quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

INSTRUÇÃO MODERNA




 O tema educação tem sido confundido com instrução e servido de palco para férteis discussões e reformas do sistema da instrução em várias épocas e nações. Educar é formar hábitos bons. A educação é o conjunto dos hábitos adquiridos na convivência, principalmente no ambiente familiar, onde a criança passa a assimilar os bons costumes e os valores morais. Ela fala e imita o que aprende com as pessoas. A instrução é de responsabilidade e adquirida na escola, muito embora possa também ser ministrada no lar, onde a criança embora sem conhecer as primeiras letras do alfabeto, já aprendeu a falar. Muitos pais, não querendo a responsabilidade de educar e disciplinar seus filhos prefere também transferir aos professores essa tarefa.
Por que certos estudantes não conseguem compreender conceitos relativamente simples, ou por que eles não conseguem  aplicar conceitos, já estudados e assimilados, em situações diferentes daquelas mostradas  na sala de aula? Por que a maioria dos alunos estuda para a “prova” ao invés de estudar para adquirir uma compreensão nos assuntos em questão? Por que os conceitos aprendidos são voláteis e não dura na mente do estudante?
Afinal, de quem é a culpa?  É do estudante?  É do professor?  Ou é do Sistema de Instrução em vigor? – Ocorre que temos hoje um sistema  composto por uma sala de aula do século XIX, um professor do século XX, e alunos do século XXI.  Portanto, precisamos, sobretudo, refletir sobre as estratégias de ensino-aprendizagem que estão sendo usados nas salas de aulas. O comportamento de nossos estudantes tem mudado radicalmente nos últimos anos e, infelizmente, o sistema de instrução vigente não foi planejado para esse tipo de estudante e encontra-se defasado em relação ao perfil do estudante de hoje.
Precisamos conhecer melhor o nosso aluno. Quem ele é ou quem será? Ele faz parte de uma nova geração chamada de Z, constituída por jovens nascidos após o ano 2000. É uma geração multitarefas; é uma geração de pessoas que fazem muitas coisas ao mesmo tempo. A geração Alfa (nascidos após 2012) é conhecida como a geração dos digitais. É uma geração que nasceu imersa no mundo das tecnologias digitais e que aprende brincando, independentemente de classe social e da localização geográfica onde se encontra. Precisamos aprender as características dessa geração e destacar quais as suas influências no ambiente escolar. A diferença fundamental é o modo como eles aprendem com facilidade a se relacionar com as tecnologias.
Neste contexto, a UNESCO  definiu quatro pilares para a instrução do século XXI , chamada instrução pós-moderna, e que foram publicados no livro “Educação: Um Tesouro a Descobrir”, a saber:  1- Aprender a aprender;  2- Aprender a fazer;  3- Aprender a conviver;   4- Aprender a Ser –  visando  à  revolução  e  renovação  sociais  que  o  mundo  deseja; 
5 - Aprender a conhecer a existência de Deus; a sua ação providencial no mundo e a amá-lo acima de todas as coisas;   6- Aprender a conviver com o seu próximo, amando-o como a si mesmo; 7- Aprender a fazer o seu destino voltado para o bem, para não sofrer as consequências pela “lei de causa e efeito”.
Assim buscamos formar cidadãos competentes e sociais. A competência é definida por um tripé chamado CHA:  1-  Conhecimento – adquirir os conceitos.  2-  Habilidade – poder fazer, aplicando o conhecimento adquirido.  3- Atitude – querer fazer; desejo de transformar a sociedade com o bom uso do conhecimento adquirido.
Para atingir os objetivos traçados pela UNESCO e adequar nossa instrução à pós-modernidade, a “Aprendizagem Ativa”, está se firmando com uma estratégica pedagógica extremamente eficiente. A ideia básica é que os estudantes aprenderão melhor os assuntos a serem estudados se eles realmente pensarem a respeito, discutirem sobre, e aplicarem o que eles estão aprendendo. A aprendizagem ativa é definida como qualquer processo por meio do qual o estudante deixa de ser passivo e passa a ser o ator principal do seu processo de aprendizagem.
As estratégias “AA” são baseadas na filosofia construtivista que estipula aos estudantes aprender melhor construindo seu próprio entendimento, ao invés de simplesmente “receber” os conhecimentos transmitidos.
A evolução da humanidade depende fundamentalmente da evolução de como vemos e compreendemos o nosso mundo atual. Essa visão é essencialmente determinada pela maneira pela qual aprendemos a aprender este mundo, e é pelas estratégias de instrução que precisam ser adequadas e adaptadas à nossa realidade. A aprendizagem precisa ser ativa, focada no conhecimento, na criatividade, na experiência, na solução dos problemas, nos projetos, etc. Não tem mais sentido focar as aulas só no conteúdo teórico, na memorização, na competição. Está na hora de parar, refletir, e fazer evoluir o nosso sistema de instrução para melhor compreender e atender as necessidades dos jovens da geração Z, e da futura geração Alfa, se não quisermos ficar no passado.
Muitos perguntam: - Como solucionar esses problemas?  Entendemos que é indispensável á reforma moral, isto porque, a alavanca da reforma moral chama-se educação...
A propósito, conta-se que Licurgo, célebre orador e político ateniense, (que viveu entre os anos 396 a 323 A/C), certa ocasião foi convidado para falar sobre Educação. Ele aceitou o convite, com a condição de lhe concederem três meses de prazo... Findo esse tempo, apresentou-se ele perante numerosa e seleta assembleia, que aguardava ávida de curiosidade, a palavra do consagrado tribuno. Licurgo se apresentou trazendo consigo, dois cães e duas lebres. Ele então soltou a primeira lebre  e  um  dos  cães.  A cena  foi  chocante  e  bárbara.  O  cão  avançou
furioso sobre a lebre e a despedaçou. Ele então voltou a soltar a segunda lebre e o outro cachorro. A surpresa foi geral, porquanto o cachorro passou a brincar amistosamente com a lebre. Ambos se afagavam mutuamente.
Ergueu-se, então Licurgo na tribuna e concluiu, dirigindo-se ao seleto público: “Eis aí o que é a educação. O primeiro cão é da mesma raça e idade do segundo Foram tratados e alimentados em idênticas condições. (Mas, qual a diferença entre eles?) A diferença é que o primeiro foi deixado aos seus instintos primários, e o segundo foi educado. Educar, disse então Licurgo – é criar hábitos considerados saudáveis. Educar é desenvolver as aptidões inatas da criatura que, estando adormecidas, devem ser dirigidas para o bem geral. Educar finalmente é preparar a pessoa para realizações nobres”, concluiu ele.

Fontes:
Revista “O Reformador”- 11/2009
Sofiane Labidi
“O Imparcial” - 27/11/2015
História Universal
+ Algumas modificações

Jc.
São Luís, 28/11/2015

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