segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O CAMINHO DA PAZ




 No mundo antigo, salientavam-se dez grandes flagelos que rebaixavam a existência humana:  1- A barbárie, que perpetuava os desregramentos do instinto; 2- A fome, que atormentava o grupo tribal; 3- A peste, que dizimava as populações; 4- O primitivismo que irmanava o engenho do homem e a habilidade do castor; 5- A ignorância que alimentava as trevas do espírito; 6- O insulamento, que favorecia as ilusões do feudalismo; 7- A ociosidade, que categorizava o trabalho à conta de humilhação e penitência; 8- O cativeiro, que vendia homens livres nos mercados de escravidão; 9- A imundice, que relegava a habitação terrestre ao nível dos brutos; 10- A guerra, que suprimia a paz e justificava a crueldade e o crime.
Veio então á política e, instituindo vários sistemas de governo, anulou a barbárie; apareceu o comércio e, multiplicando as vias de transporte, dissipou a fome; surgiu a ciência, e exterminou a peste; eclodiu a indústria, e desfez o primitivismo; brilhou a imprensa, e proscreveu-se a ignorância; criaram-se o telégrafo sem fio e a navegação aérea, e acabou-se o insulamento; progrediram os princípios morais, e o trabalho surgiu como uma dignidade humana, desacreditando a ociosidade; cresceu a educação e aboliu-se o cativeiro; agigantou-se a higiene, e removeu-se a imundície.
Mas nem a política, nem o comércio, nem a ciência, nem a indústria, nem a imprensa, nem a aproximação entre os povos, nem a exaltação ao trabalho, nem a evolução do direito individual e nem a higiene, conseguem resolveu o problema da Paz, porquanto a guerra, monstro de mil faces que começa no egoísmo de cada um, que se corporifica na discórdia do lar, e se prolonga na intolerância da fé, na vaidade da inteligência e no orgulho das raças, alimentando-se de sangue e lágrimas, violência e desespero, ódio e rapina, tão cruel entre as nações supercivilizadas do século 21, quando já o era na corte obscurantista de Ramsés II.
E a equação de todos esses desatinos será sempre a guerra... Guerra de princípios, guerra de interesses, guerra fria superlotando os manicômios, guerras quentes produzindo a morte.
Diante do barbarismo e da guerra ideológica e fanática que grassa no mundo e produz danos às criaturas e ao meio ambiente, não nos esqueçamos do Pai Amoroso e Justo, de infinita Misericórdia que
criou a todos nós, nos dando a oportunidade de escolhermos os melhores  caminhos de evolução. A dor gerada por equívocos passados é um chamamento ao despertar do Espírito de todos; de uma forma ou de outra, estamos nesse processo de identificação de nossas reais necessidades.
Se, temos sido poupados da violência, agradeçamos à Providência Divina, mas elevemos o pensamento e dirijamos as mãos em direção aos agressores, procurando envolvê-los em paz e harmonia, que por suas próprias condições não tem tido possibilidades de conseguir. Se a doença tem passado distante de nosso lar, façamos o esforço de diminuir as dores do nosso próximo mais próximo. Quantos de nós não temos em nosso círculo pessoal, parentes, amigos e colegas de trabalho em desequilíbrio?
Se as dificuldades financeiras não nos tiram o supérfluo, tratemos de cuidar daqueles a quem falta o essencial, buscando-os, sem esperar que venham até nós, humilhados, porque lhes faltam recursos para adquirir o pão. Não se trata de esmola, mas sim escolha consciente de unir-se fraternalmente às agruras da existência e da dor do nosso semelhante.
 Se tivermos inteligência para absorver os conhecimentos doutrinários do Consolador, estendamo-la àqueles que não tiveram acesso às primeiras letras, que não tiveram acesso aos livros que guardamos, sem leitura, em nossas estantes para, no mais das vezes, impressionar em nossas relações. Se fizermos uma réstia de luz aos nossos irmãos necessitados, estaremos acendendo um farol que nos conduzirá a uma consciência tranquila e pacífica.
Lembremo-nos sempre de que recebemos a reencarnação como oportunidade de ascensão e devoção ao Bem, neste planeta. Não entreguemo-la ao acaso ou ao descaso de nós mesmos. Trabalhemos e sirvamos pelo bem de todos, aperfeiçoando a nós mesmos, sabendo que caminhamos  para a exaltação da vida, para a nossa imortalidade, com a paz verdadeira, começando por nós.
Tenhamos calma. Se estivermos no ponto de estourar mentalmente, silenciemos alguns instantes; se o caso é de moléstia no corpo, a intranquilidade só faz piorar; se a doença é em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante. Se, sofremos prejuízos materiais a reclamação não vai resolver nada; se perdemos alguma
afeição a queixa nos tornará uma pessoa menos simpática junto aos amigos; se deixamos passar alguma oportunidade valiosa, a lamentação é apenas desperdício de tempo; se contrariedades se fizerem presente, o ato de esbravejar, de nada vai nos adiantar; se praticamos algum erro, o desespero nos abrirá portas para maiores faltas; se não conseguimos atingir o que desejávamos, a impaciência fará mais distância entre nós e o objetivo a alcançar. Seja qual for á dificuldade, devemos conservar a calma, manter a paz, porque em todo problema, a serenidade nos fará ver a solução.
Existe paz no coração dos iniciados no Evangelho, na alma dos que oram, no íntimo dos Espíritos que alcançaram a comunhão com o Criador. Só não existe paz naqueles que vivem longe do Pai, ignorantes do Bem e do Amor, desprovidos da única sabedoria que  importa realmente, incapazes de ter a paz no seu íntimo.
Poucos terão conhecido tão grande agitação como o Mestre Jesus: Ele viveu na Terra à época de grande ignorância e Ele como mensageiro da Paz, dificilmente conseguia escapar à agitada multidão que o acompanhava, sedenta de reconforto, reclamando a ação de suas mãos curadora, exigindo atendimento imediato às suas necessidades de caráter material e espiritual. No entanto, possuía Jesus em seu próprio íntimo um tesouro de serenidade alimentado pela meditação e pela prece; e com esses recursos de harmonia interior contava Ele que podia afirmar para toda a humanidade:  “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como o mundo a dá”.       ( João  14:27 )
A Paz só haverá na Terra quando a guerra, em suas múltiplas faces, não existir mais; quando o Evangelho de Jesus iluminar o coração humano, fazendo com que os seus habitantes se amem como verdadeiros irmãos. É por isso que a Doutrina dos Espíritos nos revela, sob a luz da Verdade, e fiel ao Cristo, que nos advertiu, convincente: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres”.       
 Maiores orientações, leia o artigo “A Paz”.
Fonte:
Emmanuel – Jornal “O Imortal” – 06/2014
Mensagem de Hipert  Viana – GEABL em 6/5/2014                     Livro “Ideal Espírita” - Livro “Comentários Evangélicos”
Jc.
São Luís, 18/2/2015

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