domingo, 10 de janeiro de 2016

AS VERDADES E AS UTOPIAS




 O Evangelho de Jesus é um código divino para a conquista da felicidade eterna. Os verdadeiros desafios a vencer na atualidade são todos de ordem moral. Temos que reconhecer nossa condição espiritual de filhos imperfeitos, ainda distantes da posse definitiva da luz própria. A maior empreitada, sem nenhuma dúvida, é a nossa própria regeneração. Todas as nossas atividades doutrinárias e variados serviços de caridade estão submetidos ao controle absoluto das doações íntimas. O espírita precisa zelar pela sua existência, a fim de não cometer ações negativas ao seu coração.
Em o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VI item 5, encontra-se uma sentença afirmativa bastante desafiadora, de autoria de “O Espírito de Verdade”, que diz: “... não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades”.  É uma orientação espiritual focada diretamente aos espíritas, pois somente nós podemos efetuar essa absurda mistura.  É uma séria advertência para ser aceita por quem usa a razão esclarecida e coração sensibilizado. Os descrentes e indiferentes do mundo não cometem essas misturas, pois não creem nas verdades do Espiritismo.
O Espiritismo trouxe as maiores riquezas da fé raciocinada para a Humanidade e os espíritas são os primeiros bem aquinhoados com este extraordinário patrimônio: o conhecimento da verdade espiritual. Com inquestionável sabedoria o Espírito de Verdade aponta grande energia positiva nas palavras: “não mistureis!” Podemos indagar  “não mistureis” o que? Responde ele: “o joio com a boa semente, as utopias com as verdades”.
Jesus trata o joio como a ignorância convicta, descrença contumaz, incerteza, indecisão, preguiça, cegueira, crítica, dureza de coração, intolerância, radicalismo, fanatismo, endeusamento, fascinação e outros tristes sintomas negativos. A boa semente é a verdade eterna, o amor universal, a luz divina do Evangelho do Cristo.
A utopia que se traduz em fantasia, ilusão, devaneio, coisa impossível, ideia irrealizável, projeto imaginário. O religioso utopista tem a mente bastante sonhadora e espera conseguir algo de bom, porém encarcerado na inércia mental, sonha e espera o sucesso sem esforço, sem a prática do amor, virtudes sem a reforma íntima. Dentro dos estatutos da Lei do Pai, ninguém conquista os valores íntimos sem o esforço sempre continuado.
As misturas das utopias com as verdades processam grande desordem e conflitos, ilusões e fantasias no arquivo mental e no coração espiritual. Qualquer nível de conhecimento espírita sinaliza certo grau de responsabilidade no tribunal da consciência do aprendiz. O que poderá acontecer de grave na estranha mistura do joio com a boa semente, das utopias com as verdades? – As verdades que representam a boa semente, constituem tudo de bom, positivo, construtivo e verdadeiro para o religioso atuante. Enquanto que o joio sendo as utopias, são tudo de ruim, negativo, destrutivo e ilusório para a alma do aprendiz.
As verdades quando misturadas com as utopias, no santuário do espírito, são deformadas e desfiguradas, perdendo o brilho e são obscurecidas pelas falsidades. Nessa doentia mistura, as trevas passam a predominar, pois a verdade sai perdendo lugar na alma, para as trevas das ilusões.  Qual é a função da verdade na alma? O Espírito de Verdade responde: “Venho trazer-vos a verdade para dissipar as trevas”. Quem com a verdade a transforma em simples enfeite na inteligência, e foge dos próprios deveres mais íntimos, decerto no futuro vai se deparar com as aflições íntimas do remorso, consciência culpada e arrependimento tardio.
Necessitamos operar, com cuidados extremos, o coração, pois dentro dele deverá nascer á renovação profunda dos sentimentos, a educação para a fé superior, o amor fraternal, a caridade moral e o serviço do amor ao próximo. Evoluir para sermos uteis a Humanidade. Se no coração persistir a confusão dos entulhos psíquicos, fácil será concluir que esse adepto não está interessado na reeducação dos próprios sentimentos. É indispensável trabalhar o departamento espiritual dos sentimentos, que há milênios encontra-se enfermo, desorientado e infeliz.
Revela grande piedade, O Espírito de Verdade, quando confessa: “Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias morais, pela vossa fraqueza de fé que criam imensos obstáculos à transformação moral, melhoria de sentimentos e liberdade espiritual”. A inteligência é função essencial do espírito, porém ela não sabe por si só produzir a felicidade. O cérebro registra, armazena e guarda os conhecimentos científicos, filosóficos, morais, evangélicos e doutrinários, enquanto o comando das ações, dos comportamentos, das atitudes, a reeducação dos sentimentos e a formação dos bons hábitos é função do coração quando sintonizado e vigiado pela luz da consciência.  À vontade e o desejo nascem do importantíssimo departamento dos sentimentos.
O espírita que deseja de verdade candidatar-se ao crescimento moral e espiritual deverá trabalhar o seu coração, usando vontade resoluta, tribunal da consciência, arrependimento sincero e esforço íntimo para vencer as más tendências e tentações dentro de si mesmo. Aplicar boa vontade unida à fé fará com segurança a mudança moral, de hábitos e renovação dos sentimentos.
Assim fazendo, operará mudanças, transferindo-se da fé inoperante para uma fé ativa, do egoísmo para a caridade, da preguiça para o trabalho ativo, do desleixo para a disciplina, da ignorância para o estudo espírita, da crítica maldosa para a autoanálise das próprias imperfeições, da dureza de coração para a sensibilidade do evangelho. Enumera O Espírito de Verdade graves defeitos que devemos extrair do coração: “Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro e a incredulidade. São eles, monstros que sugam as vossas energias mais puras e que vos abrem chagas quase sempre mortais”.
O espírita amante da Lei de evolução espiritual deverá extrai-las do coração, a fim de alcançar pelo esforço próprio sua transformação moral, reeducação dos hábitos e conquista das virtudes. Sem a energia da vontade própria ninguém conquistará nada, no campo do espírito. Religioso problemático é o que carrega a luz no raciocínio, enquanto o coração conserva ilusões, fantasias e falsidades.
A utopia mais destruidora está com aquele que, embora conhecendo a Doutrina Espírita, crê enganosamente na conquista da felicidade, sem aplicar esforço próprio, estudo incessante, trabalho constante e dedicação perseverante na seara da verdade, do bem e do amor ao próximo. É dever do cristão-espírita testemunhar com abnegação a fé espírita. Desse modo, estará se preparando seriamente para o Reino de Deus, onde a única moeda válida é a do amor puro, sincero e verdadeiro...
Fonte:
Brasília Espírita – 11 e 12/201
Walter Barcelos + Pequenas modificações

Jc.                                                                                                    
São Luís, 12/11/2015

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