quinta-feira, 10 de setembro de 2015

CRISES E ESCÂNDALOS






  A sociedade brasileira está alarmada com a sucessão de crises, escândalos e misérias que assolam o País. Cansado e sem esperanças, o povo reage com espanto e indignação. Pessoas, instituições, raças, religiões e países disputam encarniçadamente espaços e poder que, em vez de ser utilizado para servir, é aplicado em promover interesses egoísticos. As autoridades que dirigem o mundo, através de estruturas políticas, econômicas, sociais e religiosas, parecem impotentes ou se revelam despreparadas para resolverem os problemas da Humanidade.  O que está acontecendo?  Há como proceder a uma correção de rumo? Que medidas alternativas tomar? – Nos é aconselhado que a melhor postura deva ser a serenidade, para que a Justiça Divina se faça, alcançando tão somente os que mancharam e mancham os destinos de nossa nação e enlamearam a própria consciência. Só assim, as consequências ficarão no plano pessoal, sem comprometer a programação que objetiva fazer do Brasil o “Coração do mundo e a pátria do Evangelho”.

As macros crises advêm das micros crises. Assim, o indivíduo subtrai pequenas coisas de seu empregador: o pai que descura a educação do filho; a mãe deslumbrada com atividades sociais que se afasta do lar;  o jovem que picha o patrimônio alheio, o empresário ganancioso que não reparte o seu lucro com os que lhe ajudaram a conseguir riqueza; a moça que se aferra às novelas e assume suas baixezas; o profissional liberal que sonega os impostos; alguns juízes que não cumprem a justiça; políticos que legislam em causa própria; governantes que não procuram melhorar as condições do país e nem destinam as verbas às reais finalidades que possam beneficiar o povo; as pessoas que não respeitam os direitos dos outros...  Todos são integrantes da sociedade. Para mudá-los, temos que mudar a sociedade. As leis, dúbias de que se servem alguns advogados e os mecanismos de repressão serão sempre ineficientes enquanto o povo não se educar social, moral e espiritualmente. A prática do mal, do vício e da corrupção, cultuados e praticados por grande parte da espécie humana, volta-se contra a própria pessoa, fazendo com que a necessidade, o sofrimento e a dor  torne-se uma realidade retificadora e educativa.

Outro problema grave para a humanidade é a miséria de muitos de seus membros e as aflitivas necessidades porque passam, tanto nos seus contornos físicos como psicológicos, dilacerando a alma humana em quadros de dolorosa vivência.  Diariamente os meios de comunicação nos informam  dessas misérias individuais e coletivas. De tanto sofrer, muitos seres humanos já se tornaram insensível aos sofrimentos alheios, mergulhados que estão no processo do materialismo, onde não reconhecem a solidariedade, onde a fraternidade é apenas um discurso  vazio.  Impotente para determinar a causa de seus males, que estão nas suas ações, o ser humano recorre à indignação contra a Providência Divina ou transfere para a política social, o seu sofrer, esquecido de que Deus não pode, como bom Pai, desejar o mal para seus filhos, e que, a política social é feita pelo próprio homem. Quando se fala em salvação da humanidade, não em termos religiosos, mas através das condições de existência do ser humano no planeta; quando há preocupação justa pelo equilíbrio da flora e da fauna, e se verificam riscos de extinção de várias espécies, uma realidade estarrecedora, é objeto de reportagens, que diz: “Para cada bilionário no mundo, há dez milhões de miseráveis e existem 1,5 bilhão de pessoas em condições miseráveis e passando fome”.

Cenas, como as mostradas pela televisão, em que irmãos nordestinos, incluindo crianças, para não morrerem de fome se servem de cactos como alimento é algo que envergonha a todos nós brasileiros e mostra a incapacidade e a falta de responsabilidade e ação por parte dos governantes, para resolver de uma vez o problema da região da seca, onde já foi declarado existir lençóis de água subterrânea ou sendo feita a transposição da água do Rio São Francisco. Não se diga que a Natureza nega recursos de sobrevivência; diga-se sim, da falta de  sensibilidade dos governantes em resolver esse problema cruciante.   Outras cenas apresentadas na televisão mostram hospitais, onde médicos são obrigados, por deficiência de leitos e condições materiais, a optarem por pessoas que devem viver e outras que devem morrer, por falta de medicamentos e condições físicas. A que ponto de irresponsabilidade nós chegamos. Será que os dirigentes não sabem que terão de prestar contas a Deus, por esse descaso com os seus semelhantes?  

Sabemos que não se pode nutrir a intenção de uma repartição igualitária das riquezas, porquanto a desigualdade econômica tem raízes na ignorância, no despreparo, na falta de aptidões, na operosidade e na diversificação da cultura; mas o extremo da miserabilidade, é desnível que não honra o ser humano, em seus avanços no campo da ciência, nas letras, em termos de cidadania e em seus sentimentos religiosos. Não se deve culpar o determinismo divino. “A desigualdade de condições sociais não está na natureza; é apenas obra do ser humano, devendo apagar-se, no dia em que o orgulho e o egoísmo deixarem de predominar”, respondem os Espíritos Superiores na pergunta feita por Allan Kardec de nº. 806, do Livro dos Espíritos.

Para melhorar a situação é necessário e importante que todos nós exerçamos a solidariedade, pois ela está faltando, e se faça clamor contra a inércia e a falta de providências dos políticos e governantes. Essa miséria que corrói a personalidade e amesquinha a criatura, é fruto da nossa indiferença; dos que têm por obrigação amparar o povo, e ainda, dos que possuem riquezas fabulosas, sem a consciência de que esses famintos, miseráveis, são nossos iguais e irmãos perante Deus, e que deveriam ser amparados pela sociedade. Quem de fato é o mais miserável? O que vive na miséria material, ou aquele que a contempla na sua insensibilidade, e aumenta ainda mais a sua fortuna explorando os seus semelhantes? Porventura ignoram todos, que um dia terão de abandonar tudo na Terra e prestar contas a Deus?

Melhorar de vida, se tornou objetivo principal, senão único, de milhões de criaturas vítimas do materialismo reinante. Desde pequeno, o ser humano é orientado a buscar na conquista material, a realização  que lhe garantirá posição  de  destaque  e  conforto  na sociedade.    A  luta  pelo  “status”, que se caracteriza pela multiplicação dos bens materiais,  passa a ser o propósito das pessoas vazias que, desconhecem que crescer na existência  tem uma conotação mais sublime.  Estas mentes justificam os meios que empregam na realização de seus interesses imediatos e egoísticos, sem levar em conta, os direitos dos outros. Subir na vida material, não deve ser a educação ministrada pelos pais, professores e religiosos, pois afinal, quando aprenderemos que nada possuímos e nada levaremos conosco deste mundo, senão as imperfeições ou virtudes; tormentos ou paz; dores ou alegrias que acompanham o nosso espírito.

Conquistas materiais devem ser adquiridas pelo trabalho honesto e atender as necessidades de sobrevivência e conforto, que, quando ultrapassados os limites do equilíbrio, despertam no ser humano sentimentos inferiores de ambição, egoísmo, orgulho. Na sede incontrolável de possuir o supérfluo e o impossível, recorrem aos jogos explorados pelo Governo que induz as pessoas com a ilusão da riqueza fácil, através da “dupla sena”, “loteca”, “loto-fácil”, “loto-gol”, “loto-mania”, “mega-sena”, “quina”, “time-mania”, “raspadinha”, “loteria federal”; tendo ainda a “tele-sena” do Silvio Santos e o “jogo dos bichos”, este último considerado contravenção, enquanto que os bancados pelo governo, com as mesmas intenções de viciar a população e dela extrair os recursos que seriam necessários às  suas necessidades, são considerados legais.

Vivemos num mundo conturbado por desavenças, malquerenças, inimizades, lutas, crimes, violência e guerras, onde o ser humano não encontra a paz e a felicidade. Somos impelidos a viver nessas circunstâncias, como reação às nossas ações, as ações dos nossos semelhantes e dos que nos antecederam na existência. Nesta época, 3º Milênio, era de supor-se que já estivéssemos eticamente preparados para a prática da convivência civilizada, apoiada na harmonia, na fraternidade, na administração tolerante e compreensiva de eventuais divergências. Está na hora de se parar um momento para meditar. A opção divina para a humanidade é o bem. O bem iluminado pela razão e pelos sentimentos nobres, é opção muito mais fácil e indolor.

O ser humano sempre orgulhoso desprezou os ensinamentos do Evangelho, tratado de convivência feliz. Por isso, recebe sempre as consequências de seus desatinos. Que as dores viriam, sabia Jesus, visto que elas seguem atrás dos erros, resultando precisamente do nosso atrito e descumprimento das ordenações celestiais, criadas para corrigir nossos desvios e para que cada um encontre o seu caminho, na peregrinação de volta a Deus. Miremos os exemplos de vida que o Criador nos tem oferecido. Os nobres missionários divinos, pregando e exemplificando a renúncia, a abnegação e a humildade, desceram a este planeta inferior, de lutas e sofrimentos nos vários recantos do mundo, para ajudar-nos nas nossas fraquezas e imperfeições, com a incumbência de nos ensinar a subir na vida.

Jesus continua sendo incompreendido pela maioria das pessoas que não conseguem ou não se esforçam por absorver-lhe os ensinamentos de Paz, Harmonia e Fraternidade. A existência simples, condição da felicidade relativa que o planeta pode oferecer foi esquecida pela maioria das  pessoas.  Estamos sempre decididos a conquistar as coisas materiais, mas nunca dispostos a renunciar em benefício da nossa elevação espiritual. Se Deus nos concede bastante saúde física, costumamos usá-la na aquisição da doença destruidora; se possuímos bens materiais, tentamos aumentá-los açambarcando os interesses alheios. O homem comum persegue as possibilidades financeiras, alicia interesses mesquinhos, inventa mil coisas para atingir os fins materiais. Convenhamos, porém, que algum dia, esses bens lhe serão tirados transferindo-se a outrem, por fatores adversos ou pela morte. Lembremo-nos das palavras de Jesus quando disse: “A vida de uma pessoa não consiste na abundância das coisas que possui”.

Dizem os Espíritos Superiores que o nosso planeta somente passará a ser de regeneração, quando a maioria da sua população for de espíritos elevados. Então, se queremos que isso aconteça e desejamos deixar aos nossos filhos e netos, um mundo melhor, temos que começar agora a plantar aquela pequenina semente, de que nos fala Jesus, na parábola do “grão de mostarda”, que representa a fraternidade a caridade e o amor que devemos ter para com o nosso próximo. Para que o mundo possa melhorar é preciso que os seus habitantes também melhorem, que somos nós. Uma coisa é conseqüência da outra. E para que isso aconteça, primeiramente é preciso e dever de cada um de nós, nos evangelizarmos através dos ensinamentos e exemplos deixados por Jesus, e das novas revelações que nos trás a Doutrina dos Espíritos.

Ficamos sabendo que o processo de melhora do mundo, começa por nós, ao nos desfazer dos nossos vícios e imperfeições. O nosso proceder, certamente, vai despertar e influenciar as outras pessoas, melhorando o astral da nossa casa, da comunidade, com reflexos no mundo exterior. Temos que aprender a viver em harmonia com nossos semelhantes e com a natureza, que nos dá lições de tolerância, perseverança e renovação. A nossa paz, é o resultado da paz do nosso próximo. A nossa felicidade, é resultante da felicidade que fizermos  aos nossos semelhantes. Jesus nos ensinou que todo o bem que quiséssemos para nós, deveríamos fazê-lo ao nosso próximo. Façamos a nossa parte, certos de que estamos cumprindo com o nosso dever.

O estudo do Evangelho, levado com seriedade, nos aponta a verdadeira causa das crises, dos escândalos e das misérias sociais; o egoísmo, que na base da filosofia materialista de viver que impera na sociedade, é  o fomentador de todos os males que afligem o ser humano. Egoisticamente, ele quer para si mesmo tudo e procura satisfazer suas ambições, conquistando os bens materiais, esquecendo os valores espirituais. Quantos males seriam evitados se o amor fosse vivenciado como Jesus ensinou? – Sabendo que existe vida após a morte física e que respondemos diante da Lei Divina, pelo que pensamos, falamos e fazemos, como responsável por todas as ações, o ser humano devia  procurar viver em paz,  ordem,  solidariedade  e  fraternidade  com seus irmãos, fazendo o seu progresso sem maiores dificuldades e sofrimentos.

Através da formação das virtudes pela aquisição de bons hábitos, é que vamos erradicar a causa desses males, pois o homem educado nos valores espirituais espalhará a caridade e o amor, antíteses do egoísmo e do orgulho. Esse é o caminho seguro e definitivo para o bem estar da pessoa. Conhecida a causa e o remédio que trás a cura, trabalhemos perseverantemente para vencer o quadro de crises, escândalos e misérias sociais. Façamos o mundo melhor, conquistando os tesouros das virtudes que os ladrões não roubam, as traças não consomem e a ferrugem não desfaz, colocando acima dos nossos caprichos e desejos, os objetivos da obra de Deus, a fim de podermos adquirir o ouro eterno da sabedoria e do amor.

A mudança que fizermos será para melhor e só a nós caberá decidir. . .



Bibliografia:
“Livro dos Espíritos”
“Evangelho de Jesus”



Jc.
Feito em 29/4/1997
Refeito em 2/8/2015


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