segunda-feira, 21 de março de 2016

S C H E I L L A

 


Peixotinho, em Macaé (RJ), iniciou um trabalho de orações para as vítimas da Segunda Grande Guerra. Foi então que, de repente, ali se materializou um Espírito chamado Rodolfo, que contou que era de uma família espírita, morando da Alemanha. Ele teve que servir na guerra como oficial-médico e o pai dele. Dr. Fritz, muito reservado, educado, severo, muito autêntico, que passou muitas idéias humanitárias aos filhos, havia lhe dito: “Matar nunca”. Ao que Rodolfo respondeu: “Pai, não é isso, vou servir como médico”. Pois bem, em certa ocasião O Dr. Rodolfo foi chamado como oficial para integrar um pelotão de fuzilamento, Ele, então, disse: “A minha missão é salvar, não matar”. E, de acordo com o regulamento militar, ele passou a ser considerado um criminoso, porque deixou de servir à pátria, pois a pátria pedia a ele que matasse alguém e ele se recusava. Então lhe disseram: “Já que você não vai executar esse homem, você vai ficar junto dele para morrer como um traidor”. E ele foi fuzilado na mesma hora. A essa altura, ele se manifestou (espiritualmente) ao pai e disse: “Pai, já estou na outra dimensão da vida. Cumpri a palavra empenhada; não matei, preferi morrer”.

Para que não continuasse no ambiente de guerra, foi amparado espiritualmente no Brasil, no Grupo Espírita Pedro, em Macaé (RJ). Peixotinho, por ter sido militar, como espírita, tinha esse trabalho de preces em benefício das vítimas da guerra e pela paz. E esses fatos se deram no auge da Segunda Guerra Mundial, quase no final. Certo dia, Rodolfo (espírito) disse assim, no Grupo de Oração do Peixotinho: “Orem por minha irmã, ela está correndo perigo”. E como a voz do alemão, com sotaque carregado, através do médium, não era bem nítida, a pronuncia do nome da sua irmã não saiu boa; ao invés de Scheilla, saiu Ceila. Passados alguns dias, ele disse: “Minha irmã acabou de desencarnar; foi vítima de bombardeio de aviação. Ela e meu pai desencarnaram”. Dias depois, para agradável surpresa da equipe, materializou-se uma jovem loura e disse: “Eu sou Scheilla”. – Grande foi á alegria e os irmãos ficaram cheios de júbilos espirituais. 

Segundo fontes espíritas, apenas duas encarnações de Scheilla são conhecidas: Uma na França, no século XVI, e outra na Alemanha, durante a guerra. Na França, ela chamou-se Joana Francisca Frémiot, nascida em Dijon, a 28/01/1572 e desencarnada em Moulins, no dia 13 de dezembro de 1641. Ao entrar na história, ficou mais conhecida como Baronesa de Chantal e posteriorente, como Santa Joana de Chantal (canonizada em 1767). Casou-se aos 20 anos com o barão de Chantal e tendo muito cedo perdido seu marido, abandonou o mundo com seus quatro filhos, partilhando o seu tempo entre as orações, às obras piedosas e os seus deveres de mãe.  Em 1604, tendo vindo pregar em Dijon, o bispo de Genebra, Francisco de Salles, ela submeteu-se à sua direção espiritual. Eles fundaram em Annecy a congregação da Visitação de Maria (1610), que contava, quando desencarnou, com 87 conventos e com 6.500 religiosos. A baronesa de Chantal, como superiora, dirigiu de 1612 a 1619 a casa que havia fundado em Paris, no bairro de Santo Antônio. Em Paris instalaram-se em pequena casa alugada, em bairro pobre, e passaram por grandes necessidades, mas a Ordem da Visitação, de Paris, foi aumentando e superou as dificuldades.  Em  1619,  Vicente de Paulo  ficou  como o  superior do Convento da Ordem da Visitação. Joana de Chantal  deixou  o cargo de superiora  e voltou para Annecy, onde ficava a casa-mãe da ordem. Ela tornou várias vezes a ver Vicente de Paulo, seu confessor e diretor espiritual.

A outra encarnação conhecida de Scheilla verificou-se na Alemanha. Com a guerra no continente Europeu, aflições e angústias assolaram a cidade de Berlim, onde Scheilla atuava como enfermeira, cuidando das feridas físicas e, como amiga da caridade, tratando as chagas morais dos vitimados pela guerra. Seu abnegado Espírito não se furtou a conviver nos ambientes belicosos, ensinando a paz na guerra e o amor espiritual na ação silenciosa, apontando para os seus assistidos o porto seguro da fé cristã. Seu estilo simples e sua meiguice espontânea  ajudavam em sua profissão. Bonita, tez clara, cabelos louros que lhe davam um ar de graça muito suave. Seus olhos azuis esverdeados, de um brilho intenso, refletiam a grandeza do seu Espírito. Estatura mediana, sempre com o avental branco, Scheilla preocupada em ajudar todos, esquecia-se de si mesma, pensando somente na sua responsabilidade; via primeiro á dor depois a criatura...  

Essa moça não ouvia as terríveis explosões causadas pelos aviões, com as armas destruidoras, porque o que Scheilla ouvia era a voz de alguém que gemia de dor. Por essa razão, numa tarde quando os soldados demonstravam ódio, geradas por almas sedentas de batalha, durante violento bombardeio aéreo, heroicamente tentou salvar uma criança, eis que tomba no solo de sua pátria a jovem enfermeira, que através de sua coragem, atravessava os campos perigosos de batalha para socorrer, os que lhe vinham ao encontro e em pleno combate. Em julho de 1943, na cidade de Hamburgo, desencarna Scheilla, a jovem enfermeira aos 28 anos de idade.
                                                               
Desde essa época, faz ponte entre o plano espiritual e a Terra; e nós, seres humanos, já nos habituamos com a sua presença, que contabiliza ensinamentos, emoções e, de quando em vez, o inesquecível perfume de uma rosa que ela bem representa. Atualmente a querida mentora trabalha na Espiritualidade, juntamente com Cairbar Schutel, coordenador da Colônia Espiritual Alvorada Nova, onde ela desenvolve um trabalho forte e muito amplo, com dedicação ímpar, coordenando várias equipes que formam o Conselho da Casa do Repouso, que se reúne sempre decidindo às questões importantes.

Relata R.A. Ranieri que, numa das primeiras reuniões de materialização, iniciadas em 1943 pelo médium Peixotinho, apareceu á figura caridosa de Scheilla, ainda durante a Segunda Guerra Mundial.  Outras fontes se referem a essa data como 1948, na reunião do Centro Espírita André Luís, na cidade do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, marcou-se uma pequena reunião que seria realizada com a finalidade de submeter ao tratamento, dona Ló de Barros Soares. No silêncio, surgiu a figura luminosa de uma mulher, vestida de luz e ostentando duas belas tranças; era Scheilla. Nas mãos trazia um aparelho semelhante a uma pedra verde-clara, ao qual se referiu dizendo tratar-se de um emissor de radioatividade, ainda desconhecido na Terra. Ela fez aplicações em dona Ló e depois de alguns minutos ela proferiu uma belíssima pregação  evangélica com sotaque alemão.

Por volta de 1954, em Pedro Leopoldo, Scheilla participou muitas vezes de sessões de materialização, onde seus contatos com Chico Xavier eram constantes. Brilhante era a luz que inundava toda a sala, onde trazia os vários aparelhos materializados que ainda não estavam ao alcance da medicina terrena. Utilizando-se do éter, primeiramente higienizava o recinto e as enfermidades, e depois deixava espargir seu perfume de jasmim que somente ela sabia fabricar. Chico quando muito cansado, pelo grande número  de atendimentos às criaturas necessitadas, era imediatamente envolvido por seu perfume, que exalava e muitas pessoas já o sentiam ao se aproximarem dele, em qualquer local.

No livro “Chico Xavier, 40 anos no Mundo da Mediunidade” de Roque Jacinto, se encontra o seguinte depoimento: “Chico aplicava passes e ao seu lado, ocorreu um ruído, qual se algum objeto de pequeno porte tivesse sido arremessado, sem muita violência. “Jacinto, Scheilla deu-lhe um presente”, disse um médium. Em seguida procuramos em nosso redor e vimos um caramujo grande e adoravelmente belo, estriado em deliciosas cores. Apanhamo-lo e verificamos nele água marinha, salgada e gelada, com restos de areia fresca; Scheilla o transportara para nós, que estávamos a centenas de quilômetros de uma nesga do mar, em manhã de sol abrasador e, em nossas mãos, o caramujo que o Espírito nos ofertara, servindo-se da mediunidade do Chico”.  Na assistência reduzida, estava presente um cientista suíço, materialista,  que ali viera ter por insistência de seus familiares. Scheilla, em sotaque alemão, anunciou: “Para nosso irmão que está ali, indicando o suíço, vou dar o perfume que a sua mãe usava, quando na Terra”. O suíço sentindo o perfume e, comovido pela lembrança que se lhe aflorou à memória, recordando a figura da sua mãezinha ausente, soluçou.

Tempos depois outro raro instante se deu com a presença de Scheilla. Bissoli Gonçalves, Isaura e outros, compunham a equipe de beneficiados, agrupando-se numa sala da casa André, tendo Chico se retirado para o dormitório onde permanecia em transe mediúnico. Sentiu-se uma onda de perfume e corporificou-se Scheilla, loura e jovial, falando com seu sotaque alemão. Bissoli estabeleceu o diálogo: “Eu me sinto mal”, disse ele. Scheilla respondeu: “Você come muita manteiga; é preciso fazer uma radiografia do seu estômago”. Ao seu pedido, nosso companheiro levantou a camisa. O Espírito corporificado aproxima-se e corre os dedos no sentido  horizontal,  semi-abertos sobre a região do estômago do nosso amigo. E como uma tela de vidro no abdômen, podíamos ver as vísceras em movimento. “Pronto” disse Scheilla, apagando o fenômeno. “Agora levarei a radiografia ao Plano Espiritual para que a estudem e lhe dêem um remédio”.

Finalizando estes singelos apontamentos biográficos, com muito respeito por esse Espírito Missionário, de tanta dedicação e amor, em nome de Jesus, só nos resta agradecer a assistência doada por ela, que tem seu nome vinculado a muitas instituições espíritas, em todo o Brasil, inclusive, na cidade de Londrina, onde funciona há mais de vinte anos, o “Núcleo Espírita Irmã Scheilla”.

Bibliografia:
Marinei Ferreira Rezende
Jornal “O Imortal” – 05/2008
+ Pequenas modificações.

Jc. –
S.Luis, 18/5/2011
Refeito em 7/11/2015





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