quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CHEGANDO A CASA ESPÍRITA


 
  V                             
 CHEGANDO À CASA ESPÍRITA
  Autor: Américo  Canhoto

Neste artigo, esclarecemos sobre:

Assistência espiritual       
 Natureza dos médiuns
 O que é o Espiritismo
 Existências passadas         
 Vida além da morte       
 Provas e expiações          
 Origem das aflições
 O que é reencarnação
 Quem fui?   Quem sou?

Chegamos a Casa Espírita, ansiosos, respeitosos, esperançosos. Certamente a maioria das pessoas quando chega à Casa Espírita, acredita que seus problemas serão resolvidos de forma mística, milagrosa, sobrenatural. Nem imaginam o quanto é difícil formar tarefeiros que possam ajudar e quantos anos de esforços de muitas pessoas são também necessários para mantê-los firmes e motivados na tarefa.

Ao chegar, admiramos as pessoas que circulam por ali na condição de trabalhadores da casa, com tanta desenvoltura, como se fossem médiuns. Engano nosso. A maior parte deles é simplesmente como nós. Se não são médiuns, o que será que os leva a tornarem-se tarefeiros da casa espírita?  A resposta é simples: Depois de um tempo (cada um a seu tempo), sentimos necessidade de retribuir os benefícios que de uma forma ou outra, recebemos quando buscamos a ajuda da espiritualidade.Outra finalidade deste artigo é auxiliar o leitor a utilizar-se dos benefícios da casa espírita com mais eficiência. Apontaremos ainda de forma simples os acontecimentos mais comuns que nos levam a procurar auxílio espiritual (ao longo do tempo essas informações poderão ser complementadas com leitura, estudo e palestras).  Cada pessoa vem impulsionada por motivos semelhantes embora distintos:  1- Problemas de saúde; quem não os tem de uma forma ou de outra?  2- Problemas financeiros; sejam eles de pequeno ou de grande porte. 3- Problemas familiares. 4- Desemprego. 5- Dificuldades no trabalho. 6- Ansiedade. 7- Medo.  8-Angústia. 9- Depressão leve ou aguda. 10- Traição. 11- Abandono. 12- Obsessão.

A maior parte das pessoas é encaminhada pela dor; alguns chegam movidos pelo interesse em aprender e vários por simples curiosidade. Mas sempre chegam por indicação de alguém que freqüenta ou freqüentou uma casa espírita. Para conhecimentos de todos, esboçaremos um ligeiro resumo da Doutrina dos Espíritos, por meio de perguntas que imaginamos sejam feitas por boa parte dos que chegam seguido de respostas rápidas e simples que, com o tempo devem ser complementadas com a leitura das Obras Básicas de Allan Kardec.

Esperamos também contribuir para que as orientações sejam mais proveitosas para quantos estejam necessitados de ajuda, já sabendo o que pode esperar de auxílio da casa e dos Espíritos Protetores. Bem-vindos à Casa Espírita ou aos conhecimentos proporcionados pelo Espiritismo.
                                                           
INÍCIO

“Conheço um Centro Espírita que pode te ajudar!”
Talvez você já tenha ouvida esta informação de alguém. É mais que uma informação, é um amoroso convite para que vivamos sob as leis que o Mestre Jesus nos apresenta no Evangelho: Amor, fraternidade, caridade. O belo caminho que Ele nos descortina e por meio do qual nos guia, se quisermos segui-lo na caminhada de volta ao Pai Celestial. Os desconhecidos, os amigos e até os nossos familiares nos convidam, mas a verdade quem nos conduz à Casa Espírita são os Espíritos fraternos (nossos guias protetores), que agem intuindo essas pessoas para que renovem o chamado; atendê-lo é que depende de cada um. Alguns até aceitam, mas assim que melhoram das suas aflições, logo se afastam.  A dor é renovadora ao colaborar na transformação íntima e nos procedimentos, que breve conduz a um alívio e, depois, à tão sonhada cura física e à renovação moral. Nossa chegada à Casa Espírita é uma nova oportunidade para que reafirmemos o nosso compromisso com a causa do bem. Isto não quer dizer que sejamos criaturas más.  O problema é que estamos tão centrados nos interesses do dia-a-dia que nos esquecemos dos nossos compromissos espirituais assumidos anteriormente, a presente existência.

É lógico que ainda enfrentamos sérios impedimentos para atender ao chamado da espiritualidade. Mas nossos amigos da espiritualidade são incansáveis e nos convidam  tantas vezes quantas sejam necessárias, a comparecer à Casa Espírita, para aliviar nossas dores, pela compreensão das razões que nos levam ao sofrimento. Os benfeitores espirituais trabalham muito para nos despertar para as leis divinas que cumpridas, nos libertarão, para exercitarmos o amor e a caridade e sem esperar recompensa ou retribuição, exceto nossa paz e felicidade.

BEM-VINDOS

Bem-vindos aqueles que atenderam ao convite. Comecem desde já a exercitar o perdão, porque os trabalhadores espíritas são pessoas tão problemáticas e imperfeitas quanto às outras. Por favor, sejam pacientes. Irmãos, aqueles que os recebem lutam com dificuldades como as de todos nós: doenças do corpo e da alma, problemas no lar, no emprego, falta de dinheiro, angústias, frustrações, etc... Compartilhem do ambiente espiritual da casa como irmãos que afinal somos perante o Pai. Sintam-se em casa...

A CASA ESPÍRITA

É um Centro, uma associação, um grupo de estudos, uma escola, um abrigo e um hospital. Quando entramos em uma Casa Espírita, não sabemos o que esperar nem o que ou quem encontrar. È normal que ao despertarmos para a necessidade de buscar a Deus seguindo os passos de Jesus o sentimento de esperança nos encha o coração de expectativas que correm o risco de se transformarem em frustrações.

O que é uma Casa Espírita? -  No sentido de assistência espiritual, é um local onde se reúnem encarnados e desencarnados com a finalidade de consolar, socorrer, instruir e evangelizar. No contexto social, é uma associação sem fins lucrativos, que eventualmente mantém grupos de assistência social, como: creches, escolas, asilos, hospitais, cursos, amparo a crianças e a idosos necessitados, etc. O local onde funciona pode ser próprio, alugado ou emprestado.
Tenho que pagar alguma coisa?  -  Seguindo os ensinamentos de Jesus, “Daí de graça o que de graça recebeis” (Mat.10:8), nada é cobrado pela assistência espiritual prestada na casa espírita. Os Espíritos Benfeitores que assistem os médiuns e inspiram seus colaboradores nada exigem, gratificando-se com o bem-estar e o progresso alcançado pelos freqüentadores.

Como a casa espírita se mantém?  - As necessidades financeiras da Casa Espírita são supridas basicamente de duas formas:  a- Contribuição mensal dos associados, e doações voluntárias; há também a venda de livros, etc.

Como se formam as Casas Espíritas?  - A organização espírita é apoiada pela espiritualidade. Seu desenvolvimento, porém, depende dos encarnados. Duas ou mais pessoas com propósitos definidos de fazer o bem, se reúnem e fundam a entidade, para trabalharem em favor da humanidade e do desenvolvimento moral das pessoas.

Quem são os trabalhadores da Casa Espírita? -  No plano espiritual, os Espíritos  Superiores, que assumem a missão de amparar a instituição; no plano material, os trabalhadores são pessoas voluntárias que se propõem a uma tarefa que irá ajudar outras pessoas que necessitam de ajuda espiritual.

Todo trabalhador da Casa Espírita é médium? -  Nem todas as tarefas que se realizam na casa espírita, necessitam de percepções mediúnicas (médiuns). Há as pessoas que fazem palestras, os que cuidam da biblioteca, o tesoureiro, as pessoas que varrem e limpam  o salão e os que fazem outros serviços, necessitam apenas de boa vontade e disposição.

A DOUTRINA ESPÍRITA

Não foi Allan Kardec o criador nem o inventor do Espiritismo. Ele recebeu da espiritualidade a incumbência de organizar as informações ditadas de forma espontânea por vários Espíritos, que se manifestaram em diversos lugares do mundo, por intermédio de muitos e diferentes médiuns; por isso o Espiritismo, nome dado por Kardec, é também conhecido e mais apropriado chamá-la de: Doutrina dos Espíritos.

O Livro dos Espíritos apresenta-nos a filosofia da doutrina com perguntas feitas por Kardec e respostas dos Espíritos Superiores.  O Livro dos Médiuns mostra-nos a interatividade entre encarnados e os desencarnados.  O Evangelho Segundo o Espiritismo oferece-nos de forma prática e simples a explicação de toda a moral cristã. O livro, A Gênese, oferece-nos a idéia de como foi á criação do mundo e explica os milagres de Jesus. O livro, O Céu e o Inferno, contem às explicações religiosas sobre os planos superiores e inferiores.  Recomendamos a todos os que desejam conhecer a Doutrina dos Espíritos, que estudem as cinco Obras Básicas de Allan Kardec, iniciando pelo Evangelho.

QUEM SOMOS E O QUE FAZEMOS AQUI ?

Somos espíritos em jornada de evolução. Uma criança que acaba de nascer pode ser um espírito mais evoluído do que seus pais, ou tão problemático e devedor à justiça divina quanto eles. A criança manifesta seus impulsos e tendências desde o princípio da gravidez, e é uma pena que esqueçamos essa verdade na hora de educar nossos filhos, pois de certa forma a reforma íntima começa no berço. Nessa dimensão da existência, na condição de encarnados, aprimoramos nossa moral e desenvolvemos a inteligência e a criatividade sob o amparo das leis.  Há classes privilegiadas de seres humanos?  Não, a igualdade entre os espíritos é total, sejam brancos, negros, índios, ricos, pobres, bonitos ou não. Temos todos, o mesmo potencial a ser desenvolvido em todos os sentidos. As diferenças que existem entre uns e outros, explicam-se; é que após existência e mais existência cada qual desenvolveu mais qualidades ou menos, segundo sua vontade e conforme as possibilidades e oportunidades que se propôs a aproveitar. Como exemplo, podemos citar a forma pela de alguns rejeitarem as chances de se instruírem: seus pais esforçam-se para lhes oferecer a melhor escola, cursos de língua e outros, mas eles se recusam a estudar. Na próxima encarnação é possível que sejam daqueles que reclamam da falta de condições e oportunidades de instrução e formação profissional. Enfim, cada qual aproveita as chances oferecidas conforme seu livre-arbítrio. Aqueles que não quiseram aproveitar, quando chegarem ao plano espiritual vão lamentar, e na próxima existência as oportunidades serão mais difíceis.

O QUE É REENCARNAÇÃO?

Reencarnação é renascer; nascemos e morremos (melhor dizendo: libertamo-nos do corpo físico), e renascemos incontáveis vezes segundo nossas necessidades de evolução. Não há limites de encarnações para a evolução do espírito. O progresso que é uma Lei Divina, é contínuo, seja aqui na Terra, na espiritualidade ou em outros mundos. De tempos em tempos, para ajustar-se ao progresso, há expurgos de espíritos nos vários mundos que se espalham pelo Universo, como disse Jesus: “Há muitas moradas na casa de meu Pai...” Espíritos que não alcançaram a condição necessária, são remanejados para outros mundos. Para entender melhor o assunto, recomendamos a leitura do livro “A Caminho da Luz”.

QUEM SOU?

Igual a todos, cada um de nós é um espírito que já viveu muitas existências, com muitas experiências, tanto boas como más. A necessidade de estar aqui sinaliza que, ao longo desse processo, continuamos em débito com as leis divinas. Ao renascer (reencarnar) trazemos nosso projeto a ser desenvolvido durante a existência, conforme nossas escolhas e experiências anteriores. Parte desse projeto é simples resultado de escolhas anteriores mal resolvidas ou que exigem reparação, algo mais ou menos compulsório. A outra parte do nosso projeto pode ser escolha voluntária que faremos durante a existência, para desenvolver qualidades e nos aprimorarmos. Sempre estamos recebendo ajuda dos nossos guias espirituais para termos êxito na nossa missão.

 PORQUE ESQUECEMOS AS EXISTÊNCIAS PASSADAS?

Esquecer o passado é uma bênção de Deus. Se nos lembrássemos, sofreríamos inutilmente com essas recordações; o sentimento de culpa ou o remorso retardaria nosso progresso. A Doutrina dos Espíritos ajuda-nos a ser práticos e nos concentrar nas tarefas, que nos são apresentadas sob a Lei de Causa e Efeito. Ontem é um tempo que não existe mais e o amanhã é um tempo que ainda não existe, uma ilusão. A realidade é o presente e nele devemos concentrar toda nossa atenção, vigiando, orando, e praticando boas ações.

QUEM FUI EM EXISTÊNCIAS ANTERIORES?

Secretamente temos o desejo de saber quem fomos, nas existências passadas. Saber quem fomos poderá ser muito difícil e muitas vezes não é nada interessante descobrir. Entretanto, conhecer nossa personalidade da última existência é muito fácil. Para começar, devo responder a estas perguntas: Quem sou atualmente?  O que sei a respeito do que sou hoje?  Como penso, sinto e me comporto atualmente? Infelizmente, quase sempre não há pessoa mais desconhecida para nós do que nós mesmos. Analisando estas perguntas e as respostas que daremos, saberemos com é nossa personalidade. Se pudéssemos saber, será que gostaríamos de ter sido um dos que votaram a favor de soltarem a Barrabás e crucificarem a Jesus? - Se pudéssemos saber, será que gostaríamos de ter sido um dos que tocaram fogo no corpo do sacerdote Jan Huss, que defendia a pureza do Cristianismo? – Será que se pudéssemos saber gostaríamos de ter sido um dos algozes que torturou e queimou na fogueira a Joana D’arc?  Vamos deixar o passado e viver o presente da melhor maneira, para nós e os nossos semelhantes.

 Somos pessoas de bem... mais, ou menos,  ou ainda estamos precisando de muitas e muitas outras encarnações para fazer o nosso progresso e chegar até próximo a Jesus? 



Jc.
S.Luis, 17/12/2009


OBS:  Fizemos algumas supressões, inclusões e modificações
que não prejudicaram o conjunto. Que nos desculpe o autor.
          
                                                                

PANDEMIA DEPRESSIVA




                           PANDEMIA  DEPRESSIVA
No momento em que as conquistas libertadoras da inteligência alcançam elevados índices de superior tecnologia e de grandiosa compreensão científica em torno da vida e das suas complexidades, assim como do macro e do microcosmo, os desvarios da emoção fazem-se assinalar por angústias devastadoras, nas existências vazias de significado.
Paradoxalmente, nunca houve tanto conforto, tantas concessões ao prazer, ao poder, ao trabalho e ao repouso, à alimentação bem balanceada, aos relacionamentos sexuais, às comunicações e recreação, apresentando-se, ao mesmo tempo, aflições incontáveis, graves transtornos de comportamento, alienações mentais que se expressam de maneira sutil ou vigorosa, ceifando o encantamento e a alegria das criaturas humanas.
Uma onda volumosa de desespero, silencioso em alguns momentos e noutros gritante, toma conta da sociedade terrestre, dizimando as belas florações da esperança e atirando as pessoas desavisadas aos fundos dos poços do desinteresse pela existência e pelas lutas renovadoras... A aquisição de tudo quanto parece constituir meta, vitória existencial, subitamente cede lugar ao tédio, ao amolecimento da vontade, ao desânimo, com indescritíveis prejuízos para a sociedade.
A princípio, apresenta-se em forma de tristeza pertinaz que se faz acompanhar por um séquito de ferrenhos adversários da paz, exaltando as emoções ou amortecendo-as, anulando os interesses pela permanência dos objetivos essenciais, dando lugar à melancolia, que se instala pernicioso, convertendo-se em grave depressão.
O ser humano deve alcançar os patamares superiores do conhecimento e do amor, vivenciando a sabedoria, numa síntese harmônica de conquistas da inteligência e do sentimento,  mas as aspirações exageradas,  a movimentação contínua, resultam  em ansiedade, desgastando as energias,  dando lugar ao nervosismo e ao desfalecimento das forças, fragilizando a pessoa. De certo modo, as ocorrências psicossociais, tais como a desintegração da família, a perda das tradições, a solidão no grupo social, contribuem para o aumento dos distúrbios da emoção e de transtornos psíquicos  mais severos. Embora esses fatores também ocorram nas famílias ajustadas, nos grupos harmônicos, nas sociedades equilibradas, mais se manifestam quando esses valores são desprezados.
Inegavelmente, o ser humano encontra-se enfermo, às vezes em transitório estado de bem-estar que cede lugar a sucessivos desequilíbrios, quando surgem ocorrências predisponentes ou preponderantes para o surgimento das distonias... Sem desconsiderarmos as causas endógenas, que são propiciadas pelo Espírito desde o momento da sua reencarnação, como as perdas e o medo facultam abrir-se o leque imenso da psicopatia depressiva nefasta.
As estatísticas alarmantes dos suicídios encontram sua gênese, quase sempre, na depressão, desencadeada por circunstâncias aleatórias... Sem objetivos bem delineados e sem segurança íntima que proporcionam o equilíbrio real, o ser humano desfalece e deixa-se arrastar pela virose perversa e destrutiva. A depressão é doença do espírito e é o espírito que deve ser tratado. Depressão significa puxar para baixo, obrigando o Espírito a refugiar-se nas reflexões internas, a refazer observações, a percorrer novos caminhos.
Convidado o ser humano para as conquistas materiais, quase todas as suas aspirações cingem-se ao adquiri, ao ter, ao aparecer... É nesse momento que ocorre o fenômeno da melancolia, em razão do vazio que as conquistas externas proporcionam ao ser humano que não sente preenchido de objetivos reais o seu interior, sendo então conduzido à meditação profunda, de cujo abismo poderá sair renovado. Todo aquele que atravessa essa fase natural da existência física, mantendo-se lúcido e resolvido a esquadrinhar o abismo   das  reflexões   melancólicas,  consegue   superar   as sombras  e  alcançar  a claridade  do dia  de paz e  de alegria.
Lamentavelmente, o enfermo entrega-se à lamúria e ao autoabandono, passando a cultivar a autocompaixão e a revolta em relação aos demais que tem em conta de saudáveis, considerando-os imerecidamente privilegiados. Permitindo-se a autocomiseração, pensa apenas em fugir, desistindo da luta, em razão dos conflitos que o assenhoreiam e do desencanto que o domina. A existência impõe esforços que devem ser aplicados a benefício das conquistas desafiadoras, que aguardam aqueles que as desejam alcançarem.          Quem se detém na marcha, assinalando dificuldades, ou se recusa à tenacidade do trabalho, perde-se pelo caminho da evolução.
Aplicar o tempo no pessimismo, nas conjecturas deprimentes, é maneira de ampliar o quadro de angústia, malbaratando a oportunidade de libertar-se da injunção penosa em que transita. Todas as pessoas experimentam dificuldades e lutas, sofrem tristezas e desencantos, negando-se alguns a permanecer nesse estado de aflição injustificável. Quando ocorre a aceitação passiva da dificuldade e a submissão aos fenômenos internos que afligem o enfermo necessita da assistência médica, não apenas de natureza psiquiátrica, mas também do auxílio psicológico e espiritual, a fim de sair da modorra, de arrebentar as algemas constritoras da emoção enfermiça.
A depressão pode ser superada, caso o paciente opte pela luta e a ela se entregue com afinco. A concentração mental nos ideais do bem lentamente preenche o vazio existencial, estimulando os neurônios às sinapses, restabelecendo o ritmo e a produção dos neuropeptídios responsáveis pela alegria e dinâmica da existência. Nesse comenos, a oração deve ser transformada em hábito de reflexão, utilizando-a com frequência, de modo que possa sintonizar com as fontes do bem, de onde procedem as energias saudáveis e renovadoras.
Qualquer atividade, mesmo que constituindo um grande esforço, levando à transpiração, constitui também eficiente procedimento  terapêutico, ao  lado de  exercícios físicos, tais
como a ginástica, a natação, as caminhadas... É indispensável que o enfermo realize a parte que lhe diz respeito, desse modo cooperando para o próprio restabelecimento. Na raiz do transtorno depressivo, existe sempre uma psicogênese de natureza espiritual de caráter obsessivo, resultante da infeliz conduta anterior da atual vítima, razão pela qual as psicoterapias do amor, da prece, da caridade, da paciência e da resignação tornam-se indispensáveis.
Quando sintas o desânimo agravar-se no teu currículo de ações; quando for vítima de contínuos episódios de insônia com pensamentos conflitivos; quando experimentares indiferença afetiva em relação às pessoas queridas; quando o mau humor em forma de destemia passe a caracterizar-te; quando a irritação ou o desejo de isolamento social comecem a dominar-te; tem muito cuidado, pois que estás em processo depressivo.
Atenta para a renovação interior busca o auxílio espiritual e o especializado, não te afastando do Psicoterapeuta sublime, porque estás caminhando pela noite escura, a que se refere o discípulo João da Cruz...  Liberta-te da sombra morbosa e inunda-te da luz do sol da alegria, rumando na direção da saúde que te aguarda.
Nasceste para conquistar o infinito, e isso depende exclusivamente de ti.
Veja também o artigo:  “A  Depressão”

Bibliografia
Joanna de Ângelis, no                                                                         livro “Entrega-te a Deus”                                                                        + pequenas modificações.

Jc.                                                                                                        S.Luis, 11/7/2012

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

QUEM AJUDA OS OUTROS, SE AJUDA

QUEM AJUDA OS OUTROS SE AJUDA

Doar é um ato de amor e faz bem à saúde. Esta frase, que mais parece um dito popular, é na realidade, a conclusão a que chegou um estudo recente, realizado por pesquisadores brasileiros e norte-americanos. Exames feitos no Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, nos Estados Unidos, em voluntários, usando um equipamento que faz uma ressonância magnética, permitiu saber a reação do cérebro no exato instante em que alguém se mostra disposto a ajudar uma causa nobre. Durante os testes, foram feitas aos voluntários, perguntas do tipo: “Você doaria seu dinheiro às entidades que trabalham pela paz?” ou “Você doaria seu dinheiro para entidades que cuidam de crianças?” Os pesquisadores observaram que toda vez que a pessoa respondia sim, duas áreas próximas ao tronco cerebral apresentavam mais atividades que as outras, justamente onde se dá a fabricação da dopamina, uma substância ligada à sensação do prazer. A pesquisa chegou ainda a outra conclusão que vai deixar muita gente surpresas: que essa satisfação não se associava ao fato de se ganhar dinheiro, mas somente à satisfação de se ajudar uma causa nobre ou de se doar por alguém.

“As decisões de doar foram relacionadas à sensação de compaixão e de admiração. São as duas emoções morais relacionadas a esse ato de se sacrificar para doar por uma causa nobre, por um princípio, por uma boa ação” – explicou o neurocientista Jorge Moll Neto, que concedeu entrevista ao programa “Fantástico” da TV-Globo, realizado em 24 de dezembro de 2006.

No livro “Para uma vida melhor na Terra”, a benfeitora espiritual Rosângela, pela psicografia de José Raul Teixeira, fala sobre a importância do amor na existência, dizendo: ”Se tiveres um pouco de atenção e olhares em torno de ti, encontrarás variadas maneiras de vidas que se reportam ao amor do nosso Criador, em cada movimento. A natureza está sempre oferecendo valores à vida, em homenagem ao Pai Celestial, enquanto também se enriquece de luz, de cores e de harmonia. Se de longe vires um canteiro, onde existam flores, alcançarás somente os matizes multicolores das corolas; porém se te aproximares, sentirás que quando beijada pela brisa, as flores exalam perfumes, dando um pouco mais na beleza terrena. Se olhares a exuberante queda d’agua que despenca da montanha, observarás apenas um soberbo espetáculo de força e vigor. Mas, se te acercares dela, verás um risonho arco-íris que se desenha sobre as gotículas suspensas no ar, a fim de que, ao refletir os matizes da luz, possa ofertar um pouco mais em favor da beleza terrena. Se contemplas ao longe, a neve que inspira friagem e desolação, na branca vastidão do inverno, e se te achegares mais perto, descobrirás as miríades de cristais a refletir os raios do Sol, como pequeninos brilhantes pingentes, no anseio de cooperar um pouco mais no embelezamento do mundo”.

“Se olhares o velho tronco de árvore, apodrecido pelo tempo e abandonado, terás à frente dos olhos apenas um poleiro de múltiplas aves. Entretanto, se te avizinhares, descobrirás um ninho aconchegante e bem arranjado que abriga os filhotes que piam ensaiando o canto do futuro, a fim de tornar mais belas as paisagens terrenas. Se, por entre ameaçadores zumbidos, o enxame de abelhas que se agita te deixa temeroso, não consegues te dar conta do que ocorre de fato. Ao te aproximares, encontrarás uma sociedade organizada, com os trabalhos devidamente distribuídos, sob ordem e obediência, produzindo o mel para quem os necessite, homens e animais, de modo á dar um pouco mais para o bem estar do mundo. Enfim, para onde voltares os olhos, perceberás sempre o louvor que se estabelece com a natureza, dirigido ao nosso Pai Criador. Deus quer que ames e que ofereças um pouco mais de ti à vida. Não te furtes desse destino; não te negues a atender a esse anseio que o Pai Celestial espera de ti. Busca aprender sempre mais, a fim de mais te libertares das cadeias do egoísmo; trabalha com afinco e alegria, para te tornares afinado instrumento nas mãos do Senhor, e ama, porque foste feito a Sua semelhança e porque não deves mais deter o vôo que te fará alcançar o teu destino de felicidade, cujos fundamentos estão na ajuda aos teus semelhantes.”

O Prêmio Nobel da Paz de 2006 foi concedido ao Banco Rural de Bangladesh, na pessoa do seu fundador, o economista Muhamad Yunus, por criar uma rede de microcrédito para os mais pobres, sem qualquer garantia financeira. O Comitê Norueguês da Fundação Nobel, ao anunciar o prêmio, declarou: “A paz duradoura não pode ser alcançada a menos que grandes grupos da população encontrem meios de sair da pobreza”. Esse sistema de microcrédito criado por Yunus, já foi copiado por mais de 100 países, inclusive os Estados Unidos. O prêmio concedido ao bengalês trás a baila a questão da promoção social, prática que não é o assistencialismo – mera doação de bens, sem maiores compromissos com o indivíduo na sociedade. Yunus que é chamado também de “Banqueiro dos pobres”, não dá esmolas, mas ajuda os pobres a ajudarem a si mesmos, proporcionando-lhes o ensejo de iniciar seus próprios investimentos, por menores que sejam. Desse modo incorpora à economia os chamados excluídos sociais, por meio da criação de oportunidades de trabalho...

Algumas pessoas vivem sem despertar suas potencialidades, passando necessidades em função da preguiça e até mesmo por comodismo. Lembramos uma história que ilustra bem esta situação: “Existia uma família que morava em um sítio, em condições de extrema miséria. O panorama era desolador: um casebre em ruína, o matagal cobrindo toda a área, e em cada rosto as marcas do sofrimento. Sobrevivia essa família apenas do leite fornecido por uma vaca. Uma parte era consumida e a outra era vendida. Os vizinhos se compadeciam do sofrimento dessa família e falavam: - Ainda bem que Deus os favoreceu com a vaquinha, pois se não fosse ela, como sobreviveriam? Os dias se sucediam e nada mudava naquele sítio. Porém, num certo dia aconteceu o inesperado – a vaquinha morreu. Diante da situação, apenas uma solução se apresentava para a família, não morrer de fome – trabalhar. Todos então foram à luta; limparam a terra e começaram a plantar. Passado algum tempo, o panorama era outro. Começaram a colher a safra, a casa de taipa deu lugar a uma casa de alvenaria, em vez de uma vaquinha, agora tinham uma vacaria e em cada rosto notava-se a satisfação... Diferente do que parecia uma tragédia, a perda da vaquinha foi a solução para quebrar a preguiça e o comodismo e despertar as potencialidades adormecidas naquela família...”

Todos nós temos os recursos necessários para vencer as crises que a existência nos proporciona. Não devemos permitir que o medo, a preguiça, a acomodação ou mesmo a revolta nos roube a oportunidade de crescimento.

Pelos ensinos dos Espíritos Superiores, pode-se dizer que “promover o ser humano é, acima de tudo, oferecer-lhe condições para superar a situação de penúria sócio-econômica, moral e espiritual em que se encontra. Fazê-lo sentir-se Espírito livre e responsável pelo seu destino é descortinar-lhe as possibilidades que traz adormecidas, em seu interior e que precisam ser trabalhadas por meio do próprio esforço nas experiências do dia-a-dia, a fim de que adquira o de que necessita, não só em termos materiais, mas principalmente, espirituais”. Na visão espírita, a promoção social possui abrangência maior, uma vez que se baseia no verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus, ao recomendar-nos “O amai-vos uns aos outros”, postura a adotar perante o ser em situação de carência, fraternidade, simpatia e respeito, buscando ver nele um irmão em Cristo, para que ele se ligue também a nós pelos laços da amizade.

É nesse sentido que se expressa Allan Kardec: “Amar o próximo como a si mesmo, é fazer aos outros, o que quereríamos que os outros fizessem a nós”; é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do ser humano para com seu próximo, principalmente, aquele que está mais próximo de nós, na família. A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo ainda tão presente no mundo em que vivemos...

O governo brasileiro, através da Lei nº. 5063 de 4 de julho de l966, instituiu o “Dia da Caridade”, a ser comemorado anualmente no dia l9 de julho, com o objetivo de difundir e incentivar a todos, a prática da solidariedade entre os brasileiros e os demais povos aqui domiciliados. A Lei estabelece no Artigo 2º o seguinte: “A organização das comemorações ficará a cargo dos Ministérios da Saúde, Educação e Cultura, constando obrigatoriamente de visitas a hospitais, casas de misericórdia, asilos, orfanatos, creches, presídios e a todos os demais lugares onde a necessidade e a dor se façam sentir.” É bem verdade que a Caridade não se tornará, num passe de mágica, uma instituição nacional só porque o Governo estabeleceu mais um dia no calendário das datas comemorativas do país. Mas o dia l9 de julho representa o reconhecimento oficial da sublimidade contida nos ensinos de Jesus, e bem pode se constituir no marco de uma nova era de entendimento e de boa vontade entre as pessoas. 

Sabemos bem que, esmola, filantropia e Caridade, são três coisas distintas. A esmola é uma doação material, geralmente passageira, sem compromisso com as causas que levaram a pessoa a esmolar. A filantropia, que está associada a um processo de doação, ajuda a pessoa a alcançar outro nível da sua situação de miséria. Portanto, esmola é pura doação; filantropia é promoção, maneira de melhorar o ser humano, dando-lhe outra condição. Já a Caridade é mais de ordem espiritual. Pode ela valer-se de situações materiais como a esmola e a filantropia. A Caridade, porém, é benevolência, é bondade, é indulgência, é amor, um conjunto de sentimentos que brotam do íntimo, irradiando e envolvendo as pessoas e seres, objetos da ação. Para dar esmola ou fazer filantropia, necessitamos de recursos materiais, mas, para fazer a Caridade, precisamos abrir e permitir que nossos sentimentos nobres atuem em favor do nosso próximo. 

Jesus que nasceu pobre e assim viveu que não tinha sequer uma pedra onde repousar a cabeça, como afirmou certa vez, foi o primeiro a praticar a Caridade, que passou a partir daí, a ser definida como uma forma de amor ao próximo, não mais como simples ajuda. Ele a exemplificou, distribuindo á Caridade a justos e injustos, bons e maus, pecadores e publicanos; curou cegos, aleijados, paralíticos, doentes e leprosos... Vamos imitar o Mestre Amado, contribuindo com nossa parcela, para a melhora dos necessitados e sofredores. Um olhar de ternura, um gesto de compreensão, uma palavra de esperança, um abraço de irmão, uma prece fervorosa, um pão repartido, um remédio, uma roupa sem uso, uma contribuição dada com carinho e um pouco de nós mesmos, faz bem ao nosso próximo... mas faz bem primeiro a nós mesmos... Experimente assim fazer e verá.

Recordemos Jesus quando disse: “Vinde, vós que fostes benditos por meu Pai; possuí o reino que vos foi preparado; porque eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; tive necessidade de abrigo e me abrigastes; estive nu e me vestistes, estive doente, e me fostes visitar; estive preso e viestes me ver...” – “Pois em verdade vos digo; quantas vezes o fizestes, a um destes mais pequeninos necessitados e sofredores, que são meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes...”

A verdade é que nós seres humanos estamos quase sempre a pedir, mas bem poucas vezes nos lembramos de ajudar, de dar a quem precisa. Devemos lembrar que a Caridade é a melhor maneira de nos aproximarmos de Deus. Procuremos imitar as ações de desprendimento e de caridade de Lins de Vasconcelos e muitos outros benfeitores da humanidade. Finalizando, recordo o apóstolo Tiago na sua Epístola, cap.4:l7 onde afirma: “Todo aquele que sabe fazer o bem e não o faz... será responsável pelo mal que resulte de não haver praticado o bem”. 

Sinta a alegria e a satisfação de fazer o bem; por outro lado, quando fazemos o mal, nos sentimos tristes, arrependidos e a nossa consciência fica a nos acusar e a nos alertar de que breve esse mal retornará maior até nós, pela lei de “Causa e Efeito” ou de “Ação e Reação”.

Que o Senhor nos ilumine para a prática do Bem...

Bibliografia:
“Para uma vida melhor na Terra”
“Novo Testamento”

Jc.
S.Luis, 19/02/2007.
Refeito em 21/01/2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

ARTUR LINS DE VASCONCELOS LOPES






    
                    ARTUR  LINS  DE  VASCONCELOS  LOPES
Quem foi Lins de Vasconcelos? Artur Lins de Vasconcelos Lopes foi expressiva figura do Espiritismo brasileiro. Nascido em 27 de março de 1891 na cidade de Teixeira, numa região áspera da Paraíba, próxima a Pernambuco, era natural que Artur Lins trouxesse no Espírito a agressividade do berço agreste. Lutou, todavia, contra o meio, aprimorando qualidades, resistindo aos meios desonestos ele foi abrindo um caminho limpo para a sua existência.
Ainda na adolescência, ele trabalhou na lavoura e também como tropeiro,  depois foi  residir em Recife, onde exerceu a atividade de caixeiro, no comércio. De lá foi residir no Rio de Janeiro, onde sua demora foi pouca. Pouco depois, partiu para o sul do país, fixando-se em Curitiba, onde alistou-se no Exército Brasileiro, chegando ao posto de sargento. Depois, constituiu família, formou-se em agronomia e fez concurso para cartorário. Foi nessa cidade que conheceu Antônio Duarte Veloso que o levou a se tornar espírita, integrando-se totalmente no movimento.
Em 1915, como Secretário Geral da F.E.P, participou da inauguração do Albergue Noturno, e em 1916, com 25 anos de idade, foi eleito o presidente da F.E.P. e reeleito por mais seis mandatos. Franco e combativo, jovial e sereno, sincero e leal, bom e caridoso fazia dessas virtudes uma coisa rotineira em sua existência de relação, sem jamais ostentá-la no convívio com seus companheiros de ideal. Em 1918, matriculou-se na Escola Superior de Agronomia de Curitiba, onde se graduou como Engenheiro Agrônomo.
Em 1926 houve grave incidente entre o Governo do Estado e elementos liberais, por questões religiosas. É que o governo estadual, sem autorização da Assembleia Legislativa, presenteara terreno e dinheiro do patrimônio público, para a Igreja Católica para instalação de dois bispados. Vários cidadãos protestaram contra o ato governamental, entre eles estava Lins de Vasconcelos, que defendeu de forma corajosa, perante o governo, que os princípios tutelares da democracia eram inderrogáveis e deviam estar acima do arbítrio dos governadores. Essa posição destemida que tomou nessa questão, acarretou-lhe a demissão do cargo público que exercia e chegou a responder processo, porém, com a ajuda do amigo José Leprevost, conseguiu pagar a fiança para não ser preso e terminou ficando empregado na firma do amigo. Depois, nessa mesma época, senhor de tino comercial, lançou-se no comércio de madeira onde conseguiu prosperar.
Em 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, e na despedida na F.E.P., foi eleito presidente honorário. No Rio, fundou a Cia. Pinheiro Indústria e Comércio, empresa do ramo madeireiro onde colocou suas energias na indústria, tendo vencido e se tornado milionário. Mas o dinheiro que amealhava facilmente, como ele próprio dizia, era um depósito que lhe fazia Deus para distribuição aos pobres. Fez-se então o banqueiro dos desafortunados!  Simples e sem vaidades, o que mais se admirava em Lins de Vasconcelos era o triunfo do seu Espírito sobre uma das mais terríveis provas a que um ser humano pode submeter-se: a riqueza!  Ele conseguiu vencer facilmente o fascínio do ouro e afogou no nascedouro os gozos efêmeros que o dinheiro proporciona. O lucro que lhe vinha dos negócios era destinada a creches, orfanatos, albergues, sanatórios, escolas, centros espíritas, revistas e jornais doutrinários.
Em 1938, em viagem a passeio a Curitiba, entrou com recursos significativos para as obras do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, tendo mantido sua colaboração financeira até a inauguração do mesmo. Lins de Vasconcelos não se empolgou com seus sucessos mundanos.  Fez ele, isso sim, da riqueza material, o instrumento para a realização do bem. Foi muito bom, vestindo os desnudos, dando de comer aos esfomeados, a instrução e a educação aos que dessa assistência precisavam.
Por ocasião da promulgação da Constituição Brasileira de 1946, ele como presidente nacional Pro-Estado Leigo, enviou propostas visando resguardar o Estado leigo, a liberdade de consciência religiosa, a laicidade do ensino público e a separação da Igreja do Estado.
Rem 1948, a “Gráfica Mundo Espírita” enfrentava séria crise financeira quando foi adquirida por Lins de Vasconcelos, que transferiu a sede e as oficinas para Curitiba, onde se tornou o órgão noticioso e doutrinário da F.E.P. No mesmo ano, empenhou-se na realização do 1º Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, apoiando a ideia do deputado Campos Vergal, tendo viajado pelo norte e nordeste, com a Caravana da Fraternidade, integrada por vários confrades, entre eles por Leopoldo Machado, Francisco Spinelli, Carlos Jordão da Silva, Luís Burgos Filho, Oli de Castro que representou os estados do Maranhão e Pará,  e outros companheiros, conclamando as federações para esse evento, tendo contribuído financeiramente para que o mesmo se realizasse. Na instalação do Congresso, em sessão realizada no Teatro João Caetano, em 18 de julho de 1948, Lins de Vasconcelos foi eleito o presidente de honra. Colaborou também para a concretização do “Pacto Áureo” realizado em 15 de outubro de 1949, em que ele declarou ser o dia mais feliz da sua existência, e completou: “Sem união não há unificação”. Com o seu patrocínio realizou-se a 1ª Festa do Livro Espírita, de 14 a 18 de abril de 1949.
Participou também do 2º Congresso Espírita Pan-Americano, realizado no Rio de Janeiro, de 3 a 12 de outubro, sendo eleito para o cargo de tesoureiro. No discurso que proferiu diante das representações americanas, destaco o trecho a seguir:  “Não deixa de ser caridade auxiliar os pobres; isso é incontestável. Mas, entre um benefício dessa ordem, passageiro, exclusivista, e um outro de feição geral concretizada em obra perfeitamente consolidada e transmissível à posteridade, a diferença é tão grande que se assemelha à penumbra comparada com a luz”.  Ainda no mesmo ano, ele fundou a Ação Social Espírita, instituição destinada ao trabalho social sob todas as formas, abrangendo, desde o auxílio às instituições espíritas até o estímulo às Artes e a Ciência. Ele aplicou boa parte de sua fortuna pessoal no movimento espírita deixando obras em diversas cidades brasileiras.
José de Paula Bezerra, espírita do Maranhão, tendo conseguido um terreno para a edificação de um prédio para instalar o Centro Espírita “Deus, Cristo e Caridade”, e não tendo condições financeiras de construir, conversando com Oli de Castro, em sua passagem por São Luís, e  este lhe orientou a que escrevesse a Lins de Vasconcelos, solicitando uma ajuda para esse projeto, no que foi atendido e conseguiu construir um prédio de dois andares; lojas no térreo para amparar financeiramente a entidade e no primeiro andar instalou o Centro Espírita que funciona até hoje.
Após anos de vivência e da prática da caridade, veio ele a desencarnar em São Paulo, no dia 21 de março de 1952, sendo que seu corpo foi levado para Curitiba – cidade que tanto amou – e em cujo solo desejava que sua matéria repousasse, no dia em que o Pai Celestial o chamasse. Seu pedido foi satisfeito, e no Jardim em frente ao Pavilhão Administrativo do Sanatório Bom Retiro, no bairro do Pilarzinho, em Curitiba, encimado por uma pedra simples, mas que revela bom gosto, na qual há uma placa de bronze com expressiva inscrição, foi sepultado o corpo do querido companheiro de ideal espírita, aquele que tantas lutas sustentou ante a incompreensão dos seres humanos, para que a Doutrina dos Espíritos demonstrasse ser capaz de transformar as criaturas desajustadas em seres com capacidade para amar o próximo, assim como Jesus nos amou.
Todos os grandes homens tiveram em suas existências a influência de uma mulher. Ele assim fez, pois, ele nada realizava sem que ouvisse a opinião de sua esposa, Hercília César de Vasconcelos Lopes, a companheira de longos anos de lutas e realizações, que demonstrou serenidade e resignação, quando da partida do ente querido. No seu testamento, foram agraciadas com quantias em dinheiro, todas as federativas regionais existentes.
A Lins de Vasconcelos, e companheiros seus, como Leopoldo Machado, Francisco Spinelli, Oli de Castro e outros, devemos a unificação do Espiritismo no Brasil, porquanto foram eles, em verdade, os legítimos pais do Pacto Áureo que deu origem à criação do Conselho Federativo Nacional.

Bibliografia:
Redação do jornal “O Imortal” – 01/2013
Paulo Alves Godoy e Antônio Lucena
Páginas na Internet
Acréscimos e modificações.

Jc.
S. Luís, 18/01/2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

DORES NO ORGANISMO DAS PESSOAS

Pesquisando a mão esquerda, vamos encontrar os pontos que correspondem a determinadas dores no organismo e que, seguindo as orientações, podemos evitar esses problemas.



Bibliografia:
Bruna Bittencourt
Jc
S.Luís, 15/01/2013

Pesquisando o pé esquerdo, vamos encontrar também os pontos que correspondem a determinadas dores e que, seguindo as orientações, evitamos esses problemas.






segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A VIDA NA ESPIRITUALIDADE

A VIDA NA ESPIRITUALIDADE Separado do corpo físico, em decorrência da desencarnação, o Espírito volta, na maioria das vezes, a reencarnar depois de intervalos mais ou menos longos, intervalos esses que atualmente podem durar desde alguns anos até vários séculos, não existindo, nesse sentido, limite determinado. A Doutrina dos Espíritos ensina que esses intervalos podem prolongar-se por muito tempo mais jamais serão perpétuos. Enquanto aguarda nova existência neste ou em qualquer outro mundo, o desencarnado fica no estado de espírito errante, estado em que espera novas oportunidades e aspira a um novo destino. Dá-se o nome de erraticidade esse estado em que se encontra o espírito. Entretanto, o fato de estar desencarnado não o coloca sempre, na condição de espírito errante. O espírito que não mais precisa encarnar para evoluir, já se encontra no estado de espírito elevado. Assim, quanto ao estado em que se encontram na Espiritualidade, os espíritos podem ser: 1- ERRANTES – desencarnados que aguardam nova encarnação; 2- ELEVADOS – desencarnados que já chegaram á determinada perfeição e por isso não necessitam de novas encarnações. Porém, podem encarnar em missão determinada pela Providência Divina, no sentido de trazer novos conhecimentos e exemplos para serem seguidos. Em todos os tempos esses Espíritos Superiores voltaram a Terra, como missionários do bem. Convém destacar que o estado de erraticidade não constitui, por exemplo, sinal de inferioridade dos espíritos, uma vez que há espíritos errantes de todos os graus de evolução. A condição de espírito encarnado será sempre um estado transitório, visto que o estado normal é quando o espírito liberto da matéria vive plenamente a vida espiritual. Na erraticidade, os espíritos não ficam inertes, ociosos como muitos pensam; eles estudam e buscam informações que lhes enriqueçam o conhecimento, procurando o melhor meio de se elevarem, além de trabalharem no auxílio aos necessitados. O ensino espírita acerca da vida de além-túmulo mostra que na Espiritualidade não há lugar algum destinado à contemplação ociosa. Todas as regiões estão povoadas por espíritos em constantes atividades laboriosas e assistenciais. Na condição de errante, o espírito pode, portanto, melhorar muito, conquistando novos conhecimentos, fazendo o seu progresso, dependendo naturalmente de sua maior ou menor vontade de evoluir. Entretanto, será na condição de espírito encarnado, que terá oportunidade de colocar em prática os conhecimentos que adquiriu e realizar efetivamente, o progresso que está necessitando e buscando. Gabriel Delanne, afirma que os espíritos são os próprios construtores de seu futuro, conforme o ensino de Jesus, quando disse: “A cada um segundo suas obras”. Todo espírito que se atrasar em seu progresso, somente de si mesmo pode queixar-se, do mesmo modo que aquele que se adiantou terá todo o mérito do seu progresso. A felicidade que ele conquistar terá, por isso mesmo, maior valor para si. O progresso intelectual, é causado pela atividade que ele é obrigado a desenvolver no trabalho e o progresso moral, por causa da necessidade que os seres humanos têm de se auxiliarem uns dos outros. A existência social lembra ainda Delanne, é a condição para que as pessoas desenvolvam as boas ou más qualidades. Uma questão intrigante, diz respeito à situação da criança, na morte, cuja explicação deve-se à Doutrina dos Espíritos. Ela ensina que tal qual acontece com o espírito de uma pessoa adulta, o espírito de uma criança que morre em tenra idade, volta ao mundo espiritual e assume sua condição precedente, salvo os casos das almas ainda encarceradas no inconsciente, distante por enquanto do autogoverno a que André Luiz se refere no livro “Entre a Terra e o Céu”. A curta duração da existência da criança pode representar, para o espírito que a animava, o complemento de uma existência precedente, interrompida antes do programado; outras vezes a morte da criança constitui prova ou expiação para os seus pais. O espírito cuja existência se interrompe no período da infância recomeça em nova existência, que ocorrerá na época que for julgada mais conveniente ao seu progresso. Se ele não tivesse oportunidade de reencarnar, ficaria estagnado, à margem do processo evolutivo, fato que não corresponderia à justiça de Deus. Com a possibilidade de uma nova encarnação, o progresso passa a ser uma meta acessível a todos os espíritos que necessitam evoluir. Com a experiência vivida pelo espírito da criança que morre em tenra idade, seus pais são também provados em sua compreensão acerca da vida, podendo ainda, por esse meio, resgatar débitos contraídos no passado, quando, em existências passadas, abandonaram seus filhos à própria sorte ou os mataram deliberadamente com o recurso do aborto delituoso, tirando-lhes a oportunidade de nova existência, de novas conquistas e de melhor progresso espiritual. No desencarne (morte física), e de acordo com a evolução, duas condições podem ocorrer ao espírito: 1- O espírito não possuindo virtudes e tendo praticado o mal, é levado por espíritos inferiores, para regiões de sofrimento na Espiritualidade, e lá despertando, são martirizados, sem poderem se libertar dos sofrimentos; acontecendo ainda que muitos espíritos permanecem ignorantes de que já desencarnaram; 2- Possuindo o espírito determinadas virtudes e tendo praticado o bem, ele é levado adormecido por Benfeitores Espirituais, que o assistem, para lugares de repouso, onde despertarão e, convenientemente tratados, reiniciam o trabalho de evolução. Alguns espíritos mais evoluídos, são mantidos, desperto e assistido pelos mentores espirituais, permanecem as vezes no recinto onde seu antigo corpo está sendo velado, para reconhecimento da sua nova realidade de espírito, sendo depois levados pelos seus amados que o precederam na passagem para a Espiritualidade, ao destino de que se tornaram merecedores. Essa é a dura realidade na espiritualidade para todos os espíritos. Entretanto, poucos serão os que poderão evoluir para um mundo mais adiantado; a maioria tendo merecimento voltará após um período de reajustamento que podem durar anos, para a escola da Terra, a fim de completarem resgates, provas e trabalharem em benefício dos seus semelhantes que lhes possibilitarão a evolução. Ernesto Bozzano, na obra “A Crise da Morte”, observa alguns critérios na passagem do espírito para o mundo espiritual, que resumiu em doze detalhes fundamentais, a saber: 1- Todos os espíritos afirmaram se terem encontrado com a forma humana, na vida espiritual, isto porque o espírito, por meio do “perispírito” conserva a aparência terrena; 2- Quase todos afirmaram terem ignorado durante algum tempo, que não estavam mais no plano físico; 3- Haverem passado, durante a crise do desligamento do corpo, ou pouco depois, pela prova da recordação de todos os acontecimentos da existência terrena ora encerrada; 4- Muitos terem sido acolhidos nas Espiritualidade, pelos espíritos dos que foram seus familiares e amigos; 5- Haverem passado, quase todos, por uma fase mais ou menos longa de “sono reparador”; 6- Terem-se achado num meio espiritual harmonioso (no caso de espíritos melhores), e num meio tenebroso (no caso de espíritos pouco moralizados); 7- Terem reconhecido que o meio espiritual era um novo mundo, real, semelhante ao mundo terreno, porém, mais espiritualizado; 8- Haverem aprendido que na espiritualidade, o pensamento constitui uma forma criadora, pela qual o espírito pode reproduzir em torno de si, o ambiente de suas recordações; 9- Terem sabido que a transmissão de pensamento é a forma de comunicação, embora alguns espíritos se iludam julgando conversar por meio de palavras; 10- Haverem comprovado que os espíritos podem se transferir de um lugar para outro, ainda que muito distante, apenas pela sua vontade, mas dentro do plano a que fez jus; 11-Terem verificado que se achavam em estado de perceber os objetos pelo interior, pelos lados e através deles; 12- Terem aprendido que os espíritos evoluídos seguem automaticamente para o plano espiritual que conquistaram, por motivo da lei de “merecimento e afinidade”, podendo, entretanto, visitar os planos inferiores, e os que lá estiverem, mas, estes, não podem subir aos planos superiores. Além destes doze detalhes fundamentais, Ernesto Bozzano relaciona mais alguns detalhes secundários: A- Que alguns espíritos recém-desencarnados, ao observarem seus corpos físicos, inertes, geralmente falam que estão em um “corpo etéreo” perispírito idêntico ao corpo físico; B- Afirmam que, assim como não existem pessoas absolutamente idênticas na Terra, o mesmo se dá na Espiritualidade, de modo que até a passagem para o plano espiritual não é exatamente igual para todos; C- Quando dominados por paixões humanas inferiores, os espíritos se conservam ligados ao meio onde viveram, na ilusão de se julgarem ainda na existência terrena, e tornam-se muitas das vezes, os espíritos “assombradores” ou “obsessores”, mesmo não tendo o desejo de fazer o mal; D- Na espiritualidade, os espíritos inferiores não podem ir a planos superiores, devido à diversidade vibratória de seus “corpos etéreos pesados”; E- Os espíritos afirmam ainda que, quando se encontram a sós, percebem mentalmente uma voz que lhes chega aconselhando sobre o que fazer: são os Espíritos amigos que, percebendo seus pensamentos, lhes orientam no sentido do progresso espiritual. Muitas pessoas pensam que, quando o espírito desencarna, deixa com o corpo todas as suas más paixões e seus vícios. A verdade é que depois de sua partida da Terra, o espírito conserva todas as suas boas qualidades ou as más tendências que possuía no mundo, e observam os espíritos que estão felizes, como para lhes mostrar a necessidade de trilhar o caminho do bem. Na erraticidade o espírito toma conhecimento das suas existências anteriores e vê o futuro que o aguarda e o que lhe falta fazer para atingi-lo, tal qual um viajante que chega ao alto de uma montanha e vê o caminho percorrido e o que lhe resta para alcançar o objetivo. Quando um espírito diz que sofre, ele está experimentando as angústias morais que o torturam mais que os sofrimentos físicos. O avarento vê o ouro que não pode mais possuir; o imoral vê as orgias nas quais não pode mais tomar parte; o orgulhoso vê as honras que não mais pode gozar; o viciado a bebida que não pode mais tomar e o fumo e as drogas que não pode mais consumir; o ambicioso, os bens que não pode mais possuir... Mas, seguramente, o maior sofrimento é o pensamento de serem condenados para sempre, enquanto observam a felicidade de outros espíritos que fizeram por merecê-la. A felicidade dos bons espíritos consiste em não terem ódio, nem ciúmes, nem ambição, nem egoísmo, nem qualquer outro sentimento inferior, que fazem á infelicidade do ser humano. O amor que os une e a caridade que praticam é para eles a fonte suprema de felicidade. Eles não experimentam nem as necessidades nem os sofrimentos da existência terrena; são felizes pelo bem que fazem. A situação dos espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito, em razão do grau de desenvolvimento moral, intelectual e espiritual. Os espíritos de ordem elevada, só fazem na Terra, paradas de curta duração. Tudo o que se faz na Terra, é tão mesquinho em comparação com as grandezas do infinito, que eles se sentem desejosos de voltarem ao seu ambiente de paz e harmonia, a não ser quando convocados a promover o progresso da Humanidade, na condição de missionários do bem. Os espíritos de ordem mediana estacionam mais tempo na Terra. Os espíritos imperfeitos e vulgares são os mais adaptáveis às condições do planeta e constituem a massa da população dos mundos de provas e expiações, que é a situação atual da Terra. Com relação às qualidades íntimas, os espíritos são de diferentes ordens e graus, que são percorridos sucessivamente, à medida que vão se depurando. Quanto ao estado, podem ser encarnados, isto é, unidos a um corpo físico; errantes, livres do corpo físico, esperando uma nova encarnação para se melhorarem; elevados, que não têm mais necessidade de encarnação. A marcha ou ascensão dos espíritos é progressiva; jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente e não descem da categoria que já alcançaram. Nas suas diferentes existências corporais, podem descer como seres humanos, mas nunca como espíritos. Assim, a alma de um rei na Terra pode, mais tarde, em outra existência, animar o mais modesto trabalhador e vice-versa, porque as posições entre os seres humanos, frequentemente, estão na razão inversa da elevação dos sentimentos morais. O exemplo mais marcante, observamos em Herodes que era rei, porém espírito inferior, e Jesus que era um carpinteiro, porém um espírito puro, quando encarnou na Terra... Finalizando, recordo as palavras de Emmanuel, mentor de Chico Xavier, ao dizer: “Os que partiram na grande jornada, estão vivos e compartilham as tuas aflições. Pensa neles com saudades, convertendo teu sentimento em oração. Efetua por eles, o bem que desejariam fazer. Contempla os céus em que mundos incalculáveis nos falam da Criação e da união sem adeus, e ouvirás a vós deles no próprio coração, a dizer-te que caminham felizes, em plena imortalidade, tendo a certeza de que Deus que nos criou para nos amarmos plenamente, jamais nos separaria para sempre. . .” Quer estejamos habitando mundos, ou vivendo na Espiritualidade, fazemos parte da grande família, cujo pai é Deus, supremo criador do Universo. Se, desejamos ser recebido na Espiritualidade pelos nossos entes queridos e habitarmos um plano de paz e harmonia, tratemos de fazer por onde termos esse merecimento que é conquistado pelo bem que fizermos aos nossos semelhantes, sejam eles parentes amigos ou desconhecidos, como na parábola do “Bom Samaritano”. . . Bibliografia: O Livro dos Espíritos Livro “Entre o Céu e a Terra” Emmánuel Jc. S.Luis, 28/12/2004 Refeito em 29/12/2012

C O M P O R T A M E N T O

C O M P O R T A M E N T O S Vanda Simões, em artigo publicado no “Jornal do Lar”, nos informa “que ultimamente, os estudiosos do comportamento humano, chegaram a conclusão que, o excesso de liberdade, traz prejuízos para a formação do ser humano. Informa ainda que a teoria amplamente difundida e executada nos últimos anos, que era de não impor limites a uma criança, estava definitivamente errada e encerrada. Afirmando em seguida, que os pais americanos estavam perplexos e confusos, com a geração de jovens e seus destemperos comportamentais”. Só nos últimos cinco anos, nos Estados Unidos, ocorreram mais de 250 assassinatos cometidos por crianças e adolescentes, apesar das leis americanas serem mais rigorosas do que em qualquer outro lugar do mundo. No Brasil, uma pesquisa indica que 25% das crianças que estudam em escolas do Rio e de São Paulo, demonstraram um comportamento agressivo, nas relações com colegas e professores. E mais: embora só agora as notícias sobre a violência nas escolas tenham se tornado mais freqüentes, o problema é antigo, especialmente, nas grandes metrópoles. Outras pesquisas divulgadas pelo Grupo de Planejamento e Pesquisa, do Rio, comprovam que a questão é muito mais grave nas áreas pobres, onde já foram registrados casos de agressões com estupro, de alunas pelos colegas. A mesma pesquisa indicou ainda que, as crianças vêem mais violência nas televisões do que nas ruas, e que muitas delas, acabam alimentando o desejo de ter uma arma para seguir o exemplo dos filmes assistidos. O pesquisador Robert Blum, observou a falta de amor por parte dos pais, como o grande fator da agressividade dos jovens. Diz ele que; “a criança que não se sente amada, querida ou cuidada pelos pais, torna-se violenta, e que essa situação piorou a partir dos anos 60, quando as mães começaram a entrar no mercado de trabalho, ficando várias horas longe dos filhos, e estes passaram a ter excesso de liberdade e escassez de atenção e carinho. A criança que sente ódio, não consegue amar porque desconhece o que é amor, por não haver recebido”. É certo que o ser humano precisa e vivencia as experiências de que necessita para o seu crescimento e existência. É certo também que poderá apressar ou retardar sua marcha, dependendo da maneira pela qual se conduza. Aí, entra o livre-arbítrio, que faz o adolescente escolher este ou aquele caminho. O mundo faz o seu papel de agente das oportunidades nos vários campos, o que significa dizer que se encontra na Terra, o que se precisa para bem ou mal se conduzir na existência. Dentro dessa concepção de vida, e após séculos de lutas pela liberdade de idéias e atitudes, explode nos Estados Unidos, o movimento hippie, na década de 60, influenciando a cabeça das crianças e dos jovens, a vivenciar outros modos de atitudes e comportamentos, como forma de repúdio e de modificação da sociedade conservadora. Surgia então, o movimento desagregador dos costumes familiares, e, comportamentos estranhos eram proclamados junto aos adolescentes. Em meados dessa década, cerca de 300 mil jovens haviam deixado seus lares para juntar-se a esse movimento, que pregava o sexo livre, a liberdade para fazerem das suas existências, o que bem entendessem, incluindo o uso abusivo de bebidas alcoólicas, drogas, e ainda, o descompromisso em assumirem a responsabilidade dos seus atos. A partir daí, e em conseqüência de uma pseudoliberdade, os jovens achavam ter conquistado a felicidade, e as escolas do comportamento humano, elaboraram teses as mais absurdas sobre a formação da personalidade do ser humano. Desde a liberdade que a criança passou a ter de fazer o que bem quisesse, sem que ninguém a molestasse para não traumatizá-la, até a iniciação precoce na sexualidade, tudo era aceito como normal. Felizmente esse movimento passou, mas até os nossos dias, ainda presenciamos resquícios dessa época, aliada a outros comportamentos reprováveis, que nos impõe os programas de Tvs, quando vemos nas novelas, principalmente na infantil intitulada “Chiquititas”, abordar assuntos de namoros, transas, “ficar”, traições, etc., e muitas mães se deixam levar nessa onda, em lugar de tratarem de assuntos essenciais à existência das crianças, tais como: preocupação com os estudos, com a boa moral, com os exemplos dignificantes, os comportamentos éticos e a religiosidade, necessária principalmente a essas mentes em formação, carentes de exemplos dignos para se tornarem bons cidadãos, permitem que seus filhos prematuramente, sem as mínimas condições de arcar com suas responsabilidades, tenham encontros privados, dentro do próprio lar, possibilitando a geração de novas crianças. Elas, na condição de avós, podem cuidar desses bebês? E quando não puderem mais, o que vão fazer? Transferir os problemas gerados por elas, para os filhos? Muitos daqueles jovens da década de 60, hoje são os pais de adolescentes e jovens. Criaram seus filhos dentro de uma concepção de liberdade irrestrita, acreditando estar nisso o segredo da estabilidade emocional, das relações pessoais e da felicidade. As escolas dessas teorias criaram adeptos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Muitos pais, sem avaliar as conseqüências futuras, entram nessa linha de pensamento e passaram a trabalhar mais em busca do sucesso material, a fim de proporcionarem aos filhos, melhores condições, brinquedos de última geração, roupas de grife, passeios ao exterior (Disneylândia de preferência), e computadores, como substitutos dos cuidados e carinhos que deveriam dar aos seus filhos. Porém, se esqueceram da educação que deve ser ministrada pelos pais no lar, para o bom comportamento na sociedade, deixando de lado a convivência tão necessária e os exemplos edificantes que deveriam ser transmitidos. Alguns dizem: “Como os tempos são outros, as crianças têm que ter liberdade de escolha”. Dessa maneira, as crianças passaram a estabelecer seus próprios limites, e como não possuem ainda a maturidade para tal, ultrapassaram as normas de bom senso, resolvendo suas próprias existências, como: horário de dormir (invariavelmente tarde), programas de televisão (geralmente todos), horário de fazer as tarefas escolares (quase nenhum), alimentar-se de sanduíches e somente do que gostam e não do que precisam, noitadas em clubes ou em outros lugares que nem mesmo os pais sabem, dormir em casas de colegas, e aí está um grande perigo da iniciação em bebidas alcoólicas, drogas e na promiscuidade sexual, e até na quantidade de dinheiro que devem receber, como mesada e não como retribuição a algum trabalho. O resultado disso tudo é que os pais, hoje, não sabem o que fazer com pequenos déspotas que têm dentro de casa. Filhos que foram criados naquela mentalidade, que se transformaram em tiranos dos próprios pais. Em muitos casos, quem manda na família são eles, pois tudo é feito para atender suas menores exigências. Estabelecer limites, é cercear a liberdade da criança e os traumas advindos disso são imensos, foi o que aprenderam esses pais com as teorias dos anos 60. E não é só por isso não, é também por comodismo que muitos pais deixam que os filhos cresçam ao sabor das influências dos colegas, da televisão, que na maioria das vezes, só mostra o que não presta para ninguém, e nas suas próprias tendências, que nem sempre são saudáveis e recomendáveis, pela falta da orientação e do exemplo dos pais. Criada essa grave situação os estudiosos do comportamento humano, chegaram à conclusão que esses excessos de liberdade, trazem prejuízos à formação do ser humano, isto após décadas de estímulo a essas teorias perniciosas, que nos dias atuais, são repetidas e apresentadas pela televisão. Estão aprendendo com a triste experiência. Sem valorizar o lado moral na formação dos jovens, vêem-se agora os pais, às voltas com duas gerações perdidas de valores, sem rumo, sem esperanças, vítimas de teorias absurdas, elaboradas por mentes em desarmonia. Fruto dessa filosofia de vida, os pais passaram a ser responsáveis pelos desregramentos dos filhos, em vista de não lhes terem doado tempo, atenção, carinho e amor. A falta de amor é a principal causa da agressividade das crianças, observou o pesquisador Robert Blum. Segunda a educadora Tânia Zagury, há muita necessidade de amor na educação dos filhos. Diz ela ainda: “Se acreditarem na importância do amor e no bom diálogo, os pais estarão dando o melhor de si para criar seus filhos, num clima de harmonia na família e de bem viver na sociedade”. Estatísticas de UTIs neonatais comprova que os bebês bem cuidados e bem alimentados que não recebem a visita e o afeto diário dos pais, não se desenvolvem, enquanto que os que recebem carinho diário se recuperam mais rápido. Isto comprova que toda criança precisa de atenção e afeto, cuidados mais essenciais do que a própria alimentação. Outra orientação é a de que, ao invés de reclamarem do ciúme infantil de algum filho, os pais devem se conscientizar que estão distribuindo seu amor de maneira errada à saúde emocional dessas crianças. As brigas e agressões entre irmãos, não precisam apenas de repreensões e punições, mas também de diálogo, porque é pela ausência do esclarecimento e do amor, que o ódio e a rivalidade se desenvolvem. Finalmente, o irmão que é alvo de hostilidade, deve manter um distanciamento, que é mais saudável, até que surja uma consciência no irmão hostil ou na família, e as condições necessárias a uma mudança de comportamento. Segundo os psicanalistas, há males existentes irrecuperáveis. A Doutrina dos Espíritos nos esclarece que há diferenças de estágios evolutivos e que existem inúmeras famílias constituídas de espíritos inimigos de outras existências, que são reunidos para iniciarem o processo de reconciliação e evolução. Se Deus colocasse esses espíritos, em cidades e famílias diferentes, jamais eles poderiam se reconciliar. Além destas orientações, para corrigir o rumo devem ser aplicados castigos de forma efetiva, nunca de maneira exagerada. Quando a disciplina é rompida, os pais devem dar à bronca. Algumas palmadas de vez em quando também costumam dar bons resultados. Se não funcionar, devem ser retirados os privilégios. Por exemplo: Não deixar que a criança assista ao programa de televisão que gosta ou brincar com o vídeo-game naquele dia. Conversar com a criança sobre o assunto para que ela reflita sobre o erro que cometeu, é aconselhável. Reaja com rigor caso os irmãos briguem frequentemente. Uma coisa é aquela briguinha caseira, outra é virar agressividade, que pode ir para fora do lar, onde a criança pode correr o risco de se envolver em brigas mais violentas. A dificuldade de ensinar o que é certo e o que é errado para os filhos, em função do comportamento anormal de determinadas pessoas, tem criado situações de ambigüidade na ética da sociedade. Vários são os exemplos com os quais convivemos. Alguns exemplos: Os traficantes das favelas do Rio, que destroem as gerações futuras com as drogas, por dispensarem alguns favores aos favelados, são aceitos, apoiados, favorecidos e imitados pelas crianças, convivendo tranquilamente nas comunidades. O seqüestrador Leonardo Pareja, quando vivo, recebia na prisão, grande quantidade de cartas de admiradoras. O jogador de futebol, Edmundo, foi ídolo mesmo com o temperamento e comportamento que lhe rendeu o apelido de “Animal”. Graças a Deus, ele evoluiu e hoje não deseja mais ser chamado de “Animal”, porquanto já é uma nova pessoa. E temos muitos outros exemplos negativos mostrados diariamente na política e na televisão. Diante destes fatos, somados a tantos outros, fica difícil transmitir valores morais para um comportamento ético. O que se pode considerar certo, ou errado? Até onde se deve impor limites? Estes são questionamentos que podem gerar uma situação aflitiva, contudo refletem hoje, a conscientização e a preocupação dos pais, sobre a existência desses problemas. O monge Agostinho, no livro “Evangelho Segundo o Espiritismo”, orienta dizendo: “Desde o berço a criança manifesta os instintos maus ou os sentimentos bons que traz de sua existência anterior...” Durante a infância, a criança recebe os conceitos dos pais. Entretanto, de nada adianta adotarem um determinado manual para as crianças, quando os pais mantêm um comportamento oposto. Citemos o caso de pais que procuram passar idéias pacifistas aos filhos, mas que ao mesmo tempo vivem discutindo e brigando dentro de casa. Mesmo com posições definidas dos valores éticos morais que queremos ensinar aos nossos filhos, às vezes nos vemos em confronto com o que o mundo e a televisão mostram, sendo necessário firmeza e perseverança para convencê-los a agir corretamente, e incutir em suas mentes o comportamento certo. Outras vezes é preciso desligar a televisão pelo péssimo programa apresentado. Deixar de atuar na formação moral de nossos filhos, pelas dificuldades de enfrentar o assunto, é uma atitude perigosa, cujas conseqüências podem ser muito mais desagradáveis, pois mesmo que não queiramos, os valores éticos são sempre transmitidos por nós, ou negativos de outras maneiras. É preciso, pois, os pais estarem atentos na formação e orientação dos seus filhos, evitando assim desgostos futuros. Cabe aos pais o papel de educador, orientador com um comportamento exemplar, a fim de encaminhá-los para uma existência responsável e consciente de direitos e deveres, perante as leis da sociedade da qual fazem parte e das leis divinas a que todos estamos submetidos. Não devem faltar orientações quanto às drogas, uso de bebidas alcoólicas, sexo e doenças transmissíveis como a AIDS, para que o jovem inexperiente, não se perca e venha a cometer erros que possa se arrepender e sofrer pelo resto da existência e também seus pais. Os pais têm que entender que o modo de agir e o comportamento perante os filhos, devem ser um modelo, pois são geralmente seguidos por eles. Exemplos: Se não queremos que nosso filho seja um fumante; se fumamos, deixemos de fumar, pois sabemos dos males que causa o tabaco. Se não queremos que ele se torne um alcoólatra, deixemos de beber. A força moral só prevalece com os exemplos. Dialogar com o filho ou a filha, tirando-lhe dúvidas, também é essencial para um bom relacionamento. É melhor a orientação dos pais do que o conhecimento deturpado feito por outras pessoas. A atenção e o interesse, pelo que o jovem faz, sempre procurando ajudar e estimular, estabelecendo uma amizade com ele, pode colaborar muito para um bom comportamento desde junto à sociedade. Finalmente, é importante acima de tudo, dar uma formação religiosa aos nossos filhos, ajudando-os a despertar sentimentos e valores, como ser útil ao próximo, estimulando a prática da caridade, do respeito e amor que devem ter aos semelhantes, principalmente aos idosos. A Doutrina dos Espíritos vem nos alertar quando diz: “Quando produzis um corpo, o espírito que nele encarna, vem para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponha todo vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal missão vos está confiada, cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes a contento”. Este é o compromisso que nos cabe ter na qualidade de pais na Terra. Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações... Bibliografia: Vanda Simões Robert Blum Livro “Evangelho Segundo o Espiritismo” Jc. S,Luis, 17/6/1999. Refeito em: 28/12/2012