quinta-feira, 15 de agosto de 2013

MISCELÂNEA CULTURAL





 
                       MISCELÂNEA   CULTURAL

                          

                                                        

    SIMEÃO  E  O  MENINO

 

Dizem que o velho Simeão, homem justo e temente a Deus, mencionado no Evangelho de Lucas, após saudar Jesus criança, no templo de Jerusalém, conservou-o nos braços acolhedores, enquanto Maria e José se mantinham a distância, e dirigiu-lhe a palavra, com discreta emoção: - “Celeste Menino, por que preferiste a palha humilde da Manjedoura?  Já que vens representar os interesses do Eterno Senhor do Universo, como não vestiste a púrpura imperial? Como não nasceste ao lado de Augusto César, para defender o flagelado povo de Israel?  Longe dos senhores romanos, como advogarás a causa dos humildes e dos justos?  Por que não vieste em igualdade com os que vestem a toga dos magistrados? Então poderias ombrear com os patrícios ilustres, atendendo-nos à libertação... Por que não chegaste, como Moisés, valendo-se do prestígio da casa do faraó?  Quem te preparará, Embaixador do Eterno, para o ministério santo?  Que será de ti, sem lugar no Sinédrio?  David mobilizou a inteligência contra os filisteus, Salomão, prestigiado por casamento de significativa política, viveu para administrar o povo e os bens dos judeus... Mas tu? Não te ligaste aos príncipes, nem aos juízes, nem aos sacerdotes... Não encontraste outro lugar, além do estábulo singelo?...”

 

Jesus menino, escutou-o, mostrando-lhe sublime sorriso, mas o ancião, tomado de angústia, contemplou-o, mas detidamente, e continuou: “Onde representarás os interesses do Supremo Senhor?  Sentar-te-ás entre os poderosos?  Escreveras novos livros de sabedoria?  Improvisarás discursos que obscureçam os oradores de Atenas e Roma? Amontoarás dinheiro suficiente para os necessitados?  Erguerás novo templo de pedra, onde o rico e o pobre aprendam a ser irmãos e filhos do mesmo Deus?”

 

Depois de breve intervalo, indagou em lágrimas: “Dize-me ó Divina Criança, onde representarás os interesses de nosso Supremo Pai?” – O menino ergueu então a pequenina destra e bateu muitas vezes, naquele peito envelhecido, que já se inclinava para o sepulcro... Nesse instante, Maria aproximou-se e o recolheu nos braços maternos, ficando o ancião com as suas indagações. Somente após a morte do corpo, o Espírito de Simeão veio saber que o Menino Celeste não o deixara sem resposta. No gesto silencioso com a destra, Jesus quisera dizer que não vinha representar os interesses do Céu nas organizações efêmeras da Terra. Vinha da Casa do Pai, justamente para representá-Lo no coração das pessoas...

 

(Mensagem recebida do Irmão X, constante do livro “Antologia Mediúnica”.

             

 

 

 EVITE QUE O SEU FILHO/A, SE  TORNE UM/UMA  MARGINAL

 

1-  Na infância, não deixe o seu filho/filha fazer tudo o que quiser;

 

2-  Não lhe dê presentes bélicos (armas, instrumentos de guerra, etc.) para que ele/ela não se torne um ser agressivo:      

             

 

3-  Quando ele/ela disser nomes feios (palavrões) não ache graça, repreendo-o/a e ensine-lhe a fala com respeito aos mais idosos;

 

4-  Não lhe dê bebidas alcoólicas sob qualquer pretexto. Se beber, no futuro,  será  um/uma  doente com a mente perturbada, tornando-se  beberrão;

 

5-  Não  permita  que  fume,  mesmo de   brincadeira. O  tabagismo  é  o  pior  inimigo  da   saúde;  causando bronquites, úlceras, infarto e o câncer em vários órgãos;

 

6-  Não permita nem estimule, maltratar crianças, animais ou matar pássaros, pois  todo  mal feito retornará em forma de sofrimentos;

 

7-  Não lhe dê todo o dinheiro que pedir. Arranje alguma coisa  para ele/ela fazer, a fim de  que  se  sinta útil e aprenda a ganhar seu próprio dinheiro;

 

 8-  Não se torne uma escrava do seu filho/filha. Ensine-o a cuidar de si mesmo, para  que eles não venham a jogar a sua responsabilidade, sobre os outros;

 

 9-  Não  satisfaça  todos  os  seus  desejos.  Negar alguma  coisa  ou  lhe privar de algo,  de vez  em quando será  mais  benéfico  que  prejudicial.  Assim  ele/ela  crescerá,  sabendo  que  o  mundo não tem obrigação de lhe dar, tudo que desejar;

 

10-  Não   discuta   com  freqüência,  na   presença   do  seu   filho/filha,   para  que  ele/ela   se  sinta seguro  no  lar  e  não absorva  os  problemas  do  casal;

 

 11-  Não  tome  partido  a  seu   favor,  contra  visinhos,  colegas,  professores  e   outros,  sem  antes se inteirar dos fatos  e  saber  se  ele/ela  realmente  tem  razão;

 

 12-  Ensine-o/a  a  falar  sempre a  verdade,  para que não  venha a  sofrer  decepções  e  o  desprezo das pessoas  ao descobrirem sua mentira;

 

 13-  Procure lhe dar  orientação religiosa.  Ensine-o a orar,  agradecendo ao Pai  Celestial,  a dádiva da existência. A pessoa  religiosa,  não  se  guia  por instintos,  mas,  por sentimentos;

 

 14-  O seu filho/filha  é o  seu  maior tesouro.  Se você não  prepará-lo  para  ser  social  no mundo, Ele  vai  sofrer,  e  não  venha depois  com a desculpa: “Nunca consegui dominá-lo”;

  

 15-  Prepare-se  então,  para  uma  vida  de  desgostos  e  sofrimentos. O  que  você  não  cuidou  e semeou,  você  colherá,  e  o  seu  filho/filha,  depois lhe  acusará;

        

16-  Lembrem-se pais: Criança sempre está imitando  o  que  ouve  e  vê,  ao  seu  redor;  portanto muito cuidado no falar e no agir;

         

 17-  Finalmente,  filho/filha  não  se  educa  apenas  com  palavras e castigos... mas,  principalmente com  exemplos, e exemplos  dignificantes.

 

                   O Trabalho, a Caridade e a Oração nos aproximam de DEUS.

     

 Jc. 13/3/1995

 

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    É  TEMPO  DE  MUDAR

 

 Questiona-se o que mais intriga os seres humanos...

 

SE.. eles se fartam de serem crianças e tem pressa em crescer;

SE.. depois de adultos, suspiram por voltar à vida de criança...

SE...perdem a saúde para conseguir o dinheiro; SE...perdem o dinheiro para recuperar a saúde...

SE...pensam tanto no futuro que deixam de viver o presente;

SE...passam pela existência sem deixar nenhum vestígio de sua   passagem...

SE...vivem como se não fossem morrer;

E...  morrem, como se não tivessem vivido...

 

Pare e reflita: Você ainda pode acertar sua existência. Todos os dias, quando você acorda, recebe o mais belo de todos os presentes que DEUS lhe dá: A DÁDIVA DA EXISTÊNCIA. Administre e faça com que ela seja voltada para realizações positivas e que realmente valha a pena ser vivida...

 

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   ATITUDE MENTAL NA VIDA DIÁRIA

 

 O professor José Herculano Pires, elaborou um interessante roteiro para que nos conduzamos, no dia-a-dia, de uma forma equilibrada:

 

1- Ao acordar,  diga  a  si  mesmo:  Deus está me  concedendo  mais  um  dia  de   experiências e aprendizado. Vou aproveitá-lo  É fazendo que se aprende.  (Repita  várias  vezes  ao  dia).

 

2- Ligue-se  a  pensamentos  positivos  e  alegres.  Repila  as   más   idéias.  Compreenda que você  nasceu  para ser bom e normal.  As  más  idéias  e  más  tendências  existem  para você vencê-las e não para se entregar.

 

3-  Mude a sua maneira de encarar os  semelhantes. Na essência  somos  todos iguais  Se alguém está irritado,  não entre  em sua  irritação. Trate-o com bondade e  ajude-o que também será ajudado.

 

4-  Vigie seus sentimentos,  pensamentos,  palavras e atos nas relações com os outros. O que damos recebemos de volta.

 

5-  Não se  considere  vítima. Você pode estar sendo o algoz  sem  perceber.  Pense nisso constantemente  para melhorar suas relações com os outros.  Viver é permutar e o que você troca com os outros?

 

6-  Ao  sentir-se  abatido,  não  entre  nesse  astral  de  “coitadinho”.  É difícil sair dele. Porém, lembre-se de que seus males são passageiros, mas se você os alimentar eles continuarão a durar.

 

7-  Freqüente a  instituição  religiosa com que se simpatiza.  Não fique pulando de galho em galho. Quem não tem constância nada consegue.

 

8-  Se  você  ouve  vozes,  tem visões,  sente arrepios,  não  se  assuste  com  esses  efeitos físicos.   É  provável  que  sua   mediunidade  esteja   aflorando.  Leia  diariamente,  de manhã ou ao anoitecer,  um  trecho de  “O  Evangelho  Segundo  o  Espiritismo”, para neutralizar as influências, meditando sobre o que leu. Se não resolver procure á Casa Espírita.

 

9-  Reformule  o  conceito  de  si  mesmo.  Você  não é  um  pobrezinho  abandonado no  mundo.  Os  próprios  vermes  são   protegidos  por  leis  naturais.  Estabeleça pouco  a  pouco  o  controle  sobre  si  mesmo,   com   paciência  e  confiança.  Você depende  de  sua  mente e também dos outros. Mantenha-a arejada.

 

10 Você  é um  filho de Deus,  colaborador da Sua  obra  e  herdeiro de suas atitudes.

                                                

                                                  

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           CANÇÃO  DA  ALEGRIA  CRISTà  

                                                     

                                  Letra de Leopoldo Machado

                                  Música Oli de Castro  

                                                                                            

      Somos companheiros, amigos, irmãos,                        

      Que vivem alegres pensando no bem,

      A nossa alegria é de bons cristãos!

      Não ofende a Jesus nem fere a ninguém...

 

      A nossa alegria, a nossa alegria,

      É bem do Evangelho, é bem do Evangelho,

      Vibra e contagia, vibra e contagia,

      Da criança ao velho, da criança ao velho,

        

      Mesmo entre perigos, mesmo entre perigos,

      Daremos as mãos, daremos as mãos,

      Como bons amigos, como bons amigos,

      Como bons Cristãos!

 

      Sempre ombro a ombro, sempre lado a lado,

      Vamos trabalhar com muita alegria,

      Pelo Espiritismo mais cristianizado,

      Pela implantação da Paz e da Harmonia!

                              

                              - º -

     A nossa alegria, a nossa alegria,

     É bem do Evangelho, é bem do Evangelho,

     Vibra e contagia, vibra e contagia,

     Da criança ao velho, da criança ao velho,

        

     Mesmo entre perigos, mesmo entre perigos,

     Daremos as mãos, daremos as mãos,

     Como bons amigos, como bons amigos,

        

     COMO BONS CRISTÃOS!

 

Obs. Esta canção foi apresentada no 1º Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, ocorrido no Rio de Janeiro, no período de 18 a 25 de julho de 1948.

                     

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   PENSAMENTOS  PARA  VIVER  BEM

 

 1- “...quando sozinho, vigiemos nossos pensamentos; quando em família, nosso gênio;

      na sociedade, nossa língua”;

 

 2- “...adote o hábito de dizer algo amável  ao  pronunciar as  primeira  palavras  pela

      manhã. Isso estabelecerá sua disposição mental e emocional para todo o dia;

 

 3-  “...a existência é curta demais; e temos muita coisa útil a realizar; portanto não se

      preocupe em responder na altura a todas as coisas desagradáveis que ouvir...”;

 

 4- “...não são os anos que nos envelhecem; mas sim,  a idéia  de  ficarmos  velhos.  Há

      pessoas que são jovens  aos oitenta anos e, outras que são velhas aos trinta...”;

 

 5-  “...sorria sempre, para não dar aos que te odeiam, o prazer de te ver triste; e para

      dar aos que te amam, a impressão de que és muito feliz...”;

 

 6- “...pequeno é aquele que odeia os grandes; grande é aquele que ama os pequenos...”;

 

 7- “...com licença, por  favor,  desculpe,  muito  obrigado,  são  palavras  de  valor,  de

      todo aquele que é civilizado...”;

 

 8- “...podemos e devemos ajudar uns aos outros em ocasiões especiais; mas, no fim das

      contas, cada um deve aprender a fazer o seu trabalho...”

 

 9- “...de nada vale tentar ajudar aqueles que não se ajudam a si mesmos...”;

 

10-“...ajuda  teu  semelhante a levantar sua  carga;  porém,  como  disse  Jesus,  não  a

        carregá-la...”;

 

11 “...o ser humano que se decide a parar até que as coisas melhorem, verificará depois

       que, aquele que não  parou e  colaborou  com o  tempo, está  tão  adiantado  que

       não poderá ser alcançado...”;

 

12- “...seja qual for o seu problema, não desista de lutar.  Confie em Deus  e  não  tema,

       que você vai logo melhorar...”;

 

13-  “...uma grama de exemplos, vale mais que uma tonelada de conselhos...”;

 

14-  “...é muito bom ser importante; mas é muito mais importante ser bom...”;

 

15- “...o trabalho afaste de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade...”;

 

16- ‘...creio no Deus que fez os seres humanos...  não no deus que os homens fizeram...”;

 

17- “...não vos inquieteis... Buscai, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus, e todas as

       outras coisas vos serão acrescentadas...”.

 

Coletâneas do livro “Otimismo em Gotas”.

 

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   ESPÍRITAS E POLÍTICA

 

Observamos na atualidade várias religiões transformando suas Igrejas em bases agitadas de movimentos políticos. Por isso é comum ás indagações sobre qual a posição da Doutrina dos Espíritos e do espírita, diante da política, em relação às eleições que se realizam de tempos em tempos.

 

A resposta lógica só pode ser com base nas nossas convicções, no Evangelho e nas obras espíritas, clareando e objetivando-nos o assunto. O primeiro ponto a se apoiar o espírita é o próprio Jesus, que se colocou à margem das preocupações políticas do mundo, por considerá-las incompatíveis com a sua missão espiritual. Ele não se juntou com os dominadores, e nem usou uma só palavra em atitude que se comprometesse com a política. Perguntado sobre a legitimidade do pagamento do imposto a Roma, Jesus nitidamente separou para sempre os assuntos de Deus e os interesses do Estado, ao dizer: “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Com Jesus, ficou comprovado que a sua mensagem jamais se dirigiu a reforma das instituições sociais e políticas, mas à transformação  íntima do ser humano.

 

O problema por enquanto, ainda não é o de se espalharem os espíritas pelos arraiais políticos, mas a simples e básica necessidade de levar, a cada pessoa, através de exemplos e ensinos, os conhecimentos evangélicos para que as pessoas transformem a si mesmas, para o bem. Entretanto, os espíritas podem colaborar na política, cumprindo o seu dever de cidadão. A vista disso, relembramos a advertência de André Luis, via Chico Xavier, no livro “Conduta Espírita”, quando diz: “O espírita deve cumprir os deveres de cidadão, quando chamado para desempenhar alguma função pública, ou de eleitor, escolhendo os candidatos aos postos executivos e legislativos, segundo a orientação da própria consciência...”

 

     

Bibliografia:

“Goiás Espírita”

Francisco Junior e Fábio Oliveira

 

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   CASAMENTO  NO  ESPIRITISMO

 

“A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da sociedade civilizada.”  (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.22, item 4 ´Edição da FEB.

 

Uma questão que há muito tempo preocupa os jovens, na Doutrina Espírita, é o casamento com pessoas adeptas de outras religiões, especialmente aquelas que, em seus dogmas, mantêm o casamento religioso como o único válido aos olhos de Deus. Ainda bem que tal exigência é de ordem puramente dogmática, por conseguinte humana.

 

Na verdade, o casamento é um ato de ordem civil. É a lei civil que o abona e lhe dá consistência legal, salvo nos países onde a lei civil ainda está subordinada à religião. Não é o caso do Brasil que é um país laico, em que cada cidadão é democraticamente livre para seguir este ou aquele seguimento religioso, e o Espiritismo acata-lhe o sistema. Segundo a lei civil no Brasil, o casamento é a união de um homem e uma mulher, obedecidas as formalidades legais, para a constituição de uma família legítima.

 

A dúvida está no fato de um casal de jovens namorados, constituído de uma pessoa espírita e outra pessoa que pertencente á denominação religiosa diferente, amarem-se e não saberem como proceder, em face do casamento. O ponto de vista espírita é o seguinte: 1º- No Espiritismo não existe casamento religioso, por uma questão de princípio – respeitar a lei civil, reconhecendo que a legalização do casamento é competência do Estado; e 2º- O casal interessado tem de estar consciente quanto a real função do casamento, e quanto ao respeito mútuo que deve prevalecer entre ambos, uma vez que já ficaram sabendo, durante o namoro, o sentimento religioso de cada um. Assim sendo, a nenhum dos dois cabe direito a exigir ou pretender a conversão do outro. E sendo a legalização do casamento de inteira competência do Estado, tal ato, naturalmente deve ser cumprido perante um magistrado, cumprindo a ambos, esposo e esposa, respeitar o sentimento religioso do outro.

 

Poderá algum dia, ocorrer á conversão de um à religião do outro, mas terá que ser um gesto espontâneo e nunca forçado. Mas, se cada um permanecer fiel à fé que tem, jamais deverá ser permitido que isso seja um empecilho à felicidade de ambos e da família. Ambos são adultos e têm competência para compreender que a fé de cada um, é uma questão de foro íntimo, não devendo ser violentada, em hipótese alguma, para que não venha a se instalar a desagregação. E mais, devem possuir maturidade espiritual suficiente para entenderem que o fundamento maior, no casamento é o amor. E é justamente nesse fundamento que repousa a lei natural ou divina em que Jesus se apoiou para estabelecer, em seu Evangelho, segundo Mateus (19:6) “o que Deus ajuntou não o separe o homem”; não o compromisso, mas o Amor. O Mestre Amado sintetizou nas seguintes palavras, o grande mandamento da lei: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  (Mateus 22:37 a 39).

 

 

Bibliografia:

Inaldo Lacerda Lima

 

Jc.

S.Luís,15/4/1998

 

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  O  HOMEM  E  SUAS  CONQUISTAS

 

O homem que rasga as entranhas da terra em busca do minério oculto em seu seio; que desce às profundezas oceânicas explorando seus abismos mais recônditos;

 

Que sulca os ares, elevando-se às alturas em vôos mais ousados e destemidos que os do condor e da águia;

 

Que penetra o mundo do infinitamente pequeno e do infinitamente grande – o microcosmo e o macrocosmo – devassando suas íntimas e secretas maravilhas;

 

Que doma e submete as feras, desbravando sertões e selvas densas;

 

Que afronta os elementos em fúria, lutando com os temporais, com os terremotos, com as lavas incandescentes que as crateras vulcânicas vomitam aos borbotões;

 

Que porfia com a peste, que vence as endemias mais radicadas, saneando regiões onde  elas reinavam infrenes;

 

Que se utiliza, em suas cidades e em seus lares, da eletricidade, esse fluido imponderável, incoercível, desconhecido e misterioso capaz de fulminar num dado momento aquele que atinge;

 

Que apanha o raio no ar e o conduz por um fio, neutralizando seu poder de destruição;

 

Que apagou as distâncias, unindo os continentes através dos mares e espaço, pondo em contato cotidiano raças, nações e povos do Norte e do Sul, do Oriente e do Ocidente, do Velho e do Novo Mundo;

 

Que pisou as inóspitas regiões polares onde nenhum sinal de vida se encontra;

 

Que realizou praticamente quase todas as fantasias e sonhos de Julio Verne; que já ergueu a ponta do véu que separa os dois planos - da matéria e do Espírito – perscrutando os arcanos celestes;

 

O homem que de todas essas façanhas se vangloria, que de todas essas proezas e feitos  se orgulha, ignora ainda os segredos de sua mente e os mistérios de seu coração!

 

O homem que enfrenta o inimigo em campo raso, a peito descoberto, no meio da fuzilaria cerrada; que não recua diante das metralhadoras, canhões e dos petardos, não é capaz de suportar uma pequena ofensa, de ânimo sereno e coração tranquilo! Não é capaz de desarmar o agressor, transformando as agressividades em carícias!

 

O homem que é capaz de destruir cidades seculares em algumas horas; que é capaz de ceifar campos e searas em poucos momentos; que é capaz de dizimar multidões, estendendo o negro véu da orfandade sobre milhares de crianças, é incapaz de vencer vícios vulgares, rasteiros como os do jogo, do álcool, dos entorpecentes, do tabaco, etc!

 

O homem que sabe línguas, ciências, filosofias, política e artes várias, não sabe ser bom,  justo, tolerante e fraterno; não sabe tampouco, resolver os problemas da pobreza, da enfermidade e da dor!

 

Finalmente, o homem que tanto tem conquistado e tanto tem conseguido ainda não se conquistou a si mesmo, ainda não conseguiu domar e vencer suas próprias inferioridades e paixões!...

 

                                                                                                             Vinicius

 

Bibliografia:

Livro “Em torno do Mestre”

 

 

 

     E  U

 

 

Sou herdeiro do Senhor,

Sou irmão de Jesus.

Sou espírita, com Fé e Amor,

A caminho da Paz e da Luz!

 

Jc.

9/6/2004

 

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Jc.

S. Luís, 20/5/2010

Revisado em 15/8/2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

A FÉ CONSISTENTE






Se não dermos consistência à virtude da Fé, não teremos entusiasmo e coragem para levar avante, no campo material ou espiritual, tarefas e obrigações, deveres e responsabilidades, na execução segura de nosso programa de crescimento com e para Deus. O Evangelho, repositório sublime de eternas verdades, está repleto de exemplos de fé consistente, nos quais revela a pessoa da “Fé na própria fé”. Há também no Evangelho, exemplos de fé vacilante, fruto da imaturidade espiritual.

No pensamento da mulher, que sofria havia doze anos, um fluxo sanguíneo: “Se eu apenas lhe tocar as vestes (de Jesus), ficarei curada”, há prova de muita fé, de fé legítima. Quando desceram um paralítico pelo telhado, para que Jesus o curasse, quatro homens demonstraram a fé legítima. E o Senhor, vendo-lhes a fé, disse ao doente: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. O cego de Jericó, insistindo em altos brados: “Filho de David, tem misericórdia de mim”, acreditava na própria fé. Nas palavras de Jesus: “Vai, a tua fé te salvou”, o fato é acentuado; isto é: o valor da fé é confirmado. A expressão; “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” dita com humildade por um leproso, diante de Jesus, constitui afirmação de “fé na fé”, de fé consistente. Na passagem em que dez leprosos suplicam a Jesus e foram curados, apenas o que voltou à sua presença, tinha fé legítima, e agradeceu. Jesus então lhe diz: “Vai, a tua fé te salvou”.

Porém, o exemplo de maior fé consistente, está narrado por Mateus, cap.8 vs. 5 a 13, que diz o seguinte: “Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, chegou-se a Ele, um centurião (comandante de cem soldados) e rogou-lhe: “Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico, padecendo horrivelmente”. - Disse lhe Jesus: “Eu irei curá-lo”- Mas o centurião respondeu: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas dize somente uma palavra e o meu criado há de sarar, porque também sou homem sujeito à autoridade e tenho soldados às minhas ordens, e digo a um; vai ali, e ele vai; a outro vem cá, e ele vem; e ao servo, faze isto, e ele o faz”. Jesus ouvindo isto admirou-se e disse aos que o acompanhavam:  “Em verdade vos afirmo que nem em Israel (entre meus irmãos) encontrei tamanha fé”. Então disse Jesus ao centurião: “Vai-te, e como creste, assim te será feito”. E naquele mesmo momento, sarou o criado.

Qual é o médico que, sem ver o doente, sem o examinar, sem fazer exames, sem inquirir ao doente, ou da pessoa que o assiste, pode dizer categoricamente: Eu irei curá-lo? – Sabemos que os médicos podem dizer, ao serem chamados para atender a um doente: - Eu irei vê-lo e tratá-lo; porém dizer “Eu irei curá-lo”, nunca, porque não sabem o estado do doente. Somente um Espírito Superior, com as qualidades de Jesus, poderia dizer e fazer curas a distância sem ver o paciente. O Evangelho registra também, como dissemos, casos de  “falta de fé na própria fé”, caracterizada na atitude vacilante.

Estando Jesus a pregar, um homem se aproximou dele, lançou-se de joelho aos seus pés, e lhe disse: “Senhor, tem piedade de meu filho, que está lunático e sofre muito, porque ele cai ora no fogo ora na água. Eu o apresentei aos vossos apóstolos, mas eles não puderam curá-lo”. E Jesus lhe respondeu, dizendo: “Trazei-me aqui essa criança”. E Jesus tendo ameaçado o espírito malvado, ele saiu da criança, que foi curada no mesmo instante. Então seus apóstolos vieram ter com Jesus em particular e lhe disseram: “Por que não pudemos, nós outros  expulsar esse demônio?” – Jesus lhes respondeu: “É por causa da vossa incredulidade; porque eu vos digo em verdade: se tivésseis fé como um grão de mostarda ( uma das menores sementes) , diríeis a esta montanha: Transporta-te daqui para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível”.

Quando os discípulos, apavorados na barca, em pleno mar, acordaram Jesus, clamando: “Senhor, nos salva”. Demonstraram a fé vacilante, incerta, sem convicção, em fase embrionária, designada por Jesus como “pequena fé”. Noutra passagem, também no mar, encontramos adequada lição sobre a fé. Fitando Jesus, que andava sobre o mar, em tarde açoitada por ventania, pede Simão Pedro: “Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas”. E Jesus incontinenti diz: “Vem”. Pedro descendo do barco andou sobre as águas, e aproximou-se do Mestre. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e, começando a submergir, gritou: “Me salve Senhor!” E prontamente Jesus, estendendo-lhe a mão, lhe disse: “Homem de pouca fé, por que duvidastes?”

Quando Pedro falou a Jesus: “Ainda que todos se escandalizem, eu não”, não possuía a fé vigorosa, consistente, que viria a revelar mais tarde. Jesus, reconhecendo o idealismo do velho pescador, identifica-lhe na alma sincera, a “pequena fé”, e avisa-o: “Em verdade te digo, que nesta mesma noite, antes que o galo cante, me hás de negar por três vezes”, o que efetivamente aconteceu, quando Jesus foi preso.

A fé consistente é o maior tesouro da alma. A fé é a luz que ilumina os nossos destinos. Ela não se compra nos templos, nem nos mercados, não se adquire por herança, nem se dá por esmola; porque a fé não se adquire sem estudo, sem trabalho, sem o livre exame, sem convicção e sem o exercício do livre-arbítrio. A Esperança brilha como um astro no espaço infinito; a Caridade aquece, ilumina e ampara como o sol, mas a Fé só se obtém pelo conhecimento e cumprimento dos mais sagrados deveres. A respeito, disse Allan Kardec: “Fé verdadeira é a que pode encarar a razão face a face, em qualquer época da Humanidade”. É essa fé racional que a Doutrina dos Espíritos prega e proporciona para todas as pessoas.

A Fé é definida nos dicionários como Primeira Virtude; crença religiosa, convicção, confiança, certeza adquirida. A confiança nas próprias forças nos torna capaz de executar coisas que não se poderia fazer, quando duvidamos. Noutra concepção, a fé se diz da confiança que se tem, no cumprimento de uma ação; da certeza de se atingir um fim. A fé, não se prescreve nem se impõe; porém, não há ninguém que esteja privado dela. A fé precisa de uma base que é a inteligências ou o conhecimento perfeito daquilo em que se deve crer; e para crer, não basta ver, é preciso também entender, compreender e comprovar.

Até então, a fé só era compreendida sob o aspecto religioso; na crença dos dogmas particulares das diferentes religiões, pois todas as religiões têm os seus artigos de fé. Nesse aspecto, a fé pode ser cega ou raciocinada. A fé cega, não examina nada, aceita o falso como verdadeiro, e se choca, a cada passo contra os fatos, a razão e a ciência; levada ao excesso produz o fanatismo. Quando a fé está sobre o erro, ela mais cedo ou mais tarde, se desfaz se destrói; enquanto que, a fé verdadeira tem por base a verdade; é a única imbatível, consistente, porque não tem nada a temer do progresso das luzes, porque o que é verdadeiro na obscuridade, o é igualmente em plena luz.

Jesus que realizou curas milagrosas mostrou o que pode o ser humano fazer, quando tem fé consistente, isto é, quando existe a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode realizar. Não é isso o que acontece a todo instante e em todos os dias de nossa existência? Precisamos ter fé em Deus, na Sua misericórdia, na Sua bondade e também na Sua justiça. Não precisamos da fé nas nossas orações e súplicas, para que elas possam nos beneficiar? Não precisamos da fé nos nossos atos diários e nos nossos empreendimentos? Quem é que vai se submeter a uma operação ou a um concurso, que não apele para a fé, que vai se sair bem? Quem é que faz uma viagem aérea e não acredita que chegará a seu destino? – A fé, faz parte do nosso dia a dia, e por isso ela é a Virtude Primeira.  

A fé pode ser humana ou divina, segundo apliquemos nossas faculdades; às necessidades terrenas ou às aspirações espirituais. O ser humano para realizar alguma atividade e triunfar, precisa ter fé para lhe aumentar as possibilidades. A pessoa de bem, crendo em seu futuro melhor, pratica nobres e belas ações, na certeza da felicidade que o espera. Nós, crentes, cristãos, evangélicos, espíritas, temos fé na vitória do bem, mais cedo ou mais tarde, porque cremos que esse é o determinismo divino. Esperamos e confiamos, na luta, na alegria e no sofrimento, sem desesperar, porque sabemos que nenhuma das ovelhas confiadas pelo Pai a Jesus, se perderá.

Observamos os desajustes humanos com tristeza, mas a fé consciente e consistente na Divina Providência, nos faz continuar trabalhando, servindo e amando, na esperança de dias melhores para a Terra, pois sabemos que no leme da nau, que é o mundo, está Jesus, o Mestre Comandante, nos convidando à Fé imbatível, inabalável, consistente, que remove montanhas...

Existem muitas pessoas sem fé que, quando falam de religião costumam dizer: Deus é um assunto muito sério e complexo e como não tenho tempo para analisar, aceito tudo e não reprovo nada, e assim, quando morrer e chegar à porta do Céu; se Pedro me perguntar se fui religioso na Terra, responderei que sim. Se ele me disser que a fé legítima é a da Igreja Católica, eu responderei que comungava, confessava e assistia a missa. Se ele me disser que a fé está no Protestantismo, eu lhe direi que assistia o culto, pagava o dízimo e sempre lia a Bíblia. Se ele me disser que a fé ardente é a da  Umbanda, eu direi que acendia a minha vela, assistia cerimônias e homenageava os “pretos velhos”. Porém, se ele me disser que a verdadeira e consistente fé está na Doutrina dos Espíritos, ainda uma vez mais, eu direi: Freqüentava os Centros Espíritas, ouvia as palestras, tomava os passes e bebia a água fluidificada... Outras pessoas acham que não precisam de nada mais a não ser freqüentar alguma religião, sem maiores compromissos, que já estão aptas a irem para o paraíso.

Muitas pessoas, iguais a essas, na realidade não são religiosos e nem possuem a fé consistente pregada por Jesus. São elas apenas caçadoras de interesses pessoais e vantagens celestiais. Também não estão com essas atitudes, enganando a ninguém a não serem elas mesmas, pois ao desencarnarem, esperançosas de um lugar no céu vão se defrontar com a ilusão que criaram para si. É por isso que muitos espíritos que desencarnam na Terra, acalentando ocupar um Céu fabricado e comprado, sem valores morais ou merecimento, retornam desiludidos e decepcionados à atmosfera terrena influenciando os seus parentes e amigos.

Por que não lhes apareceu nenhum guia e esses espíritos não puderam prosseguir para frente e para o alto?  Será que o Caminho ensinado por Jesus não existe? – O caminho, e a ascensão espiritual sempre existiram ligando os dois planos de vida. O problema é que o aparente “crente” sem fé e também sem obras, mudando de rumo e de crença constantemente, de conformidade com seus interesses e conveniências, fingindo professar ao mesmo tempo uma ou várias religiões, não se preocupou em atender as recomendações de caridade e amor ao próximo, preocupado exclusivamente em garantir a sua entrada no Céu.

Se tivesse cumprido as Leis de Deus de caridade e amor ao próximo, por meio da palavra amiga, do gesto fraterno, da oração benéfica do auxílio material aos necessitados, certamente que teria merecimento e seria amparado na sua chegada à Espiritualidade. Faltou-lhe o exercício da fé acompanhada da caridade e do amor desinteressado ao seu semelhante. Não é pulando de galho em galho, igual a um religioso sem fé, que vai garantir melhorar sua situação, quando passar para o outro lado da vida.

A fé deve ser sempre acompanhada da esperança e da caridade. Por isso Jesus sempre que beneficiava uma pessoa, se servia destas palavras: “A tua fé te curou” ou “A tua fé te salvou”. Porém, das três virtudes, A Caridade é a que mais depressa nos leva a evolução. Por isso o discípulo Paulo, afirmou: “Se eu tiver fé do tamanho de uma montanha, falar a língua dos anjos, mas se eu não tiver a Caridade, eu nada tenho”. Conta-se até uma pequena fábula de dois viajantes que seguiam uma estrada que levava ao destino de ambos. Devido a intensas chuvas, o riacho que deveriam atravessar estava muito forte. O que fez eles? O primeiro como era religioso, pôs-se a orar pedindo ajuda para seguir caminho e ficou sentado, esperando que viesse a colaboração do céu. O segundo, embora não fosse muito religioso, pediu ajuda espiritual e ficou pensando numa maneira de atravessar o rio. Logo lhe veio à inspiração de cortar alguns paus e fazer uma jangada, e assim fez. Dentro de algum tempo, ela estava pronta, e ele sobre a jangada e impulsionando com uma vara, atravessou o rio e chegou à outra margem, seguindo sua viagem. O outro ficou orando, crente de que a sua fé faria o milagre de transportá-lo até o outro lado. Moral da lenda: O primeiro na sua indolência, por ter fé vacilante, achou que o Céu ia resolver o seu problema; o segundo foi ajudado pelo Céu, com a intuição e trabalhou para resolver a sua situação.

Assim também acontece com muitas pessoas que ficam a esperar que tudo se resolva, sem quererem tomar nenhuma atitude. Existe até um ditado que diz: “Ajuda-te, que o Céu te ajudará”.


Que a Paz do Senhor nos ampare e reforce a nossa fé para ajudar os nossos irmãos.



Bibliografia:
Livro “Evangelho Segundo o Espiritismo”
    “     “Parábolas e Ensinos de Jesus”


Jc.
28/10/2000                                                                                                                   
Refeito em 24/06/2013




sexta-feira, 21 de junho de 2013

BENEDITA FERNANDES





 Ela foi um marco na história dos hospitais espíritas. Oitenta anos de funcionamento de um hospital, em atividades ininterruptas, iniciada por uma pioneira espírita, é fato deveras marcante. Este ano transcorrem 130 anos do nascimento de sua fundadora, Benedita Fernandes, vulto que colaborou para a construção de uma das marcas que caracterizam Araçatuba (SP), quando a cidade tinha apenas 20 anos de existência. Ela fundou uma obra assistencial que sensibilizou a população e começou a registrar de forma concreta a prática da benemerência, da solidariedade e da orientação espiritual.
 Benedita Fernandes nasceu em Campos Novos da Cunha (SP), num povoado entre             Guaratinguetá e Parati, nos altos da Serra do Mar, no dia 27 de junho de 1883, e desencarnou em Araçatuba no dia 9 de outubro de 1947. Sabe-se o mínimo sobre sua família, pois Benedita perdeu o contato com ela em virtude de seu desequilíbrio mental/espiritual. Pela sua cor e considerando-se a região de seu nascimento, certamente ela era descendente próxima de escravos.
Nos anos de 1920, ela foi curada da subjugação espiritual por um carcereiro da cidade de Penápolis (SP), que era espírita. A partir daí, ocorreu profunda transformação na sua existência. Ela chega a Araçatuba com o propósito de trabalhar pelo próximo e, no então Patrimônio de Dona Ida, atual bairro Santana, juntamente com outras lavadeiras – pessoas simples e de pouca instrução – deu início ao atendimento a pessoas, na época, consideradas “loucas”, e a crianças abandonadas.  No dia 6 de março de 1932, fundou a Associação das Senhoras Cristãs que originou o atual Hospital Benedita Fernandes. Surgia a primeira obra assistencial espírita da cidade e da região, bem como um dos marcos históricos do Movimento Espírita.
Durante os 20 anos de sua profícua atuação assistencial e espírita naquela cidade, Benedita manteve também a Casa da Criança, o Asilo Dr. Jaime de Oliveira, o Albergue Noturno e as Escolas Mistas, todos funcionando na Rua Newton Prado, próximos ao lugar onde está situado o atual Hospital. Também foi pioneira nos esforços de união dos espíritas, com a fundação da União Espírita Regional do Noroeste, nos idos de 1942, ação antecessora da movimentação que gerou a fundação da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, em 1947.
Benedita conquistou o respeito e a admiração do povo e das autoridades, de políticos locais e de governadores do Estado. Ela era muito procurada por pessoas que recorriam à sua assistência espiritual e autoridade moral, que conquistou pelo trabalho dedicado e desinteressado aos semelhantes. Depois de prestar um atendimento domiciliar à nossa bisavó materna nos idos de 1939, conta Antônio Cesar Perri de Carvalho, alguns de nossos familiares foram visitar as obras de Benedita, até como gratidão pela assistência espiritual recebida e entre outras observações “viram uma doente mental toda contorcida
que ao ouvir as palavras de Benedita, alusivas à fé e à bondade de Deus, juntou as mãos como se estivesse orando”.
No Movimento Espírita, Benedita tinha amizade e contato, nos anos 1930, com Cairbar Schutel, que publicava noticias sobre as suas obras em “O Clarim”, e, na década seguinte, com Leopoldo Machado – um dos grandes líderes espíritas do País -, que escreveu várias vezes sobre ela, principalmente no citado periódico. Num desses artigos, Leopoldo faz registro importante de um depoimento de Benedita:  Houve um tempo em que meus passes e minha água fluídica andaram curando muita gente. Quase me canonizaram por isso! Minha santidade crescia á medida que as curas se operavam. E eu, embora passando por santa, já não tinha as mesmas horas livres para tratar de minhas crianças, de meus obsidiados. Acontece, ainda, que os doentes só pensando na sua cura, egoisticamente, em si mesmos,  não aceitavam explicações, não respeitavam horas de consultas. Acabei com a santidade e com os passes e água fluídica, vendo meus amigos, que ser santa é o diabo!...
Frases simples e de efeito, mas com fundamentação doutrinária, surgia sempre, o que refletia sua lucidez espiritual. Certa vez em visita à Fundação Pestalozzi, em Franca (SP), no ano de 1979, o médico e educador Tomaz Novelino relatou-nos que ele e Benedita estiveram presentes a uma reunião sobre tratamento de doentes mentais. Na oportunidade Benedita, fazendo referência à “moda da época”, de que o obsidiado deveria desenvolver a mediunidade, arrematou sabiamente:  “ao invés de desenvolvidos, vão é acabar envolvidos...”  A lucidez doutrinária da pioneira pode ser comprovada com a leitura do capítulo “Dos inconvenientes a perigos da mediunidade”, de o Livro dos médiuns.
Por outro lado, a título de contribuição para as reflexões, principalmente dos dirigentes espíritas, destacamos que o exemplo marcante da pioneira e a expressão de suas obras não impediram que ocorressem momentos de dificuldades e até de tentativas de deturpação de suas obras. Anotamos a preocupação em artigo escrito, após a superação dos problemas: “Os vários tipos de crises que o Sanatório Benedita Fernandes passou nos últimos cinquenta anos sugerem algumas reflexões sobre as instituições assistenciais em geral.  Sem considerar a complexa questão da administração de instituições, como os hospitais que envolvem várias nuances eminentemente técnicas, no momento, é oportuna a avaliação doutrinária também para o movimento espírita. Em absoluto não estamos criticando, mas realizando uma análise depois de ponderável período de tempo. Esse não é o primeiro caso conhecido,  em que o labor assistencial, desvinculado do Centro Espírita
 apresenta problemas sérios.  Há situações que a obra chega a se descaracterizar. Assim, é sempre cabível a discussão sobre os objetivos reais das instituições espíritas e sobre suas formas de engajamento nos labores de construção de uma sociedade em novas bases e a ação sincrônica e fraternal com o movimento espírita”. 
Desde nossa juventude, continua Antônio, nutrimos admiração por seu vulto e divulgamos, logo após o aparecimento, a psicografia de Chico Xavier, de 1963, intitulada “Num domingo de calor”, assinada pelo Espírito Hilário Silva, referente á Benedita Fernandes, na qual ela é chamada de “abnegada fundadora” e “mulher admirável”. Em 1967, propusemos a comemoração dos 20 anos de sua desencarnação e, em março de 1982, promovemos a “Semana Benedita Fernandes”, patrocinada pela então União Municipal Espírita de Araçatuba, com palestras alusivas ao Jubileu de Ouro da obra da homenageada, nas dependências do Sanatório, nos Centros Espíritas da cidade, e oferta de painel, alusivo à obra de Benedita, no Museu local. Na oportunidade, lançamos o nosso livro “Dama da Caridade”, biografia da homenageada, editado pela União Municipal Espírita de Araçatuba.
Surgiram mensagens de Benedita, psicografadas por Dolores Bacelar – dirigente e médium que atuou na cidade do Rio de Janeiro - , que nos relatou episódios interessantes, relacionados com o trabalho da seareira paulista; e também por Divaldo Pereira Franco, inclusive no ambiente de nosso lar, ainda em Araçatuba. Os exemplos de Benedita e as mensagens espirituais de sua autoria foram utilizados por muitos expositores, entre eles, Mário da Costa Barbosa, que trabalhou na área de assistência social espírita nos Estados de São Paulo e do Pará.
Há muitos anos já havia referência à atuação espiritual da pioneira em várias regiões do País e conhecemos instituições que a homenageiam, designando-se Benedita Fernandes, em cidades de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará.
A mulher simples e humilde se transformou num marco na cidade de Araçatuba e região, e numa das referências históricas dos hospitais espíritas!


Bibliografia
Antônio Cesar Perri de Carvalho
Revista “Reformador” – 03/2013
+ Pequenas modificações.
Jc.