domingo, 18 de julho de 2010

A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS E NOSSAS IMPERFEIÇÕES

A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS E NOSSAS IMPERFEIÇÕES

Por ser Jesus um Espírito puro e perfeito, muitas pessoas pensam que Ele foi criado de maneira diferente dos outros espíritos. Mas não foi assim, porquanto Deus não usa de privilégios com um filho em detrimento de outro. Todos nós fomos criados iguais e dotados de inteligência e livre-arbítrio. Se não fosse o mau uso que dele fazemos desde o princípio, não teríamos nos afastado tanto do nosso Criador, que nos deu condições de desenvolver a inteligência e a moralidade pelo trabalho, pelo estudo e pela perseverança no bem. Se tivéssemos seguido o caminho que Jesus e outros Espíritos elevados percorreram desde o começo, não estaríamos em existência de provas tão difíceis. Jesus usou o seu livre-arbítrio de maneira a seguir o caminho reto que o levou à perfeição, enquanto nós seguimos os desvios que nos trouxeram as desarmonias, as dificuldades, os sofrimentos, pela nossa própria invigilância no trato com as leis de Deus, que o Mestre Amado veio ensinar aos seres humanos.

Quem, a não ser o Cristo, esse Espírito sublimado pela pureza moral, poderia nos trazer ensinos tão importantes para o nosso progresso e bem-estar ? Sabemos que em cada mundo habitado, há um Instrutor a auxiliar a humanidade desse planeta. Na Terra, nós temos Jesus, nosso irmão maior e Mestre. Ele nos falou de todas as coisas para a nossa vivência e convivência diária com os nossos irmãos. O Evangelho de Jesus, é uma norma de vida para que o ser humano tenha uma existência voltada para o bem e em paz consigo mesmo e com todas as criaturas que vivem ao seu lado, aqui na Terra, de tal forma que, ao chegar ao mundo Espiritual, sua consciência não o acuse de malbaratar o tempo que lhe foi concedido para viver entre os seus iguais.

Foi dito anteriormente: “Amareis vossos próximos e odiareis os vossos inimigos”. Essa ordem fazia parte da lei antiga, quando os seres humanos não conheciam as palavras “amor ao próximo” e “perdão das ofensas”. Moisés, o legislador hebreu, instituiu esse preceito do “olho por olho e dente por dente”, para conter o instinto quase selvagem do seu povo. Jesus mudou radicalmente tais preceitos ao dizer: “Eu, porém, vos digo: Amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de que sejais os filhos de vosso Pai que está nos céus, que faz nascer o sol para bons e maus, e faz chover sobre justos e injustos”. No dia em que o ser humano acordar e abrir os olhos para a realidade da existência, sentirá em sua consciência as leis divinas que o Cristo veio trazer à humanidade, que recomenda a humildade, a mansuetude e a benevolência. A Bíblia, livro religioso dos judeus (apenas o Velho Testamento) anunciou a vinda do Messias. O Evangelho, que é o livro religioso do Cristianismo (Novo Testamento), anunciou a vinda do Consolador.

Os Espíritos Superiores que se manifestaram são unânimes em afirmar que Allan Kardec foi enviado por Jesus à Terra, para realizar a codificação da Doutrina dos Espíritos, o Consolador Prometido, que representa a continuação histórica do Cristianismo e restabelece os ensinos de Jesus em espírito e verdade. A passagem de Kardec pelo planeta foi muito importante; porque se não tivesse surgido a Doutrina, ainda hoje estaríamos sem entender Jesus, pois nos 1850 anos decorridos da era cristã não O compreendíamos e suas palavras foram completamente desfiguradas pelos seres humanos através dos tempos, para dar lugar a cerimônias e eventos que nada dizem respeito ao Evangelho. Kardec veio restabelecer todas as coisas e pô-las em seus devidos lugares.

A Doutrina Espírita não tem a receita da felicidade ilusória para dar, nem sabe rebaixar o Céu ao nível da Terra. Ela dispõe, porém, dos recursos preciosos para a construção da felicidade e do céu no íntimo, pelo estudo, pelo trabalho e pelo auto-aperfeiçoamento moral. A finalidade da Doutrina dos Espíritos é instruir a humanidade, tirando-a do sofrimento pelo aprendizado sadio de seus ensinamentos. A Terra é a escola aonde o espírito vem se reconciliar com seus desafetos, muitas das vezes, no seio da própria família onde as desarmonias aconteceram. Quando estamos fora de nossa casa, sentimos uma grande saudade dela e aquele desejo de voltar. Com o espírito não é diferente, pois ele é um ser com os mesmos desejos e sentimentos.

Ao desencarnar (morrer), se for repentino o desenlace o espírito não toma conhecimento de sua nova realidade, e para onde ele vai, se ele é o mesmo espírito que apenas perdeu o seu corpo físico? Lógico que volta para sua casa. É muito comum surgir na família, outra pessoa com alguma mediunidade, apresentando os mesmos sintomas e problemas do desencarnado. Aí muita gente diz: “É fulano que está presente e transferindo para seu parente os problemas que deixou aqui”. Outros dizem: “não pode ser; esse é o parente a quem ele mais queria e tinha grande amizade...” Exatamente porque a lei da afinidade funciona também para os espíritos, e estes menos esclarecidos, ao se aproximarem do parente, causam transtornos para a família.

Quantos males, quantas enfermidades o ser humano deve apenas aos seus excessos, à sua ambição? O ser humano que tivesse vivido sempre sem abusar dos excessos e houvesse cultivado gosto simples e desejos modestos, se pouparia de muitos sofrimentos. Os vícios são um grande empecilho ao bem-estar do espírito tanto quando na Terra como na erraticidade, sendo também uma grande falta de caridade para com nosso corpo que é o veículo de nossa manifestação no mundo da matéria. Toda e qualquer espécie de vício é prejudicial ao nosso aprimoramento espiritual. O tabagismo, a toxicomania, a sexolatria, a glutonaria, são fatores dissolventes e destrutivos, de livre opção, não fazendo parte do processo educativo de ninguém. Quem a qualquer um deles se vincular, padecer-lhe-á , certamente o efeito prejudicial, mais ou tarde, não podendo queixar-se ou culpar os outros.

O tabagismo, inocente como parece, responde por câncer de várias maneiras; na língua, na boca, na laringe, e por inúmeras infecções e enfermidades
respiratórias como o terrível enfisema pulmonar. Todo aquele que se submete à sua dependência está incluído nessa fatalidade destruidora, que não constava do programa reencarnatório, e que se deve só à sua imprevidência e vaidade.
O alcoolismo é um dos maiores inimigos do ser humano e é de lamentar que seu uso esteja tão generalizado e haja, infelizmente, adquirido status na sociedade. As reuniões, as celebrações e festividades diversas fazem-se, quase sempre, acompanhar de bebidas alcoólicas, responsáveis por incontáveis danos ao organismo humano, à família e à sociedade. Acidentes terríveis, agressões absurdas, atitudes vergonhosas, decorrem do seu uso, além dos prejuízos orgânicos, emocionais e mentais que acarretam. Verdadeiras legiões de vítimas do alcoolismo se encontram nas avenidas do mundo, como nos campos, nos casebres da miséria, nas celas sombrias dos cárceres e nos leitos dos hospitais, apresentando a decadência humana, e que milhares de lares sofrem as conseqüências. Desencadeador da loucura, da depressão, da agressividade, responde ainda por distúrbios gástricos, renais e pela irreversível cirrose hepática. Seja consumindo a cachaça ou a cerveja, há sempre que diz: “Bebo socialmente”. Não existe isso ! Quem usa bebida alcoólica não sabe que está servindo de caneco vivo para os beberrões desencarnados que se encontram ao lado dos que bebem, usufruindo os fluidos e instigando-os a beber mais, por não poderem por si mesmos segurar o copo. É bom que as pessoas que bebem pensem nisso agora, porque o amanhã poderá ser tarde demais...

A toxicomania desarticula e desagrega a mente e as moléculas do metabolismo orgânico, lesando vários órgãos e alucinando todos quantos se comprazem nas ilusões mórbidas que dizem experimentar. Em verdade, todas as substâncias tóxicas causam danos irreparáveis ao organismo físico e psíquico, até no além túmulo, influindo fortemente no perispírito causando-lhe certas deformações que influenciarão negativamente em uma próxima preparação reencarnatória. O uso de drogas é responsável pela ocorrência de muitos crimes hediondos, e muitas vozes em protesto, buscando encontrar as causas sociológicas e psicológicas, para explicar a avalanche sempre crescente e assustadora de viciados de toda ordem.

A sexolatria dá origem a distúrbios emocionais, por conduzir a pessoa ao reduto das sensações primitivas, retendo-o nas áreas do gozo insaciável, que a leva a exaustão; a terríveis frustrações na terceira ou quarta idade; e a depressões sem conta pelo descalabro que desorganiza o corpo e perturba a mente. Além disso, cria dificuldades afetiva com os parceiros utilizados, estabelecendo compromissos desditosos para o futuro, e muitas das vezes são transmitidas doenças que podem levar até a morte.

A glutonaria, além de deformar a organização física, é agente de males que sobrecarregam o corpo e produzem contínuas disfunções gastro-intestinais, dispepsias, acidez, ulcerações, alienando o ser humano que vive para comer, quando deveria, com equilíbrio, comer para viver. Muitas pessoas pensam que as doenças e os problemas de ordem material que nós adquirimos aqui na Terra pela nossa má conduta, ficam com o corpo físico e com ele desaparecem, e assim o espírito se libertaria dos sofrimentos, como tudo o que é de ordem física, por ocasião do desencarne. Outras pessoas chegam mesmo a acreditar que, ao chegarem ao mundo espiritual, os espíritos se modificam radicalmente, tornando-se melhores e até anjos Convêm não nos iludirmos com essa idéia, pois isso é um absurdo. A morte não opera uma renovação milagrosa e nem modifica a moral de nenhum espírito. Os desencarnados continuam lutando com suas próprias imperfeições, para obtenção da melhora que os conduzirão a patamares mais altos no processo de seu aprimoramento espiritual.

A vida na Terra é uma imitação da vida no plano espiritual, onde cada um constrói à sua maneira. Nosso corpo não é responsável pelos desatinos de nossas atitudes, porquanto ele não passa de instrumento do espírito, que é o responsável por todos os atos. Assim, quando se chega ao mundo espiritual, levamos conosco os vícios, as imperfeições, as fraquezas, os hábitos e costumes que possuíamos quando na Terra. É por isso que no Mundo Espiritual se encontra a mesma população que viveu na Terra, com os mesmos desejos e problemas, com as mesmas deficiências e anomalias, porque, embora tivessem deixado a vestimenta carnal no túmulo, lá não ficaram também os vícios e as imperfeições. Tudo continua agregado à vida do espírito que apenas se libertou do envoltório material – o corpo.

Estamos nos referindo aos espíritos em expiação, porquanto os espíritos mais elevados, ao desencarnarem, apresentar-se-ão perispiritualmente, belos e luminosos, sem os danos da velhice e das doenças que sofreram o corpo; porque o perispírito reflete a superioridade do Espírito que comandou o corpo. Só depois de eliminadas essas deficiências e vícios, por meio das várias existências é que poderemos chegar cada vez mais próximo do ideal de perfeição e felicidade que almejamos. Esse trabalho de aperfeiçoamento que todos nós devemos fazer deve se iniciar o mais cedo possível, nesta existência, começando por renunciar aos prazeres mundanos não aconselháveis e nos dedicando com mais empenho à conquista das virtudes.

Foi por isso que Jesus, na Sua sabedoria, nos aconselhou a perdoar aos inimigos e orar por eles e por aqueles que nos desejam mal; é que o perdão e a oração têm o poder de desfazer as vibrações negativas que porventura venham em nossa direção e também de melhorar as nossas ações para que elas não prejudiquem ninguém. A mudança de procedimento melhorando a moral é o antídoto contra essas doenças que se enraízam na alma, e só a própria alma poderá desvencilhar-se delas, através das mudanças de comportamento. Pensamentos, palavras e ações negativas, sendo uma emanação vibracional do espírito, devem ser evitadas para não desorganizar nossa existência e nosso progresso espiritual e não criar anomalias ao nosso corpo físico, dificultando nossa presente existência terrena.

Bibliografia:
A Bíblia
O Evangelho de Jesus

Jc.
S.Luis, 25/10/2003

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