terça-feira, 10 de outubro de 2017

O ROCK IN RIO DE 2017




   Mais um festival de rock se vai, deixando mensagens no ar. Mas quem quiser decifrá-las  para entender, afinal, o que é que muda o mundo, poderá se assustar: mantidas as tendências atuais, logo o rock’n’roll estará servindo para protesto contra a guerra e em defesa da pílula anticoncepcional. Será que o mundo está mudando de marcha á ré? Foi comovente ver aquelas bandas brasileiras caricaturando o passado que nunca tiveram, soltando brados heroicos contra o governo e a política nacional. Se tivessem gritado com a metade desse entusiasmo nos 13 anos de rapinagem do PT... Bem, não teria acontecido nada, porque esses rebeldes não fazem mal a ninguém. A rebeldia empalhada do Rock in Rio não se lembrou de Luiz Inácio Lula da Silva, o comandante do maior assalto da história republicana no Brasil.
Em um país mais ou menos saudável, os acordes mais do que ensurdecedores do mensalão, do petrolão e das revelações obscenas da Operação Lava Jato imporiam, sobre outro ou qualquer som, o brado pela prisão de Lula. No entanto, o heptarreu (já condenado em um dos processos) não inspira os revolucionários da tirolesa. É a onda purificadora mais poluída da história da rebeldia cívica. No embalo do bordão “fora Temer”, que virou até brinco no festival, os intelectuais de porta de assembleia resolveram classificar o impeachment da senhora Dilma Rousseff (que também está solta) como a mera substituição de uma quadrilha por outra. Não, companheiros da limpeza. Não foi isso o que aconteceu.
Notícia em primeira mão para vocês que estão chegando de woodstock:  A Petrobrás, maior empresa nacional, jogada na lona pelo estrupo petista, foi saneada e reerguida  no espaço inacreditável de um ano. A mesma transfusão de gestão veio a acontecer no Banco Central, no Tesouro e nas principais instituições que comandam a economia nacional. Vocês não poderiam saber de nada disso porque estavam assistindo o velho Jimmy Hendrix, mas aí vai: o dólar, os juros, o risco país e a inflação despencaram, também em tempo recorde. Portanto, revolucionários, avisem ao pessoal da limpeza que, no coração do estado brasileiro, não houve aquele dito: a substituição de uma quadrilha por outra. A não ser que a nova quadrilha seja do bem, como fingem que a do Lula foi.
Quem está fazendo esse saneamento da orgia petista na máquina pública, contra tudo e contra todos, senhores metaleiros de playground, é o mordomo! Ele mesmo, um cacique do velho PMDB, que tem de ser investigado  sempre. Mas o que se viu foram denúncias fajutas montadas por um falso justiceiro para fazer política – ou, mais precisamente, retomar o poder central para a turminha do progressismo trans. Em outras palavras, os rebeldes do festival  que pagaram 500 pratas por um ingresso gritavam por uma virada de mesa a favor de quem esfolou o povo. Não o povo imaginário que eles defendem, mas o povo que jamais passará nem na porta do Rock in Rio, muito menos participará de protesto fashion bem  na hora em que o emprego começa a reaparecer e crescer.
Os heróis dos revolucionários de auditório  são personagens como Rodrigo Janot e Wesley Batista, que alegraram a criançada com sua brincadeira de arco e flecha enquanto eles conspiravam com os açougueiros biônicos do PT. Janot e os rebeldes do festival deram à delinquência de Dilma Rousseff uma anistia comovente. A regente do petrolão, com seus E-mails de obstrução à Lava Jato esfregados na cara do país, não mereceu flechadas verdadeiras nem gritinhos da plateia.
O Rock in Rio de 2017 com suas claques colegiais regidas por cantores decadentes – desesperados por um pouco de charme ideológico – sintetizou a covardia fantasiada de bravura: todos passando aquele perfuminho de rebeldia para pertencer a um levante imaginário da esquerda popular contra a direita elitista. A má notícia, senhores perfumados, é que esta barulheira de sentido demagógico vai morrer dentro de sua própria bolha.
 A trilha sonora desse festival de besteira deveria ter sido  cerimoniosamente solicitada ao Roger do “Ultraje a Rigor”:  A GENTE SOMOS INÚTIL!

Fonte:
Revista “Época”- 2/10/2017
Jornalista Guilherme Fiuza
+ Pequenas modificações.

Jc.
São Luís, 8/10/2017

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