segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A FAMÍLIA E OS ADOLESCENTES

A FAMÍLIA E OS ADOLESCENTES Os pais, os filhos e os parentes constituem a família consangüínea. Emmanuel, falando da família nos esclarece dizendo: “De todas as instituições existentes na Terra, nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regeneradora, do que a constituição da família. Temos no instituto doméstico, uma organização de origem divina, em cujo seio encontram-se os instrumentos necessários ao nosso aprimoramento espiritual, para a edificação de um mundo melhor.” Viver em família significa vivenciar os sonhos, as esperanças, as árduas tarefas, as lutas, os sofrimentos e as alegrias, as tradições morais elevadas, que se alicerçam no grupo doméstico, onde crescem as nobres expressões de elevação espiritual. Entretanto, na atualidade, observamos crise na instituição familiar. Uniões entre homens e mulheres, se realizam irresponsavelmente a todo dia e, mais depressa ainda se desmancham. Atrás, ficam os filhos, as grandes vítimas; muitos se tornam filhos-problemas. Isto porque a família está sendo relegada para segundo plano. O pai moderno, muitas das vezes, aflito e angustiado, passa a existência inteira correndo atrás de garantir o futuro, se esquecendo de viver o presente. Na luta para edificar esse futuro (que pertence a Deus), ele se torna um homem ocupado, sem tempo para a família e os filhos, envolvido que está em várias atividades. Para conseguir o necessário e também o supérfluo ele tem mais de uma atividade; em vez de desfrutar a companhia dos familiares, vende as férias que deveria gozar; arranja outras motivações para ocupar o tempo que deveria dedicar a brincar ou passear com os filhos, ficando aqueles que ele colocou no mundo e a sua companheira esquecidos e abandonados. A mulher-mãe, por seu turno, tem relegado e transferido a outras pessoas, com exceções, a tarefa importante da educação dos seus filhos. Ficam as crianças, às vezes, entregues as mãos de estranhas ou de parentes que já estão sobrecarregados com seus próprios problemas, quando não passam essa tarefa, aos idosos, sem maiores condições de atender as crianças. Outras mães deixam de cuidar dos filhos, para se ocuparem com frivolidades; tais como: a vida dos outros, o que vestem ou o que fazem; assistir as novelas; comentar com amigas as ocorrências diárias. Outras mais procuram outra ocupação por não quererem assumir os sacrifícios de mãe, mesmo que os filhos fiquem carentes de afeto e cuidados maternos. Certa vez, uma criança ao ser interrogada acerca do que gostaria de ganhar de presente, no seu aniversário, respondeu: “Quero uma mãe!” – Disseram-lhe: “mas você tem uma mãe, por que quer outra?” – A criança voltou a responder: - “É que a mãe que eu tenho, não liga pra mim e está sempre fora de casa.” – Era o desabafo de uma criança, retratando a sua dura realidade. O que se questiona aqui é a responsabilidade dos pais para com os filhos; o compromisso de ampará-los e educá-los com respeito e amor, e, principalmente com exemplos edificantes; e não apenas possibilitar a instrução e a manutenção material. Existem filhos de pais vivos, pela falta de convívio de pai e mãe, onde a família se desagrega, sem diálogo e sem amor. Carinho dos pais pode ser substituído? Talvez, porém a educação que deixarem de dar a eles vai refletir na existência futura deles, assim como o tempo que lhes negaram. Então é recomendável acompanhar seus progressos na escola, ouçam suas dúvidas, sejam seus confidentes. Falem dos ensinamentos de Jesus e lhes ensinem a fazer uma oração diária. Dêem-se a eles e realizem a tarefa de conduzir para o bem, essas almas que Deus as confiou, como seus filhos. É preciso que os pais escutem e conversem mais cordialmente com seus filhos, no clima de harmonia que deve existir no lar, e nunca adiar essas conversas para os tempos de desastres (filhas engravidadas, meninos praticando pequenos delitos, jovens envolvidos em gangues, fumantes e viciados em drogas). Pois, se assim fizerem, não lhes dando oportunidades, mais tarde vão assumir atitudes atormentadas, quando os filhos ou filhas estiverem em dificuldades ou enfrentarem problemas íntimos, para cuja solução, os pais não os prepararam. Os filhos, por sua vez, também foram se libertando da educação rígida e autoritária de outros tempos. O tratamento de “senhor” foi mudado para “você”, “velho” ou pior. Hoje são raros os que ainda conservam o tratamento anterior dedicado aos pais. Por outro lado os pais estão reclamando dos excessos de liberdade que eles deram aos jovens sem a devida responsabilidade, e aí ficam sem saber o que fazer e o que é pior; o excesso de liberdade ou a repressão? O ideal seria uma boa conversa e o meio termo. As crianças precisam de harmonia, carinho e paz. Um ambiente de queixas, insatisfações, brigas e negativismo, criam nas crianças muitos problemas de saúde, morais e psíquicos, que perdurarão por toda a existência, isto porque, sendo elas muito dependentes, sofrem com muita facilidade os desajustes dos pais. Você, pai ou mãe, filho ou filha, já se perguntou se não está contribuindo para piorar o ambiente familiar? Acha que a culpa é sempre dos outros? Se você pensa assim, saiba que qualquer reclamação só vai fazer piorar o que já não está bom. Conscientizem-se de que todos merecem desfrutar de paz, e o lar, é o abrigo e refúgio no mundo, e por isso precisa ser mantido com o que tiver de melhor. Muitos se controlam em outros lugares, na presença de outras pessoas, deixando para despejar todo o seu fel, dentro de casa. Mesmo nos momentos dos problemas mais difíceis, é preferível fazer uma oração, pedir e confiar em Deus, entregando o que não depende mais de nós, e veremos que com fé, as coisas começam a melhorar. É comum escutarmos pessoas referindo-se aos filhos, alunos ou jovens, com quem se relacionam, usarem a expressão “aborrecentes”, para indicar que eles estão passando pela fase da adolescência, período de existência agitada e muito contestada, pouco compreendida e geradora de conflitos e aborrecimentos para todos. Emmanuel, mentor espiritual de Chico Xavier, afirmou sobre o assunto, o seguinte: “A juventude pode ser comparada à saída esperançosa de um barco em viagem importante. A infância foi à preparação, a juventude é a viagem, e a chegada ao destino será a velhice. Todas as fases da viagem precisam de lições de “marinheiros experientes”, para se aprender a organizar, velejar e terminar a viagem com êxito”. A mente do adolescente está entre uma ética moral transmitida pelos mais velhos e a que adquire e desenvolve por si mesmo. Ele está em fase de transição, período caracterizado por transformações biológicas, comportamentais, morais e sociais, em busca de uma definição do seu papel na sociedade, determinado pelos padrões culturais do ambiente e meio em que vive. Afinal, o que é a adolescência? Quando começa e quanto tempo dura? Por que temos tantas dificuldades de lidar com ela, se nós já fomos também adolescentes? – O período da adolescência geralmente inicia-se aos 10 anos e seu término é aos 25 anos. O término, caracteriza-se quando a pessoa atinge a “maturidade moral emocional e social, entendida como sendo a condição de assumir as atitudes e responsabilidades da existência adulta. Entretanto, algumas pessoas envelhecem sem ter cumprido a tarefa de definir sua individualidade e assumir a responsabilidade dessa condição. São pessoas que crescem biologicamente, mas não em emoções e sentimentos. Mesmo assim, assumem compromissos de pessoas adultas; casam-se, têm filhos. Quando, dessas pessoas, se espera “marinheiros experientes”, como disse Emmanuel, para ajudar os filhos adolescentes a se organizarem, revelam a própria incapacidade como modelo de comportamento. Para esses filhos, é lamentável a adolescência permanente daquele que ocupa a posição de pai ou mãe. A criança de hoje, ainda no começo dos estudos, recebe mais informações do que um sábio da Idade Média; seja no lar, na escola, nos meios de comunicação, em todos os lugares. Nas últimas décadas, após o aparecimento da televisão e da Internet acelerou-se, como em nenhuma época da História, o amadurecimento mental das crianças e adolescentes. Esse amadurecimento precoce, trás direitos e deveres que nem sempre eles estão preparados para exercer. A juventude conquistou então mais liberdade e com essa abertura, muitos jovens não souberam lidar com essa situação nova e exageraram, sobretudo com relação à liberdade sexual, o uso e abuso de bebidas alcoólicas e até de drogas. Com o tempo, os jovens se dividiram entre aqueles sem conhecimentos e maior liberdade sexual, guiados pelos instintos, e os que estão mais preocupados em estabelecer relações afetivas estáveis, apoiados no sentimento de amor com respeito. Na relação sexual promíscua ou com vários parceiros, além de ser um comportamento anormal e imoral, que degrada a criatura humana, ainda provoca a incidência e a transmissão de doenças contagiosas, que representam um grande fator de risco, visto que a cada dia é grande número de jovens infectados com; cancros, tuberculose, neuroses, câncer e aids que lotam os hospitais, muitos já em fase terminal, sabendo e apenas esperando a morte, quando poderiam estar ainda saudáveis e felizes. Muitos jovens, não sabendo os perigos das bebidas alcoólicas, algumas derivadas do vinho, usado pelos antigos como remédio e tônico fortificante, (Jesus usava como alimento, e os gaúchos usam como alimento e tônico que lhes dá calor contra o frio), esses jovens iniciam-se no uso das bebidas começando pela cerveja, não avaliando o poder desagregador e o mal que elas fazem no relacionamento no lar, pelos efeitos danosos causados ao organismo, que chegam a provocar acidentes fatais, e as conseqüências sofridas pelos familiares, quando estes já se tornaram alcoólatras. Muitos desses adolescentes morrem em acidentes de carro ou estão hoje em prisões e hospitais, levados pelo consumo dessas bebidas. Outros jovens, julgando-se senhores de si, experimentam certos tipos de tóxicos sob a influência de “colegas”, acreditando que em qualquer tempo que quiserem, poderão deixar de ser usuários, não percebendo a gravidade que representa essa atitude, e, desconhecendo que uma vez, iniciados, tornar-se-ão viciados e dependentes, sendo quase impossível sair dessa dependência. Começam eles pelo cigarro, que é apresentado como aquele que dá destaque, charme, valor, independência e status. Ao usar o cigarro, o fumante introduz, voluntariamente, em seu organismo, 4.720 substâncias tóxicas. Para melhor compreensão do assunto, damos alguns dados do Ministério da Saúde: Doenças causadas pelo cigarro; crises de asma, pressão alta, tosse constante, irritação de vários órgãos, dores de cabeça, bronquites, úlceras do estômago, enfisema, câncer em vários órgãos, infarto do coração, derrame cerebral. Conseqüências; adoecem com mais facilidade, menor resistência física, poluição do ar e das pessoas em ambientes fechados, defeitos congênitos em bebês de mulheres grávidas, uma em cada cinco mortes, pelo uso do tabaco. Natureza do cigarro; os fornos que secam as folhas do fumo usam lenha, e a cada 15 maços de cigarros, uma árvore é destruída, causando uma devastação em florestas; a plantação exige o uso de agrotóxicos que poluem o solo, a água e os rios. Depois do cigarro, vem á maconha, mais popular, a heroína, a que mais rápido vicia, a cocaína, de efeito devastador e o crack, que é produzido da cocaína contendo éter. Destes outros tóxicos, nem precisamos falar dos males que causam, porque a televisão nos mostra sempre os dramas humanos, causados por essas drogas, no organismo. Em qualquer destas situações, a tristeza e o sofrimento é grande quando os pais se defrontam com um filho ou uma filha, que às vezes, esquecidos e abandonados pelos genitores, busca na bebida e na droga, a companhia, o afeto ou o alívio para algum problema, tristeza, angústia e depressão. Os filhos, por sua vez, quando desprezam as orientações e conselhos dos pais e se voltam para os vícios, criam para si mesmos e os pais, na atual existência e nas futuras, tormentos, angústias e sofrimentos que poderiam ser evitados. Há ocasiões em que os pais se questionam sobre as lições transmitidas aos filhos: - De que adiantou tudo o que ensinamos ? - Para que tivemos tanto trabalho e tanto sacrifício? Referem-se eles, a filhos que lhes acarretam muitos problemas e maiores incertezas. Rapazes e moças que, no conflito de gerações, demonstram nada terem assimilado das lições recebidas no lar e na escola, durante anos de dedicação. É sempre oportuno lembrar que os pais devem ser os amigos mais íntimos e sinceros dos seus filhos, e ainda são os responsáveis perante Deus, pelos filhos que lhes foram confiados. O verdadeiro amor que deve existir, não isenta ninguém da luta de cada dia, fornecendo recursos e criando situações que somadas levam à vitória. Se quisermos mostrar valores novos e eternos, instruir e orientar devemos aproveitar todas as oportunidades; porém estejamos atentos para não exigir deles, mais do que podem dar no momento evolutivo em que estão vivendo. É nosso dever amparar nossos filhos em todos os níveis, contudo, não podemos tirar-lhes as valorosas experiências do esforço e da realização. Indiquemos o caminho, mas acima de tudo, caminhemos ao lado deles, dando-lhes os exemplos positivos para que se mire em nós e nos ensinamentos de Jesus. Hoje, graças a Doutrina dos Espíritos, temos conhecimento suficiente para ver nossos queridos filhos como espíritos imortais, com fraquezas, anseios, tentações, lutando contra todas essas imperfeições, para crescer e evoluir. Outras vezes, esses espíritos colocados em nosso teto como filhos, têm maior aprimoramento e evolução do que nós, podendo também nos ensinar e orientar. Um dia, a sementeira que realizamos brotará, talvez, quando eles também forem pais. Nesse dia, onde estiverem, os pais sentirão a satisfação em terem encaminhados para o bem, seus filhos, e terão a certeza de que, tudo o que foi possível, fizeram, para que os seres que vieram ao mundo por seu intermédio, encontraram finalmente o caminho que os conduzirão à paz e a felicidade. Finalizo este artigo, relembrando os princípios necessários que devem nortear os pais e filhos: Evangelho, fé, amor e esperança. Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações. Bibliografia: Emmánuel “Revista Espírita de Campos” Jc S.Luis, 02/05/1999 Refeito em 28/12/2012

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