sexta-feira, 23 de maio de 2014

A POLÍCIA, E O QUE É O BEM E O MAL




  O jornalista J. R. Guzzo, em artigo publicado na revista “Veja” nº 2367, de 2/4/2014, refere-se ao assunto que dá nome a este artigo, que reproduzo alguns tópicos do mesmo, concordando com o que ele afirma.  Diz ele: “Pode ser uma coisa que muitas pessoas acham desagradável ouvir, e por isso é melhor dizer logo, para não gastar o tempo do leitor. É o seguinte: os brasileiros fariam um grande favor, a si mesmos, se tomassem a decisão de ficar, com o máximo de clareza e na frente de todo mundo, a favor da polícia. Isso mesmo: a favor da polícia, e da ideia de que cabe a ela com exclusividade, numa democracia o direito de usar a força bruta, quando necessário, para manter a ordem, cumprir a lei e proteger os cidadãos. Tem a obrigação legal de fazer tudo isso. Algum problema? É exatamente assim em todos os regimes democráticos. Eis aí, na verdade, uma afirmação evidente em si mesma; pode ser entendida sem a menor dificuldade após um minuto de reflexão”.
Mas estamos no Brasil, e no Brasil, no momento, justamente, passamos por um desses surtos de tumulto mental. Segundo o entendimento de boa parte daquilo que se considera o “Brasil pensante”, “civilizado” ou “moderno”, querem eles que nosso grande problema não seja o crime, mas a polícia. Parece bem esquisito pensar uma coisa dessas, num país com mais de 50.000 assassinatos por ano e índices de criminalidade que estão entre os piores do mundo. Onde esses “pensadores” estão vendo o problema de que tanto falam?
Vai saber. Os verdadeiros mistérios desse mundo não são as coisas invisíveis, e sim as que se podem ver muito bem. No caso, o que se pode ver com clareza, é a fé automática de boas almas e mentes num mandamento que ouvem desde crianças: o criminoso brasileiro é sempre “vítima das desigualdades sociais”, (o que não concordo), e o policial está errado, por princípio, quando usa a força centra ele. Seu dever, segundo pensam os “civilizados”, como agente do Estado, seria tratar os bandidos como cidadãos que precisam de ajuda, para que tenham oportunidade de entender por que não deveriam assaltar e roubar, estuprar, ferir e matar.
Praticamente todos os dias há exemplos claros desse curto-circuito geral na capacidade de separar o certo do errado. O cidadão é assaltado, roubado e ferido, e no dia seguinte se lê ou vê mais uma reportagem acusando a polícia por algum erro, real ou imaginário. Ainda há pouco, o país teve oportunidade de testemunhar políticos, intelectuais e celebridades em geral, com a colaboração maciça da mídia, colocando a polícia no banco dos réus, por reprimir bandos de marginais que vão para á rua decididos, treinados e equipados para destruir e roubar. Segundo essas excelentes cabeças, a polícia cria um “clima de violência” e de “provocação” que “força os ativistas baderneiros” a se defenderem “previamente”, incendiando bancas de jornal, destruindo e queimando carros, quebrando vitrines de lojas e destruindo e roubando os caixas automáticos.
Esse tipo de julgamento vai se tornando mais e mais aceitável no Brasil de hoje, além disso, cabeças em que não há ideias são sempre as mais resistentes a deixar alguma ideia entrar nelas.  Quanto à imprensa, rádio e TV, acreditem: o que mais gostam de fazer é falar as mesmas coisas, acusando a polícia. Nesse debate não há sete lados, só há dois lados, um que está com a lei e o outro que está contra – e aí o cidadão de bem precisa dizer qual dos dois lados ele realmente apoia. O primeiro é a polícia; o segundo é o que leva o crime para a rua. Não vale dizer “depende”, ou declarar-se a favor da ordem, desde que a polícia se comporte com altos níveis de civilidade, seja muito bem-educada, não bata em ninguém, nem cause nenhum incômodo físico a quem esteja jogando coquetéis incendiários ou com uma arma ameaçando a integridade dos cidadãos.
A questão real é apoiar hoje a polícia brasileira que existe – não dá para chamar a polícia da Dinamarca, por exemplo, para substituir a nossa, ou tirar a PM da rua e só chamá-la de volta daqui a alguns anos quando estiver bem treinada, preparada e capacitada a ser infalível. É mais do que sabido que na polícia do Brasil existem muitos vícios e outros tantos policiais que não cumprem com a sua obrigação. Mas, da mesma maneira não é possível fechar os hospitais públicos que funcionam  mal, e só reabri-los quando forem uma maravilha. Temos que conviver com a realidade que está aí. É indispensável transformá-la, mas não dá para exigir já, uma corporação armada que tenha virtudes superiores às nossas.
É a polícia, na verdade, o que a população brasileira tem hoje de mais concreto na garantia de seus direitos. Alguém pode citar alguma força mais eficaz para impedir que o Congresso, o STF e o próprio Palácio do Planalto sejam invadidos, sujeitos a saques e incendiados?  A polícia está do lado do bem – gostem ou não disso. No mundo real, é ela a principal defesa que o cidadão tem para proteger sua integridade física, sua propriedade, sua liberdade, sua vida e o direito de ir e vir e tudo o mais que a lei lhe assegura. O policial já erra quando falha ao cumprir quaisquer dessas tarefas. Não faz nexo criticá-lo nas ocasiões em que arisca sua vida e acerta, protegendo os cidadãos dos criminosos. (Vejam o que aconteceu em Salvador, durante os dois dias de greve da polícia, e também o que aconteceu em Recife, com a cidade sem polícia; imagine você, na rua, no serviço ou na sua residência, sendo assaltado por marginais, sem ter quem lhe defenda).
Não serve a nenhum propósito dar conforto e desculpar o criminoso – o que nossa elite pensante faz todo o tempo. Ele não vai deixar de ser seu inimigo. A lei brasileira com todas as letras, diz que só a polícia tem o direito de portar armas, e de utilizá-las no combate ao crime e na defesa da sociedade – salvo nos casos excepcionais que exigem licença específica. No caso dos atos de protestos – qual o propósito de levar para a rua, mochilas com bombas incendiárias, estiletes, barras de ferro e outros artefatos utilizados unicamente para machucar? Por que alguém precisaria dessas coisas para expressar suas opiniões em praça pública?
No Brasil as pessoas vêm se acostumando ultimamente à ideia doente de que devem mostrar simpatia diante da delinquência e hostilidade diante da polícia. Quem não pensa assim é visto como um ser humano das cavernas, extremista e inimigo da democracia. Mas é o contrário: opor-se ao crime e apoiar a polícia é ficar a favor da liberdade. Está em moda denunciar a polícia, mas essas mesmas fontes aplaudem os rappers que pregam abertamente, em suas músicas, o assassinato de policiais. Está na hora de deixar claro: é falso quem acredita que no Brasil de hoje existe algum assaltante que rouba e mata porque está com fome ou tem que sustentar sua família; o que há são indivíduos que querem satisfazer todos os seus desejos sem ter que trabalhar ou respeitar o direito alheio, e partem para roubar e matar, outros matam porque são espíritos inferiores que sentem prazer em martirizar ou matar suas vítimas, e qualquer um de nos pode ser essa vítima...
Enquanto a sociedade lamenta por uma morte acidental de um inocente, seus companheiros da polícia, para homenagear os 128 policiais baleados e mortes nos cinco primeiros meses de 2014, promovem uma caminhada no Posto seis, na praia de Copacabana, no dia 25 de maio. Pelas redes sociais, na Internet,  estão cartazes das vítimas com a mensagem: “Nós não merecíamos , porém morremos assassinados”. Queremos mostrar que eles são filhos, irmãos e maridos de alguém, que deram a vida para defender os outros cidadãos, afirma a cabo Flávia Louzada.
Em Cuba, país modelo para nosso governo, são chamados de sociopatas e encerrados na cadeia quando não mortos, esses elementos perniciosos, sem que a “sociedade” seja chamada a “debater” coisa alguma.
Deus não precisou de ajuda para criar o Brasil, mas, como diria  Santo Agostinho, “só poderá nos salvar se tiver o nosso consentimento...”         

Obs.
 Pequenos acréscimos supressões e modificações.

Jc.
São Luís, 21/5/2014

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