terça-feira, 10 de março de 2015

PARA SER FELIZ





  “A felicidade é algo tão sublime que multiplica quando se divide”.
Vivemos num Universo cheio de mistérios e num mundo cheio de contradições. Mas qual é o maior mistério? É a existência humana. Até onde você se conhece? Apesar da grandeza da vida, o ser humano não cuida com carinho da sua existência. Algumas pessoas só procuram mudar sua vivência quando sofrem um infarto. Muitas outras só descobrem que eram felizes, quando perdem a saúde ou as pessoas que mais amavam.
Dos miseráveis aos abastados, dos incultos aos intelectuais, todos querem ser felizes; mas para muitos, ser feliz é uma miragem. Muito se fala, mas pouco se conhece sobre o que é a felicidade... Ser feliz não é ter uma existência sem perdas, frustrações e sofrimentos; feliz é ser alegre, mesmo se vier a chorar; é viver intensamente e nunca deixar de sonhar, mesmo se tiver pesadelos; é dialogar consigo mesmo, ainda que a solidão o cerque; é ser sempre jovem, mesmo que os cabelos fiquem brancos; é amar os pais, mesmo se eles não o compreendem; é contar histórias e cantar para os filhos e netos; é agradecer muito, mesmo se as coisas derem errado, e transformar os erros em lições de vida.
Ser feliz é sentir a beleza da natureza, a brisa do vento no rosto, o cheio da terra molhada pela chuva, é extrair das pequenas coisas, grandes emoções, é encontrar todos os dias, motivos para sorrir, até mesmo de suas próprias tolices; é não desistir de quem se ama, mesmo com algumas decepções; é ter amigos para repartir as lágrimas e dividir as alegrias; é enfim, agradecer a Deus pela vida (Espiritual) e pelas existências terrenas...
Quem conquista uma existência feliz?  Será que são as pessoas mais ricas, os políticos mais poderosos ou os intelectuais mais brilhantes? Não!  - São os simples e humildes que superam os desejos e as ansiedades, vencendo o mau humor e os traumas.
Nunca tivemos um avanço tão grande na Tecnologia, mas o ser humano nunca experimentou tantos transtornos psíquicos; nunca tivemos tanto conforto, a geladeira, o telefone, o veículo, e nunca tivemos tantos meios de prazer, o cinema, a televisão, a Internet, mas o ser humano nunca se sentiu tão solitário e tão triste. A sociedade moderna se tornou uma fábrica de estresse e vivemos nesse mundo maluco. O que fazer?  Mudar de planeta não é viável.
Viver como eremita não vai adiantar, pois levaremos nossos problemas aonde formos; refugiarmo-nos no álcool e nas drogas, como muitos jovens fazem só leva á miséria e destrói a existência; fingir que nada está acontecendo é fugir da realidade. A verdade é que vivemos num mundo complicado, mas não adianta desistir, pois é nele que devemos trabalhar ser responsável e tentar ser feliz.
Se sua existência se transformou numa rotina cheia de tédio, se lhe falta prazer, alegria e encanto, é porque você não reconhece e não aprecia a natureza. Desperte!  Ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalho sem fadigas e um relacionamento sem decepções. Ser feliz é encontrar forças no perdão, esperança nas lutas e amor no coração; ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, crises e incompreensões; ser feliz é agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da existência; ser feliz é ter coragem para ouvir um “não”, é ter tranquilidade para receber uma “crítica” mesmo injusta; é curtir os pais, beijar os filhos e aceitar os amigos mesmo que eles o magoem nas verdades; ser feliz é deixar viver a criança simples que vive dentro de cada um de nós; é ter maturidade para falar “eu errei”, ou a ousadia para dizer “me perdoe”, é ter sensibilidade para dizer “eu preciso de você”, e ter a capacidade de expressar “eu te amo”. Talvez não saiba, mas há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
A existência é tão breve e, feliz, os que usam a cabeça para progredir e não para sofrer... Seja alegre mesmo quando vier a chorar; seja jovem, mesmo quando o tempo passar; tenha esperança, mesmo quando sofrer frustrações, e não deixe de sonhar, mesmo quando vier a fracassar; amanhã será um novo dia. Seja apaixonado pela existência e descubra que você é um ser humano especial para alguém...

Fonte:
Livro “Dez leis para ser feliz”
Autor: Augusto Cury
+ Supressões, acréscimos e modificações.

Jc.
São Luís, 01/10/2014

segunda-feira, 2 de março de 2015

AS CRIANÇAS DA NOVA ERA




 Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, cada nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento do bem e a crença espiritualistas, o que constitui sinal característico de certo grau de adiantamento anterior, se compondo de espíritos que já progrediram e se acham predispostos a assimilar ás ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.

Assim aprendemos com Allan Kardec que, se bem compreendida e orientada, toda e qualquer criança que está chegando á Terra mudará a vida do planeta de maneira bastante significativa e jamais imaginada.  Quando o lar e a escola se tornarem locais de satisfação, de aprendizado e de segurança para as crianças de agora e para as que virão, conseguiremos auxiliar esses Espíritos que, chegados ao mundo para desempenhar seus papeis missionários, de homens e mulheres de bem, possam realizar com êxito o que vieram fazer na Terra. Todos nós podemos ajudar de alguma maneira esses Espíritos de cada nova geração, quer vivamos na mocidade, na maturidade ou na velhice.

A nova geração está na criança, na mãe de família que luta para criar os filhos, nos que trabalham nos campos, em todos os lugares,  espalhando o consolo, alimentando a esperança, pensando na harmonia, buscando o entendimento; de algum modo somos também elementos da nova geração, valorizando a vida e o amor verdadeiro, amparados pelos Espíritos Superiores e com as bênçãos de Jesus, que sustentam os que sofrem e abrem as portas da elevação espiritual.

Essa seleção de espírito e a promoção da Terra para mundo de regeneração é acontecimento que tem sido aguardado há algum tempo, não sendo poucas as referências que temos sobre tal acontecimento na literatura espírita e espiritualista. Aliás, tal fenômeno, tendo em vista a mudança para mundo de regeneração, só pode mesmo acontecer com a mudança de moralidade dos seus habitantes. É o melhor padrão dos habitantes que favorece a vida em sociedade em nível melhor. Esses novos espíritos evoluídos  que estão chegando à Terra, estão nascendo e recebendo o nome de crianças Índigo. No excelente livro (não é espírita), “Crianças Índigo”, publicado em 2005 pela Editora Butterfly, os seus autores norte-americanos, Lee Carol e Jan Tober, relatam que,  de poucas décadas para cá, os pesquisadores e educadores estão  descobrindo um novo tipo de criança. Dizem eles que praticamente 90 % das crianças atuais são portadoras de atitudes que se configuram como crianças “Índigo”. Essa denominação se deve ao fato de que tais crianças têm suas auras azuis. Embora esses pesquisadores não tenham vidência nem sejam médiuns, enxergam ao redor dessas crianças a cor azulada. De acordo com as pesquisas científicas citadas no livro, relacionamos algumas das principais características das crianças Índigo: a- Têm inteligência superior à atual geração de adultos; b- têm nobreza de caráter; c- não aceitam a liderança imposta; d- necessitam da presença de adultos emocionalmente estáveis e seguros ao seu redor; e- frustram-se quando suas ideias não podem ser colocadas em prática por falta de recursos ou da compreensão das pessoas; f- aprendem pela experiência, recusando-se a seguir a metodologia repetitiva e passiva; g- possuem inteligência e conhecimentos acima dos outros alunos; h- resistem aos tipos de autoridade que não seja exercida de maneira democrática; etc.

Apresentamos mais duas informações espíritas sobre as crianças da nova era: A primeira, consta do livro “Momentos de Harmonia”, da Editora Leal, psicografado por Divaldo Franco, ditado pelo espírito de Joanna de Angelis, que diz: “...dá-se neste momento a renovação do planeta, graças à qualidade e moralidade dos espíritos que começam a habitá-la, enriquecidos de virtudes nobre e de interesse fraternal.” – A segunda informação consta no livro ”Reforma Íntima Sem Martírio”, psicografia de Wanderley Soares, ditado pelo espírito de Maria Modesto Cravo, e diz: “Uma geração nova regressa às fileiras carnais da humanidade para melhorar o panorama do orbe interligando e ampliando patamares de fraternidade; é tempo de renovar”.

Sabemos que as crianças de hoje são muito ativas e inteligentes. E por
que são tão inteligentes? – A resposta está nas comunicações dos espíritos. Informam-nos que, de poucas décadas para cá, os espíritos que estão renascendo em nosso planeta são muito especiais, nobres de alma, fraternais, e devido ao natural progresso alcançado, inteligentes e moralmente evoluídos. Essa notícia formidável de renovação do mundo que habitamos, por meio de espíritos especiais que estão reencarnando, possivelmente é a mais importante notícia depois da vinda de Jesus e de Allan Kardec.

Na revista “O Reformador” de setembro de 2006, trás uma reportagem de Washington Luís Fernandes, com a foto de um menino mexicano de 6 anos, de nome Maximiliano Arellano,  fazendo uma palestra (durou 45 minutos) sobre Osteoporose, na Universidade do México, para uma plateia formada por médicos. Como o púlpito era alto, ele teve que subir em uma cadeira para poder fazer a palestra. Diz ainda á reportagem que ele já fez palestra até sobre Anatomia Cardiovascular. O diretor da Faculdade de Medicina, Roberto Camacho, disse que Maximiliano fala de Fisiopatologia com o linguajar de um residente. Não há como explicar que esse menino de 6 anos, possa fazer palestra para médicos, senão admitindo que ele tenha adquirido esses conhecimentos em outras existências.

Retornando ao livro “Crianças Índigo”, um dos colaboradores relata: “Sabemos que as crianças índigo já nascem com um talento especial e muitas têm a consciência de verdadeiros filósofos sobre o sentido da vida e sobre como salvar o planeta. Outros são grandes artistas, inventores e cientistas, etc”.

Muitas crianças que nascem com talentos especiais têm sido diagnosticadas como portadoras de TDAH  (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), outras estão sendo destruídas no sistema público de educação. Para termos uma ideia da situação dessas crianças, nos servimos de um artigo de Jane Martins Vilela, publicado no jornal “O Imortal” de dezembro de 2014, que diz: “Diante de nós encontrava-se um jovem adolescente, um menino de treze anos de idade; entrou calado com o pai, sentou-se quieto, após um bom dia formal. O pai nos apresentou um parecer da escola dizendo que o menino apresentava hiperatividade e que necessitava consultar um neurologista. Nesses casos, é muito comum esse pedido, embutido aí a recomendação do medicamento Ritalina, que mantém muitas crianças quietas ou até mesmo dopadas”.

Sabe-se pela psicologia, que a grande maioria das crianças que estão usando essa medicação, necessita mais de limites exemplos e educação do que de medicação. Observamos Guilherme, o menino, quieto, sentado, educado. Ponderamos com o pai que ele não era hiperativo. - “Não! Eu sou hiperativo”, disse o menino. Perguntamos a ele: -Você quer ser hiperativo? - “Eu não, mas estão dizendo que eu sou.” - E antes, como era? Perguntamos ao pai. Sem reclamações disse ele. Perguntamos ao menino como eram suas notas. Todas de oitenta para cima, disse ele. - Deixe-nos então adivinhar, comentamos com ele. Você é muito inteligente e termina as tarefas escolares antes dos outros, faz tudo certo e não tem paciência de ficar esperando seus colegas terminarem. Por isso, levanta-se, fica inquieto, conversa e atrapalha os outros. Ele confirmou dizendo: - “É isso mesmo e não tenho paciência, não aguento; aí eu argumento com os professores e eles dizem que sou rebelde, sou hiperativo”.

Temos grande respeito pelos professores; são uns verdadeiros heróis em nosso país, mas aqui fazemos um relato do que se passou com o Guilherme e salvo exceções, tem acontecido com muitas crianças. Voltamos a falar com o pai de Guilherme e comentamos com ele que pela avaliação mundial de ensino o Brasil está nas últimas colocações, infelizmente. Dissemos então a ele: Seu filho é muito inteligente, isso não está sendo visto. Ele precisa ter colegas muito inteligentes junto dele, ou seja, precisa de uma escola mais difícil, porque o nível de inteligência dele é alto. - “Viu, pai, eu não disse; faz mais de um ano que estou pedindo isso! Mamãe não quer me ouvir e insiste que vou ficar nessa escola até acabar a oitava série! Eu quero uma escola mais difícil!” A rebeldia estava explicada; ele não estava sendo ouvido.
Recomendamos ao pai algumas escolas de excelência que fornecem bolsas de estudo, mediante avaliações. Orientamos Guilherme a usar sua inteligência a seu favor e conquistar pelo diálogo, pela educação e pela gentileza e não pela rebeldia, que deporia contra ele. Mandamos um bilhete para a escola, com uma orientação muito simples: Se o Guilherme era tão inteligente que acabava muito antes e não aguentava esperar, que a professora levasse material extracurricular que atraísse sua atenção e o mantivesse entretido até seus colegas terminarem as tarefas. Esse exemplo ilustra vários outros casos semelhantes que recebemos, ao longo dos anos.

Lucius é um neto que tenho, de oito anos, que nos deixa embaraço com seus conhecimentos e as respostas e inquirições que faz. É muito inteligente e na escola acontece com ele o mesmo que acontece com o Guilherme, rapidamente faz os deveres e ficando ocioso, quer brincar e conversar, enquanto os outros ainda estão ocupados nos deveres.

Estamos com uma geração de crianças inteligentes. Algumas delas estão aprendendo a ler sozinhas com pouca idade, sem ajuda de terceiros e sem estarem em escolinhas. Temos casos de crianças que chegam ao “pré” sabendo tudo e conversando como gente adulta, até serem reconhecidos como superdotados, sendo que, alguns perdem o estímulo e fazem o famoso “bloqueio”, param tudo, e não vão em frente, por falta de apoio. Precisamos reconhecer nossas crianças inteligentes, ajudá-las a desenvolver seu potencial e ampará-las para que possam usar a inteligência com o amor no coração. Ensinemos nossas crianças a amar seus semelhantes para que o mundo seja melhor amanhã, seguindo o exemplo que Jesus nos deixou.

Em toda parte do mundo estão desabrochando e se manifestando esses Espíritos que recebem o nome de Índigo. Para preparar-lhes o caminho, de que maneira estamos colaborando para esse evento tão feliz? Já estamos contribuindo para essa era de regeneração? Todos nós temos conhecimento do que está acontecendo e o que deverá acontecer ainda. Que cada um interrogue sua consciência para saber como está procedendo nesta transição para o mundo de regeneração.


Fonte:
Jane Martins Vilela
Jornal “O Imortal”- 12/2014
+ Acréscimos e modificações.

Jc.
São Luís, 20/01/2015 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O "LAR DE JOSÉ" E O SEU CRIADOR



   ANTÔNIO  ALVES  MARTINS

Antônio Alves Martins, mais conhecido como “Pequenino”, nasceu em São Luís no dia 11/4/1917, filho de Antônio de Castro Martins e Maria Alves Martins. Foi estudante do Liceu Maranhense, onde participou de vários torneios esportivos, conquistando várias vitórias.  A sua atividade profissional foi sempre como funcionário do Banco do Estado do Maranhão, sendo um dos fundadores da Instituição, onde trabalhou por 33 anos, só deixando por motivo do seu desencarne em 1980.

Integrado ao movimento espírita, fundou com outros companheiros de ideal, a Juventude Espírita Maranhense, no dia 03 de outubro de 1947. Preocupado ainda com a ideia de criar uma entidade para abrigar meninas carentes, conseguiu comprar em 1949, com a colaboração dos colegas de banco, que sempre o ajudaram, e outros irmãos, um terreno localizado no Anil e deu início a construção do que seria o “Lar de José”.

A primeira diretoria do “Lar de José” foi constituída por Antônio Alves Martins-presidente, Clóvis Ramos-secretário e José de Paula Bezerra-tesoureiro.  Em 1º de dezembro de 1950, com a chegada da Caravana da Fraternidade em São Luís, ele participou da fundação da Federação Espírita do Maranhão, juntamente com outros confrades, tendo sido eleito seu presidente, no período de 1952 até 1960.

Em 1963, “Pequenino” viu seu grande sonho ser realizado ao inaugurar o abrigo que até hoje serve de lar para meninas. Em 1966, voltou ele a ser presidente da Federação Espírita Maranhense, até 1980,  quando veio a desencarnar.   

Em 19/4/1980, ao se dirigir para uma reunião onde iria pedir ajuda para a Instituição, o Pai Celestial o chamou para continuar o seu trabalho na Espiritualidade, e ele deixou a existência terrena, causando tristeza em suas meninas e em todos os que o conheciam. “Pequenino”, pelo trabalho que realizou, consagrou-se na memória dos seus companheiros, dignificou a classe bancária e marcou de forma abnegada a sua existência em São Luís.

Esta é a história de um ser humano idealista e de sua obra que se perpetua até hoje, graças à contribuição dos sócios, das ajudas espontâneas, da proteção de Jesus, e as benção de Deus, pois sem elas nada seria possível.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    
                                                                                                                              
O LAR DE JOSÉ

Fruto do idealismo de Antônio Alves Martins, mais conhecido como “Pequenino”, com a colaboração de jovens espíritas, entre eles, meus irmãos Inaldo e Salma e também com a minha presença, foi fundada a Juventude Espírita Maranhense no dia 03/10/1947, em homenagem ao dia do nascimento de Allan Kardec.

Posteriormente, Pequenino, preocupado com o amparo a meninas carentes, adquiriu uma grande área no bairro do Anil, na linha do bonde, hoje Avenida Edson Brandão nº 500, onde projetou e construiu a sede própria. Esse terreno que se estendia da linha do bonde (hoje, Avenida Edson Brandão) até a linha da Estrada de Ferro (atual Avenida dos Franceses), foi aos poucos diminuindo em virtude das doações que ele fazia de pequenos lotes a pessoas carentes e que constitui hoje, parte do bairro do Santo Antônio.

Do primeiro tijolo, no início da construção em 1949, até a primeira criança recebida carinhosamente em 1954,  “Pequenino” liderou um grupo de idealistas espíritas e companheiros do Banco do Estado, que o ajudaram a construir o “Lar de José”. Muitas pessoas ao passarem de carro em frente ao Lar, eram interceptadas por  meninas, que acenavam com uma sacola vermelha à mão, pedindo uma colaboração.

Em 1973, o “Lar de José” abrigava 70 meninas e, diante das dificuldades financeiras, para mantê-lo funcionando, “Pequenino” resolveu transformar a Juventude Espírita Maranhense  em uma Associação com a denominação  de Associação Espírita “Lar de José”, para poder com a ajuda dos associados manter e ampliar o trabalho assistencial, passando então a dedicar parte da sua existência às crianças ali abrigadas, a quem considerava como suas filhas. Nessa época, foi criado o “Centro Espírita Poço de Jacó” e ainda a “Escola Domingos Perdigão”, que funcionava em turnos matutinos e vespertinos, com ensino infantil e fundamental maior que atendeu os alunos até o ano de 2009.

Quantas meninas passaram como internas pelo Lar de José? Quanta dedicação elas receberam e que lhes facilitou uma existência mais feliz. Somente para confirmar, informo que a minha esposa e minha cunhada foram criadas pelo Lar de José e saíram formadas como professoras, assim como muitas outras meninas.

Muitas foram as  idosas que passaram pelo “Lar de José”, que lhes oferecia no último domingo de cada mês, um almoço de confraternização, uma palestra educativa religiosa e na saída, elas recebiam uma cesta básica, como forma de minorar as dificuldades de uma pequena parcela de idosas, relegadas pela sociedade. Esse trabalho com a terceira idade permaneceu até o mês de agosto de 2008, quando se encerrou meu mandato na diretoria, e a nova direção acabou com essas atividades.

Muitas, também, foras as pessoas que frequentaram o “Lar de José” para participarem da Feijoada Beneficente, sempre realizada nos primeiros domingos de cada mês.

A Associação Espírita Lar de José é uma entidade beneficente sem fins lucrativos, devidamente registrada no Conselho de Serviço Social, e considerada de utilidade pública federal, estadual e municipal, prestando serviços às comunidades  através dos seus departamentos.                      

Pelo seu trabalho de assistência, o “Lar de José” foi destaque
na edição especial da revista “Veja” de dezembro de 2001, em
que aparece entre as 430 entidades pesquisadas a nível nacional, como a única entidade merecedora de receber contribuições em São Luís, e uma das duas únicas entidades filantrópicas no Estado.

Com o falecimento de Antônio Alves Martins, assumiram a direção do “Lar de José” as senhoras, Maria José Berredo Martins, Maria Helena Valois Catanho e Antônia Melo Barros que cuidava das crianças como se fossem suas filhas, que já  auxiliavam Pequenino, na obra.  Atualmente a Associação Espírita “Lar de José”, se encontra sob a direção do irmão Jacob e alguns companheiros, com as atividades do Centro Espírita Poço de Jacó sendo realizadas nos seguintes dias: Segunda-feira, das 19 ás 22h; terça-feira das 20h ás 21,30h; quarta-feira das 19,30 ás 22h e sábados das 7,30 as 13h e das 18 as 20,30h; o Educandário Espírita Domingos Perdigão, no horário matinal, com o ensino do maternal  indo até o 2º ano do fundamental,  atualmente com 70 alunos; abriga atualmente 14 crianças e promove ainda a Feijoada da Fraternidade, no segundo domingo de cada mês, entre outras atividades.

Finalizando esta exposição, apresentei a história de Antônio Alves Martins, um idealista e de sua obra que se perpetua até hoje, graças aos esforços da atual diretoria,  a contribuição dos sócios, a colaboração de pessoas, firmas e instituições, a ajuda de muitos, e, principalmente, a proteção de Jesus e as bênçãos de Deus, pois sem elas, nada seria possível de se realizar. . .    Ao irmão de vivência espírita que partiu, elevamos preces de gratidão e pedimos que da espiritualidade ele possa ajudar os atuais dirigentes a dar continuidade a sua obra.

Desejo a todos, harmonia e saúde e que a Paz do Senhor continue em nossos corações...
                                                                             Jurandy  Castro



Fonte:
 Folder sobre a Entidade
+ Acréscimos e pequenas modificações.

Jc. 
São Luís, 17/2/2015

domingo, 8 de fevereiro de 2015

JOSÉ HERCULANO PIRES





  Assim como Allan Kardec, José Herculano Pires desencarnou também muito cedo, aos 64 anos e meio de idade. Nascido na cidade de Avaré (SP) em 25 de setembro de 1914, filho do farmacêutico José Pires Correia e da senhora Bonina Amaral Pires, ele fez seus primeiros estudos em Avaré, depois em Itaí e Cerqueira César. Sua vocação literária despontou ainda quando criança.
Aos 9 anos, escreveu seu primeiro soneto; aos 16 anos, publicou seu primeiro livro, e aos 18 anos, o segundo intitulado Coração, constituído de sonetos e outros poemas. Nessa mesma época, em 1932, assumiu a direção da tipografia do seu pai e tornou o jornal  “O Porvir”, órgão oficial da União Artística do Interior, que havia fundado em Cerqueira César. Em 1936, transformou o jornal em uma revista literária, dando-lhe o nome de “A Semana”. Nesse mesmo ano tomou contato com “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, convertendo-se a partir daí ao Espiritismo. Ainda em 1936, com 22 anos de idade, pronunciou sua primeira conferência doutrinária, fato que se deu numa concentração espírita realizada na cidade de Ipauçu, no interior de São Paulo, quando conheceu Maria Virgínia de Anhaia Ferraz, com quem se casou em 1938.
Em 1940 mudou-se para Marília (SP), onde adquiriu o jornal “Diário Paulista”, que dirigiu por seis anos. Em 1946 mudou-se para São Paulo (SP), onde lançou seu primeiro romance e, no campo profissional, trabalhou por cerca de 30 anos nos Diários Associados, em que exerceu diversas funções: repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário. Em 1954 publicou “Barrabás” que recebeu o prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da Trilogia “Caminhos do Espírito”. Publicou em 1975, “Lázaro” e com o romance “Madalena”, completou a trilogia.
Jornalista, escritor e tradutor, foi ele presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e membro da Academia Paulista de Letras, mas, sobretudo, um dos grandes estudiosos e divulgadores da Doutrina Espírita, a quem Emmanuel, por meio de Chico Xavier, fez merecido elogio atribuindo-lhe o epiteto: “o metro que melhor mediu Kardec”. Autor de 81 livros de Filosofia, Histórias, Ensaios, Psicologia, Pedagogia, Parapsicologia, Romance e sobre a Doutrina Espírita, alguns em parceria com Chico Xavier, dizia sofrer de grafo mania, escrevendo dia e noite. A relação das obras que escreveu pode ser vista no “site” da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires. O link é: www.fundacaoherculanopires.org.br.
Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: “O Ser e a Serenidade”. De 1959 a 1962, ocupou a cadeira de filosofia da educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de Araraquara (SP). Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo em 23/01/1948, que funcionou por 22 anos. Foi diretor fundador da revista “Educação Espírita” publicada pela editora Edicel.
Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Espírita, enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés. Essas traduções foram doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha. Colaborou também com o Dr. Júlio Abreu Filho na tradução da Revue Spirite, publicada pioneiramente pela editora Edicel. Além dos livros e dos artigos que escreveu dos inúmeros eventos que participou e das palestras que proferiu, por mais de 20 anos, Herculano Pires manteve uma coluna diária sobre a Doutrina dos Espíritos, em um dos mais importantes periódicos paulistas, pertencentes ao grupo dos Diários Associados, com o pseudônimo de “Irmão Saulo”. Durante 4 anos manteve no mesmo jornal, uma coluna em parceria com Chico Xavier, sob o título: “Chico Xavier pede licença”.
Ao desencarnar em 09 de março de 1979, deixou vários originais os quais vêm sendo publicados pela Editora Paidéia. Se ainda fosse vivo, neste ano de 2014, ele faria 100 anos de idade. Por tudo o que sabemos o centenário de Herculano Pires não poderia passar em branco, e não passou. Uma série de ações comemorativas foram organizadas e levadas a efeito, nos últimos doze meses, incluindo seminários, palestras e lançamento dos seus livros. Ao todo, foram realizados 25 encontros quinzenais, nos quais, a cada edição um estudioso da obra de Herculano, proferia palestra focalizando as diversas categorias do seu trabalho, no campo literário, jornalístico, filosófico, poético e doutrinário.
No dia 20 de setembro, no auditório da FEAL – Federação Espírita André Luiz, em São Paulo, ocorreu o evento que encerrou as comemorações do centenário de Herculano Pires, com a realização do simpósio “Herculano Pires 100 anos”, e o lançamento do filme do cineasta Edson Audi, “Herculano Pires: um convite para o futuro”, sobre a vida e a obra do homenageado.
Participaram do simpósio, Heloisa Pires, filha de Herculano, os confrades Marco Milani, Wilson Garcia e Paulo Henrique Figueiredo que focalizaram, em suas exposições, os temas seguintes:  Herculano Pires, o filósofo – Marco Milani; Herculano Pires, o jornalista – Wilson Garcia;  Herculano Pires, a coerência doutrinária – Paulo Henrique Figueiredo.
Para saber mais sobre Herculano Pires, assista ao vídeo da Videoteca Espírita PAF, de São Carlos (SP). As gravações foram feitas no Centro Espírita Cairbar Schutel, de São Paulo, com a participação de D. Virgínia e um de seus filhos. O vídeo faz parte do acervo da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires, cujo link é: https://www.youtube.com/watch?v=Qez-WSANjdw
Fora do Brasil, no mês de abril deste ano, durante a Semana Espírita de Nova York foi realizada uma homenagem ao escritor com palestras em vários Centros Espíritas daquela cidade, quando foi lançado o livro “Mediumship” versão em inglês de “Mediunidade” de Herculano Pires, traduzido pelos irmãos de Nova York e pela Spiritist Society of Flórida, daquele país. Ao longo das comemorações, foram lançados os livros: “365 Momentos Espirituais” com J. Herculano Pires, com organização de Wilson Garcia, publicado pela editora EME, e “Kardec é Razão”, edição revista e ampliada e os livros “O Livro dos Espíritos” e “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, tradução, notas e comentários de J. Herculano Pires, editora Paideia.

Fonte:
Jornal “O Imortal” – 10/2014
Angélica Reis
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 16/10/2014

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

NOSSAS PERDAS




 Todo ser humano, durante a sua existência na Terra sofre o problema da perda, muito embora a grande maioria, não se conforme com a situação de perder algum bem material, algum ente querido, e, até mesmo, de perder a própria existência.
No nascimento, perdemos o silêncio, a paz e o aconchego do útero, depois, o cordão umbilical; na infância perdemos o berço, a chupeta, a papinha, os brinquedos; na adolescência perdemos a infância, os coleguinhas, a inocência, a namoradinha, ás vezes, a virgindade, e, alguns, até os próprios pais; na mocidade, muitos perdem as facilidades, a começar pela fase de estudante, a mesada, as provas, o curso, a paciência, a humildade e a simplicidade; na fase adulta, muitos perdem o concurso, o emprego, o ânimo, o otimismo, a saúde, os sonhos de progressos e também os bens materiais que julgam lhes pertencer, embora saibam que nada lhes pertence, pois não trouxeram nada material ao nascer.
Chegamos depois á fase idosa, e perdemos o emprego por conta do tempo que passa e da chegada da aposentadoria, se chegarmos até ela pelo serviço ou por incapacidade, a perda do salário, das condições financeiras, a perda das atividades que ainda tínhamos condições de desempenhar, o convívio com os companheiros e amigos, as idas e vindas ao labor. Depois, perdemos a vontade de sair de casa, de ir ao cinema, de passear e até mesmo de ir a uma praia a um clube ou a uma excursão.
A existência é constituída de aquisições e perdas e a grande maioria dessas perdas são materiais (documentos, dinheiro, celular, tablete, bicicleta, moto, carro, casa, etc.) cuja posse é transitória, outras são perdas afetivas como a perda dos pais, irmãos, esposo/esposa, filhos, parentes, amigos; outras mais são perdas que comprometem o ser humano na sua trajetória de evolução espiritual, como a perda da existência através do suicídio, a fé em si mesmo, nos seus semelhantes, em seus protetores, e até mesmo em Jesus ou no Pai Celestial.
Muitas pessoas não aceitam perder, principalmente se for algum bem material; prendem-se a essa perda como se tudo na existência se resumisse a essa perda, e ficam a se lamentar por muito tempo, até que o mesmo tempo, lhes tire do pensamento e deixe apenas a recordação daquela perda, ou outras perdas vão se sucedendo fazendo com que o ser humano esqueça as perdas mais antigas e passe a lamentar as novas perdas.
Durante a existência, muitos por questões dos vícios como o cigarro, o álcool e as drogas, perdem a identidade, o respeito, as amizades, como ganhar o sustento; outros perdem a estima, o vínculo familiar e se perdem num emaranhado de situações tristes e lamentáveis, perdendo também as possibilidades de progresso.
Finalmente, chegamos a perder o gosto de viver e perdemos também a própria existência, encerrando um ciclo que se inicia no útero e termina quando o coração e o cérebro encerram suas atividades. Perdendo a existência, perdemos também a convivência com os parentes e amigos que ficam na Terra, só não perdemos a vida que é eterna, pois somos Espíritos Imortais. Só não podemos, em situação alguma, é perder a fé em Deus e na nossa destinação à felicidade, em decorrência de todo o bem que tivermos praticado aos nossos semelhantes, na nossa jornada que se finda...
Como não somos ainda Espíritos evoluídos, voltamos em novas existências, às vezes no mesmo ramo da família, onde deixamos afinidades que nos ajudarão e animosidades e malquerenças que temos de harmonizar e eliminar, aproveitando a nova jornada terrena que o Pai Celestial nos possibilita para nossa evolução.
Ninguém gosta de perder, mas ninguém que exista na Terra está isento de perder, e a perda assim como o ganho e a felicidade de ter e a tristeza de perder, faz parte da existência do ser humano. Por isso, todos nós temos que nos acostumar com as perdas, embora a perda maior seja a da nossa existência atual. Ganhar e perder faz parte da nossa vivência...

Jc.
São Luís, 11/7/2014

sábado, 13 de dezembro de 2014

COMEMORAÇÕES DO NATAL E DO FIM DE ANO




 Cerca de 80% das pessoas se sentem mais tensas nessa época; algumas ficam eufóricas outras ficam deprimidas, segundo pesquisa feita pela associação que estuda o estresse. Para a psicóloga Iracema Teixeira, o principal motivo são os excessos que marcam o mês repleto de festas e gastos extras. Mas, não devemos ficar nervosos; vamos contornar a irritação típica da época.
A cobrança nos chega pela pressão das compras, fechamento de projetos profissionais e frustrações sobre planos pessoais, que são os grandes fatores que geram o estresse de final de ano. É um período de grande excitação que acaba nos envolvendo, além disso, as comemorações e os eventos em família podem passar de festa e diversão para cobranças sociais. Tudo sai da rotina e todos se vêm obrigados a cumprir um papel.
São várias festas, várias compras, vários presentes e muito trabalho, resultando em pouco descanso e comida, e gastos em excesso. Crie forma de desacelerar a agitação e aprenda a dizer “não”, priorizando as comemorações nas quais quer participar e os presentes que irá comprar. Outra dica é encarar todas essas situações de Natal e fim de ano como uma oportunidade de lazer.
Aproveite para confraternizar com os amigos e familiares, e usufruir os momentos gratificantes, mesmo que simples. Porém, se você ficou muito estressada/o, coloque um banquinho debaixo do chuveiro e deixe a água cair sobre você para relaxar. Não deixe de beber muita água e procura momentos de pausa para relaxar, e, se possível, evite o excesso de bebida alcóolica e comidas gordurosas.
Neste período que antecede o Natal, muitas pessoas praticam ações pontuais de caridade, como doação de brinquedos a crianças, cestas básicas aos necessitados, outras pessoas participam em campanhas de fraternidade.
Se você quer participar da corrente do bem, procure alguma Instituição confiável e leve seu apoio, imitando os Magos que foram levar presentes ao menino Jesus. Outra diga é se cadastrar como Voluntária/o numa entidade beneficente que atenda crianças ou idosos desamparados. “O voluntário está contribuindo para tornar o mundo melhor e fraterno, sempre gerando satisfação por estar fazendo a diferença”.
Existe ainda uma Campanha dos Correios que ajuda a tornar realidade o sonho de Natal de muitas crianças, e para participar, basta ir a uma agência mais próxima, escolher a carta que mais lhe comoveu.
O Natal, antigamente uma festa de religiosidade e sentimento, hoje se transformou numa festa de comes e bebes, onde o que menos se constata é a satisfação pelo nascimento de Jesus, as encenações do Presépio, trocado pela fantasia do papai-noel, símbolo do consumismo.
Vivamos o verdadeiro sentido do Natal;  vamos abraçar e desejar aos nossos familiares e amigos, um Novo Ano de Paz, Harmonia e Saúde, e que os habitantes deste mundo sejam mais fraternos e caridosos...

Fonte:
Revista Malu – 12/2013
+  Modificações e acréscimos.

Jc.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

INFIDELIDADE




 A infidelidade não é um desvio de caráter, mas um comportamento-padrão a evitar, afirma um psicólogo após estudar durante alguns anos milhares de casais.
As traições sempre aconteceram em todos os tempos. Clássicos da literatura, como Anna Karenina, de Liev Tolstói, Madame Bovary, de Gustav Flaubert, e O Primo Basílio, de Eça de Queiroz, trataram do poder destruidor da infidelidade. Mesmo assim, pesquisas mundo afora mostram que o número de adúlteros, entre homens e mulheres, só cresce – talvez porque mais pessoas tenha coragem de admitir. Pouco se avançou em tentar explicar as razões que levam à quebra do pacto de confiança e exclusividade, e entender como evitá-la.
Em “o que faz o amor durar” (editora Fontanar), o americano John Gottman, doutor em psicologia e pesquisador na Universidade de Washington, apresenta uma nova forma de olhar para esse desvio. Ao lado da mulher, também psicóloga Julie Schwartz Gottman, ele estuda o comportamento de casais há mais de quatro décadas. Para ele, existe um padrão de comportamento que leva à quebra do pacto, e há muitas formas de infidelidade independentes da temida traição física. “Nossa cultura relaciona a infidelidade a um desvio de caráter ou falta de disciplina, mas isso não é verdade”, diz Gottman. E complementa: “A maioria das traições não é causada pelo desejo sexual, mas sim por alguma carência afetiva”.
Um relacionamento amoroso convencional é um contrato de confiança, respeito e proteção mútua. Tudo que viole esse contrato constitui infidelidade. Trair vai além da intimidade física com outra pessoa. Além dessa, outros dez tipos de infidelidade existem na lista do psicólogo John Gottman:
Comprometimento condicional: Não se está inteiro na relação. O comprometido flerta e se mantém “atento ao mercado”;
Intimidade sem sexo: Há uma relação íntima com um terceiro, com quem troca confidências, e não conta isso ao parceiro/a;
Mentira: Cansado de discutir, um parceiro passa a mentir sobre coisas banais, como um jeito fácil de ficar em paz;
Aliança contra o parceiro: Um dos parceiros se une regularmente a um terceiro – parente ou amigo – para criticar o outro parceiro;
Ausência e frieza: O parceiro não detecta as necessidades emocionais do outro nem se esforça para aprender ou reaprender;
Perda de interesse sexual:  Desaparece ou diminui muito a atração pelo outro. Não há tentativa nem vontade de reavivar o interesse;
Desrespeito: Não há preocupação em ser gentil e amoroso com o outro. Grosseria e indiferença tornam-se parte da rotina;
Egoísmo:  Atenção apenas às próprias necessidades. Ocorre muito por medo de uma situação nova, como a chegada de um filho;
Injustiça: As decisões deixam de ser tomadas de comum acordo. Uma das partes impõe regularmente sua vontade;
Rompimento de promessas:  O casal faz um pacto (Como guardar dinheiro) e um deles quebra o acordo sem consultar o outro.
Apesar das credenciais acadêmicas de Gottman, alguns estudiosos questionam esses padrões na infidelidade. “Em relacionamentos, é difícil definir regras que sirvam a todos”, diz a antropóloga Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora do livro “Por que homens e mulheres traem?”. Ela estuda a infidelidade há mais de 20 anos. “Nos casos que estudei, cada casal funcionava de um jeito; não há um padrão”.
Gottman discorda. Afirma ter detectado um ciclo de ações e reações que mais comumente levam casais a sucumbir a quaisquer desses tipos de infidelidade, inclusive a física. Chama o primeiro estágio de “estado de negatividade”. Tem início quando um dos dois deixa de dar atenção ou apoio ao outro. Quando o sentimento de mágoa por essa falta não se expressa, ele também não é esquecido. O lado magoado passa a provocar o outro. Isso torna os atritos mais frequentes e leva ambos a assumir uma atitude defensiva. A comunicação fica mais difícil e está instalado o estado de negatividade. E aí começa a segunda etapa do ciclo que leva à traição: As comparações negativas.
Nesse ponto, um dos parceiros compara seu companheiro/a ao perfil de um estranho na internet, a um colega de trabalho, a um parceiro do passado ou a um amor platônico a maioria das comparações, o cônjuge perde, porque, no estado  de negatividade, é difícil perceber e lembrar as qualidades do outro. O distanciamento e a frustração criam o ambiente propício para a traição física e para os outros dez tipos de infidelidade.
 A estratégia mais aconselhável para manter-se um bom relacionamento, segundo Gottman, é evitar o início do ciclo, em vez de tentar interrompê-lo depois. E para isso é preciso conversar e expressar as emoções sobre os incômodos. É necessário também manter em dia o pacto e as combinações. Se uma parte não tem condições de cumprir o combinado, é melhor conversar e mudar o pacto, em vez de desrespeitá-lo continuamente. Ele ensina ainda técnicas que fazem a conversa render, como usar mais “eu” do que “você”. A ideia é mais explicar ao outro o que se sente e menos fazer críticas.
Os casais devem atentar para todas as formas de infidelidade e considerá-las sinais sérios. Melhor que tentar resistir às tentações, é impedir que elas se realizem...
O adultério, ás vezes, é consequência da infidelidade. Ele é condenado por Jesus, quando disse: “Aprendestes o que foi dito aos Antigos: Não cometereis adultério. Mas eu vos digo que todo aquele que tiver olhado uma mulher com um mau desejo por ela, já cometeu adultério com ela, em seu coração”. A verdadeira pureza não está somente nos atos, mas também no pensamento, porque aquele que tem o coração puro não pensa mesmo no mal; foi isso que Jesus quis dizer: Ele condenou o pecado, mesmo em pensamento, porque é um sinal de impureza.
À medida que o ser humano avança espiritualmente, se esclarece e se despoja, pouco a pouco, de suas imperfeições, segundo a vontade que emprega em virtude do seu livre arbítrio. Todo mau pensamento, pois, resulta da imperfeição da alma. Mesmo um mau pensamento torna-se para a alma uma ocasião de adiantamento, porque o repele com energia e não cederá se apresentar-se uma ocasião para satisfazer um mau desejo; e depois que tiver resistido, sentir-se-á mais forte e alegre com sua vitória. Aquele, ao contrário, que procura a ocasião para o ato mau, e se não realiza porque lhe falta oportunidade; ele é, pois, tão culpado como se o cometesse.
A pessoa que não concebe o pensamento do mal, o progresso já está realizado; naquele a quem vem esse pensamento, mas ele o repele, o progresso está em vias de se cumprir; naquele, enfim, que tem esse pensamento e nele se compraz, o mal está ainda com toda a sua força. Deus que é justo e misericordioso considera todas essas diferenças na responsabilidade dos pensamentos e dos atos do ser humano. Quem ama verdadeiramente, não pratica a infidelidade...

Fontes:
Revista Época – 11/8/2014
Jornalista Natália Spinacé
“Evangelho Segundo o Espiritismo”-  cap. VIII
+ Pequenas modificações

Jc.
São Luís, 18/8/2014