domingo, 1 de fevereiro de 2015

FILHOS ADOTIVOS





 Há quem pense que a criança que adotamos faz necessariamente parte de nossa família espiritual. Pode ser sim, pode ser não. O que podemos afirmar é que deve existir um vínculo muito forte entre o casal que faz a adoção e o filho adotado. A adoção de qualquer criança não ocorreria, portanto, por simples acaso, mas seria algo perfeitamente previsível nas possibilidades de nossa passagem pela experiência terrena. Não existem na literatura espírita muitas informações a respeito do assunto, no entanto, não passou despercebido na obra mediúnica de Francisco Candido Xavier, como o leitor pode comprovar lendo o livro “Astronautas do Além”, obra escrita em parceria com José Herculano Pires, com a participação de Emmanuel, André Luís e outros Espíritos evoluídos.
No capítulo 5 da obra citada, Chico Xavier relata o seguinte: “Nossa reunião pública era participada por vários amigos procedentes de diversas cidades, e parecia que estava marcada para estudar a questão dos filhos adotivos, pois as perguntas e opiniões eram variadas. Devemos dar conhecimento aos filhos adotivos da condição em que se encontram conosco?, indagavam alguns casais. As respostas variavam. Alguns companheiros se manifestavam a favor da realidade clara, enquanto outros se expressavam de maneira contrária, acreditando que a verdade devia permanecer sempre velada para os filhos, de modo a que eles não fossem chocados negativamente”.
O “Evangelho Segundo o Espiritismo” nos oferece para estudo o item 8 do capítulo XIV, com relação ao assunto em debate. Os laços de sangue não estabelecem necessariamente, os laços entre os Espíritos. Os verdadeiros laços de família não são, pois, os da consanguinidade, mas os da afinidade e da comunhão de pensamentos que unem os Espíritos antes, durante e após a encarnação. Assim, dois seres nascidos de pais diferentes, podem ser mais irmãos pelo Espírito do que se o fossem pelo sangue; enquanto que dois irmãos consanguíneos podem se repelir.
Corre o tempo e, quando aqueles Espíritos queridos que fossem os seus pais retornam à Terra em alegre comunhão afetiva, anseiam retomar o calor da ternura, mas, nesse passo da experiência, os princípios da reencarnação, em certas circunstâncias, tão somente os permitem desfrutar-lhes a convivência na posição de filhos adotivos, porque a Espiritualidade se encarrega de encaminhar os órfãos aos lares onde existam pessoas que se afinam com eles e onde serão recebidos carinhosamente, a fim de que todos os envolvidos aprendam a praticar a fraternidade e o amor verdadeiro.
Se, portanto, tens na Terra filhos por adoção, habitua-te a dialogar com eles, o mais cedo possível para que seja conhecida a verdade. Auxilia-os a reconhecer, que são agora teus filhos do coração, buscando reajustamento afetivo no lar, a fim de que não sejam traumatizados na idade adulta por revelações imprevistas e desagradáveis. Ama os filhos adotivos com a mesma abnegação com que te empenhas a construir a felicidade dos filhos do próprio sangue, entretanto não lhes oculte a realidade para não te opores à Lei de Causa e Efeito que os trouxe de novo ao teu convívio, a fim de corrigir desequilíbrios de outras existências e melhorar os sentimentos.  “Os filhos que voltam ao lar por vias indiretas, são Espíritos em prova de harmonização, de  moralização e para ampliar afinidades e sentimentos”, afirma Herculano Pires.
“Na minha vivência na presente existência, já participei de duas situações envolvendo filhos adotivos. A primeira envolveu uma sobrinha que não tendo filhos naturais, adotou um filho e lhe ocultou a verdade. Ele foi crescendo e pensando que era filho legítimo dela. Alguém que tomou conhecimento do assunto passou a chantageá-la, e, por ocasião em que o rapaz ia completar 18 anos, ameaçou a mãe de ligar para ele e contar a verdade. Ela apavorada pela hipótese dele se voltar contra ela, ao tomar conhecimento do fato, pediu-me uma orientação. Eu lhe disse que tivesse calma e lhe disse que, se ele fosse seu filho legítimo, existia a obrigação dela criá-lo, educá-lo e amá-lo. Porém, sendo ele um filho adotado, o que existia era a espontaneidade de sentimentos de carinho, e tudo o que ela vinha fazendo por ele durante anos, era somente por amor, sem nenhuma obrigação. Que ela deveria conversar com ele expondo-lhe a verdade. Com certeza, ele ficaria confuso e decepcionado ao saber, entretanto, passado alguns momentos, ele certamente iria refletir que tudo o que a sua bondosa mãe fizera por ele fora por devoção e amor e não por obrigação e a situação poderia se ajustar com o entendimento de ambos. Se ele não entendesse e a repudiasse não merecia então toda a sua abnegação e seu amor. Assim foi feito e após o esclarecimento feito pela mãe, á união deles só fez aumentar, até hoje”.
“O segundo caso aconteceu comigo. Nas minhas andanças pelos Centros Espíritas aqui no Maranhão, vim a conhecer uma moça com uma irmã gêmea solteira e já com uma filha. A minha afinidade com a moça e sua sobrinha foi crescendo e depois de algum tempo, terminei me casando com a moça, e cuidei de dar o nome de pai à sobrinha, registrando-a como minha filha. Hoje, essa filha adotada já me deu um neto que é um tesouro de alegria para o meu coração e por quem tenho um grande carinho, e tenho certeza de que todos eles já estiveram envolvidos comigo em outra existência. A nossa amizade é tão grande que esposa, cunhada, filha e neto não me deixam sossegado preocupados com o meu bem-estar e com a minha saúde, em virtude de já contar com 84 anos de idade. Essa mesma preocupação também tenho para com eles, que formam atualmente a minha família terrena e me faz muito feliz”.                            Jurandy Castro
Outros esclarecimentos sobre o assunto veja o artigo: Adoção de Crianças.
Fonte:
Jornal  “O Imortal” – 09/2014
Jornalista: Astolfo de Oliveira Filho
Livro “Evangelho Segundo o Espiritismo”                                                                 + acréscimos
Jc.
São Luís, 01/02/2105

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