quinta-feira, 2 de abril de 2015

A VIDA DE JESUS E SEUS ENSINAMENTOS




 O Novo Testamento narra à existência de Jesus e seus ensinamentos.  Segundo o evangelista Mateus os pais de Jesus residiam em Nazaré, na Galileia, e, por causa do recenseamento determinado pelo imperador César Augustus eles tiveram que viajar para a cidade de Belém. Os Anjos anunciaram e Maria rodeada de animais, deu a luz a Jesus, em uma manjedoura (cocho onde se colocava alimento para os animais).

Diz Lucas em seu Evangelho que quando Jesus tinha 12 anos de idade, os seus pais o levaram a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo Jesus se afastado de seus pais, estes dando por sua falta, o foram encontrar três dias depois, no Templo, assentado entre os mestres, ouvindo-os e interrogando-os. E Jesus crescia em estatura, graça e sabedoria diante dos homens e de Deus...

Muitos anos se passaram e apareceu João Batista, pregando o arrependimento e anunciando a próxima chegada do Messias esperado.  Por esse tempo, dirigiu-se Jesus até João Batista para ser batizado. João Batista ao batizar Jesus, viu um Espírito de Deus, descer em forma de uma pomba branca sobre Jesus, e ouviu-se uma voz do céu que dizia: “Este é o meu filho amado em quem me comprazo.” Jesus após ser batizado e apresentado ao povo por João, como o Messias, afastou-se e retirou-se para a Galileia, indo morar em Cafarnaum, à beira-mar, onde começou a pregar dizendo: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. Ali a beira do mar da Galileia, Jesus convocou os seus discípulos, na maioria, pescadores excluídos da sociedade judaica. João, no seu Evangelho nos diz que cinco dias depois de ser batizado, houve uma festa de casamento em Cana. Jesus foi convidado juntamente com seus familiares. Como houvesse acabado o vinho, Maria pediu a Jesus e este transformou a água em vinho delicioso. Com este feito, Jesus deu princípio a sua missão. Diz Lucas, que indo Jesus para Nazaré, onde fora criado, entrou num sábado na sinagoga para pregar, e os seus concidadãos o expulsaram da cidade, tendo Jesus lhes dito: - “De fato vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra”.

Mateus nos fala que se retirando para Cafarnaum, Jesus começou a pregar e curar todo tipo de doenças. E de vários lugares, numerosa multidão o seguia. E vendo Jesus a multidão, subiu a um monte e aproximando-se os seus discípulos, passou a proferir o Sermão da Montanha, dizendo:  “Bem-aventurados os aflitos, os que choram e os que sofrem... porque serão consolados; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça...porque serão saciados; Bem-aventurados os pobres... porque deles é o Reino dos Céus; Bem-aventurados os que são misericordiosos...porque eles obterão misericórdia; Bem-aventurados os pacíficos...porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que têm puro o coração...porque verão a Deus; Bem-aventurados sois, quando vos expulsarem e vos odiarem e vos perseguirem por minha causa... porque é deles o Reino dos Céus.” Jesus falando então para os discípulos disse: - Vós sóis o sal da terra; Vós sóis a Luz do mundo; Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas, vim para cumprir; Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás.; eu porém vos digo que aquele que se irar contra seu irmão, estará sujeito a julgamento. Também ouvistes que foi dito: Não jurarás falso; eu porém vos digo: De modo algum jureis. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Digo-vos porém; amai os vossos irmãos, fazei o bem aos que vos odeiam. Ouvistes ainda: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo: Orai pelos que vos perseguem. Quando deres a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita. Quando orares, entra no teu quarto e fechada a porta, orarás a teu Pai e teu Pai que tudo vê, em segredo, te recompensará. Orareis assim: “Pai nosso que estás em todo o infinito e no nosso íntimo; santificado seja o Vosso nome; venha a nós o Vosso reino de amor e bondade; seja feita a Vossa vontade, na Terra como em todo o Universo. O pão nosso de cada dia; dai-nos hoje, amanhã e sempre que merecermos; perdoe bom Pai, as nossas dívidas nos possibilitando resgatá-las; nos dê forças para que também possamos perdoar os nossos devedores; não nos deixeis cair nas tentações das nossas próprias inferioridades; e permita nos livrarmos das nossas imperfeições; pois Sois todo poder, bondade, misericórdia, justiça e amor.  Assim seja se for da Vossa vontade e do nosso merecimento”. (Esta oração ensinada por Jesus tem pequenas modificações, sem modificar a sua essência).

Após a oração, Jesus continuou falando aos discípulos: “Não acumuleis para vós outros, tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões  roubam; mas ajuntai para vós, tesouros no céu, porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Ninguém pode servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e ao mundo, através das riquezas terrenas, de que não sois donos e que a Deus pertence. Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer e beber. Observai as aves do céu; não semeiam, não colhem nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai as alimenta. Não julgueis para que não sejais julgados também. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados. Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis. Qual de vós é o homem que se o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus? Tudo quanto pois quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os profetas.”  E quando Jesus acabou de proferir estas palavras, também ouvidas por outras pessoas, estavam todos maravilhados da sua doutrina. Descendo Ele do monte, eis que um leproso, aproximando-se, adorou-o dizendo: - Senhor, se quiseres, pode purificar-me. E Jesus estendendo a mão tocou-lhe, dizendo: -  “Quero, fica limpo!”  E imediatamente ele ficou curado de sua lepra.

Entrando Jesus em Cafarnaum, se apresentou um centurião (comandante de cem homens), implorando: - Senhor, o meu criado jaz em casa, de coma, paralítico, sofrendo horrivelmente. Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo.” Mas o centurião respondeu: - Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa; mas apenas manda com uma palavra e o meu criado será curado. Pois também tenho soldados às minhas ordens e digo a um; vai e ele vai; e a outro vem e ele vem. Ouvindo isto, disse Jesus aos que o seguiam: “Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel, achei fé como esta”. E naquele mesmo instante o servo foi curado.

Então se aproximando dele um escriba, disse: - Mestre, te seguirei para onde quer que fores.  Jesus lhe respondeu:  “As raposas têm os seus covis e as aves do céus, ninhos; mas o filho do homem não tem sequer uma pedra onde reclinar a cabeça”. Outro lhe disse: - Senhor te seguirei mais me permite ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: “Segue-me e deixa aos mortos, sepultar os seus mortos.” (Explicação: Deixa aos mortos das verdades que eu estou ensinando e que já tens conhecimento, sepultar os outros que estão mortos fisicamente.).

Marcos nos diz que dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum e logo começou a pregar e todos ficaram sabendo. Vieram quatro homens conduzindo um paralítico e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, subiram ao telhado da casa e fazendo uma abertura no ponto em que se encontrava Jesus, baixaram o leito em que jazia o doente. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados. Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”.  Então ele se retirou andando a vista de todos. Achando-se Jesus mais tarde, à mesa na casa de Levi, e com Ele os apóstolos e muitos publicanos e pecadores. Os fariseus vendo-o comer na companhia destes, perguntavam aos discípulos: - Por que come o Mestre com os publicanos e pecadores?  Jesus ouvindo isto, respondeu-lhes: “Os são não precisam de médico, mas sim os doentes; não vim chamar os justos, mas os pecadores”.

Jesus voltando a pregar entrou num barco e o povo ficou na praia. Então Jesus lhes disse: “Ouvi. Saiu o semeador a semear. E ao semear, uma parte caiu à beira do caminho e vieram as aves e a comeram. Outra mais caiu em solo rochoso onde a terra era pouca, nasceu, porém o sol a queimou; outra parte caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram e não deu fruto. Outras enfim, caíram em boa terra e deram fruto e cresceu produzindo, cem por um”. E acrescentou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. – Quando Jesus ficou só, os apóstolos o interrogaram a respeito da parábola. Então Jesus lhes perguntou: - Não entendeis esta parábola? – “O Semeador semeia a palavra. Os da beira do caminho ouvem, logo vem outro e tira a palavra semeada neles. Semelhantes a estes, os semeados em solo rochoso, os quais ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Porém lhes chegando á angústia por causa da palavra logo a desprezam. Os semeados entre os espinhos são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. Os semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra, a recebem, frutificando a cem por um”. E passou então a lhes contar outras parábolas. A do grão de mostarda, da ovelha perdida, do filho pródigo, etc. etc.

E eis que certo homem interprete da lei, se levantou com o intuito de por Jesus à prova e disse-lhe: - Mestre, que farei para herdar a vida eterna? – Então Jesus lhe perguntou: “O que está escrito na lei? Como interpretas?” Ele respondeu: - Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então Jesus lhe disse: “Faze isso e viverás”. Ele querendo justificar-se perguntou a Jesus: - Quem é o meu próximo? Jesus então lhe apresentou uma parábola. – Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores que lhe roubaram e causaram muitos sofrimentos, e retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou ao largo. Em seguida veio um levita passou-lhe perto e vendo-o também passou ao largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto, e vendo-o, compadeceu-se dele, e chegando-se, aplicou-lhe óleo e vinho em seus ferimentos, e, colocando-o sobre seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: - Cuida deste homem e se alguma coisa gastares a mais, eu te indenizarei quando voltar. Concluída a parábola, Jesus perguntou:  “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem assaltado?” Respondeu-lhe o intérprete da lei: - O que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse:  “Vai e procede de igual modo”.

Certa feita, estando Jesus à mesa e os fariseus vendo que alguns apóstolos dele comiam sem lavar as mãos, perguntaram a Jesus, por que eles não atendiam a tradição? Respondeu-lhes Jesus: “Bem profetizou Isaias a respeito de vós, como está escrito: -Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.  Em vão me adoram, ensinando preceitos que são dos homens”. E convocando Jesus a todos, disse-lhes: “Ouvi-me todos e entendei. Nada há fora do homem que entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai da boca do homem é o que o contamina”. Mais tarde os apóstolos o interrogaram acerca da parábola. Jesus lhes disse: “Vós também não entendeis?” Ouvi: “Tudo o que de fora entra no homem não pode contaminar porque não lhe entra no coração, mas no ventre. O que sai do homem, isso é o que o contamina, porque de dentro do coração é que procede os maus atos, a avareza, o dolo, a blasfêmia, a inveja, a calúnia, o ódio, o egoísmo. Todos estes males vem de dentro e contaminam o ser humano”.

Outra vez se reuniu grande multidão a ouvi-lo e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os apóstolos e lhes disse: “Tenho compaixão dessa gente, porque há três dias que permanecem comigo. Se eu os despedir para suas casas, desfalecerão pelo caminho”. Jesus então lhes perguntou:  “Quanto pão tende?”  Responderam eles: - Cinco pães e dois peixes. Então Jesus lhes ordenou que se assentasse sobre a relva e tomando os cinco pães e os dois peixes, os abençoou e os deu aos apóstolos para que  repartissem, e todos comeram e se fartaram e dos restos, ainda recolheram doze cestos. E os que comeram eram cerca de cinco mil pessoas. João, no seu Evangelho, nos diz que havia entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: - Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus, porque ninguém pode fazer o que tu fazes se Deus não estiver com ele. Ao que Jesus respondeu:  “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”.  Perguntou-lhe Nicodemos: - Como pode um homem, nascer, sendo velho? Pode porventura, voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo”. Então lhe perguntou Nicodemos: - Como pode isso acontecer? Respondeu Jesus: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?”

De volta à Galileia, passava pela Samaria. Chegando Ele a cidade de Sicar, onde estava á fonte de Jacó, cansado da viagem, despachou os apóstolos para comprar alimento e assentou-se Jesus junto à fonte. Nisto veio uma mulher samaritana tirar água do poço. Disse-lhe Jesus: “Dá-me de beber”. A samaritana lhe disse: - Como sendo tu judeu, pedes água a mim que sou samaritana? Replicou-lhe Jesus: “Se conheceres o dom de Deus, e quem é que te pede água, tu lhe pedirias e Ele te daria da água viva. Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede; a água será uma fonte a jorrar para a vida eterna”.  Disse-lhe a mulher: - Senhor dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, porque vejo que és um profeta. Nossos pais adoravam neste monte; os judeus dizem que se deve adorar no Templo. Disse-lhe Jesus: “Mulher, podes crer, vem á hora e já chegou, quando os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai, em Espírito e Verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é Espírito e importa que os seus adoradores o adorem em Espírito e Verdade”.

Mateus relata que seis dias depois, Jesus toma consigo a Pedro, e aos irmãos Tiago e João e os leva a um alto monte. Ali se transfigura diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e eis que lhes aparecem os Espíritos de Moisés e Elias falando com Ele. De repente vindo das nuvens, uma voz dizia: “Este é o meu filho amado”. Ouvindo-a, os apóstolos caíram de bruços, tomados de medo. Jesus aproximando-se deles, tocou-lhes dizendo: “Erguei-vos e não temais”. Os apóstolos o interrogaram: - Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?  Jesus respondeu: “De fato Elias virá. Eu porém vos declaro que Elias já veio e não o reconheceram e fizeram com ele tudo quanto quiseram”. Então os apóstolos entenderam que Ele lhes falava a respeito de João Batista. Lucas narra que a caminho de Jerusalém, passava Jesus pela Samaria e quando entrava numa aldeia, saíram-lhe ao encontro, dez leprosos, que ficaram de longe a lhe gritarem, dizendo: - Jesus, Mestre, compadece-te de nós!  Ao vê-los, compadeceu-lhes, curou-os e disse-lhes Jesus: ”Ide e mostrai-vos aos sacerdotes”. Purificados eles se foram. Um dos dez que fora curado voltou dando glórias a Deus e postou-se aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano!  Então Jesus lhe perguntou: “Não eram dez os que foram curados; onde estão os outros nove?  Não houve quem voltasse para dar glórias a Deus, senão este estrangeiro? Vai, a tua fé te curou!”

Certo homem de posição perguntou-lhe: - Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: “Por que me chamais bom? Ninguém é bom senão Deus. Sabes os mandamentos?” Replicou o jovem rico: -Tenho seguido eles desde a minha juventude. Ouvindo-o Jesus disse-lhe: “Uma coisa ainda te falta. Vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. (Jesus havia penetrado no íntimo do jovem e havia notado que ele era muito apegado às coisas terrenas, e para testá-lo havia lhe sugerido a venda)  O jovem  ouvindo  estas  palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo. E Jesus vendo-o triste, disse: “Quão difícil é entrar no reino de Deus, os que têm riquezas! Porque é mais fácil passar um camelo (corda feita do pelo do animal) pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. Porque onde estiver o tesouro aí estará também o coração”.

Chegando a Cafarnaum, os apóstolos o interrogaram: - Quem é porventura, o maior no Reino dos Céus? Jesus lhes respondeu: “Aquele que quiser ser o primeiro que seja o último, o que quiser ser o maior, que seja o servo dos outros”.  E Jesus chamando uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converteres e não vos tornardes como uma criança, de modo algum entrareis no reino dos céus. E quem receber uma criança, em meu nome, a mim recebe. Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se extraviar, não deixará nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? Assim pois, não é da vontade de vosso Pai Celestial que pereça um só destes pequeninos”. Certo dia, assentado diante do gazofilácio (cofre onde se depositava as esmolas para o templo), observava Jesus, como o povo depositava sua oferta. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou somente duas pequenas moedas. Jesus então chamando os apóstolos, disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou mais do que fizeram todos os demais. Porque eles ofertarem do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza, deu tudo quanto possuía”.

João nos diz que, Jesus voltando certo dia para o templo, os escribas e fariseus trouxeram à sua presença, uma mulher surpreendida em adultério, e, fazendo-a ficar de pé diante de todos, para tentá-lo, e fazê-lo contrariar a lei, disseram a Jesus: - Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei de Moisés, tais mulheres são apedrejadas; tu, pois, que dizes? Mas Jesus nada falou. Como insistissem na pergunta, Jesus lhes disse: “Aquele que dentro vós não tenhais pecados, seja o primeiro a atirar a pedra”.  Ouvindo eles, aquela resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um a um, ficando somente Jesus e a mulher. Jesus então lhe perguntou: “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?” Respondeu ela: - Ninguém, Senhor. Então Jesus disse-lhe: “Nem eu também te condeno; vai e não peques mais”.
                                                                       
Mateus nos diz que tendo Jesus saído do templo, os apóstolos lhe mostraram as construções do templo. Jesus, porém lhes disse: “Vedes tudo isso? Em verdade vos digo que não ficará aqui, pedra sobre pedra, que não seja derrubada”. Jesus estando no Monte das Oliveiras, os seus apóstolos lhe pediram: - Dize-nos quando sucederão estas coisas. Ele respondeu: “Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo e enganarão a muitos. E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará em muitos. Então se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo ou ei-lo ali! Não acrediteis; porque assim como o relâmpago sai do oriente e vai até o ocidente, assim há de ser a volta do Filho do Homem. E quando Ele vier se assentará no trono da sua glória. Então dirá aos que estiverem à sua direita: - Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos foi preparado, porque eu tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava ao relento e me abrigastes, estava nu e me vestiste, enfermo e fostes me visitar.  Então perguntarão os justos: -  Senhor quando foi que te demos de comer, te demos de beber, te hospedamos, te vestimos e te fomos visitar, que não sabemos? Então Ele lhes responderá: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus mais humildes e pequenos irmãos, a mim mesmo o fizestes”.

Comemorava-se a páscoa, e Jesus sabendo que era chegada a sua hora de passar deste mundo para a vida espiritual, levantou-se da mesa, onde se encontrava com seus apóstolos, e tomando uma toalha; depois deitou água numa bacia e passou a lavar os pés dos apóstolos e a enxugar-lhes com a toalha. Aproximando-se de Simão Pedro, este lhe disse: - Senhor, tu queres me lavar os pés? Respondeu-lhe Jesus: “O que faço, não o sabes agora, porém compreendê-lo-ás depois”. (A ação de Jesus era uma lição de humildade). Retornando à mesa, disse-lhes: “Ainda por pouco tempo, estou convosco e um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei. Nisto, conhecerão que sois meus discípulos”. Então lhe perguntou Pedro: - Senhor, para onde vais? Respondeu Jesus: “Para onde vou, não me podes seguir agora; mais tarde porém, me seguirão”. Replicando,  Pedro disse: - Senhor por que não posso seguir-te? Por ti, darei a própria vida. Respondeu-lhe Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade te digo que antes do galo cantar, me negarás por três vezes”. E virando-se para os demais apóstolos, disse Jesus: “Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E vós sabeis o caminho para onde vou”. Disse-lhe Tomé: - Senhor, não sabemos para onde vais, como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; e ninguém vai ao Pai senão por mim. Em verdade vos digo que aquele que crer em mim, fará também as obras que faço. E tudo que pedirdes em meu nome, isso farei, para que o Pai seja glorificado. Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador. O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conhecereis, porque ele estará em vós. Isto vos tenho dito, estando ainda convosco; mas o Consolador, o Espírito de Verdade, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. Deixo-vos a Paz; a minha Paz vos dou. Se me amais, alegrai-vos de que eu vá para o Pai que é maior do que eu. Como o Pai me amou, também vos amei. Vou para junto daquele que me enviou; porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros. Quando vier o Espírito de Verdade, ele vos guiará a toda a Verdade e vos anunciará as coisas que hão de vir...”  Após Jesus ter lhes falado isso, se retirou com os apóstolos até o Monte das Oliveiras onde começaria o seu martírio.

Prezados irmãos e irmãs, findo o relato da vida e dos ensinamentos de Jesus, faço pequenos comentários sobre o assunto.

Como os sofrimentos, a condenação, a crucificação e a morte do corpo físico de Jesus, representam para mim, uma mancha negra na história da Humanidade, e os seus sofrimentos só me trás tristeza e vergonha, fruto da ignorância, da maldade e do desamor dos nossos antecessores em existências terrenas, e que bem podem ter sido nós mesmos os seus algozes, em existências passadas, deixei de mencionar essas passagens, em minha exposição, sobre a vida de Jesus na Terra. É lamentável que os sofrimentos e a morte infligida ao corpo físico de Jesus, seja transformado em encenações que envergonham a Humanidade, demonstrando o nosso grau de inferioridade, dando destaque aos sofrimentos de Jesus, que veio até nós, pobres mortais ignorantes e atrasados espiritualmente, a fim de nos ensinar o Amor e a Fraternidade. Parece que as pessoas sentem prazer em ficar revivendo e perpetuando através do tempo, o que de pior aconteceu com Jesus; vejam como exemplo os crucifixos que são expostos em muitas partes e também no pescoço de muitas pessoas, como um símbolo religioso, esquecendo, eles, que a cruz é um instrumento de tortura e morte, como a força, a fogueira, a decapitação, a guilhotina, e recentemente o fuzilamento, a injeção letal, a cadeira elétrica e a câmara de gás...

A Páscoa, que é uma comemoração dos judeus, nada tem com o Cristianismo. Nós cristãos, nos alegramos com á Ressurreição de Jesus, comprovando a Imortalidade da alma (Espírito em um corpo físico). 
Esquecidos são os seus ensinamentos e seus exemplos dignificantes de caridade e amor, por grande parte da humanidade, que não os seguem, limitando-se ás vezes a orações prolongadas e repetitivas, sem as modificações interiores para o exercício da caridade e do amor ao próximo, para  merecerem as bênçãos do Divino Mestre. Tempo virá, e está próximo, após a turbulência que estamos vivendo, em que somente as lições de humildade, caridade, amor e paz, serão lembradas, quando falarmos da vinda do Mestre Amado a Terra. Nesse tempo a Humanidade já terá evoluído para um estágio, em que o sofrimento e a morte não serão mais peças encenadas, propaladas ou comercializadas pelas pessoas da Terra.

Voltemos ao Evangelho; Lucas nos diz que no mesmo dia da ressurreição, dois discípulos estavam a caminho da aldeia de Emaús. Eles iam conversando a respeito das coisas sucedidas, e aconteceu que o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos estavam como que impedidos de reconhecerem-no. Então Jesus lhes perguntou: “Que é isso que vos preocupa e que tratam à medida que caminhais?” O que se chamava Cléopas, respondeu dizendo: - És o único que não sabe o que aconteceu a Jesus, o Nazareno que era um profeta poderoso em palavras e obras diante de Deus, e que os sacerdotes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram? Quando se aproximavam da aldeia, Ele fez menção de seguir adiante. Eles então disseram: - Fica conosco porque é tarde. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando Ele o pão, abençoou-o e tendo partido, lhes deu; então se lhes abríramos os olhos e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. João narra que, ao cair da tarde do dia seguinte, trancadas as portas da casa onde estavam os apóstolos com medo dos judeus, veio Jesus, põe-se no meio deles e disse-lhes ”Paz seja convosco!” E dizendo isto, lhes mostrou as mãos. Mas Tomé um dos apóstolos não estava quando Jesus veio. E os apóstolos disseram-lhe: -Vimos o Mestre. Mas ele respondeu: - Se eu não vir nas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o meu dedo, de modo algum acreditarei. Passados oito dias, estavam eles outra vez reunidos e Tomé com eles. Estando as portas novamente trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes “Paz seja convosco”. E logo disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; não seja incrédulo”. Respondeu-lhe Tomé: - Senhor meu e Mestre meu! Disse-lhe Jesus: “Porque me viste creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. (Observamos nestas passagens duas situações distintas. Jesus em Espírito se encontra com seus seguidores, assumindo um corpo fluídico para se fazer conhecer,  idêntico ao físico, o mesmo aconteceu para provar a Tomé que era ele mesmo.)                                                                                                                      

Muitos dias passados após a ressurreição,  Jesus veio ter com  seus apóstolos  e seguiu com eles para Betânia e falou-lhes: “Toda a autoridade me foi dada na Terra. Ide e pregai o Evangelho, por todo o mundo e a toda a criatura. Ide portanto, fazei discípulos em todas as nações; pregai o Evangelho, ensinando-os a guardar o que vos tenho ensinado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos...”  E abençoando-os, ia se retirando deles, sendo elevado para o alto; e os seus apóstolos o acompanhavam com os olhos, até que Ele sumir entre as nuvens...

Irmãos, devemos sempre lembrar o nosso Divino Mestre Jesus, não como morto, crucificado, mas como Vida; não como uma sombra, mas como extraordinário raio de Luz; não em agonia, mas em Paz; não com tristeza, mas com Alegria e Amor, pois Ele mesmo afirmou:
                             
       “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida...”


Bibliografia:
“O Novo Testamento”
+ Comentários e acréscimos.

Jc.
São Luís, 09/04/1998
Refeito em 30/3/2015
      

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