quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CUIDAR E TRANSMITIR VIRTUDES




 
Os valores morais são um bem que a traça não rói e os ladrões não roubam, como sabiamente asseverou Jesus, e, na atualidade, tornam-se extremamente necessários, para que a paz se faça no comportamento das pessoas.

Os pais são convocados, pela própria sociedade aturdida pelas ações violentas dos jovens, a dar-lhes a educação que a sua atitude, como um clamor, lhes pede seja dada. O jovem, na sua rebeldia, tenta mostrar o abandono que sofre. Diante dos fatos, muitos pais estão sem saber como conhecer as más tendências dos filhos, se nem sequer convivem com eles? Uma mãe presente faz uma diferença enorme para a criança. As mães que estão juntas aos seus filhos, vendo como são e com quem brincam o que falam e o que mostram nas atitudes, os corrigem quando é necessário. Essas são crianças tranquilas, serenas, educadas, até mesmo nos ambientes fora de casa. As outras crianças que estão longe das mães, mesmo inteligentes, com escolas integrais, denotam insegurança, agressividade e dificuldades de limites.

Trabalhando há muitos anos com crianças, estamos notando um movimento auspicioso, que está aumentando, talvez até por testemunharem o que ocorreu com a atual geração: muitas mães, com carreiras promissoras, jovens ainda, profissionais liberais ou não, estão “voltando para casa” após o nascimento de um filho, priorizando a criança, um espírito em suas mãos. Os pais estão valorizando e apoiam as mães nesse intento. A opção das mães pelo filho nos traz muitas esperanças. Elas, vendo a dificuldade de muitos na mídia de modo negativo, estão cuidando de seus filhos, passando-lhes os valores morais e tentando educá-los, e, somente voltando ao trabalho, depois de perceberem que os filhos já assimilaram os valores morais da família e que não há mais riscos de se envolverem com más influências, por já terem o discernimento do bem e do mal, do certo e do errado. É uma sinalização da compreensão de que ter bens materiais, ter tudo, não significa ter felicidade. Isso não significa que sejamos contrários ao trabalho da mulher, como alguns podem pensar.

O que deixamos claro é que a criança (espírito encarnado) necessita da presença e da educação dos pais, particularmente das mães, para que possa se aprimorar. Uma sociedade doente tem nela agressão e violência, desonestidade e crimes, denotando imaturidade. Uma sociedade com saúde e moral é aquela que se baseia no respeito aos semelhantes. Sejam abençoados todos esses pais e mães que estão percebendo que precisam formar pessoas de bem, para melhorarem a convivência e este país!

A educação moral e a formação de virtudes pede urgência e compete à família. A escola complementa, mas sem o apoio da família a criança fica em grandes dificuldades. Os pais estão despertando e tomando consciência de que ter “coisas” é bom e muitas das vezes necessário, mas educar a pessoa para ser honesta, nobre, generosa e fraterna isso sim é essencial. Há pessoas que dão valor e se apegam tanto as coisas materiais que se tornam prisioneiras delas.

O tempo passa e o Espírito imortal, que deveria crescer em virtudes, encontra-se atormentado pelo desejo de possuir todos os bens materiais, muitos deles supérfluos, simplesmente pelo desejo de ter.

 Vem a propósito a história de um tio que era muito egoísta e não sabia dividir e as coisas que comprava para comer eram só dele, guardava fechado num armário. Assim viveu até que um dia desencarnou. Algum tempo depois, os familiares foram até seu quarto limpar e retirar os móveis dele de lá. As pessoas tentaram mover um guarda-roupa vazio mais ele estava pesadíssimo o que causou estranheza, porque não conseguiam. Uma neta com dez anos que estava  presente teve uma intuição e disse: - Mamãe, isso aí só pode ser o vovô que deve estar em cima do guarda-roupa, para ninguém levar. A senhora sabe como ele era! A mãe retrucou: - O que é isso, menina!  Onde já se viu isso? A menina respondeu: - É ele sim, mamãe! E a menina olhando na parte superior do guarda-roupa, disse: Vovô, você já morreu! Pare com isso! Desça do guarda-roupa que temos que retirá-lo daqui!  Naquele mesmo instante o guarda-roupa ficou leve e conseguiram removê-lo. Então todos os presentes perceberam que a menina estava certa, o vovô estava apegado ao móvel...

Muitos ainda são cheios de defeitos, que formam a bagagem espiritual. Apegar-se a bens materiais não é a melhor atitude. As pessoas estão valorizando demais os bens materiais e esquecendo as virtudes. Não é a posse de bens que torna um ser humano melhor, mas, sim, ser uma pessoa de bem, com valores éticos e boa moral, os valores e a vivência deles, ensinado por Jesus. Somente teremos uma sociedade justa quando a moral a caridade e o respeito forem normas de conduta das pessoas.

Certa ocasião, Jerônimo Mendonça, exemplo de resignação no sofrimento, cego, dores pelo corpo, paralítico no leito, exímio na arte das trovas, recebeu a visita de Roldão Tavares de Castro, natural do Maranhão e residente em Belém do Pará. Esse fato está no livro “O Gigante Deitado”. Roldão então lhe contou que, passando em frente ao Banco Bradesco, viu um gatinho sendo maltratado e, mesmo tendo-o socorrido, o gatinho morreu e ele, Roldão, se entristeceu por ver pessoas maltratando um animal indefeso. Jerônimo fez então uma trova, querendo animá-lo:         

                        

- Alegra-te meu irmão.

 Mas alegra-te de fato

 Não crês na reencarnação                             

 Terás de volta o teu gato.

 

Como o Roldão insistisse que estava horrorizado com a agressividade das pessoas para com o bichinho indefeso, Jerônimo fez outra trova:

                        

 - Esse povo de dinheiro...

 Acho esse povo muito chato

 Por causa de seu cheque

 Acabaram matando o gato!

Jerônimo desencarnou em 1989 e naquela época os valores morais ainda eram difundidos e uma pessoa valia mais pelo que era do que pelo que possuía. A situação hoje se inverteu: Hoje os “gatos” são as pessoas. Por falta dos valores morais que as famílias se  esqueceram  de passar aos filhos,  muitas delas estão sofrendo por atitudes de ignorância daqueles que não tiveram e não aprenderam a amar; foram “esquecidos” por quem valorizou demais os bens materiais e o dinheiro. O exemplo das mães que estão retornando aos lares para cuidar dos pequeninos, nos estimula também a mudar, trazendo de volta o amor para os corações, libertando-nos da ambição desmedida de consumismo. Quem ama socorre, auxilia, ampara, é correto, consciencioso, íntegro, caridoso, tornando-se um exemplo para as demais pessoas. As crianças que, ensinadas por seus familiares, crescem educadas nos valores morais, nas virtudes, não prejudicarão nenhum ser humano ou animal, sendo uma colaboradora do bem.

 

Os Espíritos dizem em “O Livro dos Espíritos” que três coisas nos bastariam neste mundo para aqui sermos felizes: a Fé em Deus, a consciência tranquila e a posse do necessário. Se, almejamos um país melhor e um mundo mais fraterno, edifiquemos, desde a mais tenra infância, esses três pilares nos Espíritos que chegam e estão sob nossa responsabilidade de pais. Na roupagem infantil, eles estão mais predispostos a receberem esses ensinos e um dia, teremos um mundo melhor, quando o egoísmo e o orgulho tiverem desaparecidos da face da Terra...

 

 Fonte:

Jornal “O Imortal” – 9/2013

Jane Martins Vilela

+ Pequenas modificações                         

 

Jc.

São Luís, 20/09/2013

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