domingo, 27 de janeiro de 2013

CIDADANIA ÉTICA



                                              CIDADANIA    ÉTICA

Observamos que o nosso querido Brasil, positivamente, não vai bem. A nosso ver, urge realizar-se alguma ação para combater esse estado de coisas, visando enfrentar essa situação perversa e muito preocupante.

A ética é a metafísica dos costumes, a ciência dos atos humanos em relação ao bem e o mal. Um comportamento antiético não pode nunca deixar de ser um ato condenável, porque indiretamente agride a bondade natural que existe no ser humano e atinge pessoas inocentes. Razão porque a ação antiética quando exercida á nível de governo, como praxe habitual, significa um estado constante de colisão contra o bem comum, contra a felicidade dos cidadãos. E, o que ora vemos, é o contínuo antiético, pois gememos sob o tacão de um governo que não se preocupa realmente com o povo, mas com suas pretensões de continuar no poder.

 O Frei Bento comenta em artigo que o aumento da escolaridade facilita a inserção no mercado de trabalho, apesar do Brasil ter um ensino público de má qualidade e o particular ser de alto custo. O Ministério da Instrução (a educação adquire-se no lar) acha que está tudo bem, a escola faz de conta que ensina, o aluno finge que aprende os níveis de capacitação profissional e cultural são vergonhosos comparados aos outros países emergentes. “Quanto à educação, estão insatisfeitos com a sua qualidade 40% das pessoas que cursam o superior; 59% daquelas que estão no ensino médio; 63% das no ensino fundamental; e 69% dos que estão escolarizados” (livro “A classe média brasileira”, de Amaury de Souza e Bolívar Lamourier). O Frei ainda comenta a descrença na capacidade de o governo e o Judiciário combaterem a criminalidade e a corrupção, fazendo com que a classe média se torne vulnerável aos “salvadores da pátria”, figuras caudilhistas que lhe prometem ação enérgica e punição impiedosa. Essa foi á cultura que fomentou a ascensão de Hitler e Mussolini.

Outro exemplo de falta de ética nos poderes públicos é o que comenta Miriam Leitão (O Globo, 28/02/2010) falando dos empréstimos incríveis que o BNDES concedeu, e que até o presente ninguém contestou. As grandes empresas fizeram 9,7% das operações e ficaram com 83% dos recursos. Há casos espantosos, diz a jornalista. Do frigorífico JBS, o BNDES adquiriu 99,9% das debêntures que a empresa emitiu. O maior empréstimo, porém, foi para o projeto que o Tribunal de Contas da União contestou e desaprovou por irregularidades e o governo manteve: o da refinaria Abreu Lima em Pernambuco, reduto eleitoral dos eleitores “lulinhas”. Sobre esses empréstimos do BNDES, a juros bem abaixo dos de mercado, ao que se saiba ninguém foi para a cadeia. A maior parte desse dinheiro foi emprestada a empresas estrangeiras que não criaram nenhum emprego no País. Esses e outros escândalos que tomamos conhecimento nas edições da revista “Veja”, nos envergonham e nos fazem descrer dos políticos.

 Nessas operações citadas pela repórter, cerca de R$-30 bilhões, escafederam-se. Esse “insignificante valor” equivale a mais de três vezes o que é pago anualmente pelo programa Bolsa Família. Assim sendo, o BNDES criou e o governo mantém uma bolsa família tamanho gigante no Brasil para brasileiros e estrangeiros ricos. Eles, felizes, não sabem como agradecer ao “nosso” presidente, muito preocupado em ajudar os países vizinhos que se aproveitam e exploram, e tão rápido em confortar as tragédias ocorridas lá fora, enquanto esquece as tragédias da nossa gente. Confraterniza-se com certos elementos, não em seu nome apenas, mas em nome da Nação Brasileira, como: Fidel Castro, Hugo Chaves, Mahmoud Ahmadinejad e outros, repudiados por todo o resto do mundo, num retrocesso condenável nas relações internacionais.  Portanto ele é malévolo e prejudicial, e em relação a isso, não podemos permanecer indiferentes, tendo em vista que além de seres humanos, somos também os cidadãos deste País. O Brasil não pertence aos eventuais titulares do poder; pertence a nós, cidadãos e aos nossos descendentes. Por essa razão, somos partes legítimas para protestar contra essa situação lamentável.

Há anos estamos votando, votando... Cada campanha eleitoral é um renascer de esperanças, logo sepultadas pela avalanche das desilusões, seguido de um novo ciclo de campanha, esperanças, desilusões. E não me digam que somos livres para votar e que a culpa é nossa, porque os elegemos, o que não é verdade. Somos obrigados a votar nos candidatos que os partidos nos impõem, e geralmente, eles são sempre os mesmos políticos, apenas mudando de função, sem se preocuparem com os problemas do povo, espertos e fazendo promessas que sabem que não vão cumprir. Na luta contra a imoralidade e degradação dos costumes, contra a corrupção e a impunidade, estamos indefesos, abandonados. Os homens e as mulheres de bem, as pessoas decentes, a infância, a adolescência e os idosos, todos estão ao total desamparo do Poder Público.

Para os corruptos e os degenerados não existe justiça nem censura; apenas louvores. Os códigos de honra viraram letra-morta. Os advogados estão aí defendendo os piores crimes, sem lembrarem nem honrarem o juramento que fizeram; os juizes, acomodados, fazem vista grossa e vão colocando nas ruas os criminosos; os legisladores, irresponsáveis, legislam em causa própria e as autoridades do Poder Executivo e Judiciário, sequer admitem discutir os abusos cometidos, com poucas exceções. Vivemos sob a apologia do homossexualismo, da promiscuidade sexual, a exemplo do Ministério da Saúde que, na falta de idéia melhor, recomenda usar “camisinha”, como se tudo se reduzisse a sexo. Campeia solto o consumo de drogas que, aliado à vida sexual promíscua, está elevando a AIDS a patamares estatísticos assustadores.

A televisão, que por disposição constitucional é uma concessão do Poder Público, que deveria visar unicamente instruir, informar e divertir tem a sua finalidade desvirtuada e passou a ser a promotora da difusão de tudo o que não presta ao lado podre da personalidade de pessoas de má formação moral.  Em apenas duas décadas, conseguiram o prodígio de degradar um povo, com uma lamentável massa de exemplos negativos. Se os nossos antepassados voltassem a Terra, certamente logo a seguir morreriam de vergonha ao verem o mundo em que estamos vivendo.

As telenovelas, na grande maioria, têm terrível poder destrutivo. Não se resumem apenas em apresentar cenas de sexo em horário normal, vão mais longe através dos enredos, das tramas, das mensagens, fazendo a apologia de tudo o que se condena; a vida de ócio, faustosa, fútil, as vaidades, a traição nos negócios e nas amizades, mentiras, furtos, violência, infidelidade conjugal, egoísmo; instilam gota a gota, nas mentes em formação, dos jovens, uma visão e um comportamento social doentio e deformado, introduzindo falsos valores e exemplos negativos, em detrimento dos valores verdadeiros e eternos. Esses constantes exemplos vergonhosos, apresentados dias e noites seguidas, às crianças e aos espíritos dos jovens ainda em formação, terminam por destruir tudo aquilo que os pais tão esperançosamente ensinam aos seus filhos.  E o pior é que essa prática criminosa já é pacificamente aceita por muitos segmentos da própria sociedade nacional.

A música popular, antes agradável e educativa, passou a ser uma manifestação de berros e gritos, agressiva aos bons costumes. Irresponsáveis são os que fazem as letras imorais das músicas, exaltados pelos meios de comunicação de massa, vendendo milhares de músicas, ouvidas todos os dias até por crianças, o que é simplesmente desastrosa só admitida em bordéis. Entre esses compositores e cantores populares, chamados modernos, aquele que faz o mais baixo, mais podre, mais imoral, é sempre o mais vitorioso. Tem mais, quando vamos à banca de revistas, nelas vemos uma variada exposição de revistas pornográficas a quem quiser comprar, sem a menor cautela quanto á faixa etária dos compradores. Aliás, podem ser compradas as mais “pesadas” apenas pelas capas expostas livremente.

Constatamos também nos jornais, diversos anúncios de prostitutas e degenerados  oferecendo seus “serviços”. Tudo isto é veiculado em jornais brasileiros, inclusive os mais tradicionais. Rendem-se ao filão da indecência e da imoralidade, na busca de mais dinheiro para seus bolsos.  Pasmem, agora, essas revistas imorais e esses jornais que propagam a prostituição, todos gozam de benefício fiscal, conforme lhes assegura a Constituição, como se fossem educativos. Além de denegrirem os costumes, o que é crime, são ainda isentos de pagar impostos. Até na propaganda comercial o que se vê na maioria das vezes, é a exploração do sexo. Os anúncios em geral, têm que ter mulher seminua, nádegas expostas, postura provocativa, porque dizem que se não for assim, simplesmente não venderão, porque é isso que o povo quer ver.

Até no teatro, a moda agora é exaltar peças licenciosas, com atores agredindo verbalmente a platéia com vocabulário grosseiro e imoral. O politicamente certo agora é aceitar tudo o que for ofensivo aos bons costumes, pois esta é a moda atual, como já não causa mais escândalo a nudez quase total das mulheres despudoradas que desfilam nas escolas de samba e nos palcos dos programas de TV. Como mais ninguém se rebela contra o exibicionismo dessas infelizes mulheres que são “elevadas” às glórias da vida mundana (ascensão efêmera), são badaladas pela imprensa e logo contratadas para se exibirem nos programas de televisão e nas revistas para homens. Chegam as mulheres ao ponto de se classificarem de “mulher melancia”, “mulher abóbora”, mulher jaca”, só faltam a “mulher sem-vergonha” e a “mulher sem princípios e sem moral”. Essas infelizes criaturas são expostas ao público como vencedoras na vida, e são exemplos negativos para muitas moças, como servem de exemplo aos rapazes, os homossexuais que não se respeitam e outros degenerados, aceitos alegremente em programas de televisão, como pessoas de fina sensibilidade, o que induz à imitação.

Na televisão, que penetra em nossos lares, pontificam muitas mentes sujas que usam as baixarias sem educação como também o falatório imoral ou de sentido indecente embutido. Isto é culpa dos que lhes dão audiência. Ocorre que existem leis proibindo tudo isso. O que não existe é vontade e responsabilidade por parte das chamadas autoridades competentes. Geralmente essas autoridades são omissas e covardes ao não cumprirem as suas obrigações, portanto, coniventes com os crimes contra os costumes e contra a família, expressos no Código Penal Brasileiro. Reza o artigo 221 da Constituição Federal: “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão, atenderão aos seguintes princípios: 1- Preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; 2- Promoção da cultura nacional e regional; 3- Regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme estabelecidas em lei; 4- Respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família” – Portanto, como se vê, por que as autoridades não tomam uma providência contra essa situação? Por que não aplicam os artigos 12, 17 e 19 da Lei 5.250/1967 ou os artigos 233, 234, 286 e 287 do Código Penal?

Ora, todas essas autoridades sabem ler muito bem as leis, e muitos sabem muito bem enquadrar os crimes praticados por pobres, negros e analfabetos que superlotam as cadeias deste País. Entretanto, quando se trata de criminosos ricos, poderosos e marginais de gravatas que freqüentam os palácios, essas mesmas autoridades tornam-se cegas, surdas e mudas para executarem as leis. Por isso, apodrece a nação, decompõe-se a moral da nacionalidade, degrada-se todo um povo. Tudo isso, porém, não é a causa, mas sim os efeitos de uma permanente ação governamental antiética. Sinceramente se instalou e persiste um grave descompasso entre os governos e a sociedade civil, o povo. Quando dizemos governos, no sentido mais amplo, nos referimos ao Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

A nação parece encontrar-se órfã, vive apenas para o dia de hoje, sem nada planejar para o amanhã. Sabemos todos que o futuro constrói-se no presente, e isto não está sendo feito. Tudo que diga respeito ao bem-estar das pessoas, nos campos da educação, da saúde pública, na garantia de segurança, na distribuição da renda nacional, por todos, e não apenas para os políticos e seus apadrinhados, enfim, o que diga respeito a uma sociedade humana e justa, não está sendo feito. Em comparação com o resto do mundo, só amargamos índices negativos; de analfabetismo, de mortandade infantil, de criminalidade, de miséria absoluta, etc. E não se digas que somos pessimistas, negativistas; somos sim, apenas realistas, porque não somos cegos. Vemos tudo isso ao nosso redor, acontecendo...

Afinal, que Brasil é este?  Uma parte da população vegeta na mais degradante miséria, sem alimentação e higiene; outra parte, milagrosamente sobrevivendo ma mais dura pobreza, sem horizonte, sem perspectiva de melhoria social; outra mais, constituindo uma angustiante classe média espoliada pelos impostos, sustentando o país e principalmente os patriopanças políticos. Na parte final estão os empresários,  os funcionários públicos e os políticos e integrantes dos três poderes, que são os mais privilegiados do povo.

Como se concebe um país tão grande, maior que todo o continente europeu, possuidor de tantas riquezas naturais nos reinos animal, vegetal e mineral, sem desertos nem vastidões geladas, livre de flagelos da Natureza, como vulcões, terremotos, ciclones, etc., com terra dadivosa, tamanha costa marítima repleta de peixes, e mesmo assim, na abundância de tantos bens, se dê ao desplante de abrigar em seu seio, populações tão carentes, tão necessitadas do mais elementar? Não temos guerras, pois vivemos em paz com nossos vizinhos e com o mundo. Com certeza Deus na Sua infinita bondade, também não nos fulminou com nenhuma maldição. Entretanto, mesmo assim, somos um país muito pobre e sem rumo. Essa situação, não podemos acusar  ninguém, senão àqueles que nos governaram e governam, as chamadas classes dirigentes, as elites políticas, constituídas na maioria de indivíduos insensíveis, materialistas, ambiciosos, corruptos, incompetentes, que sempre trabalham com um comportamento extremadamente antiético, egoísta e sem patriotismo.

Devemos nos acautelar para não transmitir uma impressão radicalmente negativista e contrária a tudo. Reconhecemos que há autoridades éticas, principalmente as mais jovens, competentes e bem intencionadas, em todos os setores e graus hierárquicos da Administração Pública. Porém, são como gotas num rio. Essas autoridades de responsabilidade e elevada moral não conseguem reverter o processo degenerativo da grave doença que domina o organismo nacional, porque é minoria. Entretanto, estamos vendo surgir novas lideranças constituídas de espíritos evoluídos que substituirão os detentores do poder, trazendo, segundo o Determinismo Divino, novas esperanças e felicidade para este Brasil e sua tão sofrida população.

O médico e orador espírita Alberto Almeida, paraense, em palestra em São Luis, nos disse o seguinte: “No mundo, existem 40% de pessoas voltadas para o bem; 40% de pessoas voltadas para o mal, e 20% de pessoas que se deixam levar para o lado que fizer mais alarde. Como sabemos que as coisas más, são as que mais recebem destaque, fica então difíceis reverter essa situação.” – Certamente, alguns irmãos ficarão a pensar, como poderemos colaborar para reverter essa situação e tornar este mundo menos hostil, sofredor e infeliz? Como viver e proceder numa situação como a que estamos vivenciando? Respondemos: Acima de tudo, devemos ter confiança na Providência Divina, que rege o Universo e que dá a cada um, segundo o seu merecimento. Segundo, estamos vivendo uma era de convulsões e transformações, e para que o mundo possa melhorar, é necessário primeiro que os seus habitantes, que somos nós, nos modifiquemos também, praticando nossas boas ações, dentro dos postulados deixados por Jesus, contidos nos Evangelhos. Uma coisa é conseqüência da outra. Façamos a nossa parte com boa-vontade, caridade e amor, certos de que estamos cumprindo com o nosso dever e deixando a Deus, que preside os acontecimentos, a edificação do Seu Reino de Paz e Amor, na Terra.  Paulo, a respeito desse assunto, já nos advertia sobre o que o mundo nos oferece, quando disse: “Tudo me é lícito (isto é; tudo eu posso, pensar, falar e fazer), porém, nem tudo me convêm, para meu próprio bem”.

O estudo da Doutrina dos Espíritos aponta-nos a verdadeira causa das crises, dos escândalos e das misérias sociais: a ignorância e o egoísmo que impera na sociedade, apoiada pela filosofia materialista de apenas uma existência e a visão incompleta de nascer, viver e morrer, sem o conhecimento de que a vida continua após o túmulo, e é lá na espiritualidade, que vamos responder por todas as ações negativas praticadas durante a existência terrena. Exercer a nossa cidadania ética, policiando o que vemos, ouvimos; os nossos pensamentos, palavras e atos, são nossas obrigações diárias, para que possamos merecer a proteção do nosso Pai Celestial. A nossa melhora moral, na existência, através da cidadania ética, possibilitará a melhora de nossa convivência no lar, e vai influir positivamente no nosso relacionamento com as demais pessoas.

Se antes os valores éticos deveriam nortear as relações humanas em busca do bem comum, na Ética Cristã, a finalidade da prática dos valores nobres é encaminhar as pessoas para Deus, supremo Juiz das ações humanas. A certeza de que estamos todos sempre amparados pelo Pai Celestial, nas trás uma serenidade e nos dá a força necessária para conviver com todas essas situações infelizes, sem nos envolvermos, em busca de nosso crescimento espiritual, na luta de cada dia.


Do alto do monte, tomado de tristeza pelas desventuras humanas, Jesus ensinava às multidões; e a todos, Ele recomendava “resignação na adversidade, mansidão nas lutas da existência, misericórdia no meio da tirania, e, higiene de coração, para que pudessem ver a Deus...” Renovados moralmente, contribuiremos para a nossa melhora, dos nossos próximos, àqueles que mais próximos de nós se encontram, e de toda a Humanidade...


Que o Senhor nos proporcione a força necessária para enfrentarmos essa fase, e também para trabalharmos a nossa evolução espiritual, com ética e moralidade.



Bibliografia:
Frei Bento
Miriam Leitão
 Dr. Alberto Almeida
Livro “Ética e Trabalho”


Jc.
S. Luis, 15/8/1997
Revisado em 27/01/2013





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