segunda-feira, 21 de março de 2016

SEPTICEMIA NOS ORGANISMOS POLÍTICOS




  A sepse ou septicemia é infeção geral grave do organismo causada por germes patogênicos. É uma inflamação sistêmica potencialmente fatal causada por infeção grave. A sepse pode continuar mesmo após a infeção que a causou não existir mais.
O que esses governos (Lula e Dilma) e seus aliados fizeram com o Brasil nestes últimos treze anos foi exatamente isso: uma “infeção” generalizada em praticamente todo o organismo político. Quando eles estavam na oposição tinham um discurso afiado que se propunha ser ético. Diziam que tudo que fazia parte de todos os poderes estava contaminado.  Ninguém, segundo eles, tinha condições de trabalhar sem o contágio da terrível corrupção. Algumas das figuras políticas de então mereciam adjetivos impublicáveis. Precisavam, segundo diziam, ser banidos do cenário político brasileiro.
Milhares de pessoas acreditaram naquele discurso. Imaginaram que sob aquela bandeira de partido forjado na classe operária estaria a possibilidade de construção de outro país, com organismos sãos, expurgado de todos os “tumores” e de todos os “germes” que faziam do Brasil, um País que nunca foi levado a sério lá fora, e que sempre foi desigual para os seus filhos, sobretudo, os da base da pirâmide econômica.
O então candidato a presidente da República, a maior liderança do partido, sempre que encontrava um microfone ou uma câmera, vociferava a sua capacidade de liderar uma mudança no fazer política no Brasil. Chegou entre os Parlamentares Constituintes de 1988, com uma votação dada pelos eleitores de São Paulo. Naquele parlamento fundamental para o futuro do País, porque iria escrever a Nova Constituição, aquele Deputado com o seu partido foram muitos zeros à esquerda.
O Deputado Federal (Lula) que se dizia paladino da ética, o portador de boas novas para o futuro, teve participação pífia naquele momento político histórico da Nação. Ninguém se lembra de um único projeto  que ele ou seu partido tenham feito e que fosse incorporado àquele instrumento de regras que passariam a conduzir o nosso comportamento social, político e jurídico depois da  promulgação  em agosto de 1988. A única “bela” contribuição do Deputado Federal, que depois seria Presidente por dois mandatos, foi dizer que naquele parlamento havia trezentos picaretas.
Como ele nunca os identificou, o que mostra como é o seu caráter, manchou todos aqueles que faziam parte naquele momento de feitura da nossa Constituição.
Depois de três tentativas mal sucedidas, finalmente conseguiu chegar à Presidência da República em 2002, provocando a desconfiança de agentes econômicos que temiam a aventura populista que se pronunciava, mas também a esperança de uma parte expressiva da população brasileira. Eu estava incluído neste último grupo.
Regina Duarte bem mais inteligente do que eu e tantos outros Professores Universitários, desconfiaram daquilo e disse na campanha que tinha medo se aquele senhor chegasse ao poder ancorado no seu partido. Ela foi execrada e foi colocada de molho na estação de TV onde trabalhava. Até porque qualquer novela que ela participasse naquele época estava fadada ao fracasso de audiência, porque o Brasil estava anestesiado com o “operário” no poder. Obra de marqueteiros regiamente pagos.
Mas, no poder ele, o seu partido e os seus aliados ficaram fascinados pelo poder e tomaram gosto pelas mordomias. Ao contrário do que diziam, trouxeram para o seu convívio e comitiva de apoiadores, todos os que antes eram chamados de qualificativos impublicáveis. Neste caso o maranhense que foi presidente da República por acaso, além de sua família que foram alguns vilões, vociferados pelo ainda candidato e agora detentor do poder, passaram a serem “amigos deste a infância” do presidente atual. Ele convocou muito mais do que os 300 “picaretas”; a governabilidade era a desculpa. Mas o verdadeiro objetivo daquele conluio sabe-se agora qual era.
Gostaria que não fosse assim, mas a sucessão de escândalos nos ministérios, de desvios de recursos, nos dois governos Lula e no governo Dilma, é um recorde. A década petista é a década do discurso, a década da falácia. Não há realização material. Diga-me, que grande obra pública foi construída nesses dez anos? Que usina hidroelétrica foi construída nesses dez anos? Nenhuma. A transposição do Rio São Francisco até hoje, um fracasso. Estradas, fracasso. Ferrovias, fracasso. Portos, fracasso. Aeroportos, fracasso, Saúde, fracasso, Hospitais, fracasso, Educação, fracasso. Há apenas a construção de estádios de futebol, deixando a segurança a mingua  e não resolvem os problemas sociais.
Lula diz que tirou da miséria e levou para a classe média grande parte da população, apenas com a seguinte declaração: “A pessoa passa a pertencer a classe média se ganhar menos da metade do salário mínimo por mês; se ganhar 1.020 reais por mês já é considerada classe rica, fora outras barbaridades e inverdades proclamadas por ele e ela, no seu discurso de fim de ano. Isso parece até uma piada ou uma história de pescador. O PT é muito bom no palanque, mas um péssimo gestor da economia.
A “Pátria dormia distraída, e era subtraída em tenebrosas transações”. O homem que dizia: “Pobre quando rouba vai para a cadeia e rico quando rouba vira Ministro” experimenta o veneno de sua própria retórica. Ele também falou que “o problema do mentiroso é que, uma vez construída uma mentira, precisa inventar muitas outras mentiras para justificar as mentiras anteriores”. No caso dele, acreditar na própria mentira, como bem demonstram as descobertas feitas pela operação Lava Jato sob o comando do firme juiz Sérgio Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal. As mentiras, que pareciam ficar impunes, estão sendo desvendadas. O Brasil e este articulista passam a conhecer melhor, nas mãos de quem entregou o seu destino por longos 13 anos de desgoverno do PT.
Essas pessoas introduziram uma sepse no organismo social e político brasileiro. Contagiou e colocou em estado terminal, todos os fundamentos éticos. E o germe que contaminou a administração pública foi transmitido por um homem e pelo seu partido que nos seduziu lá atrás e nos deixou sem anticorpos. Agora temos que tomar muitas doses fortíssimas  de “antibióticos” para eliminar de vez o contágio generalizado que eles nos transmitiram. Nós sobreviveremos e eliminaremos todos eles, inclusive e, principalmente, quem agora declara ser exatamente o que sempre foi uma “jararaca” peçonhenta...

Transcrito este artigo do jornal                                                 
 “O Imparcial” do dia  19/3/2016                                                    Autor: José Lemos – Professor                                                    Associado na UFCE                                                                       
+ pequenos acréscimos.

Jc.
São Luís, 20/3/2016  

Nenhum comentário: