quinta-feira, 20 de agosto de 2015

JESUS, O MÉDIUM E O MÉDICO




  Jesus foi um médium de Deus e um terapeuta, (ramo da medicina que trata da escolha e administração dos remédios) cujos métodos e processos de cura por Ele utilizados, estão à espera de estudos e pesquisas que aprofundem o conhecimento sobre seus mecanismos. Como terapeuta, o Mestre demonstrou, objetivamente, não só um profundo conhecimento como também um poder que Lhe permitiram intervir e curar múltiplas situações patológicas. 

Prova de sua operosidade é o expressivo número de curas relatadas pelos evangelistas, que se sabe, não relataram todas. Mateus, no Cap. VII do seu Evangelho, faz um relato das curas mais marcantes, que mencionamos para reflexão. Refere-se ele, às curas de um leproso; do criado do centurião, que estava paralítico; da sogra de Pedro, que estava acama; de muitos endemoninhados, cujos espíritos foram expulsos pela palavra de Jesus; do paralítico de Cafarnaum, a quem mandou tomar o leito e ir para casa; da filha de Jairo, que era julgada morta e a quem Jesus tomou pela mão levantando-a; da mulher que tinha hemorragia, que foi curada pela fé, apenas por ter tocado as vestes de Jesus; dos dois cegos, a quem Jesus tocou os olhos, curando-os; de um mudo endemoninhado, a quem Jesus expulsou o demônio, fazendo-o falar. Foram bastantes casos, curados de forma simples, algumas vezes apenas com um gesto, uma frase, ou mesmo um toque, como ocorreu com os cegos cuja visão foi restabelecida. As curas foram os fatos mais marcantes da trajetória do Mestre, por atraírem multidões, permitindo a disseminação das mensagens evangélicas, em Suas pregações.

Diz mais Mateus no Cap. IX:  “Percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino de Deus e curando todos os tipos de doença e enfermidades”. Mais adiante diz ainda que instruindo os apóstolos, Jesus transfere a eles as faculdades curativas que Lhe eram peculiares, dizendo: “é chegado o reino dos céus, curai os enfermos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes de graça daí”. Vê-se que Jesus associava a missão de ensinar e pregar o Evangelho a de curar os doentes; além disso, Ele admitia a possibilidade dos apóstolos adotarem os mesmos procedimentos que Ele. No exercício de Sua missão curadora, Ele utilizou métodos e procedimentos não habituais (espirituais), o que se tornou motivo de questionamentos e admiração, por onde quer que Ele fosse.

Tudo indica que, de acordo com Sua hierarquia espiritual, Ele detinha um poder extraordinário, acompanhado de grande conhecimento e poder de intervenção nas leis que regem a agregação e a desagregação das estruturas, não só dos seres, objetos e até das forças da natureza; demonstrando isso nas curas de doenças crônicas e congênitas, na multiplicação dos pães e peixes, como na ação sobre a tempestade e até na ressuscitação de Lázaro. Três, era os aspectos da ação curativa ministrada pelo Mestre:  1ª- O exercício da Sua vontade, e do paciente de ser curado;  2ª- A fé de cada um; 3ª- A prática de bons atos ou a desistência da prática do mal; eram requisitos para a cura.

Falando sobre as origens e as conseqüências das doenças, o espírito de Dias da Cruz, através de Chico Xavier, transmitiu algumas considerações. Disse ele que “todos os nossos pensamentos, palavras ou atos, definidos por vibrações, criam em nós raios específicos, sendo indispensável cuidar de nossas próprias atitudes, na autodefesa, e na defesa dos nossos semelhantes; porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a calúnia e a crueldade, a brutalidade e a violência, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de agentes de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós, sujeitos a se fixarem por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos de desarmonia mental. Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a causadora da nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a restauração e a nossa cura”.

Emmanuel, por Chico Xavier, na obra “Pensamento e Vida”, diz o seguinte: “Ninguém poderá dizer que toda enfermidade esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental; mas podemos garantir que os processos da vida mental exercem positiva influência sobre todas as doenças”.  A partir das colocações de Dias da Cruz e de Emmanuel, e considerando que a Terra é um planeta de expiação e provas, isto é, destinado à habitação de espíritos em início de caminhada evolutiva, portanto, carentes de sabedoria, fica fácil compreender as dificuldades que temos de enfrentar para conseguir um nível de saúde satisfatório, e comprova porque existem tantos doentes perambulando pelos consultórios, em busca de uma cura que nem sempre conseguem.

A terapêutica espírita recomendada tem que ser direcionada para as causas efetivas das doenças, conseqüência da ignorância e do atraso espiritual, razão porque terá sempre um fundamento educativo. E, pensar em educação à luz do Espiritismo, é cuidar do aprimoramento progressivo do espírito, que deve vencer suas limitações, adotando um padrão de comportamento compatível com a dignidade humana. O tratamento efetivo do corpo deverá começar pelo aprimoramento do espírito, através de bons pensamentos, falas construtivas e elevadas, e atos de caridade e amor, num processo em que à proporção que o espírito melhora, o corpo recebe o reflexo e se torna mais sadio.

As libertações de possessos e as curas figuram entre os atos mais numerosos de Jesus. A imensa superioridade do Mestre dava-lhe tal autoridade sobre os espíritos imperfeitos, então chamados de demônios, que lhe bastava mandá-los se retirarem. Nas curas que Ele operava agia como médium de Deus. Era Ele um poderoso médium curador. Podemos dizer que se Ele recebia alguma assistência, esta só poderia ser de Deus, embora a Sua condição superior lhe permitisse assistir os outros, agindo por si mesmo, em virtude do seu imenso poder. Do mesmo modo que as doenças físicas são resultado de influências perniciosas exteriores, a doença espiritual é sempre causada por imperfeição moral. A uma causa física combate-se com a medicação física; a uma causa moral, é necessário se opor uma força também moral. Para se evitar as doenças, que não sejam congênitas, fortifica-se o corpo; para se livrar de uma perturbação espiritual é preciso fortificar a alma, no trabalho do próprio aprimoramento.

A prática médico-espírita se inspira e se sedimenta nos ensinos de Jesus. Não o faz de forma aleatória, mística, mas dentro de um entendimento de tais ensinamentos, obedecendo a leis naturais e têm origem nas mesmas fontes dos princípios científicos. Em razão disso, aceita os princípios da medicina convencional que se constitui na prática, o socorro àquele que sofre, associando os procedimentos médicos habituais ao estudo do Evangelho e da Doutrina dos Espíritos, e usando os passes magnéticos, a água fluidificada, as preces e, principalmente, o convite ao paciente para a mudança de hábitos, isto é, a moralização e edificação pessoal.

Examinando o problema das curas, Allan Kardec na obra “A Gênese”, no cap. 14, diz o seguinte: “Os efeitos da ação fluídica sobre os doentes são extremamente variados, segundo as circunstâncias; esta ação é algumas vezes lenta, e reclama um tratamento mais demorado; outras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. Há médiuns dotados de tal poder, que operam sobre certos doentes, curas instantâneas, por somente a imposição das mãos, ou mesmo por um ato de vontade. Entre os dois pólos extremos de tal faculdade, há infinitas variações. O princípio é sempre o mesmo: o fluído que desempenha o papel de agente terapêutico, e cujo efeito é subordinado a vontade, a fé e ao merecimento da pessoa”.

Considerando-se que muitas universidades já estão envolvidas nesse assunto, é possível que, em tempo não muito longo, tenhamos informações mais completas, tal como acontece com a tese da reencarnação, que vem recebendo reforço e estudo de técnicos sem nenhuma vinculação com a Doutrina dos Espíritos. Eles estão constatando fatos compatíveis com os ensinamentos e práticas criadas
Jesus, que são praticados no meio espírita há muito tempo.

Ao longo do seu ministério Jesus realizou, em muitas ocasiões, os chamados milagres, na verdade fatos incomuns, considerados sobrenaturais, dada a Sua condição de Espírito Superior, médium e médico divino, mas que, graças aos esclarecimentos dos mentores espirituais, sabemos terem se produzido dentro da ordem natural, mediante o emprego de leis e recursos até então desconhecidos, que o Mestre sabia utilizar com absoluta segurança, valendo recordar que Ele afirmou que não vinha destruir a Lei (divina), mas sim dar-lhe cumprimento.


Bibliografia:
“Evangelho de Jesus”
Livro “Pensamento e Vida”
    “    “A Gênese”

Jc.
São Luís, 29/05/2000
Refeito em 30/7/2015

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