sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O ENSINO RELIGIOSO

O ENSINO RELIGIOSO Os povos da mais remota antiguidade alimentavam idéias as mais absurdas no tocante à existência de determinadas coisas; as árvores eram tidas na conta de criaturas mudas; o fogo era considerado como se fosse um animal selvagem, que feria quando tocado. Árvores bonitas eram tidas na conta de criaturas boas, porque produziam bons frutos, e outras árvores carrancudas, eram consideradas de má formação, porque produziam frutos danosos à saúde dos seres humanos. Eles dedicavam orações às árvores e muitas delas eram enfeitadas, sempre que produziam muitos frutos. O Sol era visto como imenso astro que liberava sua luz quando estava de bom humor, mas a negava quando estava zangado. A Terra era considerada como descomunal monstro adormecido, que poderia acordar e destruir tudo. Nessa época, prevalecia profundo atraso material, moral e espiritual. Desconheciam que tivessem uma alma, um ser pensante que tomava deliberações, que pensava, agia e construía. Sacrificavam-se animais e seres humanos com o objetivo de acalmar a fúria dos deuses ou para agradá-los. Com o progresso da Humanidade, surgiram outras formas de religiosidade. A Mitologia, o Deísmo, o Panteísmo, o Teísmo, nas suas formas: Monoteísmo e Politeísmo. A religião, conjunto de crenças, leis e rituais que dizem respeito a um Ser considerado pelo homem, como Supremo; do qual se julga dependente e com o qual pode até entrar em relação, passou então a ser o novo meio pelo qual o homem reverenciava a Divindade. Dividida posteriormente, em diversos segmentos, surgiram as seguintes religiões: RELIGIÕES DE INTEGRAÇÃO – Foram as religiões dos povos primitivos, cuja organização não ia além da forma tribal. A vivência desses povos esgotava-se nas suas exigências imediatas de sobrevivência. Como exemplo: A fecundidade e a reprodução da mulher; a reprodução da caça e as colheitas que os alimentavam. Esta foi á religião dos povos primitivos, dos antigos asiáticos, dos ameríndios, etc. RELIGIÕES DE SERVIDÃO – Nestas, os deuses aparecem como grandes senhores do céu, da terra e das regiões inferiores, aos quais os homens deviam servir e homenagear, em troca de benefícios imediatos. (Vide seriado da TV “Hércules”). Estas foram religiões de povos de cultura mais desenvolvidas, com uma boa agricultura e princípios de urbanização. Estas culturas imprimiram nas relações entre os homens e as divindades, um sistema servil, criando com o tempo, um distanciamento entre o povo simples e os deuses, amparados pelo Estado e promovidos por um sacerdócio hierárquico. Esta foi á religião do antigo Egito, da Mesopotâmia, dos antigos gregos, dos romanos, do antigo Japão, dos astecas, maias e incas. RELIGIÕES DE LIBERTAÇÃO - Nestas, o ser humano encontra-se numa situação de desgraça, de dor ou de castigo. A religião então serve para libertá-lo. As causas desta situação ruim e as maneiras e os meios para sair dela, são apresentadas de diversas formas, conforme as idéias que se têm em relação ao mundo, e às atitudes que o homem pode e deve tomar para a sua existência presente e sua sobrevivência no além. O Hinduísmo, o Budismo, o Confucionismo, a Igreja Messiânica Mundial, o Gnosticismo, pertencem a este tipo de religião. RELIGIÕES DE SALVAÇÃO – Os fundamentos destas religiões são: l- A existência de um Deus único, santo e misericordioso. 2- O ser humano se encontra no pecado, pela desobediência a preceitos divinos e também por opção contrária à ordem moral estabelecida por Deus. 3- A alma do ser humano é imortal; portanto, cada um terá uma vida no além, que será feliz ou infeliz, em conseqüência da opção de vida no bem ou no mal. Deus sendo misericordioso, perdoa e reabilita o pecador que se arrepende. São chamadas religiões de “salvação”, porque não é o homem que se justifica perante Deus, mas é o próprio Deus que quer a reabilitação do homem, que se converte e se livra de seus pecados. Estão entre estas religiões: O Islamismo, o Judaísmo, e o Cristianismo. O ISLAMISMO – Tem seis grupos de seguidores: Os árabes, os muçulmanos, os turcos, os iranianos, os paquistaneses e os malaios e indonésios. O fundador do Islamismo foi Muhammad ou Maomé, que era árabe. O Corão, livro sagrado, foi escrito em língua árabe; como nada desse livro pode ser modificado, ele é difundido nessa língua. Outro elemento que justifica a primazia árabe é o fato de Meca, a cidade sagrada, encontrar-se em território árabe. São seis os elementos que compõem a base do Islamismo: 1- Crença em Deus, chamado por eles de Alá, que é único; 2- Crença nos anjos, auxiliares de Alá; 3- Os Livros Sagrados; 4- Os Profetas; 5- O julgamento, após a morte; 6- A Moral, representada pela fé em Alá, pela oração, pela caridade, pelo jejum e pela peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na existência. O HEBRAÍSMO OU JUDAISMO – Religião de Israel baseia-se em três elementos fundamentais na vida dos judeus. 1- Deus existe; 2- Existe um povo; 3- Existe uma aliança de Deus com seu povo. Este Deus fez uma escolha especial do povo hebreu (?), com a finalidade de preparar a vinda do Messias, por ser o único povo monoteísta naquela época, isto é: que acreditava em um só Deus. A história desse povo está contida nas Sagradas Escrituras, que se compõem pelos cinco livros da Bíblia, que são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. O conjunto desses livros é chamado de Torá. Um fato sobre o Judaísmo é que, nascido entre os judeus, Jesus é reconhecido por todos os cristãos de todo o mundo, como sendo o Messias anunciado pelos profetas, porém, repudiado pelos hebreus, hoje judeus, que esperavam um rei poderoso, que os livrasse do jugo romano, e lhes daria a supremacia sobre todos os povos da Terra. Como apareceu um enviado, nascido em extrema pobreza, humilde, falando de “dar a César o que era de César” (isto é: concordando com o pagamento do imposto ao dominador), e ainda falando de “amar aos inimigos”, eles não o aceitaram como o Messias, movidos pela vaidade e orgulho, o crucificaram e ainda esperam até hoje, pela vinda do filho de Deus. Com o passar dos tempos, a “Revelação de Deus”, recebida por Moysés no Monte Sinai, que são “Os Dez Mandamentos”, ficou relegada a segundo plano, substituída que foi pelas formas ritualísticas e dogmáticas criadas pelos judeus. As manifestações da vida religiosa dos judeus são as seguintes: 1- A oração que é feita três vezes ao dia; 2- A observância do sábado: 3- As festas religiosas, sendo as mais importantes: A Páscoa, que lembra a saída da escravidão do Egito; Pentecostes, para lembrar a aliança de Deus com seu povo, na entrega das Tábuas da Lei (Decálogo); Tabernáculos, que lembra a peregrinação pelo deserto. Existem ainda, a circuncisão, efetuada em meninos, após 8 dias de nascidos, para fazer parte da aliança com Deus; a iniciação, que é realizada aos rapazes quando alcançam 13 anos, passando por uma serie de cerimônias; o casamento, que só pode ser realizado entre eles, ou seja, não podem se casar com pessoas de outros povos, bem como, seus mortos são enterrados somente em cemitérios exclusivos de judeus. O CRISTIANISMO – É a religião da quase totalidade dos povos ocidentais. Não se preocupa somente com a salvação depois da existência. A finalidade dela é a construção do Reino de Deus (reino de justiça, de misericórdia, de paz, de fraternidade e de amor) que já começa neste mundo e que depois terá seu complemento no Reino dos Céus. Seu mandamento maior proclamado por Jesus é: “O Amor a Deus sobre todas as coisas”, complementado com outro que diz: “Ama ao teu próximo como a ti mesmo.” O Cristianismo surgiu na Judéia, com Jesus de Nazaré, que durante três anos, pregou ao povo judeu e aos samaritanos, o advento do “Reino de Deus”. A grande novidade de sua pregação estava no anúncio do “Reino de Deus”, esperado para o fim dos tempos, e nas “Bem-aventuranças” a todos os necessitados. Apresentado ao povo, por João Batista como o “Messias Prometido”, não no sentido político, mas altamente moral e religioso. Após sua partida, seus ensinamentos continuaram a ser pregados pelos seus apóstolos e, muitos anos depois, foram escritos muitos evangelhos sobre sua existência e seus ensinamentos, permanecendo até nossos dias, somente os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Aconteceu, porém, que seus ensinos, dada às diversas interpretações, levaram a divisões. Assim, foram criadas diversas correntes que, apesar de suas diferenças, têm a mesma fé em Cristo e no Deus único. Fazem parte do Cristianismo, as religiões: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Ortodoxa, Igrejas Protestantes, Igrejas Pentecostais, Doutrina dos Espíritos (Espiritismo), e as religiões Afro-Brasileiras, tais como a Umbanda, O Candomblé. Dentre estas, O Espiritismo é considerado uma religião Espiritualista, pelo fato dessa religião ter seus fundamentos nas orientações dos Espíritos. Destas, vamos comentar alguns aspectos da Igreja Católica Apostólica Romana, das Igrejas Protestantes e também sobre a Doutrina dos Espíritos. Igreja Católica Apostólica Romana – É a religião definida pelos seguintes fundamentos: 1- Católica, que quer significar universal, porque tende a estender-se a todos os seres humanos; 2- Apostólica, porque se diz derivada diretamente dos apóstolos, como poderia ser também uma continuação dos sacerdotes fariseus, saduceus e anciãos da época de Jesus; 3- Romana, porque é dirigida pelo Papa, que se diz vigário de Cristo, tendo seu governo no Vaticano, na cidade de Roma. A sua organização é constituída de um dirigente máximo, denominado de Sumo-pontífice ou Papa, seguido pelos cardeais, bispos, arcebispos, padres, freiras, seminaristas e noviças. Realiza seus cultos e missas em vários lugares e seus sacramentos são: Batismo, crisma, confissões, penitências, eucaristia, casamentos, unção e extrema-unção aos que estão por falecer. Segue os ensinamentos de Jesus, porém dando mais importância aos dogmas introduzidos, aos formalismos criados e aos rituais litúrgicos. Adotam imagens, descumprindo o 1º mandamento da Lei de Deus, contida nos “Dez Mandamentos”. Igrejas Protestantes – Foram criadas pelas reformas de alguns religiosos católicos descontentes com a decadência da Igreja Católica no período de 1350/1550, em função do ressurgimento do espírito pagão, e na demasiada riqueza e poder do clero, com a conseqüente depravação dos costumes e da miséria do povo. Os protagonistas dessa reforma protestante, porque protestavam contra Roma, foram: Martinho Lutero, monge agostiniano, que havia publicado 95 teses contra a venda de indulgências pela Igreja, na Alemanha; Calvino, na Suíça e França, e Henrique VIII, na Inglaterra. Depois que Lutero se rebelou contra Roma, casou-se e instigou os cidadãos que viviam na miséria, a saques a igrejas, conventos e castelos. A doutrina criada por Lutero afirma que: 1- A natureza humana é corrompida e nem o batismo nem as boas obras conseguem melhorar o homem; 2- O que justifica o homem é a fé e não as obras; 3-A única norma de conduta é a Bíblia, e cada um pode interpretar como quiser; 4- A verdadeira igreja é a invisível, e não a visível com a hierarquia de papas, bispos, sacramentos, liturgias, etc. O luteranisno ou protestantismo difundiu-se mais por vontade dos reis e príncipes e não por vontade do povo, pelo fato deles quererem se apossar dos bens das igrejas, como palácios, castelos, propriedades e terrenos. Hoje, existem muitas religiões protestantes e pentecostais, como: Batistas, Presbiterianos, Assembléia de Deus, Metodistas, Adventistas, Testemunhas de Jeová, Mórmons, Exército da Salvação, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Os Meninos de Deus, Igreja Brasil para Cristo, Igreja Universal do Reino de Deus, e muitas outras que surgem a cada dia. Cada pastor que se indispõe contra a igreja a qual está vinculado ou por desejo de querer a sua própria igreja, cria outra, daí a proliferação de religiões protestantes de todos os tipos e gostos e para todos os fins. RELIGIÃO ESPIRITUALISTA – Doutrina dos Espíritos (Espiritismo) Surgiu como religião após as manifestações, tidas como espíritas, terem se efetuado na América do Norte, com as irmãs Fox. Entretanto foi na França, centro das atenções do mundo, por causa da legenda “Fraternidade, Liberdade e Igualdade”, que surgiu a figura do ilustre professor Hippolyte Leon Denizard Rivail, que observou e estudou os fenômenos das “mesas falantes” e reuniu os princípios essenciais, ditados pelos Espíritos Superiores, formando um corpo doutrinário a que denominou de “Espiritismo”, no seu tríplice aspecto de Ciências, Filosofia e Religião. Ao publicar em 18 de abril de 1857, o primeiro livro da Codificação, com o título de “O Livro dos Espíritos”, o professor Hippolyte o fez usando o pseudônimo de Allan Kardec, para que não fosse á obra reconhecida como sua, mas dos Espíritos. As leis básicas da Doutrina dos Espíritos, estão reunidas nesse livro e nas obras complementares que são: “O Livro dos Médiuns”, publicado em 1861; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em l864; ‘O Céu e o Inferno”, em l865; e ‘A Gênese” publicado em 1868. Os postulados fundamentais da Doutrina dos Espíritos são: 1- A existência de Deus, como inteligência suprema, criador do universo e de todos os seres e coisas; 2- A existência de Jesus guia e protetor espiritual da Terra; 3- A existência do espírito envolvido pelo perispírito que, quando encarnado, tem o nome de alma; 4- A comunicação dos espíritos com os seres humanos, e destes para com os espíritos; 5- A crença na reencarnação, através das qual o espírito vai evoluindo; 6- A crença no Livre-arbítrio, que determina o destino do espírito de acordo com seus atos; 7- A crença na pluralidade dos mundos habitados, atrasados e evoluídos. Com o surgimento da Doutrina, os princípios espíritas foram sendo conhecidos em diversos países, inclusive no Brasil, surgindo então os primeiros Centros Espíritas. Com o aparecimento da primeira obra psicografada por Francisco Candido Xavier, em 1932, com o título “Parnaso de Além-Túmulo”, o Brasil viu o movimento espírita crescer, graças a formação evangélica do povo. Então novas obras literárias espíritas foram surgindo através do “Chico Xavier”, e novos Centros Espíritas foram sendo criados, inclusive, com serviços de assistências social, o que acontece até os nossos dias. A Doutrina dos Espíritos, como ciência, trata da natureza, origem e destino dos humanos e espíritos, e suas relações com o mundo corporal; como filosofia, explica as conseqüências dessas relações e dos ensinamentos de Jesus, a luz dos esclarecimentos dos Espíritos; como religião, religa a criatura ao seu Criador, através do conhecimento e do cumprimento das Leis Divinas, encaminhando-a ao progresso e à evolução espiritual. É necessário ainda que se diga que a Doutrina dos Espíritos não adota símbolos, sacerdócio organizado, vestes especiais, vinho, incenso, altares, imagens, velas, talismãs, amuletos e quadros de santos; não aceita adivinhações por cartas, búzios, tarô, bola de cristal; não recebe o espírita, pagamento por qualquer benefício que possa fazer ao próximo, não promove casamentos, sacramentos, concessão de perdão, remissão de pecados (atributos estes somente de Deus, visto que não deu procuração a nenhum ser humano), nem promete o céu ou o inferno a qualquer pessoa. A desinformação de grande parte da sociedade, por falta de conhecimento ou estudo da Doutrina dos Espíritos, tem dado lugar a ditos curiosos, como os seguintes: “Espiritismo de Terreiro”, quando querem se referir aos rituais da Umbanda, dos antigos escravos e seus descendentes, trazidos para o Brasil, alguns séculos antes da Codificação do Espiritismo, que surgiu em 1857; “Baixo Espiritismo”, quando querem designar uma prática puramente espiritual, voltada para fazer o mal, executada pela Quimbanda; “Espiritismo de Mesa Branca”, ou “Alto Espiritismo”, quando se referem a uma prática mediúnica, voltada para o bem, praticada pela Doutrina dos Espíritos. A exemplo de Jesus, dos apóstolos e de Paulo de Tarso, o espírita não vive às custas da religião que segue e pratica, nem recebe qualquer vantagem material, pelo passe, pela prece, pela água fluidifica e pela assistência espiritual praticada. Cremos que para o bom entendimento da Doutrina dos Espíritos, precisamos exercer o auxílio consolador, a caridade fraterna, o intercâmbio com os que estão na Espiritualidade, e a pregação moralista e evangélica; porém, se não ajudar o ser humano a tomar uma nova consciência de si mesmo, rompendo com os vícios e defeitos existentes, ficará falho e inconsistente o trabalho desenvolvido. A esta operação, o discípulo dos gentios, chamou: “A substituição da velha pessoa, pela nova pessoa renovada” e acrescentou ainda: “Os que procuram seguir Jesus, se tornam novas criaturas”. Finalizando este artigo, recordo as instruções do “Espírito de Verdade” sobre o Espiritismo, contidas no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, que diz: “O Espiritismo, como antigamente minha palavra, deve lembrar aos incrédulos, que acima deles reina a verdade imutável: O Bom Deus. – Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Amai e orai; sêde dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo do coração e então, Ele vos enviará Seu filho bem-amado para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: - Eis-me aqui, venho a vós porque me chamastes”. Que a Paz do Senhor, esteja em nossos corações. Bibliografia: “Novo Testamento” “Evangelho Segundo o Espiritismo” Acréscimos diversos. Jc. S.Luis, l7/5/l999. Revisado em 28/12/2012

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