quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A EDUCAÇÃO E A INSTRUÇÃO





É preciso não confundir a Educação com a Instrução.  A Educação inicia-se nos primeiros meses após o nascimento,  desenvolvendo os valores na consolidação do caráter e continuando durante a existência, assim como, a Instrução depois é ministrada e empregada no sentido de orientar o ser humano, na aquisição dos conhecimento e das disciplinas.
Não esperemos que os professores consertem as falhas na educação de nossos filhos. Em casa, devemos ensinar nossos filhos a: Cumprimentar, falar obrigado, ser limpo, ser honesto, ser correto, ser pontual, falar bem, não xingar, ser solidário, respeitar  as pessoas, mastigar com a boca fechada, não roubar, não mentir, ser organizado, cuidar das próprias coisas e das coisas dos outros. Na escola, se aprende: Artes, biologia, ciências, filosofia, física, geografia, gramática, história, línguas, literatura, matemática, português, química, sociologia, e é onde são reforçados os valores que os pais devem ensinar aos seus filhos.  
A Instrução significa ilustrar a mente com conhecimentos sobre um ou vários ramos de atividades. O intelectualismo não supre o cultivo dos sentimentos. “Não basta ter coração; é preciso ter bom coração”, disse Hilário Ribeiro, educador emérito cuja competência pedagógica estava na altura da modéstia e da simplicidade que adornava seu Espírito.
Convém acentuar que a consciência religiosa corresponde, neste particular, ao fator principal na formação dos caracteres. A expressão –consciência religiosa – ao invés de religião, para  que não se confundam as ideias. Religião há muitas, mas a consciência religiosa é uma só. Por essa designação entendemos o império interior da moral pura e imutável  ensinada e exemplificada por Jesus. A consciência religiosa importa em um modo de ser, e não em um modo de crer.
É possível que alguém objete: mas, a moral cristã é tão velha, e nada tem produzido de eficiente na reforma dos costumes.  É         verdade, mas não pode ser velho aquilo que não foi usado. A moral cristã é, em sua pureza e em sua essência, desconhecida da Humanidade. Sua atuação ainda não se fez sentir nas pessoas. O que se entende por Cristianismo é a sua contrafação. Dessa moral cristã é que está dependendo a felicidade humana sob todos os aspectos. O intelectualismo, não vai resolver os problemas sociais existentes no mundo.
Jesus apresentou-se perante a Humanidade, como Mestre e Salvador, ao dizer: “Eu sou o vosso mestre”. Daí, por que Jesus arrogou a si a denominação de Mestre, considerando aqueles que o acompanhavam e todos que seguissem os seus ensinamentos, como seus discípulos. A missão de Jesus é precisamente comprovar aquele asserto, vencer os obstáculos conquistando  a Humanidade. Essa obra,  sendo  de  redenção divina, porque visa libertar o ser humano dos liames que o predem a animalidade, cujos vestígios, nele, são patentes, é portanto, uma obra de educação. Jesus veio nos trazer a verdade e fez tudo quanto lhe competia fazer para o cabal desempenho dessa missão que o Pai lhe confiara, mesmo com o sacrifício de sua existência terrena.
Quanto aos compromissos que veio desempenhar neste mundo, nós o vemos claramente através das atitudes que ele assumiu na sociedade terrena. Que fez Jesus? Começou reunindo algumas pessoas simples, arrebanhadas das camadas humildes, e lhes foi ministrando lições e ensinos por meio de singelas parábolas, prédicas e discursos vazados em linguagem popular, cimentando com exemplos edificantes tudo o que transmitia. A novidade da sua escola consistia sempre na divulgação destes princípios: Todos os seres humanos são filhos de Deus; porque todos têm a mesma origem. Da paternidade divina, decorre a fraternidade humana, isto é, todos os seres humanos são irmãos. Portanto, devem amar-se reciprocamente agindo em tudo segundo a lei de solidariedade.
O mestre não fornece instrução: mostra como ela é obtida. Ao discípulo cumpre empregar o processo mediante o qual adquirirá a instrução. Ao mestre compete ainda dirigir e orientaras forças do discípulo, colocando-o em condições de agir por si mesmo na conquista do saber. Resta, portanto, que o ser humano, o discípulo, faça a sua parte para entrar na posse da verdade, essa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos. Os que deixarem de preencher essa condição, continuam nas trevas, na ignorância, e nelas permanecerão até que peçam e procurem por essa luz.
A novidade da sua escola consistia sempre na divulgação destes princípios: Todos os seres humanos são filhos de Deus; porque todos têm essa mesma origem. Da paternidade divina, decorre a fraternidade humana, isto é, todos os humanos são irmãos. Portanto, devem amar-se reciprocamente agindo em tudo segundo a lei de solidariedade.
Jesus veio nos trazer a redenção. É por isso nosso Salvador.  Mas só redime aqueles que amam a liberdade e a luz e se esforçam por alcançá-la. Os que se comprazem na servidão das paixões e dos vícios não têm em Jesus um salvador. Continuarão como escravos até que compreendam a situação  em que se encontram, e almejem conquistar a liberdade.
A redenção, como a educação, é obra que se realiza gradativamente no transcurso eterno da vida; não é obra miraculosa que se realiza num dado momento ou numa única existência. O papel que cabe ao mestre é instruir e educar. Entendemos por educação o desenvolvimento dos poderes psíquicos que todos possuímos em estado latente, como herança havida D’aquele de quem todos nós procedemos. Pestalozzi define assim a matéria ora em apreço, dizendo o seguinte: “Educação é o desenvolvimento harmônico das faculdades do indivíduo.” Ao cultivarmos, esta ou aquela faculdade do Espírito, não devemos desdenhar as demais.
Verifica-se em geral, por parte dos pais, uma grande preocupação – até certo ponto louvável – sobre a educação dos filhos no que diz respeito á inteligência. Querem vê-los com um pergaminho, aureolados por um título que os habilite ao exercício duma profissão, a qual, não só lhes assegure a independência econômica – o quê importa em justa aspiração - mais ainda a riqueza, fama e glória.  O futuro da prole é visto desse prisma utilitário e vaidoso. Antes de tudo, os pais devem cuidar da educação moral dos filhos, deixando às inclinações e vocações de cada um, a escolha da sua profissão.
Há evidentemente uma ilusão nessa maneira de ver e proceder, porque, nós os pais, somos vítimas do egoísmo com que  nascemos. Queremos vê-los com o diploma e alvo de aplausos e louvores, dando-nos a falsa ideia de havermos cumprido perfeitamente o nosso dever com relação àqueles que a providência Divina nos confiou para orientá-los na sua caminhada pela estrada da existência. Não cogitamos do que concerne às qualidades morais, à formação e consolidação do caráter, em fazê-lo homem de bem, caridoso e honesto, com aquele mesmo interesse e afã que empregamos na ilustração do seu intelecto.  Preocupamo-nos muito mais com o cérebro do que com o coração. Fazemos tudo para enriquecê-lo de bens materiais, deixando-os, às vezes, pobres de valores morais e de sentimentos.
O que se dá é que geralmente se imagina que o ser bom, justo e verdadeiro, o ser sincero e amável não requer aprendizagem. Supomos que tudo isso seja coisa tão natural e comezinha que não constitui matéria que deve ser ensinada! Imagina-se que essa parte da educação, incontestavelmente a mais excelente,  há de efetuar-se por si mesma, à revelia de cuidados, que são dispensados a outras modalidades de educação.
Tal é o grande erro generalizado que é preciso corrigir. A ideia de geração espontânea é quimérica. Do nada, nada se tira... Tudo o que germina, germina de uma semente. Tudo que envolve, envolve dum germe ou embrião. Não podemos esperar que aflore na alma da mocidade, qualidades nobres e elevadas sem que, antes, tenhamos feito ali uma sementeira.
Todos os problemas do momento atual se resumem em uma questão de caráter: só pela educação podem ser solucionados. Demasiada importância se dá às várias modalidades do saber, esquecendo-se do principal, que é a ciência do bem. A crise em que se encontra o mundo é a crise de caráter, responsável por todas as outras crises. O momento atual reclama a ação de homens honestos, escrupulosos, possuídos do espírito de justiça e cientes das suas responsabilidades. Temos vivido sob o despotismo da inteligência, porém, devemos sacudir-lhe o jugo fascinador, proclamando o reinado do caráter, o império da consciência, da moral e dos sentimentos nobres.
Honestidade, espírito de justiça, noções do dever são como as artes, virtudes que se adquirem tal como é adquirido o saber neste ou naquele ramo de atividades. Tudo na existência depende de estudo, aprendizado, constância, experiência e trabalho. A sementeira do bem e da verdade, da justiça e do amor, nunca se perde. A obra da redenção humana é obra de educação, e Jesus é o divino educador...
A retórica deixou aos Tullios e aos D        emóstenes; a filosofia aos Platões e aos Aristóteles; as matemáticas aos Ptolomeus e aos Euclides;  a medicina aos Apolos e aos Esculápios; e ainda, a jurisprudência aos Eolões e aos Licurgos; e para si, Jesus tomou só a ciência de tornar bons e salvar os seres humanos.
Fonte:
Livro “O Mestre na Educação”
Autor: Pedro de Camargo (Vinícius)
+ Pequenas modificações.                  

Jc.
São Luís, 22/8/2016
Refeito em 18/9/2019

A NATUREZA HUMANA






 
Um erro psicológico de funestas consequências domina a ortodoxia oficial. Pretendem que o ser humano seja visceralmente mau, perverso e, por natureza, corrupto. Semelhante conceito é adotado, salvo raras exceções, por sociólogos, juristas, escritores, filósofos, cientistas e, o que é mais de admirar, pelos vários credos religiosos. Que os materialistas façam tal conceito do ser humano compreende-se; mas que sejam acompanhados pelos crentes e até pelas autoridades das religiões deístas é inominável, inconcebível.
Como é possível que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, seja considerado mau? Como se compreende que o Arquiteto Supremo haja criado obras imperfeitas e defeituosas? Semelhante pensamento precisa ser combatido. Lavremos em nome da fé que professamos,  veemente protesto contra essa heresia.
O ser humano é uma obra inacabada; entre obra inacabada e obra defeituosa vai um abismo de distância. Os Espíritos trazem consigo os germes latentes do bem e do belo. A centelha divina, oculta embora, é como o diamante no carvão. O mal que no homem se verifica é extrínseco e não intrínseco. No seu íntimo cintila o divinal revérbero da face do Criador. Os defeitos, senões e falhas são frutos da ignorância, da fraqueza e do desequilíbrio de que a Humanidade ainda se ressente. Removidas tais causas, as decantadas maldade e corrupção desaparecerão.
Deus não cria os Espíritos como os escultores modelam as estátuas. As obras de Deus são vivas, trazem em si mesmas as  possibilidades de autodesenvolvimento, pois a vida implica movimento e crescimento. Os atributos de Deus estão, dadas as devidas condições de relatividade, palpitando em cada criatura. Apelando-se para as faculdades profundas do Espírito, logra-se o despertar da natureza que nele dorme, atestando a origem de onde proveio.
O problema do mal se resolve pela educação, e compreende-se por educação o apelo dirigido aos potenciais do Espírito. Educar é evoluir, e através do trabalho da educação, consegue-se transformar as trevas em luz,  o vício em virtude, a  loucura
em bom senso, a fraqueza em força. Tal é em que consiste a conversão do mau. Jesus foi o maior educador que o mundo já conheceu. Sua atuação se efetuou sempre nesse sentido. Jamais o encontramos abatendo o ânimo ou aviltando o caráter do pecador, fosse esse pecador um ladrão confesso, fosse uma mulher adúltera apupada pela turba. “Os são não precisam de médicos, mas, sim, os doentes;” tal o critério que adotava. Invariavelmente agia sobre algo de puro e de incorruptível que existe no Espírito do ser humano.
O mal é uma contingência. Em realidade significa apenas a ausência do bem, como as trevas representam a ausência da luz. O mal e a ignorância são transes ou crises que o Espírito conjurará fatalmente, mediante o despertar de suas forças latentes purificadoras. A prova cabal de que a natureza íntima do ser  humano é divina, e, por conseguinte, incompatível com o mal, está na faculdade da consciência. Que é a consciência, senão o “divino” cuja ação se faz sentir condenando o mal e aplaudindo o bem? Por que razão o homem jamais consegue iludir ou corromper a sua própria consciência?
Ele pode, no uso do relativo  livre-arbítrio que lhe obedece, agir em contrário a sua consciência, porém nunca abafará seus protestos, nunca conseguirá fazê-la conivente com suas iniquidades e crimes. A consciência é o juiz íntegro cuja toga não se macula, e cuja sentença ouvimos sempre, quer queiramos, quer não, censurando nossa conduta irregular. Esse juiz é a centelha divina que refulge através da escuridão de nossa animalidade; é o diamante que cintila a despeito da negrura espessa do involucro que o circunda.
Perniciosas e desastrosas têm sido as consequências do falso conceito generalizado sobre o caráter humano. Tal pensamento gerou o pessimismo que domina a sociedade. O vírus que tudo polui e conspurca, é outro efeito oriundo da mesma causa. Que pretendem os industriais da cinematografia exibindo películas dissolventes e até indecorosas?  E os literatos e romancistas abarrotando as livrarias de obras frívolas, enervantes e imorais? E o empresário teatral com suas comédias impudicas, cheias de obscenidades? E os compositores  e  cantores  com  suas  músicas  imorais? E os costureiros e modistas com sua indumentária que peca pela falta de decência e decoro? Todos eles, convencidos de que a natureza humana é essencialmente corrupta, estão atuando através da corrupção, visando o lucro fácil e imaginando que o meio mais fácil e seguro de êxito seja esse. No entanto, se essas atividades se transformassem de escolas do vício em escolas de virtudes, deixariam de existir por isso?
A falsa ideia de que o êxito só se alcança apregoando o vício, a maldade, o crime e a ignorância humana, é uma mentira herética e execrável. A própria Teologia tem sustentado esse erro pernicioso, através dos séculos, pela palavra de seus corifeus, prejudicando seriamente a evolução da Humanidade. A Pedagogia, em seu glorioso advento, vai destronar esse conceito milenar, desembaraçando a mente humana dessa grande aberração.
Voltamos a dizer: O ser humano é uma obra inacabada; entre uma obra inacabada e uma obra defeituosa vai um abismo de distância. Como é possível que o ser humano (Espírito) criado a  imagem e semelhança de Deus, tenha sido feito para o mau? Somente, mentes ignorantes da criação de Deus pode assim pensar...

Fonte:
Livro: “O Mestre na Educação”
Autor: Pedro de Camargo (Vinícius)
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 24/8/2016
Refeito em 18/9/2019