quarta-feira, 20 de março de 2019

CONFUSÃO ENTRE O ESPIRITISMO E O ESPIRITUALISMO




 
Fomos surpreendidos recentemente com denúncias contra um cidadão muito conhecido no Brasil e no mundo, e esse fato oferece pontos importantes para refletirmos a partir dele, e para lembrar da importância de vibrarmos positivamente por todos os envolvidos no episódio, haja visto que a ideia não é julgar, mas entender!
Para começar o senhor João Teixeira de Faria (João de Deus) que está no centro desse acontecimento, ele mesmo diz que é católico, e é preciso lembrar que a mediunidade não é exclusividade da Doutrina dos Espíritos. Essa confusão entre o que é o Espiritismo  e o que é o Espiritualismo, existe desde que a Doutrina dos Espíritos chegou ao Brasil, e muitas pessoas passaram a misturar conceitos,  rituais e simbolismos de outras religiões e doutrinas.
Pessoas como esse senhor possuidor de mediunidade dentro e fora do Espiritismo, têm sido orientadas pelos Espíritos Superiores que lhes assistem desenvolvendo praticas espirituais de assistência aos necessitados, porém à medida  que a exortação de Jesus referindo-se aos dons espirituais, “o que recebeste de graça de graça deve ser dado,” vai sendo esquecida, os Espíritos Superiores que o assistiam vão se afastando e espíritos inferiores vão se aproveitando para lhes influenciar ao apego aos bens materiais e o resultado é muito desastroso para essas pessoas, conforme tem acontecido.
Convivemos diariamente com certas atividades supostamente espíritas. Sempre que surge algo contrário a Codificação, devemos explicar aos frequentadores das casas espíritas se tratar de procedimentos espiritualista. Deixar de dizer que as práticas não condizem com os ensinamentos da Doutrina dos Espíritos após ocorrer um problema é importante, mas menos eficaz de que fornecer as explicações logo que surge o assunto.
A casa intitulada “Casa de Dom Inácio”, que se iniciou em 1950, quando passou a ser procurada por doentes em busca de cura, mesmo atribuindo ao além o mérito das curas, ele não se absteve da vaidade de ser homenageado por Batalhão de Fuzileiros, chamado de amigo da Marinha e do Exército, e se envaideceu de ter recebido a visita de famosos e poderosos, inclusive de ministros do STF, diz ele. Ele exigia que pagassem os seus empregados se fosse para ele atender fora do seu local. As entidades prescreviam e ele vendia os remédios, além disso, no local era cheio de imagens de diversas religiões e seitas, passando pelo budismo e pelos gurus indianos.
É comum nos Centros Espíritas se efetuar o atendimento ao público em geral, o chamado atendimento fraterno. O mais importante é lembrar que a Doutrina dos Espíritos veio para esclarecer  o nosso Espírito  e não o corpo, ainda que a cura espiritual  possa beneficiar o corpo em alguns casos. Estudar a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec continua sendo o antídoto mais eficaz contra o desvirtuamento doutrinário orientado e vivificado por Jesus, tendo Ele atendido e servido a todos os que o procuravam, e ainda nos aconselhou a sermos humildes e simples, sem desejo de ambição e ganância.
É importante a criação de grupos  de estudo para propagar a mensagem de Amor e Caridade, de modo correto e, assim, formar pessoas com o entendimento necessário para poderem entender e “separar o joio do trigo”.
A solução para o problema é simples: basta seguir a Codificação – conjunto de todas as obras provenientes do trabalho de Allan Kardec, para evitar e propagar as informações que são espiritualistas como se fossem os ensinos doutrinários da Doutrina dos Espíritos. Como modelos de espíritas temos Adolfo Bezerra de Meneses, Aparecida Conceição Ferreira, Cairbar Schutel, Divaldo Pereira Franco, Eurípedes Barsanulfo,  Francisco Candido Xavier, Jerônimo Mendonça, Leopoldo Machado, e aqui no Maranhão, Humberto de Campos, Luiz Alfredo Neto Guterres, Antônio Alves Martins e muitos outros espíritas anônimos.
Fonte:
Boletim “Meditando” março/2019
Artigo de Martha Rios Guimarães
+ modificações e acréscimos.

Jc.
São Luís, 17/3/2019

domingo, 10 de março de 2019

PAIS ESPÍRITAS E A RESPONSABILIDADE COM OS FILHOS




 
Os seres humanos em todas as latitudes da Terra guardam, habitualmente, o mesmo padrão de atividade normal. Ou seja: Alimentam-se, vestem-se, descansam, dormem, pensam, falam, gritam, procriam, indagam, pedem, reclamam, agitam-se, e, muitas das vezes, usurpam a vitalidade dos reinos que se lhes revelam inferiores. Mas, são poucos os que se lembram de fazer uma oração de agradecimento e ensinar ou orientar aos filhos, ao menos, a serem agradecidos à Providência Divina.
Os pais têm a missão de ajudar o espírito que recebem como filho(a) a evoluir, além de serem responsáveis pela integridade física dos pequenos. São os pais que passam maior tempo com os filhos, além de serem as primeiras referências para eles. Nesse processo que é educar, contar com o apoio é sempre muito bom.  Esse é um trabalho da Doutrina que leva a mensagem aos espíritos em nova etapa reencarnatória.
Mas, para que os resultados sejam atingidos, é preciso que os pais garantam a presença dos filhos nas reuniões de estudo do Evangelho voltadas aos mais jovens. É importante, também, que os temas espíritas sejam discutidos principalmente em casa, quando da realização do “Culto do Evangelho no Lar”, em uma linguagem que permita a participação e o entendimento das crianças. E mais ainda, que os ensinamentos sejam exemplificados pelos mais velhos; pais, tios. avós, etc.
Existem jovens na Casa Espírita que você frequenta? Na maioria das  Casas Espíritas não há público de jovens, o que é preocupante por vários motivos:
1º- O jovem que frequenta a instituição espírita pode ser o dirigente do amanhã, que ajudará a Casa a se manter com as portas abertas, dando prosseguimento ao trabalho de divulgação da Doutrina Espírita;
2º-  Uma Casa Espírita que possui públicos de todas as idades, da criança ao idoso, passando pelo jovem e adulto, tem um ambiente mais propício à troca de experiências, onde todos saem ganhando;
3º-  É na Casa Espírita que o jovem terá condições de aprender os ensinos  de Jesus, sob  a  ótica da  Doutrina dos Espíritos, podendo refletir, perguntar e praticar o que absorveu.
Feitas estas reflexões, fica a pergunta: por que os jovens não estão frequentando grande parte das Casas Espíritas?
Algo muito comum entre os pais espíritas é afirmar que preferem respeitar o livre arbítrio de seus filhos, deixando que eles escolham a filosofia/religião a seguir, quando tiverem a idade para decidir. Porém, esquecem que é preciso ter o conhecimento das opções existentes para poderem escolher de modo consciente. Além disso, qual a diferença se a criança frequentar a Casa Espírita e, quando crescer, decidir por outra opção ou nenhuma? Pelo menos o fará conscientemente.
Por que os pais não pensam também em usar o livre arbítrio de seus filhos quando o assunto é encaminhá-los para a escola; levá-los ao médico ou protegê-los dos perigos? Eles sabem da importância de cada um desses itens para que cresçam bem e saudáveis.  Por que somente a orientação religiosa que é muito mais importante, deve ficar para ser decidido pelos filhos quando crescerem? Os ensinamentos doutrinários são também igualmente importantes e, quando assimilados permitem que os filhos, como espíritos reencarnados, tenham uma existência mais equilibrada por conta de escolhas mais conscientes.
E para aqueles pais que acreditam que conceitos tais como reencarnação, comunicação dos espíritos e vida após a morte podem amedrontar os menores, a experiência demonstra que, quando abordados de modo natural, são bem compreendido e, no lugar do medo, há satisfação. É bem mais provável que figuras como o diabo e o inferno causem muito maior temor.
“Tenho mais de vinte anos de experiência nesse tema e ele me mostra que a mensagem espírita é aceita perfeitamente pelas crianças e os jovens. E nós, começando pelos pais espíritas, não temos o direito de negar esse precioso apoio a eles”, afirma a jornalista espírita Martha Rios Guimarães.

Fonte:
Boletim “Meditando” – 2/2019
Escritora Martha Guimarães
+ Acréscimos

Jc.
São Luís, 25/2/2019

A VIOLÊNCIA HUMANA E A EDUCAÇÃO




 
A delinquência moral e a violência não são apanágios exclusivos dos deserdados materiais, até porque os Espíritos reencarnam sempre nos mais diferentes lugares e situações sociais, no interesse de sua ascensão na escala evolutiva. Pobreza e riqueza não constituem punição nem privilégio, (porque se hoje somos pobres já fomos ricos, e se hoje somos ricos, já fomos ou seremos pobres em outra existência) elas são provações, cuja finalidade é experimentar o ser humano de modos diferentes, de conformidade com suas necessidades evolutivas.
A riqueza e o poder são testes muito complicados porque enquanto a pobreza provoca as queixas contra a Providência Divina, a riqueza incita a todos os excessos, e é, por isso, numa perspectiva espiritual, prova mais perigosa do quê a própria pobreza. O aumento da violência, portanto, que se conhece desde o pós-guerra, não é imputável a uma categoria de indivíduos, mas a uma generalização dos comportamentos agressivos nas diferentes camadas da população.
Ultimamente, no Brasil, a violência urbana, que antes estava presente nas metrópoles apenas, espalhou-se para pequenos municípios à medida que o crime organizado procura novos espaços. Há debates na visão das causas e de como superá-las, mas a maioria dos especialistas no assunto afirma que a violência urbana é algo evitável, desde que as políticas sociais, educacionais  e de segurança pública sejam colocadas em ação. Diversas teorias psicológicas afirmam que a agressividade é inerente ao ser humano, mas ao mesmo tempo colocam a importância da educação e da cultura, da vida social, como reguladoras dos impulsos destrutivos. A humanidade atual é constituída, em sua maioria, de Espíritos semicivilizados ou bárbaros, e as pessoas de bem que fazem parte da espiritualidade superior são as minorias.
A Doutrina Espírita compreende o ser violento como um doente espiritual e não como mero produto do meio social, nem como resultado de uma degenerescência hereditária e, muito menos ainda, como um ser criado com instinto destruidor do qual ele não pode fugir. A violência urbana ocorre na maioria das sociedades modernas em face do “consumismo”, da agressão veiculada pela televisão, Internet, rádio, jornal revistas, dos exemplos negativos e outros meios. Há diversos tipos de violência que normalmente sugerem ações organizadas, mas a selvageria do homem ainda não civilizado tem suas raízes profundas e vigorosas na espessa bestialidade. O homo brutalis tem suas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar.
O utilitarismo das sociedades contemporâneas alienou o ser humano, tornando-o um autônomo inconsequente. O homem de hoje vive atormentado pelo medo, esse inimigo atroz que sempre o assombra. Uma vez submetido às contingências da existência atual, de insegurança e de incertezas, sofre como resultado os transtornos grave da mente. Não podemos desconsiderar outros tipos de agressões (não menos impactantes) como as que ocorrem diariamente no trânsito, nas violências sexuais, nos maus tratos infantis ou nas agressões domésticas.
Muitos erguem altos muros com fios eletrificados ao redor de suas residências na tentativa de manter a paz doméstica. Outros instalam equipamentos sofisticados que os alertam da chegada de eventuais usurpadores de seus bens. Contudo, existe outro tipo de violência - a que não costumamos dar atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós, e que existe dentro de casa,  violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, permitindo que ela se torne um animal feroz.
Difunde-se muito o imperativo da paz, mas, produzindo-se metralhadoras, pistolas, fuzis, canhões e ogivas; deseja-se resolver os problemas sociais ativando a edificação de bordéis e presídios. Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os seres humanos se perdem em luta inglória e sem fim. Uma das soluções para a paz seria desarmar a população mundial e a proibição da fabricação e do comércio de armas de fogo em todos os países. Naturalmente que isso não interessa aos fabricantes e não somos ingênuos de pensar que tão somente a proibição do uso de arma de fogo, por si só, resolva definitivamente o problema da violência, em todos os níveis. A arma de fogo pode ser substituida por outras armas, talvez não tão “eficientes” como ela, mas que podem ferir e matar.
Na ausência de uma educação destinada às crianças, na estrutura de aparelhagem preventiva e repressora do Estado, principalmente nas fronteiras do país, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos malfeitores e fazendo suas vítimas.  Urge meditar que devemos aprender a nos defender, desarmando, antes de tudo, nossos Espíritos e isto só se consegue pela constante prática do amor e da fraternidade.
O espírita é convocado a conservar-se em célula sadia, capaz de abrir caminho à recuperação do organismo social. O espírita deve, onde apareça á ruína, converter-se em apelo ao refazimento; onde haja a indisciplina, faz-se apoio da ordem e onde mine o pessimismo, erga-se de imediato, uma mensagem de esperança. Por isso, a solução que a Doutrina Espírita oferece para neutralizar a violência, é a educação em seu amplo aspecto. Ela, essencialmente educativa, conclama-nos ao amor e à educação que poderão formar uma nova mentalidade nos seres humanos.
A violência é o fruto natural da ignorância humana. Remanescente da agressividade animal, ela deflagra na natureza, graças às bases do egoísmo, a doença moral que corrói o organismo social. O antídoto do egoísmo é o altruísmo e a melhor maneira de tornar uma sociedade justa e pacífica é a educação das novas gerações. Sabendo que através da educação formaremos caracteres saudáveis, deveremos investir tudo nesta obra libertadora, que é uma das mais elevadas expressões de caridade...
Eduquemos e amemos as nossas crianças e procuremos instruí-las no sentido do amor e do bem, se desejamos um mundo melhor.
Fonte:                                                                                 
Jornal “Brasília Espírita” – nº 201                                            Escritor: Jorge Hessen                                                                    + Pequenas modificações.

Jc.

São Luís, 23/7/2017
Refeito em 5/3/2019

sábado, 2 de março de 2019

A MORTE OU A LIBERTAÇÃO?




 
O mundo avança rápido em suas conquistas, nas mais diferentes áreas do conhecimento, entretanto, o velho mistério que envolve a morte, não perde sua atualidade. É certo que a visão do ser humano vem se ampliando no entendimento desse difícil processo, mas ainda anda longe de uma visão realista que amenize os conflitos. O fenômeno da “morte” sempre intrigou o ser humano, sempre motivos de preocupação de todos, nas mais diferentes culturas do mundo. Os gregos acreditavam que os espíritos seriam julgados por Minos, filho de Zeus, começando aí a idéia de julgamento. Os romanos acreditavam que no Orco (inferno para eles) divindades infernais puniam as almas cheias de pecados e que maltrataram outros seres, começando também o “faze aos outros, o que queres que te façam”. Para Maomé, havia sete andares de céu e sete infernos, para atender as diferenças tanto de virtudes como de erros.  Buda, finalmente afirma que “o bem é resultado do que fomos e que a morte é um agente da vida que exige sempre renovação contínua e transformações incessantes”.  Essa é a nossa visão atual...

A Doutrina dos Espíritos, fala de Sócrates, filósofo grego, dizendo que ele nada escreveu, assim como Jesus que não deixou nenhum escrito. Ambos tiveram a morte dos criminosos, vítimas do fanatismo, por terem atacado as crenças tradicionais, e colocado á virtude real, acima da hipocrisia e dos dogmas; em outras palavras, por terem combatido os preconceitos religiosos. As últimas palavras de Sócrates, ditas aos seus juizes e algozes, foram: “de duas uma; ou a morte é uma destruição, ou ela é a passagem da alma para outro lugar. Se a morte é uma mudança de morada, que felicidade nela reencontrar aqueles que se conheceu!  A hora é de nos deixarmos; eu para morrer, vós para viver.” Também Jesus, ao sentir se aproximar a hora de se libertar do corpo, profere as palavras: “Pai perdoa-os porque não sabem o que fazem” e finaliza dizendo: “Está consumado.”

A Gênese, da Doutrina dos Espíritos, vindo depois do desenvolvimento científico, trouxe a vantagem de objetivar o problema da sobrevivência, submetendo-a aos processos de verificação e pesquisa científica, acabando com os chamados “mistérios da morte”, demonstrando que a alma se liberta do seu corpo físico de modo tão natural, quanto á larva se transforma em borboleta.

Paulo, o apóstolo dos gentios, em sua primeira epístola aos Coríntios, disse: “Planta-se o corruptível, e nasce o incorruptível; enterra-se o corpo material, nasce o corpo espiritual...” Quando observamos o corpo de uma pessoa querida sem vida, devemos reprimir o desespero e a mágoa, porque sabemos que os chamados “mortos”, estão apenas ausentes da Terra, vivendo atualmente na Espiritualidade. Essa nova concepção, de que a vida continua, liberta o ser humano do medo de morrer; dá-lhe uma nova compreensão, eliminando o velho temor e a revolta contra as leis criadas por Deus.

Existem para quem não sabe dois tipos de morte, conforme as palavras de Jesus: na passagem em que um moço diz ao Mestre que deseja segui-lo, entretanto, pede que Ele lhe permita primeiro, ir enterrar o seu pai que acabara de falecer, tendo Jesus lhe respondido: “Deixa aos mortos, enterrar os seus mortos; tu, porém, vem e segue-me.” Explicação: Os primeiros mortos eram aqueles que desconheciam os ensinamentos que Jesus transmitia, ou seja: estavam mortos para as coisas da vida espiritual; (diz-se até que uma pessoa quando não tem conhecimento de um assunto, está morto para o mesmo), os segundos mortos, são os que falecem fisicamente. Como aquele moço já conhecia os ensinos de Jesus estava vivo quanto a esse conhecimento, o que não acontecia com os seus parentes, que não conhecendo as lições do Mestre, estavam vivos fisicamente, porém mortos para as verdades que Jesus ensinava.                                     

Porém, se a morte física elimina o corpo, para muitas pessoas que desconhecem a realidade, nós espíritas sabemos que o corpo é formado de elementos diversos: Oxigênio,  hidrogênio, azoto, carbono, ferro, etc.. Pela decomposição do corpo físico, esses elementos se dispersam, para servir à formação de novos corpos, de tal sorte que uma mesma molécula, de carbono, por exemplo, terá entrado na composição de muitos milhares de corpos diferentes, de maneira que talvez em nosso corpo atual existam moléculas que já pertenceram a homens das primitivas idades do mundo; que essas mesmas moléculas orgânicas que absorvemos nos alimentos, veem possivelmente de outros corpos, e assim por diante. Dessa maneira, a Doutrina dos Espíritos acabou com a morte, pois todas as células do nosso corpo físico vão animar novas formas de vidas.  A alma por sua vez, liberta da sua roupagem material, continua viva, fazendo parte agora, do mundo espiritual, porquanto ela é uma centelha divina imortal.

São muitas as razões do medo da “morte” que sempre nos acompanha. Umas, estão associadas a lembranças arquivadas na memória espiritual, outras, associadas à imagem do julgamento, apresentados como divino, de céu, purgatório e inferno, destinos inventados pelos teólogos que fizeram nossos tormentos no passado. A isso, acrescente-se a associação da palavra “morte” com a palavra “fim”, que traz o pavor do nada. A soma disso tudo, inspira em muitas pessoas o sofrimento, pela impossibilidade de enfrentá-la, o que é inevitável para todos nós, apesar de não a desejarmos. È comum á busca da religião, ampliando nossa benevolência o que nos torna muito mais fraternos. Também acontece a transferência do afeto dedicado à pessoa que partiu para outras pessoas desamparadas. Quase sempre essa dor impulsiona-nos à fraternidade.  Lucinda Araújo, mãe do cantor Cazuza, é um exemplo; passou ela a dedicar-se às crianças portadoras do vírus HIV, o mesmo que levou seu filho para a Espiritualidade.

Essa situação traz em si, grandes mudanças, não só para o espírito que se transfere para outra dimensão de vida, mas também para os que ficaram saudosos. Há em geral, mudanças no comportamento de toda a família, em vista da adaptação sem a pessoa que partiu. Uns se fecham, ficam introvertidos, acabrunhados; outros extrovertem-se tão repentinamente. Algumas crianças chegam a imitar o parente que partiu. Há os que tentam fugir das lembranças do ausente, mudando de endereço e até de cidade. Só mais tarde percebem que a dor ou a tristeza os acompanha aonde forem, porque elas se situam dentre e não fora da pessoa. Alguns ainda trabalham excessivamente, tentando esquecer o acontecimento. Há ainda os revoltosos, que blasfemam contra Deus e afastam-se da religião, quando deveriam a ela mais se achegarem, dando espaço à revolta, por não aceitarem o Determinismo Divino. Há ainda, casos de mães que enlouqueceram, venerando retratos de filho/filha que partiu.  Porém, com as mensagens que chegam dos desencarnados, confortando os corações de seus pais, lhes pedem que não se entreguem à dor e ao desânimo, por estarem vivos, e os aconselham a cuidar das dores de outros sofredores, para amenizar as suas próprias dores. Uma jovem recém-desencarnada pediu à sua mãe, numa mensagem, que não falasse e se lembrasse dela como pessoa morta, porquanto ela  se sentia péssima, quando ouvia tal referência a ela, porque ela se via viva e feliz ao lado do marido que partiu como ela no mesmo acidente que os vitimou.

Entretanto, para muitos, a morte física é vista como algo terrível e representada de forma apavorante, com o aspecto de um fantasma ósseo, que traz uma foice fatídica ao ombro.  Para algumas religiões e religiosos, a morte física é um sinônimo de separação eterna, com sofrimentos inenarráveis para a maioria que irá para o inferno, e, alegria indescritível, para uma minoria que será salva e irá para o céu. Imaginemos uma mãe que vai para o céu e vê uma filha ir para o inferno. Ela pode viver feliz no hipotético céu sabendo que sua filha sofre no inferno? O momento culminante acontece quando o caixão desce à sepultura, refletindo a dor dos familiares e amigos, ainda desconhecedores da vida na espiritualidade. Era até comum e ainda existe em vários paises, o hábito de contratar mulheres “especializadas” para chorarem e acompanharem o velório, chamadas de “carpideiras”. Durante séculos era guardado o “luto”, as famílias vestiam-se de preto e ficavam por um ano. Quando se encontrava uma pessoa com tais trajes, davam-se os pêsames e a tragédia era relembrada causando mais dores.

O Eclesiastes diz: “A tempo de ganhar  e de perder; tempo de guardar e desfazer”. Muitas são as perdas; perdemos o seio da mãe, os amigos da infância, a professora do jardim, a escola maternal, a primeira namorada, o sonho do amor perfeito... Perdemos a inocência, perdemos o objeto estimado, o cãozinho adorado, o diploma almejado, o concurso desejado. Perdemos o emprego, os pais e até o corpo físico, a existência terrena, e assim mesmo, temos dificuldades de diferenciar o efêmero do eterno. Somos às vezes, cegos e surdos aos apelos divinos e reclamamos quando às adversidades nos visita.

Jesus sempre se referia à morte física com extrema naturalidade, como se fosse um sono para um despertar depois, em uma situação mais feliz. Na passagem denominada “Os doze e a sua missão”, o Mestre chama a atenção para a superioridade incomparável da alma – espírito encarnado – que é eterna, sobre o corpo por ela usado em cada existência, e abandonado como roupa usada que não lhe serve mais, e diz ainda: “Não temais os que matam o corpo físico e não podem matar a alma.”  Mateus C-2:28.

Os primeiros cristãos assimilaram esse ensinamento, e, quando a caminho dos martírios que lhes eram impostos, alcançavam á arena onde seriam sacrificados, em cânticos de alegria e louvores, convictos de que a morte significava a libertação e o regresso a um mundo melhor, onde estariam com Jesus...

Por que algumas pessoas parecem caminhar para a morte, enquanto outras dela escapam de forma aparentemente milagrosa? As pessoas que não acreditam na Providência Divina, interpretam essas situações como obra do acaso, pura fatalidade. Nós espíritas, sabemos que o acaso não existe e que os acidentes são utilizados pelo Criador, pelas Suas sábias Leis, como meios das pessoas resgatarem seus débitos. Jesus nos alertou que sofremos as conseqüências do mal, de forma semelhante ao que praticamos contra nosso semelhante. Um exemplo que ilustra bem esta situação é a de João Batista. Quando ele viveu como o profeta Elias, mandou degolar 450 sacerdotes de Baal, conforme se lê em I Reis C-l9: 40. Quando viveu como João Batista, passou pela mesma prova ou situação – foi degolado por ordem de Herodes e resgatou seu débito para com a Lei Divina.

A passagem para a vida espiritual é como um “sono”, disse Jesus, e serve para nos libertar da prisão do corpo físico e restituir à alma, a sua liberdade. Essa passagem para a Espiritualidade nos coloca em contato com os nossos entes queridos que já foram para lá  antes de nós. Com essa certeza, a passagem deixa de ser algo terrível, para se tornar em algo tranqüilizador, e até certo ponto, desejável, quando de existência sofrida e muito prolongada.

O instante e a forma de partida para a espiritualidade só Deus sabe quando será; a exceção fica por conta dos suicidas que optaram pelo desenlace antes do tempo fixado, o que lhes será muito penoso. Quando, porém, chegar o dia da nossa partida do mundo material, nada poderá impedir que partamos e aí estão os exemplos de recém-nascidos, crianças, jovens e adultos, partindo antes de idosos. Espíritos que partiram se comunicam confirmando que dormiram para despertar aos poucos, na Espiritualidade. Atravessaram a barreira do mundo material, ao encontro da sua realidade de Espírito, na plenitude da Infinita Bondade e Justiça de Deus. Nessa passagem, duas condições podem ocorrer ao espírito:  1º - O espírito não possuindo virtudes e tendo praticado o mal, é  levado por outros espíritos inferiores, para regiões de sofrimentos, e lá despertando do sono, são martirizados, até que se façam merecedores da misericórdia de Deus; 2º - Possuindo o espírito virtudes, e tendo praticado o bem, é levado por Benfeitores Espirituais para lugares onde reina a paz.

O grande físico Ernesto Bozzano, na obra “A Crise da Morte”, observa alguns critérios na passagem do espírito para o mundo espiritual, a saber: a- Todos os espíritos afirmam estarem com a forma humana; b- Terem ignorado durante algum tempo, que não estavam mais na Terra; c- Haverem passado pela prova da recordação dos acontecimentos da existência ora encerrada; d- Terem sido acolhidos na Espiritualidade, pelos espíritos dos seus familiares, que partiram antes;  é- Haverem passado  por uma fase de sono; f- Terem se achado num meio harmonioso (no caso de espíritos com virtudes) e num meio tenebroso (no caso de espírito sem virtudes);  g- Terem reconhecido que estavam em um novo mundo, real, semelhante ao mundo terreno; h- Haverem aprendido que, na espiritualidade, o pensamento é a força criadora que reproduz o ambiente de suas recordações;   i- Terem sabido que o pensamento é a forma de comunicação espiritual, embora alguns espíritos se iludam julgando conversar  com palavras;  j- Terem comprovado que podem se transferir de um lugar para outro, ainda que muito distante, apenas pela sua vontade;  e, finalmente, terem aprendido que os espíritos seguem para o plano espiritual que conquistaram por motivo da lei de “afinidade e merecimento”.

No “Livro dos Espíritos”, na pergunta 153, Allan Kardec indaga: “Em que sentido se deve entender a vida eterna?” Resposta dos Espíritos Superiores: “É a vida do Espírito que é eterna; a existência do corpo é transitória e passageira.” Como Nicodemos, sabemos que o corpo depois de velho não pode voltar ao ventre materno. Assim podemos entender:  Ao nascer (encarnar) o espírito assume a matéria;  ao passar pela morte física (desencarnar) o espírito liberta-se do corpo; ao renascer(reencarnar) o espírito assume um novo corpo, de conformidade com o ensino de Jesus a Nicodemos, cumprindo a Lei Divina de evolução, no caminho de sua felicidade definitiva, prometida pelo Mestre.

Após estes esclarecimentos, eu pergunto: Quem morre?  Quem tem medo de morrer?  Nós morremos ou passamos para outro modo de vida?  Como já sei que sou imortal, eu que sou individualidade espiritual e não corpo, tomo a liberdade de afirmar que sou eterno, eu, que falo por intermédio deste corpo  nesta existência e que vocês estão vendo, sei que quem morre  é apenas o corpo material que assumi nesta encarnação. Eu espírito, neste corpo envelhecido, após me libertar dele voltarei para o mundo real da espiritualidade, onde encontrarei os entes queridos que já se foram antes de nós. A verdade é que somos um espírito imortal usando um corpo, e não um corpo com uma alma. Assim sendo, quem pensa quem fala quem comanda os movimentos e as ações do corpo, é o espírito, o ser inteligente, imortal; o corpo é apenas o instrumento, o executor dos estímulos e ordens do Espírito; igual a uma máquina elétrica que recebe os impulsos da eletricidade para funcionar; melhor dizendo: O corpo representa a lâmpada elétrica que só serve quando recebe a eletricidade; o Espírito representa a eletricidade que anima a lâmpada. Com o tempo, a lâmpada, igual ao corpo, se deteriora se desfaz, mas a eletricidade não acaba com a lâmpada. O que fazemos então: Colocamos nova lâmpada e a eletricidade passa a dar vida a esse novo corpo.  Entenderam?

Vivamos, pois, sem o medo da chamada “morte” porque ela não existe; o que se processa é a passagem de uma dimensão para outra. Um dia mais cedo ou tarde, teremos que nos libertar do corpo material que usamos e retornar ao plano espiritual, onde a nossa vida continua... “Nascer, viver, morrer e renascer, tal é a Lei Divina”, ensina Kardec. Contemplemos o firmamento em que mundos incalculáveis nos falam da união sem adeus, em plena imortalidade, sabendo que Deus que nos criou com amor para nos amarmos mutuamente, jamais nos separaria para sempre...

Que o Senhor nos afaste esse temor e nos proporcione a Sua Paz.

Bibliografia:
“Livro dos Espíritos”                                                                         
Acréscimos e modificações.

Jc.
Em 8/l0/07.
Refeito em 28/10/2017
Reapresentado em 12/2/2019



A INJUSTIÇA CONTRA O CIDADÃO BRASILEIRO





   
A pobreza no Brasil é um problema que atinge cerca de 28 milhões de pessoas. Os estados do Norte e principalmente os estados do Nordeste, concentram as populações mais carentes do país e representam 28% da população do Brasil. Nas famílias de trabalhadores mais pobres, muitos não tem condições para comer o mínimo necessário.
“Quanto maior a renda, maior é a parcela de rendimentos livres o que faz com que os ricos paguem menos imposto de renda. É um verdadeiro absurdo deixarem a tabela de isenção sem a devida revisão e se mantenha a isenção total para lucros e dividendos” afirma Sérgio Gobetti.
“Quem é muito rico tem um volume de isenção muito grande no qual não incide o imposto de renda progressivo, uma vez que as alíquotas incidem basicamente sobre o trabalho assalariado, as aposentadorias e os aluguéis”  afirma Rodrigo Orair.
“A progressividade na realidade tem um joelho, só vai até  certo ponto. Fica evidente que no topo do topo na renda do capital predomina o efeito da isenção que se traduz numa alíquota efetiva mais baixa para quem ganha mais” afirma Sérgio Gobetti.
A tabela que vem desde 1996 a vigorar em 2019, isenta o salário do empregado que recebe até R$-1.903,98 por mês, quando deveria ser no valor de R$-3.689,93  se ela tivesse tido os mesmos reajustes que recebeu o salário mínimo, desde aquela época, criando uma defasagem de 95,46%, penalizando não só o trabalhador como também os aposentados.
Esperávamos  que o novo Governo, confiado nas promessas de campanha, tivesse se sensibilizado sobre essa injustiça e fosse fazer pelo menos um acréscimo na tabela do Imposto de Renda, amenizando essa aflitiva situação dos contribuintes. Mas, em 2019 ainda vamos ser sugados em nossos salários, por conta de uma situação financeira desastrada, praticadas pelos governos anteriores, que tiravam dos que trabalharam e, atualmente, dos que  trabalham, recursos indispensáveis para a sua vivência, com o propósito de cobrir os roubos praticados contra as finanças do país.
Da maneira como vem sendo feita a cobrança do Imposto de Renda, a situação do país não pode melhorar, visto que não melhora as condições para o aumento do consumo das famílias e o incremento da indústria e do comércio, fazendo a pobreza ir crescendo mais e mais nos lares brasileiros.
A proposta de limitar o imposto de renda em 20% do governo de Bolsonaro, anunciada pelo ministro da economia, vai agravar a desigualdade e a crise dos que ganham menos e aumentar ainda mais a isenção dos mais ricos. Se continuar assim em 2025 o “efeito ampulheta” previsto por vários analistas, dividirá a economia e a população globais em apenas duas categorias: os ricos e os pobres. A classe média deixará de existir, porquanto não mais existirão as “meias estações sociais”. Em resumo, o velho alerta bíblico: “Pois a quem tem, mais se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que quase não tem, até o que tem lhe será tirado”, mencionado no Evangelho de Mateus (25:29), se realizará se continuar o governo explorando a classe média que carrega o Brasil nas costas, enquanto a classe rica é beneficiada e fica cada vez mais rica.
Senhor Presidente Bolsonaro, ainda dá tempo de corrigir e   fazer justiça aos que trabalham e não permita que o Imposto de Renda faça desaparecer a classe média do povo brasileiro.
Se o governo deseja realmente equilibrar as suas finanças ou criar um superávit, deve atacar os devedores dos impostos e das contribuições à Previdência Social, que não são poucos.  As contribuições ao COFINS e a CSLL, e os lucros das loterias de prognósticos (jogos) explorados pela Caixa Econômica Federal, que são milhões de reais, semanalmente, quando foram criados, não eram para serem destinados a manter o INSS e a Assistência Social? Será que o INSS está mesmo deficitário ou é o que querem nos fazer acreditar?  Dizem alguns entendidos no assunto de que a Previdência Social é superavitária, conforme está bem demonstrado no artigo “A Previdência Social no Brasil”.
Internet – Sérgio Gobetti
Idem – Rodrigo Orair
+ Acréscimos

Jc.
São Luís, 26/2/2019

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

REFORMA AGRÁRIA DO PT





 
Sob a produção de Yvena Sousa, tomamos conhecimento em 12/2/2019, através da Internet, de que os auditores do Tribunal da União, acharam entre os beneficiados do Programa de Reforma Agrária do P.T., na gestão de Lula e Dilma, que receberam terras e recursos, os seguintes “coitados”:
61.965 – empresários              
144.621 - servidores públicos
37.997 – mortos                       
1.017 – políticos eleitos 
847 -  vereadores                      
96 -    deputados estaduais
69 -  vice-prefeitos                         
4 -    prefeitos    e
1 – senador.
Por Lei, todos eles são proibidos de entrar no Programa de Reforma Agrária, que deveria atender as famílias de renda até 3 salários mínimos e que lidam com a terra. Mas todos eles foram beneficiados em detrimento dos reais necessitados, os trabalhadores do campo que produzem os alimentos que consumimos.
Os nomes desses “privilegiados” estão em sigilo até o fim do processo. Enquanto os trabalhadores necessitados do campo esperam por muito tempo e as vezes nem conseguem, por um lote de terra, os empresários, funcionários públicos,  deputados, vereadores, prefeitos, vice-prefeitos e até os mortos receberam áreas dos governos do P.T. , sem gastarem um real.  Na época, havia 76 mil processos de lotes com indícios de fraudes. Mais, como a ordem vinha de cima, não se tomava conhecimento dessa divisão das terras entre os compadres e corregionários.
É esse tipo de administração e gerência que muitas pessoas que se encontram nessa relação, ainda querem que exista neste país. Isso representa uma afronta ao povo brasileiro que deseja um governo trabalhador e honesto para dirigir este nosso Brasil.
Jc.
São Luís, 12/2/2019

O CARNAVAL





 
Está chegando novamente o período do carnaval, que neste ano vai do dia 2 até dia 5 de março. É natural que queiramos saber a visão da Doutrina dos Espíritos sobre o carnaval. O que o Espiritismo diz sobre o assunto? Opiniões de apoio dos materialistas e de condenação dos espiritualistas, reforçam a consagração entre o mal  e o bem, a escuridão e a claridade, o errado e o certo, o material e o espiritual. A visão do “a favor e do contra” do conflito entre dois lados opostos registra o posicionamento de adeptos e críticos sobre a temática.
O carnaval tem sua origem no paganismo, com suas orgias e nele predomina a licenciosidade e o império da carne. O carnaval traz grandes prejuízos materiais, morais e espirituais às criaturas humanas, pois nos quatro dias de festa, que começa muito antes e termina muito depois, aumentam as ocorrências policiais, como estupros, roubos, furtos, brigas, violência, mortes e um cortejo enorme de crimes cujas consequências são irreparáveis. O carnaval é uma festa de origem pagã que foi oficializada pela Igreja Católica e que, por motivos políticos, permanece até os nossos dias, gozando da simpatia dos governantes e de grande parcela do povo. Todos os anos nos meses de fevereiro ou março ele é incluído no calendário e chega até nós.

Historiadores não têm como precisar quando se iniciaram as festas carnavalescas; os estudiosos do assunto falam que seu início ocorreu aproximadamente no IV milênio A/C, quando no Egito foram criados os cultos agrários. Nessa época, as pessoas dançavam com máscaras e adereços em torno de fogueiras. Os romanos tinham muitos escravos e como o mês de dezembro era dedicado aos festejos em homenagem a várias divindades, entre elas Saturno, deus do tempo, os senhores davam liberdade aos servos para comemoração das saturnais. Era comum um desfile pelas ruas da cidade em que conduziam um carro em forma de barco, com a estátua do deus, pois Saturno se ligava também ao mar. Era uma espécie de carro/barco, sobre rodas; daí o nome carrum-navalis, que deu origem a palavra carnaval. Os servos sentindo-se à vontade usavam roupas dos seus amos e valendo-se de máscaras para não serem reconhecidos cometiam excessos.  
A Igreja Católica, com o passar dos séculos, foi “empurrando” as saturnais para diante, tirando-as de dezembro, para que tais orgias se afastassem da data determinada para o nascimento do Cristo, fazendo delas uma interpretação associada a um período de pecado, que antecederia no calendário litúrgico a Quaresma – tempo de jejum e mortificações. Surgiu então dessa intervenção da Igreja, a ideia de uma corruptela da palavra “a carne nada vale”.  Tempos depois surge o carnaval pagão, que se iniciou no século VII A/C, na Grécia. No reinado de Pisistrato foi oficializado o culto a Dionísio, onde camponeses e lavradores participavam das procissões dionisíacas, levando a imagem do deus Dionísio. Nessa época a sociedade já se dividia, ficando os escravos de um lado e a nobreza do outro lado; bebidas, orgias, sexo e permissividade ganhavam mais e mais espaços naquele primitivo carnaval. Mais alguns séculos se passaram e a Igreja Católica, cansada de ver suas intenções de proibir os cultos pagãos fracassarem, porquanto já estavam consagrados pelos costumes dos povos, resolve em 590 D/C, oficializar o carnaval. Os carnaval oficial se iniciaram nas cidades de Veneza e Nice,  com aparência dos dias atuais; com carros alegóricos, pessoas mascaradas, fantasias e desfiles.

Aqui no Maranhão, no meu tempo de criança, ainda lembro, era uma festa de alegria, onde as fantasias de dominós, pierrot, fofões, arlequim, columbina e outras mais, alegravam as casas, ruas e salões dos clubes. Formavam-se blocos de moças e rapazes, com suas fantasias, e brincadeiras, desfilando pelas ruas em filas indianas, cantando e dançando; os fofões apavoravam as crianças com suas máscaras horríveis; os dominós, pierrot e outras fantasias enchiam os salões dos clubes, a desafiar quem fosse possível descobrir quem estava por baixo das máscaras; os corsos eram caminhões enfeitados e adaptados para imitarem navios piratas, aviões, animais, desfilando pelas ruas, era a alegria do povo, assim como a “casinha da roça” e outras atrações. Faziam parte ainda, o confete, a serpentina, o reco-reco, os balões e o lança-perfume. Daqueles tempos bons só nos resta à lembrança.

Hoje, os festejos carnavalescos são outros. Muitas pessoas, em busca dos prazeres efêmeros proporcionados por esses dias endividam-se por todo o ano. Outras pessoas entregam-se aos vícios da bebida; outras mais, aos impulsos do sexo desregrado e irresponsável, aumentando a incidência de doenças transmissíveis, como a Aids, a sífilis, a tuberculose e outras. Clínicas, delegacias de polícia e hospitais ficam abarrotadas de pessoas que se excederam ou foram acidentadas nos folguedos.  Centenas de lares são atingidos pela desonra; a infâncias e a juventude são influenciadas pelos exemplos negativos expostos nas ruas e pelos órgãos de comunicação. Outras consequências se fazem sentir muito tempo depois; são os filhos gerados durante o carnaval, que nascem de mães solteiras sem ninguém como pai, e mais os casos das doenças transmissíveis que, segundo a Organização Mundial de Saúde, aumenta de ano para ano no Brasil.

Eis uma questão que continuará suscitando discussões durante muito tempo, até que ela deixe de ter importância;  ainda não é a nossa situação. O Espiritismo não  condena o carnaval, mas, também não estimula sua festividade. Nesse período são cometidos excessos de todos os graus,  exageros que extravasam e possibilitam a atuação dos espíritos inferiores, que se alimentam de fluidos densos formadores de um ambiente espiritual de baixo teor negativo e nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, pode fazer a apologia da loucura generalizada que acontece nessa festa.
Há nesses momentos de indisciplina  moral e sentimental, o acesso das forças das trevas  nos corações e nas mentes e, às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos necessários de uma hora ou de um dia de insânia e de esquecimento do dever. O culto à carne evoca tudo o que desperta a materialidade, sensualidade, licenciosidade, paixão  gozo e ainda guarda íntima relação das energias entre os dois planos da vida, o físico e o espiritual ao alimentar  “os vivos de cá e os espíritos de lá”, que se deleitam em intercâmbio de fluídos, impercebíveis aos carnavalescos encarnados. 
Vivemos em constante relação de intercâmbio, conectando-nos  com os que nos são queridos pelos pensamentos, gostos,  interesses e ações. Sem que nos apercebamos, somos acompanhados por uma imensidão de “testemunhas” que nos influenciam na nossa situação íntima. Todos nós somos livres para fazer as escolhas que julgarmos convenientes, assim como não podemos nos esquecer de que igualmente somos responsáveis individual ou coletivamente, pelas opções definidas em nossa existência.
É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhes as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se dizem com o título de civilização. As sociedades podem, com o seu livre-arbítrio, exibir suas futilidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso, um eloquente atestado de sua miséria moral.
A Doutrina dos Espíritos recomenda que os espíritas devem aproveitar esse período para descansar, estudar, ler, fazer algum trabalho proveitoso, ajudar os seus semelhantes e conectar-se com o Plano Maior da Vida em elevada festividade espiritual que nos faz bem, proporcionando-nos real alegria e plenitude ao Espírito Imortal.
O apóstolo Paulo, dizia: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém”. É exatamente esse o ponto de vista da Doutrina. Faça o que deseja, mas considere que nem sempre o objeto de seu desejo é algo conveniente. Divirta-se, participe de festas, bailes, clubes, se isso lhe é importante, mas cuidado com outros ambientes desagradáveis, que podem descontrair hoje, mas abrem portas para perturbações amanhã, como obsessão, depressão, dependência química e sua saúde, sendo uma porta larga para graves comprometimentos, físicos e espirituais. É o que vemos com lamentável frequência no noticiário policial de todos os dias.
Fontes:
Jornal “Brasília Espírita”
“Revista Espírita de Campos”
+ Modificações.

Jc.
São Luís, 17/2/2019