quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O MAL E O BEM

O MAL E O BEM

Allan Kardec na pergunta 629 de “O Livro dos Espíritos”, faz a indagação: “Que definição se pode dar a moral?” Resposta dos Espíritos Superiores: “A moral é a regra para se conduzir bem, quer dizer, a distinção entre o mal e o bem. O ser humano se conduz bem, quando faz tudo em vista e para o bem de todos, porque, então ele observa a lei de Deus. Assim, fazer o bem é se conformar com a lei de Deus; e fazer o mal é infringir essa lei. Quando comeis muito, isso vos faz mal. É Deus que vos dá a medida do que vos é necessário. A lei natural traça ao ser humano, o limite de suas necessidades. E quando ele a ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Deus deixa à pessoa, a escolha do caminho; tanto pior para ela, se toma o caminho do mal; sua peregrinação será mais longa e penosa. É preciso que o espírito adquira experiência, e para isso, é necessário que ele conheça o mal e o bem. Aquele que não faz o mal, mas que aproveita do mal feito por outro, é como se o cometesse; aproveitar é participar do ato. Talvez tenha recuado diante da ação, mas encontrando-a pronta, ele a usa, comprovando que o faria ele mesmo, se pudesse ou ousasse.”

O Evangelho nos fala do bem e do mal sofrer; de pagar o mal com o bem. Porém, o que é o bem? – O bem é tudo o que faz bem? – O que é o mal? – O mal é tudo o que faz mal? Nem sempre... As vezes um aparente bem, pode se transformar num mal; assim como de um mal pode proceder um bem. Exemplifiquemos para melhor compreensão:

Quando castigamos uma criança, aparentamos uma atitude maldosa; porém é para o bem dela. Quando a sociedade manda para a prisão uma pessoa, está possibilitando a ela a oportunidade de se regenerar, e não lhe castigando ou fazendo o mal. Quando deixamos de autorizar uma filha a ir a um determinado lugar, parece que estamos fazendo um mal, o que na verdade fazemos, é que por uma intuição, tivemos um pressentimento de que lhe poderia acontecer algo de mal, e portanto, lhe fizemos um bem. Tomemos outro exemplo: Um ladrão que rouba o salário de uma pessoa, está fazendo um bem para si, embora esteja praticando um mal; o assaltante que planeja muito bem um assalto que vai lhe trazer aparente bem-estar, está praticando um mal. Ao darmos demasiada liberdade aos nossos filhos ainda adolescentes, acreditamos estar praticando um bem; e essa liberdade pode levar a excessos e a prática do mal. Um estrupador se sente bem, praticando o mal em sua vítima. Assim, é preciso entender o que seja o bem e o mal, e como proceder durante a nossa existência na Terra.

Diz uma lenda que ao conceber o quadro “A Última Ceia de Jesus”, Leonardo da Vinci deparou-se com uma dificuldade: pintar o bem na imagem de Jesus, e o mal na figura de Judas, o amigo que o traiu. Ele interrompeu o trabalho até encontrar os modelos ideais. Certo dia, assistindo a um coral, viu em um dos rapazes a imagem perfeita para Jesus. Convidou-o então para o ateliê e reproduziu seus traços para o quadro. Passaram-se alguns anos e a “Última Ceia” estava quase pronta, mas Leonardo ainda não encontrara o modelo ideal de Judas. Um dia ele encontrou um jovem prematuramente envelhecido, bêbedo, esfarrapado, barbudo, atirado na sarjeta. Pediu ele que levassem aquele homem até a igreja. Da Vinci passou então a copiar o rosto de miséria, tão bem delineado na face do bêbedo, que mal conseguia o homem ficar em pé. Quando Leonardo terminou, o jovem, já um pouco refeito da bebedeira, notou o quadro à sua frente, e disse: “Eu já vi esse quadro antes!” – “Quando?” Interrogou Da Vinci. O homem respondeu: - “Há alguns anos atrás, antes de ficar neste estado de miséria, eu cantava, cantava num coro de igreja. Então apareceu um artista e me convidou para posar como modelo para a face de Jesus, e eu assim fiz.” – Temos assim, a face do Bem ou do mal; só depende do nosso proceder...

No início do século XX, na Alemanha, durante uma conferência com universitários, um professor perguntou: “Deus criou tudo o que existe?” – Um aluno respondeu: “Sim, Ele criou.” – O professor disse então: “Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal.” – O jovem ficou calado e o professor feliz de ter provado que a fé era um mito. Outro estudante levantou-se e disse: “Professor, o frio existe?” – O professor disse: “Lógico que existe; você nunca sentiu frio?” – O aluno respondeu: “O frio não existe. Segundo as Leis da Física, o que consideramos “frio” é a ausência do calor.” “A escuridão existe”, voltou a perguntar o aluno. O professor respondeu: “Existe.” – O aluno prosseguiu: “O senhor comete um erro; a “escuridão” também não existe. A escuridão na realidade é a ausência da Luz. A luz pode-se estudar; a escuridão não. Finalmente o aluno perguntou: “Senhor o mal existe?” – O professor disse: “Claro, como disse desde o começo.” – O aluno respondeu: “O mal não existe; o mal é simplesmente a ausência do bem. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existem a Luz e o Calor. O mal é o resultado da Humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

Muitas pessoas julgam-se merecedoras de irem para o céu, porque acham que bastará não fazer o mal para ser agradável a Deus. Isso já é bom. Não fazer o mal, livra as pessoas de resgates penosos, evita a possibilidade de atraírem espíritos maldosos que se afinam com os atos, e, arranjarem inimigos na Terra como na Espiritualidade, que lhes atrasem a marcha evolutiva. Entretanto, se não fazem o mal, talvez também não façam o bem. E não fazendo o bem, nada mais fazem, senão desperdiçar uma existência, apenas satisfazendo as necessidades do corpo, vivendo sem realmente viver a vida real que é a vida do Espírito. E quando chegam na Espiritualidade, a existência lhes é mostrada como o passar de um filme; aí então tomam conhecimento de que nada fizeram, da inutilidade da sua existência; e o arrependimento e a tristeza de não terem feito nada para avançar espiritualmente, os fazem sofrer.

Não há pessoa alguma que não possa fazer o bem. Só o egoísta, não encontra jamais oportunidade para fazer o bem. Cada dia, a vida dá oportunidades a qualquer pessoa que não esteja cega pelo egoísmo, para fazer o bem, que não é só ser caridoso, mas também útil, na medida em que se pode, e que a nossa ajuda é solicitada. O mérito do bem, está na boa-vontade no trabalho e na dificuldade. Não há mérito se fazer o bem sem trabalho e quando não nos custa nada. Deus tem mais em conta, o que reparte seu único pão, do que o rico que dá do que lhe sobra. Vejamos o que falou Jesus sobre o óbulo da viúva pobre: Assentado diante do gazofilácio (cofre destinado a recolher donativos para o Templo), observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias. Vindo porém, uma viúva pobre, depositou apenas duas pequenas moedas. Jesus chamando os seus discípulos disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os demais ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía.”

Como a lei de Deus determina que o espírito tem que evoluir sempre, então se não fazemos o bem, estamos parados no tempo; talvez porque o espírito esteja precisando de um pequeno descanso para recarregar e poder continuar a jornada em seguida; como também pode acontecer que resolvemos estacionar levado pelo nosso comodismo, pela preguiça e pelo desânimo. Nestes casos, mais cedo ou mais tarde, seremos “alfinetados”, devido a nossa imobilidade, para retomarmos à jornada interrompida de caridade e amor ao nosso próximo, que nos possibilitará galgar os degraus da evolução. Por que então, já que temos a oportunidade e as condições necessárias, não procuramos atender ao determinismo Divino, realizando nossos deveres de Cristãos, evitando novas existências penosas, sujeitos a resgatar pela dor o que recusamos fazer pelo amor?

Segundo a idéia que se fazia antigamente dos lugares de penas e recompensas, era que o céu ficava em cima e o inferno embaixo. Veio a Ciência e provou que a Terra é redonda e um dos menores mundos entre tantos milhões, e que o espaço é infinito; que não há nem alto nem baixo no universo. Assim, fomos forçados a deixar de acreditar que o céu está acima das nuvens e o inferno nos lugares baixos.

Estava reserva à Doutrina dos Espíritos, dar a todas as coisas, a explicação mais racional e mais consoladora para a Humanidade. Assim podemos dizer que carregamos dentro de nós, nosso inferno, quando fazemos a maldade; e o nosso paraíso, quando fazemos o bem. Nosso purgatório, o encontramos nos sofrimentos e provas das nossas existências corporais. A bem da verdade dizemos que, o que está acontecendo nestes tempos de renovação, é que os espíritos dos maus que a morte arrebata todos os dias, e todos aqueles que tentam deter a marcha do progresso espiritual, estão sendo excluídos da Terra e afastados do convívio das pessoas de bem, para não lhes dificultar a evolução e a felicidade. Esses espíritos estão indo para mundos menos evoluídos que a Terra, cumprir missões penosas, onde poderão trabalhar para o seu adiantamento e o adiantamento de espíritos ainda mais atrasados.

“Por que Deus permite que seres tão cruéis vivam no nosso mundo?”, certamente o que nos perguntamos. Seqüestros, atos de terrorismo, assaltos, tráfico de drogas, chacinas, etc... Até quando Deus permitirá isso acontecer? – O mal não faz parte da natureza íntima do espírito; é uma anomalia, como o são as enfermidades. O bem, tal como a saúde, é o estado natural, é a condição normal do espírito. Um corpo doente constitui um caso de desequilíbrio, o mesmo acontece com o espírito transviado, rebelde, viciado, criminoso. Há tantas variedades de distúrbios psíquicos quantos distúrbios físicos, aos quais a medicina dá variadas denominações. A origem do mal, quer no corpo quer no espírito, é a mesma; a infração das leis de Deus, causadas pela ignorância dos seres humanos, capazes de todas as insânias.

Quando Jesus ensinou o “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos fazem mal”, proclamou um preceito altamente humanitário. A benevolência contrastando com a agressão, é o único processo educativo capaz de corrigir e regenerar o pecador. Para eliminar-se o mal da Terra, é preciso que se apliquem métodos naturais que é a educação do espírito. Com o velho sistema de querer eliminar o criminoso, nada se logrará de positivo, porquanto eles continuarão malfeitores na espiritualidade e reencarnarão na mesma condição. A medicina jamais pensou em eliminação dos enfermos. Toda a sua preocupação está voltada para curar os doentes. O mesmo processo deve tratar os distúrbios que afetam a moral dos indivíduos. Para a sociedade, é muito mais fácil encarcerar ou eliminar o criminoso; educá-lo é mais difícil, mais trabalhoso, demanda tempo. A educação previne o vence o mal. O homem educado conhece o senso da vida, age com critério, com discernimento e é um valor social. Retirem-se os delinqüentes do convívio social, como se faz com o doente que ameaça a saúde pública; mas deve-se prestar a ambos a assistência necessária.

A Doutrina dos Espíritos nos oferece muitas informações que nos ajudariam a modificar um pouco essa situação. Ela nos mostra que o mundo onde vivemos foi reservado para os espíritos menos evoluídos, cujo caráter predomina o mal sobre o bem, o egoísmo sobre a caridade, o ódio sobre o amor. Deus não colocou espíritos cruéis em nosso mundo; nós, por ainda sermos inferiores é que nos condenamos a viver em um mundo onde habitam espíritos cruéis. Não são eles que estão em nosso mundo; nós é que estamos no mundo deles. Outra coisa é a lei do progresso que a tudo rege. Segundo essa lei, não existe o mal eterno. Todas as almas e espíritos um dia estarão voltadas para o bem, único estado espiritual que traduz a harmonia das Leis de Deus.

É pelo progresso moral e pela prática das leis divinas que nós atrairemos para a Terra, os bons Espíritos, fazendo nela reinar, o Amor e a Justiça, que são as fontes do bem e da felicidade. Para a nossa evolução e a condição de escolhidos, precisamos fazer o bem; um pensamento positivo, uma prece, um sorriso, um gesto fraterno, uma boa palavra, um conselho elevado, um simples copo com água, nos faz uma pessoa de bem e nos conduz ao Reino de Deus. Vamos praticar o bem para que a bondade do Senhor também venha até nós.

Cada criatura neste mundo, se sofre a influência dos espíritos inferiores que tentam arrastá-la para o mal, também recebe a influência dos bons Espíritos que a estimulam à prática do bem. Segundo os Espíritos Superiores, a Terra cumpre o papel de imenso educandário. Se recebeu no passado, espíritos perseverantes no mal, e que hoje desencarnando não estão voltando à Terra, e os que aqui ainda se encontram em última oportunidade, nunca porém deixou de receber também o socorro de Espíritos evoluídos, para despertar em todos, com seus exemplos de vida, o sentimento da prática da caridade e do amor sublime. Buda, Jesus, Francisco de Assis, Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Allan Kardec, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier, Divaldo Franco e muitos outros desconhecidos, foram exemplos de Espíritos enviados por Deus para nos orientar e encaminhar.

Todos nós somos convidados a participar, a colaborar com o mundo em que vivemos, das mais variadas maneiras... Toda hora é hora de praticarmos o bem. Se o mundo continua inferior, é porque nós, que já não temos ódio nem praticamos atrocidades, ainda não tivemos a coragem suficiente para colaborarmos de forma eficiente, a favor de uma humanidade menos primitiva. Somos almas humanas, porém o que mais nos falta ainda é o sentimento de fraternidade.

A renovação da Terra está se realizando lenta e progressivamente, pela partida dos espíritos inferiores que estão sendo encaminhados para mundos atrasados, e com a chegada de Espíritos mais elevados e evoluídos moralmente. As novas gerações de Espíritos, que estão se sucedendo, inicialmente inteligentes, depois moralizados e finalmente evangelizados, estão renascendo por toda parte, já possuídos de propostas elevadas e moralizadoras, que farão a transformação do mundo, até aqui voltada para o mal, para um mundo de regeneração, onde o bem será predominante. Os herdeiros da Terra poderão criar uma nova sociedade onde a justiça, a fraternidade, e o amor entre as pessoas e os povos, comprove a evolução do planeta. “Os mansos herdarão a Terra”, disse Jesus. Somente quando os valores morais estiverem na agenda diária de cada um de nós, é que neste mundo haverá menos seres primitivos e mais seres evangelizados. E para que isso aconteça é necessária a nossa colaboração; todos somos convocados a participar dessa tarefa, no sentido de afastar a maldade do nosso convívio com as demais pessoas,, para vivermos uma nova época de regeneração e paz.

Humberto de Campos (espírito), no livro ‘”Boa Nova”, narra que Jesus disse aos seus discípulos: “O ser humano é mais frágil do que mau”, e nos ensina na oração dominical, como evitar o mal, quando dizemos: “Não nos deixeis sucumbir às tentações, mas livra-nos do mal...” Aqui temos que fazer a distinção entre a palavra mau, com u e mal com l. Mau com (u) é o contrário de bom; significa “ruim”, “de má índole”, enquanto que mal com (l) é o contrário de bem; significa “erradamente” “desagradável”.

Finalizando e rememorando Allan Kardec quando perguntou aos Espíritos Superiores, o que era o Bem. Ora, com nosso conhecimento poderíamos responder: O bem é aquilo que faz bem. Os Espíritos porém, respondem: “O bem é tudo aquilo que está conforme às Leis de Deus”. Kardec fez então outra pergunta: “E o que é o mal?” Os Espíritos respondem: “O mal é tudo o que está contrário a Lei de Deus.” Kardec fez então a terceira pergunta: “Onde está escrita a Lei de Deus?” Os Espíritos respondem apenas: “Na consciência.”

Assim como o mal que fazemos aos outros, pelo pensamento, pelas palavras e pelas ações, ficam gravadas na nossa consciência e retorna a nós; assim também acontece com o bem que se faz as outros, porque faz bem primeira a nós. Se bem queremos entender, o nosso próximo a quem fazemos o bem, é o veículo ou o instrumento pela qual fazemos o nosso próprio progresso espiritual. Só exercitando o sentimento maior da Lei de Deus, que é o Amor, e em conseqüência o bem, poderemos ingressar nos planos superiores e sermos realmente felizes e abençoados...

Que a Paz do Senhor esteja em nossos corações.


Jc.
26/10/2004

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