domingo, 19 de agosto de 2012

O LIVRO ARBÍTRIO

O LIVRE ARBÍTRIO O livre-arbítrio é a faculdade que tem o ser humano de decidir por sua vontade, sobre pensamentos, palavras e ações. Tudo o que se refere ao livre-arbítrio é delicado e merece a maior ponderação, o maior cuidado. Em todos os atos praticados pelo ser humano há sempre uma parte livre, que é a que vem da faculdade individual ou livre-arbítrio; e outra compulsória, obrigatória, que é a que decorre, como fatalidade, da Lei de Causo e Efeito, ou também conhecida como o Determinismo Divino. Assim sendo, os atos humanos são subordinados ao seguinte processo: 1º- O ser humano, no íntimo ou pelos sentidos, toma conhecimento de determinado fato ou circunstância; 2º- Esse conhecimento, indo ao cérebro, determina uma reação interna ou externa, isto é, para o espírito ou para o corpo físico; 3º- A faculdade da vontade intervém e a pessoa executa a ação julgada necessária num ou noutro sentido. A ação da vontade ocorre depois de uma série de elaborações no cérebro e representa a decisão tomada pelo espírito encarnado (a pessoa), em relação ao fato ou às circunstâncias em causa; essa decisão é o que chamamos de livre-arbítrio. Essa decisão posta em prática gera consequências que automaticamente, passam a pertencer ao espírito encarnado, com efeitos positivos ou negativos. Nos atos livres, onde que usamos o nosso livre-arbítrio, as decisões podem ser tomadas num sentido ou noutro, numa ou outra direção, do bem ou do mal; ao passo que, nas ações compulsórias, obrigatórias, qual seja nos casos de resgates ou provas, pela Lei de Causa e Efeito ou pelo Determinismo Divino, as decisões não são tomadas pelo livre-arbítrio da pessoa, sendo este, muitas das vezes forçado a agir num sentido ou direção, passando por situações sob a influência de forças desconhecidas, executores das leis divinas. Não podemos concluir, porém, que a fatalidade dessas ocorrências elimine o livre-arbítrio individual, que é um atributo sagrado do espírito. Muito ao contrário, o livre-arbítrio que gera essas situações, foram escolhidas pelo espírito que, entretanto, pode fazer ou deixar de fazer, aceitar com resignação ou reclamar e maldizer sua situação, que será repetida, enquanto não houver a aceitação e conformação. Depois da decisão tomada, do ato praticado, suas conseqüências, gravem bem, já não pertencem mais à vontade da pessoa, correndo por conta das coisas e fatos que têm de acontecer, justamente para o reequilíbrio da posição do autor na trajetória evolutiva, se for uma ação negativa. Resumindo: Duas forças operam sempre os atos humanos; as que nascem no momento, fruto da vontade da pessoa, como decisão pessoal, e, as que vêm da lei de “Causa e Efeito”, sobre as quais o ser encarnado (pessoa) não tem ação, porque são conseqüências de atos já praticados anteriormente, que devem encerrar seu próprio ciclo, para a volta do equilíbrio. Por esse motivo, dependem de nós os atos presentes que formarão o futuro; o direito de agir no sentido do bem ou do mal, criando um futuro bom ou mau; abrindo caminhos bons ou maus, fáceis ou difíceis, claros ou escuros, de paz e felicidade ou de problemas e sofrimentos. Acrescentamos ainda, mais alguns detalhes que são de interesse: O livre-arbítrio também se manifesta nos espíritos desencarnados quando, após uma encarnação (existência terrena) de provas ou tarefas, é dado o balanço dos resultados. Se débitos foram contraídos, falhas cometidas serão exigidas provas e resgates em uma nova encarnação. Para isso, aguardam sua vez, pois a fila de necessitados de nova encarnação na Terra é constituída de bilhões de espíritos, e, quando finalmente a oportunidade surge, tomam parte na elaboração do novo programa de ação no mundo, na escolha da família, dos meios, do novo campo de atividades, dos recursos necessários, das provações a passar resgatando dívidas, e os fins a atingir em determinado tempo de existência. Isso assim acontece quando há liberdade de escolha, porém quando se trata de espíritos ignorantes, irresponsáveis e incapazes, a reencarnação é compulsória, regulando-se rigidamente pelas leis espirituais necessárias no caso, sendo tudo providenciado e ajustado pelos benfeitores espirituais encarregados das encarnações desses espíritos. Se os espíritos mais evoluídos sofrem quando reencarnam (voltam ao corpo físico), nos mundos inferiores, os ignorantes e os retardatários, ao contrário, se alegram, porque voltam a esses mundos onde se sentem melhor; ficam mais a vontade e suas sintonias inferiores vibram melhor com eles. Nesses mundos vivem camuflados na carne, ostentando posições às vezes de destaque, que espiritualmente não lhe são devidas, podendo ocultar suas imperfeições e viver como os demais, o que não é possível na Espiritualidade, onde não possuem corpos para esconder os negrumes e as inferioridades sempre presentes no espírito. Utilizam a faculdade do livre-arbítrio, que todos nós temos e somos responsáveis, de forma irrecorrível, pelos atos praticados e suas conseqüências, que se registram automaticamente e minuciosamente na contabilidade divina, onde colhemos os frutos do que semeamos no passado, e ao mesmo tempo, semearemos para o futuro. Durante a nossa existência terrena, estamos sempre questionando sobre o destino; principalmente quando somos atingidos por algum infortúnio. Às vezes indagamos: - Por que o destino me fez passar por isto? – O Determinismo Divino diz que tudo no Universo progride; evolui. Algumas vezes para que esse progresso se realiza, deve haver algumas modificações. Essas modificações que representam ajustes são consequências de uma coisa que nem sempre sabemos definir. Assim, o nosso destino é a união do Determinismo Divino e o exercício do nosso livre-arbítrio, que origina as conseqüências que passamos durante a existência. Existem Leis Naturais e imutáveis que Deus não quer mudar segundo o desejo de cada pessoa; mas acreditar que todas as conseqüências da existência estão submetidas à fatalidade, ao destino; a diferença é muito grande. Se assim fosse, o ser humano seria apenas um instrumento passivo, um autômato, sem iniciativa e livre-arbítrio. Sendo a pessoa livre para pensar e agir, num sentido ou noutro, seus atos têm para ela e para os outros, conseqüências subordinadas àquilo que fez, faz ou deixou de fazer. O sofrimento que nos caem sobre os ombros, durante a existência, são conseqüências que funcionam como efeitos de causas praticadas por nós mesmos. Essa causa pode ter se originado na presente existência, como pode ter se originado em outras. “A lei humana pune certas faltas, não alcançando todas elas; atinge apenas as que prejudicam a sociedade. A Lei de Deus, por querer o progresso de todas as criaturas, não deixa impune uma única infração à Lei.” A Lei Divina por ser de justiça e amor, fornece à pessoa, a oportunidade de resgate que é concedida como perdão, pelos delitos cometidos contra ela. Aqueles que são atingidos pelas vicissitudes e decepções, que interroguem suas consciências, e verão se não podem dizer: “Se eu tivesse ou não tivesse feito tal coisa, eu não estaria em tal situação. Os sofrimentos que lhe são consequências dão à pessoa a experiência, fazendo-a sentir a diferença entre o mal e o bem, e a necessidade de evitar no futuro, o que lhe possa causar sofrimento.” As vezes determinadas provas como a pobreza e a deficiência, são escolhidas pelo espírito, ainda na Espiritualidade, como forma de apressar sua elevação espiritual. Outras vezes o espírito pede que no resgate de suas faltas, lhe seja concedido a riqueza que poderá ajudá-lo, ou prejudicá-lo na existência. O problema para todos é o seguinte: Devemos resgatar nesta existência, os erros do passado, com a maior compreensão e humildade, e proceder de acordo com as Leis de Deus, cuja base é o Evangelho de Jesus, para não acumularmos novas dívidas que, logicamente, exigirão novos sofrimentos e o retardamento na evolução espiritual. O Evangelho aponta sempre o rumo e a conduta certa e justa, restando a nós somente segui-lo, realizando a reforma íntima e a purificação dos sentimentos. Segundo sua vontade, o ser humano pode melhorar ou piorar os seus sentimentos, elevando-se ou estagnando-se nos diversos planos do mundo espiritual. Enquanto encarnado, o espírito constrói ou aprimora o seu mundo interior que resulta dos sentimentos melhorados e da sabedoria que até então adquiriu, que lhe forma a personalidade atual, com a qual se projeta no mundo. Quando desencarna (falece), esse estado interior representa as aquisições que o faz subir aos diferentes planos da Espiritualidade, passando a viver no que lhe competir, segundo suas aquisições. Nesse plano encontrará outros espíritos que estiveram em condições idênticas no grau de moralidade, na mesma sintonia sejam eles antigos familiares ou não. A sintonia vibratória marca rigorosamente as fronteiras entre os planos espirituais, impedindo sua transposição indevida; melhor dizendo: Espíritos inferiores não terão acesso a planos superiores. Disso se conclui que, modificando seu estado íntimo pela reforma moral e a prática do bem, o espírito encarnado melhora sua vibração, aumentando sua capacidade de evolução e, após sua libertação do corpo físico, poderá chegar a habitar um plano mais elevado e perfeito, levando a sua vida mais feliz, na convivência com outros Espíritos mais elevados. Tais possibilidades estão, pois, inteiramente em nossa vontade, em nosso livre-arbítrio, bastando que nos decidamos a realizar a reforma íntima, mas não apenas aparente, e sim, uma reforma profunda e sincera. Sabendo disso, seremos insensatos se nos deixarmos permanecer, por vontade própria, em comodidades passageiras ou negligências, em graus inferiores da vida moral, que geram após nossa passagem para o além, á convivência com espíritos ignorantes, maléficos que nos causarão sofrimentos, cerceando nossa liberdade, nos trazendo perturbações, que são condições insuportáveis, desesperadoras e terrivelmente dolorosas para nós. Quando o ser humano está na plena posse de suas aptidões, gozando saúde física e moral, lhe é muito fácil tomar atitudes, utilizar suas faculdades, poderes e sobra-lhe coragem. Mas quando está combalido, cansado da idade, ou por moléstias, quando sua mente se perturba por imprevistos ou desgostos, tudo se torna mais difícil e às vezes até impossível. Quando a luta o enfraquece e o desânimo o domina, tornando-o inativo, apático, descrente de tudo, as sombras o envolvem e fecham-se para ele as possibilidades de existência no mundo. Essa é a hora em que devemos lembrar-nos que possuímos em potencial, como partícula divina, poderes que, quando acionados pela vontade ou por uma necessidade premente, atraem forças de apoio de grande ajuda. Quando apelamos por motivos justos, nosso apelo nunca é feito em vão, pois a resposta do Alto se faz presente – essa é a Lei Divina. Não encarnamos neste mundo inferior para ficarmos inativos ou derrotados, mas para lutar pela nossa reabilitação, sofrendo provações e vencendo-as; muitas vezes os sofrimentos e as crises são testes e provações de selecionamento, após as quais a tormenta passa e galgamos um degrau a mais na escala evolutiva. Entretanto, não podem os benefícios espirituais servir-nos de apoio permanente, para que nos acostumemos a empregar sozinhos, as próprias forças, na conquista de valores espirituais e acumulando autoconfiança para provas futuras, demonstrando condições não só de utilizar nosso livre-arbítrio com sabedoria, como suportar com compreensão e paciência, as limitações marcadas em nossa programação existencial na Terra. É muito comum e natural nos dirigirmos aos protetores espirituais para obtermos conselhos, ajuda e solução dos problemas sociais e cura das moléstias. Isso é feito em larga escala, porque somos ainda imperfeitos e fracos; vivemos rodeados de males e raramente os suportamos com humildade e resignação. Conhecendo muito pouco das leis espirituais que regem nossos passos na existência terrena, erramos quando desejamos que os protetores retirem das nossas costas as cargas que nos cabe suportar. Jesus disse-nos que cada um tinha que carregar seu fardo. Os guias espirituais estão sempre prontos a nos auxiliar, mas é preciso compreender que há certos limites que eles mesmos não podem transpor, porque tudo o que nos acontece de bom ou de mal, é necessário ao nosso adiantamento espiritual; para isso é que nascemos. Não viemos para sofrer; viemos para progredir pelo amor, mas criamos dívidas na nossa jornada e somos obrigados a resgatá-las, da mesma maneira que nos endividamos. Se causarmos sofrimento, é pelo sofrimento que nos quitamos; se causarmos prejuízos a alguém é passando por prejuízos que liquidamos nossos débitos – essa é a Lei. Pelo nosso livre-arbítrio, podemos plantar o que quisermos, ou seja, agir de acordo com a nossa vontade, sabendo, entretanto, que colheremos daquilo que plantarmos. O livre-arbítrio, ou a liberdade que temos de agir dentro das leis dos homens e divinas, foi dado ao ser humano para que ele mesmo faça sua conduta, enfrentando seus problemas, assumindo responsabilidade das decisões que tomar, dos pensamentos que emitir, das palavras e dos atos que praticar e as suas conseqüências. Inútil é tentar transferir para os protetores espirituais nossos problemas, na suposição de que eles resolvem por nós, por serem Espíritos com mais poder. Somente espíritos irresponsáveis, malévolos e mistificadores se envolvem em nossos problemas pessoais, opinando ou interferindo. Isto não quer dizer que não teremos a assistência dos Espíritos familiares ou afins, que nos aconselham medidas, indicam remédios, choram conosco nossas dores e consolam sempre, assim como os de hierarquias mais elevadas também o fazem; porém não interferem eles no curso normal das leis divinas, salvo em casos especiais, onde haja o merecimento e a permissão da bondade de Deus. Quando, portanto, surgir dificuldades ou vicissitudes a enfrentar, o que devemos fazer é analisar o problema à luz da razão e lutar para eliminá-lo, utilizando nossos próprios recursos. Se mesmo assim não houver resultado satisfatório, persistir, até termos certeza de que a solução está acima de nossas forças; então podemos recorrer aos benfeitores espirituais, não com a certeza de sermos atendidos, mas com a esperança e a fé que Jesus nos transmitiu, ao dizer: “Buscai e achareis; pedi e dar-se-vos-á”, condicionado ao nosso merecimento. Para evitar essas situações, convém lembrar que é necessário exercer o livre-arbítrio de pensar, falar e agir sempre com pureza e elevação. Todo pensamento é vivo, tem vibração e interfere na vida do próximo como também na nossa. Há muita responsabilidade no ato de pensar, porque, se pensarmos bem espalhamos o bem e, em caso contrário, semearemos o mal, tanto ao nosso redor como a distâncias. Pensando, falando e agindo com bondade e justiça, criaremos correntes benéficas de força em torno de nós, fluídos e vibrações positivas e proteção que nos trarão bem-estar e aos nossos próximos. Deus a todos possibilita os caminhos que levam à perfeição; mas todos têm que percorrê-los com seus próprios esforços, executando a tarefa que lhes está prescrita, seja no campo individual, ou no campo coletivo. “O livre-arbítrio, vem de Deus... porém o destino, a fatalidade e os sofrimentos vem dos próprios seres humanos...” Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações. Bibliografia: Edgard Armond Livro dos Espíritos Jc. S.Luis, 02/08/2004 Refeito em 07/08/2012

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