domingo, 19 de agosto de 2012

REVELAÇÃO ESPÍRITA

REVELAÇÃO ESPÍRITA O ser humano, habitante deste mundo de expiações e provas, limitado em seus conhecimentos de tantas e tantas coisas que o rodeiam, desconhecendo a si mesmo, tem, entretanto, a intuição de que um Ser Supremo de Amor, de Poder, Bondade e Sabedoria, é seu Criador e a Causa primaria de tudo o que existe. Como ser humano e espiritual que é a intuição do Infinito jamais lhe foi cerceada, apesar de sua ignorância. Daí a crença desde os tempos primitivos, em deuses de variadas denominações; em forças superiores não definidas. Posteriormente surgiram as religiões, com seus cultos cheios de superstições e erros, mas sempre em busca de explicações a respeito do fenômeno da vida e da Criação. Em toda a trajetória do ser humano na Terra, jamais faltou á assistência de seu Governador, o Cristo, acompanhando o lento progresso da Humanidade, com infinita paciência e amor. Hoje sabemos que esse acompanhamento do Cristo decorre do determinismo de Deus, nosso Pai Criador. Assim compreendemos a razão por que somente em meados do século XVIII o Governador Espiritual da Terra enviou o Consolador, prometido quando da Sua passagem neste mundo. É que, sem uma base de conhecimento mínimo, o ser humano não tinha condições de tomar conhecimento, de forma satisfatória, de verdades e realidades novas para ele, como sendo um Espírito Imortal, dentro do Universo infinito, cerceado que foi em sua liberdade por séculos, embora essas verdades já tivessem sido referidas antes, de forma velada, tanto pelos emissários como pelo próprio Cristo. A Religião dos Espíritos, vindo ao mundo séculos após a instituição das diversas denominações religiosas, encontrou uma Humanidade que já havia progredido muito em termos de conhecimentos científicos. Depois das teorias comprovadas de Nicolau Copérnico e de Galileu Galilei, a Terra deixou de ser o centro do Universo. Essa nova concepção cósmica, a partir do século XVII, aliada ao desenvolvimento das ciências nos séculos seguintes, preparou a Humanidade para que pudesse evoluir no campo do conhecimento e também no campo espiritual. Quando a Terceira Revelação chega ao mundo, é o Cristo voltando a Terra, cumprindo Sua promessa, através da vinda do Consolador, relembrando tudo o que fora dito por Ele, revelando novas realidades e retificando o que fora mal entendido. Como simples ilustração desse mau entendimento, vemos no Velho Testamento, que Deus é apresentado ao povo hebreu, em aspectos contraditórios. Ora é apresentado como impiedoso para com suas criaturas; outras vezes é o pai bondoso. Deus é colocado ao nível das paixões humanas; implacável, vingativo, exclusivo do povo hebreu, devendo ser temido, em vez de ser amado como nos ensinou Jesus, no Seu Evangelho... Pode-se considerar a Doutrina dos Espíritos uma revelação? – Para respondermos a essa indagação, precisamos primeiro definir o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim “revelare”, significa literalmente “sair de sob o véu; e no figurado, significa descobrir, fazer conhecer uma coisa secreta ou desconhecida; em sentido vulgar, diz-se de toda coisa ignorada que vem à luz, de toda idéia nova que não se conhecia. O caráter essencial de toda revelação deve ser a verdade. Toda revelação desmentida pelos fatos não é uma verdadeira revelação; e se é atribuída a Deus essa revelação e não sendo verdadeira, não pode emanar Dele; portanto é produto de uma concepção humana. Qual é o papel de um professor, diante de seus alunos, senão o de um revelador? Ensina-lhes o que não sabem o que não teriam nem tempo e nem possibilidades de descobrirem por si mesmos; porque o conhecimento é obra coletiva dos séculos e de uma multidão de seres humanos que deram, cada um, a sua contribuição, e das quais se aproveitam aqueles que vêm após eles. O ensino é na realidade, a revelação de certas verdades científicas, morais, físicas ou metafísicas, feitas por pessoas que as conhecem, a outras pessoas que as ignoram, e que, sem isso, ficariam sempre ignorando. Mas o professor só ensina o que aprendeu: é um revelador de segunda ordem; enquanto o homem de gênio ensina o que descobriu por si mesmo: é então um revelador primitivo; produz a luz ou conhecimento que, gradualmente vai de ampliando e se espalhando. – Onde estaria a Humanidade, sem a revelação dos gênios, que aparecem de tempos em tempos? De onde vêm esses homens de gênio? – Observamos que desde o nascimento, trazem faculdades transcendentais e conhecimentos inatos, que um pouco de trabalho, basta para desenvolver. Pertencem eles à humanidade, uma vez que nascem, vivem e desencarnam como nós. Onde, pois, adquiriram esses conhecimentos que transmitem à Humanidade? O homem de gênio é um Espírito que já viveu por mais tempo; em várias existências, que consequentemente mais adquiriu e progrediu do que aqueles que estão menos avançados. Voltando em nova existência corporal, traz o que sabe, e como sabe mais do que os outros, é considerado um homem de gênio. O que sabe é fruto de um trabalho constante anterior, e não o resultado de um privilégio. Esses gênios progridem pela vontade e pelos esforços de sua inteligência. Todos os povos tiveram os seus homens de gênio, que viveram, em diversas épocas, para dar impulso aos seus semelhantes tirando-os da inércia. Desde que se admita a solicitude de Deus para com suas criaturas, por que não admitir que Espíritos com superioridade de conhecimentos, de fazer a Humanidade progredir voltem a Terra pela vontade de Deus, tendo em vista ajudarem o progresso em um determinado sentido; recebendo uma missão igual a um embaixador que recebe uma tarefa de seu soberano? Esses gênios, que aparecem de tempos em tempos como estrelas brilhantes, que deixam um longo rastro luminoso na Humanidade, são missionários, reveladores de coisas novas que ensinam, tanto na ordem física, como na ordem filosófica e religiosa. Se Deus permite que as verdades científicas sejam reveladas, com mais forte razão permite as verdades morais, que são um dos elementos essenciais do progresso. No sentido religioso, a revelação trata mais das coisas espirituais, que o ser humano não pode saber por si mesmo, que não descobre por meio dos seus sentidos, cujo conhecimento lhe é dado por Deus, através de Seus mensageiros, seja por meio da palavra direta ou pela inspiração. Todas as religiões tiveram os seus reveladores que, longe de terem conhecido toda a verdade, foram apropriados ao tempo e ao meio onde viveram e aos povos aos quais falaram, e a quem eram relativamente superiores. Infelizmente, as religiões, em todos os tempos, serviram como instrumentos de dominação; o papel de profeta, representante ou mensageiro proliferou em função de ambições secundárias, e surgiu uma multidão de pretensos reveladores, que graças ao prestígio desses nomes, exploram a credulidade de suas vítimas, seus irmãos. A religião cristã não ficou isenta desses parasitas, tanto que Jesus nos alerta contra os falsos profetas e falsos Cristos. Somente os Espíritos puros, humildes e amorosos recebem e transmitem a palavra de Deus. Nem todos os Espíritos são puros; existem os que se apresentam sob falsas aparências, o que levou o apóstolo João a dizer: “Não creiais em todo Espírito, mas vede antes se os Espíritos são de Deus.” O Decálogo (Dez mandamentos) tem as características de lei divina, enquanto as outras leis mosaicas são obra pessoal do legislador hebreu. O Cristo fez do decálogo a base dos seus ensinos, ao passo que aboliu as outras leis. Moisés e o Cristo foram os dois grandes reveladores do passado que mudaram o mundo. Uma importante e nova revelação se cumpre nos nossos tempos; a que nos mostra a comunicação dos seres humanos com os seres do mundo espiritual. Esse conhecimento não é novo, porém permaneceu até a pouco tempo sem proveito para a Humanidade. A ignorância das leis que regem essas relações as havia sufocado sob a superstição. Estava reservado à nossa época, fazer sair á luz para iluminar a rota do futuro. A Doutrina dos Espíritos, dando-nos a conhecer o mundo invisível, espiritual, as leis que o regem, o destino do ser espiritual depois da libertação do corpo, é uma verdadeira revelação. Não é o resultado da iniciativa de um homem; os pontos fundamentais da Doutrina são ensinamentos dados pelos Espíritos Superiores, encarregados por Deus para esclarecerem os seres humanos sobre as coisas que ignoravam, por já estarem amadurecidos para compreendê-las. Ao elemento material juntou o elemento espiritual, que são as duas forças vivas da Natureza. Pela união desses dois elementos, explica-se, sem dificuldades, uma multidão de fatos até então inexplicáveis. O Espiritismo tendo por objetivo o estudo das forças espirituais do Universo precisava da maioria das ciências e não poderia vir senão depois destas, em função da impossibilidade de tudo explicar somente pelas leis da matéria. Ninguém nega, hoje, que estivessem na astrologia e na alquimia os fundamentos de onde saíram ás ciências atuais. Ocorre o mesmo com o Espiritismo, em que é acusado de parentesco com a magia e a feitiçaria. Estas se apoiavam também sobre a manifestação dos Espíritos; mas, na ignorância das leis que regem o mundo espiritual, misturavam essas relações e práticas, ritos e crenças ridículas, que o Espiritismo, fruto da experiência e da observação, soube separar. Mostrando apenas a verdade das relações espirituais. A distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a existente entre a astrologia e a astronomia, a alquimia e a química. É, pois, com razão que o Espiritismo é considerado a terceira das grandes revelações. MOISÉS, na qualidade de profeta, revelou aos homens o conhecimento de um Deus único, Senhor e Criador do Universo, de todas as coisas e seres; recebeu as tábuas da Lei (O decálogo ou Dez Mandamentos) no monte Sinai e na qualidade de legislador, lançou os fundamentos da verdadeira fé e criou leis primitivas, que apresentou como divinas, para poder conter os excessos do povo simples e ignorante daquela época. CRISTO, tomando da lei antiga o que era eterno e divino, e rejeitando o que era transitório, acrescentou a revelação da vida futura, da qual Moisés não havia falado, e um novo conceito de Deus; não mais o Deus terrível, vingativo, impiedoso, injusto; não mais um Deus de um só povo que se julgava privilegiado; mas um Deus soberanamente bom e justo, de amor e misericórdia, que perdoa ao filho arrependido, e dá a cada um segundo as suas obras. Não mais o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado. Toda a doutrina do Cristo está sintetizada em dois mandamentos: “Amai a Deus sobre todas as coisas, e ao vosso próximo como a vós mesmos.” Entretanto, o Cristo acrescentou: “Muitas das coisas que vos digo, não podeis ainda compreendê-las, e tenho para vos dizer, muitas outras coisas que não compreenderíeis; por isso vos falo por parábolas; mas tarde vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vos explicará outras mais”. Se o Cristo não disse tudo o que ele queria dizer, foi porque acreditou deixar certas verdades na sombra, até as pessoas estarem no estado de compreendê-las. Por que chama o Cristo, de Consolador, o novo Revelador que haveria de vir? – Previa ele que os seres humanos teriam necessidade não só de conhecimentos, mas também de consolações pela insuficiência das crenças existentes. Nunca o Cristo foi mais claro do que nestas palavras. A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS, tomando seu ponto de partida das palavras do Cristo, é uma conseqüência direta da sua doutrina. Sobre a ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação do mundo espiritual, que nos cerca e povoa o Universo, fixando a crença e dando-lhe uma consistência. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o céu que escondia os mistérios do nascimento e da passagem da alma para a espiritualidade. O ser humano passa então “a saber” de onde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente, e passa a crer na justiça de Deus. Sabe também que o Espírito progride, sem cessar, através de várias existências, até que haja conquistado o grau de perfeição relativa que pode aproximá-lo de Deus. Compreende que todos os Espíritos, tendo um mesmo ponto de partida, são criados iguais, com a missão de progredir de acordo com seu livre-arbítrio e que não há entre eles senão a diferença do progresso alcançado, e que todos têm a mesma destinação e atingirão o mesmo objetivo. A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo falou a Nicodemos, mas sem defini-lo, é uma das leis mais importantes reveladas pelo Espiritismo, necessária para o progresso. Por essa lei tomamos conhecimento das aparentes anomalias que a existência terrena apresenta. Com a reencarnação, caem os preconceitos de raças e de castas, uma vez que o Espírito pode renascer rico ou pobre, chefe ou subordinado, homem ou mulher, branco, preto, amarelo ou índio. O Espiritismo além de acabar com a dúvida com respeito à vida futura, mais tem feito pelo adiantamento moral do ser humano, através das leis disciplinares que o freiam algumas vezes, transformando-o para melhor. O Espiritismo vem confirmar o Evangelho, revelando tudo o que o Cristo disse e fez, trazendo luz sobre pontos obscuros dos seus ensinamentos que pareciam inadmissíveis, através das novas leis conhecidas da Natureza. A primeira revelação estava personificada em Moisés, a segunda no Cristo; a terceira não está em nenhuma pessoa. As duas primeiras são individuais, enquanto a terceira é coletiva por ter sido feita simultaneamente, a milhões de pessoas em toda a Terra, conforme predição nos Atos dos Apóstolos que diz: “Nos últimos tempos, disse o Senhor. derramarei de meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos profetizarão”. Esta circunstância na história das doutrinas deu ao Espiritismo uma força excepcional e um poder de ação irresistível; se a reprimem em um país, como já aconteceu antes, é impossível reprimi-la em todos os paises. Como os Espíritos Superiores são os mentores dessa doutrina e eles estão em toda parte, e haverá sempre eles, é impossível abafá-la; devem se convencer os que sonham com a derrota da Doutrina dos Espíritos. A revelação foi feita em diversos lugares ao mesmo tempo, e é dessa maneira que ainda hoje é realizada; cada Centro Espírita encontra, nos outros Centros, o complemento dos ensinos que constituem o conjunto da Revelação Espírita, que Deus assim quis para a universalidade do ensinamento. Os espíritas marcham seguro ao sentirem um ponto de apoio; os fenômenos mediúnicos ligados às leis gerais de harmonia, dos quais são testemunhas e participantes. Estes são em resumo, os resultados da Nova Revelação. Veio ela preencher o vazio da incredulidade, elevar as mentes abatidas pela dúvida e perspectivas do nada, após a morte física, e dar a todas as coisas, uma explicação racional e a razão de ser. Entretanto, nunca a seara esteve tão pronta e receptiva para as sementes da Revelação Espírita, como nos tempos atuais. Porém, salvo exceções, nós espíritas não estamos sabendo nos valer deste momento excepcional. Quer nos parecer que isto acontece porque não estamos realmente sabendo juntar o conhecimento doutrinário com a prática do Evangelho em nossas vidas, e também nas Casas Espíritas. Falamos muito dos ensinamentos do Evangelho de Jesus, mas ainda temos dificuldades para vivenciá-lo como nos ensinou o Mestre Amado. Não restam dúvidas, de que as pessoas que freqüentam o meio espírita, principalmente aquelas que assumem compromissos nas mais variadas frentes de trabalho, estão com as melhores intenções e propósitos de praticar o bem. Contudo devemos lembrar a resposta dada pelos Espíritos Superiores a Kardec, na questão 932 de “O Livro dos Espíritos”, quando diz “que o mau se manifesta de forma pujante, agressiva, enquanto o bem se manifesta timidamente”. Devemos, portanto, ousar mais para sermos agentes produtivos dos ensinamentos e exemplos de Jesus. É necessário para isso que tracemos de forma didática, o roteiro de trabalho, valendo-nos do lema de Allan Kardec: Trabalho, tolerância e solidariedade. Quanto ao trabalho, é necessária a postura de abnegação porque o serviço requer participação e a unificação consciente da obra que é gigantesca; Quanto á tolerância, temos que ter a compreensão, revestida da postura interior de indulgência; Quanto a solidariedade, devemos entender que, enquanto nossas relações não forem de convivência fraternal, dificilmente haverá união e progresso. O verdadeiro conhecimento deve ser transmitido na simplicidade das palavras e das ações, a fim de não criar dúvidas ou resistências emocionais em quem ouve. Os frutos que o ser humano deve retirar não o são apenas para a vida futura; deve desfrutá-los também na presente existência, pela transformação que a Doutrina deve operar em sua vida; consequentemente sobre suas relações sociais, pondo fim ao reino da incredulidade, do egoísmo e do mal, preparando-se para o Reino de Deus, anunciado por Jesus e referendado pela Doutrina dos Espíritos. Que a Paz do Senhor permaneça em nossos corações. Bibliografia: Velho Testamento Novo Testamento Livro dos Espíritos + acréscimos Jc. 04/2003 Revisado em 08/08/2012

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