quarta-feira, 4 de maio de 2016

OS SENTIDOS DO SER HUMANO





O ser humano possui a consciência que comanda o cérebro, que ativa os sentidos, que realizam as funções vitais do organismo. Esses sentidos materiais são em número de cinco, a saber:  Audição – Olfato – Paladar – Tato – e – Visão. Existe ainda um sexto sentido, imaterial, a que damos o nome de mediunidade.

Cada sentido realiza função capaz de receber, perceber, sentir e realizar impressões e atos que podem modificar as pessoas e o ambiente. Comecemos a falar então da Audição; capacidade que tem o ser humano de se comunicar com outras pessoas e animais, por meio de sons; no caso, atos de ouvir e de falar. Passemos em seguida a falar do Olfato; sentido do odor, pelo qual identificamos se agradável ou desagradável. Falemos agora do Paladar; sentido do gosto e do sabor. Se amargo, azedo, doce ou salgado. Seguimos falando do Tato; sentido pelo qual se percebe pelas mãos e pés, a consistência, a forma, o peso, etc., de um corpo, fazendo contato com ele e às vezes modificando-o. Chegamos ao último e quinto sentido material que é a Visão; sentido da vista, olhar, comprovar através da imagem retida pelo olho um objeto, um ato, uma visão. Destes sentidos, vamos nos alongar sobre a audição, o tato e a visão.

A audição, sentido que abrange tanto o ouvir como o falar. Ouvir as canções cantadas pela nossa mãe, nos acalentando quando ainda no ventre materno; ouvir os conselhos dos que nos querem bem; absorver os ensinamentos dos pais, professores e das pessoas mais idosas; ouvir as orientações para sermos uma pessoa de bem na sociedade. Ouvir as palestras instrutivas e de boa moral que nos possibilitam viver em paz com nossa consciência, com nossos semelhantes e em harmonia com as leis de Deus. . .

Para falar nos servimos da língua. Com a língua mantemos a nossa existência pela alimentação. Eurípedes Barsanulfo, espírita que viveu na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, grande educador, falando sobre a língua, disse: “A língua é um instrumento tão poderoso que, com ela podemos tanto ganhar como perder a presente existência. E para que isso ocorra, não é necessário que a pessoa seja maledicente ou desrespeitosa, mas apenas que seja franca e sincera, sem meias palavras, sem saber calar, quando a situação recomenda que nos sirvamos do silêncio, da indulgência ou benevolência, para não ofender o nosso próximo”.

500 anos antes do advento  de  Jesus,  o filósofo  Sócrates já  ensinava em Atenas, que deveríamos antes de nos pronunciar sobre qualquer assunto, nos servir de três crivos:  É verdade?  -  É bom?  -  É útil?  - Jesus, sabedor da importância da fala nos recomendou que respondêssemos apenas sim/sim e não/não, para que não incorrêssemos em falta. Paulo, na sua recomendação aos Efésios, disse: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem”.

Devemos pensar bastante  antes de falar,  porque falar sem pensar é igual a uma flecha que, depois de disparada, não mais pode ser detida.  O uso correto da fala faz que se torne um instrumento de concórdia, de paz e de amor. Se, entretanto, é portadora de pessimismo, de dúvidas e acusações, atrai por sintonia mental, enfermidades, inimizades e obsessões. Conforme a sua qualidade, semeada, ressurge como colheita de frutos que serão portadores de paz ou desarmonia. Quando carregada de sinceridade e fé, age como onda vibratória que elimina as forças negativas. Falar é uma arte é uma ciência. É arte porque deve se revestir de dose de emoção, tornando-a objetiva, clara e saudável. É ciência porque deve ser sempre mensageira de sabedoria, portadora de paz, repassada de amor. A fala emite ondas positivas, quando é uma afirmação sincera e com carga de amizade; porém, se negativa, tem sido responsável por inimizades, violências, crimes e guerras lamentáveis. A palavra convoca ao trabalho, à ação no bem... ou a indolência, a revolta, o ódio,  à maldade e o crime.

É no terreno da calúnia e da maledicência que a língua se transforma em agente da discórdia, da maldade, espalhando seus miasmas por onde passa. Transformada em bordão, a língua pode denegrir ou destruir a reputação nobre, causando prejuízos sem conta à condição espiritual, tanto da vítima como de quem a faz uso. A calúnia e a maledicência alimentam-se da inveja, do despeito e da falta de moral de quem se serve dela. No livreto “Repositório de Sabedoria”, Joanna de Angelis nos apresenta diversas frases, verdadeiras preciosidades, aconselhando-nos a refrear a língua: “Maldizer, tem a significação de destruir. A calúnia e a maledicência são as armas e a astúcia dos invejosos e dos ociosos. O maledicente é atormentado pela inveja, fruto da própria inferioridade; aparentemente ingênua, ela se compraz no disse-me-disse espalhando desarmonia e inimizades sem conta”.

O apóstolo Tiago, já nos alertava sobre o uso da nossa língua, dizendo: “Se alguém entre vós se diz religioso e não refreia sua língua, antes engana a seu coração; a religião dele é vã”.  Se possível, em situação difícil, contemos até 10, antes de usá-la. . .

O tato, sentido pelo qual usamos as mãos e os pés, para construir, modificar ou destruir realizações. Deus não isentou o ser humano do trabalho, por isso lhe deu os braços e as mãos, as pernas e os pés para que assim o utilizasse. Com os braços e as mãos realizamos as tarefas do dia-a-dia, o serviço abençoado da caridade, em benefício dos nossos semelhantes necessitados e construímos o nosso futuro. Com as mãos e os pés os seres humanos agrediram, feriram e mataram milhares de pessoas, durante milênios; com as mãos foram assinados decretos e tratados de escravidão, de torturas e as mais variadas formas de sofrimentos e mortes; com as mãos foram excomungadas e condenadas milhares de pessoas por falsas interpretações dos ensinamentos  de  Jesus.  Entretanto, por outro lado, com as mãos, foram construídas todas as obras que construíram e contribuem para o progresso da Humanidade; com essas mesmas mãos, ajudamos os nossos semelhantes; com elas proporcionamos o bem estar aos nossos familiares. Mãos são as dádivas que Deus nos possibilitou para exercitarmos   a    caridade   a boa ação e a  fraternidade.   Sobre  as  mãos   Jesus  nos  deu um
memorável ensinamento ao nos dizer:  “Que não saiba a mão esquerda o que dá a mão direita”.

Com o concurso das pernas e dos pés, fazemos o nosso deslocamento para o nosso trabalho, ajudamos os necessitados e conseguimos satisfazer as nossas necessidades, as nossas realizações; veja-se o serviço prestado pelos motoristas, os carteiros e outros profissionais.  Com os braços e as mãos, as pernas e os  pés, carregamos e transportamos nossas crianças e as encaminhamos na vida, com o  exemplo, para que possam trabalhar, viver e andar com seus próprios pés. . .

Sabemos que é pelo sentido da visão, que vemos as coisas. Jesus, falando da visão, disse certa vez: “Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz”. Olhos são patrimônios de muitas pessoas. Encontramos olhos em todos os lugares, e de diferentes formas.  Há olhos de malícia, olhos de ciúmes, olhos de desconfiança, olhos de desespero, olhos de inveja, olhos de ódio, olhos de amor, olhos que reparam os defeitos alheios, olhos de maldade e de crueldade, olhos de desânimo e frieza que desencorajam as boas obras.

Temos dado o devido valor à nossa visão? Quantas vezes, ultimamente, temos apreciado o nascer do sol, com seus raios luminosos a irradiar luz, calor e vida? Temos do mesmo modo, nos extasiados diante do por do sol? Há quanto tempo não paramos para admirar a beleza do firmamento em noite de céu estrelado? Temos tido, ultimamente, o prazer de observar a Natureza em suas múltiplas realizações; desde o simples brotar de uma semente, a uma árvore frondosa que nos proporciona sombra, flores, perfume e frutos? Temos algum dia parado para admirar o mar grandioso, no seu vai e vem a se derramar na areia da praia? – Imaginemos, então, quantos que são privados da visão, não gostariam de poder apreciar todas essas belezas criadas por Deus; que nós outros beneficiados com a visão, nem sequer nos detemos para observar e louvar? Temos finalmente, utilizado os nossos olhos em admirar e levar alguma luz aos que se encontram na escuridão do saber?

Os olhos nos possibilitam ver e aprender a evitar cairmos nos abismos do corpo e da alma, em nossa jornada para o alto e para o Criador. Se desejamos realmente enobrecer os recursos da visão, devemos aprender a ajudar, perdoar e amar, sempre, guardando conosco os “bons olhos” a que se referiu Jesus, instalando em nosso espírito, a glória da Eterna Luz.  Experimentem por alguns minutos, fechar os olhos e andar pela casa, para vermos as dificuldades de quem não possui a visão. Agradeçamos a Deus os sentidos normais com que fomos beneficiados...

É necessário que aprendamos a refrear a nossa língua, educar os nossos sentimentos, reformar a nossa conduta e comportamento no nosso dia-a-dia, para podermos alcançar o merecimento e a proteção dos Espíritos Superiores.
Os nossos  sentidos  foram criador para que possamos deles fazer bom uso.  Eles são educáveis e devemos direcioná-los no serviço do bem, para que possamos alcançar o Reino de Deus. Falando, Jesus alterou completamente a filosofia de vida então existente na sua época, e abriu as fronteiras da esperança para a felicidade de todas as criaturas de todos os tempos. Alguém gostaria de se desfazer de algum deles, por achar desnecessário?

Passemos agora ao sexto sentido, imaterial que é a mediunidade.

Para uma melhor compreensão de como definir a mediunidade, sabemos que ela se divide em duas denominações:  Mediunidade Natural: À  medida que o ser humano evolui e se moraliza, adquire mais faculdades psíquicas e aumenta consequentemente, sua percepção espiritual; Mediunidade de Prova; Esta aflora em determinada ocasião, para utilização imediata, na prática mediúnica, como cooperação compulsória e em benefício de todos.

Se as próprias Escrituras dão à mediunidade como uma herança do ser humano compreende-se que ela não é privilégio de alguns, mas patrimônio comum de todos, apenas ressalvando, em graus diferentes. A faculdade mediúnica, tanto a natural como a de prova, não é fenômeno dos nossos dias, conforme explica a Doutrina dos Espíritos, mas sempre existiu, desde quando existe o ser humano. Foi principalmente por meio dela que os Espíritos Superiores puderam interferir na evolução do mundo, orientando-o, guiando-o, protegendo-o. Nas épocas em que a humanidade vivia no regime de clãs ou de tribos, a mediunidade era atribuída a poucas pessoas, que exerciam um verdadeiro reinado espiritual sobre as outras pessoas. Passou depois para os círculos fechados dos colégios sacerdotais, criando então castas privilegiadas; e por fim, foi difundido entre os povos, dando nascimento aos videntes, profetas, adivinhos, pitonisas, que passaram a exercer influência nos meios onde atuavam.

A Bíblia está cheia de passagens e manifestações obtidas por meio da mediunidade. Samuel, no Livro I, cap. 9 v. 9, assim o demonstra, dizendo: “Dantes quando se ia consultar a Deus dizia-se vamos ao vidente; porque os que se chamam profetas, chamavam-se videntes”. As pragas que Moisés lançou sobre o Egito; o maná que  alimentava os judeus; as fontes que jorravam das rochas, tudo era afirmação do poder mediúnico de Moisés. Temos também os fenômenos de transporte, constante em II de Reis, cap.6 v.6; de levitação, Ezequias, cap.3 v.14/15, e Atos dos Apóstolos, cap.8 v. 39/40; de escrita direta, em Êxodo, cap. 32 v.15/16; de consulta feita por Saul, invocando o Espírito de Samuel, na gruta do Endor, Samuel I, cap. 28 v. 7 a 20.

No Novo Testamento, temos Maria de Nazaré, recebendo o Espírito que veio lhe anunciar a gravidez. Jesus no Monte Tabor  ao se transfigurar e aparecerem os espíritos de Moisés e Elias, materializados aos apóstolos, não foi uma manifestação mediúnica? Jesus quando apareceu a Madalena, após se libertar do corpo físico, não foi outra manifestação mediúnica? E quando apareceu por duas vezes aos seus apóstolos que, com receio dos judeus, estavam trancados em um quarto, e Jesus apareceu no meio deles, não foram outras manifestações mediúnicas de materialização?

Léon Denis pergunta: “Os apóstolos de Jesus foram escolhidos por serem sábios ou por que possuíam notáveis qualidades mediúnicas? Tanto os apóstolos como os discípulos, durante o tempo de seus trabalhos, atuaram como verdadeiros médiuns, bastando mencionar Paulo e João Evangelista; um o mais dinâmico e culto, o outro o mais amorável e místico. O que representou o Pentecostes, senão uma entrega de faculdades mediúnicas aos seus seguidores?  Era tão comum a mediunidade entre os primitivos cristãos, que instruções eram dadas escritas e enviadas às comunidades, para regular a sua prática.


Que o Senhor da Vida nos dê a necessária compreensão para melhor fazermos uso dos nossos maravilhosos sentidos. . .




Bibliografia:
Eurípedes Barsanulfo
Evangelho de Jesus
Livreto “Repositório de Sabedoria”
“Mediunidade” de Edgard Armond
A Bíblia


Jc.
São Luis, 12/01/2009

Refeito em 16/3/2016

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