quarta-feira, 22 de maio de 2013

ONDE ESTÁ DEUS NAS GRANDES TRAGÉDIAS




  A ignorância a respeito das leis que regem a vida dos seres humanos é que leva muitos a pensar que Deus se mantém ausente e indiferente à sorte de suas próprias criaturas.
O jornal O Globo, na sua edição de 11 de janeiro de 2005, republicou texto do colunista William Safire, do New York Times, questionando o Criador a respeito do que aconteceu no Sudeste da Ásia, dizendo textualmente: “Depois do cataclismo, com fotos de pais chorando sobre crianças mortas, atingindo a consciência humana em todo o mundo, surgem questões que abalam a fé; Onde estava Deus? – Por que uma divindade boa e todo-poderosa permite que tanto mal e sofrimentos sobre milhares de inocentes? O que esses seres pequenos fizeram para merecer tamanho sofrimento?”.
Muitos da população da cidade de Santa Maria, também questionam o porquê da tragédia ocorrida na boate Kiss, revoltados com o Criador, por Ele ter permitido a morte de tantos jovens universitários em plena flor da juventude.
O Papa Bento XVI, no discurso proferido na sua viagem apostólica à Polônia, durante a visita ao campo de concentração de Auschwitz, no dia 28 de maio de 2006, também questionou o Criador ao dizer: “Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou?... Num lugar como este faltam palavras, no fundo permanece apenas um silêncio aterrorizado, um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que tolerou tudo isto?...”
Deus está onde sempre esteve; amparando todas as suas criaturas...
Diante das questões levantadas pelo colunista norte-americano, das pessoas da cidade de Santa Maria e do Papa Bento XVI, embora não tendo procuração de Deus, dizemos onde Ele sempre esteve, pois é certo que nunca esteve ausente de Sua obra, e para defender também a Sua imagem de injusto, esclarecemos, inicialmente, que os maiores filósofos e estudiosos da cosmologia e da metafísica dedicaram sua inteligência ao entendimento da figura de Deus, criando a Teodiceia. Dois assuntos dessa ciência foram: a existência e a essência de Deus
Deve-se, porém, a Tomás de Aquino, autor da Summa Theológica, a prova da existência de Deus, baseada nos seguintes argumentos metafísicos assim sintetizados:
1-    Se no mundo existe movimento ou mudança, que caracteriza o vai-e-vem deve existir um motor primeiro que não seja movido por nenhum outro, pois, se tudo fosse movido sem ele, teríamos efeito sem causa;
2-    Há uma causa absolutamente primeira, transcendente às causas em geral; assim, se existem as causas secundárias, deve existir a causa primeira, porque as causas segundas são efeitos;
3-    Nas coisas existem vários graus de perfeição, referentes à beleza, à bondade, à inteligência e à verdade; deve haver então um ser infinitamente perfeito, porque o relativo exige o absoluto;
4-    E ainda, a prova pela ordem do mundo, pela organização complexa do Universo e pelo governo das coisas, tudo devido a uma inteligência ordenadora, superior, absoluta, necessária.
Com base em tais raciocínios, demonstrando ser Deus a Inteligência Suprema do Universo e a Causa Primária de todas as coisas, Sua essência é de natureza espiritual, conforme a resposta dos Espíritos Superiores à questão nº 1 de “O Livro dos Espíritos”. Na Doutrina Espírita, Deus é eterno, é imutável, é imaterial, é único, é onipotente, e, por fim, é soberanamente justo e bom.
Sem aceitar a reencarnação, fica difícil para as pessoas entender.
Infelizmente, embora o colunista William Safire, as pessoas de Santa Maria e o Papa Bento XVI admitam a existência de Deus, fica difícil para eles entender a Sua Justiça, diante dos sofrimentos das vítimas do tsunami na Ásia, dos cerca de 240 jovens desencarnados no incêndio da boate Kiss, e dos mais de um milhão e quinhentas pessoas judias, polacos e russos, exterminados nos campos de Auschwitz, se ignoram ou desconhecem os fundamentos aqui expostos.
Isso acontece porque as filosofias tradicionais e as crenças religiosas, baseadas na hipótese de que o ser humano foi criado para uma única existência na Terra e não conseguem explicar as diferenças individuais entre os seres humanos e os sofrimentos coletivos, e concluem de imediato que Deus é injusto e cruel para com suas criaturas. Entretanto, a solução para esse aparente enigma está na Palingenésia, na lei da reencarnação, a única que pode explicar com lógica as diferenças individuais e coletivas da Humanidade.
Por meio das existências sucessivas, podemos entender perfeitamente o funcionamento da lei de ação e reação, a mesma que age sobre o indivíduo, a família, a nação, as raças, enfim, o conjunto dos habitantes dos vários mundos.

Fonte:                                                                                                          Gerson Simões Monteiro
Jornal “O Imortal” maio/2013
+ pequenas modificações.

Jc.
S. Luís, 15/5/2013

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