sábado, 20 de maio de 2017

A DEPRESSÃO




  Falar de depressão nos dias atuais tem sido uma constante entre profissionais e o público em geral. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que a depressão é considerada hoje a primeira causa de incapacidade entre todos os problemas de saúde. E quando falamos de problemas mentais, há de se levar em conta não apenas as síndromes depressivas, que são várias, mas as neuróticas, as psicóticas, as maníacas e as ansiosas também. Portanto, o que não nos faltam são classificações e definições para as mais variadas fobias e conflitos que assolam o ser humano.

O que é depressão?  É uma tristeza que se apodera do ser humano e se transforma em desânimo e desencanto incompreensível diante da existência, candidatando a criatura a um sanatório, às vezes às garras da loucura ou da morte prematura. Mas, nem tudo é depressão... Por exemplo, tristeza não é depressão, mas um estado normal da alma. Ela faz parte de nossas expressões emocionais. Muitas pessoas que vivem seus processos de luto passam por períodos de tristeza, onde o mundo perde seu brilho, a comida o bom sabor, as festas a sua alegria. Depois de algum tempo, quando a pessoa consegue sua paz, o luto estará acabado e a existência seguirá com todo seu dinamismo.

É forte a crença de que se a pessoa está chorosa e sem apetite por algum tempo, entrou em depressão; isso, porém, não é verdade. O diagnóstico da depressão só poderá surgir se a pessoa estiver com cinco ou mais sintomas e sinais descritos abaixo, pelo menos por duas semanas, a saber: 1- Humor deprimido; 2- Desânimo ou perda de interesse; 3- Apetite alterado; 4- Sono alterado; 5- Incapacidade de sentir prazer; 6- Fadiga ou perda de energia; 7- Pessimismo; 8- Baixa autoestima; 9- Concentração prejudicada; 10- Retardo ou agitação psicomotora; 11- Tristeza sem motivo; 12- Pensamento de suicídio ou morte. Nesses processos depressivos, podemos encontrar situações leves, medianas e graves, podendo nos casos mais difíceis, a pressão negativa  aumentar a ponto de sucumbirmos sob seus efeitos, podendo resvalar para o retorno à pátria espiritual, através do suicídio.

Em o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo V item 25, vamos encontrar um comentário sobre o assunto, dizendo: “Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes dos vossos corações e vos faz achar a existência tão amarga ? É o vosso espírito que aspira à liberdade e à felicidade e que,  preso ao corpo, que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para dele sair. Mas, vendo que são inúteis, uma espécie de apatia se apodera de vós, e vos achais infelizes”. O corpo é a máquina de expressões do espírito, e o que este é, e como ele está se reflete na função corporal, para a saúde ou a doença. Os estados depressivos são os que mais estragos têm trazidos à saúde humana, devido a sua larga incidência.

O processo depressivo, se não for combatido com energia, poderá levar à tristeza cada vez mais profunda, pelas dificuldades do dia a dia, seja no relacionamento da manutenção (trabalho), ou no relacionamento afetivo no lar. Segundo a Doutrina dos Espíritos, a depressão pode resultar da influência de espíritos imperfeitos, com a intenção de fazer justiça, como também pode ser consequência de desequilíbrios nossos na existência atual ou em outras passadas; pode ainda funcionar como resgate de débitos contraídos em existências anteriores. Allan Kardec nos informa que a depressão provocada pelos espíritos obsessores funciona como expiação.

Devemos reconhecer que viemos ao planeta, pela reencarnação, para trabalhar muitas vezes fisicamente, mas sempre espiritualmente, no combate às nossas doenças da alma. Segundo, temos uma inesgotável fonte de energia de Deus, que está à nossa disposição, bastando saber buscá-la, e isso não é segredo para ninguém. O veículo para receber essa energia chama-se oração, que traz a força e o alívio para qualquer um de nós.

Além disso, é necessário estarmos dispostos a seguir os conselhos e tratamentos estabelecidos, pois ninguém poderá remover nossas doenças se não estivermos dispostos a tomar o remédio curador. O tratamento medicamentoso, o tratamento espiritual, a oração, a água fluidificada, o passe, o trabalho beneficente, a mudança de comportamento, pensamentos positivos e a melhora moral, são ações que devemos buscar juntamente com a nossa enérgica disposição para eliminar o processo de tristeza que evolui para a depressão.

Até aqui falamos dos sintomas. Mas, e as causas?- Estas invariavelmente, são marcadas por questões ambientais e genéticas, e residem, em sua gênese mais profunda, nos porões da alma. Se o mal está em nós, também temos o remédio. Nosso compromisso de reencarnação foi programado de modo a se encaixar dentro de nossa capacidade de solucionar todos os problemas que surgirem em consonância com a afirmação de Jesus, quando disse: “O Pai não coloca fardos pesados em ombros fracos”.  Desse modo, ficamos mais fortes ao sentir que os nossos problemas podem ser resolvidos com a energia e as possibilidades de que somos portadores.

Fugir, não vai resolver os problemas de ninguém, ao contrário, só os agrava. O  que resolve mesmo é enfrentá-los, procurando as soluções. A existência é um jogo e os problemas são desafios ao nosso desenvolvimento interior, e aparecem quando a pessoa já tem condições de solucioná-los. Por isso, dizer que tal pessoa era fraca e que não agüentou a pressão, fugindo pelo suicídio é um engano. Às vezes a pessoa não quis enfrentar a situação, por desejar que tudo fosse do seu jeito. Como a existência não lhe fez as vontades preferiu fugir acreditando assim, se livrar das responsabilidades, o que não vai adiantar, pois a pessoa como espírito, vai continuar com os mesmos problemas agravados agora pelo ato que cometeu. Descobrir que não pode fugir de si mesmo é a grande desilusão dos suicidas ao se encontrarem na dimensão espiritual.

Que felicidade seria a nossa se aprendêssemos a expulsar da nossa memória as coisas desagradáveis, idéias tristes, pensamentos deprimentes. Com certeza, nossa força se multiplicaria se pudéssemos ter só pensamentos que elevam e animam. Há pessoas que não sabem lembrar as coisas agradáveis. Quando nos encontram, têm sempre alguma coisa de triste a contar. Só sabem lembrar fatos negativos ou infelizes. São pessoas que julgam encontrar na infelicidade e na falta de esperança, a harmonia. Outras são exatamente o contrário; falam sempre de coisas agradáveis e interessantes. São pessoas que passaram por momentos de aflições, sofreram perdas, e falam delas tão poucas vezes que parecem, nunca terem tido problemas na existência, mas sim, boa sorte e felicidade como diz o dito popular: “Quem canta seus males espanta”.


Outras recomendações que se fazem necessárias, são: 1- Cantar, mesmo não possuindo boa voz, cante com a que Deus lhe deu, para espantar as tristezas, de preferência melodias alegres que não tenham pornografias, ou religiosas. Humberto de Campos conta que Maria, mãe de Jesus, após deixar o corpo físico, foi visitar os cristãos nos sombrios cárceres de Roma e vendo o sofrimento ali reinante quis deixar aos oprimidos a força da alegria, e aproximou-se de uma jovem, dizendo-lhe ao ouvido: “Canta minha filha! Tenha bom ânimo! Convertamos as dores da Terra, em alegrias no Céu...” A triste jovem prisioneira, contemplando o firmamento através das grades, ignorando a razão de sua alegria, começou a contar um hino de profundo e enternecido amor a Jesus, traduzindo sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando as suas amarguras em consoladoras rimas de esperança. Daí a instantes, seu canto era acompanhado pelas centenas de vozes que aguardavam nos cárceres, o glorioso testemunho de fé. Então a 1ª recomendação é cantar; a 2ª é relembrar mentalmente as boas ações e os momentos de felicidade. Não há ninguém que durante a sua existência, não haja desfrutado de momentos de felicidade, junto a entes queridos ou na satisfação de algum desejo. É bom para espantar a depressão, nos lembrarmos desses momentos, procurando reviver as alegrias já vividas.

Luiz Almeida Marins relata em um de seus livros, o seguinte: Certa vez estava muito bem, alegre e satisfeito com a existência que tinha, e se encontrou com um amigo e em meia hora de conversa, o amigo deixou-o um verdadeiro “trapo”, triste e deprimido. Depois ficou pensando no que aconteceu e como se modificara, e logo percebeu que aquela conversa horrível do “amigo”, falando de doenças, dificuldades, assaltos, vícios, desemprego, calamidades, falta de dinheiro, etc., acabou por roubar-lhe a energia positiva, o bem estar e a alegria que sentia. – Cuidado com esses “amigos” sugadores de energia positiva que só vêem e pensam nas coisas negativas. Eles estão em todo lugar; no trabalho, na rua, na roda de amigos, na família. Eles só sabem falar de desgraças. Vivem tirando as energias alheias e lhes dando o pessimismo. Não é agradável conviver com alguém que vive “puxando você para baixo” o tempo todo.

A 3ª recomendação é ocupar-se com alguma atividade física ou beneficente. Se ficarmos parados, entregues, alimentando pensamentos negativos, será como conservar lixo dentre de casa; e com lixo, chegam os indesejáveis que comprometem a saúde e provocam o mal-estar. A atividade física ou caridosa desvia a nossa mente desses pensamentos negativos, desligando-nos da sintonia com espíritos infelizes ou inferiores que estejam procurando alguém para transferir seus
miasmas.

A 4ª recomendação é substituir a tristeza por vibrações positivas pelos outros que sofrem. Se atentarmos para o nosso semelhante e escutarmos os seus problemas, constataremos que existem dramas de mais difícil solução, do que aqueles com os quais nos defrontamos. No mundo, existem milhões de pessoas em pior situação do que nós; isso é comprovado facilmente. Nesta época de crises de toda espécie, os problemas, os sofrimentos e a miséria campeiam, dificultando a existência de milhares de pessoas, tornando mais freqüentes os casos de depressão, e as dores cada vez maiores.  Não nos esqueçamos de que amanhã, quem sabe, não sejamos nós quem estará a implorar socorro para nossas dores. Se não nos for possível fazer alguma coisa em benefício dos sofredores, façamos uma oração procurando envolvê-los em vibrações de bom ânimo, coragem, esperança, confiança e paz.

A 5ª recomendação é fazer leituras edificantes e consoladoras. Busquemos nos livros espíritas, principalmente nas obras de Allan Kardec e nas que foram psicografadas por Chico Xavier, a leitura de esclarecimento, de alento e consolo para nosso espírito aflito e triste. Mesmo nas leituras de outras religiões, encontramos sempre o que nos eleva o ânimo, o otimismo e a força para melhorarmos os nossos estados de alma.

Finalmente chegamos a 6ª recomendação que é a oração. Esta é a melhor coisa a fazer e funciona como um oásis de paz na vastidão do deserto. Orando, estabelecemos uma sintonia com os protetores espirituais que velam por todos nós e nos cercam de cuidados, amparando e nos sugerindo soluções para os nossos problemas, revigorando as nossas energias. Quando os apóstolos do Mestre estavam em alto mar, remando com dificuldades porque o vento lhes era contrário, eis que surge Jesus, andando sobre o mar; acalma a tempestade e lhes diz: “Tende bom ânimo! Sou eu, não temais!” – Na existência, mais cedo ou mais tarde, nos encontraremos em provações, como em “alto mar” e teremos a sensação de abandono, no entanto Jesus não deixa de velar por nós, e se abrirmos o coração, haveremos de ouvir uma voz suave e a sensação de conforto, a nos dizer murmurando: “Tende bom ânimo. Eu estou aqui para te amparar!”.

Lembremo-nos de que o Evangelho é o eterno conselheiro que deve estar sempre em nossa companhia; porque se choramos, ele nos consola; se estamos tristes, ele nos alegrará; se estivermos na escuridão, ele nos trará as luzes;  se estivermos perdido, ele nos mostrará o caminho; se somos culpados, ele nos perdoará; se doentes, ele nos restabelecerá; se desesperado, ele nos concederá a paz; se estivermos fraco, ele nos fortalecerá; se cairmos, ele nos levantará; se faminto de entendimento, ele nos alimentará com a orientação e os ensinamentos. Não nos esqueçamos de que o Evangelho é o amigo divino e silencioso que Jesus nos legou; não para que o guardemos na estante, mas para nos ser o amigo sincero, nas horas incertas.

Procuremos, pois, utilizar esses recursos simples e fáceis de serem aplicados, escolhendo o que melhor se adapte ao nosso temperamento, na convicção de que, logo a tão indesejável depressão estará em retirada voltando a brilhar em nossa mente, o claro sol da esperança e da confiança sem limites, na certeza de que somos filhos de Deus, que é de misericórdia, bondade e amor por todos nós...

Não somos pobres coitadinhos; somos essência divina nos disse Jesus! E se somos divinos, se possuímos uma centelha divina não precisamos de piedade, mas de autoconfiança. Deus, nosso Pai, confia em ti, em mim em nós! E se Ele confia em toda Sua Criação, quem somos nós para duvidar disso?


Bibliografia:
Revista Espírita Allan Kardec
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”
Humberto de Campos
Luiz Almeida Martins
Cláudia Gelernter
Jornal “O Imortal” – 5/2013


Jc.
S. Luís, 10/06/1998
Refeito em 17/5/2016

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