quinta-feira, 12 de junho de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ENSINOS RELIGIOSOS




 Em muitas ocasiões, especialmente quando atendemos pessoas sem qualquer conhecimento em matéria da Doutrina dos Espíritos, elas nos perguntam quais são, a respeito da alma, as diferenças que existem entre os ensinamentos que recebemos das religiões tradicionais e os ensinos espíritas. Respondemos que as diferenças são muitas e expressiva, conforme verificaremos a seguir:
 De acordo com a doutrina da Igreja Católica e dos Protestantes, a alma humana (Espírito encarnado), é criada por ocasião do nascimento de cada ser. Ela vive, sobrevive e conserva sua individualidade após a morte; mas a partir desse momento sua sorte está irrevogavelmente fixada. Seus progressos posteriores são nulos, e por isso ela será por toda a eternidade, intelectualmente e moralmente, o que era durante a existência corpórea. A exceção a essa regra são os anjos, almas privilegiadas, isentas desde a sua criação, de todo e qualquer trabalho para chegarem à perfeição. Quanto a nós outros, o regime é bem diferente.
 As pessoas más são condenadas a castigos perpétuos e irremissíveis no inferno, do que resulta para elas a inutilidade do arrependimento. Parece, segundo tais ideias, que Deus não deseja que elas tenham a oportunidade de reparar o mal que fizeram. As pessoas boas, por sua vez, são recompensadas pela visão de Deus e a contemplação perpétua no céu. Os casos que podem merecer, por toda a eternidade, o inferno ou o céu, são deixados para o julgamento e a decisão de homens falíveis, aos quais é dada pela Igreja e pelo Templo, a incrível prerrogativa de absolver ou condenar as almas, em substituição a Justiça Misericordiosa de Deus. As doutrinas católica e protestante ensinam ainda, a separação definitiva e absoluta dos condenados e dos eleitos, e a inutilidade dos auxílios morais e das consolações que enviamos para os condenados, através das orações.
Em face de semelhante concepção a respeito do destino das almas, ficam, no entanto, sem solução os problemas seguintes:
1º-  Por que Deus criou anjos, chegados à perfeição sem trabalho, ao passo que as outras almas estão submetidas às mais rudes provas, nas quais têm mais chances de sucumbir do que de sair vitoriosas?
2º-  De onde vêm as disposições inatas, intelectuais e morais que fazem com que alguns seres nasçam inteligentes e outros idiotas, uns bons e outros maus?
3º- Qual é a sorte das crianças que morrem em tenra idade? Por que elas entram na vida eterna, felizes, sem o trabalho que as outras pessoas estão sujeitas durante longos anos? Por que são recompensadas sem terem podido fazer o bem, ou privadas da felicidade sem terem feito o mal?
4º- Qual é a sorte dos cretinos e dos idiotas, que não têm consciência de seus atos?
5º- Onde está a justiça de Deus, na miséria e nas enfermidades de nascimento, uma vez que, segundo a Igreja e os Protestantes, não é o resultado de nenhum ato anteriormente cometido?
6º-  Qual é a sorte dos selvagens e de todos aqueles que morrem no estado de inferioridade moral, no qual se encontram colocados pela própria Natureza, se não lhes é dado progredir?
7º-  Por que Deus criou almas privilegiadas e a grande maioria vivendo em maiores sacrifícios e sem nenhuma vantagem?
8º-  Por que Deus chama a si, prematuramente, aqueles que teriam podido melhorar-se se tivessem vivido por mais tempo, tendo em vista que não lhes é dado avançar depois da morte?
9º- Por que Deus que criou a todos nós deixa que seus filhos sejam separados, uns para o inferno e outros para o céu; que justiça é essa, inferior á justiça dos pais terrenos?
10º Por que Deus sendo infinitamente de misericórdia e bondade faz distinção e criou o céu e o inferno para as suas criaturas?
Vejamos agora a Doutrina dos Espíritos que apresenta-nos uma visão diferente acerca da alma e do seu destino. Começamos pelo princípio inteligente (Espírito ou Alma) que é independente do corpo físico. A alma é preexiste e sobrevive após a morte do corpo.
a-   É igual o ponto de partida para todas as almas, sem exceção nenhuma. Todas são criadas simples e submetidas ao progresso indefinido. Nenhuma é privilegiada ou favorecida mais do que as outras. Os anjos são os Espíritos chegados à perfeição relativa, depois de terem passado, como as outras criaturas, por todos os graus da inferioridade, progredindo até á situação atual.
b-   As almas e os Espíritos progridem mais ou menos rapidamente em virtude do seu livre-arbítrio, por meio do seu trabalho e de suas ações benéficas.  A vida espiritual é a vida normal; a existência corporal é uma fase temporária da vida do Espírito, durante a qual ele reveste, momentaneamente, um envoltório material de que se despoja na morte física. O Espírito progride no estado espiritual, e no estado corpóreo como alma, que é uma necessidade, até ela atingir certo grau de perfeição.
c-   Como apenas uma única existência é insuficiente e não lhe permite adquirir todas as perfeições, retorna ao corpo físico tantas vezes quantas forem necessárias e, a cada vez, ela chega com o progresso que alcançou em suas existências anteriores e na vida espiritual. O estado feliz ou infeliz dos Espíritos é inerente ao seu adiantamento moral, e sua punição é a consequência de seu endurecimento no mal; mas a porta do arrependimento jamais lhes é fechada e elas podem, quando quiserem retornar ao bom caminho e chegar com o tempo, à meta a que todos somos destinados – seres evoluídos.
d-   As crianças que morrem em tenra idade completam outra existência interrompida, e podem ser mais ou menos evoluídas, porque já viveram outras existências anteriores, onde puderam fazer o bem ou cometer suas más ações, inclusive o suicídio, abreviando a sua existência. A morte não as livra das provas que devem passar, em face disso, elas recomeçam uma nova existência na Terra ou em outros mundos, conforme seu grau de evolução espiritual.
e-   A alma dos cretinos e dos idiotas é da mesma natureza que a de qualquer outro encarnado; e frequentemente sua inteligência pode ser superior ou não. Eles tão somente sofrem a insuficiência dos meios que têm para entrar em relação com os seus companheiros de existência, como os mudos sofrem por não poderem falar. Por haverem abusado de sua inteligência em suas existências anteriores, pediram e aceitaram submeter-se à limitação em que se encontram, para expiarem o mal que cometeram. Mas, finda essa expiação, elas retornam ao estado normal que caracteriza o Espírito.
f-    Deus não separa nem abandona seus filhos; apenas cada um colhe do que plantou, em outras palavras, se permanece na prática do mal o sofrimento vem para ele expiar seus malefícios, que é como se vivesse no inferno; se na existência procura praticar o bem, é assistido pelos protetores Espirituais, ajudando-os no seu bem-estar e na sua elevação espiritual.
g-   O inferno citado por Jesus nos Evangelhos, não é um lugar determinado, mas sim uma condição íntima do ser humano, quando sofre as consequências do mal praticado, assim, como era dito antigamente que o céu ficava acima da Terra e o inferno ficava abaixo da Terra; quando sabemos que não existem esses determinados lugares, mas sim o espaço infinito, em redor de todos os planetas e mundos. Deus, sendo o nosso Pai misericordioso, de bondade infinita e amor eterno, não poderia querer para seus filhos, sofrimentos eternos. Todas as suas criaturas passaram por dificuldades e sofrimentos em razão do mau uso das suas faculdades, porém, tudo melhora quando elas passam a vivenciar a fraternidade, a caridade e o amor que são as verdadeiras Leis do Pai Amoroso, que somente deseja o bem das suas criaturas e a todos assiste com a sua infinita misericórdia e bondade.
Essas, portanto, são as diferenças que existem entre os ensinos  das outras religiões e os ensinos da Doutrina dos Espíritos, que não nos amedronta e nem nos ameaça com o inferno,  nos ajudando a entender como devemos agir nas nossas ações para nosso próximo, a fim de podermos melhorar a nossa situação espiritual.

Fonte:
Jornal “O Imortal” – 03/2014
Adolfo O. de Oliveira Filho
+ Pequenas modificações e acréscimos.

Jc.
São Luís, 6/4/2014

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