, está na moda á alegria de viver. De viver com saúde e bem.

Sim, a ciência tem feito grandes progressos, ampliando o nosso tempo de existência no mundo, pondo ao nosso alcance novos recursos para uma existência mais saudável. A existência ganhou em qualidade, prorrogando a saúde, sem com isso perder os benefícios da longevidade bem-vinda, que nos encontra com a cabeça boa e os cinco sentidos bem conservados. E tem sido isso o que vemos todos os dias: as pessoas se sentem cada vez mais jovens cada vez menos velhas. Como sinais exteriores, o jeans, a bermuda, a camiseta e o tênis deixaram de ser de uso exclusivo dos jovens e foram incorporados por gentes de todas as idades, homens e mulheres, tios e tias, avós e avôs, numa democratização dos costumes.

A fantasia de permanecer jovem para sempre acompanha o ser humano, provavelmente, desde o início da civilização. Embora seja impossível deter a marcha do calendário, nos últimos anos a medicina deu passos largos no sentido de retardar processos ligados ao envelhecimento. Primeiro vieram às melhorias nas condições sanitárias, a descoberta das vacinas e dos antibióticos, e ainda dos recursos para combater as doenças como, o diabetes, os males cardíacos e alguns tipos de câncer. Todos esses avanços resultaram na adição de anos de expectativa de vida da população. O que se procura é proporcionar qualidade de vida a uma existência feliz às populações que estão vivendo mais. Nas últimas três décadas, a expectativa da existência aumentou em onze anos no Brasil. As doenças crônicas do coração e dos pulmões bem como as artrites, aparecem atualmente, entre 10 e 25 anos depois do que surgiam em gerações passadas. Os 60 anos de idade são os novos 50. Os 50 anos são os novos 40 anos, e assim por diante. Esse atual cenário, em que os males associados à idade chegam cada vez mais tarde, promove mudanças profundas na maneira de encarar o envelhecimento. “A idade cronológica está deixando de ser um parâmetro determinante da juventude e da saúde de uma pessoa”, diz o geriatria Renato Maia Guimarães, presidente da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria. Hoje vivemos mais e queremos viver cada vez melhor.

O nascimento é o início desse processo irreversível e estamos fadados a envelhecer. As incontáveis reações químicas e renovações celulares que se dão ao longo da existência são, cada uma, pequeninas etapas que levam, até o último grau, à senescência das células e do organismo. Sabe-se também, que o peso de cada um dos fatores para o ritmo com que um organismo perde o viço não segue um único padrão – ele muda em cada pessoa. Mas, afinal, o que nos faz envelhecer? Por que as células não se mantêm saudáveis indefinidamente?

As teorias que tentam explicar o envelhecimento, se dividem em dois grupos O primeiro abrange um cronograma pré-estabelecido pela natureza – o mesmo que determina, por exemplo, que o cérebro da criança se desenvolva e que o aparelho reprodutivo dos adolescentes amadureça. O segundo grupo aposta no ambiente como o grande vilão da juventude. Segundo eles, o impacto de agentes externos ao organismo causaria danos às células que, acumulados, inviabilizariam o funcionamento a contento do corpo depois de anos. A maioria dos cientistas considera que as duas vertentes não se excluem – provavelmente, o processo é resultado tanto da máquina pré-programada pela natureza quanto de fatores ambientais que a alteram.

Muitos estudos científicos recentes se ocupam da identificação de fatores de risco e de formas eficazes para prevenir doenças ou aumentar a chance de se ter uma existência saudável por mais tempo. Nos anos 50, o foco eram as doenças cardiovasculares. Nessa época, o fumo, o colesterol alto e a hipertensão entraram na lista negra dos cardiologistas. Os estudos que identificaram esses fatores como inimigos da saúde e da juventude do organismo humano marcaram o começo de uma revolução que ainda está em curso na medicina e não tem data para acabar. Nos últimos anos, criaram-se exames que possibilitam a detecção de tumores minúsculos e descompassos hormonais mínimos. Com isso, aumentou-se a probabilidade de cura de cânceres ou de melhorar as condições de quem sofre de hipotireoidismo, que deixa a glândula tireóide mais preguiçosa e compromete a qualidade de vida dos pacientes.

Abandonar as 5.000 substâncias tóxicas que cada tragada de cigarro leva ao organismo pode fazer com que a nossa existência se prolongue por mais cinco anos. Praticar atividades estende o tempo de existência de qualquer pessoa. Nos últimos anos, houve a comprovação científica de uma hipótese formulada pela ciência na década de 60 – a de que os aspectos emocionais têm papel relevante no prolongamento da juventude. Um estudo recente da Universidade de Boston, revelou que o otimismo e o bom humor ajudam á viver mais tempo. Dormir bem, também ajuda na conquista da longevidade. Durante o sono profundo ocorre a liberação de hormônio do crescimento, o GH, que é uma das grandes fontes de juventude do corpo: favorece a fixação da massa muscular e dos minerais nos ossos, melhora o desempenho físico, a sustentação da pele e até mesmo o brilho dos cabelos. A falta de dormir causa uma redução ainda mais drástica no organismo. “Essa é uma das razões de nos sentirmos envelhecidos depois de dormir mal ou não dormir”, afirma a biomédica Deborah Suchecki, da Universidade Federal de São Paulo. À medida que o conhecimento sobre o corpo humano avança, uma nova gama de teorias surge. Cada vez que uma célula se divide ela não se reproduz mais, não substitui a antiga e acaba morrendo – a falta de reposição das células que morrem é um dos fatores cruciais do declínio do organismo humano. Enquanto a ciência não desvenda por completo os mecanismos do envelhecimento, o mais sensato é seguir as recomendações que hoje se tem para manter a máquina humana funcionando sem pane – e por muito tempo.

Hábitos saudáveis são a garantia de juventude prolongada e de melhor qualidade de existência na velhice – mesmo quando são adotados mais tarde.
Atividade Física – Comece a praticar uma atividade mesmo aos 50 anos; ela aumenta a expectativa de vida em 5 anos. O exercício ou atividade regular também pode ajudar a retardar em 3 anos o aparecimento de doenças cardíacas. O organismo humano foi criado para viver sempre em movimento, e quando isso não acontece, o corpo definha rapidamente;
Dieta Balanceada – Alimentação regrada aumenta em 3 anos a expectativa de vida. Um corte no consumo de sal, gorduras saturadas e carboidratos, ajudam a diminuir a barriga, a taxa de açúcar no sangue e o colesterol. Isso significa prevenir ou controlar problemas como diabetes em pessoas acima de 40 anos de idade. Menos comida, mais vigor. Já foi comprovado que as pessoas se beneficiam com uma alimentação frugal;
Parar de Fumar – Depois de dez anos sem fumar, o risco de um ex-fumante desenvolver tumores de pulmão, já é igual ao de uma pessoa que nunca fumou. Abandonar o fumo melhora o desempenho das atividades do organismo;
Medicação Correta – Respeitar as doses e os horários indicados pelo médico é uma forma de evitar reações adversas ou doenças que podem fugir do controle. Em outras palavras: a auto medicação é um perigo.

Fatores que contribuíram para o salto na expectativa de vida:
Higiene – Em meados do século XIX, o médico húngaro Ignaz Semmelweis descobriu que lavar as mãos diminuía o risco de propagação das doenças. O procedimento tornou-se obrigatório nos hospitais e entrou nos hábitos da população em geral;
Saneamento Básico – A partir do século XIX, obras de saneamento, que incluem acesso á água potável e coleta de esgotos, reduziram drasticamente o risco de proliferação das doenças infecciosas;
Insulina – Até o início do século passado, a diabetes era uma doença fatal. O isolamento da insulina, em 1921, mudou a expectativa de vida dos doentes;
Antibióticos – Em 1928, o médico-bacteriologista escocês Alexander Fleming observou, por acaso, que uma substância produzida por fungos era bactericida. Nascia, assim, o primeiro antibiótico, a penicilina, que colocou sob controle as doenças infecciosas;
Estudos Epidemológicos – Iniciados nos anos 50, ajudaram a mudar os rumos da
medicina, baseada em evidências. O estudo de Framingham, em andamento desde 1948, que acompanhou moradores de uma cidade americana, possibilitou a descoberta de que o colesterol alto é inimigo da saúde do coração;
Vacinas – A primeira vacina, contra a varíola, foi criada pelo inglês Edward Jenner,
no ano de 1796. As vacinas estão entre as principais armas contra a mortalidade infantil, prevenindo 2 milhões de crianças, por mortes prematuras e imunizando os idosos de inúmeras doenças.

Vivemos hoje um melhor tempo, que ilumina os nossos dias e enche de luar as nossas noites. A idéia do amor à vida e à felicidade em qualquer idade não é nova, mas por muito tempo esteve camuflada por outras idéias: a de que o prazer é privilégio da juventude. Não é. Vale lembrar que o amor à vida e à felicidade é um patrimônio de todos e para terminar, uma reflexão de Sófocles, feita 400 anos antes de Cristo: “Ninguém ama tanto a vida como a pessoa que envelhece”.

Velho é o mundo; quando aqui chegamos já existia e quando formos embora ele continuará existindo. Nós, humanos, somos apenas idosos em corpos, ainda crianças e adolescentes na criação Divina. . .


Bibliografia:
Manoel Carlos
Revista Veja nº. 2121 – 15/7/2009
Acréscimos, supressões e modificações.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O HOMOSEXUALISMO, A DOUTRINA E O S.T.F.

O HOMOSSEXUALISMO, A DOUTRINA E O S.T.F.

No dia 4 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal ao julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, reconheceu a possibilidade de haver união estável para casais do mesmo sexo, tendo o ministro Ayres Brito enfatizado que o Artigo 3º, inciso IV, da Constituição Federal, veda qualquer discriminação em virtude de sexo, raça, religião, de forma que, ninguém poderá ser discriminado ou diminuído por suas preferências. É certo que tal decisão teve e ainda terá uma enorme repercussão social, jurídica e religiosa, tanto que diversos casais do mesmo sexo já procuraram o Cartório de Registro Civil para formalizar a união estável.

Este artigo destina-se a fazer uma análise espírita acerca da aludida decisão, uma vez que muitos adeptos da Doutrina Espírita têm se mostrado perplexos com o resultado do julgamento. De início, reportamo-nos à resposta dada pelo orador espírita José Raul Teixeira, na obra “Quando a Vida Responde”, (página 69), ao ser indagado sobre a questão em foco, disse ele: “Considerando-se que, qualquer oficialização que se estabelece no mundo, corresponde à formalização de situações que já existem ou que precisam ser normalizadas para evitar distorções nos julgamentos de diversificadas situações, em respeito ao conceito formal de justiça. Assim, se falamos de oficializações de uniões ou de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, é que essas pessoas já estão unidas, apesar de qualquer formalização, deparando-se, a partir disso, com problemas cujas soluções exigem um pronunciamento da lei que regulamenta a vida de um povo ou de uma sociedade... Em caso de falecimento de um dos deles, há ou não direitos a pensões e outros benefícios, após uma existência passada em comum?... Não há como fazer de conta que tal fato não existe. Logo, não há como fugir dessa oficialização em nome de qualquer tradição ou preconceito... pois não há lei que possa impedir de fato que duas pessoas do mesmo sexo, tenham existência em comum, que se entendam que se cuidem ou que se amem”.

Dessa forma, vamos percebendo que a decisão do S.T.F. apenas está regulamentando uma situação existente em nossa sociedade, a fim de que as pendências jurídicas de uma relação homo-afetiva, tais como, direito de herança, pensão e outras questões, se resolvam dentro dos padrões de justiça. Anote-se que a questão do homossexualismo necessita ser analisada dentro dos padrões do bom senso, visto que, de forma equivocada, há muitos espíritas que rotulam essa forma de opção sexual, trazida de outras existências, e não por desejo, como doença, obsessão ou imperfeição moral. Ninguém pode fazer nada para que alguém não seja homossexual. Cientificamente, não existe procedimento que mude a condição sexual de uma pessoa. E é bom lembrar: homossexualidade não pode ser tratada como doença mental ou desvio psicológico.

O notável Espírito de Vianna de Carvalho, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, no livro “Atualidade do Pensamento Espírita” (questão 179), assevera que, “o homossexualismo é processo natural de experiência evolutiva, através da qual o Espírito, portador de uma psicologia diferente da sua anatomia, deve desenvolver valores pertinentes a ambas as manifestações, sem que, necessariamente, se entregue à comportamentos sexuais perturbadores”. De conformidade com essa resposta, lembramos que “O Livro dos Espíritos”, na página 200, ensina-nos que os Espíritos não têm sexo, portanto, reencarnam em corpos masculinos e femininos, visando ao seu aperfeiçoamento espiritual, porque há experiências evolutivas que são próprias de cada sexo.

Assim, na qualidade masculina, está obrigado a desenvolver a Inteligência, o Conhecimento e a Moralidade. A Inteligência é a faculdade do espírito de compreender as relações existentes nas coisas, nas pessoas e nas situações, enquanto ser pensante, capaz de reflexão e de se adaptar a uma situação, intervindo e modificando, conforme sua convicção. O Conhecimento é o efeito de conhecer, distinguir e depois da instrução, do estudo, do averiguar, do exame e da experiência; o saber, pelo exercício das faculdades intelectuais; a natureza a qualidade e as relações das coisas. A Moralidade, é a qualidade de conduta; do comportamento do ser humano, sobre o certo e o errado; regras do espírito relativas aos bons costumes, realizando o bem e evitando praticar o mal. Na condição feminina, está sujeita a desenvolver O Sentimento, O Amor e A Abnegação. O Sentimento é o ato ou efeito de sentir, resultado da análise do espírito, afetado por uma cousa interna ou externa; impressionado ou comovido; percepção das coisas por meio dos sentidos; afeição ou repulsa; excitação da alma no que se refere ao coração e não a razão. O Amor é representado pela afeição profunda a pessoas animais e coisas; é também carinho, ternura; sentimento inspirado por Deus ao ser humano para sua felicidade. A Abnegação, ato de abnegar; renúncia, sacrifício de si mesmo em benefício de outros, caridade, desprendimento sem limites em que a expressão maior encontra-se nas mães.

Allan Kardec ensina, na Revista Espírita de janeiro de 1866, que “os Espíritos se encarnam nos dois sexos; tal que foi um homem, poderá renascer como mulher, e tal que foi mulher poderá renascer como homem, a fim de cumprir os deveres de cada uma dessas posições e delas suportar as provas. Depois, pode ocorrer que o Espírito tenha percorrido uma série de existências num mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, do qual a marca permaneceu nele. Mudando de sexo, poderá, pois, sob essa impressão, em uma nova encarnação, conservar os gostos, as tendências e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam na personalidade de certos homens e de certas mulheres.”

O querido Francisco Cândido Xavier, bem sucedido na tarefa para a qual se apresentou a cumprir, foi um Espírito acentuadamente feminino que reencarnou, naturalmente, por missão, em corpo masculino, para a execução de tarefas importantes no campo intelectual e moral da Humanidade. Chico, embora estivesse reencarnado na condição masculina, exibia alguns dotes marcantes do sexo feminino, como sensibilidade, afetividade, amorosidade, que exteriorizava um temperamento mais sentimental. Fácil de perceber que se encontrava reencarnado em corpo dissociado de sua estrutura psicológica, por possuir uma mente acentuadamente feminina.

Os Espíritos nos ensinam que as denominadas “inversões reencarnatórias”, ocorrem a pedido do próprio Espírito ou por necessidades expiatórias, mas, em ambas, há o risco da tendência homossexual, porquanto poderá haver um conflito entre a psicologia do Espírito e a sua anatomia física. A fim de facilitar a compreensão, utilizemos o seguinte exemplo: Um Espírito vem reencarnando num corpo masculino, por várias existências, adquirindo, dessa forma, hábitos e emoções, tipicamente masculinas, de forma que ao reencarnar num corpo feminino (por opção evolutiva ou expiação), poderá ter dificuldades de se ajustar, isto é, estando num corpo de mulher, poderá sentir atração física por outras mulheres ou se sentir bem na companhia destas (priorizando a amizade de mulheres).

É, por esse motivo, o Espírito de Vianna de Carvalho diz que o homossexualismo é uma experiência natural da evolução; contudo, é bom frisar que os desvios sexuais e as exorbitantes participações em passeatas extravagantes e vestir-se de forma a afrontar o pudor e outras práticas doentias, é que tornam a situação lamentável e comprometedora, aliás, essas implicações expiatórias também ocorrerão com os heterossexuais (mau uso do sexo). Assim sendo, vemos que a decisão do S.T.F. foi acertada, nesse sentido de regulamentar uma situação já existente. Não se trata de estimular a prática homossexual, mas de utilizar o conhecimento espírita para analisarmos com bom senso essa questão, sobretudo a lei divina da reencarnação, de tal sorte que temos que compreender que o homossexualismo, assim como o desvario sexual, decorrem do estágio evolutivo
em que se encontra o ser humano e o planeta Terra.

Nesse sentido, lembremo-nos que o notável Espírito Bezerra de Menezes, na obra “Tormentos da Obsessão” (capítulo 15), esclarece que aumentará nos próximos anos, o número de homossexuais na Terra, em razão do desequilíbrio sexual, uma vez que haverá a inversão reencarnatória por imposição das leis divinas (expiação), não permitindo ao Espírito endividado a continuidade do comportamento vicioso (por exemplo; um homem desajustado na área sexual, que a todo custo ou a qualquer momento quer ter relações sexuais com uma mulher, sem o componente da afinidade ou do amor; ao reencarnar-se num corpo feminino, encontrará certo freio ou limite para seu impulso sexual descontrolado).

Portanto, vamos retirando os tabus, os mitos e as inverdades que existem no assunto em foco, deixando o preconceito de lado, inclusive no que se refere ao exercício da mediunidade, porque, infelizmente, há médiuns homossexuais comedidos, controlados no que diz respeito à questão sexual, que são excluídos dos trabalhos mediúnicos. Apenas a título de informação, acrescentamos que há outras causas que podem ensejar a conduta homossexual, mas que por não guardarem correlação com este artigo não serão abordadas.

Ao encerrar este artigo abordamos uma outra questão que muitos devem estar se perguntando: - Com a decisão do S.T.F., haverá a possibilidade de casais homossexuais adotarem crianças ou adolescentes? – Ao nos servirmos das informações prestadas pelos Espíritos, neste artigo, concluímos, que em situações pontuais, será possível e aconselhável, conforme o próprio confrade José Raul Teixeira, na obra já referida, nos orienta ao relatar que há tantas crianças abandonadas, sujeitas a todos os perigos que existem nas ruas (tráfico de drogas, prostituição, furtos e agressões) que devemos nos perguntar: Será que é preferível deixar essas crianças na rua e em abrigos; ou será melhor permitir a adoção por casais homossexuais, que, após uma avaliação psico-social (o que ocorre com todos os casais num processo de adoção), não revelem condutas extravagantes ou exageradas em suas posturas, a ponto de comprometer o processo educacional do mencionado adotado?

Ademais, o professor Raul Teixeira ainda afirma que seu benfeitor Camilo lhe ensinou que o amor, em si mesmo, não tem sexo, e que todo gesto de adoção é valorosa atitude. Lembramos ainda que existem muitas crianças abandonadas que já atingiram certa idade (principalmente após os cinco anos) que não encontram casais heterossexuais interessados em adotá-las. Vide o artigo “Adoção de crianças”. Que os apontamentos, constantes neste artigo, possam nos fazer refletir sobre o assunto, extirpando nossos conteúdos de intolerância e maldade, jamais nos esquecendo do sentimento de amor e da busca pelo conhecimento que devem reger nossas existências, conforme orientação dada pelo Espírito de Verdade, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” “Espíritas amai-vos, espíritas, instrui-vos”.
Fomos chamados a entrar em contato com Espíritos de natureza diferente, de caracteres opostos e não devemos discriminar nenhum daqueles com os quais nos encontramos. Sejamos alegres e felizes, mas, da que dá uma boa consciência de que somos herdeiros do Pai Celestial, na jornada de aprendizado e amor, para alcançarmos à evolução espiritual...



Bibliografia:
Alessandro Viana Vieira de Paula
Jornal “O Imortal”- junho/2011
+ acréscimos e pequenas modificações.

Jc.
S.Luis, 22/6/2011.

PROBLEMAS NATURAIS DE ALGUMAS PESSOAS

PROBLEMAS NATURAIS DE ALGUMAS PESSOAS

Há alguns anos vinha sofrendo com a dificuldade de urinar, às vezes, levava dez minutos para esvaziar a bexiga, assim mesmo com o uso constante de “Cloridrato de Ciprofloxacino 500 mg”, medicamento para desinflamar a próstata e poder urinar. Quando o Ministério da Saúde determinou que os antibióticos só seriam vendidos com receita médica, e precisando tomar o antibiótico, procurei um Posto de Saúde, e, antes de consultar, fui conduzido a uma atendente que mediu a minha pressão e fui levado ao médico. Expliquei a ele, após ser perguntado, que eu tinha dificuldade de urinar e pedia que me desse uma receita para comprar o remédio. Ele atendeu ao meu pedido, e, devido à pressão alta, não só mandou me aplicar uma injeção para baixar a pressão como também um remédio diurético para facilitar a urina. Após a receita e as injeções, fui para casa.

O que aconteceu em seguida, que julguei errado, o médico haver mandado me aplicar um diurético, foi que o organismo começou a retirar líquido de todo o meu corpo e a minha bexiga passou a aumentar com o líquido, e a medida que ela enchia as dores começaram. Duas horas depois, com a bexiga a ponto de estourar, de cheia e sem poder esvaziar, devido à pressão da próstata inflamada, eu já estava gritando de dor. Fui levado por minha filha ao hospital e lá depois de muito sofrer, uma enfermeira colocou a sonda e eu pude urinar o que fez com que a dor desaparecesse. Depois de recuperado, fui ao médico de plantão que me receitou procurar um urologista.

Marquei a consulta e poucos dias depois, fui examinado pelo médico que constatou que eu estava com a próstata muito grande e pediu alguns exames. Dias depois, levei os exames ao médico e ele me informou que precisava retirar a próstata e constatou que eu tinha também uma pedra nos rins, ao contrário de outros pacientes que criam pedras na vesícula. Ele então me encaminhou para o Cardiologista para saber se eu tinha condições de ser operado, em virtude da pressão alta (l8 x 9) e da minha idade 80 anos. O Cardiologista ao medir minha pressão, disse-me que não poderia ser operado com essa pressão alta e passou um remédio (Losartana 50 mg) para baixar à mesma e me encaminhou para fazer o teste de resistência na esteira rolante. Com muito sacrifício, consegui passar no teste e fui encaminhado de volta ao urologista e este, após consultar os exames, me encaminhou para o Hospital Tarquínio Lopes Filho, o que não fiquei muito satisfeito por achar que o Hospital Geral, como é conhecido, devia ser igual ao Socorrão.

No hospital, procurei a filha de uma sobrinha minha (Sílvia), assistente social, que me encaminhou para o Dr. Giullianno L. Moura, o melhor médico urologista-cirurgião, que após tomar conhecimento do meu caso, me encaminhou para a internação. Fui atendido, novamente pela Assistente Social que me encaminhou para a funcionária encarregada de fazer a internação. Em função da idade e do problema, com duas semanas fui chamado para internar. Quando internei no hospital foi que observei que ele era melhor que qualquer outro, e então, por duas vezes, lamentei a minha opinião, julgando errado o médico que receitou o diurético (Deus escreve certo por linhas tortas) e o outro médico que me encaminhou para a operação no Hospital Geral.

A minha internação se deu no dia 9/6 e no dia seguinte l0/6, fui levado para o Centro Cirúrgico, para ser operado. Ao ser feita a anestesia raquiana, e não sentindo as minhas pernas como que amputadas, o que me causou grande aflição, e, receoso de assistir todo o trabalho operatório, o que poderia me causar mais aflição, pedi ao anestesista que me “apagasse” para eu não participar, em vista de já ter sido operado por 4 vezes com anestesia geral, sendo atendido pelo mesmo. A operação foi de barriga aberta e transcorreu sem anormalidade, sendo retirada a minha próstata, um cálculo redondo do tamanho de uma “bolinha de gude”, do meu rin, (o normal seria na bexiga), que se permanecesse ali eu o perderia, e teria de ser ele retirado, o que faria em pouco tempo, eu ser um cliente da hemodiálise pelo resto da existência. Após todo esse trabalho, despertei quando já estava no leito da enfermaria.

No dia l4/6, em virtude de não haver tido nenhuma complicação, nem precisar de nenhuma bolsa de sangue, foi retirado o dreno e autorizada a minha saída do hospital. No dia 17/6, retornei ao mesmo para a retirada da sonda, e ainda no dia 20/6, retornei ao hospital e o médico verificando que tudo estava normal, autorizou a retirada dos pontos. Nessa ocasião, lhe entreguei a carta de reconhecimento e agradecimento pelo que ele, o Dr. José Arimatéa, seu assistente, e também a sua equipe e demais pessoas que me assistiram durante o tempo em que estive hospitalizado, cujo texto vai abaixo:


São Luis, l5 de junho de 2011
Ilmo. Sr.
Dr. Giullianno L. Moura
Nesta.

Prezado Senhor:

Ao escolher a Medicina como sua profissão, e ao restituir-me a saúde e a alegria de viver, mesmo nos meus 80 anos, o senhor comprovou ser um Missionário Divino, que veio a Terra para cuidar dos sofrimentos dos seus irmãos. Esta, foi a melhor maneira que encontrei para perpetuar o meu agradecimento e também da minha família, ao senhor Dr. Giullianno, ao Dr. José Arimatéa e aos demais membros da sua equipe, às enfermeiras e assistentes, pelo ótimo tratamento que me foi dispensado, durante o período em que estive interno no hospital HTLF, livrando-me de futuramente ser um usuário da Hemodiálise. Que Deus na Sua Infinita Misericórdia, ampare todos e os assistam sempre, na missão de benfeitores dos sofredores da Humanidade.

Seu cliente reconhecido e agradecido,
Jurandy Tavares de Castro
Hoje, estou em casa me recuperando da operação a que me submeti, pois, se não fosse descoberto e tratado a tempo, se transformaria num grande problema de saúde para mim.

Esta exposição tem a finalidade de levar ao conhecimento de quem necessita, os esclarecimentos sobre o problema, que pode acontecer com qualquer pessoa que sofra com dificuldades de urinar, por ter a próstata inflamada ou pedra nos rins ou na bexiga, que foi o meu caso, trazendo sofrimentos que podem ser evitados, com a operação.

J. C.

S.Luis, 27/6/2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CHICO XAVIER O APÓSTOLO DO AMOR

CHICO XAVIER, O APÓSTOLO DO AMOR

Jesus nos legou o ensinamento maior ao nos esclarecer que todas as Leis que emanam da Providência Divina se sintetizam no “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. E nos deixou como diretriz de comportamento o seu exemplo de amor: “Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (João 13:34) Os Espíritos Superiores incumbidos de trazer aos seres humanos o Consolador Prometido, representado pela Doutrina dos Espíritos, revivendo o Cristianismo primitivo, ensinam que “a caridade nos leva a salvação”.

Francisco Cândido Xavier foi um Espírito nobre que, vivenciando esses ensinamentos e abriu um caminho de luz para os seres humanos, mostrando que A Doutrina dos Espíritos, quando retamente praticada, representa a construção da paz em nós mesmos, na qual a Lei do Amor é constante em nossa vida. Tudo o que se disse e se escreveu sobre Chico Xavier pode ser sintetizado nos caracteres do Homem de Bem, que Allan Kardec ressalta na questão nº 918 do “Livro dos Espíritos”, e no capítulo XVII do “Evangelho Segundo o Espiritismo”, como segue:”o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Ele interroga sua consciência sobre seus próprios atos, perguntando se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele, enfim, se fez a outrem tudo o que desejaria que lhe fizessem.”

Chico Xavier nasceu em 2 de abril de 1910, na pequena cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, sendo batizado com o nome de Francisco de Paula Cândido. Em abril de 1966, Chico pediu a retificação de seu nome para Francisco Cândido Xavier, o que lhe foi autorizado judicialmente. De origem humilde, era filho de João Cândido Xavier e da lavadeira Maria João de Deus. As aparições do espírito de sua mãe, quando Chico ainda não havia completado cinco anos de idade, assinalam os primeiros fenômenos de clarividência que lhe proporcionaram grande alegria e também lhe valeram castigos e incompreensões por parte dos outros, que julgavam invencionices de menino travesso.

Em virtude da escassez de recursos com que a família numerosa sempre se debatia, o Chico foi obrigado, desde pequeno, a trabalhar para ajudar em casa e não faltasse o mínimo necessário. Fazia ele seus estudos elementares ao mesmo tempo em que se dedicava aos rudes serviços de aprendiz numa tecelagem, onde seu pai o colocara aos nove anos de idade. Pela manhã, assistia às aulas para em seguida, trabalhar até às 2 horas da madrugada na fábrica de tecidos. Tal situação não permitiu que sua instrução fosse além do primário. Chico ainda trabalhou como caixeiro, garçom, ajudante de cozinha, e, finalmente como humilde funcionário do Ministério da Agricultura, condição em que se aposentou, por invalidez, em janeiro de 1961, em razão de moléstia incurável nos olhos. Tais precariedades, de ordem social e intelectual, obedeciam a plano superior, imunizando-o contra os prejuízos da presunção acadêmica e do materialismo.

Educado sob orientação católica, Chico atravessaria essa fase de sua iniciação sob o signo da perplexidade diante de fenômenos cuja explicação satisfatória somente viria no ano de 1927, quando assistiu à primeira sessão espírita, promovida pelo casal José Hermínio Perácio e Carmem Pena Perácio, para socorrer o caso de obsessão de sua irmã Maria Xavier Pena. No Centro Espírita Luiz Gonzaga, recém-fundado pelo casal Perácio, em Pedro Leopoldo, Chico recebeu sua primeira comunicação psicográfica. Dias depois, em outra sessão na Fazenda Maquiné, dona Carmem ouve e vê o Espírito de Emmanuel, o qual lhe recomenda pedir ao Chico que tome papel e lápis. Chico recebe então de sua mãe, Maria João de Deus, conselhos em vista do tratamento da irmã que se restabelecia de processo obsessivo.

Antes de se apresentar às faculdades mediúnicas do Chico, o que ocorreria em 1931, Emmanuel criou para dona Carmem, um quadro fluídico anunciador da missão destinada a Chico Xavier. Dona Carmem vê choverem do teto, livros sobre a cabeça do Chico. É nesse ambiente de paz e de envolvimento superior, que Chico se prepara, sob a orientação dos guias e o amparo dos demais membros do Centro, para o desempenho na seara espírita. O fruto de tão decisivo contato seria o aparecimento em julho de 1932, da obra “Parnaso de Além-Túmulo”, que inauguraria a fecunda produção do médium, com vistas a sustentação dos princípios do Espiritismo Cristão no Brasil.

O ano de 1932 reservaria a Chico a alegria de outro encontro decisivo para o seu desempenho de médium sério, modesto, devotado e seguro, segundo opinião de Allan Kardec, no capítulo XVI de “O Livro dos Médiuns”. Eis que o Alto lhe envia a amizade de Antônio Wantuil de Freitas, então no exercício do jornalismo, a serviço do Consolador Prometido, através de periódicos. Wantuil escreve para Chico. Enviando-lhe alguns livros espíritas, inaugurando um intercâmbio com o querido médium que durou até o fim da existência do irmão que era presidente da FEB. Em 1933, o Chico experimenta grave necessidade material, assediada por dificuldades da subsistência da família numerosa. O escritor José Álvaro Santos condoendo-se da situação do Chico e de sua família, convida-o a ir a Belo Horizonte, onde lhe conseguiria uma colocação mais rendosa. Seu pai o encoraja, e o Chico, à noite, ouve de Emmanuel de que o plano era inoportuno e que o amparo viria sem necessidade de tal iniciativa. Para evitar que Chico contrariasse o velho pai, Emmanuel ainda lhe disse: “Ganharás conhecimentos e experiências de que muito necessitas. Não abandones a prática da oração e estaremos contigo através da prece.” – Tudo resultou inútil, pois Chico não conseguiu o emprego.

Ainda em 1934, prevenindo-se contra os ataques de alguns representantes da religião tradicional e da ciência oficial, que durante anos, atribuíram sua produção mediúnica como simulações, auto-hipnose, disritmia cerebral e outros disparates, o Espírito de Eça de Queiroz, espanta sua tristeza com este recado: “Vai continuando até que te receitem o manicômio. No cárcere ou no sanatório, alcançarás um período de repouso. Não te apavores.” O ano de 1935, seria outro marco árduo, mas luminoso no medianato do humilde operário do Cristo. É quando se lhe apresenta o Espírito do consagrado escritor, Humberto de Campos, desencarnado no Rio em 1934. Daí em diante Chico começaria a arcar com o ônus da popularidade, inevitável na trilha dos que devem sacrificar-se para eliminar as trevas dos caminhos humanos.

O início das manifestações de Humberto de Campos atrai a curiosidade da imprensa e o Chico enfrenta a primeira entrevista, promovida pelo jornal “O Globo”. E do Alto jorram as luzes da revelação e da consolação. Humberto de Campos, Emmanuel, Casimiro Cunha, André Luis, Neio Lúcio, Frederico Fígner, entre muitos outros, esclarecem consciências, reerguem caídos, revigoram enfraquecidos, servindo-se ele de instrumentos às verdades que deveriam ser veiculadas. Surgem então os livros psicografados; “A Caminho da Luz”, “Brasil Coração do Mundo”, “Paulo e Estevão”, “Vida e Sexo”, “Nos Domínios da Mediunidade”, entre outros, vivenciando o Evangelho de Jesus. Nesse período surgem os grandes romances históricos, “Há Dois Mil Anos”, “Cinqüenta Anos Depois” e outros mais.

Um episódio ocorrido em 1941, da bem a medida do zelo daquele amoroso benfeitor. A cunhada do Chico estava internada em sanatório de doentes mentais. Com o médium ficou a pesada carga de cuidar dos sobrinhos, um dos quais era paralítico. O Chico chorou muito. Emmánuel vendo a sua aflição lhe perguntou por que chorava. Chico então respondeu: “Estou chorando porque minha irmã está no sanatório e o senhor precisa saber!” – Emmanuel então dá a ele e a todo sincero discípulo de Jesus, profunda lição sobre a fraternidade, dizendo: “Eu me admiro muito, porque naquela casa, existem trezentas irmãs e nunca vi você ir lá chorar por nenhuma. A dor dos Xavier não é maior que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda a família que tem um doente. Se você quer mesmo seguir a doutrina que professa, ao invés de chorar por sua cunhada, tome o lugar ao lado de uma criança que está doente, precisando de calor humano, em substituição, exercendo assim a fraternidade.”

Os primeiros contatos com o Espírito de André Luiz datam também dessa época, quando o Chico começa a ver o Espírito sempre junto a Emmánuel, de quem lhe falara o amoroso guia, incumbido de revelar aspectos da vida de além-túmulo, com o objetivo de edificação. Disse-me Emmánuel que André Luiz estava treinando para se desincumbir de tarefa, e de fato, em 1943, iniciava o trabalho com o livro “Nosso Lar”. Em l946, Chico em carta a Wantuil, expressava sua crença de que André Luiz representava vastas entidades superiores, pelo fato de que, havendo sido interrompida por vários dias a obra “Missionários da Luz”, ele veio a saber que a interrupção fora provocada por reuniões para o exame de algumas teses do referido livro.

Tantas bênçãos fortaleceriam o médium para o grande testemunho a ser oferecido a Causa. No ano de 1994 quando a viúva de Humberto de Campos o intimou e a Federação, em rumoroso processo em torno da produção literária atribuída ao Espírito de seu falecido marido. O devotado servo de Jesus jamais ia supor que seu trabalho, sob a invocação de humildes preces e a amorosa solicitude dos guias espirituais, viesse a suscitar um movimento, que, despertando a opinião pública e disputas em torno de direitos autorais, vantagens financeiras, e pusesse em julgamento a autenticidade do fato mediúnico, e sua possibilidade de se comunicar com os “mortos”; enfim, a própria Doutrina. Esse rumoroso caso foi encerrado com a sentença favorável ao médium e à Federação, por despacho de 23/8/1944, assinado pelo Dr. João Frederico Mourão Russel, com o seguinte despacho: “Nossa legislação protege a propriedade em favor dos herdeiros, das obras produzidas pelo “de cujus” em vida. Não pode, entretanto, a suplicante pretender direitos autorais sobre supostas produções literárias atribuídas ao espírito do autor”.

Entre 1952 e 1953, Chico participou como médium, de sessões de materializações, deixando de participar por ordem de Emmánuel, para não prejudicar o setor de recepção de livros. As primeiras obras psicografadas por Yvonne A. Pereira, a partir de 1955, dão a Chico novo ânimo, tanto pela essência da produção da saudosa médium, quanto por seu caráter de verdadeira cristã, de médium a serviço de Jesus. Anos depois, em 5 de janeiro de 1959, transfere-se Chico Xavier para Uberaba, onde encontraria o clima adequado para amenizar a labirintite que o acometera em 1958. A nova fase da existência em nada altera as diretrizes espirituais que o guiam no cumprimento dos sagrados deveres, de médium a serviço de Jesus: fidelidade ao Evangelho e à Doutrina, sob o amparo dos seus guias, tendo à frente o estimado Emmanuel. De 1965 a 1966, Chico excursiona na companhia do Dr. Waldo Vieira, para visitar comunidades espíritas de diversas cidades dos Estados Unidos, México, Cuba, Inglaterra, França, Itália e Portugal. Dessas viagens à América do Norte e à Europa surgiu publicada pela FEB, a obra “Entre Irmãos de Outras Terras”, com mensagens recebidas em outras línguas.

Suas palavras, sempre repassada de sabedoria, brandura e elevação moral, é disputada pelos veículos de comunicação, agora liderados pela televisão. Em 27/7/1971, é transmitida ao vivo a entrevista concedida a TV-Tupi, no programa “Pinga-Fogo”, atingindo níveis de audiência, nunca antes verificado. Em 12 de dezembro do mesmo ano, Chico participou de nova entrevista no mesmo programa, que também obteve grande repercussão no país. Nessa ocasião, estando em São Paulo, um comerciante tivera o prazer de receber a visita do médium de Uberaba. Desconhecendo a existência real de Chico, afirmou ser ele um privilegiado. O humilde seguidor da Doutrina Espírita, sem trair sua condição de equilíbrio, respondeu: “Meu amigo, eu não sei quais são os meus privilégios perante os céus, porque fiquei órfão de mãe com cinco anos de idade, fui entregue à proteção de uma senhora que durante quase dois anos, graças a Deus, me favoreceu com três surras de vara de marmelo por dia; empreguei-me numa fábrica de tecidos aos oito anos de idade e nela trabalhei quatro anos seguidos à noite, estudando na escola primária durante o dia. Não podendo continuar na fábrica, empreguei-me como auxiliar de cozinha, balcão e porta num pequeno empório, durante mais quatro anos. Em seguida, empreguei-me numa repartição do Ministério da Agricultura, na qual trabalhei trinta e dois anos, começando na limpeza da repartição, até chegar a escriturário, quando me aposentei, por problemas nos olhos. Em criança, sofri moléstia de pele, fui operado no calcanhar, onde me cresceu um grande tumor; sofri dos doze aos quinze anos de Corea ou “Mal de São Guido”; fui operado em 1951 de uma hérnia estrangulada, acompanhei a desencarnação de irmãos que me eram particularmente queridos. Sofri um processo público, em 1944, de muitos lances difíceis e amargos, por causa das mensagens do espírito do escritor Humberto de Campos. Em 1958, passei por escandalosa perseguição, com muitos noticiários infelizes da imprensa, perseguição de tal modo intensa, que me obrigou a sair do campo reconfortante da vida familiar em Pedro Leopoldo, onde nasci, transferindo-me para Uberaba, em 1959, para que houvesse tranqüilidade para meus familiares, que não tinham culpa de eu haver nascido médium. Em 1968, fui internado no Hospital Santa Helena, aqui em São Paulo, para ser operado numa cirurgia de muita gravidade e, agora, no princípio deste ano, agravou-se em mim um processo de angina, que começou em novembro do ano passado. Angina essa com a qual estou lutando muito, além dos problemas da visão!...” E terminou: “Se tenho privilégios como o senhor imagina devo os ter sem saber!”

Na década de 70, Chico Xavier visita por três vezes o casarão da Avenida Passos, onde se
localizava a Federação Espírita Brasileira, tomando parte em sessão pública noturna. Chico foi também convidado pela FEB para participar dos atos inaugurais da nova sede em Brasília, convite que agradeceu, mas por motivo de doença não pode comparecer. Em 1977, o Movimento Espírita Brasileiro homenageia o querido médium por haver atingido 50 anos de exercício da mediunidade, fiel a Kardec e Jesus. Em 1978, Chico mais uma vez demonstrando clarividente lucidez e critério na prudência e no conhecimento do caráter humano, sustentado pela proteção dos guias espirituais, toma a iniciativa de assegurar à vastíssima obra literária, produzida por seu intermédio e evitar futuras disputas em prejuízo da Doutrina, de ceder integralmente os direitos autorais à FEB e a outras entidades, ratificando as anteriores cessões de direitos.

Na década de 80 a obra de Chico Xavier ganha as atenções do teatro e da televisão e quatro telenovelas são apresentadas baseadas nos romances mediúnicos “Há Dois Mil Anos”, ‘Cinqüenta Anos Depois”, “Renúncia” e “Ave Cristo”. O maior sucesso vem com a peça “Além da Vida’, encenada no palco, por Ivani Ribeiro e Augusto César Vanucci. Ainda por iniciativa do deputado federal Freitas Nobre, do diretor Augusto César e do ator Dionísio Azevedo, o movimento Espírita do Brasil é mobilizado para indicar o médium Chico Xavier, como candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 1981. A justificativa apresentava os serviços do médium, durante toda a sua existência, dedicada aos pobres e sofredores de todos os matizes. Chico não ganhou o Prêmio Nobel, que amigos carinhosos lhe pleitearam, mas...que importa? – Talvez tenha sido a vontade de Deus, que a virtude da humildade, tão exaltada por Jesus na lição da Manjedoura, e por Chico em toda a sua existência, não fosse manchada pela glória deste mundo. O Prêmio Nobel ao qual também concorreu o chefe da Igreja Católica, o Papa João Paulo II, foi conferido ao “Alto Comissariado para Refugiados nas Nações Unidas”.

Entretanto, em 1999, o Estado de Minas Gerais instituiu a “Comenda da Paz Chico Xavier”, pela Lei Estadual nº. 13.394, em homenagem ao seu ilustre filho. O médium Francisco Cândido Xavier, também foi eleito o “Mineiro do Século”, numa promoção da Rede Globo/Minas, com mais de 2,5 milhões de votos, ficando o inventor do avião, Santos Dumont, em segundo lugar. Francisco Cândido Xavier, foi o mais consagrado médium do século XX, partindo da Terra aos 92 anos de idade, dos quais, 75 anos foram de ininterruptos labores mediúnicos. O número de livros por ele psicografados atingiu 412 títulos, cujas reedições ultrapassam a casa de trinta milhões de unidades.

Registramos, como luminosa lição de humildade, e desprendimento para todos quantos se dedicam aos serviços da Doutrina dos Espíritos, a seguinte declaração: - Pergunta feita pelo jornal “Estado de Minas”: “Como ficará a Doutrina Espírita após sua morte? – O senhor acha que ela ficará abalada? – Quem poderá substituí-lo na liderança?” – Resposta de Chico Xavier: “A Doutrina Espírita estará tão bem depois da minha desencarnação quanto estava antes, porque eu não sou uma pessoa com qualidades especiais para servi-la. Eu sou apenas um médium comum, tão falível como qualquer outro. Não me sinto uma pessoa necessária e muito menos indispensável. Outros médiuns estarão interpretando o pensamento e as mensagens dos nossos amigos espirituais...”

Em 30 de junho de 2002, por volta das 19,30 horas, desencarnava em Uberaba-MG., o
médium mineiro Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), em meio às vibrações de alegria do povo brasileiro pela conquista de mais um troféu mundial de futebol, como se o Plano Espiritual Superior quisesse, propositadamente, diluir as repercussões que a partida do médium, por certo, viria a causar em todos os segmentos da nossa sociedade. A desencarnação do médium Francisco Cândido Xavier provocou pronunciamentos de respeito e gratidão à sua vida missionária, de autoridades públicas e religiosas, de artistas, de instituições e de pessoas diversas. Passaremos a transcrever algumas dessas manifestações: 1- Fernando Henrique Cardoso, Presidente da República: “Grande líder espiritual e figura querida e admirada pelo Brasil inteiro, Chico Xavier deixou sua marca nos corações de todos os brasileiros.” 2- Ramez Tebet, Presidente do Senado: “Era um homem extraordinário que pregava a bondade, paciência e humildade.” 3- Aécio Neves- Presidente da Câmara Federal: “Ele é uma referência única de trabalho e solidariedade. Será sempre um exemplo importante de vida e humanidade.” 4-Itamar Franco- Governador de Minas Gerais: “Chico Xavier expressava em sua face uma imensa bondade, reflexo de sua alma iluminada, particularmente em sua dedicação aos pobres.” 5- Padre José Rizon- Assessor da CNBB: “Chico Xavier foi um homem exemplar e sempre disposto a fazer o bem.” 6- Henry Sobel- Presidente do Congresso Israelita Paulista: “Eu respeitava o trabalho de Chico Xavier, principalmente o conforto espiritual que ele trazia a tanta gente, sem distinção de ricos e pobres.” 7- Carlos Vereza- Ator: “Para mim, o grande milagre de Chico foi provar, através de mensagens psicografadas, a vida após a existência.” 8- Fábio Assunção- Ator: “Ele foi um homem perfeito e ajudou muita gente.” 9- Norton Nascimento- Ator: “Para mim, ele continua vivo; só que num plano mais elevado.” 10- Cássia Kiss- Atriz: “Estive em Uberaba , junto com o Antonio Fagundes. Chico era uma pessoa de muita luz.” 11- Leonardo Boff- Teólogo: “Ele era um dos grandes anjos bons que o povo brasileiro tinha. Consolava os desesperados, enxugava lágrimas e curava os enfermos.” 12- Nicete Bruno- Atriz:”Para mim, Chico Xavier não morreu. A morte é só uma transformação.” – Muitos e muitos outros depoimentos foram feitos por autoridades e instituições internacionais e pessoas do povo, que não foram aqui mencionadas...

O que demonstra, de modo brilhante, a intervenção de Deus na História, “é o aparecimento, no tempo próprio, nas horas solenes, desses grandes missionários, que vêm estender a mão aos homens e os repor na senda abandonada, ensinando-lhes a lei moral, a fraternidade, o amor aos semelhantes, dando-lhes o grande exemplo de sacrifícios de si... pela causa dos outros...” Que Deus abençoe o irmão Francisco Cândido Xavier, onde ele se encontrar.

Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações.

Bibliografia:
Revista “O Reformador”
Edição nº 2080-A
Livro “Mandato de Amor”
+ Acréscimos e modificações.
Jc.
25/10/2009


ALLAN KARDEC E CHICO XAVIER


Depois de Allan Kardec, o médium Chico Xavier é a figura de maior expressão no Espiritismo do Brasil. A sua tarefa e a sua existência se constituíram em valioso legado para a Humanidade inteira. Se a Doutrina teve por berço a França e floresceu nos meios intelectuais de Paris, foi no Brasil, a partir de Pedro Leopoldo, no estado de Minas Gerais, que ela se popularizou e se consolidou como o Consolador Prometido por Jesus. A Espiritualidade Superior houve por bem não consentir que a Doutrina dos Espíritos permanecesse restrita às elites acadêmicas e, numa nova roupagem, providenciou para que ela renascesse na condição do humilde e iletrado Chico Xavier, a fim de que a sua mensagem chegasse ao entendimento e ao coração do povo. Com Allan Kardec, a sabedoria; com Chico Xavier, o amor!

Falando desses dois vultos da Doutrina Espírita, alguns espíritas chegaram a conclusão e acreditam que Allan Kardec e Chico Xavier, são reencarnações do mesmo Espírito, em épocas diferentes, em virtude de algumas informações. No livro, “Obras Póstumas” no diálogo sob o título “Minha Volta”, em que o próprio Allan Kardec conversa com Jesus, com o pseudônimo de “Espírito da Verdade”, em 10/06/1860, através da médium Sra. Schmidt, Allan Kardec tomou conhecimento de sua morte nos anos seguintes e a sua reencarnação, entre o final do século XIX e o início do século XX. Foi Jesus quem disse isso a Kardec, e acham que ele retornou em 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo, como Francisco Cândido Xavier. Ao mesmo espírito, Kardec/Chico, coube a missão de primeiro codificar e depois consolidar a Terceira Revelação, porquanto, julgam, somente ele estava apto para compreender a essência dos postulados e de colocá-los em prática. Como Kardec, efetuou a triagem das comunicações que serviram de base à Codificação, e como Chico Xavier, praticou o exercício mais ostensivo da mediunidade e de fraternidade a que seria chamado desde a juventude.

Como Allan Kardec, não teve suficiente tempo para vivenciar a Doutrina que codificara visto que somente dispôs de quinze anos para fazer tudo o que fez; já na personalidade de Chico Xavier, ele pode se revelar na condição de um dos mais lúcidos e completos apóstolos do Cristo, complementando a obra! Chico não se limitou somente à recepção de mensagens dos desencarnados, mas também receber e dar à publicação a grande obra de livros psicografados, dando continuidade ao pentateuco de Kardec. Não são poucos os que, mesmo não sendo espíritas, reconheceram a importância de Chico Xavier. As duas maiores manifestações, foram: “A Comenda da Paz Chico Xavier” instituída por Lei, e a eleição dele como ‘Mineiro do Século”, ambas no Estado de Minas Gerais.

Para outros espíritas, o mesmo Espírito não poderia ter encarnado como Allan Kardec e Francisco Cândido Xavier, em virtude de circunstâncias que confirmam essa impossibilidade, e, para tanto, se baseiam em outras informações. Por mais que se ame o Chico, a verdade soa mais alto: há um profundo abismo separando-o de Kardec. Analisando as biografias desses dois grandes vultos da Humanidade, nota-se grande discrepância, principalmente no campo psicológico. Chama muito a atenção que suas personalidades são extremamente opostas. Em 28 de agosto de 1988, em entrevista ao Diário da Manhã, de Goiânia-Goiás, respondendo à pergunta se seria Kardec reencarnado, disse: “Não, não o sou... digo isto com serenidade. Consulto a minha existência, as minhas tendências e não tenho nenhuma semelhança com aquele homem corajoso e forte que, em doze anos deixou dezoito livros maravilhosos”. Ao contrário do brilhante trabalho intelectual desempenhado por Kardec, Chico se caracterizou apenas como intermediário dos Espíritos. Kardec demonstrava pulso firme e era resoluto nas suas atitudes, enquanto Chico, por seu lado, não sabia dizer “não” às pessoas. O confrade Arnaldo Rocha amigo íntimo de Chico Xavier, falando sobre o saudoso médium, em palestra proferida na União Espírita Mineira, disse que o médium lhe informara ter sido a Srta. Japhet, médium que teve papel importante na revisão dos textos do “O Livro dos Espíritos”. O fato do médium não ter vivenciado a personalidade do Codificador não o deprecia, visto que foi um vitorioso no que se propôs a executar.

Por serem justas as homenagens que se prestam a Francisco Cândido Xavier, por ocasião das comemorações do centenário do seu nascimento, me associo a elas, e que ele possa receber, onde se encontrar, as manifestações sinceras da nossa gratidão, acompanhadas das bênçãos de Jesus, e que no mundo espiritual possa continuar a difundir a paz e o amor, a toda a Humanidade... Joana de Angelis, em homenagem psicografada em 2/7/2002, diz: “Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra, e desfrutares das inefáveis alegrias do Reino dos Céus.”

Jamais o esqueceremos, e o seu exemplo ficará como um divisor do tempo, em nosso movimento, que tanto lhe deve, assinalando o Antes e o Depois de Você, da sua existência extraordinária, dos seus sacrifícios incomuns, dos seus incomparáveis sentimentos e exemplos de fraternidade e amor...


Deus o abençoe, Chico Xavier!...


Bibliografia:
“Jornal da Mediunidade”
Reformador nº. 2080-A
Jornal “O Imortal”


Jc.
S.Luis, 27/10/2009

segunda-feira, 30 de maio de 2011

ANANDA - MUITO ALÉM DO AMOR

ANANDA - MUITO ALÉM DO AMOR

Dominique Lapierre, famoso autor francês que escreveu o livro a respeito de Mohandas Gandhi, intitulado “Esta noite a liberdade”, cuja obra rendeu-lhe uma fortuna, posteriormente descobriu-se com uma expressiva dívida de amor para com a Índia. Oportunamente, visitando aquelas cidades por onde Gandhi passara a mensagem de paz, ele percebeu a dor imensa dos párias, assim como a de outros infelizes. Ele teve uma grande surpresa ao saber que um lar de crianças órfãs estava para fechar, porque o nobre inglês que o ajudava fora vítima de circunstâncias políticas e econômicas, pretendendo deixar que mais de 600 crianças voltassem às ruas. Em face do seu sentimento de gratidão Dominique começou a pensar no que poderia fazer para retribuir a Índia, o bem-estar, o destaque e os prêmios que ele recebeu pela obra e a fortuna imensa acumulada.

Certo dia, estando ele nas escadarias em Benares, observando as crianças que se atiravam às águas sujas do rio Ganges, para recolher objetos dos cadáveres a fim de serem revendidos, acercou-se de um grupo e tomou conhecimento da existência de uma menina, que era considerada a mais notável pescadora desses precários recursos que o Ganges oferecia. Ela era chamada de “ave de rapina do Ganges”. Seu nome era Ananda, que significa em sânscrito – alegria. Então, Dominique acompanhou uma parte da trajetória de Ananda por vários anos e escreveu o livro que se denominou “Muito além do amor”. - Pode haver uma forma de amor muito além do amor?

Ananda pertencia a uma família de párias. Seu pai era um daqueles que vendiam lenha para a cremação dos cadáveres, porque às margens do Ganges, de acordo com a posição sócio-econômica, o indivíduo era posto sobre a madeira, conforme os recursos da família, para a cremação. Além de vender lenha, o pai de Ananda por ter vários filhos e ser pobre, mantinha um bazar onde vendia o que eram chamadas às relíquias: dentes, ossos, algumas bugigangas que eram retirados dos cadáveres dos miseráveis que não puderam ser cremados e eram atirados às águas lodosas do rio já em decomposição. Ele era vendedor de madeira barata, e Ananda e os irmãos encarregavam-se de recolher esses objetos das águas do rio. Sua mãe, uma alma insensível, pelas dores suportadas ao longo dos anos, era encarregada da família.. Ananda, aos treze anos, havia se tornado uma personagem especial, mas a sua condição de paria, dela fazia uma menina triste. A agilidade com que mergulhava nas águas e a sua adolescência fazia dessa menina um vulto especial nas escadarias junto ao Ganges.

Nessa idade ela foi negociada para o casamento, conforme as tradições do seu povo. Ela contaria depois que notou uns homens estranhos que entravam e saiam de sua casa, enquanto ela permanecia recolhida nos fundos e mal conseguia perceber de que se tratava. Alguns irmãos disseram que eram as negociações para o futuro casamento dela. Estabelecido o dote que a família deveria pagar e o dote que o pai do noivo deveria contribuir, Ananda foi preparada para o matrimônio. Faltando poucos dias para as bodas, estando ela, diante de um pedaço de espelho, tirado das águas do rio, percebeu leve pigmentação na face e disse para a sua mãe. A genitora preocupada chamou um dos curandeiros que andavam pelas ruas e, munido de uma lupa e de um alfinete, ele pôde fazer o diagnóstico após ligeiro exame: era lepra.

A notícia produziu grande sofrimento à família, que, além de pária, tinha agora a marca da punição dos deuses. Ananda percebeu que, a partir daquele momento, todos se afastavam e, poucos dias depois, quando ela despertou para a refeição comum, a bandeja de alimentos estava no centro da sala sobre uma esteira, mas todos estavam distantes dela.. Junto se encontravam as suas roupas, empacotadas, e algumas moedas (rúpias). Ela entendeu que era o último momento de convivência com a família, pois era uma tradição assim ser procedido. Após ingerir um pouco de alimento, em silêncio a sua mãe a expulsou de casa. Nesse momento rompiam-se todos os laços familiares; para eles; ela estava morta.

Como ela não tinha ninguém a quem pedir ajuda, passou uma semana de privações, esmolando de porta em porta. Diante dos leprosos da cidade e vendo-os decomporem-se, ela recusou-se a misturar-se com eles, porque não havia nenhum outro sinal exterior, exceto por enquanto, aquela pigmentação. Uma semana depois, estava esfaimada. Foi até a estação ferroviária, para ver se podia ser útil carregando algum volume e recebendo alguma ajuda. Foi quando a Providência pareceu surgir na pessoa de um homem, que saltou de um riquixá e lhe perguntou o nome. Jubilosa, ela respondeu: “Ananda. Eu sou a alegria”. “E tem família”, voltou a perguntar o homem. Ela respondeu: “Não, não tenho família”. – “É exatamente do que preciso. Eu tenho filhos e viajo muito e necessito de uma ama, para que cuide de minhas crianças. Você aceitaria trabalhar para mim?” Ela respondeu que sim. Ele em seguida deu-lhe vinte rúpias para alimentar-se. Ananda agradeceu aos deuses. Em seguida entrou no riquixá e percebeu que saiam do centro da cidade, em direção da periferia, afastando-se bastante da cidade. Chegando aos arredores, foi levada a uma casa muito grande, e ali percebeu que estava sendo negociada...

O homem era um aliciador de menores para a prostituição. Ela foi então vendida a um indivíduo sem escrúpulos que, para demonstrar sua força e poder, agarrou-a pelos cabelos, atirando-a no chão, chicoteando-a e jogou-a no meio de outras meninas apavoradas. Começava ali, naquele momento, a trajetória diferente e quase trágica de sua existência. Ela recebeu algumas instruções para a profissão que ia exercer – se isso pudesse se chamar profissão – e começou a atender a ralé, aos piores tipos de indivíduos que freqüentavam o bordel. Quando lhe observaram a pigmentação, ela passou a ser utilizada por outros parias, hansenianos também. Durante os meses que ali permaneceu atendia a uma clientela volumosa e infeliz.

Ela não tinha mais o menor desejo de viver, quando teve um sonho, um sonho
animador. Alguém lhe alertava para que se evadisse, para que fugisse dali, apesar dos riscos que adviriam. Embora temendo ser castigada e assassinada, Ananda aproveitou-se, uma noite, da distração dos guardas e partiu, desesperada, de retorno a Benares. Misturou-se aos demais miseráveis e ouviu falar da história de uma mulher estranha, que estava ameaçando a estabilidade dos deuses. Diziam que “aquela estrangeira” viera com a tarefa de destruir a Índia e os seus deuses, apresentando um novo deus, um deus branco, oriental, que estava contra as tradições ancestrais, contra Krishna e os demais gurus...

Ananda, sem saber como, antipatizou com essa estranha, porque, embora pária amava o seu povo, amava a sua pátria. Sem saber definir, sentia uma força que a impulsionava a correr, até tombar de exaustão e fome. Foi numa dessas ocasiões em que á fome a fez parar no meio da rua, que ela viu uma fila imensa de miseráveis que estavam diante de uma casa modesta para receber sopa. Ela então entrou na fila com um vasilhame imundo para receber o alimento, quando uma mulher estranha que estava à frente da distribuição, saiu do seu posto de observação e veio diretamente até ela. Olhou-a, e perguntou-lhe o que fazia ali. Ela só pôde responder com uma palavra: - fome!

A senhora levou-a para um lado e olhando bem o seu rosto percebeu que aquela mancha estava envolta por um edema. Então a levou imediatamente para o pavilhão dos leprosos. O pavilhão era um lugar de piso com chão batido, um telheiro com esteiras, onde se encontravam rebotalhos humanos. A Índia possuía milhões de leprosos perambulando pelas ruas e Ananda era mais uma. A senhora disse-lhe: - “Chamo-me de irmã Bandona e eu vou cuidar de você”. A pobreza da instituição era muito grande. Havia um crucifixo preso à parede, tendo embaixo escrito : “Tenho sede!” Fora ele que um dia sensibilizara a religiosa, que, voltando de um seminário de meditação, viu aquelas duas palavras: “Tenho sede!” E perguntou-se: O que é que Lhe dei neste dois mil anos? Quando Ele falou da cruz que tinha sede, ofereceram-lhe uma esponja com vinagre. E eu, que Lhe dei nesses dois mil anos?

Nascia naquele momento, á obra humanitária de Madre Teresa de Calcutá. Ela expandiu-se pela Índia, pelo mundo. Quando ela desencarnou, estava atendendo a 186.000 hansenianos no mundo, afora crianças, idosos e doentes... Mas na Índia, como a hanseníase era quase normal, não havia terapêutica especializada naquela ocasião. Utilizava-se o óleo de chalmugra. Era uma tentativa inútil de diminuir a putrefação dos corpos. Sob um desses abrigos, abarrotados de hansenianos, Ananda passou a receber o carinho da irmã Bandona. Era uma mulher alta, vigorosa, estrangeira, porque embora falasse vários dialetos, o seu inglês não se entendia com facilidade. Ananda por isso lhe ficou temerosa. Recebia a alimentação, um pouco de asseio, a medicação, e, sem poder explicar-se como, um ano depois, as manchas haviam desaparecido do seu rosto. Os exames posteriores provaram que ela estava curada da hanseníase.

Ananda continuou profundamente sensibilizada, agradecendo aos seus deuses. Ela pensava muito no período de Kaliuga, o período das trevas que estava na Terra. Nesse ínterim, ela se tornou secretária auxiliar da irmã Bandona, e tinha tanto medo dela e do deus branco que não se atrevia, sequer, a olha-LO na cruz, conforme lhe recomendavam. As marcas da sua condição de pária eram tantas, que ela não olhava as pessoas cara a cara, e sempre evitava passar diante
de alguém para que a luz do Sol não projetasse sombra sobre outra pessoa, porque, segundo a tradição, a pessoa ficava impura a partir daquele momento, em vista da sombra de um leproso ou de um paria, haver caído sobre ela.

Ananda prosseguia a sua trajetória e pensou em fugir dali, quando um dia, visitando um daqueles horríveis pavilhões, observou a irmã Bandona viu que uma esteira de onde saíra um morto estava ocupada por outro doente, sem a sua autorização. Disse ela para o doente: “Quem lhe deu esse direito? A fila é grande e já havia reservado esse lugar para um paciente mais infeliz do que você”. A religiosa exigiu do invasor que cedesse o lugar àquele que estava aguardando. – Isto porque na filosofia de Madre Tereza, o importante não era curar o corpo. Ela preparava as pessoas para morrer, e dizia: “A maior glória da existência é a morte – a morte honrada, através da qual o Espírito se libertava do seu carma”. Com isso, ela desejava que os seus pacientes aceitassem a morte como sendo o anjo da libertação.

Aqueles homens e mulheres, que dependiam tanto dela, revoltados e gritando coléricos, atiravam-lhe muletas, pedaços de paus, pedras, enquanto ela permanecia como se fosse uma estátua, segurando a pequenina cruz de madeira, sem mover um músculo da face, até que a onda de fúria passasse e ela começasse a ora, o “Pai Nosso”. Aqueles pacientes infelizes choravam e começavam a pedir perdão aos gritos, enquanto a irmã Bandona expulsou o invasor, porque a caridade não convive com a desordem. Isso sensibilizou tanto Ananda que, naquela noite, ela pediu para tornar-se irmã de caridade. Desejava dar a vida que não tinha, porque não a tinha, apenas respirava.

Uma semana depois Ananda foi mandada para Calcutá, e, pela primeira vez, viu Madre Terersa; uma mulher frágil, de um metro e sessenta centímetros, com cinqüenta e cinco quilos, com uma voz doce, suave e modesta. Ananda começou a fazer o noviciado, que era muito simples; a arte e a ciência de amar, ler o Evangelho de Jesus e vivê-lo; aprender a atender os pobres e doentes, até o dia em que, três anos após deveria ser transformada na monja 2.458 da Ordem que mais crescia no mundo, em todas as raças e de todas as crenças que adotavam a doutrina do amor ao próximo. No dia da consagração estavam familiares de todas as noviças, menos os dela, que não tinha ninguém. Ela ainda relanceou o olhar na multidão...e de repente, viu irmã Bandona, que viera de Benares para a consagração da sua filha espiritual, e que sorriu para ela. Ananda estava vestida de noiva, e, logo depois de fazer os votos de castidade, humildade, renúncia e vivência na pobreza, recebeu quatro metros de tecido branco debruado de azul; ela fez o sári, cobriu a cabeça, e tornou-se irmã de caridade.

A irmã Bandona abraçou-a com imensa alegria e a pequena “ave de rapina do Ganges”, agora vestida de branco e ainda discriminada porque era pária, era obrigada a fazer os serviços mais abjetos, que a comunidade se recusava em face das tradições do país.

Façamos agora uma pausa nesta narrativa.
Em 1980, na cidade de Los Angeles, um jovem cabeleireiro gay notou uma tumefação sobre a face direita. Ele correu a um especialista que depois de examinar a formação tumorosa, extraiu material para exame e, posteriormente, veio o resultado: câncer de Kaposi. Mais ou menos na mesma época um estilista gay de Miami, percebeu que lhe apareceu na testa uma pequena tumoração. Ele correu ao médico e receber o diagnóstico de câncer de Kaposi. Logo depois o mesmo fenômeno ocorria em diversas cidades do mundo na população gay. Então foi constatado que se tratava de um vírus já conhecido da Medicina, mas que ainda não afetara o organismo humano. Ele vivia inoculado no macaco barriga verde, na África, no qual era inócuo. Como teria passado para o organismo humano? Era a pergunta que pairava no ar. Foi dado o alarme internacional e passamos a conhecer as siglas AIDS ou SIDA – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Em Nova York, no bairro dos artistas e intelectuais – a questão tornou-se pandêmica, e o prefeito Edward Cock, contratou uma casa para recolher e abrigar os ‘pestosos”, e a imprensa veio contra ele dizendo que era uma jogada política. Ele então procurou outra solução. Sabia que as dores desses pacientes eram insuportáveis, principalmente quando atingia o cérebro. Recorreu então, ao cardeal O’Connor, considerando a aceitação pública quando o trabalho é realizado por uma instituição religiosa. Casualmente, Madre Tereza de Calcutá, retornando de Roma passou por Nova York e ouviu falar da grande tragédia; da estranha doença que ela ignorava e sabendo que o prefeito havia solicitado a ajuda do cardeal, prontificou-se a auxiliá-los, informando: “O portador da Aids é um presente que Deus está me dando para melhor amar. Amar a um desses seres é o desafio que me chega de Jesus”. E ela aceitou a administração da Casa sob a condição de que teriam de receber as suas instruções, não aceitaria as imposições americanas e as exigências do setor de saúde, já que não se fazia nada por eles.

Ela foi ver as instalações e propôs as diretrizes que lhe pareceram fundamentais: que tudo fosse muito simples; as camas de ferro, modestas, que não tivessem ar refrigerando para o verão, nem tivesse calefação para o inverno. E começou a por em prática as suas exigências, algumas, aliás, descabidas. Queria um médico, mas o seu trabalho era de amor; era levar essas almas à presença de Jesus, mesmo que se recusassem, preparando-as para a morte. Madre Tereza recebeu a propriedade, e no mês de dezembro de 1983, chegou ao aeroporto Kennedy um grupo de jovens vestidas de branco debruado de azul; eram as noviças. Não tinham bagagem, porque o que possuíam era uma bata, duas peças de roupa íntima, um pedaço de sabão, uma sandália e um mais um sári, a fim de irem a qualquer lugar na hora em que Jesus chamasse.

Um ônibus as aguardava à porta. Quando elas saíram e viram a neve caindo, supuseram que era Deus abençoando o seu ministério, porque nunca haviam visto a neve. Na região em que viviam, na Índia, não nevava. Elas entraram no ônibus, sem saber o que as aguardava. Entre elas, estava Ananda, agora com 19 anos de idade, e viera para ser dirigida por uma irmã de nome Paul, uma inglesa
severa, que iria administrar a Casa dos portadores de Aids. Logo que estavam instaladas, começaram a atender os pacientes. Mas a sociedade local começou a sitiar a Casa, ameaçando as religiosas, alegando que elas estavam trazendo para acolhimento os portadores de Aids. A irmã Paul era enérgica e enfrentou a população, defendendo os seus internados com abnegação e coragem. Elas não conheciam a devassidão reinante no Ocidente. Eram ainda quase inocentes. É verdade que Ananda fora violentada, havia vivido num prostíbulo, mas era inteiramente pura... Ela havia sido explorada, mas não havia vivenciado a corrupção. No atendimento aos enfermos ela se afeiçoou por um jovem negro, portador da Aids, que lhe contou como era sua existência antes da doença. Ele a chamava de Didi: irmãzinha querida e terminou morrendo em seus braços.

O médico pragmático e conhecedor das misérias humanas, procurou explicar-lhes que ali não era a Índia. O trabalho era em favor da saúde e da vida e não da morte. Elas, entretanto, ingenuamente, recusavam em curar os enfermos, mas em proporcionar-lhes uma morte digna, e asseveravam: “A melhor saúde termina na morte; é uma questão de tempo. Desde que vai morrer cada um deve se preparar porque a morte nem sempre manda aviso”. Numa das visitas de Madre Teresa a Nova York, ela descobriu que nas penitenciárias, vários homens condenados à morte eram portadores da Sida. Ela percebeu que estava diante de um grande desafio: socorrer alguns desses condenados, mas encontrou os obstáculos naturais da legislação americana. Resolveu recorrer ao governador, fazendo um apelo pelo indulto de alguns por ocasião do Natal e logrou seu intento. Assim, os homens foram transferidos do corredor da morte para a Casa de Caridade.

A obra era grandiosa e começaram a chegar os medicamentos capazes de tornar menos dolorosa e prolongar a existência. O pior da Aids merece que se diga, é que já existem no mundo mais de 50 milhões de soropositivo, isto sem contar os que ainda não foram diagnosticados e continuam infectados. O mundo ficou estarrecido nos anos 90, quando ministros de saúde de dois paises venderam sangue contaminado, prejudicando centenas de pacientes que deles se utilizaram nos hospitais. Descobertos, foram processados e presos.

Um dos bandidos afeiçoou-se por Ananda e ela esquivou-se. Um dia ele disse-lhe que era rejeitado por ser aidético. Ela lhe respondeu, tranqüila, que não se tratava disso, mas porque era casada com Jesus, e afirmou: “Perco a vida, mas não O trairei”. O bandido criou um ódio covarde e, um dia, quando ela estava atendendo outro paciente, ele aplicou-lhe sangue retirado do próprio corpo que iria contaminá-la. Ela sorriu para ele e reiterou: “Seja feita á vontade do Senhor”, e continuou o seu serviço. Ele morreu pouco depois e ela prosseguiu sua tarefa. No ano de 1988, A China comunista abriu espaço para Madre Teresa. Ela foi convidada a tomar conta de um lar de crianças com deficiências mentais em Beijing, e transferiu da Casa da Caridade, a irmã Paul, que levou Ananda para ajudá-la no socorro às crianças. E assim prosseguiu Ananda na sua existência, até que a morte veio visitá-la. . .
Dominique Lapierre escreveu que o poder do amor muito além do amor é tão
grande, que somente se pode compreendê-lo através de Jesus. Fazendo-se do amor o ponto de apoio, a alavanca da solidariedade mudará o mundo. Quem ama não adoece. Quem ama tem doenças, mas não é doente. A doença é um acidente de percurso na jornada do corpo, que experimenta transformações. “O Sermão da Montanha” é para ser cantado e vivido nos dias de hoje. A doutora Maria Montessori num discurso em 1937 disse: “Quando entendermos a criança e a educarmos á luz do Evangelho, salvo teremos à Humanidade”. Vivemos o momento em que o Evangelho de Jesus deve ser transformado em vivência. Falamos de Jesus, a necessidade de traze-lO para o nosso dia-a-dia, de arranca-lO do mito da cruz, da distância que existe entre nós e Ele – distância que nós mesmos a colocamos.

Que o Divino Amor tome conta de nós, e nos seja possível AMAR, MUITO ALÉM DO AMOR. . .


Bibliografia:
Dominique Lapierre
Divaldo P. Franco
Revista “O Reformador” – maio/2008
Pequenas modificações

Jc.
S.Luis, 30/05/2011

ALBERT SCHWEITZER

ALBERT SCHWEITZER

“Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma”.

Quem disse isso, sabia bem o que estava dizendo. Dentre as grandes personalidades do século XX haverá sempre lugar de destaque para ele: Albert Schweitzer (1875-1965), alguém que nunca perdeu o entusiasmo. Cheio de vontade, foi raro exemplar do homem de múltiplas aptidões – um artista e pensador que conseguia ser também um homem de ação.

Nascido na Alsácia, filho de pastor protestante, doutorou-se em Filosofia e Teologia, destacando-se desde cedo como escritor. Publicou brilhantes estudos sobre a vida e o pensamento de Jesus. Exímio organista era fã ardoroso de Bach (1685-1750), que ajudou a popularizar com notáveis estudos sobre suas técnicas, além de dedicar-se à produção de órgãos adequados à execução de suas composições.

Aos trinta anos de idade poderia considerar-se um homem feliz e realizado, destacando-se como musicista, teólogo e escritor, atividades que lhe eram gratas. Estavam abertos para ele os caminhos da fama e da fortuna. Sentia-se esmagado sob o peso de tamanha felicidade e perguntava a si próprio se tinha direito de receber este dom como coisa natural. O direito à felicidade, eis aqui o problema que em sua existência interior converteu-se em assunto tão importante quanto fora em sua infância á compaixão por todos os sofrimentos que reinavam no mundo. Este sentimento e esta questão determinaram, por suas recíprocas reações, seu conceito de vida e marcaram seu destino.

“Dava-se conta de que não tinha o direito de aceitar como dons gratuitos a felicidade e a juventude, a saúde e a sua faculdade de trabalho. A profunda consciência de seus privilégios fez-lhe compreender cada vez mais claramente estas palavras de Jesus: “Não temos direito de guardar nossa vida para nós mesmos”. Aquele que está coberto de benefícios, na existência, deve repartir, por seu turno, na mesma medida. Aquele que não conhece o sofrimento deve contribuir para minorar o do próximo.Temos todos de assumir uma parcela da dor que existe sobre o mundo”.

Schweitzer poderia divulgar essas idéias para grandes platéias na Europa, com os dons da oratória e das letras, mas isso não lhe bastava. Era preciso sair a campo, ir ao encontro dos sofredores! Era imperioso transformar em prática, em ativismo do Bem, as teorias religiosas de edificação do Reino Divino. A medicina lhe pareceu o campo mais adequado. Assim, sem vacilar, pôs em prática um projeto que acalantava desde a adolescência: formar-se médico. Aos trinta anos de idade retornou aos bancos universitários, matriculando-se na Escola de Medicina de Estrasburgo.

Toda sua família e amigos famosos, como Romain Rolland (1866-1944), escritor
francês, e Charles Marie Widor (1844-1937) compositor e organista francês, seu professor de música, condenaram a idéia. Widor exprimiu, num exemplo, a reprovação de todos, dizendo: “Você procede como o general que vai à linha de fogo com um rifle”. – Mas Schweitzer sabia muito bem o que queria. Inabalável, dedicou-se aos estudos, realizando prodígios de dedicação para conciliá-los com suas atividades. Formou-se em 1913, e tão logo teve condições partiu para a África, já casado com Helène Bresslau, que lhe compartilhava os ideais.

Conseguira acumular recursos em viagens como conferencista e concertista. Seriam eles utilizados na fundação de um hospital para hansenianos, em Lambarene, no Gabão. Ali realizou seu mais caro ideal – servir à Humanidade. E o fez com tanta dedicação e amor, que o mundo festejou , em 1952, o Prêmio Nobel da Paz que lhe foi conferido em reconhecimento ao seu trabalho.

Ao longo da codificação espírita Allan Kardec situa o egoísmo como elemento gerador de todos os males humanos. Ao proclamar a máxima “Fora da Caridade não há salvação”, oferece-nos o roteiro para que o vençamos. Na medida em que nos preocupamos em fazer algo em favor do nosso semelhante, começamos a derrotar o egoísmo. A duras penas vamos aprendendo essa lição. Espíritos como Albert Schweitzer, não necessitam de orientação nesse sentido. Perfeitamente integrados nos objetivos da existência, já nascem com a vocação de trabalhar em favor do próximo. Desconhecendo o egoísmo, mal podem esperar pelo privilégio de servir.

Quando ele desencarnou em 1965, assim foi noticiado pelas agências internacionais: “Após uma lenta agonia, faleceu em Lambarene, no Gabão, o médico, missionário e musicista, Albert Schweitzer, com a idade de 90 anos. Durante mais de meio século, ele serviu ao povo africano como rara e exemplar dedicação. O “grande doutor” expirou ouvindo os acordes da música de Bach, que ele tanto amava e que executava com perfeição”.

O exímio músico, o orador notável, o escritor brilhante, o teólogo erudito, será lembrado para sempre como alguém que alcançou a suprema realização, preconizada por Jesus – a renúncia de si mesmo em favor dos seus irmãos sofredores. Seu corpo enrugado por décadas sob o causticante sol africano; alma sem mácula, sustentada pela luz do Bem. . .

Bibliografia:
Richard Simonetti
Revista “O Reformador” – 09/2007
Pequenas modificações

Jc.
S.Luis, 27/5/2011

O A M A N H Ã

O AMANHÃ

Muitas vezes, em cada dia, semana e mês, repetimos a palavra “amanhã”. Costumamos dizer “amanhã” para o vizinho que nos pede cooperação para um problema particular. Às vezes, também dizemos “amanhã”, para um amigo ou parente, que nos pede algo, usando essa palavra para nos livrar de um compromisso. Sempre que nos surge a dificuldade, pedindo um maior esforço na solução, apelamos para o “amanhã”. Sem dúvida, o “amanhã” constitui luminosa esperança, como a renovação do Sol no horizonte, mas também representa a nossa recusa em fazer o serviço que nos compete realizar. É da lei que a “conta durma como o devedor”, acordando com ele no dia seguinte.

No instituto da reencarnação, transportamos conosco, onde quer que estejamos, as oportunidades do presente e os débitos do passado. É assim que os ricos de hoje, vivendo na avareza e no egoísmo, voltarão amanhã no martírio dos pobres, para conhecerem, de perto, o infortúnio e as duras lições da necessidade; e, os pobres, cheios de inveja e ódio, retornarão na condição dos ricos, a fim de saberem quanto custam a tentação e a responsabilidade de possuir fortuna e títulos distintos do mundo, quais sejam de magistrados, médicos, etc., quando menosprezam as concessões com que Deus lhes premia o campo da inteligência, delas fazendo instrumentos de escárnio às lutas e dificuldades do próximo; estes ressurgirão no banco dos réus e no leito dos nosocômios, de modo a experimentar os problemas e as angústias do sofredor.

Filhos indiferentes e ingratos retornarão como servos apagados e humildes no lar que não participaram; pais insensatos e desumanos regressarão no ambiente familiar, recolhendo dos descendentes, os frutos amargos do vício e da criminalidade, que cultivaram com o proceder; mulheres enobrecidas que fogem ao ministério doméstico, e por vezes, provocando o aborto delituoso pela fome de prazer, reaparecerão enfermas e estéreis, tanto quanto homens robustos, que envilecem a existência no abuso das dádivas da natureza, ressurgirão no mundo, carregando no próprio corpo o desequilíbrio e a moléstia que adquiriram.

Nunca devemos esquecer, portanto, de que o bem é o crédito infalível no livro da eternidade, e recordar que o “depois” será sempre a resultante do “agora”, do “hoje”. Todo instante é recurso de começar pela execução do “hoje” sem que seja preciso o “depois”. Toda hora e todo dia é tempo de renovar o nosso destino para melhor. Não devemos, pois, deixar para “amanhã” o bem que possamos fazer. . . Façamos hoje.

Como o passado, o presente e o futuro; o ontem, o hoje e o amanhã, significam o mesmo tempo, existe, porém, uma diferença com relação ao “amanhã”, que se analisarmos bem, nunca chega e permanece sempre no futuro. Vejamos então, o que acabo de dizer:

Podemos definir o passado ou o ontem, citando uma data que já passou. Exemplo:
13 de janeiro de 2011 ou sábado passado, dia 21/05/2011.

Podemos definir o presente ou o hoje, citando um fato ocorrido ou que vai acontecer ainda neste dia. Exemplo:

Eu acordei e vou tomar ( hoje), chá em vez de café. (quarta-feira ou 25/5/2011)

Podemos também definir o futuro ao dizer que vamos ao cinema no sábado (28/5/2011), mas não podemos dizer que vamos ao cinema “amanhã”, porque o “amanhã” estará sempre no futuro. Exemplo:

O relógio do tempo ao indicar meia-noite, o dia que findou saiu do presente (hoje) para o passado (ontem), logo que o relógio acuse o primeiro segundo após a meia-noite; o que era o “amanhã” (futuro) passou para hoje (presente), ficando o “amanhã” como sendo o dia seguinte, permanentemente no futuro.

Assim, quando dizemos “amanhã” esse dia nunca chegará, porquanto o “amanhã” estará sempre se perpetuando no tempo.

Diga então, no dia 28 deste mês, ou no sábado desta semana, ou no sábado da semana seguinte (4/06/2011), ou em outra data, ou outra semana qualquer, para determinar o dia que vai ao cinema.


Bibliografia:
Livro “Religião dos Espíritos”
+ acréscimos e pequenas modificações.

Jc. - S.Luis, 25/5/2011