terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O SEXO, O AMOR




 
O sexo é uma atividade e uma necessidade do organismo humano, com a finalidade de perpetuar a espécie humana na Terra. O Amor é um sentimento que atrai e harmoniza as criaturas, dando a elas o sentido divino do ser.

Nossa sociedade vive o fenômeno da “multidão solitária” em que as pessoas convivem lado a lado, mas dificilmente aprofundam contatos, o que torna cada vez mais raro o relacionamento genuíno entre duas pessoas. O ardor hedonista de satisfação imediata dos ímpetos sexuais tornou a figura do parceiro apenas um objeto de consumo. A psicanalista Maria Rita Kehl é categórica ao afirmar: “A aliança entre a expansão do capital e a liberação sexual fez do interesse das massas consumidoras pelo sexo um ingrediente eficiente de publicidade. Tudo o que se vende tem apelo sexual; um carro, um liquidificador, um comprimido contra dor de cabeça, um provedor da internet, um tempero industrializado. A imagem publicitária evoca o gozo que se consuma na imagem, ao mesmo tempo, que promete fazer do consumidor um ser pleno e realizado. Tudo evoca o sexo na medida em que a mercadoria se oferece como presença segura, positivada no real, do objeto de desejo”.

O consumo está tão enraizado em nossa sociedade que as pessoas estão se consumindo como se fossem mercadorias. As pessoas se tornam coisas que podem ser adquiridas, consumidas e descartadas ao gosto do usuário, trocando-o por outro que aparentemente se demonstre mais “interessante” no momento. Nessa dinâmica existencial, ninguém é considerado insubstituível e toda ideia de valorização se torna um argumento vazio. Nesse processo de dissolução da dignidade humana “a pessoa não se preocupa com sua existência e felicidade, mas em tornar-se vendável”. As relações se tornam apenas um meio de obtenção imediata de prazer sexual, e de modo algum, uma genuína interação interpessoal pautada pelo respeito e pela afirmação do valor humano do outro. Conforme argumenta a socióloga Eva Illouz, “na cultura do capitalismo afetivo, os afetos se tornaram entidades a ser analisadas, inspecionadas, discutidas, negociadas, quantificadas e mercantilizadas”.

Obviamente que todo ser humano tem o direito de experimentar, exaustivamente, as relações afetivas em busca da sua realização amorosa, mas o elemento criticável na conjuntura capitalista inserida na sociabilidade decorre da irresponsabilidade ética para com a figura do outro, imputada como desprovida de sentimentos e valores. Querendo gozar a existência plenamente mesmo que através da degradação do outro e sem que corra os riscos provenientes das incertezas decorrentes de toda relação, o outro é considerado apenas como uma peça, que rapidamente entra em processo obsoleto na frívola experiência afetiva, para que logo após se possa descartá-lo tal como um bagaço de laranja atirado ao lixo, sem que haja qualquer crise de consciência da parte do indivíduo ávido de experiências, em cometer tal ato para com o parceiro amoroso com quem se relaciona.

Hoje, tudo é permitido no sexo; troca-se de parceiro como se troca de peça de vestuário. Tememos o envolvimento com o outro, pois ele, na visão distorcida que dele fazemos, traz sempre consigo uma sombra ameaçadora, capaz de desestabilizar a nossa frágil existência, a nossa atividade profissional e a nossa organização familiar.  Tudo isso é apenas desejo sexual, não é o Amor.                       

A vivência do amor genuíno se enraíza através da afirmação da alteridade, capacidade de compreender a interioridade do outro: o amor é, assim, uma experiência que preconiza os sentimentos, comunicando-se então os afetos de pessoa para pessoa. “Se eu amo o outro me sinto um só com ele, mas como ele é, e não na medida em que preciso dele como objeto para meu uso”. Existe amor quando os envolvidos na relação visam no parceiro um complemento existencial, e não um suporte para o preenchimento do vazio interior.

O amor autêntico por uma pessoa não pode se fundamentar apenas em um contrato moral-jurídico-religioso, mas sim em uma poderosa celebração de sentimentos regida pela afinidade, espontaneidade e alegria. O respeito verdadeiro pelo ser amado não brota pelo cumprimento de um formalismo contratual, mas sim pelo cuidado para com o outro, nascido pelo sentimento que nasce da afetividade.

Na Doutrina dos Espíritos, a união de duas pessoas que se amam, o que é divino além do sentimento de amor é a união dos sexos para criar novas criaturas a fim de substituírem os seres que morrem. Deus quis que os seres humanos estivessem unidos não somente pelos laços da carne, mais pelos laços da alma, para que a afeição mútua se transportasse também aos filhos.

Jesus ao responder aos Fariseus, sobre qual o mandamento maior da lei, lhes respondeu: “Amareis a Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito, sobre todas as coisas; e o segundo; amareis o vosso próximo como a vós mesmos”. No início da sua criação, o ser humano só tem instintos; mais avançado, ele tem sensações; mais evoluído, tem sentimentos, e o sentido mais delicado do sentimento é o Amor. Quando Jesus pronunciou essa divina palavra – amor – ela fez estremecer toda a humanidade... Assim, não devemos dar o nome de amor a um simples ato sexual, porquanto o Amor não se faz; ele é um sentimento divino. O sexo pode ser praticado, pelos que se amam como um complemento do sentimento de Amor existente entre ambos.

 

Fontes:

Revista “Filosofia” – 06/2013

Renato Nunes Bitencourt

“Evangelho Segundo o Espiritismo”

+ Pequenas modificações

 

Jc.

São Luís, 24/10/2013

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