quarta-feira, 20 de abril de 2016

REFLEXÕES SOBRE OS VALORES





 Vivemos num mundo conturbado por valores morais negativos. Nesta época de competições desenfreadas e desonestas; de jogos, loterias e bingos por toda parte; onde grande parte do povo acha que tudo é lícito para conseguir a posse efêmera e transitória dos bens materiais; só a Doutrina dos Espíritos nos ensina a conquistar pela Verdade, Bondade e Amor, os bens imprescindíveis, legítimos e eternos, que nos darão a felicidade, que o dinheiro da Terra não compra o ladrão não rouba a traça não rói, a ferrugem não ataca, o tempo não consome e nem a morte arrebata.

Nos tempos atuais, em que o valor da criatura humana está invertido, porque desceu da cabeça, sede da inteligência e da razão, passou pelo coração, sede da virtude, do sentimento e do amor, e, foi alojar-se no pé; isto porque o homem ou a mulher que chuta uma bola de couro cheia de ar, com certa habilidade, tem muito mais valor e ganha muito mais do que um sábio, um cientista ou um missionário, que sacrificam a existência, em favor da humanidade e de muitos ingratos; só a Doutrina Cristã-Espírita, identifica e reconhece o mérito das verdadeiras criaturas de valor, enaltecendo e glorificando-as diante de Deus.

Nestes dias de frivolidades excêntricas, de rádios-manias, de futebol agressivo, de festivais carnavalescos, de baixos valores, de promiscuidade, onde pessoas passam a cultuar com um fanatismo exagerado, os ídolos de carne e osso, que se exibem por toda parte, com requebros e malabarismos, ao som enervante de músicas estridentes, alucinantes, com letras na maioria das vezes imorais; parece que os filhos de Deus, exilados neste mundo de provas e expiações, perderam mesmo o significado da existência e o bom gosto pelas coisas simples, boas e belas; somente a Doutrina dos Espíritos nos orienta para os exemplos dignificantes da existência terrena.

Na atualidade, em que uma luta de boxe, espetáculo deprimente de barbárie, exibida pela televisão, em que duas pessoas, por posses terrenas, se agridem, chegando às vezes até a se matarem; imitando os tempos bárbaros dos gladiadores da antiga Roma, assistida e aplaudida por milhões de pessoas, que vibram com o sofrimento alheio, numa afronta aos nossos princípios cristãos; só a Doutrina Cristã-Espírita, nos dá a noção perfeita e exata de tudo aquilo que é nobre, bom, belo, grandioso e sublime, nos proporcionando a paz de espírito e o bem estar.

Nestes dias, em que a luta pela sobrevivência, nos sobrecarrega de trabalhos, problemas e responsabilidades, em que os verdadeiros valores morais são substituídos pelo “geitinho” e pela “lei de Gerson”, que consiste em se levar vantagem em tudo e sobre todos, por todos os meios, incluindo desonestidade, injustiças e também falta de respeito ao semelhante; só a Doutrina dos Espíritos, nos conforta e nos dá forças para prosseguirmos para frente, para o alto, rumo aos planos espirituais elevados de que nos falou Jesus.

Parece que o mundo às vezes está à beira do caos e que não há mais jeito de melhorar. Ás vezes pensa-se que nada mais conseguirá reverter à confusão que se instalou. Outras vezes, nem é bom pensar, nem ler os jornais ou assistir os noticiários da televisão. Guerras, misérias, violências, crimes, corrupção, impunidade, desumanidade e dor, são as manchetes de cada dia. Parece até que não há mais pessoas de bem e nada de bom neste mundo...

Entretanto, o bem existe. Ele não faz alarde, apenas acontece e não faz notícia, porque as pessoas na sua maioria ainda inferiorizadas estão mais afinadas com as coisas negativas. O amor ainda existe e impulsiona as pessoas ao progresso, à busca de sua espiritualidade, à caridade legítima e mantêm acesa a chama da esperança, porque Jesus está presente. Ele não se ausentou da Terra, como muitos pensam. Permanece Ele a inspirar o ser humano para o seu destino de progresso, através dos seus ensinamentos. Muitas e muitas vezes o ser humano infringe as Leis de Deus e recebe o retorno do que praticou. O sofrimento e a dor não tem assim, uma função punitiva, mas sim, reparadora e educativa.

A destinação do ser humano é o bem, o progresso, o amor e a felicidade. A violência de todos os níveis em que se manifesta, é fruto da ignorância e da falta da prática das Leis Divinas. A miséria social é decorrente da miséria moral. O ser violento e sem valores morais é alguém em profunda ignorância e miserabilidade espiritual, merecendo nossas orações.

Vivendo atualmente tantos problemas, as pessoas vão ficando mais pessimistas,  descrentes e mais desanimadas. Parece que estão esperando sempre grandes calamidades. Será que algum dia as coisas vão melhorar?- O pessimista só pensa assim, sem esperança em nada, nem nas pessoas e muito menos em Deus.  O pessimismo é um sentimento tão nocivo que nunca devemos estimular. Diante de tanta amargura, o pessimista chega à conclusão de que desse jeito não vale a pena viver... Quando é muito forte e constante esse sentimento, pode levar até ao suicídio.

O mundo inteiro está em convulsões e o momento histórico que vivemos é típico dos tempos de avanço. Vivemos o final de uma era e, quando se vai reformar uma casa, primeiro é preciso quebrar o que está prejudicando para depois melhorar. É o que está acontecendo com o mundo atualmente. A sociedade não pode ir bem, quando o ser humano vai mal. Do ponto de vista prático, o pessimismo tem sido até de alguma utilidade. Acreditando que os governos não vão mesmo solucionar os problemas, resolvem então ir à luta por conta própria, mesmo reclamando de tudo e de todos.

Emmanuel nos esclarece sobre o momento atual, dizendo: “O materialismo está dominando muitas pessoas e espalhando a dúvida e o pessimismo em toda parte; mas existem os que conservam a sua fé; são os que sabem separar as coisas, e é com essa sabedoria que foge do pessimismo, apesar de todo o mal que nos cerca. As ameaças de guerras, as enfermidades sem cura, as violências ameaçando a todos nós, os exemplos negativos de quem deveria ser modelo, as provações e resgates que merecemos, devemos enfrentar com a certeza de que tudo há de passar com o tempo”.

Temos convivido com as crises reais e, muito mais intensamente, com as crises do “ouvi falar”. Melhor será para nós, se formos realistas; nem otimismo ilusório, nem pessimismo desencorajador. Que fazer então para que essa situação negativa não nos atinja? – É simples: Não valorizar tanto as desventuras, próprias do nosso planeta, por causa de nossas imperfeições. Quanto mais pensarmos e falarmos de coisas negativas, mais iremos atraindo vibrações negativas, que só nos prejudicam. Vamos trabalhar pela nossa melhora moral e espiritual, sem nos preocupar tanto com o que dizem por aí. Tenhamos fé para sabermos esperar que a “onda difícil” passe, porque tudo passa com o tempo. O que não pode acontecer é ficarmos parado, esperando que tudo nos venha do céu. Os que assim procedem não são nem otimistas nem pessimista; são apenas preguiçosos e inúteis à sociedade da qual fazem parte.

Coube à Doutrina dos Espíritos relembrar à humanidade, a mensagem legítima de Jesus. Este, ainda é o grande esquecido, trocado pelas convenções e formas ritualísticas. Jesus não necessita de tantas celebrações mundanas; pede-nos apenas que pratiquemos caridade ao nosso próximo, o perdão sem cobranças, o bem que se faz e toda ação em nome do Amor, e não se admire se a pessoa mais feliz for você. A pessoa distanciada das aquisições dos valores morais e espirituais prioriza a existência física, fugaz e depois chora a sua própria imprevidência. Só nessas horas, recorda-se de que existe um Ser Superior que ele próprio. É que certamente a voz de Jesus ressoará no seu íntimo, dizendo-lhe: “Filho eu estou contigo”.

Se existem pessoas que animadas de puro propósito se interessam em aprender as coisas boas que o Mestre Amado legou à humanidade, e que procuram não se afinar mais com essas situações infelizes, é realmente um acontecimento notável e alentador. Certamente já se encontram um pouco adiante dos seus semelhantes. O nosso Pai Celestial certamente os amparará e lhes dará forças para perseverarem nos bons propósitos até o fim. Vamos, portanto, viver no mundo, deixando aos mundanos, os prazeres inferiores, porque a nós, outros prazeres virão ao praticarmos o amor e a caridade aos nossos irmãos necessitados. Vem a propósito, a advertência de Paulo, quando disse: “Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convêm, para nosso próprio bem”.

Precisamos estar preparados para enfrentar essas situações, sem nos envolvermos, sem vacilar nas nossas convicções e valores. Para que isso aconteça, é preciso termos força de vontade e conhecimento do que somos e pretendemos ser, auxiliados pela fé que nos dará as condições necessárias para resistirmos a esses exemplos inferiores. Sobre o assunto, é ainda Emmanuel quem nos dá outro conselho:  “Que sejamos doadores de paz. E como fazer isso, num mundo de intranqüilidade? - É simples: Quando falarmos, que nossa palavra seja de concórdia, harmonia e benevolência; quando escrevermos, que seja sobre o bem, a fraternidade e o amor”.

Quem vive em paz, está sempre pronto a entender os outros aliviando seu trabalho, suas angústias e seus sofrimentos. Jesus costumava dizer: “A minha Paz vos dou; mas não a paz que o mundo dá”. Isto porque a paz do mundo é passageira, enquanto a Paz do Mestre Amado é eterna; é a paz de consciência sem mácula.  Apesar dos sofrimentos tão naturais neste mundo, devemos ter como meta, fazer o bem, sem ostentação ou exibicionismo, porque o bem que se faz por pensamentos, palavras e atos, faz bem primeiro a quem faz. Imaginemos Jesus, se tivesse se preocupado com o reconhecimento de seus atos. Hoje não teríamos o seu Evangelho, iluminando nossos caminhos...

Quando Jesus recomendou aos que tivessem olhos, que vissem, aconselhava que observássemos a nossa existência, não regredindo nos nossos valores, não sonhando com facilidades que atrasam nosso progresso moral e espiritual. A posse de bens materiais nos proporciona o conforto e o luxo; mas essa mesma posse sem exercitarmos a  caridade, nos proporciona a ociosidade e estagnamos espiritualmente. Seremos verdadeiramente otimistas e felizes, quando aceitarmos as situações e colocarmos mãos à obra, no sentido de solucionarmos, pelo menos, os nossos próprios problemas...

Como colaborar com o nosso semelhante, afirmando que vamos nos esforçar, mas de antemão, acreditamos que não vai adiantar. Esse otimismo vacilante de quem engana não apenas os outros, mas a si mesmo, está longe de construir alguma coisa duradoura.

Todos os dias, muitos reencarnam e outros retornam à espiritualidade. Todos os dias, alguém inicia um trabalho e outro termina uma obra; todos os dias alguém se casa e nesse mesmo dia um lar é desfeito;  alguém se cura e outro adoece; alguém planta uma árvore e outro a derruba; alguém pratica a caridade, enquanto outro passa ao largo, indiferente a dor do semelhante; alguém sorri e outro chora; realizamos progressos em nossa existência e desperdiçamos outras preciosas oportunidades; alguém agradece a Deus pelas benção recebidas, enquanto outro ofende o Criador, por se julgar abandonado por Ele.  Todos os dias, acontece de tudo...

Cabe a nós escolher como devem ser os nossos dias, os nossos pensamentos, as nossas palavras e os nossos atos. Ter a certeza de que Deus observa, permite e está presente em todos os acontecimentos e que eles são úteis lições, necessárias para o nosso engrandecimento espiritual. Deus que vive em nós, nos ajuda, nos ampara e quer o bem de todos os Seus filhos. Não há privilégios nem excluídos. Não há esquecidos ou desamparados, mesmo os mais ingratos ou ignorantes são assistidos, porque um dia, estarão com Ele.
Vamos refletir sobre os valores morais e espirituais que queremos para nós, e tenhamos confiança, certos de que tudo está conforme o Determinismo Divino, e que somos chamados a colaborar com otimismo, na implantação do Seu Reino de Paz e Amor na Terra. Não vamos ser pessimistas ao ponto de dizer que Deus, nas roseiras, colocou espinhos... mas sim otimistas, afirmando que Deus até nos espinheiros... colocou rosas perfumadas.



Que a Paz do Senhor, permaneça em nossos corações.

       


Bibliografia:
“Doutrina dos Espíritos”
“Evangelho de Jesus”
Irene Cunha – Octavio Serrano


Jc.
21/05/1997
Refeito em 16/3/2016

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