sábado, 8 de setembro de 2012

HISTÓRIAS PARA AS CRIANÇAS Muitas são as histórias para crianças, algumas retiradas de livros, algumas passadas de pessoas por gerações, outras contadas pelas nossas irmãs espíritas, Célia Xavier de Camargo e Cláudia Schmidt, que são publicadas no jornal espírita “O Imortal”, da cidade de Cambé-PR, e na “Seara Espírita”, para alegrar e orientar as crianças, e que passamos a republicar neste “site”, para conhecimento dos papais, das mamães e da “petizada”. 1- A CASA DO CORAÇÃO – O poeta alemão Frederico, criou um poemeto que assinala profunda lição de espiritualidade: “O coração tem dois quartos: moram ali, sem se verem, num a Dor, e noutro o Prazer. Quando o Prazer no seu quarto acorda cheio de ardor, no seu quarto adormece a Dor... Cuidado Prazer! Cautela. Canta e ri mais devagar... Não vá a Dor acordar...” = = = 2- A CONTA DA VIDA – Quando Leonardo completou vinte e um anos, a mãezinha recebeu-lhe os amigos, festejou a data e comemorou o acontecimento com grande alegria. No íntimo, no entanto, a bondosa senhora estava triste e preocupada. O seu filho até a maioridade, não tolerava qualquer disciplina ou serviço. Vivia ociosamente, desperdiçando o tempo e negando-se ao trabalho. Havia aprendido as primeiras letras, a custa de muita dedicação materna, e ele lutava contra todas as ideias de ações dignas. Recusava bons conselhos e inclinava-se para o desfiladeiro dos vícios. Naquela noite, após os festejos, a abnegada mãe orou, mais fervorosamente, suplicando a Jesus que encaminhasse o seu filho à elevação moral. A oração da devotada criatura fora ouvida, no Alto, porque Leonardo logo depois que dormiu, sonhou que era procurado por um mensageiro divino, a exibir um longo documento na mão. – Intrigado, o rapaz perguntou-lhe a que devia semelhante visita. – O emissário fitou nele os olhos e lhe respondeu: - Meu amigo, eu venho trazer-te a conta da tua existência, e dos seres sacrificados em teu proveito. – O rapaz arregalou os olhos de assombro, e o mensageiro prosseguiu: - Até hoje, para sustentar a tua existência, morreram aproximadamente 1.000 aves, 10 bovinos, 50 suínos, 1.200 peixes diversos. Aproximadamente 30.000 vidas do reino vegetal foram consumidas por ti, tais como: arroz, feijão, trigo, batatas, farinha e vários legumes. Bebeste 1.000 litros de leite, consumiste 2.000 ovos e comeste 3.000 frutas. Tens explorado muito as famílias dos seres do ar, das águas, de galinheiros e estábulos. O preço da tua existência nas hortas e pomares vale por uma devastação. Além disso, não relacionamos ainda os sacrifícios de tua mãe, os recursos e doações de teu pai, conseguidos a troco de muitos esforços, os favores dos amigos e as atenções dos vários benfeitores espirituais que te rodeiam e te assistem... Em troca, o que fizeste de útil? Não restituíste ainda à Natureza, a mínima parcela do teu débito imenso. Acreditas que o mundo deve suprir as tuas necessidades e que viverás sem responsabilidade e retribuição nos domínios de Deus? – Produze algo de bom, marcando a tua passagem pela Terra. Lembra-te de que a pequenina semente colocada sob a terra se encontra em serviço divino, germinando e brotando, crescendo e produzindo para servir a todos. Não deves continuar na ociosidade que te paralisa os músculos e nervos, o coração se desfaça em vaidade egoísmo e orgulho, e o teu espírito se desfigure e sofra o teu corpo. O rapaz ainda viu o desfile de tudo o que havia consumido durante os seus vinte e um anos de existência e, com forte emoção, acordou... O sol, iluminando o firmamento anunciava o amanhecer. Leonardo, levantando-se da cama, foi até sua mãe e exclamou: - “Mãezinha, arranje-me um serviço para fazer”. – A mãe, chorando de alegria, perguntou: “Que aconteceu?” – O rapaz respondeu: “Nesta noite eu vi a conta da minha vida”. – Desse dia em diante, Leonardo se tornou um homem útil, honrado e trabalhador. 3- A LENDA DA ÁRVORE – No princípio do mundo, quando os vários reinos da Natureza já se achavam criados e enquanto o ouro, o ferro e os outros minerais repousavam no subsolo; o homem, os animais, os pássaros, as ervas e as águas viviam na superfície da Terra, o Senhor Supremo, notando que havia alguma coisa que trazia tristeza, chamou-os ao seu Trono de Luz, a fim de ouvi-los. A importante audiência do Todo-Poderoso começou pelo homem, que se aproximou do Senhor e informou: - Meu pai, o globo terrestre é nossa gloriosa morada e oficina de trabalho. Estamos felizes, tanto eu quanto minha esposa; entretanto, sentimos falta de algo que nos faça companhia em torno do lar e auxilie a criar os filhinhos. O Todo-Poderoso mandou anotar o pedido do homem e chamou a ouvir as outras criaturas. Veio então o boi e falou: - Senhor, me sinto bem; contudo, vagueio sem descansar durante horas no sol. Grande é a minha fadiga e por isso a minha resistência é cada vez menor... Veio em seguida o cavalo e reclamou: - Eu também, Grande Rei, sinto aflitivo calor durante o dia. Aproximou-se a corça e rogou: - Poderoso Senhor, estou exposta à perseguição de outros animais. Não tenho a graça de um ser amigo que me proteja e me defenda. Logo após, surgiu o passarinho e suplicou: - Celeste Monarca, recebi a benção da vida, mas não tenho onde fazer meu ninho; nas pastagens rasteiras não posso construir minha casa. Em seguida adiantou-se a borboleta e implorou: - Meu Deus, tudo é belo no mundo; todavia, onde repousarei? Em último lugar, se apresentou o rio e disse: - Grande Senhor, venho cumprindo os meus deveres na Terra, religiosamente, mas preciso de algo que me ajude a conservar as águas... O Supremo Soberano mandou que todos retornassem aos seus lugares, após ouvi-los, e prometeu providenciar a solução de todos os problemas alegados; e, no dia seguinte toda a Terra estava diferente. Árvores de todos os tipos e qualidades haviam surgido acolhedoras e dadivosas, oferecendo ao homem, ao boi e ao cavalo, a sombra refrescante, à corça, o esconderijo e a defesa, ao passarinho, os galhos para a edificação do seu ninho, à borboleta, o descanso, e ao rio, a proteção da sombra para a conservação das águas. Possibilitou ainda o Todo-Poderoso, que as árvores desses além dos frutos e da sombra, segurança, casa, descanso e proteção contra o sol, também sementes que garantissem a continuidade delas, servindo a todos, como a sublime resposta de Deus aos suplicantes... 4- O CARNEIRO REVOLTADO – Certo carneiro inteligente, mas muito indisciplinado, reparou os benefícios que sua lã espalhava, e, desde então, julgou-se melhor que os outros seres da Criação, passando a revoltar-se contra a tosquia. – Se era tão precioso – pensava – por que aceitar a humilhação daquela tesoura enorme que lhe tirava a lã? Experimentava intenso frio e, esquecido das ricas rações que recebia no redil, detinha-se apenas no exame dos prejuízos que supunha sofrer de tempos em tempos. Muito amargurado, dirigiu-se ao Criador, exclamando: - Meu Pai, não estou satisfeito com a minha pelagem; a tosquia é um tormento... Modifica-me Senhor!... O Todo-Poderoso indagou, com bondade: - Que desejas que eu faça? – Vaidosamente o carneiro respondeu: - Quero que a minha lã seja toda de ouro. A rogativa foi satisfeita, porém, assim que o carneiro orgulhoso apareceu com os pelos preciosos, várias pessoas ambiciosas atacaram-no sem piedade, arrancando-lhe violentamente, todos os fios e deixando-o em chagas. O infeliz carneiro voltou ao Altíssimo e implorou: - Meu Pai, muda-me novamente, pois com a lã dourada encontraria sempre pessoas sem compaixão. O Senhor perguntou: - Que queres agora? O animal tocado pela mania de grandeza suplicou: - Quero que minha lã seja de porcelana primorosa. Assim foi feito. Porém, logo que retornou ao campo, apareceu uma ventania que quebrou todos os fios, lhe dilacerando o corpo todo... Aflito voltou ao Todo-Poderoso e queixou-se: - Renova-me, Pai! A porcelana não resiste ao vento e estou exausto!... Mais uma vez disse-lhe o Senhor: - Que queres que eu faça? – Quero que a minha lã seja feita de mel. O Criador satisfez o pedido. Logo que o infeliz retornou ao redil, um bando de moscas asquerosas cobriu-o e por mais que corresse, não evitou que elas lhe sugassem os fios adocicados. O infeliz voltou ao Altíssimo e implorou: - Modifica-me Pai, as moscas me deixaram em sangue!... O Senhor indagou uma vez mais: - Que queres que eu faça? Desta vez o orgulhoso carneiro pensou mais tempo e respondeu: - Quero que a minha lã seja feita de folhas de alface. O Todo-Poderoso atendeu-lhe a vontade e o carneiro voltou ao campo. No entanto, quando alguns cavalos lhe puseram os olhos, ele não conseguiu melhor sorte. Os equinos prenderam-no com os dentes e, depois de lhe comerem a alface ainda lhe feriram o corpo. O carneiro correu na direção do Juiz Supremo, gotejando sangue das chagas, e, em lágrimas, falou humilde: - Não suporto mais, Meu Pai!... O Todo-Poderoso vendo que ele se arrependera com sinceridade, lhe disse: - Reanima-te, meu filho! Que pedes agora? O infeliz carneiro replicou, em prantos: - Pai, quero voltar a ser um carneiro comum como sempre fui. Não pretendo mais a superioridade sobre meus irmãos. Hoje sei que os meus tosquiadores de outros tempos são meus amigos. Nunca me deixaram em feridas e sempre me deram de beber e comer com carinho... Quero ser simples e útil, qual me fizeste Senhor!... O Pai bondoso abençoou-o com ternura e sentenciou: - Volta e segue teu caminho em paz. Compreendeste, enfim, que meus desígnios são justos. Cada criatura está colocada, por minha Lei, no lugar que lhe compete e, se pretendes receber, aprende a doar. Então o carneiro, envergonhado, mas satisfeito, voltou ao campo, misturou-se com os outros e daí por diante foi muito feliz... 5 DÁ DE TI MESMO – Declaraste não possuir dinheiro para auxiliar. Acreditas que um pouco de papel ou um tanto de níquel te substituem o coração? Esqueceste meu menino, de que podes sorrir para o doente e estender a mão para o necessitado? A flor não traz consigo uma bolsa de ouro, no entanto espalha perfume no firmamento. O céu não exibe chuvas de moedas, mas enche o mundo de luz. Quanto pagas pelo ar fresco que, em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã? O oxigênio que respiras cobra-te imposto? Quanto te custa á ternura materna? As aves cantam gratuitamente. A fonte que te beneficia com a água não te exige nada. A árvore abre-te os galhos acolhedores, repletos de flores e frutos sem pedir vintém. A benção divina, cada noite, conduz o teu pensamento a bendito repouso no sono e não fazes retribuição de espécie alguma. A estrela brilha sem pagamento; o Sol não espera salário. Por que não aprenderes com a Natureza em torno? Por que não te fazeres mais alegre, mais comunicativo, mais amigo? Tens a fisionomia ensombrada por faltar-te dinheiro e reclamas recursos materiais para ser bom, quando a bondade não nasce dos cofres fortes. Seja irmão de teu irmão, companheiro de teu companheiro, amigo de teu amigo. Na ciência do amor, resplandece a sabedoria de dar. Mostra um semblante sereno e alegre, aonde fores. Estende os braços, alonga o coração, comunica-te com o próximo, através da amizade fiel. Que importa se alguém não te entende o gesto de amor? Que seria de nós, meu menino, se a mão do Senhor se recolhesse a distância, por temer-nos a rudeza e a maldade? Muito acima do dinheiro, pairam as tuas mãos amigas e fraternais. Dá de ti mesmo em toda parte... 6 O ENSINO DA SEMENTEIRA – Certo fazendeiro muito rico chamou o filho de quinze anos e disse-lhe: - Filho meu, todo homem apenas colherá daquilo que plante. Cuida de fazer o bem a todos, para que sejas feliz. O rapaz ouviu o conselho e, no dia seguinte, muito carinhosamente plantou minúsculo cajueiro em local não muito distante da estrada que ligava o vilarejo próximo à propriedade paternal. Decorrida uma semana, tendo recebido do pai um presente em dinheiro, e no caminho até à vila, construiu pequena fonte natural. Reparando que vários mendigos estavam ao relento, acumulou as dádivas que recebia dos familiares e, quando completou vinte anos edificou um albergue para abrigar os mendigos e os viajores sem recursos. Logo em seguida a vida lhe impôs uma surpresa desagradável. Seu pai, em virtude das perseguições de inimigos na luta comercial, empobreceu rapidamente, falecendo em seguida. Sua mãe faleceu também em pouco tempo e suas irmãs casaram-se e tomaram diferentes rumos. O rapaz, agora sozinho, revoltou-se contra as ideias nobres e partiu mundo a fora. Trabalhou, ganhou fortuna e gastou-a, gozando os prazeres mundanos e nunca mais cogitou de semear o bem. Os anos passaram e ele deu-se ao vício de jogar e beber. Muitas vezes o Espírito do seu pai rogava-lhe cuidado e arrependimento, mas ele negava-se a atender. Acontece que o desgaste do corpo tem limites e sua saúde se alterou e apareceu-lhe feridas pelo corpo. Gastou tudo o que possuía para recuperar a saúde e, como não fizera afeições foi relegado ao abandono. Os amigos das noitadas alegres fugiram dele, os cabelos ficaram brancos e ele transformou-se num mendigo. Peregrinou por muitos lugares até que, um dia, sentiu saudades do antigo lar e voltou ao pequeno vilarejo onde nascera. Viajou por muitos dias e chegou, extenuado, ao sítio de outrora. O cajueiro que plantara convertera-se em árvore dadivosa, cheia de frutos tentadores. Aproveitou-os para matar a fome e seguiu para o vilarejo. No meio do caminho sentiu sede e buscou a fonte onde saciou a sede e ao chega à vila ninguém o reconheceu. Logo chegou a noite e ele sentiu frio. Dois homens caridosos ofereceram-lhe os braços e conduziram-no ao velho albergue que ele mesmo construíra. Quando entrou no recinto, derramou muitas lágrimas, porque seu nome estava gravado na parede com palavras de louvor. Deitou-se, constrangido e dormiu. Em sonho, viu o Espírito do seu pai, junto a ele, que lhe disse: - Aprendeu a lição, meu filho? Sentiste fome e o cajueiro te alimentou; tiveste sede e a fonte te saciou, necessitaste de asilo e te acolheste no albergue que edificaste em favor dos que necessitavam. Por que deixaste de semear o bem? O interpelado nada pôde dizer, pois as lágrimas embargavam-lhe a voz na garganta... Ele acordou muito tempo depois, e, quando o encarregado do abrigo lhe perguntou o que desejava, ele simplesmente disse: - Preciso de uma enxada... á fim de recomeçar a ser útil de qualquer modo... OBS: Estas cinco histórias e outras mais constam do livro “Alvorada Cristã”, foram ditadas pelo Espírito de Neio Lúcio, psicografia de Francisco Candido Xavier. = = = 7 A VASSOURA PRESTATIVA – Uma vassoura de capim, nova e limpa, repousava na prateleira da loja. Era prestativa e desejava muito ser útil, por isso aguardava com ansiedade o momento em que alguém lhe comprasse. Um dia, ela foi retirada da prateleira, espanada e entregue a uma elegante senhora que a tinha comprado. Foi com muita alegria que a vassoura iniciou sua vida. Prestativa, estava sempre nas mãos de alguém, trabalhando e deixando tudo limpinho. Porém, com o passar do tempo, ela foi ficando velha e gasta, e, um dia, foi jogada no lixo, sem qualquer consideração. A infeliz vassoura chorou muito, pois ainda se sentia forte e desejava servir. Enquanto aguardava que o lixeiro viesse buscá-la, um homem humilde ao passar por ela pensou: - Minha mulher precisa de uma vassoura; esta não está nova, mas ainda pode prestar bom serviço. Vou levá-la para casa. Cheia de satisfação á vassoura foi para a outra casa. A nova dona recebeu-a com felicidade, pois estava sem ter como limpar a casa. Algum tempo depois, o capim da vassoura estava todo quebrado e já não servia mais para varrer. A mulher, com pesar, jogou-a no lixo. E a pobre vassoura lá ficou muito chorosa e desanimada. Justo ela, que ainda tinha tanto para dar, agora era considerada inútil, sem qualquer serventia. Estava assim, triste, quando surgiu um homem maltrapilho e remexeu o lixo. Ao encontrar a vassoura velha e gasta, disse satisfeito: - Essa velha vassoura já não presta para nada. Mas com o cabo dela, que está perfeito, farei um cavalinho para meu filho e darei a ele de presente. Que bom! Meu filho sempre quis ter um cavalinho de madeira! E a vassoura prestativa, cheia de novo ânimo, foi levada para a favela onde morava seu novo dono. O homem fez uma cabeça de cavalo com uma tábua de caixote e pregou-a no cabo. Pintou o corpo do cabo de vassoura com tinta e colou uma crina de corda. Em seguida, amarrou um barbante a maneira de rédeas. – Pronto – exclamou o homem satisfeito. E naquele mesmo dia em que aniversariava o seu filho, entregou o presente para ele. O garoto, feliz, abraçou o brinquedo e, desse dia em diante eles tornaram-se inseparáveis, para alegria da pobre vassoura que desejava ser útil... Como a vassoura de capim, também nós sempre poderemos ser úteis para alguma coisa. Seja qual for á tarefa que nos for confiada, o importante é que estejamos sempre dispostos a servir em qualquer lugar, em qualquer tempo, em qualquer idade. Tia Célia. 8 APROVEITAMENTO ESCOLAR – Em certa cidade, a mãe de Guilherme, menino de dez anos, conversava com uma professora reclamando das notas baixas que seu filho levara no boletim. Nervosa, ela despejava sua insatisfação na professora, falando da falta de cuidados da escola, com a educação das crianças, alegando que seu filho não recebia o atendimento adequado. A professora Vera, com paciência, explicava que a aprendizagem depende de cada aluno, como ele recebe os ensinos e da boa-vontade que demonstre em aprender. A mãe, descontente, não concordava com essa teoria. Caminhando pelo corredor, elas passaram pela biblioteca onde três alunos faziam seus deveres após as aulas. Para exemplificar, a professora perguntou ao primeiro aluno: - O que você está fazendo? O garoto irritado, respondeu: - Estou de castigo, fazendo a droga dessa tarefa que deveria ter sido entregue ontem. Agora não posso nem brincar! - E você? – perguntou a professora ao segundo. – Faço a tarefa porque não quero levar zero! - E você? – indagou ao terceiro menino. O garoto sorridente, respondeu de boa-vontade: - Estou fazendo estes exercícios porque quero aprender! A professora acabou de explicar esta matéria e estou tentando fixar para não esquecer o que aprendi na aula. Virando-se para a mãe, que observava a cena calada, a professora concluiu: - Percebeu? O conteúdo é o mesmo, mas a reação e a motivação dos três meninos são completamente diferentes. A mãe desculpou-se cabisbaixa, reconhecendo a razão da professora, e disse: - No fundo, sei que meu filho não gosta de estudar e que a falta de aproveitamento é culpa dele mesmo. Porém, somos pobres e preocupo-me com o futuro do meu filho, vendo que ele não se interessa em aprender. O que devo fazer? – A professora Vera pensou e disse: - Procure saber do que ele gosta; o que o faz feliz. A caminho de casa a mãe pensou bastante, e afinal descobriu. Ele há tempos queria um computador, e ela não tinha dado atenção a isso, achando que era dinheiro jogado fora. Naquele mesmo dia, conversou com o marido e resolveram atender ao desejo do filho. Teriam que fazer um grande esforço e trabalhar ainda mais para pagar o computador, mas talvez valesse a pena. Antes de se deitar, o pai chamou Guilherme e ponderou: - Meu filho, você deseja um computador, mas nada tem feito para merecê-lo. Melhore na escola e podemos pensar no assunto. Mais animado com essa promessa, no dia seguinte Guilherme acordou bem disposto e resolvido a se esforçar. Na escola seu comportamento mudou, procurando ter mais atenção nas aulas. Em casa, fazia os deveres e depois estudava a matéria. Com o passar dos dias, tomou gosto pelos estudos, afeiçoando-se aos livros. Resultado: quando trouxe o boletim, as notas eram bem melhores e os pais ficaram muito felizes. No dia seguinte, quando Guilherme retornou da escola – surpresa! – encontrou um computador já instalado! Com os olhos arregalados de espanto, virou-se para os pais, que observavam da porta: - É seu, meu filho! – disse o pai. Com lágrimas nos olhos ele disse: - Obrigado, papai! Era tudo o que eu queria. Porém, em dúvida, olhou para os pais e disse-lhes: - Agradeço o presente, mas sei quanto deve ter custado. Na verdade vocês já conseguiram o que queriam; agora aprendi a gostar de estudar. Nem precisavam mais me dar o computador. – O pai retrucou: - Você fez por merecer; ele é seu. Guilherme, mais tranquilo, considerou: - Bem, se é assim, agora preciso fazer um curso, aprender a usar o computador, para depois ganhar dinheiro com ele e devolver um pouco do muito que vocês têm me dado todo esse tempo. Os pais, emocionados, disseram a ele que o valor do presente era pequeno diante da felicidade que viam nele. – Retornando à escola para agradecer a professora Vera pela ajuda, a mãe, que antes só recebia reclamações, satisfeita ouviu da professora: - Parabéns! Seu filho está muito diferente. Parece um milagre! Como conseguiu isso? A mãe sorriu e informou: - É simples. Com carinho, atenção e estímulo; e com um computador, naturalmente! Tia Célia 9 COOPERADORES DE DEUS – Em casa, as tarefas se acumulavam. A mãezinha corria de um lado para o outro tentando dar conta dos serviços. Ricardo, de sete anos, que observava aquela movimentação toda, reclamou: - Você não para um minuto, mãe! Não me dá atenção!... A mãe parou o que estava fazendo e, fitou o filho com a carinha desanimada, e disse: - Meu filho ajude-me com os serviços domésticos e terei tempo para dar a atenção que você merece. Venha, peque a vassoura e varra o quintal! – Respondeu-lhe o filho: - Mamãe, a senhora sabe que não gosto de fazer essas tarefas de casa. – Então o que gosta de fazer? – perguntou a mãe. O garoto respondeu animado: - Eu gostaria de trabalhar construindo prédios, vendo-os crescer como se fossem atingir o céu e ter muitos empregados; ou então trabalhar em um hospital como médico para atender as pessoas e curá-las. Ou, então, ter uma grande empresa, ter um monte de empregados para fazer tudo o que eu mandar e ganhar muito dinheiro!... Mas também poderia... A mãe que o ouvia com paciência, sorriu dos sonhos de Ricardo. Depois, se aproximou dele com carinho e disse-lhe: - Meu filho, muito justo que você tenha sonhos grandiosos. No entanto, para realizar qualquer um deles, precisará crescer e aprender muito. Nada se consegue sem esforço e dedicação. E, para aprender, temos que começar pelas coisas pequenas, e por isso, cada função é importante. Veja que todos os dias eu coloco o lixo na rua. E se não existissem os lixeiros? – Viveríamos no meio da sujeira! – Disse o garoto. – E se não existissem trabalhadores nos campos que plantam o que vamos comer como ficaríamos? – O menino pensou um pouco e respondeu: - Não teria o trigo para fazer o pão que eu tanto gosto! – Isso mesmo filho, porém tem mais. Da lavoura, os grãos de trigo vão para o moinho e são moídos; depois a farinha de trigo é transportada para os revendedores. O dono da padaria compra o trigo, e somente então, o pão é preparado e assado por pessoas que ficam a noite toda trabalhando para que possamos comê-lo quentinho no café da manhã. Ah! E ainda tem que ter alguém que vá comprá-lo na padaria! Ricardo estava impressionado e a mãe prosseguiu: - Veja que só falei do pão! E tudo o mais que faz parte do nosso dia-a-dia? As roupas que vestimos os calçados, os móveis, a própria casa... Você sabe como se constrói uma casa? – Eu sei mamãe! Precisa ter cimento, areia e tijolos. É preciso também de madeira, telhas, fios elétricos, canos para a água, e uma grande variedade de outras coisas, bem como de pessoas que realizem o trabalho. – Muito bem, Ricardo. Então você percebe que todos nós somos úteis na obra de Deus? Não há pessoas maiores ou menores, menos importantes ou mais importantes. Todos trabalham em colaboração, em diferentes áreas e funções. Desde o varredor de rua até um grande empresário, somos todos iguais. – O menino, agora estava enxergando o mundo em que vivia de maneira diferente. – Mãe, outro dia a professora falou que, no hospital, o médico só pode exercer sua tarefa, porque têm pessoas limpando e desinfetando tudo para evitar que exista vírus e bactérias. – Depois ele sorriu para a sua mãe, e disse: - Você tem razão; não conseguimos viver sozinhos! - A senhora abraçou o filho, e depois pegou a vassoura e sugeriu: - Que tal agora pegar a vassoura e começar a varrer? – O garoto deu uma gargalhada e disse: - Está certo. Preciso aprender a varrer, o que eu fizer, quero fazer bem feito. Ricardo cresceu, tornou-se homem, mas sempre se lembrava dessa lição que recebe da sua mãe. Formou-se em engenharia, pois era a área que mais gostava. No entanto, jamais deixou de valorizar a função de cada empregado, tratando a todos com respeito e consideração. Ao dirigir-se aos subordinados, terminava sempre por afirmar: - Precisamos fazer sempre o melhor ao nosso alcance. Afinal, todos nós somos cooperadores de Deus, na obra de melhorar o mundo. Sentindo-se valorizados, todos os operários o estimavam e trabalhavam com dedicação, desejando ser realmente o mais eficiente colaborador da construção... Tia Célia 10 MÃE DE VERDADE – Um pequeno índio andava pela mata, muito triste e desanimado. Sua mãe tinha morrido no mesmo dia em que ele nascera e ele fora criado por outra índia muito boa e generosa, que se prontificara a tomar conta do recém-nascido, mas que não poderia substituir a mãe que ele não conhecera. O que seria uma mãe? Como seria uma mãe? Ele tinha vontade de saber. Saiu então a perguntar a todos que encontrava. Alguém por certo lhe poderia descrever uma mãe! E foi num dia lindo que saiu pela floresta e encontrou entre as folhas de um pequeno arbusto, uma coelhinha. – Dona coelha, o que é uma mãe? – perguntou. Nesse instante surgiu seu filhotinho que abraçou a mamãe coelha. Ela então respondeu, após pensar um pouco, enquanto acariciava seu filhote: - Mãe é aquela que protege dos perigos! O indiozinho andou mais um pouco e encontrou a dona Coruja num galho de árvore. – Dona Coruja, o que é uma mãe? Ela fitando as corujinhas, com seus enormes olhos cheios de ternura respondeu: - É aquela que ama os lindos filhotinhos que Deus lhe deu! O indiozinho afastou-se ainda sem entender, pois os filhotes da dona Coruja eram muito feios! Mais adiante o pequeno índio encontrou uma passarinha que trazia preso ao bico uma apetitosa minhoca. – Dona Passarinha, o que é uma mãe? Sem hesitar, ela respondeu, após colocar a minhoca na boca do filhotinho que esperava ansioso no ninho: - Mãe, é quem alimenta, para que o seu pequeno cresça forte e sadio – afirmou convicta. O índio agradeceu e seguiu o seu caminho. Logo adiante, encontrou uma gata que lambia cuidadosamente as costas do seu filhotinho, e perguntou-lhe: - Dona Gata, a senhora pode me dizer o que é uma mãe? E a gata respondeu, sem parar o que estava fazendo: - Não tenho dúvidas de que mãe é quem lava e cuida para que seu pequeno filho esteja sempre limpinho... Já estava um pouco tarde e o indiozinho precisava voltar para casa antes do anoitecer. Ele estava ainda mais confuso! Todos os animais a quem ele perguntara tinham respondido coisas diferentes sobre mãe e ele não entendia por quê! Caminhando rapidamente, ele tropeçou num tronco de árvore e caiu, machucando a perna. Sentindo muita dor, ele continuou o seu caminho com grande dificuldade. Ao aproximar-se da aldeia, viu que algo estava acontecendo, pois todos pareciam preocupados. Ao vê-lo chegar mancando, aquela que cuidava dele correu ao seu encontro, aflita: - Aonde você foi? Estava preocupada! A noite chegou e você não apareceu! Olha que sujeira. Você está machucado? Venha, vamos lavar esse ferimento e fazer um curativo. Está com fome com certeza, eu preparei aquele ensopado de legumes de que você tanto gosta!... Olhando a índia que falava e que o fitava com tanto carinho e tanto amor, além da evidente preocupação com seu bem-estar, o indiozinho lembrou-se do que os seus amigos da floresta lhe haviam dito; e não teve mais dúvidas. Como não percebera isso antes? Ela era a representação da mãe e de tudo o que eles haviam dito, e muito mais ainda. Com os olhos úmidos de pranto ele falou confiante e enternecido: - Mamãe!... Daí em diante, ele então ficou sabendo o que representava ser uma mãe... Tia Célia 11 O MENINO DE RUA – Celso estava cansado de estar dentro de casa e saiu para o jardim. Gostava de ficar no portão vendo a rua, o movimento dos carros e as pessoas que passavam. Olhando em frente, viu, do outro lado da rua, um garoto de expressão tristonha, sentado no meio-fio. Ele estava sujo, malvestido e descalço. Celso sentiu pena do menino, que aparentava ter a sua mesma idade, oito anos. Ele abriu o portão, atravessou a rua e foi até onde ele estava. Aproximou-se e perguntou: - Olá, posso sentar-me aqui com você? O garoto levantou a cabeça para ver quem estava falando e estranhou ver um menino do seu tamanho. Ergueu os ombros, como se dissesse: Sente-se, a rua é pública! Celso sentou-se e começou a conversar: - Por que está tão triste? – Respondeu o menino desconhecido com outra pergunta: - Por que quer saber? Celso levantou o braço e apontou com o dedo, dizendo: - Está vendo aquela casa ali em frente? É onde moro. Estava olhando a rua e vi você aqui, tão triste, que não pude deixar de vir. O que aconteceu? O garoto respirou fundo e respondeu: - É uma longa história. Minha mãe morreu e meu pai desesperado me abandonou saindo pelo mundo e não sei onde ele está. Fui mandado para a casa de uma tia, mas passei tanta fome, sofri tantos maus-tratos, que não aguentei mais e fugi. Agora não tenho para onde ir e fico na rua. Quando tenho fome, peço comida em alguma casa. Para dormir, escondo-me em algum canto, debaixo de alguma ponte ou de alguma casa abandonada. Celso estava penalizado, pois nunca pensou que existissem crianças sofrendo tanto! Resolveu tomar uma atitude e disse ao garoto: - Não saia daí, eu vou até em casa e volto já! Celso fez um sanduiche, pegou um copo de leite com café e retornou para junto do menino, cujos olhos brilharam ao ver o lanche. Devorou tudo rapidinho e depois agradeceu dizendo: - Obrigado. Estava mesmo com fome! Mas, nem sei como se chama? – Celso! – e entendendo a mão ao outro, que a apertou – E você? – Meu nome é Luizinho! Você é legal, Celso! – Os dois puseram-se a conversar. Após algum tempo, estavam tão amigos que Celso desejou ajudar Luizinho. Então, pediu que ele esperasse e retornou para casa. Celso tinha visto seu pai entrar em casa, voltando do trabalho. Chegou perto do pai e pediu: - Papai gostaria que conhecesse um amigo meu. Venha comigo! O pai mesmo cansado, concordou, acompanhando o filho. Então, Celso mostrou-lhe: - Veja papai! Aquele garoto ali, do outro lado da rua, precisa de ajuda! O pai olhou o garoto sentado no meio-fio e reagiu, surpreendido: - Mas, meu filho! Ele é um menino de rua!... Celso, com os olhos úmidos, virou-se para o pai, considerando: - Papai, outro dia mesmo o senhor falava de Jesus, e disse que devemos amar a todas as pessoas, porque são nossos irmãos, lembra-se? – Você tem razão, filho. Porém, não sabemos quem é esse menino! Ele pode ter maus hábitos, pode até estar acostumado a roubar!... Como confiar em alguém que não se conhece? – respondeu o pai, abalado pelo argumento do filho. Celso pensou um pouco, depois voltou a ponderar: - Papai, mas se os bons não ampararem os que precisam, como podemos praticar a fraternidade? O pai vencido pelo novo argumento do filho abraçou-o e concordou: - Tem razão, meu filho. Se nos consideramos cristãos, temos que agir como Jesus nos ensinou. E então eles atravessaram a rua e o pai de Celso conversou um pouco com Luizinho. Depois convidou: - Luizinho, queremos que venha morar em nossa casa. Senhor, eu agradeço sua bondade, mas não me conhece, nem sabe quem sou! – respondeu o menino, sem poder acreditar no que estava ouvindo. Diante daquelas palavras, o pai de Celso respondeu comovido: - Não preciso conhecê-lo para saber que é um bom menino. Ficará conosco pelo tempo que quiser. Irá à escola com o Celso e terá a existência de todo garoto de sua idade. Se algum dia você tiver noticias de seu pai e quiser ficar com ele, terá toda liberdade. Farei tudo que puder para ajudá-los. Eles então atravessaram a rua e, antes de entrar pelo portão, feliz, mas ainda indeciso, Luizinho quis saber: - Senhor, e a mãe de Celso, ela vai concordar? – Ele respondeu: - Tenho certeza que sim. Não se preocupe. Entraram em casa e o pai de Celso explicou a situação à sua esposa. Ela ao ver o novo membro da família, sorriu e deu-lhe um abraço. Depois, pediu que Celso pegasse uma toalha e algumas roupas para Luizinho poder tomar banho e vesti-las, enquanto ela terminava de preparar o jantar. Após alguns instantes, limpo, vestido e calçando um tênis, Luizinho apareceu com Celso na sala de jantar, onde a refeição foi servida. Todos estavam contentes e o pai disse ao novo morador: - Luizinho, amanhã vou me informar sobre as medidas legais necessárias para que você possa ficar conosco. Após essas palavras, o pai de Celso sorriu e completou: - Em nome de Jesus, seja bem-vindo à nossa casa!... Memei (Página recebida por Célia Xavier de Camargo). 12 O MENINO QUE QUERIA SER ESTRELA – De família muito pobre, Amadeus sofria com a existência de dificuldades que levava. Seus pais trabalhavam bastante para não deixar faltar nada aos filhos. No entanto, muitas vezes faltava o que comer e, com fome, ele sentava-se no fundo do quintal, buscando consolo. Ele olhava para o alto nas noites sem lua e, ao ver as estrelas que brilhavam no céu, pensava: - Eu quero ser uma estrela como essas que vejo brilhar nas alturas! E o seu coração se enchia de esperança e amor. Com certeza – pensava ele – as estrelas não passam dificuldades, nem sentem fome, e não choram de dor. Um dia Amadeus contou à mãe seu desejo de ser uma estrela, e ela, olhando-o com muito carinho, afirmou: - Essas luzes que você vê lá no alto, meu filho, fazem parte do Universo de Deus, nosso Pai, que criou. Como estão muito distantes de nós, parecem pequeninas, mas são sóis brilhantes, estrelas e planetas que fazem parte de galáxias, que são famílias de astros. A Terra em que vivemos, é um planeta e faz parte de uma família de planetas, que giram em torno do Sol que nos ilumina, constituindo o nosso sistema solar. O menino ficou muito surpreso e interessado. Sua cabecinha nunca havia imaginado que o espaço fosse tão grande! E ele perguntou: - Quer dizer que nunca vou ser uma estrela? A sua mãe sorriu e explicou: - Todos nós podemos ser uma estrela, meu filho. Não como essas que você admira à noite, mas como um reflexo dos sentimentos mais puros que tiver dentro de si, fazendo o bem, sendo útil às pessoas, vivendo em paz onde estiver. Enfim, sendo um bom menino! Amadeus ficou pensando nas palavras da sua mãe. – Então eu serei uma estrela, mamãe! O menino, desse dia em diante, passou a agir com todos da melhor maneira possível. Acordava pela manhã e fazia uma oração a Jesus pedindo que seu dia fosse muito bom e que ele tivesse oportunidade de ajudar as pessoas. Na escola, quando um colega queria brigar com ele, Amadeus sorria, estendendo-lhe a mão, tranquilo. Se alguém o ofendia, ele desculpava, não guardando mágoa no coração. Na rua ao ver um velhinho com dificuldades para caminhar ou atravessar a rua, ele oferecia-lhe a mão. Às vezes ele ganhava um doce, uma fruta ou um sanduiche da professora ou de um colega que conhecia a situação da sua família. Ele agradecia e, ao chegar a casa, repartia com seus irmãos. Quando um vizinho ficava doente, ele estava pronto para ser útil, fazendo companhia, dando um copo com água ou contando uma história para distrair o enfermo. Era bom para todos: pessoas, animais e plantas. Tornou-se uma pessoa tão querida no bairro pobre onde viviam que todos se alegravam ao vê-lo. Amadeus sentia-se em paz consigo mesmo. Tinha tanto trabalho que nunca mais pôde observar as estrelas. Aos poucos, tudo foi melhorando, a vida da família ficou mais fácil, e já tinham o necessário para viver. Certo dia, ele chegou a casa após visitar uma amiguinha que estava doente e estranhou que estivesse tudo escuro. Já era noite e sua mãe ainda não acendera a luz do barraco. Preocupado, Amadeus abriu a porta e acendeu a luz. Oh! Surpresa! – a sala estava cheia de gente. Ele levou um susto! Todos então começaram “Parabéns a Você”, e passaram a cumprimentá-lo pelo seu aniversário. Ele andava tão ocupado que se esquecera do seu natalício. A professora tinha trazido um delicioso bolo e todos comeram um pedaço, alegres e satisfeitos. Naquela noite, ele deitou-se feliz. Agora tinha oito anos. Já era um rapazinho! Ele dormiu e sonhou. Viu-se num lugar lindo e cheio de pessoas que o olhavam, admiradas. Envergonhado, achando que talvez estivesse mal vestido, ou sujo, ou despenteado, o menino tentava descobrir o que estava errado com ele. E constrangido, encolhia-se, e se escondia atrás de outras pessoas, tentando passar despercebido. Então, uma linda moça aproximou-se dele e disse: - Parabéns, Amadeus! Você conseguiu o que tanto queria! – Eu? – Ele perguntou sem entender. – Sim! Você não queria ser uma estrela? – Você deve estar enganada, moça – respondeu balançando a cabeça. A moça voltou a falar, dizendo: - Olhe para você... Amadeus baixou a cabeça e olhou para seu corpo. Ele não conseguiu acreditar. Uma emoção intensa tomou conta dele. Estava todo iluminado! Suas roupas, seu corpo, suas mãos! Tudo estava brilhando! Mas, coisa estranha: a luz parecia vir de dentro, refletindo-se para fora! Naquele instante, ele acordou em sua cama, e murmurou: - Eu não posso acreditar! Virei uma estrela!... A mãe, que tinha vindo acordá-lo para ir à escola, entendeu e quis saber: - O que você disse Amadeus? O menino sorriu e respondeu: - Nada, mamãe. Apenas acho que a senhora tem razão. Todos nós podemos ser uma estrela! Basta fazer o bem! A mãe abraçou o filho com carinho e disse: - Ainda está pensando nisso? Tem razão, meu pequeno sonhador! Mas, um dia para estudar, trabalhar e ajudar os outros. Ele agradeceu a Jesus por mais esse dia. Não contou a ninguém o sonho que tivera, mas guardou-o no fundo do coração. Amadeus se lembraria para sempre daquele lindo sonho, estimulando-o a ser cada vez melhor... Meimei (Página recebida por Célia Xavier de Camargo) 13 O PRESENTE DE PÁSCOA – Paulinho estava sentado no tapete da sala, assistindo ao seu desenho favorito, quando o pai chegou para o almoço. Roberto vinha cansado, pois tivera uma manhã difícil e cheia de problemas. Entrou na sala, nervoso, e despejou sobre o filho sua irritação perguntando sério: - O que é isso, Paulinho? O garoto olhou em torno sem entender e disse: - O que papai? No meio dos brinquedos, havia uma cesta de Páscoa e um pacote de balas aberto. – Isto! – informou o pai, brabo, pegando do chão o pacote e mostrando-o ao filho. Com largo sorriso, o menino informou: - É um presente que ganhei da vovó, papai! – Estou vendo! Mas isso é hora de chupar balas? Estamos quase na hora da refeição e já disse que não quero que você coma balas antes do almoço. Com lágrimas nos olhos o menino resmungou: - Eu sei papai, mas chupei uma só! – Sem conversa, e tem mais a partir de hoje, vou proibir a entrada de balas nesta casa. Outro dia, li numa revista que o açúcar causa muitos males para a saúde, além de estragar os dentes. Vou jogar tudo fora! - disse cheio de raiva. Espantado com a atitude severa do pai, o garoto colocou a cabeça entre as mãos e começou a chorar, dizendo: - Não, papai! Não faça isso! Caindo em si, o pai percebeu que se excedera e arrependeu-se. Pegando o menino no colo, abraçou-o dizendo: - Não fique triste, filhinho. O papai só quer o seu bem. Tudo o que eu e a mamãe fazemos é pensando no seu bem-estar porque nós o amamos e queremos o melhor para você. Entendeu? O menino parou de chorar e enxugou as lágrimas. – Entendi papai. – Ótimo, então agora vá brincar. E Paulinho, saltando do colo do pai, distraiu-se com os brinquedos espalhados pelo chão. Era noite quando seu pai Roberto, voltou do trabalho. Depois do jantar, perguntou à esposa: - Hilda, você viu meus cigarros? – Não, querido. Devem estar onde você sem coloca. – Não, não estão lá. –Procure então no quarto. Pode ter deixado lá. Roberto procurou, procurou e não encontrou. Revirou gavetas, armários, a casa toda e nada. Irritado, acusou: - Deve ter sido a Maria. Onde já se viu uma empregada mexer nas minhas coisas? – Nem pense nisso, querido. Não creio que tenha sido a Maria. – Quem mais pode ter pegado meus cigarros? Foi ela sim, tenho certeza. Mas amanhã, quando chegar, será despedida, pode apostar! Paulinho, que ouvia calado a conversa, com medo de o seu pai cumprir a ameaça de despedir a empregada, acabou confessando: - Não foi a Marisa, papai, fui eu quem pegou seus cigarros e joguei no lixo. Surpreso, o pai perguntou: - Você? Mas, por que, meu filho? Sabe que não gosto que mexa nas minhas coisas! Justo os meus cigarros! Um pouco temeroso, o menino explicou: - Fiz pelo seu bem, papai. Você não disse que quando a gente gosta de alguém quer o melhor para ela? O pai respondeu: Disse. – Então, vi hoje na televisão que o cigarro faz muito mal a saúde das pessoas, provoca doenças e falaram ainda que dá câncer! Fiquei preocupado porque não quero que fique doente. Hilda olhou para o marido, como se dissesse: Eu não lhe disse? Depois, ela aproximou-se do filho, com ternura, dizendo: - - Você tem toda razão, meu filho. O cigarro realmente faz muito mal para a saúde e precisamos cuidar do papai. Não é? Roberto abaixou a cabeça, envergonhado. O menino acercou-se do pai e disse-lhe: - Não fique triste, papai. Não fiz por mal, tive medo de perdê-lo. Roberto sentiu um nó na garganta ante a lição que recebia do filho, garoto de apenas cinco anos. – Obrigado, Paulinho. Não voltarei a fumar, acredite em mim. Recebi de você, hoje, a maior lição da minha vida. Desculpe meu filho, minha atitude de hoje a noite. Reconheço que fui muito injusto sem razão. Estava nervoso, irritado e descontei em você. Pode chupar balas, sim, desde que escove os dentes depois. Combinado? Mas não exagere! Em seguida ele abriu os braços e aconchegou o filho e a esposa, com imenso carinho e disse: - Este foi o maior tesouro que Deus poderia me dar: minha família... Tia Célia 14 O RAIO DE LUZ - Certa vez, há muito tempo, um jovem de bons sentimentos de coração generoso vivia atormentado sem saber como agir em determinadas circunstâncias. Esse jovem tinha amigos cujas atitudes não eram as mais corretas. Entretanto, ele reconhecia neles qualidades outras que os faziam dignos de apreço. Perto de sua casa, existiam mulheres com as quais ele convivia, e que o povo afirmava serem pessoas de vida dissoluta, merecedoras de desprezo. No entanto, certa ocasião quando adoecera e precisara de socorro, elas o haviam socorrido com dedicação e devotamento, trazendo-lhe alimentação e remédios, e cuidando dele até que estivesse curado e pronto para retornar ao trabalho. Havia também um homem que as pessoas afirmavam ser ele um bandido da pior espécie, tendo cometido vários crimes e sendo procurado pela polícia. Contudo, o jovem o conhecera no mercado, conversara com ele, identificando nele apenas um infeliz que, por muito sofrer, acabara se desencaminhando na existência. Sem saber como agir com essas pessoas e encontrando um ancião tido como sábio por todos, aproximou-se dele e perguntou-lhe: - Diga-me, bom homem, como proceder em relação às pessoas de má vida? A sociedade nos cobra uma postura de afastamento, de desprezo e de indiferença, para que não nos tornemos como elas, copiando-lhes o comportamento errôneo. O que o senhor me diz a respeito disso? O ancião alisou suas longas barbas brancas, pensou por alguns minutos, depois lhe perguntou: - Meu jovem, acaso já observou o pântano, coberto de impurezas? – Sim! A lama nos obriga ao afastamento para não nos contaminarmos com a sujeira que ali existe. O ancião, pensativo, depois falou: - Meu jovem, nesse mesmo pântano onde a imundície reina um raio de luz que desce do alto toca a lama sem contaminar-se. Ajuda-a, aquece-a e afasta-se puro e luminoso como chegou. O jovem sorriu, entendendo o elevado ensinamento. Compreendeu que a sujeira está em quem a carrega. Que podemos nos aproximar das pessoas, conviver, ajudar, sem nos deixarmos envolver por suas atitudes negativas. O velho sábio, com os olhos perdidos à distância, completou: - Pois não era exatamente assim que o Mestre de Nazaré agia em relação a todos os que o procuravam, ensinando-nos a fazer o mesmo? Jesus fez de todos os desprezados pela sociedade, mendigos, doentes, prostitutas, sofredores, os seus prediletos, afirmando que não são os que gozam saúde que precisam de médico, mas os doentes. O jovem respirou fundo, ergueu os olhos para o céu, sentindo-se muito feliz e revigorado. Aquela resposta era tudo o que ele precisava ouvir. Agradeceu ao ancião e partiu, levando em seu íntimo a convicção de estar agindo corretamente. E, desse dia em diante, ainda com mais carinho, dedicou-se aos desafortunados da sorte, fazendo por eles tudo o que estava ao seu alcance... Léon Tolstoi (Mensagem recebida psicografada por Célia Xavier de Camargo) 15 O RECÉM-NASCIDO – Em certa região bem distante, morava um homem muito pobre. Um dia, andando pela mata à procura de lenha para vender, encontrou à margem do caminho uma cesta e, dentro dela, viu uma criança. Ele ouviu o choro fraco do recém-nascido, que estava cuidadosamente embrulhado numa manta e, cheio de compaixão, pegou o pequenino aconchegando-o ao peito. De coração generoso, imediatamente resolveu levá-lo para sua casa. Preocupava-o, porém, a pobreza extrema em que vivia. Como cuidar do bebê, prover-lhe as necessidades, ele, a quem muitas vezes faltava o que comer? Quem sabe alguém com mais recursos, que passasse por aquele lugar poderia ficar com ele e dar-lhe uma vida melhor? Contudo, ouvindo o choro da criança que o fitava com os olhinhos vivos, comentou: - Não posso abandoná-lo aqui, exposto aos perigos. Deus vai me ajudar! Além disso, sempre quis ter um filho. Melhor será dividir com esta criança a minha pobreza do que deixá-la entregue a destino incerto. Como se entendesse a decisão que o lenhador tomara, o recém-nascido se aquietou e dormiu tranquilo. Chegando a casa, o homem abriu a porta e disse: - Mulher, veja o que eu trouxe! A esposa, curiosa, aproximou-se e abriu a manta que o marido trazia nos braços. A criança dormia serenamente, e seu coração se enterneceu. Cheia de alegria, exclamou: - O filho que sempre desejamos ter! Deus ouviu nossas preces! Ao mesmo tempo, consciente da miséria em que viviam, indagou aflita: - Mas como vamos cuidar do bebê, João? Não temos comida nem para nós! E uma criança precisa de cuidados especiais! Confiante, o marido respondeu: - Não se aflija Ana. Se o Senhor nos mandou este bebê, certamente nos dará os meios de para sustentá-lo. Era um menino e deram-lhe o nome de Benvindo. A partir desse dia, tudo mudou. A casa antes triste tornou-se alegre e cheia de risos. João, mas estimulado ao trabalho, agora não se limitava a procurar lenha no mato para vender. Buscava outras fontes de renda e foi assim que um vizinho das redondezas, sabendo da criança, vendeu-lhe uma cabra por preço módico que João poderia pagar como pudesse. Desse modo estava garantido o leite do bebê. Mas isso não bastava. A vida estava mudando e o que mais ele poderia fazer? João na porta dos fundos da casa, olhava o terreno que se estendia à sua frente e pensou que poderia cultivá-lo. Assim, teriam verduras, legumes e algumas frutas. Ele não pensou duas vezes. O homem que lhe vendera a cabra arrumou-lhe também sementes e mudas diversas, satisfeito por vê-lo interessado no trabalho. João então pegou o machado e derrubou algumas árvores, limpando o terreno. Depois fez canteiros e jogou as sementes no solo. Plantou as mudas e cuidou delas com muito amor. Logo tudo estava diferente. À medida que Benvindo crescia, forte e saudável, as plantas igualmente se desenvolviam na terra. Dentro de pouco tempo, no terreno, antes abandonado, os legumes e as verduras surgiram, encantando a vista e trazendo fartura. As árvores frutíferas logo começaram a dar frutos: agora tinham bananas, laranjas, maçãs, mangas e limões à vontade. Como a produção fosse grande, além de terem alimentos, João passou a vender as frutas os legumes e as verduras excedentes. Com o coração alegre pelas novas funções como mãe, transformando sua casa num lar, Ana passou a cuidar com mais carinho da moradia, a exemplo do marido, plantando também um pequeno jardim que enfeitavam e perfumavam o ambiente. Benvindo crescia aprendendo a trabalhar com o pai. Ele era um menino vivo e inteligente. Quando ainda era pequeno, João contou a ele como o encontrara abandonado e da satisfação de trazê-lo para casa, afirmando sempre: - Você é nosso filho muito querido. Foi Deus quem o mandou para nós. O tempo passou e Benvindo começou a frequentar a escola. João e Ana faziam questão absoluta que o filho não fosse um analfabeto, como eles. Mas, apesar de se considerarem ignorantes, souberam dar ao menino noções realmente importantes para sua vida, como o amor a Deus e ao Evangelho de Jesus. Ele cresceu sabendo valorizar a honestidade, o trabalho, o respeito ao próximo, o perdão das ofensas o bem e a caridade. Já rapaz Benvindo foi morar numa cidade grande para continuar os estudos. Terminado o curso com grande satisfação dos pais, ele retornou para casa e disse emocionado: - Papai, não sei como agradecer tudo o que fizeram por mim. Criança abandonada poderia ter morrido de fome e frio, mas, graças a sua bondade, vim para esta casa como filho que tanto tem recebido de ambos. Tudo o que sou hoje devo a vocês. Muito obrigado! Enxugando as lágrimas, Benvindo fitou o pai, já velhinho e encarquilhado, abraçando-o com profundo carinho. Comovido, João pegou o filho pela mão e levou-o para fora de casa, onde se descortinava lindo panorama: bem próximo, o jardim cheio de flores perfumadas; um pouco adiante, do lado esquerdo da casa, as árvores do pomar, carregadas de frutos. Do lado direito, a perder de vista, a horta, onde as verduras e legumes produziam fartamente. – Está vendo tudo isto, meu filho? – Sim, meu pai. É uma imagem que não canso de admirar. Como é bonita a nossa propriedade! O pai então lhe disse: - Pois bem. Nada disso existia antes de você vir para cá. Eu e sua mãe, cansados da existência, não tínhamos disposição para lutar. Passamos até fome muitas vezes. Fez uma pausa, limpou uma lágrima e prosseguiu: - Quando você chegou meu filho, encheu-nos de esperança e de novo ânimo. Precisávamos alimentá-lo, vesti-lo, cuidá-lo. Para isso, tivemos de trabalhar muito, mas o resultado aí está. Abraçando o filho com imenso carinho e justo orgulho, apontou as terras cultivadas. – Assim, devemos tudo isso a você! E devo ainda mais. Devo a você, meu filho, a oportunidade que me deste e a bênção de ser chamado de PAI!... A mãe que chegara, chorando comovida, aproximou-se e, abraçados permaneceram os três por longo tempo... Tia Célia 16 0 SUSTO – Rafael era um menino muito arteiro. Desses que não param um minuto. Desde pequeno dava muito trabalho aos pais, que viviam tendo de protegê-lo a todo o instante. Assim mesmo, com todos os cuidados, Rafael completara oito anos e já tinha quebrado a perna, duas vezes, trincado o osso do braço, a cabeça cortada duas vezes, levando vários pontos, isso sem contar as quedas, os galos, os arranhões e os sustos. Cuidar de Rafael não era tarefa fácil! Sempre tinha alguém gritando: - Cuidado Rafael! A sua mãe recomendava-lhe com carinho: - Meu filho, não corra tanto! – Olhe o buraco! – Não atravesse a rua! Olhe o sinal fechado! Mas, Rafael, não dava atenção, sempre apressado. Um dia, voltando da Escola, Rafael viu um amigo do outro lado da rua e não deu outra. Correu ao seu encontro. A mãe, que caminhava ao seu lado, não conseguiu detê-lo. Só conseguiu gritar: - Rafael! Olhe o carro! Porém não deu tempo. O motorista ao ver que o garoto atravessava a rua correndo, ainda desviou o carro mais não conseguiu frear o veículo a tempo. Rafael foi jogado ao chão. Foi aquela correria. Rafael permanecia desacordado, pois batera a cabeça no asfalto. Alguém chamou a ambulância, e ele foi levado ao hospital. Felizmente, nada de grave aconteceu. Enquanto isso, Rafael percebeu que estava num lugar diferente. Olhou em torno e achou tudo muito bonito. Nesse momento aproximou-se um rapaz todo reluzente. Sério, olhou para Rafael e disse: - Por pouco você consegue retornar mais cedo. – Eu? Retornar para onde? O rapaz respondeu: - Para o mundo espiritual! Não é isso o que tem tentado sempre? O menino respondeu apavorado: - Não! Não quero deixar minha família, a escola, os amigos... Sereno, o rapaz considerou: - Então, tenha mais cuidado, Rafael. Cuide bem do seu corpo, protegendo-o dos perigos. Ele é um grande amigo que lhe serve e também seu melhor tesouro na existência. Evite retornar antes do tempo porque a responsabilidade será sua... Nesse momento, Rafael acordou no hospital. Abriu os olhos e viu as fisionomias preocupadas do pai e da mãe, que ficaram felizes ao vê-lo acordar, e eles começaram a chorar. – Não chorem!... Disse o menino – Prometo-lhes que, daqui em diante, terei mais cuidado. E contou aos pais a conversa que tivera com o moço luminoso, e eles entenderam o que tinha acontecido com Rafael. Era a resposta do Senhor às suas orações. Juntos, elevaram os pensamentos em prece, agradecendo a Deus. A partir desse dia, Rafael transformou-se num outro menino. Continuava a ser criança, brincava, jogava bola e se divertia, como garoto, porém, agora tinha mais cuidado e respeito pelo seu corpo e pela sua existência... Tia Célia. 17 SEM ESPERAR RETRIBUIÇÃO – Carla atravessava um bosque a caminho de sua casa, quando ouviu gritos não muito distantes. Apesar de ter apenas sete anos, a menina gostava de ser útil sempre que podia. Então, preocupada, ela pôs-se a procurar. Seguindo o som da voz, ela chegou perto de um barranco. Olhando para baixo, a menina viu um garoto caído que tentava subir pelo barranco, sem conseguir. Ela então lhe perguntou o que tinha acontecido. Irritado, o garoto respondeu: - Não está vendo? Quase caí no precipício! Tire-me daqui! Estou com a perna ferida e não consigo sair sozinho!... Cheia de boa vontade, a menina procurou alguma coisa que servisse de apoio, para retirá-lo daquele lugar perigoso. Olhando em volta, ela viu um galho de árvore caído. Arrastou-o com muita dificuldade até o barranco e, apoiando-o na borda, fez que escorregasse lentamente até onde estava o menino. Não demorou muito, apoiando-se no galho, ele conseguiu sair daquele lugar. Cansado, sentou-se no chão, aliviado. A menina, contente, batia palmas de satisfação, dizendo: - Conseguimos! Conseguimos!... O garoto que tinha uns dez anos, era bem maior que ela. Olhou-a de alto a baixo e não respondeu, mas pensou: “Eu consegui!”. Depois, ele tentou levantar-se, mas sentia muita dor. Então, ordenou à menina: - Ajude-me a chegar até em casa. Humilde e prestativa, Carla ofereceu-lhe o ombro para servir de apoio. Chegando a casa dele, que ficava um pouco longe, ele parou no portão. – Agora pode ir embora, menina. Não preciso mais de você. A mãe do garoto, que estava ali perto cuidando de umas flores, viu-o chegando e ouviu o que o filho disse. Preocupada foi até o portão. – O que houve Lauro? – Eu caí num barranco e machuquei a perna, mamãe. Ela abaixou-se para examiná-lo, e depois concluiu: - Não foi nada. Deve estar doendo bastante porque está ferida, mas logo ficará boa de novo. Em seguida, olhando para a menina, perguntou ao filho: - E essa linda garota, quem é? Sua amiga, Lauro? – Não. Não a conheço e nem seu o nome dela. É apenas alguém que apareceu por lá! Surpresa, a mãe sorriu para a menina, que informou: - Meu nome é Carla, senhora. Estava indo para casa, quando ouvi gritos. Então achei seu filho que quase caíra no precipício! - Ah, então o tal barranco era do precipício?... E aí você ajudou meu filho? Carla contou-lhe como fez para ajudá-lo e trazê-lo até ali. A mãe de Lauro estava impressionada. – E você mora aqui perto, Carla? – Não senhora. Moro num sítio bem longe, do outro lado do bosque. Mais surpresa ainda com a resposta, ela olhou séria para o filho que ouviu a conversa, constrangido, e disse com incredulidade: - Então meu filho, esta linda menina, da qual você nem sequer sabia o nome, o encontrou machucado, caído no barranco, naquele lugar ao qual você estava proibido de ir, e ajuda-o a sair da lá. Não contente com isso, acompanha-o até em casa e você despede-a sem dizer nem “obrigado”? O menino ouviu o que a mãe disse e, somente naquele instante percebe como tinha sido mal-educado e grosseiro com a menina. Abaixou a cabeça, envergonhado, depois abre a boca para agradecer, quando Carla o impede. – Não é preciso, Lauro. O que eu fiz não foi esperando agradecimento. – E por que ajudou um garoto mal-educado e desconhecido?... – perguntou a senhora, perplexa. – Foi minha mãe que ensinou, e eu aprendi, com Jesus, que devemos fazer aos outros tudo o que gostaríamos que, por sua vez, os outros nos fizessem, e sem esperar retribuição. Lauro estava vermelho de vergonha. –Desculpe Carla. Agi mal com você, mas gostaria realmente de retribuir de alguma maneira o que fez por mim! A menina respondeu: - Então, Lauro, quando tiver oportunidade, faça o mesmo para alguém em dificuldade. A senhora, emocionada, deu um grande abraço em Carla, assegurando-lhe: - Carla! Eu faço questão de levá-la até sua casa. Quero conhecer sua mãe, que deve ser tão boa quanto você. E a partir de hoje, desejo que sejamos grandes amigas!... Meimei (Mensagem recebida através da psicografia de Célia Xavier de Camargo) 18 UM CONTO DE NATAL – Num país distante, em certa região muito pobre uma menina caminhava. Karina era filha de humilde camponês que com muita dificuldade conseguia manter a família. Assim, não raro faltava o necessário em casa e a menina ia dormir com fome. Dotada de bom coração, ela ajudava a mãe nos afazeres domésticos e executava suas tarefas sem jamais reclamar. Certo dia, a menina saíra cedinho para apanhar gravetos na floresta, para acender o fogo e mantê-los aquecidos. Estava muito frio e a menina caminhava com dificuldade. A neve caíra durante a noite, parando ao amanhecer. Agora, porém, nuvens escuras prenunciavam nova tempestade. Era preciso se apressar e olhando para o chão, a garotinha viu um pequeno embrulho meio encoberto pela neve. Ela apanhou-o e abriu. Ficou muito surpresa e satisfeita ao ver que era um pão que alguém, certamente sem perceber, havia deixado cair. Seu primeiro pensamento foi devolvê-lo ao dono, mas, como encontrá-lo? Seria impossível, ainda mais com a tempestade se aproximando. Karina guardou-o com cuidado na sacola, pensando na alegria da sua mãe quando visse o pão. Não era grande, mas daria para alimentar. Ela apressou o passo, pois nada comera naquela manhã e ansiava chegar a casa levando a boa surpresa. Nisso, ela viu à beira da estrada alguém estendido no meio da neve. Estava coberto com um manto velho e roto. Aproximou-se e percebeu que era um velhinho quase enregelado de frio. – O que o senhor tem? Posso ajudá-lo? – perguntou com gentileza. O ancião abriu os olhos e viu a menina debruçada sobre ele, cheia de preocupação. Com voz fraca, disse: - Ah! Foi Deus quem mandou você aqui! Estou muito fraco e não tenho forças para me levantar. – O senhor está doente? – Não, menina, estou com fome. Caminhei muito e, sem dinheiro, nada pude comprar para comer, respondeu o velho. Karina lembrou-se do pão que tinha guardado na sacola. Sua barriga roncava, mas, cheia de piedade, não teve dúvidas. – Senhor por sorte eu tenho aqui um pão. Tome, ele é seu! O velhinho arregalou os olhos e agarrou, satisfeito, o pão sem poder acreditar em tamanha bênção, comendo-o com sofreguidão. Em seguida, Karina levou-o até sua casa, pouco distante dali, para que se aquecer junto à lareira, pois a tempestade não tardaria a cair. Ao chegarem, a mãe de Karina recebeu-os com largo sorriso, explicando: - Somos muito pobres, como pode ver, e nada teremos para lhe oferecer senão calor, amizade e uma boa caneca de chá quente. Seja bem-vindo ao nosso lar! Era véspera de Natal. O velhinho percebeu que, tal como ele, a família também estava passando por duras privações. Sabia que, naquelas condições, a menina nada esperava ganhar naquele Natal, ficando feliz se tivesse algo para comer. Mais reanimado, ele deixou a casa sem dizer para onde ia. Era tarde quando o pai de Karina chegou com um grande sorriso no rosto. Ganhara algumas coisas do patrão: um grande pão, leite de cabra, carne e algumas ameixas secas. Para eles isso era uma festa! Afinal, teriam uma verdadeira refeição! Karina ajudou a mãe arrumando a mesa para a ceia, enquanto pensava onde estaria o velhinho que socorrera naquela manhã. Que estranho ele ter sumido daquele jeito! Preparavam-se para saborear a refeição, quando alguém bateu à porta. Era o velhinho. Ele se aproximou de Karina entregando-lhe um pequeno embrulho malfeito. Contendo a respiração, a menina abriu o pacote. Era uma boneca de madeira! Tinha rosto delicado, grandes olhos, cabelos ondulados e um sorriso cativante. Não faltava sequer a roupa que o bom velhinho improvisara amarrando alguns trapos. Vendo que a menina não dizia nada, ele perguntou: - Gosta? Não foi fácil encontrar a madeira certa para ser trabalhada. Dediquei grande parte do meu dia para fazer-lhe este presente. Feliz Natal! Com os olhos cheios de lágrimas, ela falou com voz embargada: - Ela é linda! Sempre desejei ter uma boneca! Muito obrigada. O senhor é um verdadeiro artista. Que Jesus o abençoe! - Eu é que tenho de lhe agradecer, boa menina. Se não fosse você, provavelmente essa hora eu já estaria morto... Naquela noite, quando se sentaram em torno da mesa para orar, tinham muito que agradecer a Jesus. Agradecer por estarem juntos e com saúde, apesar das dificuldades. Agradecer a existência, concedida pelo Criador, que fazia com que seus corações vibrassem num grande hino de amor ao próximo. Naquele momento sentiam-se dominados por imenso sentimento de fé e de esperança em dias melhores. Agradecer, especialmente, a vinda de Jesus ao mundo. Aquela noite, representava uma nova era para a Humanidade, pois era a noite em que Jesus nascera, para trazer seu Evangelho, a boa nova, que iria direcionar a vida dos povos pelos séculos, mostrando aos homens que todos são irmãos perante Deus, e que devem aprender a se amar mutuamente, segundo o princípio do “fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam”. O velhinho não tinha família e vivia sozinho a perambular pelas estradas. Sabendo disso, os pais de Karina o convidaram a morar com eles. O velhinho arranjou trabalho numa propriedade próxima como entalhador, feliz por poder colaborar nas despesas da casa. A amizade entre eles se fortaleceu com o tempo, para alegria de todos, tornando-se parte de uma família feliz... Tia Célia. = = = = 19 A LOJA DE DEUS – Uma certa pessoa passando por uma loja, ficou admirada ao ler a placa, e entrou. Um Espírito atendia ao balcão. A pessoa perguntou: - Santo anjo do Senhor, de que natureza é a mercadoria desta loja? O Espírito respondeu solícito: - Aqui temos todos os dons de Deus. – E custa caro?- retrucou a pessoa. – Não, é tudo de graça. Observando bem viu jarros de fé, pacotes de esperança, caixinhas de salvação, vidros de sabedoria... a pessoa então tomou coragem e pediu: - Por favor, quero muito amor de Deus, todo o perdão D’ele, um vidro grande de fé e caridade, muitos pacotes de felicidade, algumas dúzias de esperança; embrulhe também uma dúzia de paciência, duas caixas de tolerância, três potes de boa-vontade, quatro jarros de reforma íntima, um fardo de disciplina e bastante sabedoria... – O Espírito respondeu: - Pois não, aguarde só um momento. A pessoa pediu ainda: - Ah, dê-me ainda um copo de compaixão, um litro de humildade, duas medidas de benevolência, três dozes de simplicidade e... Esqueceu-se de mais alguma coisa? – Perguntou o Espírito, notando-o hesitante. – Se por acaso houver, quero também um antídoto para o egoísmo, a maledicência, o orgulho, o personalismo, o preconceito, a vaidade, inveja e ambição. – Respondeu o benfeitor com bondade: Não temos o antídoto, mas tudo o que o irmão pediu cura esses males e muitos outros também. - É mesmo? Que bom, então é só isso. – O Espírito foi até o fundo da loja e voltou com um embrulho que cabia na palma da mão. A pessoa perguntou: - Está tudo aqui, neste embrulho tão pequeno? – Sim, meu irmão. E incluí mais três gotas de trabalho desinteressado, por recomendação do Senhor. – Mas?... – O Espírito ainda complementou: - Meu irmão, na Loja de Deus não distribuímos os frutos, somente as sementes, para o cultivo de cada um... Autor desconhecido 20 AS TRÊS ORAÇÕES DAS ÁRVORES- Antiga lenda conta que três árvores ainda jovens pediram a Deus, lhes concedessem destinos gloriosos e diferentes. A primeira disse que desejava ser empregada no trono mais soberano da Terra; a segunda pediu para ser utilizada na construção de uma condução que transportasse os tesouros desse rei poderoso; a terceira desejava ser transformada numa torre, nos domínios desse rei, para indicar o caminho do Céu. Um mensageiro angelical disse às árvores que o Todo-Poderoso lhes atenderia as petições. Tempos depois, lenhadores vieram e cortaram as árvores. Arrastadas para fora do ambiente familiar, e confiadas nas promessas do Supremo Senhor, se deixaram conduzir humildemente. A primeira, foi entregue a um criador de animais que mandou convertê-la num cocho destinado a alimentar os animais; a segunda, foi adquirida por um velho que construía barcos; a terceira, foi guardada numa cela de malfeitores para servir em momento oportuno. As árvores mesmo separadas não deixaram de acreditar na promessa do Eterno. No bosque, as outras árvores tinham perdido a fé no valor da oração, quando após anos, ficaram sabendo que as três pedintes haviam obtido as concessões solicitadas. Quais seus destinos? A primeira, forrada de panos singelos foi onde Maria de Nazaré colocou o menino Jesus, servindo de berço ao Messias; a segunda, utilizada num barco, serviu a Jesus para transmitir sobre as águas, muitos dos seus belos ensinos; a terceira foi convertida numa cruz, apressadamente, em Jerusalém, seguiu com Jesus para o monte, e ali, ereta, indicou o verdadeiro caminho do Reino Celestial. Cada oração foi atendida de maneira diferente... Sempre pedimos o que nos parece bom, mas estejamos certos de que Deus nos concede sempre o que é melhor para nós... Moral da história: Todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces, orações, no entanto, nós precisamos cultivar a paciência e a humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus. Autor Desconhecido 21 UMA ÁRVORE ESPECIAL - Alguém já ouviu falar de uma árvore que, além de dar frutos, dava comida: feijão, arroz, carne? Pois é, essa árvore existiu e era uma árvore muito especial, porque foi o início de uma linda história. Era uma vez uma senhora muito bondosa que se chamava Maria. Em frente de sua casa havia uma linda árvore. Dona Maria, preocupava-se com as pessoas que passavam fome perto de sua casa. Ela, então, arrumou um jeito de ajudar: todos os dias pendurava na árvore em frente de casa, um saco e dentro dele arrumados em caixas de leite previamente limpas, colocava comida: arroz, feijão, pão, carne e o que mais houvesse para o almoço em sua casa. Com o tempo, Dona Maria percebeu que o saco de comida desaparecia assim que era colocado na árvore em frente de sua casa. Curiosa, um dia ela ficou espiando e viu um menino, com cerca de seis anos de idade, usando roupas rasgadas, esperava pela comida e sentava à sombra da árvore para saboreá-la. Tito comia com vontade, pois em sua casa, muitas vezes, não havia o que comer. Ele morava com a mãe, viúva e com mais três irmãos menores. A bondosa senhora resolveu, então, se aproximar do menino, a fim de ajudá-lo. Puxou conversa e prometeu a ele para o dia seguinte, um bolo de chocolate e, assim eles foram se conhecendo melhor. Logo os dois estavam almoçando juntos e Dona Maria caprichava na comida para que o menino crescesse forte e saudável. Quando a mãe de Tito adoeceu e não pôde trabalhar, Dona Maria preparou mais comida, para que também houvesse almoço para os outros irmãos e sua mãe. Nos anos que se seguiram, Dona Maria incentivou-o a estudar, dando a ele o material escolar e acompanhando seus progressos na escola. A família de Tito também foi encaminhada para receber auxílio no Centro Espírita onde Dona Maria frequentava, recebendo roupas, alimentos, orientação profissional e espiritual. Ambas as senhoras, se tornaram amigas, frequentando junto, o grupo de estudos do qual participava também Tito e seus irmãos. O menino crescia em idade e em saber: era um aluno dedicado e sempre mostrava orgulhoso, o boletim para a sua protetora, que ficava contente ao perceber que o menino estudava bastante e era um aluno exemplar. O tempo passou, a amizade dos dois se fortaleceu e logo Tito era um adolescente. Alguns anos depois, quando o jovem arrumou o primeiro emprego, Dona Maria foi a primeira ‘a saber’ que ele iria trabalhar na fábrica perto de sua casa. Enquanto Dona Maria se tornava uma velhinha muito simpática, Tito se transformava em um adulto, e, cada vez mais, era um homem responsável, caridoso e de bem. Quando Dona Maria adoeceu, Tito e a namorada dele cuidaram dela durante muito tempo. E foram eles que escutaram as últimas palavras que Dona Maria pronunciou antes de se libertar da encarnação: - Que bom que vocês estão comigo, hoje. É mesmo verdade; o bem que se faz aos outros, sempre retorna para nós... Cláudia Schmidt 22 UM PRESENTE POR PASSAR DE ANO – Laura estava muito chateada e foi reclamar ao pai: - Por que a Maria ganhou uma bicicleta por passar de ano e eu não ganhei nada? Eu também tirei boas notas... O pai sabia que, às vezes, era difícil Laura entender algumas decisões, mas ele tinha convicção de que estava dando a melhor educação para a filha bem amada. Assim, ele iniciou a explicação com calma, perguntando se ela lembrava-se das regras da família. A menina disse que sim, e o pai perguntou quais eram os deveres dela como filha. – Obedecer e respeitar os pais, ajudar nas tarefas de casa, não brigar com a irmã, estudar... – As regras auxiliam para o bem-estar de todos, não é? A menina concordou com a cabeça e o pai continuou: - Você recebe salário por isso? - Recebo uma mesada – disse Laura. O pai então lembrou a ela que a mesada não era pagamento por ela cumprir suas obrigações, mas sim, uma maneira dela aprender que as coisas materiais custam dinheiro e que não podemos comprar tudo o que queremos. - Não vamos lhe dar um presente por você passar de ano ou por ter sido uma boa menina – disse com firmeza, o pai. O bem deve ser realizado porque é o correto a fazer e não porque vamos ganhar algo em troca. Ele fez uma breve pausa, para convidar a filha a chegar mais perto, a fim de que pudesse acariciar seus cabelos. Quando ele continuou, era possível perceber a sinceridade e o amor em suas palavras: - Você ainda não percebeu, mas fazer o bem traz felicidade. Um dia, minha filha, você vai entender que devemos fazer o que é correto, para não colhermos os frutos de nossas más escolhas. Quem escolhe o mal, também escolhe o sofrimento, que é a consequência futura daquela escolha. - Mas ganhar uma bicicleta seria um bom incentivo – esse era o último argumento da garota. O pai respondeu: - Todos têm o livre-arbítrio. E nós, seus pais, escolhemos não comprar a sua dedicação aos estudos com uma bicicleta ou uma roupa nova, mas explicar a você sobre a lei de Causa e Efeito. Laura já tinha ouvido falar muitas vezes nessa lei. É a lei da colheita; podemos escolher o que plantar: o bem ou o mal, mas colheremos o que plantarmos. – Já sei... Não posso plantar tomates e colher cebolas, não posso fazer o mal e querer colher coisas boas. - Isso também se aplica aos seus estudos. Os pais podem esclarecer, mas quem escolhe é o filho. E, com certeza, você não vai ganhar um presente por ter feito a escolha certa, que é estudar com seriedade e valorizar o que está aprendendo. Você mesma vai colher as venturas no futuro. Aliás, não conheço ninguém arrependido de ter estudado. Laura concordou um pouco contrariada ainda, afinal, não é fácil crescer em uma família, sem promessas e sem recompensas imediatas. Mas tarde ela entenderia que as lições recebidas na infância foram importantes para que ela escolhesse o bem que traz a felicidade... Cláudia Schmidt 23 O CÍRCULO DO ÓDIO - 1 O diretor de uma empresa gritou com seu gerente porque estava irritadíssimo; 2 o gerente, em casa, gritou com sua esposa, acusando-a de gastar demais; 3 a esposa, gritou com a empregada, que acabou deixando um prato cair no chão; 4 a empregada chutou o cachorrinho no qual tropeçara, enquanto limpava os caco de vidro; 5 o cachorrinho saiu correndo de casa e mordeu uma senhora que passava na rua; 6 a senhora foi à farmácia para fazer um curativo e tomar uma vacina. Ela gritou com o farmacêutico porque a vacina doeu ao ser aplicada: 7 o farmacêutico, ao chegar em casa, gritou com a esposa porque o jantar não estava do seu agrado; 8 sua esposa afagou seus cabelos e o beijou, dizendo: - Querido! Prometo que amanhã farei seu prato favorito. Você trabalha muito. Está cansado e precisa de uma boa noite de repouso Vou trocar os lençóis da nossa cama por outros limpos e cheirosos para que durma tranquilo. Amanhã você vai se sentir melhor. Ela então se retirou e deixou-o sozinho com seus pensamentos... Nesse momento rompeu-se o Círculo do Ódio. Esbarrou, ele, na tolerância, na doçura, no perdão e no amor. Se você está no Círculo do ódio, lembre-se que ele pode ser quebrado. Não mude sua natureza. Permaneça tranquilo. Se alguém te faz algum mal, apenas esqueça e siga em frente fazendo o bem. Algumas pessoas buscam a felicidade e não a encontram, enquanto outras a possuem. Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação, é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, É PROBLEMA DELES... ( Autor desconhecido) 24 UM NOVO DIA - Neste novo dia... Prometa a si mesmo: Ser tão forte que nada perturbe a paz de sua mente. Falar de felicidade, saúde e prosperidade a cada pessoa que encontrar. Fazer sentir aos seus amigos que há algo de valor neles. Ver o lado brilhante de cada coisa e conseguir o otimismo por meio dele. Pensar, trabalhar e esperar a cada dia, somente o melhor. Ser tão entusiasta pelo êxito dos demais como pelo seu próprio. Esquecer os erros do passado e insistir para conseguir grandes realizações. Exibir um aspecto atraente e obsequiar cada pessoa com um sorriso. Procurar seu melhoramento pessoal que não sobre tempo para críticas. Ser demasiado grande para preocupar-se, demasiado nobre para irar-se. Demasiado feliz para permitir a presença de problemas a perturbar sua FÉ... Cristian Larsen 25 O MAIS DIFÍCIL - Diante das águas calmas, Jesus refletia. Afastara-se da multidão, momentos antes. Ouvira deboches e sarcasmos. Vira chagas e aflições. O Mestre estava pensativo... Tadeu e Tiago, João e Bartolomeu aproximaram-se. Aquele era um momento raro e ensaiaram algumas perguntas. - Senhor, qual é o mais importante aviso da Lei na existência dos homens? –perguntou João. E o divino amigo passou a responder: - Amemos a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos. - E qual é a virtude mais preciosa? - indagou Tadeu. - A humildade. - Qual o talento mais nobre, Senhor? - falou Tiago. - O trabalho. - E a norma de triunfo mais elevada? – interrogou Bartolomeu. - A persistência no bem. - Mestre, e qual é, para nós todos, o mais alto dever? – aventurou Tadeu. - Amar a todos, a todos servindo sem distinção. - Oh! Isso é quase impossível! – gemeu o discípulo. - A malde é atributo de todos. Faço o bem quanto posso, mas, recolho apenas espinhos de ingratidão – clamou Tiago. - Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda parte – acentuou outro apóstolo. - Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para auxiliar - disso outro. E as mágoas foram desfilando diante do Mestre silencioso. João, contudo, voltou a interrogá-lo: - Senhor, que é mais difícil? Qual a aquisição mais difícil? Jesus sorriu e declarou: - A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar... A aquisição mais difícil para todos nós chama-se... PACIÊNCIA. Hilário Silva (Extraído do livre “A Vida Escreve”- psicografado por Francisco C. Xavier). Jc. S. Luís, 7/9/2012

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